N/A: Apenas para perguntar se alguém notou que os nomes de cada episódio são de músicas/álbuns de Iron Maiden! Eu adoro essa banda... ) Metal yeah!

E, a velha Yubaba, que será citada nesse capítulo, é a Velha Yubaba de "Sen to Chihiro" (A viagem de Chihiro).. aquela velha é uma trambiqueira tão cara-de-pau e tão bizarra, que achei que se encaixaria muito bem na história... ela parece mesmo um demônio, e o jeito como ela tratou a Chihiro, é o jeito de uma mercadora de escravos...

E, Mariutti é o sobrenome do baixista e do guitarrista da banda Shaaman. Deu para perceber que sou fã de Metal! D

Sendo assim...

Disclaimer: Yu-Gi-Oh! e seus personagens não me pertencem; a Velha Yubaba não me pertence também; nem as músicas de Iron Maiden; e muito menos o sobrenome dos dois.

Chapter Three: Piece of Mind

- Onde estamos? - Anzu questionou seu Mestre. O local era mais escuro, pois era iluminado por uma única vela preta, que ostentava várias peças de ouro, e tafetá cobria grande parte dos móveis, assim como couro escuro.

- A velha Yubaba não me disse que você seria tão bela aos meus olhos, Anzu... - Yami disse, sentando-se em sua poltrona. Anzu enrubesceu.

- Senhor, porque me trouxe aqui? - ela indagou novamente.

- Estamos em seus novos aposentos, e eu a trouxe aqui para que você possa se arrumar devidamente antes de ser apresentada aos outros.

- Arrumar-me? Para qual propósito? Sou uma simples escrava, Senhor. Trapos e feiúra fazem parte de minha natureza como nascida humana. - Anzu disse. Yami sorriu.

- A partir de hoje, querida Anzu, você não mais será uma escrava. Faço de você minha Governanta. - Yami disse. A boca de Anzu se abriu em choque.

- C-C-Como? Governanta? - ela gaguejou, incrédula. Yami sorriu para ela.

- Sim. Minha Governanta. Agora, apresse-se. Suas novas vestes estão naquele guarda-roupa, portanto arrume-se. Quando estiver pronta, Mariutti a conduzirá até o Salão, onde estaremos aguardando. - ele disse, e sumiu.

Anzu suspirou. Aquilo era irreal demais. Talvez um sonho.

Ela caminhou até um grande guarda-roupa, feito de carvalho escuro e envelhecido, bastante grande e com puxadores de ouro. Ao abrir, ela se deparou com inúmeros vestidos de cores diferentes, porém de modelos semelhantes.

- Minha nossa! - ela sussurrou, e começou a escolher.

- Onde você estava, Yami? O que fez com a escrava? - Marik questionou, sem tirar os olhos do livro. Estavam agora reunidos na Biblioteca, um dos locais favoritos de Seto.

- Ela era tão horrenda que você teve que mandá-la para outra dimensão? - Bakura disse, apoiando as costas contra uma das estantes, entediado novamente.

- Bem, por mais feia que ela possa ser, a simpatia dela é bem surpreendente. - Joseph disse, mordiscando biscoitos.

- Quer dizer então que o Cão se engraçou com a escrava humana? - Bakura zombou. Joseph o encarou.

- Vocês poderão tirar suas próprias conclusões quando minha nova Governanta adentrar este local. - Yami disse, sentando-se na poltrona em frente a lareira de mármore.

- Governanta? - Todos repetiram em unissono. Yami apenas sorriu.

- O que estão fazendo aqui? - Seto perguntou, ao entrar no local. Ele ainda estava aborrecido.

- Uma pequena reunião, não é óbvio? - Marik disse, grosseiramente. Seto grunhiu, e antes que ele pudesse responder algo para o meio-demônio, a porta foi aberta.

Mariutti estava lá, e se curvou quando notou os olhares intensos nele.

- Diga-me, Mariutti... Anzu já está pronta? - Yami perguntou.

- Sim, Mestre Yami. Sua entrada é requisitada? - Mariutti questionou. Yami fez um gesto positivo com a cabeça, e Mariutti abriu a porta da Sala, dando espaço para uma pessoa entrar.

