-Deixa ver se entendi bem! Você saiu com um cara e finalmente conseguiu desfrutar do momento; esse mesmo cara te salvou de um quase-psicopata enquanto estava parado na saída do seu local de trabalho por alguma razão desconhecida e ele ainda levou você até seu apartamento? –Angela disse para mim, enumerando com os dedos.
Angela era minha melhor e talvez única amiga. Eu a conheci há alguns anos atrás quando comecei o curso de antropologia forense, ela estava se formando naquela época e agora se tornou professora do curso de artes, e ainda que tenhamos pouco tempo devido as nossas ocupações, sempre arrumamos uma forma de conversar durante a semana. Ela é o oposto de mim e não sei dizer realmente como nos aproximamos, mas a verdade é que ela é meu ponto forte quando eu preciso, está sempre aqui para me ouvir e fazer com que as coisas pareçam melhores quando eu chego perto de desistir.
-sim, você entendeu bem. Mas não entendo porque tanto alarde com isso. Eu saio com homens quase todos os dias, já aconteceu de alguns deles passarem dos limites, mas nada que eu não possa cuidar, e ele só me levou para casa porque é um policial e queria ter algum senso ridículo de dever cumprido.
Bufei ao lembrar da arrogância de Booth. Ele ainda me irritava só com o pensamento. Mas resolvi deixar isso de lado, porque não era racional continuar irritada com alguém que eu nunca mais veria novamente. Pelo menos era assim que eu esperava que fosse. Angela, no entanto, não parecia querer esquecer o assunto e continuou me interrogando por mais tempo que o necessário. Acho que deveria ter mantido oculto o fato de que ele é extremamente atraente, porque isso parecia ter mexido com a curiosidade dela.
Nós continuamos a conversar em seu carro, enquanto ela me dava uma carona para que eu não me atrasasse para o trabalho. Deixei que ela falasse a maior parte do tempo sozinha, eu não precisava participar muito da conversa já que ela tinha suposições suficientes para fazer, então eu apenas segui o fluxo.
-você tem uma ideia? Sobre porque foi diferente com ele... –ela perguntou em algum momento, chamando minha atenção.
-não foi diferente, Angela. Ele foi apenas mais um cliente comum, como qualquer outro que eu tive. E eu já disse, ele era bastante atraente, tenho certeza que até você desfrutaria de relações sexuais com ele.
-oh, pela sua descrição, você pode ter certeza que eu desfrutaria! –ela riu, me fazendo rir também por um instante. –mas não é sobre isso que eu estou falando, Brenn. Tenho visto você viver essa vida por anos, e muitos homens atraentes já foram seus clientes, e ainda assim tem sido repulsivo para você. Sempre foi.
Ela tinha razão, desde o dia em que eu decidi que seguiria por esse caminho, cada única vez que eu tinha feito sexo por pagamento tinha sido repugnante. Com o tempo eu aprendi a aceitar melhor, mas nunca foi bom. Foi por isso que há alguns anos atrás decidi que queria seguir por outro rumo, foi quando comecei a fazer o curso de antropologia forense que havia sido minha paixão desde criança. Não era fácil, em muitas vezes estive perto de desistir, mas agora meu objetivo estava mais alcançável do que nunca esteve. Eu não precisaria ficar por muito mais tempo nisso.
Era por isso que, nos dias que haviam se passado desde que conheci Booth, eu estive me perguntando porque tinha sido diferente com ele. Em algumas vezes me peguei pensando sobre o tempo que ficamos juntos, até mesmo me sentindo um pouco agradecida por ele estar lá quando Wendell me atacou.
-acredito que foi por ele não ter gostado. –Angela ergueu uma sobrancelha para mim e tentei explicar melhor. –é claro que ele desfrutou da relação que tivemos, até porque sou muito boa no que faço...mas ele não gostou de estar lá, Angie. Aquilo não é quem ele é de verdade.
Cam havia pedido para que eu chegasse uma hora mais cedo ao Clube, então aqui estava eu. O pequeno quarto em que eu me arrumava estava repleto de roupas e eu não tinha ideia de qual usar. Ainda não sabia se iria para o salão ou se Cam tinha reservado algo para mim esta noite. Eu só esperava que, qualquer que fosse, acabasse rápido.
-Brennan? –ela me chamou enquanto entrava. –você está reservada pela noite toda com Oliver Wells. Sei que você nunca saiu com ele, mas ele é um cliente muito importante. Tente agradá-lo o máximo possível.
Apenas concordei com a cabeça e ela se foi. Cam e eu não nos falávamos muito, geralmente ela me dava ordens sobre o que fazer e eu as cumpria, mas nossa dinâmica de trabalho era boa. Eu sabia como as coisas funcionavam por ai, tive outros patrões antes de vir para cá, então eu estava agradecida por as coisas serem como são agora.
Depois de pronta desci para o salão para tomar um pouco de ar e aguardar meu cliente. A noite não estava muito cheia, já que era meio da semana e as coisas eram geralmente tranquilas nesse período, mas um homem em especial chamou minha atenção. Era Booth sentado no fim do salão e ele estava olhando diretamente para mim.
