Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Alana e Nix são criações únicas e exclusivas minhas para essa fic.


Em Algum Lugar do Passado

Capitulo 3: Primeiro Dia.

I – A Escada.

Respirou fundo, sentindo o corpo bem mais relaxado. A noite passada havia sido realmente cansativa, ou melhor, bastante interessante. A única coisa que se lembrava era de Alana ainda ficar consigo depois da conversa que tiveram, sabia que algumas coisas ainda faltavam para serem reveladas, mas deixaria que ela escolhesse o momento certo para lhe falar sobre isso.

Instintivamente levou a mão aos olhos, sentindo o sol da manhã invadir a janela, recaindo sobre sua face. Um baixo suspiro escapou de seus lábios, estava ficando tarde e por mais que estivesse apreciando aquele momento de repouso, tinha de levantar, havia combinado com Alana de iniciarem o treinamento logo cedo, mas simplesmente não conseguiu levantar antes.

Ouviu um barulho de coisas caindo e copos se quebrando, sem pensar duas vezes, levantou-se correndo indo em direção a cozinha, por sorte, não havia nada no caminho, porque senão, certamente acertaria a perna e já existiam partes demais de seu corpo doloridas; ele pensou.

-Droga; Alana resmungou, abaixando-se até o chão com o intuito de alcançar o coador de café que caira embaixo da pia no momento que tentara aparar a queda da chaleira, porém não conseguiu pegar nenhum dos dois e ainda derrubou pelo menos dois copos ao tentar alcançar na prateleira mais alta do armário, o pote com pó de café.

Definitivamente, precisava aprender a cozinhar rápido, ou envenenaria alguém tentando. Vivia falando para seus pais que não se importava em aprender algumas coisas, mesmo que tivesse que conviver com a idéia de que outros fariam isso por si depois, mas não, ela era a garotinha sentada em um pedestal de cristal que quando a Deusa havia comunicado que ela sairia em missão de treinamento, seus pais quase enfartaram.

Um sorriso maroto surgiu em seus lábios, essa era sua desforra. Sempre a trataram assim, agora se perguntava qual foi à reação deles ao saberem que havia fugido de Asgard para ir viver sabe-se lá aonde com um desconhecido, apenas para encerrar o treinamento.

Provavelmente devem ter surtado, já que obviamente mandaram Alberich atrás de si, mas definitivamente não voltaria com ele e nem faria as vontades de seus pais.

Um baixo suspiro saiu de seus lábios e sua expressão ficou mais séria. Não iria permitir que eles mandassem em sua vida. Nem o conselho, nem seus pais, muito menos Alberich... Esse o pior de todos. Se tornaria forte e escreveria seu próprio destino...

-Alana; Dohko chamou, colocando a mão sobre seu ombro.

-AHHHHHHHHHH! -a garota gritou de susto, praticamente dando um pulo do chão.

-Calma, sou eu; o cavaleiro falou, afastando-se rapidamente antes que ela lhe acertasse com a tampa de uma panela de pressão que estava ao alcance dela.

-Quer me matar do coração é? -ela exasperou, colocando a mão na direção do coração, respirando com dificuldade.

-Me maneira alguma; Dohko respondeu, com um meio sorriso.

Estreitou os orbes de maneira perigosa, vendo-o sorrir ainda mais, como se estivesse realmente se divertindo com isso, o que não duvidava ser verdade, mas era melhor deixar quieto, esperaria ele se recuperar primeiro.

-O que está fazendo? -ele perguntou, olhando por sobre o ombro dela, notando uma pilha de coisas em cima da pia.

-Ahn! Bem...; Ela balbuciou, olhando para o teto assoviando inocentemente.

-O que está aprontando Alana? -Dohko insistiu.

-Estava tentando fazer o café, mas o pote estava muito alto; Alana reclamou e ele pode notar um ar meio indignado.

-E porque não me chamou? –ele perguntou, passando por ela e começando a arrumar as coisas para fazer o café.

-Você estava dormindo; ela respondeu com simplicidade.

-Poderia ter se machucado; o cavaleiro falou distraído. –AIIIIII, que idéia é essa? –ele gritou, ao ser acertado na cabeça por uma frigideira.

-Idiota; Alana resmungou, olhando-o furiosamente.

-Foi só um comentário, calma; Dohko pediu, acenando para que ela abaixasse a frigideira.

-Puff; ela resmungou, afastando-se e sentando-se emburrada em uma cadeira.

-Alana, o que foi? –o libriano perguntou, aproximando-se, mas viu-a virar o rosto, evitando encara-lo. –Alana; ele falou, sério.

-O que quer que eu responda, mestre? –Alana perguntou, sem esconder o sarcasmo carregado na voz.

-A verdade; ele respondeu com simplicidade, tocando-lhe a face, fazendo-a encara-lo.

-Como quer que eu aprenda, se não me deixar fazer nada? –a jovem perguntou, com os orbes marejados.

-Não foi isso que eu quis dizer; Dohko falou calmamente. –Se houvesse me chamado, lhe mostraria onde estão as coisas e que se olhasse na dispensa veria que tem uma escada, que poderia usar para alcançar o pote, em vez de correr o risco do armário cair em cima de você; ele completou.

-Escada? –Alana perguntou, confusa. Como não pensara em procurar por uma escada? –ela pensou, indignada consigo mesma.