E lá estava ela. Usando um vestido branco, os cabelos castanhos penteados cuidadosamente, e os olhos azuis faiscando como gemas preciosas, devido ao nervosismo.

- Bem.. apresento-lhes a nova Governanta da Mansão. - Yami disse, levantando-se e sorrindo divertidamente. O resto da biblioteca permanecia em silêncio.

Yami estendeu uma mão para Anzu, que hesitou antes de aceitá-la. Ele então a conduziu para o centro da Biblioteca onde os demais moradores estavam, cada um com uma expressão de surpresa no rosto.

Anzu olhou para cada um deles, e enrubesceu fortemente. Ela não gostava de chamar atenção, isso sempre lhe trazia problemas. E será que dessa vez seria diferente?

- E então? Nenhum comentário? - Yami perguntou, observando todos na sala.

Tristan tinha farelos de biscoito por todo o rosto; Joseph exibia seus biscoitos semi-mastigados, que podiam ser vistos já que sua boca estava escancarada; Marik endireitou-se na poltrona para melhor olhar; Bakura tinhas os olhos arregalados; Seto tinha um grande livro em sua mãos, que escorregou e caiu no chão com um baque, fazendo todos despertarem e se mexerem.

Anzu prontamente caminhou até ele, e agachou-se para pegar o livro. Ela sorriu ao ver o título do livro: "História Egípcia: Faraós". Ela pegou o livro e o devolveu para o Mago, que continuava a encará-la. Anzu curvou-se levemente e se afastou.

- Bem, minha cara Anzu! Eu a trouxe até a Biblioteca pois é aqui que sua primeira tarefa a aguarda! - Yami disse. Todos fitaram o Vampiro.

- Sim, senhor? - Anzu questionou, olhando-o.

- Acontece que meu primo Seto é um grande estudioso e escritor de livros de Registro Histórico. No entanto, ele tem encontrado dificuldade para reunir informações decentes sobre a raça dos Humanos. Por isso, quero que você o ajude, conte para ele sua história e coisas sobre os humanos! - Yami disse. Seto fixou seus olhos azuis no Vampiro, sem saber como reagir.

Anzu apenas meneou a cabeça, as maõs juntas em frente ao corpo. Ela então voltou seu olhar para o Mago.

- Vamos, vamos! Os dois precisam se concentrar! - Yami disse, gesticulando para que todos os outros saíssem do local. Aos poucos, eles saíram, não sem antes fitar atentamente as feições da nova Governanta.

A grande porta então foi fechada e o silêncio imperou no ambiente por vários instantes. Anzu estava insegura, sem saber o que fazer. Ela já havia aborrecido o Mago antes, e não seria bom fazê-lo novamente.

Seto estava atordoado. Ele raramente ficava na companhia de outros, mais raramente ainda de uma mulher, e ainda por cima humana! No entanto, era real o fato dele estar atrás de informações sobre humanos para seu registro. Talvez essa fosse uma boa oportunidade, afinal. Ele então fitou a jovem ao seu lado, que permanecia em silêncio e com a cabeça baixa, sem olhar para ele.

Ele pigarreou alto, chamando a atenção dela. Anzu o fitou timidamente.

- Senhor? - ela disse, a voz baixa e cautelosa.

- Bem... já que ambos estamos aqui, vamos logo com isso! - Seto disse, e caminhou até a escada circular, e Anzu o seguiu. Ambos subiram os degraus até o segundo andar da Biblioteca, e ele a conduziu até um canto, onde havia uma escrivaninha de madeira, que ficava bem ao lado de uma enorme janela.

A janela no entanto estava fechada, e pesadas cortinas de veludo a cobriam. Anzu deduziu que era porque o senhor da Mansão não apreciava muito a luz solar, sendo ele um Vampiro.

Mas, Seto logo afastou as grandes cortinas, e muita luz adentrou o local, tornando-o iluminado. Anzu olhou pelo vidro, admirando as inúmeras árvores que contornavam toda a Mansão. Ainda era dia lá fora, apesar do céu acinzentado e sem graça que permanecia dia após dia.

