Chapter Four: Wicker Man

- Eu nunca imaginei que humanos gostassem de comer mato... - Seto disse, analisando finalmente os dados coletados.

- Não chamamos de "mato"... são verduras! - Anzu disse. Seto olhou para ela.

- Não deixa de parecer mato para mim. - Seto retorquiu. Anzu balançou a cabeça, e fechou os olhos, recostando na cadeira. Ela estava ali há horas, apenas conversando com o Mago, e aquilo a cansou. Anzu era do tipo agitado, e ficar sentada a estava aborrecendo.

Seto pareceu notar o desconforto da moça, e fechou o grande livro.

- Bem... acho que... por hoje basta. - Seto anunciou. Anzu suspirou, e se levantou.

- O que o senhor gostaria de comer no jantar? - Anzu perguntou, educadamente, com ambas as mãos postas em frente ao corpo. Seto pareceu pensar por alguns instantes.

- Frutos do mar. - Seto respondeu. Anzu balançou a cabeça, pediu licença e saiu da biblioteca.

"Espero que tenhamos frutos do mar na despensa...", Anzu pensou, enquanto caminhava pelos corredores. Logo a garota parou de andar e olhou ao seu redor. Com um suspiro audível, Anzu falou:

- Estou perdida! - a garota olhou para trás, e decidiu voltar a Biblioteca, mas logo encontrou uma bifurcação no corredor, e não soube de qual lado viera. Anzu começou a caminhar, sem saber para onde ir, tomando caminhos aleatórios, na esperança de que, todos os corredores no final levassem a um único ponto.

Infelizmente, os corredores eram mais sombrios que corredores comuns, e nenhum deles levava ao mesmo lugar, nem se coincidiam no final. Anzu começou a ficar com receio de que, acabaria perdida e morreria naquele corredor, para ser achada daqui mil anos por algum descendente de Yami.

"Ou pelo próprio... já que ele é um Vampiro, ou seja, provavelmente, imortal!", Anzu pensou e parou de andar. Havia uma cortina grossa no final daquele corredor, e Anzu se aproximou, e abriu a cortina.

O Sol estava se pondo atrás das árvores, e se ela não se apressasse, nunca terminaria o jantar a tempo, nem saberia se haviam frutos do mar para o jantar do Mago.

- Feche essa cortina. - uma voz comandou. Anzu se assustou, e olhou para trás, e para os lados. Não havia ninguém visível.

A respiração de Anzu se acelerou, assim como seus batimentos cardíacos, e ela apertou o tecido grosso da cortina, enquanto olhava para a escuridão, tentando identificar algo.

- Eu mandei fechar a cortina! - a voz se elevou novamente, e Anzu deu um passo para trás, batendo na parede. A garota então se virou e fechou a cortina com um só movimento, mas permaneceu virada para a janela, temendo o que veria se virasse.

Anzu podia sentir a presença de alguém, que se aproximava vagarosamente dela. Logo, ela sentiu uma mão fria tocar-lhe o pescoço, dedos longos e agéis avançarem e tocarem seu queixo, enquanto a outra mão descia para seu ombro. Anzu tremeu, e fechou os olhos.

Subitamente, ela foi forçada a virar o corpo e o rosto. Anzu permaneceu de olhos fechados, respirando descompassadamente e tremendo de aflição. Ela então sentiu a respiração da pessoa em sua bochecha, e depois, em seu ouvido.

- O que a senhorita faz aqui?? - a voz sussurrou em seu ouvido, e a sensação do hálito quente fez Anzu estremecer.

- E-eu... procurava... a cozinha... - ela respondeu, também em sussurros, a voz diminuindo a cada palavra, até morrer em sua garganta.

Uma risada sombria abafou a voz de Anzu, e dessa vez ela sentiu a respiração em seu pescoço. Quando Anzu ia dizer algo e tentar fugir, uma língua quente e úmida se atreveu a passear sob a pele fina e macia do pescoço da garota, que apertou as pálpebras com força, tentando ignorar aquela sensação estranha e inebriante.

