CAPÍTULO VIII
No fim daquela viagem, Rin sabia como Sesshoumaru Fenton mantinha sua fortuna. Tinha visto a incrível energia com que trabalhava. Era hábil e seguro, com todas as qualidades de um vencedor.
As únicas ocasiões em que ficavam a sós era no quarto de dormir, mas muitas vezes ele passava a noite assinando papeis e preparando documentos importantes.
De certo modo, ela também trabalhava. Representar o papel de Sra. Fenton era uma tarefa difícil e todo dia, depois de se vestir e se arrumar, tentava fazê-lo da melhor maneira possível. As pessoas já não se surpreendiam ao conhecê-la o que significava que sua aparência estava ficando convincente.
Comprou muitas roupas, incluindo algumas peças de lingerie bem sensuais e começava a se sentir confiante na sua nova posição social. Mas mesmo assim não conseguia chamar a atenção de Sesshoumaru.
Em público, ele agia como um marido atencioso e gentil. Na intimidade, era bondoso, tolerante, divertido e aparentemente não se importava de dormir sozinho.
Rin imaginava se ele não havia procurado outras mulheres nessas quatro semanas tão cheias de trabalho. Pelo jeito, não tivera tempo para isso, mas agora que estava de volta para a Inglaterra certamente procuraria alguém. A simples ideia de vê-lo com outra mulher era impossível de aceitar.
Tinha concordado com aquele estranho casamento não pelas vantagens, mas com uma enorme esperança de ser feliz ao lado do homem que amava. Agora via que a situação não podia durar. Sesshoumaru acabaria decidindo que não desejava viver com ela e voltaria para Kagura Cavell. No máximo, talvez continuasse se preocupando com sua carreira de decoradora, promovendo-a da melhor maneira possível.
Apesar de tudo, ficou contente ao retornar a Londres. Queria trabalhar e ter um quarto só seu, pois a presença de Sesshoumaru era por demais perturbadora, mesmo que mal a visse como mulher. Sua proximidade, especialmente quando o quarto estava escuro e silencioso, a inquietava. Por fim, cansada, acabava adormecendo, mas na manhã seguinte não gostava de lembrar os sonhos cheios de erotismo que tinha com ele...
Viajaram para Tir Glyn num helicóptero pilotado por Sesshoumaru. Mesmo tendo viajado de avião todo o mês, a experiência a deixou emocionada. O helicóptero era diferente das cabines luxuosas e impessoais dos grandes supersônicos, e lá do alto podia ver as estradas, cidades e colinas, chegou em casa alegre e animada como uma criança.
Talvez Sesshoumaru achasse ridículo, mas não tinha importância. Ao aterrissarem, prendeu o fôlego e quando pousaram no gramado, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Não é lindo? Olhe os jardins! – riu, meio sem graça. – É bobagem dizer isso a você. Claro que foi ideia sua.
Enquanto viajavam, a atividade ali devia ter sido intensa, pois a grama estava aparada, os canteiros floridos e as árvores podadas. Rosas de todas as cores margeavam os caminhos que levavam a casa, brilhando ao sol forte.
O jardim mantinha seu aspecto selvagem, mas revelava um cuidado profissional. Era exatamente como havia imaginado, quando ele a descrevera na semana que passaram lá.
- Tom esteve ocupado. – Rin brincou, descendo do helicóptero.
- Do que está falado?
Ao se aproximar da entrada, ela viu as cortinhas nas janelas e correu. Não havia musgo nos degraus e o banco de ferro do terraço brilhava com a pintura nova. A porta da frente estava aberta e uma senhora de meia-idade os esperava. Tinha um rosto agradável e bondoso e usava um vestido de algodão cinzento.
Sesshoumaru sorriu e a apresentou a Rin.
- Esta é a Sr. Kaede. Ela vai ajudá-la a tomar conta da casa.
- Como vai? – Rin nem conseguiu dar atenção à mulher, pois a visão da casa tirou-lhe o fôlego.
