Sei que só apareço no fim, mas preciso comentar alguns aspectos desse capitulo no começo. Essa história faz parte das lembranças de Dohko, por isso, possivelmente irão haver spoillers da batalha de Posseidon, retratada em Ariel. No mais, agradeço a Margarida que me deu uma grande ajuda para esse capitulo desencalhar XD.
Enfim, obrigado a todos os comentários pessoal. Me desculpem se ainda não respondi nenhum review, mas o ff-net anda meio doido e os e-mails comunicando os reviews não chegaram, mas quando chegar, eu respondo com certeza.
Agora vamos ao que interessa...
Boa leitura!
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Alana é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Capitulo 2: O Motivo.
I – Dohko X Alberich.
Remexeu-se na cama, dando um baixo suspiro. Sentiu um toque quente e delicado em sua face, afastando os fios castanhos de seus olhos. Deveria estar sonhando, mas não podia; ele pensou, lembrando-se que havia se deitado um pouco pra descansar e teria de ver como Alana estava depois.
-"Alana"; um estalo fez-se em sua mente ao lembrar-se da jovem.
Levantou-se rapidamente, chocando-se contra algo, perdendo completamente o equilíbrio. Tentou se segurar na guarda da cama, mas não teve tempo acabado por ir ao chão com tudo, porém para sua surpresa, algo realmente macio amorteceu a queda.
-Ai; Dohko ouviu um baixo gemido de dor.
Abriu os olhos, deparando-se com um par de orbes azuis lhe fitando. Ambos coraram furiosamente ao sentirem as respirações se chocando e os lábios a milímetros de se roçarem.
Um arrepio cruzou-lhe as costas, ao sentir o corpo bem moldado da jovem estremecer sobre o seu.
-Ahn! Acho melhor levantarmos; ele balbuciou, sentindo-se um idiota por não ter outra coisa para falar e tirá-los daquela situação constrangedora. Levantou-se, estendendo a mão para a jovem, que até então, não conseguira emitir som algum.
Viu que ela jazia enrolada em um lençol, de forma que algumas partes do corpo não estavam bem cobertas. Desviou o olhar rapidamente quando ela apoiou-se em sua mão para levantar.
-Me desculpe se te assustei; Alana falou, timidamente.
Havia acordado sentindo uma energia estranha ao redor da casa, resolvera procurar pelo cavaleiro e saber se estava tudo bem, porém não pode evitar de se aproximar ao vê-lo dormindo tão tranqüilamente daquela forma.
-Tudo bem, acho que acabei pegando no sono; ele respondeu com um doce sorriso, que a deixou mais corada ainda. –Mas e você, como se sente?
-Estou bem Sr; ela falou, abaixando os olhos, não conseguindo encará-lo.
-Pode me chamar só de Dohko, detesto formalidades; o cavaleiro brincou, tentando tirar aquela nuvem de tensão que em questão de segundos caiu sobre eles.
-...; A jovem voltou-se para ele, assentindo.
-Ahn, espera um pouco; Dohko murmurou com ar pensativo. –Deixa eu ver aqui, acho que tem algumas roupas, que podem servir para você até as suas secarem; ele falou, encaminhando-se até o guarda-roupas.
-Não se incomode, eu posso esperar; Alana falou.
-É melhor não, você ainda não se recuperou completamente; ele falou prontamente.
No fundo do guarda roupas encontrou uma camisa e uma bermuda que ela poderia vestir, embora possivelmente ainda ficariam grandes, mas já era um começo.
-Tome, acho que por enquanto isso pode ajudar; o cavaleiro falou, entregando-lhe as peças.
-Obrigada; Alana agradeceu. –Vou colocá-las agora, com licença; ela falou, saindo do quarto para trocar-se.
-"Céus, o que ta acontecendo comigo?"; Dohko se perguntou, não conseguindo evitar de acompanhá-la com o olhar, até a mesma sumir no corredor.
Sentou-se na cama dando um suspiro cansado. Respirou fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem, mas parou sentindo uma energia estranha no ambiente, com passos rápidos foi para fora da casa. Sentindo como se estivesse sendo vigiado, mas porque? E por quem?