- Você tem um sabor doce... - a voz disse, um pouco rouca. A mão que estava no ombro de Anzu desceu vertiginosamente, apertando suavemente a cintura da garota, enquanto a outra mão foi para a nuca, fazendo o corpo de Anzu se aproximar mais ainda.

Houve um choque imenso.

O corpo de Anzu era quente. O corpo dele era frio.

Anzu sentiu a hesitação da outra pessoa, e ela então abriu os olhos, e olhando para o lado, viu cabelos longos e pálidos, quase brancos.

- Senhor.. Bakura..?? - ela disse, piscando, tentando fazer a visão se acostumar a escuridão.

Bakura lentamente virou o rosto, e agora eles estavam cara a cara.

Houve outro choque imenso.

Os olhos de Anzu eram celestes. Os olhos dele eram demoníacos.

Bakura aproximou o rosto mais ainda, e seu nariz roçou no de Anzu. A garota não sabia o que esperar do meio-vampiro, mas algo lhe fez fechar os olhos, e apenas esperar.

Um puxão a fez abrir os olhos.

- A cozinha é por aqui. - Bakura disse, puxando-a pelo braço. Anzu piscou algumas vezes, e um sentimento de vazio preencheu seu coração. Faltou alguma coisa.

Enquanto Anzu estava pensantiva, Bakura ostentava um rosado em suas bochechas sempre pálidas. Para ele, também faltou alguma coisa.

a::a::a::a::a::a::a::a::a::a

Anzu suspirou aliviada ao ver uma enorme bacia cheia de camarões, e bem ao seu lado, caranguejos rosados e frescos. Ela pediu aos elfos domésticos ajuda para tirar a pele dos camarões, e mariná-los, enquanto ela cuidava dos caranguejos.

Ela estava pondo-os na panela cheia de água fervente, quando a porta da cozinha que dava para o lado de fora da Mansão se abriu. Anzu se virou, e lá estava Joseph, carregando um enorme saco de aspargos.

- Foi isso aqui que você pediu? - o Lobisomen perguntou. Anzu se aproximou dele.

- Sim... mas acho que o senhor trouxe um pouco demais... - ela disse, olhando para aquele saco enorme. Devia haver, no mínimo, uns três kilos de arpagos ali.

- Quer que eu leve de volta? - Joseph perguntou.

- Não! - Anzu disse, balançando a cabeça de um lado para o outro, negativamente. Joseph a fitou, surpreso. - Eu posso usar esses aspargos para várias receitas... além do mais, não acho que o senhor da venda aceitaria-os de volta... - Anzu disse, e se abaixou, abrindo o saco e escolhendo alguns aspargos.

- Aliás, me diga para que você vai usar aspargos? - Joseph disse. Ele raramente comia algo do tipo, e mesmo porque, ele geralmente apreciava apenas um enorme filé de carneiro, e já estava tudo bem.

- É para a receita de frutos do mar que o senhor Seto pediu... - Anzu explicou, e carregou os aspargos para a bancada da cozinha.

- Seto pediu alguma coisa em especial? Por quê? Por acaso ele vai sair de viagem? - Joseph perguntou, bastante surpreso e curioso.

- Não que eu saiba... eu apenas perguntei o que ele gostaria de comer no jantar, e ele me disse que desejava frutos do mar... - Anzu disse, e se virou, olhando para Joseph.

O Lobisomen tinha uma expressão de espanto no rosto, e parecia pensativo.

- Algum problema, senhor? - Anzu perguntou, receosa. Joseph voltou a realidade, piscou os olhos castanhos e sorriu para a garota.

- Nah, problema algum... - ele disse, e se virou, indo para a sala de jantar - Ah, mais uma coisa:

Anzu o seguiu com os olhos. - O que foi, senhor? - ela perguntou. Joseph virou apenas a cabeça, e havia um sorriso nos lábios dele.

- Sem essa de "senhor", ok? Me faz parecer um velho... me chame de Joey! - o Lobisomen disse, e piscou para ela. Anzu enrubesceu fortemente, e apenas ficou olhando o jovem Lobisomen, enquanto ele sumia na escuridão da outra sala.