Não era possível. Estava tudo perfeito, exatamente como idealizara. O assoalho tinha sido polido e encerado, e a escada brilhava com o novo revestimento de verniz. Havia tapetes maravilhosos e quadros belíssimos enfeitando o ambiente, enquanto as paredes e o teto completavam a decoração, pintados em tons discretos.
Através das portas abertas, pode ver a sala de jantar completamente reformada com a mobília antiga inteiramente restaurada. Por toda a parte, jarros cheios de flores espalhavam um perfume suave e acolhedor.
- Sinto como se voltasse ao passado, apesar de não ser a mesma casa que deixei há seis semanas – comentou.
- Ainda há alguns quartos para terminar.
A notícia a alegrou, pois queria continuar o trabalho planejado. O decorador seguira seus desenhos à risca, mas esta era a casa de seus sonhos e gostaria de participar de todas as fases do projeto.
- Vamos viver aqui, Rin. Vendi minha outra casa. – Sesshoumaru explicou.
Então, não conheceria a velha casa em Buckinghamshi, onde ele nascera e se criara. Era a primeira vez que Rin ouvia falar da venda e lamentou não ter visitado antes a antiga mansão dos Fenton.
- Jeck pode levar a bagagem para cima, senhor? – a Sra. Kaede pergunta.
Um homem de meia-idade, alto e sorridente tinha acabado de entrar, e esperava ao lado da governanta.
- Ainda não decidimos que quartos vamos usar. – Sesshoumaru pôs a mão no braço de Rin. – Venha escolher seu quarto.
Subiram as escadas e assim que ficaram a sós, ela disse:
- Qualquer um serve para mim, desde que possa ficar sozinha.
- Não seja boba. É minha esposa e deve ter um dos quartos principais. De preferência, ao lado o meu.
Ela deu de ombros, sem se importar.
- Como quiser.
Antes de partir, Rin tinha terminado o quarto principal e agora revia o luxo das cortinas, tapetes e a enorme cama de colunas, como se fosse partes de um filme. Não pode deixar de lembrar que este era o quarto que Kagura queria dividir com Sesshoumaru.
Por um momento, o marido hesitou à porta e ela logo soube o motivo de sua dificuldades para entrar no aposento. No ar, o perfume que Kagura Cavell usava rescendia, como se tivesse acabado de sair dali.
Ela olhou para a cômoda e viu uma enorme fotografia de Kagura, sorrindo radiante. Sob o porta-retratos, um bilhete perfumado dizia: "Bem-vindo ao lar, querido".
- Parece que Kagura não acredita que tudo acabou e não há mais nada a dizer – Rin comentou.
Ele não respondeu, como se não tivesse ouvido.
- Mas não precisa acabar, não é? – ela sorriu, amarga. – Este casamento só existe no papel e você pode escolher as mulheres que quiser. Só que eu não devo enganá-lo. Não acha que é um arranjo injusto?
- Nenhum de nós vai enganar o outro, Rin. Você pode fazer o que quiser, desde que me conte. Só não quero saber de seus casos por intermédio de outras pessoas.
- Está bem – ela disse. Mas na verdade não queria saber de nada.
Ele saiu do quarto e Rin o seguiu até as escadas, vendo-o entrar no estúdio e fechar a porta.
Agora havia um telefone no quarto, mas com certeza Sesshoumaru queria ligar para Kagura. Devia saber onde ela estava... Sentindo um nó no peito, Rin pensou que não podia ser longe dali, pois a atriz tinha estado em Tir Glyn.
Teve vontade de jogar a fotografia no lixo na mesma hora. Mas isso cabia a Sesshoumaru. Com um suspiro, decidiu escolher o quarto.
Escolheu uma das portas do corredor e entrou. O quarto estava pintado em tons de verde e branco, com a mobília e a cama de solteiro de ferro. Quanto planejava aquele ambiente, dissera a si mesma que gostaria de dormir ali e agora achava engraçado poder realizar o desejo.