-Dohko, acho que ficou um pouco grande; Alana comentou, aproximando-se, enquanto tentava impedir que a bermuda caísse.
-Xiiiiii; ele falou, fazendo sinal para que ela se calasse. Com um aceno mandou-a voltar para dentro da casa.
Alana assentiu, deu alguns passos para trás. Viu o cavaleiro inquieto e se desesperou. Conhecia aquele cosmo e só pedia aos céus que não fosse o que estava pensando, ou do contrario, teria sérios problemas.
-APAREÇA; Dohko mandou, caminhando para fora da casa. Se fosse atacado, pelo menos a jovem não corria o risco de ser acertada no processo.
Uma gargalhada ensandecida ecoou por toda à parte, enquanto um cosmo aterrador se manifestava. Uma revoada de pássaros levantou vôo com brusquidão, das arvores do bosque, assustados com aquela energia.
-Realmente és um Cavaleiro de Ouro; a voz soou mais perto e debochada agora.
-Saia de onde estiver, espectro; o libriano falou, em tom de provocação.
-AH AH AH não me compare com esses vermes; ele vociferou.
-Então considere-se um se não aparecer; Dohko rebateu,.
Dentre as folhagens da entrada do bosque um homem surgiu, cabelos rosados que caiam lisos até os ombros, os orbes eram de um azul intenso e tinham um brilho vingativo, pele clara igual à de alguém que vive em meio ao gelo. Ao que tudo indicava, aquele só poderia ser um cavaleiro de Odin; Dohko pensou.
-Quem é você? –Dohko perguntou.
-Alberich XIII – ele falou, com ar imponente e petulante.
-Ahn! Isso deveria querer dizer algo? – o cavaleiro perguntou em tom de provocação e deboche, embora soubesse que aquele era um Guerreiro Deus não estava nem um pouco disposto a curvar-se diante dele, ironicamente falando.
-Oras seu; Alberich vociferou, partindo pra cima do cavaleiro.
Dohko desviou rapidamente, quando uma explosão de cosmo veio em sua direção, porém bateu contra o chão.
-Me entregue a sacerdotisa e posso te deixar vivo; o guerreiro deus falou.
-"Sacerdotisa?"; Dohko pensou, mas logo lembrou-se de Alana. Ele deveria estar se referindo a ela, agora entendia o porque Alana não querer lhe falar os motivos de precisar de um mestre. –Não mesmo; ele completou, batendo de frente com o cavaleiro prepotente.
-Então você vai morrer; ele avisou.
Os cosmos elevaram-se furiosamente. Estava cansado de lutar, mas algo dentro de si não permitia que deixasse Alberich levá-la.
Sentiu as lágrimas caírem por sua face, não queria que ele lutasse por sua causa, mas simplesmente não tinha forças para lutar contra Alberich, não ainda.
-FORÇAS DA NATUREZA; o guerreiro deus gritou.
Antes que Dohko pudesse fazer algo, os galhos das árvores vieram em sua direção como se tivessem vida própria.
Desviou do primeiro ataque, porém outro veio em seguida, fazendo-o ser lançado contra a parede da casa quando um galho atravessou a lateral direita de seu abdômen.
-Puff! Fraco de mais, isso porque é um cavaleiro de ouro; Alberich falou, com desdém.
Preparou-se para atacá-lo novamente, mas parou surpreso, ao ver a jovem de cabelos castanhos colocar-se em seu caminho. Ficando entre Dohko e ele.
-Vá embora Alberich; Alana mandou.
-Não vou sem você; ele respondeu veemente.
-Não é um pedido, VÁ EMBORA; ela repetiu, fitando-o com ar altivo de quem ordena não pede.
-É melhor voltar por bem Princesa, ou irei levá-la arrastada se for preciso; Alberich avisou, aproximando-se perigosamente.
Saltou com tudo, desviando de um golpe. Voltou-se furioso para quem lhe desafiava e deparou-se com os orbes verdes do libriano fitando-lhe furiosamente. O cosmo elevou-se de maneira devastadora e um brilho dourado fez-se no céu.