Seto se juntou a ela para observar o lado de fora. Fazia tempo que ele não ia para fora de dia. Nada o impedia, afinal ele não tinha nada de Vampiro, a luz do Sol não o afetava negativamente. Mas, ele não sentia vontade de caminhar entre as árvores, e permanecia todos os dias trancafiado, lendo livros e mais livros.

Ele fechou os olhos por alguns segundos e então se sentou na poltrona que tinha em frente a escrivaninha, e com um movimento da mão direita, um grande livro surgiu bem em cima da mesa.

Anzu piscou, maravilhada. Ela nunca havia visto mágica antes, e aquilo a surpreendeu, pois a facilidade com que Seto fez um livro tão grande surgir era algo inexplicável para ela. Seto percebeu a expressão dela, e sorriu discretamente.

- Sente-se. - ele disse. Anzu ia dizer que não havia cadeira para ela se sentar, quando Seto novamente moveu a mão direita e uma cadeira surgiu bem ao lado dela. Novamente, Anzu se espantou, e fitou o objeto com emoção. O Mago novamente sorriu.

- Isso tudo foi... incrível! - ela disse, quase num sussurro, enquanto se sentava na cadeira. Seto arqueou uma sobrancelha.

- Você nunca havia visto magia antes? - ele perguntou.

- Nunca! Eu já ouvi histórias quando criança, sobre homens que podem fazer objetos flutuarem, surgirem do nada e desaparecerem também! Mas nunca pensei que veria algo do tipo com meus próprios olhos! - ela disse, sorrindo largamente.

Seto ficou em silêncio, apenas analisando-a. Ele nunca havia estado tão próximo de alguém como ela antes. Todos aqueles que o rodeavam tinham personalidades extravagantes, tentavam chamar a atenção de um modo ou de outro. Aquela humana no entanto era diferente. Ela tentava se esconder, passar despercebida, mas era impossível.

Aqueles olhos azuis brilhavam com tanta intensidade, que qualquer ser a notava. Mas, não apenas os olhos raros chamavam a atenção, como também todo o resto. Ela possuía um rosto bastante delicado, feições suaves, contornos femininos. A voz suave e calma, o andar leve e gracioso, os movimentos elegantes, o perfume inebriante, e o sorriso... um sorriso puro e sincero.

Ela nem parecia ser uma escrava.

Seto então percebeu que a jovem o fitava com curiosidade e receio. Ele piscou e desviou o olhar e começou a folhear as páginas do livro.

Anzu logo percebeu que ele a fitava intensamente, e ela ficou incomodada. Ela reparou que o jovem Mago também possuía orbes azuis, apenas de um azul mais escuro que o dela. Os cabelos castanhos dele também eram semelhantes aos dela. Reparando melhor, Anzu o achou muito belo.

Mas, a maneira como ele a olhava eram incomodôs, era como se ele estivesse analisando até a alma dela. Ela tremeu, e ele então desviou o olhar da figura dela.

- Vamos começar então. - Seto disse. Anzu se ajeitou na cadeira e respirou fundo.

- Eu nunca havia visto olhos daquela cor antes... - Marik disse. Ele, Yami e Bakura estavam no salão de esgrima, para o treinamento diário de Marik com o manejo de espadas.

- Nem eu mesmo tive o prazer de ver um par de olhos de um azul tão claro muitas vezes. Foram raras as vezes que me deparei com humanos que possuíssem olhos azuis da cor do céu-claro. - Yami disse.

- Você já havia comentado comigo sobre a raridade de se encontrar humanos com olhos claros nos dias de hoje. Fiquei surpreso ao ver que a nova escrava possuía algo assim. - Marik disse.

- Nã-nã-nã, Marik! Escrava, não! Governanta! E nem eu sabia que ela possuía olhos claros, ou uma beleza tão feminina e graciosa. A velha Yubaba nada me disse quando fiz a compra. Desconfio que nem mesmo ela soubesse desse detalhe. - Yami disse.

De fato, a velha Yubaba nem havia imaginado que tinha em seu poder um tesouro. Se ela soubesse, com certeza o preço de Anzu teria sido elevado as alturas, e ela provavelmente teria sido oferecida para ser vendida ao Cafetão local, para que sua beleza exótica fosse mais bem aproveitada.