Olhou em volta, imaginando como seria o começo de sua nova vida. Estava cansada da viagem e fazia muito calor. Ao longe, ouviam-se trovões e isso sempre trazia de volta um sentimento de profunda solidão, como se não houvesse ninguém no mundo para ampará-la.
Era surpreendente como se adaptara com facilidade ao papel de sra. Sesshoumaru Fenton, durante aquelas semanas de verão. Não estava acostumada com o novo estilo de vida e no começo teve muito medo, mas agora se divertia com todas as formalidades que precisava respeitar.
Rin mergulhou com prazer na tarefa de terminar a decoração da casa. O exercito de pintores e decoradores que haviam trabalhado em ir Glyn desapareceram e começou a fazer tudo sozinha.
Pretendia concluir o trabalho e voltar para seu velho apartamento na cidade para reabrir o escritório e retomar o contato com os clientes. Afinal, precisava aproveitar a chance para firmar o nome de Rin Fenton no ramo da decoração.
Sesshoumaru cumpriu a palavra, mostrando-se decidido a promovê-la. Para isso, utilizaria o eficiente serviço de relações públicas de sua empresa. No entanto, Rin acreditava que Tir Glyn seria seu cartão de visitas, pois a casa estava linda e todos que a visitavam ficava encantados. Muitos pediam seus serviços e a indicavam para outras pessoas.
Não podia negar que o fato de ser a esposa de Sesshoumaru pesava bastante. Afinal, quem não gostaria de ter um ambiente decorado pela Sra. Fenton? O futuro profissional era promissor e serviria para mantê-la, se o casamento acabasse.
Sesshoumaru passava boa parte do tempo em Tir Glyn e em geral levava convidados. A recepção do casamento foi esquecida, mas a casa estava sempre aberta aos amigos, e Rin também podia convidar quem quisesse.
Vários amigos apareceram, incluindo os Cole, que passaram um fim de semana lá. Como todo mundo, adoraram a casa e Kouga não escondeu seu entusiasmo. Ayame, no entanto, viu tudo com certa inquietação.
Rin aparentava estar feliz, mas a ideia de quartos separados para um casal que mal saía da lua-de-mel não convencia a amiga.
- Não acha estranho? – Ayame perguntou ao marido, na primeira noite em que passaram em Tir Glyn.
- Não se preocupe – Kouga respondeu. – Talvez seja o costume na alta sociedade.
Se fosse verdade, lamentava pela amiga, Ayame pensou. Lembrava o que ela lhe dissera a respeito do casamento, explicando que era um arranjo de negócios, no qual não entrava o amor. Embora Rin parecesse mais bonita e atraente, Sesshoumaru Fenton tinha um enorme encanto sexual. Era o tipo de homem que jamais passaria uma noite sozinho e se a esposa não estivesse dormindo com ele, Ayame tinha certeza de que outras mulheres ocuparia sua cama.
- Não é um costume que eu aprovaria – ela concluiu.
Kouga passou-lhe o braço à volta da cintura, sorrindo.
- Nem eu, querida.
Ayame não sabia que era um casamento platônico, mas Rin achava que algumas pessoas já tinham percebido isso. Talvez os Gillian, já que Jaken sempre estava por ali, supervisionando as obras da fábrica nova que abririam a poucos quilômetros de Tir Glyn.
Administrar a casa não era problema. A governanta mantinha tudo em perfeita ordem. Todos os dias apresentava o cardápio para Rin escolher, mas em geral ela preferia deixar tudo nas mãos da sra. Kaede, que trabalhava para Sesshoumaru há dez anos.
Todos os empregados tinham trabalhado na antiga casa e conheciam bem Kagura Cavell. Apesar de notá-los solícitos e eficientes, às vezes Rin pensava se não fariam comparações entre as duas. A sra. Kaede era discreta e falava pouco. Assim mesmo sentia vontade de lhe perguntar sobre Sesshoumaru e sua vida com a família, mas não tinha coragem, temendo ser desagradável.