Alberich afastou-se rapidamente quando uma espécie de meteoro caiu sobre o chão, formando uma pequena cratera. A luz intensificou-se ainda mais, envolvendo o cavaleiro, que agora vestia a sagrada armadura de Libra.
Por essa definitivamente ele não esperava. Preparou-se para atacar, mas antes que seu golpe pudesse chegar ao cavaleiro, automaticamente o escudo dourado soltou-se das costas da armadura, repelindo o golpe, fazendo-o voltar para Alberich com a mesma intensidade.
-É melhor ir embora, enquanto ainda esta com vida; Dohko falou, num tom frio de voz.
-Vai pagar caro por isso, vocês dois; ele avisou, desaparecendo rapidamente.
Fechou os olhos sentindo o abdômen latejar, uma onda de vertigem lhe assolou, seu corpo pareceu tornar-se mais pesado e teria ido ao chão se a jovem não tivesse com o próprio corpo, tentando aparar a queda, fazendo com que ele apenas tocasse os joelhos com o chão.
-Dohko; Alana chamou, aflita. Viu-o erguer a cabeça em sua direção. –Consegue andar?
Viu-o franzir o cenho, devido à dor e levantar-se com a sua ajuda. Caminharam para dentro da casa, apoiando-se vez ou outra nas paredes para não cair. A armadura era muito pesada o que a fez ter dificuldade de passar da porta do quarto com o cavaleiro.
Ao entrar no cômodo, ela sentou-o na cama. Tocou a ombreira da armadura para tirá-la, mas sua mão foi repelida por uma espécie de choque elétrico.
-O que é isso? –ela se perguntou, serrando os orbes de forma que pudesse ver uma aura dourada envolvendo toda a armadura e que produzia faíscas quando sua mão se aproximava, como uma nuvem de energia estática.
Engoliu em seco, ele parecia cair na inconsciência a cada minuto. Deitou-o na cama, podendo assim retirar cada uma das peças mesmo sentindo um choque a cada vez que o tocava.
Levou-as para um canto do quarto. Arregalou os olhos assustada, ao ver uma grande mancha vermelha sobre a fina camisa que ele usava. Com dificuldade, ergueu-o, segurando-o pela cintura com uma mão enquanto a outra, ocupava-se em retirar-lhe a camisa. Deitou-o novamente.
-"E agora?"; Alan pensou aflita. Saiu rapidamente do quarto indo em direção a cozinha, num modesto fogão colocou água para esquentar, enquanto revirara os armários em busca de algum quite de primeiros socorros, mas nada.
Encontrou uma tesoura, olhou para si mesma teria de improvisar, daria um jeito naquilo depois; ela pensou, cortando as mangas e parte das pernas da bermuda, deixando-os mais curtos e pegando os pedaços de malha para que pudesse usar, junto com uma pequena faixa que vira sobre a cômoda no quarto dele.
A água estava quente, colocou em uma bacia, voltando para o quarto. Respirou fundo, agora não era hora de entrar em pânico. Colocou a bacia no criado mudo ao lado da cama. Com cuidado tentou erguer o tecido da camisa para ver o estado do machucado, ouviu um fraco gemido de dor e o cavaleiro instintivamente levar uma das mãos ao local, como que para protegê-lo.
-Calma; ela pediu num sussurro, afastando a mão dele.
Com cuidado, ergueu o pano e assustou-se com o tamanho do corte. Provavelmente devido ao impacto do galho contra a pele que o jogou encontro a parede. Voltou-se para a bacia, molhando um pequeno pedaço de pano e levando ao local.
Dohko moveu-se inquieto na cama, mas procurou ser o mais rápida possível e terminar o curativo. Seu cosmo não estava evoluído o suficiente para que pudesse usar o mesmo para curá-lo. Tudo porque interrompera o treinamento diversas vezes, mas era melhor se concentrar nele agora; ela pensou.
II – A Verdade, nada mais do que a verdade.
Abriu os olhos sentindo a claridade da manhã invadir seus olhos. Estava em seu quarto, mas e Alana? A única coisa que se lembrava é de ter chegado ali com a jovem, mas Alberich, ele queria levá-la. Tentou levantar-se, mas ouviu um leve ressonar que chamou sua atenção.