BOOTH
O dia tinha sido agitado. Sweets e eu havíamos feito cinco prisões só hoje e os relatórios acabaram ficando todos para mim, já que meu parceiro tinha um encontro com sua namorada. Quando a noite chegou eu estava exausto, mas minha cabeça ainda estava a mil. Não tinha a mínima vontade de ir para casa sozinho e mais trabalho também não resolveria meu problema. Afrouxei o nó da minha gravata e estiquei os braços para cima. Deixei minha mente vagar por um instante, procurando o descanso merecido que eu precisava e então ela me veio à cabeça.
Eu não havia visto Temperance Brennan desde o dia que a deixei em seu apartamento e todo o trabalho não havia me deixado muito tempo para pensar sobre ela ou sobre tudo que havia acontecido. Rapidamente, sem pensar muito no que eu estava fazendo, peguei as chaves do carro e dirigi para o único lugar que eu queria estar nesse momento.
Não muito depois de chegar eu a vi. Nossos olhares se cruzaram por um breve espaço de tempo, mas ela logo desviou o olhar. Quando meu corpo se ergueu e comecei a caminhar em sua direção, eu sabia que era completamente errado, mas hoje eu não queria pensar, eu queria uma saída fácil e eu sabia que ela era capaz de tirar todas as frustrações da minha mente.
-você está bonita hoje. –ela estava de costas parra mim, parecendo procurar alguém. –é bom vê-la de novo.
-é uma surpresa vê-lo por aqui. –eu podia dizer que ela estava fazendo um grande esforço para parecer indiferente à minha presença. – então agora você faz o tipo de homem que vem a lugares como esse?
-eu não vim pelo lugar, vim por você. –sei que estava sendo sincero demais, mas eu não tinha porquê esconder nada, ela já estava acostumada com isso.
Antes que ela pudesse responder, uma mão masculina envolveu sua cintura e um homem parou ao seu lado. Seus olhos me encararam por um segundo, alguma emoção que eu não pude decifrar e então ela se virou para ele, um sorriso forçado em seu rosto.
-sinto muito, cara. Mas ela já é minha pela noite, quem sabe você consiga voltando amanhã? –ele disse com arrogância enquanto a levava para longe.
Eu estava totalmente estressado pela manhã. Sweets estava todo amor e olhos brilhantes para falar sobre sua noite e tudo o que eu queria era esquecer a minha. Nós havíamos sido chamados para uma ocorrência em um hotel de luxo não muito longe da delegacia, possível roubo, e o falatório do meu parceiro no carro estava me tirando a paciência. Não demorou muito para chegarmos ao destino, a chamada tinha sido feita por uma mulher que disse que seu marido estava sendo roubado por outra mulher.
-você só pode estar brincado comigo! –falei alto enquanto olhava para Temperance, o arrogante da noite passada e, quem eu assumia ser, sua mulher.
A mulher, evidentemente, havia pego o marido no flagra e agora estava causando um verdadeiro escândalo acusando Temperance de ter extorquido e roubado seu marido. No primeiro momento eu quis rir porque o idiota não parecia tão arrogante agora uma vez que tinha sido pego no flagra. Sweets levou a mulher para fora do quarto para colher seu depoimento e diminuir toda a gritaria, enquanto Temperace encarava furiosa o homem a sua frente. Ela não tinha se dado conta de que eu estava aqui até que ouviu minha voz.
-vou ter que levar vocês dois para averiguação. –tentei evitar o contato visual, mas eu podia sentir seus olhos perfurando em mim. Sweets voltou para levar o homem até a viatura, deixando Brennan sozinha comigo.
-você não está falando sério, está? –ela perguntou irritada, ódio escorrendo em cada palavra sua. –você sabe muito bem que eu não fiz nada disso. Ela só está com raiva por ter sido traída.
Eu sabia que ela não tinha feito. Eu queria deixá-la ir porque ela não tinha culpa se seu cliente era casado e ainda assim procurava mulheres aleatórias por ai. Talvez ela nem mesmo soubesse que ele era casado, mas eu era um policial e tinha que seguir o protocolo.
-a denúncia foi feita, não posso ignorá-la. –ela me olhou com ainda mais raiva e eu encolhi os ombros.
-você está fazendo isso por vingança? Porque eu o deixei sozinho ontem a noite? –seus passos avançaram em minha direção, isso não seria nem um pouco fácil.
-estou apenas seguindo o protocolo. Acho melhor você ficar calma e me acompanhar até a delegacia para que nós possamos esclarecer as coisas. Caso o contrário eu vou ter que algemá-la e nenhum de nós dois quer que isso aconteça.
N/A: Gente, primeiro de tudo queria me desculpar pelo atraso na postagem do capítulo, mas o tava de bug com minha cara ontem. Prometo que semana que vem a fic vai vir na quarta direitinho. Em segundo lugar quero agradecer a todo mundo que ta lendo *-* to amando as reviews, os comentários, tudo. Vocês estão fazendo uma autora muito feliz haha. Espero que gostem desse capítulo tbm, e até quarta ;*
Ah, sei que Antropologia Forense não é um curso de graduação e sim mais como pós-graduação, mas eu vou usar da licença poética pra se encaixar mais com a história e tal, porque a Brennan começou a estudar mais tarde e ainda vai se formar.