Entre as pessoas que conheceu depois do casamento, gostava dos Gillian, mais do que qualquer outro casal. Jaken era um homem sério e responsável, com um senso de humor muito agradável e completamente leal a Sesshoumaru, além de muito inteligente. Lilian passava horas fazendo bordados maravilhosos e conversando com Rin, enquanto esta decorava o resto da casa. A companhia daquela moça loira e gentil dava-lhe um enorme prazer. Muitas veze teve vontade de se abrir e falar do casamento de conveniência, com Lilian, mas não teve coragem. Talvez a amiga ficasse chocada, sentindo-se constrangida com uma questão que só dizia respeito ao casal.
Em publico, Sesshoumaru continuava a tratá-la com muito carinho, dando a impressão de que formavam um casal muito feliz. Mas na verdade nunca entrou no quarto que Rin escolhera e de vez em quando dormia fora de casa. Nas noites em que ele não voltava para Tir Glyn, ela não conseguia adormecer com facilidade. Só que não gostava de admitir quanto a ausência dele a magoava e atribuía a insônia à indigestão ou ao excesso de trabalho.
Sesshoumaru não falava sobre o que fazia fora de Tir Glyn. Ela estava certa de que o marido lhe diria a verdade, se perguntasse, mas até então nenhum dos dois comentara o assunto.
Esse equilíbrio precário, no entanto, estava destinado a ser destruído. Uma noite, Kagura apareceu.
Sesshoumaru estava em casa e aquele prometia ser um fim de semana delicioso, pois os Gillian tinham acabado de chegar e ainda havia mais três hóspedes: Kagome, Inuyasha e Miroku.
A sra. Kaede acabara de servir o jantar e todos conversavam animadamente na mesa. De repente, Rin virou-se e viu aquela mulher entrando na sala. Era como se ainda fosse a dona de Tir Glyn, pois nem sequer pedira licença.
Kagura usava o cabelo negro penteado para trás e um vestido de musselina. Apesar de muitos anos mais velha que Rin, tinha uma graça juvenil, parecendo uma adolescente.
Pálida e tensa, Rin a viu se aproximar com os olhos brilhantes e a roupa esvoaçando em volta das pernas bem-feitas. Desesperada, a esposa de Sesshoumaru deixou que a xícara de café virasse, manchando a toalha de linho da mesa.
- Não se assuste – disse Kagura. – Sou de carne e osso! Não é verdade, Sesshoumaru?
- É, sim. – Ele fumava um charuto e sorriu, levantando-se para cumprimentá-la.
Kagura estendeu-lhe a mão bem cuidada, dizendo:
- Sente-se, não quero incomodar. Esta sala é tão aconchegante... – Olhou em volta e suspirou. – Exatamente como imaginei. Bem, não exatamente. Houve algumas interferências – o tom de voz não era amargo nem rancoroso, parecendo mais brincadeira que achasse muito engraçada. – Adoraria tomar café.
Miroku puxou uma cadeira e Rin pegou o bule.
- Pode deixar que eu mesma me sirvo – disse Kagura, olhando a xícara caída sobre a toalha. Com um sorriso, pegou o bule e encheu uma xícara para si.
- Como veio parar aqui? – Kagome perguntou.
- Sou vizinha, não sabia? Moro naquele pequeno chalé com vista para o mar.
Todos ficaram surpresos, exceto Sesshoumaru. Rin compreendeu que ele já sabia do fato.
- Gosto muito daqui. – Kagura continuou. – Como sabem, planejava viver nesta casa, mas... Bem, o chalé não é exatamente o lar de meus sonhos, mas por enquanto serve.
Desde que chegara a Tir Glyn, Rin ouvira noticias sobre Kagura no rádio e na televisão e sabia que em breve ela estrelaria novo filme.
Às vezes, os conhecidos se referiam a Kagura só para ver qual seria a reação da esposa de Sesshoumaru, mas ninguém havia mencionado o chalé... Alguns dos empregados deviam tê-la visto no dia da chegada do casal, quando a atriz deixara a fotografia no quarto, mas também eles não fizeram comentário.