Ainda sentia o abdômen latejar aonde fora atingido, porém ergueu parcialmente a cabeça deparando-se com uma visão no mínimo inusitada. Viu uma cascata de cabelos castanhos sobre seu abdômen, enquanto a cabeça já jovem jazia repousada sobre a beira da cama, numa posição bastante desconfortável para dormir, ainda mais por estar sentada no chão.
Com certa dificuldade, virou-se de lado, apoiando a cabeça sobre um braço, podendo observá-la melhor. Levou uma das mãos a face dela, afastando alguns fios que caiam displicentes sobre os olhos. Ouviu-a murmurar algo e remexer-se, fazendo-o recuar rapidamente.
Alana abriu os olhos com cautela, sentindo as costas doerem pela posição que ficara. Acabara pegando no sono, mas pelo menos só dormira quando tivera a absoluta certeza de que ele estava bem.
Esfregou os olhos de maneira suave, emitindo um som baixo semelhante a um ronronado. Ergueu a cabeça, deparando-se com um par de orbes verdes lhe fitando com certa curiosidade, afastou-se da cama com a face em chamas.
-Faz tempo que acordou? –ela perguntou hesitante.
-...; O cavaleiro negou com um aceno.
-Ahn! Bem...; Alana murmurou, sem saber o que fazer. –Como esta se sentindo?
-Como se um titã houvesse me atropelado; Dohko respondeu, dando um suspiro cansado, deixando-se cair novamente na cama.
-Uhn! Acho que isso não deve querer dizer algo bom; ela murmurou, aproximando-se e sentando na beira da cama. Levou a mão até a testa dele para ver se ele estava com febre, suspirou aliviada ao constatar que não.
Pretendi-a afastar-se, porém o cavaleiro segurou-lhe a mão. Voltou-se surpresa, engolindo em seco.
-Precisamos conversar; Dohko falou sério, fitando-a com um olhar intenso.
-...; Alana assentiu, não tinha como recuar, chegara a hora de contar toda a verdade a ele.
-o-o-o-o-
Voltou da cozinha com duas xícaras de chá. Entrou com cautela no quarto do cavaleiro, vendo-o sentado na cama, com um olhar perdido para a janela. Ele ainda tinha a faixa em volta do abdômen que colocara para fazer o curativo.
Aproximou-se com cautela, colocando uma das xícaras sobre o criado para que ele pudesse pegar. Sentou-se na beira da cama, dando um baixo suspiro, olhando para a própria xícara.
Dohko voltou-se para ela, vendo a hesitação em todos os seus movimentos. Algo lhe dizia que as Deusas do Destino estavam realmente tecendo contra ele, mal se recuperara de uma guerra e acabara de envolver-se em uma trama de mistérios que possivelmente vinha desde os primórdios da Terra Média. Não que achasse isso ruim, apenas pensara que poderia ter alguns dias de folga antes de se envolver em mais alguma guerra.
-Eu sou uma sacerdotisa; Alana comentou, levando a xícara brevemente aos lábios. –E também sou a princesa regente de Asgard; ela completou.
Arregalou os olhos surpreso, sem conseguir emitir som algum. Havia ouvido Alberich falar alguma coisa sobre isso, mas estava tão concentrado em manter-se em pé que ignorou tal informação.
-Quando a Terra Média ainda era jovem e o primeiro Ragnarok aconteceu, Freya a deusa líder das Valkirias selou a alma das oito guardiãs que lutaram em nome dos deuses. Gerda a deusa da Terra teve uma de suas visões antes de retirar-se para o seio da terra, ela previu que novas guerras viriam mesmo quando Vanirs e Aesirs partissem desse mundo; a jovem falou em tom solene. –Quando uma nova guerra se inicia na Terra Média os selos de Freya se enfraquecem libertando o cosmo das antigas guardiãs que junto dos guerreiros deuses protegem a Terra Média.
-Pensei que fossem nove Valkirias; ele comentou.
-Conhece a história de Brunhilde e Siegfreid?-ela perguntou, voltando-se para ele.
-Muito pouco; o cavaleiro respondeu.
