BRENNAN
Eu estava procurando em minha mente inúmeras razões sólidas para me fazer sair deste restaurante, porque isso não fazia o menor sentido. Encontrei inúmeras delas, mas nenhuma forte o suficiente para me fazer mover um pé sequer. Era verdade que isso parecia errado, não era certo que ele pagasse por uma noite inteira comigo e ainda pagasse um jantar, sem receber nenhum benefício em troca. Mas eu estaria sendo uma completa mentirosa se dissesse que não estava gostando. Booth era engraçado e até um pouco tolo às vezes. Ele conversava sobre os mais diversos assuntos, sempre tendo uma perspectiva bastante única sobre cada um deles.
Nós demos algumas risadas durante a noite, discutimos algumas vezes também, mas a discussão sempre acaba em risada em algum ponto. Isso me fez pensar que, se as circunstâncias fossem diferentes, Booth e eu seríamos bons amigos, mesmo que não tenhamos muita coisa em comum. Durante toda a noite ele fez os problemas simplesmente desaparecerem, por alguns instantes eu até mesmo esqueci quem sou e o que faço e me senti apenas uma pessoa normal, desfrutando de um bom momento com uma companhia agradável.
-eu disse que isso seria agradável! –Booth disse enquanto nós dois comíamos a sobremesa. –bom, pelo menos está sendo para mim, então eu espero que tenha sido pra você também.
Ele parecia quase inseguro e isso me deixou um pouco intrigada. Booth era alguém que sempre parecia muito confiante, quase como se ele fosse inquebrável. Era diferente ver que existia alguma vulnerabilidade nele, ainda mais sendo sobre mim.
-foi muito agradável para mim também. Obrigada, Booth. Você não precisava fazer nada disso, mas foi um gesto muito bonito. –sorri para ele, em forma de agradecimento e ele me olhou por um segundo, antes de sorrir também. –Desculpe por ter sido um pouco grossa com você, eu não estava no meu melhor.
-Hey, não se preocupe com isso. Estamos tendo um novo começo aqui, ok? –concordei com ele, porque isso parecia o mais sensato a fazer. –Então, Temperance, você faz algo mais além de trabalhar no Clube?
-Eu estudo antropologia forense. É um curso difícil e devido ao meu trabalho eu não posso dedicar todo o tempo que queria, mas acredito que concluirei logo. –ele me olhou curioso, como se não fizesse ideia do que eu estava falando. –É basicamente um trabalho de identificação de corpos esqueletizados, podendo fornecer dados como: idade, sexo, causas da morte.
-Você trabalha com ossos e esqueletos? Isso é meio assustador e nojento. –ele riu, me fazendo rir também. Booth era uma pessoa muito espontânea, bastante diferente de mim. –mas parece ser legal, tenho certeza que você vai conseguir. Você sabe o quê? Temperance é um nome muito grande, a partir de agora eu vou chamar você de Bones, acho que combina mais.
Tentei dizer ao Booth que eu não gostava de apelidos, mas isso só fez com que ele me chamasse de Bones cada vez mais. Segundo ele, quando uma pessoa não gosta do apelido, ele "pega" mais, ainda que isso não faça o menor sentido para mim. Nós saímos do restaurante pouco tempo depois e entramos em seu carro. Booth disse que me levaria até em casa e eu aceitei a carona. Ele tinha sido bom durante toda a noite, não havia motivos para discutir com ele e estragar a noite.
Quando chegamos ao meu apartamento já era tarde. Booth parecia bastante cansado, então perguntei se ele não queria subir e tomar um café. Nós caminhamos em silêncio e permanecemos assim enquanto eu abria a porta e o deixava entrar. Me dirigi à cozinha para preparar o café, me sentindo um pouco incomodada com a presença dele. Eu nunca tinha trazido um cliente em casa antes e isso parecia um pouco estranho para mim.
Percebi que ainda estava de casaco e resolvi tirá-lo, numa tentativa de me sentir um pouco mais confortável. Não muito depois disso ouvi passos em direção a mim e a voz suave de Booth entrando na cozinha.
-Hey Bones, você precisa de ajuda?
