BRENNAN

-Hey Bones, você pode trazer um pouco de molho? –Booth gritou da sala, enquanto eu pegava mais cervejas para nós dois na cozinha.

Hoje era minha noite de folga e Booth havia se convidado para assistir um jogo em meu apartamento. Nós tivemos que tirar a minha TV da caixa, lugar de onde ela nunca tinha saído desde o dia em que eu a comprei, mas isso rendeu muitas risadas a ele. Eu não me importava realmente pelo jogo. Booth havia me ensinado um pouco sobre as regras, mas elas não me pareceram interessantes. Evitei dizer isso a ele, no entanto. Eu estava tentando não insultar seus gostos desde que nos tornamos amigos.

Sim, nós estávamos trabalhando em uma amizade desde o dia em que conversamos e isso parecia ótimo. Além de Angela, eu nunca havia sentido uma conexão assim com mais ninguém. Booth e eu também éramos muito diferentes, mas de alguma forma isso colocava as coisas em uma balança. Nós sempre conversávamos sobre as coisas mais diversas, ocasionalmente discutíamos sobre algo, mas no fim, tudo se tornava uma grande piada e quando menos percebíamos, estávamos rindo um do outro.

-Você sabe, pimenta não é muito bom para a saúde. –comentei enquanto entregava-lhe o molho e ele apenas deu de ombros. –Ah, quase esqueci, Angela convidou você para jantarmos juntos semana que vem. Hodgins, ela, você e eu. Sweets pode ir também. Talvez ele queira chamar Daisy?

-isso parece ótimo, nós com certeza iremos. –ele tomou um longo gole de sua cerveja e me olhou por um instante. –sabe, Bones? Você está bonita hoje. Quer dizer, você é bonita sempre, mas eu gosto de vê-la nessas roupas casuais.

Antes que eu pudesse responder, o celular dele tocou. Booth deu uma rápida olhada no visor antes de atender. Ele não parecia feliz enquanto falava, sua voz estava um pouco mais baixq e logo ele se levantou para falar em privado. Sentei no sofá e esperei que ele voltasse, mas a conversa não durou mais que um minuto.

-eu preciso ir. Me desculpe por deixá-la sozinha. –ele disse rápido, recolhendo seu casaco do braço do sofá e caminhando em direção à porta.

-aconteceu algo? Você não parece bem. –perguntei com certa preocupação. Há um segundo atrás ele estava rindo e brincando e agora parecia nervoso e chateado.

Levou algum tempo para que ele respondesse, Booth pareceu querer me dizer algo, mas desistiu antes que o fizesse. Ele apenas me deu um sorriso fraco e disse um até logo antes de sair.

Nos dois dias que se seguiram, eu não tinha ouvido falar de Booth. Angela disse que homens são assim mesmo, sempre distraídos e que talvez ele estivesse muito ocupado com o trabalho, o que o deixou sem tempo. Resolvi aceitar sua explicação, já que ela entendia muito mais sobre esse assunto do que eu.

Eu estava finalizando meu turno no Clube, Cam e eu seguíamos juntas para a saída e eu estava prestes a pegar um táxi quando reconheci o carro de Booth parado do lado de fora. Me despedi rapidamente de Cam e caminhei até ele, que estava em pé, encostado na porta do passageiro e olhando para mim com um sorriso no rosto.

-o que acha de uma carona? –ele perguntou, já abrindo a porta do carro para mim. –Antes que você discuta comigo, eu sei que você pode pegar um táxi, mas não é seguro. E também não é racional, já que eu estou aqui de qualquer modo.

Eu ri, porque ele sabia exatamente como revidar os meus possíveis argumentos, mas eu não iria discutir com ele hoje. Realmente não seria inteligente que eu esperasse por um táxi quando ele já estava aqui. Entrei no carro e esperei que ele desse a volta para entrar também. Nós nos estabelecemos em um silêncio confortável enquanto ele dirigia pelas ruas calmas. Minha cabeça estava encostada no banco, o cansaço tirando o melhor de mim e quase me levando ao sono quando ele começou a falar.

-Bones, eu sinto muito por ter saído da sua casa daquele jeito. Eu tive que resolver algumas coisas. –ele começou meio incerto, mas eu dei um sorriso para que ele soubesse que estava tudo bem. –eu também estive muito ocupado com o trabalho, por isso não dei notícias nos últimos dias.

-você não tem que se preocupar com isso. Entendo que tem suas ocupações. –ele me deu um aceno de cabeça e voltamos ao silencio de antes. Fechei meus olhos para obter um minuto de descanso.

BOOTH

Quando nós chegamos ao seu apartamento ela estava dormindo no banco do carro. Sua expressão parecia muito cansada e eu até mesmo cogitei a possibilidade de não acordá-la, apenas para não perturbar seu sono. Mas era tarde e ela precisava de um bom descanso, então me inclinei sobre o banco e toquei seu rosto levemente para que ela despertasse.

-nós já chegamos, Bones. –disse baixinho, meu rosto mais próximo do seu do que eu previ. –você vai ficar mais confortável lá em cima. Vamos lá!

Ela abriu seus olhos lentamente, um sorriso preguiçoso dançando em seus lábios. Eu deveria ter me afastado, mas a proximidade era tentadora demais, então eu continuei lá. Nossos narizes quase se tocando, nossas respirações se confundindo. Ela estava tão bonita. Quero dizer, ela sempre era bonita, mas algo a tornava especial nesses momentos em que ela ficava serena, uma fragilidade iminente que me fazia querer protegê-la. Seus olhos se fecharam outra vez, o sorriso permanecendo lá e então desliguei minha mente, simplesmente parei de pensar e fechei o espaço que havia entre nós.

O beijo foi calmo e leve. Mais como um roçar de lábios do que um beijo propriamente dito. Não tive tempo de pensar muito sobre ele porque durou apenas um segundo antes que ela estivesse me empurrando para longe. Esperei que a gritaria começasse, que o que tinha acontecido antes se repetisse, mas tudo que ouvi foi um silêncio ensurdecedor.

-o que você está fazendo, Booth? –ela perguntou depois de algum tempo. Olhando diretamente para mim.

-eu não sei! Eu sinto muito por isso, Bones. Eu não queria chatear você. –eu estava tão preocupado que ela me afastasse outra vez, pânico correndo em minhas veias. –

-está tudo bem. Dado ao nosso histórico e tudo o que fizemos...acho que é completamente normal que você se sinta atraído fisicamente por mim. –ela disse simplesmente, como se fosse fácil assim. –é uma reação antropológica de todo ser humano.

-reação antropológica? –eu não sabia se ficava feliz por tudo ter se resolvido facilmente ou frustrado por ela entender tudo errado. –que seja, você deve ter razão. De qualquer forma, é melhor você subir e dormir um pouco. Vejo você depois.

Ela murmurou um até logo antes de sair do carro e eu apenas a segui com o olhar até que ela sumisse pela porta de entrada.

N/A: Postando o capítulo bem mais cedo porque provavelmente não poderei postar na quarta. Espero que gostem e que continuem acompanhando. Essa semana fiquei bastante feliz com as reviews e comentários que a fic recebeu! Obrigada por lerem e até logo :D