"Joey... não será um tratamento íntimo demais...??", Anzu pensou, e só voltou a realidade quando sentiu o cheiro de caranguejos passando do ponto na água fervente.

a::a::a::a::a::a::a::a::a::a

Yami adentrou o Salão principal com aquela atitude de sempre. Cheio de confiança, a capa esvoaçante, o meio sorriso, o chamado "charme de Vampiro".

O Vampiro arqueou uma sobrancelha ao ver todos os moradores da Mansão no mesmo lugar, e sem estarem discutindo ou tentando se matar. Seto estava sentado em sua poltrona usual, lendo um enorme livro, como de costume. Bakura estava largado em outra poltrona, no canto oposto do Salão, apenas parecendo estar entediado. Marik olhava pela janela, que não estava coberta por cortinas, dado que já era de noite. Joseph e Tristan estavam sentados no sofá para três pessoas, conversando aos sussurros.

- Ora, ora... estamos todos aqui reunidos, apenas ansiosos para saborear a deliciosa refeição de nossa querida Governanta? - Yami perguntou, se sentando em sua poltrona.

Os presentes se entreolharam, sem saber o que dizer ao certo.

- Na verdade, ela está atrasada... já era pra estarmos jantando. - Marik disse, ainda olhando para o lado de fora da janela.

- Hum, isso é verdade... será que ela teve algum contratempo? - Yami perguntou, se sentando em sua poltrona.

- Talvez, ela tenha se perdido nos corredores... - Bakura disse, e sorriu sombriamente. Yami olhou para o Meio-vampiro com uma expressão curiosa em seu belo rosto.

- E esse cheiro tá provocando demais! Eu tô morrendo de fome! - Tristan disse, e pendeu a cabeça para trás, apoiando-a no sofá.

- De fato, o aroma está divino! - Yami disse, e fechou os olhos para apreciar melhor.

- O que será que ela está fazendo? - Marik perguntou.

- Frutos do mar. - foi a resposta dada, por Joseph e Seto, ao mesmo tempo.

Yami, Marik, Bakura e Tristan fitaram os dois, que se encaravam, ligeiramente constrangidos.

- E como vocês dois sabem? - Marik perguntou, cruzando os braços e se apoiando na janela. Seto e Joseph desviaram os olhares, e pigarrearam.

- Eu trouxe os ingredientes que ela pediu, e como tinha uns negócios diferentes, perguntei o que era... - Joseph explicou.

- Entendo.. e quanto à você, Seto? - Yami perguntou. O mago hesitou para explicar, e antes que ele dissesse alguma coisa, Mariutti entrou no salão, e se curvou diante deles, que concentraram suas atenções nele.

- Boa noite, senhores. Perdoem a demora, mas o Jantar está servido. - ele anunciou.

Todos o seguiram até a Sala de jantar, e se sentaram em seus devidos lugares. A comida estava servida em seus pratos, e eles contemplaram a disposição elegante dos caranguejos e camarões, assim como os aspargos e outras coisas que eles não estavam acostumados a saborear.

Eles então começaram a comer, e mais uma vez, se surpreenderam com o sabor suave e rico do jantar.

- Onde está nossa Governanta? - Yami perguntou ao elfo-doméstico.

- Na cozinha, senhor. - ele respondeu.

- Traga-a aqui. - Yami ordenou. Mariutti se curvou e entrou na cozinha. Uns instantes depois, Anzu entrou na Sala de jantar, com uma garrafa de vinho nas mãos.

- Permita-me serví-lo, senhor Yami. - Anzu disse, e encheu a taça de cristal dele somente até a metade. Yami degustou o vinho, e sorriu.

- Impressionante como o vinho combinou com os sabores desse jantar. Terá sido ao acaso, ou será que a senhorita, além de bela e ótima cozinheira, também entende de vinhos? - Yami disse. Anzu ruborizou levemente, e continuou a servir os outros que estavam na mesa.

- Minha antiga senhora apreciava vinhos, e eu aprendi o básico, como qual vinho servir com qual comida. - Anzu respondeu.