BOOTH
Minha voz morreu assim que meus olhos pousaram sobre ela. Bones havia passado a noite inteira muito coberta , eu quase havia esquecido da roupa que ela usava por baixo. Seus ombros e clavículas estavam a mostra, o vestido bege combinava com seu tom pálido e o movimento da sua respiração quase me deixava ver o topo do seu peito. Talvez fossem as doses que eu havia bebido durante o jantar, talvez fosse ela, que era atraente demais para mim, não sei dizer o que realmente aconteceu, mas em um segundo toda minha resolução foi embora e tudo que eu queria era afundar-me nela com calma para acabar com a distância entre nós, deixando nossos rostos a menos de um palmo de distância, mas por dentro meu coração batia a mil, só com a possibilidade do que poderia acontecer.
Houve uma conversa muda entre nós dois, eu queria ter certeza que ela queria isso também, não por qualquer outro motivo. Eu queria que ela quisesse a mim, da mesma forma que eu a queria. Quando encontrei no seu olhar a resposta que eu buscava, envolvi minhas mãos em seu rosto delicado e a trouxe para mim em um beijo lento e profundo, saciando um pouco da vontade que eu tinha dela. O gosto dela era como o paraíso e logo, ser calmo não era suficiente, então nosso beijo se tornou algo frenético e apaixonado.
Minhas mãos saíram do seu rosto e foram para suas coxas, ao mesmo tempo em que ela envolvia as penas na minha cintura. Havia um balcão na cozinha e rapidamente a coloquei em cima, ficando entre suas pernas enquanto aprofundávamos ainda mais o beijo. No fundo da minha mente eu pude ouvir o barulho de várias coisas caindo no chão, mas eu não encontrei forças em mim parar dar atenção a isso, e muito menos ela. Meu corpo pegava fogo e eu podia sentir calor irradiando dela também. Nós dois estávamos colados um no outro e ainda assim não era suficiente, eu nunca conseguiria ter o bastante, a necessidade latente sempre estava lá.
-quarto? –perguntei enquanto minha boca corria pelo seu pescoço, deixando beijos molhados por toda sua pele e nos dando um pouco de fôlego.
-perto da sala, é só virar à esquerda. –ela murmurou rapidamente antes que nossas bocas estivessem coladas novamente.
Ainda com Bones no meu colo, caminhei desajeitadamente pelo apartamento, nos chocando contra paredes e objetos por todo o caminho. Quando finalmente conseguimos chegar no quarto, ela desceu e me levou até a cama. Não muito depois disso, nossas roupas estavam fora, eu não conseguia lembrar-me de tê-las tirado. O contato pele com pele, quente com quente foi quase demais para mim. Eu tinha sonhado inconscientemente com isso nos últimos dias, mas nada se comparava a coisa real.
Minhas mãos iam por todos os lados, tocando todo pedaço de pele que eu pudesse alcançar, e os gemidos vindo dela me faziam ter certeza que não era só eu quem estava aproveitando isso. Beijos quentes eram deixados em minha mandíbula, suas mãos apertando minhas costas, puxando-me para mais perto ainda. Me afastei um pouco para recuperar minha calça e pegar a proteção necessária para que pudemos seguir a diante e logo nossos corpos estavam conectados, calor me recobrindo por toda parte.
Nossos movimentos eram sincronizados, o vai e vem dos nossos corpos embalados em um ritmo forte e magnífico. Ela fechou os olhos, jogando a cabeça um pouco para trás e tudo que eu pude fazer foi admirá-la, porque ela era a mulher mais linda que já tinha visto. E tê-la dessa forma, tão vulnerável para mim, só fez com que tudo se tornasse mais intenso. Eu queria levar mais devagar, fazer que durasse mais tempo. Mas era simplesmente impossível, porque cada vez que eu afundava em seu calor, era como se o céu estivesse mais perto de mim.