E agora a mulher estava ali, agindo tão à vontade como se a casa fosse sua.
- A decoração deve estar quase terminada. Será que posso ver tudo? – Kagura perguntou.
Rin Levantou-se depressa, mas a atriz sorriu.
- Agora não. Deixe isso para mais tarde. – Kagura usava o mesmo tom autoritário da época em que Rin era sua empregada. Levantou-se e começou a andar pela sala. – Mas não está mesmo lindo? Embora não possa negar que às vezes me arrependo por não ter contratado outro decorador... Mas quem poderia imaginar? – O olhar frio pousou sobre Rin, que corou.
"Quem poderia imaginar que se casasse com você", era o que parecia querer dizer. Embora os lábios bem-feitos se curvasse num sorriso, os olhos frios deixavam claro que não havia perdoado o casamento de Sesshoumaru com outra.
- Bom, pessoal, quem acham de me contar todas as novidades? Não os vejo há um século.
O olhar de Kagura lançou a Sesshoumaru era cúmplice e cheio de segundas intenções, como se quisesse mostrar que conhecia todas as novidades da vida dele.
Em poucos minutos, agia como anfitriã daquela reunião. Intimidada, Rin viu Kagura tornar-se o centro das atenções.
Qualquer que fosse o motivo da briga entre Sesshoumaru e Kagura estava esquecido, ela pensou. A reconciliação ficava evidente ela maneira com que a atriz se dirigia ao dono da casa, fazendo questão de tocá-lo.
- Precisam ir ao chalé amanhã. É uma delicia nadar na enseada. – Os olhos castanho-avermelhados fingiam inocência e fitavam Sesshoumaru o tempo inteiro, como se dissessem: "Você já sabe como é bom, não é? E conhece muito bem o chalé!" Kagura não poupava esforços para convencer os outros de que ainda eram amantes.
Magoada com a situação, Rin se levantou, interrompendo a conversa.
- Bem, vou pôr a toalha de molho ou as manchas de café nunca mais sairão. – Com gestos nervosos, começou a tirar a louça da mesa, colocando-a no carrinho.
Enquanto Rin se dirigia para a lavanderia, a atriz voltou a representar o papel de anfitriã.
- Que tal levarmos nossas bebidas para a sala de estar? Ou será melhor no terraço, com esta noite tão bonita?
Lilian levantou-se depressa e foi atrás de Rin, com expressão preocupada.
- Querida, pretende ir ao chalé de Kagura, amanhã? Não acho uma boa ideia.
Como Ayame, ela também sentia necessidade de protegê-la.
- O que posso fazer?
- Bem, se tivermos de ir, não deixe Kagura ficar muito tempo ao lado de Sesshoumaru. Se eu fosse você, não sairia de perto dele.
Rin sorriu sem jeito, pensando que não podia manter Kagura à distancia.
- Ela está fazendo tudo para mostrar que não desistiu, Rin. Foi uma jogada suja comprar o chalé ao lado, como se o casamento de vocês não tivesse chance.
Então os Gillian não sabiam que o casamento só existia no papel...
- Confio em Sesshoumaru. – Rin pensou que Lilian devia achá-la cega e tola, mas não podia explicar a situação.
- Você o ama, não é? Então, é melhor fazer alguma coisa, menina, ou Kagura acaba se mudando para cá. E agora me dê a toalha e volte para a sala.- Com um gesto decidido, Lilian tirou a toalha das mãos de Rin e caminhou para a lavanderia, deixando-a sozinha.
Os outros deviam estar no terraço onde ela e Tom faziam as refeições naquela semana inesquecível... Tinha sido lá que a beijara, fazendo com que se apaixonasse.
Hesitante, Rin pensou se havia um meio de evitar a visita ao chalé, no dia seguinte. Lilian a culparia por desistir tão facilmente, mas não podia lhe contar que Sesshoumaru faria o que quisesse de sua vida amorosa. Era difícil suportar aquela situação sem reagir, mas concordara com os termos do acordo e não tinha direito de reclamar.
