CAPÍTULO 11 – PARTE 2

BRENNAN

Um momento completamente diferente de tudo que eu já havia vivido estava acontecendo agora e parte de mim só conseguia sentir pânico pelo que estava por vir. Muitos anos haviam se passado desde que eu Bob tinha saído da minha vida, da maneira mais traumática possível e até então, eu nunca tinha me aberto para ninguém. Sexo era apenas sexo, era apenas a minha profissão. Ainda que no fundo eu sempre tenha sabido que com Booth foi algo mais desde o começo, essa era a primeira vez que eu tentava admitir para mim mesma e era aterrorizante.

Percebendo a minha insegurança, seus beijos se tornaram mais calmos e suas mãos mais cuidadosas. Nossas respirações voltaram gradualmente à normalidade e tudo pareceu estagnar ao nosso redor. Seu corpo ainda estava pressionado ao meu, o desejo ainda estava lá, pulsante, ardente, mas essa era uma nova atmosfera nos rondando e era algo que eu nunca havia experimentado antes. Seus olhos se desviaram para os meus, me fazendo encará-lo como se ele quisesse me mostrar algo lá e então eu vi. Cientificamente nada disso pode ser comprovado, mas havia algo a mais naquele olhar, havia um brilho intenso que parecia refletir as minhas próprias emoções. Eu não sabia descrever nada disso, eu não poderia dizer com certeza sobre o que se tratava. Mas era bom, simples assim.

Nossas roupas foram desaparecendo pouco a pouco, a pressa estava longe de ser encontrada dessa vez. Booth dedicou tempo em cada parte do meu corpo, repassando o que estava sentindo com cada toque, com cada beijo. Sua voz era rouca em meu ouvindo enquanto ele sussurrava palavras desconexas, enviando um arrepio agradável à minha pele. A necessidade inflamada começou a se construir pouco a pouco com cada movimento do seu corpo, nosso ritmo acelerando ligeiramente em busca de um desfecho maior. Duas partes de mim brigavam internamente, aquela que queria que esse momento durasse para sempre e aquela que buscava o prazer intenso, que só ele seria capaz de dar. A segunda parte venceu no fim das contas.

O peso físico e mental dos últimos acontecimentos caiu sobre mim e logo a exaustão me levou ao sono, o corpo quente ainda pressionado contra o meu, o cheiro inebriante acalmando as minhas dúvidas. Pareceu apenas alguns segundos desde que eu havia fechado os olhos, mas quando eu acordei, meus lençóis estavam me aconchegando na minha grande cama, o lugar frio e vazio ao meu lado.

Decepção dominou a minha mente enquanto eu tentava dizer a mim mesma que isso não significava nada. Respirei fundo e tentei controlar tudo o que eu estava sentindo, decidida a pensar sobre isso depois. Levantei da cama e vesti uma camisola rapidamente, me dirigi até a cozinha para beber um pouco de água, quando algo na sala chamou minha atenção.

-Booth? –perguntei incrédula ao vê-lo deitado no sofá. –o que você está fazendo aqui?

-Bones? Me desculpe. –ele sentou rapidamente, esfregando os olhos com força. – você acabou pegando no sono então eu a levei até a cama. Eu não queria incomodá-la, mas também não queria sair sem dizer nada, não me pareceu certo...foi uma ideia ruim?

-eu não perguntei o que você está fazendo no meu apartamento. Perguntei o que você faz aqui, no sofá, quando poderia estar lá...-me silenciei antes que a frase terminasse. Minha própria insegurança tomando conta de mim mais uma vez. –você não precisava ter ficado, eu teria entendido.

-não, não teria, porque você está entendendo tudo errado nesse momento. Eu não queria deixá-la sozinha, mas da última vez que nós acordamos juntos você surtou e eu estou tentando fazer com que seja diferente hoje, porque...foi diferente. –ele parecia nervoso, assim como eu estava. Sua mão estendeu e me puxou para sentar ao seu lado, o contato da sua pele me acalmado um pouco. –sei que é tarde e que talvez essa não seja a melhor hora para conversar, mas as coisas mudaram entre nós essa noite e eu não quero que o seu medo a faça recuar outra vez.

Minha cabeça era uma completa bagunça, sentimentos diferentes passando por mim e confundindo tudo o que eu tinha em mente. Por um lado, eu nunca quis isso, minha parte consciência e racional sabia que era insano deixar-me levar para um tipo de relação assim, me permitir sentir o que eu estava sentindo. Mas em contrapartida, eu não conseguia mais ignorar o que estava dentro de mim. Booth não tinha sido nada além de um companheiro, amigo e alguém que merecesse a minha confiança. A balança estava pesando para os dois lados, a lembrança da dor e do abandono queimando, os últimos dias ao lado de Booth e a segurança que ele me passava amenizando todas as minhas preocupações.

Era tudo muito difícil de decidir.

-eu não quero conversar. –minha voz saiu firme e decidida, assustando até a mim mesma. Booth pareceu quebrado com as minhas palavras, sua expressão ficando abatida quase que instantaneamente.

Me levantei e parei de frente a ele, a minha mão estendida dessa vez, o convite mudo para que ele viesse comigo. Um leve sorriso se abriu quando ele finalmente se deu conta do que eu estava oferecendo e ele, simplesmente, aceitou. Como sempre. Nós caminhamos em silêncio até o meu quarto, seu corpo voltando a se aconchegar no meu quando nós deitamos juntos na minha cama.