Ela sussurrou meu nome sob a respiração enquanto seu corpo tremia de satisfação. Um sorriso torto tomou conta dos meus lábios, sabendo que eu era capaz de proporcionar isso a ela. Suas mãos voltaram a trabalhar em meu corpo, sua cintura movendo em círculos e me levando junto com ela pouco tempo depois. Quando eu finalmente desci do meu paraíso particular, tudo era uma bagunça de suor, cansaço e o cheiro dela ocupando cada sentido meu. Então tudo virou uma neblina conturbada e a próxima coisa que eu me lembro é de abrir os olhos pela manhã, um emaranhado de cabelos castanhos sobre meu peito, pernas entrelaçadas nas minhas, sua respiração suave contra meu rosto.
Não tive tanto tempo para aproveitar o momento porque logo ela estava acordada.
-o que você está fazendo aqui? –ela perguntou parecendo tão confusa quanto eu. –que horas são?
-bom, eu estava dormindo, eu acho. O cansaço deve ter levado o melhor de nós dois. –sorri para ela, envolvendo um braço pelo seu corpo. –o que acha de um café da manhã?
Bones não teve tempo de responder, porque ela estava muito ocupada pulando para fora da cama e vestindo rapidamente sua roupa, ficando o mais longe que podia de mim. Confusão tomou conta de mim, porque eu não tinha ideia do que estava acontecendo, então eu levantei e comecei a me vestir também.
-é melhor você ir embora. Na verdade...-ela disse, pegando seu celular e checando a hora. –nosso tempo juntos acabou há meia hora atrás. Vou deixar você terminar de se vestir e estarei esperando lá fora.
Minhas roupas estavam espalhadas por todas as partes do quarto, recuperei cada uma delas e terminei de me arrumar. Tentei dizer a mim mesmo que Bones estava apenas confusa, eu podia imaginar que, fora do trabalho, não era sempre que ela tinha um cara acordando em sua cama, então isso poderia ser novo para ela. Alguns minutos depois e eu estava na sala também, imagens da noite anterior inundando minha mente e me fazendo sorrir.
-sinto muito por ter passado a noite, Bones. Eu não queria, só foi difícil controlar o cansaço depois de...você sabe, tudo que fizemos. –ela estava encarando seus pés, seu cabelo cobrindo seu rosto de mim. –espero não ter atrapalhado demais.
-você pagou por uma noite toda, Booth. Não há nada com o que se preocupar. –ela disse séria, finalmente olhando para mim. –e, por favor, não me chame de Bones.
-o que você quer dizer com "eu paguei por uma noite toda"? Isso foi só mais um dia de trabalho para você? –eu queria rir da situação, porque não fazia o menor sentido para mim. Algo estava muito, muito errado aqui.
-você esperava que fosse mais que isso? –ela perguntou cheia de arrogância, seus olhos me encarando friamente. Não havia mais calor nela, tudo estava muito diferente. –Eu sinto muito se algo foi mal entendido aqui, mas eu não estava fazendo mais que o meu trabalho. Você deveria saber.
-isso só pode ser uma maldita brincadeira! –eu gritei, porque ela estava me deixando bastante frustrado. –seu trabalho, Bones? Nós saímos para jantar, nós nos divertimos e rimos e então nós viemos até a sua casa, nós até mesmo nos beijamos, lembra? Isso foi muito mais que trabalho, eu sei disso, você sabe disso. Nós dois sabemos! Foi diferente.
-diferente? Eu não vejo como isso pode ser diferente. Você pagou por mim e eu fiz o que tinha que ser feito. Eu posso entender que as circunstancias mudaram um pouco, mas todo o resto fez apenas parte do pacote. Vamos encarar os fatos, Booth. Você queria uma prostituta, pagou por uma e é assim que tudo acaba. -eu queria ir até ela e sacudi-la, tirar essa pessoa que estava aqui e trazer a Bones da noite anterior de volta.
-eu queria você, eu queria me desculpar pelo incidente na delegacia. Não foi a Temperance prostituta e o Booth cliente. Foi apenas nós dois, aproveitando o momento. Foi diferente! –não era possível que eu fosse o único a pensar assim. Eu sabia que não era o único.
-é assim que você engana a si mesmo? -seus olhos me encararam e não havia nada lá. Eles estavam em branco. –Não vamos prolongar isso, Booth. É melhor você ir embora. Eu quero que você vá embora.