No terraço não havia ninguém. Os convidados continuavam na sala e Kagura, sentada na poltrona de veludo azul-escuro, era o centro das atenções, comentando sobre filmes e diretores famosos.
Rin ficou observando a cena da porta. Kagura estava tão à vontade como se fosse a dona da casa e Sesshoumaru preparava drinques na mesinha de canto.
Encheu-se de coragem e entrou, indo sentar-se num canto. Os outros nem pareceram notar-lhe a presença.
Foi uma longa noite, Rin permaneceu sentada com o drinque a sua frente, vendo Kagura mostrar a beleza e o encanto que a fizera famosa.
A atriz provocava Sesshoumaru e ele não a desencorajava. Sentado ao lado dela, deixava que o tocasse ou lhe segurasse a mão, como se compartilhasse um segredo.
Por volta de meia-noite, Lilian fingiu um bocejo e levantou-se.
- Peço desculpa, mas acho que vou para a cama.
Rin quase a beijou de gratidão, pois seu gesto interrompeu a conversa, quebrando o clima de intimidade entre Kagura e Sesshoumaru.
Com a voz rouca cheia de insinuações, a atriz sorriu para o dono da casa e perguntou:
- Será que durmo aqui ou alguém pode me levar para casa?
Num impulso Rin respondeu:
- Eu levo você.
Kagura ficou muda diante da oferta, mas em seguida reagiu, os olhos frios como gelo...
- Deve estar brincando, sua...
Houve um momento de silencio constrangedor, até que Jaken começou a dizer:
- Será que eu...
- Venha, Kagura. É melhor vir comigo – interrompeu Sesshoumaru.
Kagura sorriu para ele, esquecendo a raiva.
- Boa noite a todos. E não esqueçam, então convidados para ir ao chalé. Espero vocês.
- É claro – respondeu Sesshoumaru, saindo com ela.
Lilian se aproximou de Rin.
- Cínica e fria. E sem o menos escrúpulo – disse, olhando em volta. Como se desafiasse alguém a contradizê-la.
Todos aparentavam sentir pena de Rin, mas ela não queria isso e resolveu se retirar.
- Boa noite. Durmam bem.
Os convidados se despediram e ela serviu-se de uma dose de uísque para levar para a cama, desejando que a ajudasse a dormir.
O comentário de Jaken sobre o calor e a possibilidade de uma tempestade só piorava seu nervosismo. Se houvesse trovoes, não conseguiria ficar sozinha.
Ao deitar-se decidiu não tomar o drinque. Afinal, era parte do acordo que Sesshoumaru fosse livre precisava se acostumar. Só que estava sendo mais difícil do que pensava. Se não o amasse tanto...
Como precisava de Sesshoumaru... Não, precisava de Tom, do velho e querido Tom Reading, que tanto a fizera feliz.
As lagrimas começaram a correr-lhe pelo rosto e não tentou contê-las, soluçando até adormecer.
Despertou ao som dos trovoes, sentindo o travesseiro molhado contra o rosto, as têmporas latejando e com falta de ar.
A tempestade explodia e ela gemeu, apertando as mãos contra os olhos. Não queria ver os relâmpagos que clareavam o quarto.
Estendeu o braço para o copo de uísque, mas mudou logo de ideia, com medo de passar mal.
Durante toda a vida tivera esse medo, mas nunca havia sido tão intenso, nem mesmo quando criança. Inesperadamente lembrou-se de uma noite, logo após a morte dos pais, quando acordara com a tempestade. Desesperada, tinha corrido até o quarto de tia Kikyou, soluçando e pedindo proteção.
A tia a mandara dormir.
- Não é mais um bebê. Deixe de ser boba! – Ela fechara a porta e a deixara sozinha no corredor escuro.