-Quando Brunhilde ergueu sua espada contra um gigante, para salvar a vida de Sigmund, ela foi condenada a mortalidade por Odin, deixando assim de ser uma Valkiria; Alana explicou.
-Entendo; Dohko murmurou.
-Há alguns anos atrás Freya recebeu a noticia de que os deuses gregos iriam entrar em guerra contra Athena e seus cavaleiros. Então tomou a decisão de despertar as Valkirias antes do tempo. Assim quis as Deusas do Destino que eu nascesse na família real, mas também com o destino de ser uma Valkiria. Devido às circunstancias não pude completar meu treinamento; ela falou, dando um suspiro frustrado.
-Por isso estava procurando um mestre? –Dohko perguntou, interessado.
-Não qualquer mestre; ela o corrigiu.
-Como assim, qualquer mestre? –ele perguntou, confuso.
-Alguém que pudesse lutar de igual para igual com os dragões e tornar-se um deles; a jovem respondeu quase num sussurro.
-Você quer aprender o Cólera do Dragão? –Dohko perguntou, quase cuspindo o chá que acabara de levar a boca.
-...; Ela voltou-se com um olhar tímido, apenas assentindo.
-Mas...; O cavaleiro começou, sem ao menos conseguir esboçar alguma reação que mascarasse seu estado de choque.
Nada contra treinar uma amazona, mas uma técnica daquele nível, era muito pesado. Todo o processo de aprendizado se não fosse começado do zero, fortalecendo o corpo, mente e cosmo, poderia colocar em risco a vida da pessoa que tentasse aprender o golpe. Não sabia o tipo de treinamento que ela teve antes, ou qual a resistência e o limite do corpo dela, era um risco enorme.
-Por favor, Dohko, preciso que me treine; Alana falou em tom desesperado, agarrando-se fortemente a uma das mãos do cavaleiro.
As xícaras foram ao chão, chocando-se no mesmo partindo-se em vários cacos. Um pesado silêncio caiu sobre eles, enquanto fitavam-se intensamente. Nenhuma palavra dita. As respirações mantinham-se controladas, como se ambos estivessem a espera de um primeiro passo do outro.
Realmente, as Deusas do Destino pareciam estar fiando para si; ele concluiu.
-Porque quer aprender? –ele perguntou por fim.
-Como? –Alana perguntou, surpresa.
-Porque quer aprender? –o cavaleiro repetiu a pergunta, pausadamente.
-Não entendo; ela murmurou, afastando-se.
-Se você não tem um motivo, não tem pelo que lutar e não pode aprender; Dohko falou com pesar.
-Você não sabe pelo que passei até chegar aqui, como pode dizer que não tenho pelo que lutar? –ela vociferou, com lágrimas correndo por seus olhos.
-Entendo que é importante para você terminar o treinamento; ele falou, retirando uma colcha que o cobria e levantando-se da cama com certa dificuldade.
Passou pela jovem aproximando-se da armadura e ajoelhando-se em frente a ela...
–Tornar-se uma amazona, ou Valkiria se preferir, também é importante para você, mas isso é algo muito fácil de se conseguir, mas são motivos medíocres de mais; com um toque de seus dedos uma luz dourada envolveu a armadura, fazendo-a tomar a forma da balança novamente.
-Você me confunde; ela murmurou, observando-o atentamente.
-É melhor você voltar para Asgard e continuar apenas como a princesa regente, acredite, vai ser melhor para você; Dohko completou, levantando-se e virando-se para a jovem.
Arregalou os olhos surpreso, ao sentir suas costas baterem bruscamente contra a parede e os orbes azuis incendiarem-se de tal forma que sentiu um arrepio de frio cruzar-lhe as costas.
-Você não sabe de uma ínfima parcela do inferno que as pessoas estão vivendo em Asgard sem as Valkirias. Você não faz idéia de como é difícil viver numa terra condenada a ser eternamente gelada e ter de agarrar-se ao ultimo fio de esperança que se têm para tentar fazer diferente; ela falou, quase num fraco sussurro. –Você não sabe o que é ter de proteger alguém e não ter forças para isso;
-Errado, eu sei; ele falou, com um olhar mais brando.
