Conrad
Victoria's POV:
Entrei em casa e fechei a porta atrás de mim. Pulei de susto quando ouvi uma voz masculina atrás da porta do escritório do Conrad. Não imaginava que alguém estaria acordado a essa hora. Ele não estava sozinho. Me aproximei para escutar a conversa.
-Frank, isso não pode vir à tona! Você tem que dar um jeito nisso. Precisamos culpar alguém.
-Não se preocupe, já sei o que fazer. – Senti um arrepio na espinha. Sabia que Frank, por trás do trabalho de segurança pessoal do meu marido, fazia seu trabalho sujo. Ouvi passos se aproximando e resolvi me retirar.
Subi para o quarto, coloquei uma camisola, apaguei as luzes e deitei como se nunca tivesse saído de casa. Alguns momentos depois, Conrad entrou no quarto silenciosamente. Ele passara a noite no escritório, então, na hora em que fui para a casa de David eu disse que ia dormir. Sabia que ele não ia checar. Fazia tempo que mal prestava atenção em mim. Há semanas ele passava horas trabalhando em casa em algo que eu desconhecia. Talvez tivesse alguma relação com o que Conrad e Frank estavam discutindo. Independente de eu saber ou não, eu tinha um pressentimento ruim. Pior do que eu gostaria de admitir.
Enquanto eu fingia que estava dormindo, ele, carinhosamente se abaixou ao meu lado e beijou minha testa. Estranhamente, senti que ele não se afastara depois do beijo. Podia sentir sua respiração na minha pele.
-Você está com cheiro de perfume masculino. - Conrad disse de maneira rude.
Congelei. Não sabia se deveria dizer alguma coisa ou só fingir que estava dormindo. Não saberia o que responder. Continuei quieta. Ele deve ter notado a clara pausa na minha respiração, pois se levantou e acendeu a luz.
-Aonde você estava? - seu tom aumentou. – De quem é esse perfume?
- O que você pensa que está fazendo, Conrad? Eu estava dormindo! -Eu respondi ríspida.
-Não se faça de desentendida, Victoria. Responda a minha pergunta. Que perfume é esse? – Às vezes eu me esquecia do quanto ele era ciumento. E do que ele era capaz de fazer nesse estado.
-Não estou sentindo cheiro nenhum! Você está claramente senil! Não tem perfume nenhum. – eu me sentei na cama.
-Não ouse mentir pra mim! - ele se abaixou na altura dos meus olhos. – eu sempre sei quando você mente, Victoria. – Podia sentir seu hálito no meu rosto. Seu olhar era furioso e intenso, mas o meu também. Ele sabia muito bem com quem estava lidando e eu não seria intimidada tão facilmente.
- Você precisa de terapia para o seu ciúme doentio.
Abruptamente, ele agarrou meu cabelo e me empurrou com força contra a cama. Minhas costas bateram forte na parede. Em sua expressão eu mal podia reconhecer o homem que um dia amei.
Minha cabeça doía aonde suas mãos puxavam.
-Tira suas mãos de mim. – Dei-lhe um tapa na cara. Ele puxou mais forte.
-De quem é o perfume? - sua bochecha estava vermelha aonde minha mão tinha batido.
Fomos interrompidos por um choro de criança. No outro quarto, Daniel chamava pela mãe. Ele vinha fazendo isso toda vez que ouvia os pais brigarem. A dr. Michelle disse que isso era normal na idade dele. A criança faz isso como uma forma de parar os conflitos na família e chamar atenção para ele mesmo.
Conrad me soltou e eu levantei.
-Olha o que você fez! – gritei enquanto me dirigia para a porta.
-Victoria! – eu parei, mas sem me virar para encará-lo. – Eu vou descobrir de quem é esse cheiro! E quando eu descobrir...ah! Ele vai desejar nunca ter provocado um Grayson.
Recentemente, seu lado monstro aparecia com mais frequência e ele se afastava, cada vez mais, de quem um dia foi. Ou que, pelo menos, eu acreditasse que ele fosse. Acho que a descoberta de quem Conrad realmente é foi o que começou a nos distanciar.
Sei que também não sou a melhor pessoa do mundo. Não me inocento em nada, mas, de qualquer forma, ninguém é inocente. Então, isso não importa. As pessoas fazem suas escolhas e devem aprender a viver com elas. Percebi nos últimos meses que havia escolhido o homem errado para me casar.
Saí do quarto para confortar meu menino de 7 anos. Não respondi ao que meu marido havia falado. Eu sabia que Conrad Grayson não fazia ameaças vazias.