- O básico?! Poucos sabem que um bom Sauvignon Blanc é ideal para acompanhar frutos do mar e camarões. - Yami disse.

- Eu procurei por um Chardonnay, mas as opções se restringiram a esse Sauvignon Blanc, ou um Chablis. Como o Chablis estava em temperatura ambiente, e o Sauvignon estava a oito graus, que é o ideal, achei melhor serví-lo. Sem mencionar que vinho branco cai muito bem no Verão. - Anzu disse, e sorriu para o Vampiro. Yami sorriu também, e contemplou o rosto gentil da humana. Ele sentiu seu coração palpitar estranhamente, balançou a cabeça e degustou mais de seu vinho.

- A comida tá uma delícia! E olha que eu não sou de comer coisas como aspargos! - Joseph disse, sorridente. Anzu já tinha terminado de servir o vinho, e se aproximou de Joseph. O Lobisomen olhou para ela, que puxou um lenço do bolso e limpou a lateral da boca dele, que estava suja com o molho.

- Fico lisonjeada que tenha apreciado minha receita... Joey. - ela disse, ruborizou de leve e sorriu para ele. Joseph piscou por instantes, bobo com a atitude da moça, e então corou até a raiz dos cabelos loiros.

Os outros na mesa também estavam estupefatos, olhando para a jovem humana que se curvou para eles e voltou para a cozinha. Eles ficaram em silêncio por vários minutos, até que Tristan quebrou o silêncio:

- "Joey", huh?! - ele disse, e deu um sorriso de lado para o amigo.

- Quanta intimidade entre vocês dois, hein! - Marik disse, arqueando uma sobrancelha. Joey ainda estava bastante vermelho, e gaguejou:

- É só que... err... ela ficava.. me chamando de "senhor" pra lá e pra cá, e então... eu falei pra ela me chamar de outro jeito, oras! - o Lobisomen disse.

- Aham... pediu pra ela te chamar de "Joey". - Yami disse, e sibilou a última palavra, com um enorme ar de desdém em sua voz. Seus olhos faíscavam de possessividade, ao imaginar sua doce humana de olhos azuis se relacionando de forma mais íntima com o Lobisomen a sua esquerda.

- Parem de me olhar assim. Qual o problema dela me chamar assim, hein?! - Joseph disse, e igualou seu olhar feroz com o do Vampiro, e seus olhares se travaram.

- Problema algum, Joe... mas ninguém te chama de "Joey". Nem eu, e olha que sou seu amigo desde que éramos crianças! - Tristan disse.

- Pois eu sempre quis que me chamassem de "Joey". Se nenhum de vocês faz isso, então que seja a Anzu. - Joseph disse, tomou seu vinho em um gole só e saiu da mesa, aborrecido. Yami tinha os olhos fechados, e apenas Tristan seguiu o amigo com o olhar. Seto degustava seu vinho, tentando esconder um sorriso sádico, Marik ria e balançava a cabeça, e Bakura fitava intensamente a porta da cozinha.

a::a::a::a::a::a::a::a::a::a

Naquela noite, em outro lugar, uma revolução começava.

Um homem de cabelos longos e esverdeados esmurrava com força total sua mesa de carvalho polido, e uma fúria insana brilhava em seus olhos, peculiarmente de cores distintas.

Três homens estavam estáticos, olhando com atenção para seu Mestre, que raramente demonstrava tanta raiva. Os três se entreolharam, sem entender muito bem o que acontecia. De repente, o homem de cabelos esverdeados se virou para eles, e falou:

- Eu quero aquela preciosidade para mim. Vão buscá-la. - os três homens olharam para seu Mestre, se ajoelharam e saíram, as capas esvoaçantes e negras, se confundindo com a escuridão da noite.

Dartz sorriu maquiavélicamente, enquanto sonhava com a pele macia de uma certa escrava humana e seus admiráveis olhos da cor do céu.

Continua...

NA: Meu deus, há quanto tempo eu não posto... acho que não ter internet e inspiração colabora para a demora na atualização...

Perdoem-me todos!

Bem, espero que gostem desse capítulo, e aguardem os próximos.

Dartz e sua trupe entram na história!