- Melhor para nós! - Marik disse. Yami e Bakura olharam para ele.

- E eu pensei que apenas o Cão havia se engraçado com ela... pelo visto, o pequeno demônio também se encantou! - Bakura zombou. Marik enrubesceu, e lançou um olhar mortal para o meio-vampiro.

- Como se você não tivesse ficado surpreso ao vê-la também! Se bem me lembro, sua mandíbula quase atingiu o chão naquela hora! - Marik disse, sorrindo triunfante ao ver Bakura corar levemente.

- Ora, demônio! Não confunda as coisas! - Bakura grunhiu, e ambos agora se olhavam com fúria.

Yami balançou a cabeça e logo agitou o sabre, para distrair as atenções.

- Parem com isso. Marik de volta ao treinamento. Bakura, vá procurar o que fazer. - Yami disse. Marik lançou um último olhar de ódio para Bakura, e voltou suas atenções para seu Mestre.

Bakura agora mais irritado, saiu do salão, e rumou para seu quarto.

No meio do percurso, ele escutou as vozes de Joseph e Tristan, que estavam no corredor, discutindo alguma coisa. Bakura parou de caminhar e começou a escutá-los, já que estava muito entediado.

- Você não tem jeito mesmo, Joey... onde já se viu, ficar pensando essas coisas, numa hora dessas! - Tristan disse.

- Ora! Você mesmo viu, e não pode negar! - Joseph disse. Tristan balançou a cabeça.

- Eu sei que ela é uma gracinha, mas você não deve ficar tendo esses pensamentos, Joe... - Tristan disse. Bakura sorriu de modo perverso. Quer dizer então que os dois Lobos estavam discutindo sobre a pequena Anzu, a nova governanta da Mansão. E, pelas palavras de Tristan, Joseph estava com algum tipo de interesse na garota.

- Tristan, você sabe que faz muito tempo que eu não vejo um mulher, ainda mais uma mulher bonita desse jeito... e, eu só toquei no assunto porque me preocupo... - Joey disse, um pouco pensativo. Tristan arqueou uma sobrancelha.

- Preocupado com o quê? - ele perguntou.

- Duh! Do jeito que ela é bonita, tenho certeza que logo aquele safado do Bakura vai tentar alguma coisa! Até mesmo o Seto teve a oportunidade de ficar a sós com ela! Eu só acho que devo tomar uma atitude antes que aquele meio-vampiro desgraçado mate ela, que nem matou os outros! - Joey disse.

- Bom, pensando por esse lado... o Seto não é do tipo que faria algo com a garota, já que ele é meio que um ser assexuado. Mas o Bakura... não demora muito e ele ataca ela em algum corredor escuro! - Tristan disse. Bakura rosna, ao ouvir os dois falando dele.

- Viu só! E então, o que me diz? - Joey perguntou. Tristan balança a cabeça novamente e olha para o amigo.

- Eu acho que você deveria se preocupar com outro vampiro, Joe. Se o Yami descobre essas suas idéiazinhas, ele te arranca o pescoço fora. - Tristan responde, e torna a caminhar.

- Bah! Você é um estraga-prazeres, Tristan... - Joey disse, e começa a caminhar atrás do amigo.

- Ah, e mais uma coisa: é feio escutar a conversa dos outros, viu Bakura! - Tristan disse, com um sorrisinho maroto. O meio-vampiro solta um grunhido irritado e continua seu caminho. Mais tarde ele usaria essas novas informações a seu favor em alguma maldade, mas nesse momento, um curioso interesse em saber o que estariam fazendo Seto e Anzu naquela biblioteca, apenas os dois, surgiu na mente de Bakura, e o meio-vampiro fez uma curva e foi se entreter um pouco mais.

Continua...

NA: A demora para postar esse episódio se deve ao meu desleixo, e ao site, que parece ter algo contra a minha pessoa, e sempre boicota as atualizações...

Espero que estejam apreciando essa fic até agora.

Prometo grandes emoções e muito romance daqui pra frente!