Fora naquele instante que Rin experimentara pela primeira vez a consciência da solidão. Não tinha mais ninguém no mundo, ninguém que se preocupasse com ela...
Outro relâmpago arranco-lhe um grito abafado e o trovão a fez cobrir a cabaça com as cobertas. Temia sem parar, casa vez mais apavorada.
Num impulso, levantou-se da cama com as mãos sobre os ouvidos e saiu correndo do quarto.
A casa estava em silencio, tornando a tempestade ainda mais assustadora. Rin avançou pelo corredor e foi bater à porta de Sesshoumaru. Para seu alivio, ele a abriu de imediato.
- Tom... Sesshoumaru... Estou apavorada. Não posso aguentar! – Estava quase chorando.
Ele a abraçou, fazendo-a recostar a cabeça em seu ombro.
- Calma, está tudo bem. Está segura. Vou ficar com você. – Conduziu-a até a cama com extrema gentileza, acariciando-lhe os cabelos, dizendo que nada ia magoá-la.
Rin confiava nele e suspirou ao encostar o rosto no peito forte. Sem pensar, beijou-lhe a pele bronzeada e ergueu a cabeça para fitá-lo. À luz dos relâmpagos, viu os olhos, a boca bem-feita e soube que queria ser dele.
- Beije-me, Sesshoumaru. Faça amor comigo.
As mãos dele acariciavam-lhe o corpo todo, fazendo-a tremer. Beijou-a uma vez, outra e mais outra, aumentando-lhe o desejo, despertando-lhe a sensibilidade adormecida.
Era maravilhoso sentir-se amada e segura naqueles braços fortes... Como num sonho, os relâmpagos e os trovões foram esquecidos.
No dia seguinte, Rin acordou sozinha. O relógio de cabeceira marcava quase dez horas e por um momento ficou imóvel, desejando que o marido voltasse. Ou que tivesse ficado ali para despertá-la.
Foi para seu próprio quarto, tomou banho e vestiu-se.
Ao descer, encontrou a casa em plena atividade. Ao passar pela Sra. Kaede, cumprimentou-a com um sorriso.
Ao entrar na sala, encontrou Sesshoumaru e os convidados no fim do café da manhã. Quando todos se virara para fitá-la, ela se desculpou sem jeito.
- Dormi demais. Sinto muito.
- Foi uma tempestade feia – comentou Kagome. – Também não gosto delas.
Sesshoumaru sorriu, mas não havia nada de especial no sorriso. Ela havia desejado que o marido a recebesse com um abraço, mas ele nem fez menção de se levantar.
Sentou ao lado de Lilian e serviu-se de uma xícara de café. Kagome, que já havia terminado, pediu licença para deixar a mesa.
- Bem, vou vestir meu biquíni. A que horas vamos sair?
Sesshoumaru olhou o relógio.
- Que tal dentro de meia hora?
- Vamos ao chalé de Kagura?
- Sim – ele respondeu a Rin, como se a pergunta fosse desnecessária.
Ela havia imaginado que, depois daquela noite, os planos fossem mudados e Kagura não estaria mais entre eles. Mas agora via que tudo não passara de um sonho. Os momentos maravilhosos que conhecera nos braços de Sesshoumaru em nada tinham mudado a situação. Foram apenas uma exceção naquele casamento de mentira.
-00-
Prevejo muitos comentários malvados em relação ao Sesshoumaru! Rsrs
Peço com muita sinceridade desculpas pela demora em trazer esse capítulo!
Mas enfim esta aqui, lindo, maravilhoso, cheio de emoções, tudo do jeitinho que todas gostam! (estou perdoada?)
Agradecimentos Especial e de todo os meu coração para vocês meninas, que com comentários me motivaram a continuar a escrever o capítulo.
Obrigada:
Graziela Leon, Rapha-chan, Quest, Nikkagomes, Bulma Buttowski, Anna-Tanury, Patysaori, Ticha. Obrigada!
Próximo capítulo: Capítulo Final!
De pé, reverência, AYE!