-Uhn! –Alana murmurou, pretendia afastar-se, mas sentiu um braço forte envolver-lhe a cintura, enquanto o cavaleiro puxava-a para seus braços.
-Não é fácil escolher esse caminho que escolheu Alana; Dohko sussurrou, para que somente a jovem ouvisse.
Sentiu a face incendiar-se, enquanto ele delicadamente acariciava-lhe os cabelos, tirando-lhe um tímido suspiro dos lábios. Era tão bom ficar ali, que por um momento pensou em esquecer o que ele dissera, mas não podia, tentou se afastar, mas ele a impediu.
-Não terminei de falar ainda; o cavaleiro, falou calmamente. Um meio sorriso formou-se em seus lábios ao vê-la fechar a cara contrariada. Tocou-lhe a face, erguendo-a pelo queixo com a ponta dos dedos, fazendo-a encará-lo. –Como disse, tornar-se uma Valkiria é algo muito fácil, mas aquilo que busca é um caminho perigoso e incerto. Quando não se tem um motivo, não se tem porque lutar;
-Como assim? –Alana perguntou com um olhar confuso, sentindo-o tocar-lhe a face com a ponta dos dedos, apagando o rastro de lágrimas que corria por ele.
-Cavaleiros, amazonas, ou até mesmo os Deuses. O motivo é o que lhes da força, o poder de romper barreiras e cometer milagres, sem ele nada tem sentido. Por isso lhe perguntei o porque. Você não sabia o motivo, mas inconscientemente respondeu;
-...; Ela piscou confusa, o que ele queria dizer com isso?
-Vá descansar um pouco, começamos a treinar amanhã cedo; ele respondeu, como se lesse seus pensamentos.
-Sério? –Alana perguntou, surpresa. Mal podia acreditar que ele estava realmente falando isso.
-...; Dohko assentiu, desistindo completamente de contrariar as Deusas do Destino.
-OBRIGADA; ela gritou, pulando no pescoço do cavaleiro.
-Alana cuid-...; Dohko não completou, ao perder o equilíbrio e fazer com que os dois fossem ao chão. –Ai; ele gemeu de dor, sentindo o machucado voltar a doer.
-Desculpe; a jovem falou, sem graça. –Você esta bem?
-Eu acho que sobrevivo; ele murmurou, deixando-se cair completamente no chão, sem um pingo de disposição para levantar.
Foi com surpresa que sentiu a jovem aconchegar-se entre seus braços, repousando a cabeça sobre seu peito.
-Existe uma lenda em Asgard; Alana começou, num tom sonolento de voz. –Os asgardianos temem os dragões, porque são poderosos. Ao mesmo tempo que são inalcançáveis e opressivos. Eles temem que, o que aconteceu no primeiro Ragnarok se repita, com o surgimento de algum dragão, por isso cada novo regente, para estar apto a assumir as responsabilidades do reino, tem de enfrentar seus piores medos;
-Um dragão? –Dohko perguntou, brincando distraidamente com uma mecha de cabelos dela.
-Não, um tigre; ela respondeu, surpreendendo-o.
Definitivamente as Deusas do Destino deveriam estar planejando algo realmente grandioso para colocar aquela jovem em seu caminho.
-Por Alberich queria lhe levar? –Dohko perguntou, sentindo-a ficar tensa.
-Ele queria que eu voltasse; Alana respondeu. –Asgard tem um conselho formado pelos guerreiros deuses e representantes de famílias importantes. A família Alberich é tradicional em Asgard. Devido a esse tradicionalismo, os mais antigos não aceitam que Asgard seja protegida pelas Valkirias, por isso eu fui embora e vim para cá, é de minha responsabilidade proteger Asgard, mas não posso sozinha, ainda; ela completou.
-...; Dohko assentiu.
Não, sua curiosidade ainda não estava saciada, sabia que havia algo mais, mas preferiu obliterar isso de sua mente, dando-se por satisfeito por enquanto, com o tempo conquistaria a confiança da jovem e conseguiria ter suas respostas. Tudo era uma questão de paciência... O resto viria depois.
Continua...