-...; Dohko assentiu, puxou-a pela mão, levando-a até uma pequena dispensa anexo à cozinha, onde estocava os mantimentos, para as temporadas que passava em Rozan e que possivelmente não teria tempo de ir ao vilarejo, principalmente quando o inverno chegasse. E num canto mais afastado, junto com os produtos de limpeza, uma alta escada.

-Ahn! Bem...; Ela balbuciou, sem conseguir expressar reação alguma.

-Vem, me ajuda a arrumar essa bagunça para irmos treinar; ele completou, passando por ela e voltando para a cozinha.

Seria um longo dia; ele pensou, balançando a cabeça, com um meio sorriso. Instintivamente levou a mão a cabeça.

Oh garota geniosa; ele pensou, sentindo um ponto mais dolorido, só esperava que não formasse um galo.

II – Aprendendo a nadar.

Fechou os olhos momentaneamente, sentindo uma brisa suave abraçar-lhe o corpo. Ainda se sentia um pouco dolorido, principalmente a cabeça. Alias, era melhor começar a esconder os objetos pontiagudos da casa. Se com uma frigideira na mão, ela já era um perigo, já pensou com outras coisas?

Caminhavam lentamente em direção as cachoeiras. Se iam começar a treinar, nada como meditar um pouco para aquecer; ele pensou, quase sorrindo com isso.

-Onde estamos indo? –Alana perguntou, seguindo-o.

-A cachoeira; Dohko respondeu.

-Porque? –a jovem perguntou, um tanto quanto nervosa.

-Costumo meditar em baixo da queda dágua, vai ser bom começar assim; ele respondeu calmamente.

-Mas... Existem outros lugares mais calmos para se meditar por aqui não? –ela perguntou, como quem não quer nada.

-Até existem, mas a cachoeira é a melhor, não tenha duvidas; Dohko falou, mas sentiu-a parar de caminhar, virou-se em sua direção deparando-se com o olhar hesitante da jovem. –O que foi?

-Eunãoseinadar; Alana falou tão rápido, que ele não pode entender.

-Não entendi; Dohko falou, aproximando-se, parando em frente a ela.

-Eu não sei nadar; a jovem repetiu, desviando o olhar, corada.

-Ahn! Bem... Vamos ter de dar um jeito nisso então; ele murmurou, pensativo.

-Em que esta pensando? –ela perguntou, temerosa.

-Vem comigo; o libriano falou puxando-a para a cachoeira.

-o-o-o-o-

-NEM MORTA EU ENTRO AI; Alana berrou.

Mal colocara a ponta do pé na água, sentiu como se o corpo inteiro fosse congelado. A água da cachoeira, principalmente àquelas horas da manhã era fria, extremamente gelada para os desacostumados.

-Alana, só esta um pouco fria; Dohko falou, pacientemente.

-Fria? O mar de Bering é uma praia ensolarada perto dessa cachoeira; ela falou, sarcástica.

-Você esta sendo exagerada; ele falou, retirando a camisa, jogando-a em baixo de uma arvore.

-Eu, exagerada? –Alana exasperou, virando-se para ele, mas sentiu a face incendiar-se.

-Esta sim. Deixe de ser teimosa e entre pelo menos na beira; Dohko falou, aproximando-se, mas arqueou a sobrancelha ao vê-la recuar alguns passos. –Alana; ele falou em tom de aviso.

-Eu não vou entrar nessa água gelada nem morta; ela falou veemente, tentando ignorar os outros motivos que a impediam de fazer isso.

-Venha, vou lhe mostrar como ela não esta tão gelada assim; o cavaleiro falou, estendendo-lhe a mão. Ela hesitou, olhando-o desconfiada. –Confia em mim? –ele perguntou, fitando-lhe intensamente, timidamente a jovem assentiu, estendendo-lhe a mão.

Puxou-a para a beira do lago, vendo-a estremecer antecipadamente.

-Não se preocupe; ele falou calmamente. Entrou na água, puxando-a consigo, mesmo encontrando certa resistência.

-Está frio; Alana reclamou, enquanto era puxada para o meio do lago, até onde seus pés alcançavam.

-Calma; Dohko pediu, estavam com água até o pescoço.

Sentia a jovem agarrar-se fortemente em seus braços. Fechou os olhos durante um momento, elevando seu cosmo. Uma aura dourada os envolveu, puxou-a mais para perto de si, envolvendo-a ternamente em seus braços.

Alana olhou-o confusa, sentindo aos poucos a água aquecer-se. Não era possível que apenas com o cosmo ele aquecesse aquela água tão gelada, ou era? –ela se perguntou, aconchegando-se nos braços dele.

-Quando você eleva seu cosmo num certo nível você adquiri a habilidade de fazer isso; Dohko explicou, como se lesse seus pensamentos.

-Mas isso não requer muita energia? –Alana perguntou confusa.

-Se o seu corpo e sua mente estiverem preparados para isso, você não vai nem sentir os efeitos; ele explicou.

-Me ensina a fazer isso? –ela pediu, erguendo a cabeça, com um olhar de expectativa.

-Tudo há seu tempo; Dohko respondeu de maneira enigmática. –Por hora, vamos resolver o seu problema quanto a nadar; ele falou, vendo-a assentir.

III – O Aprendizado.

Seis meses depois...

Ela aprendia rápido, sem duvidas isso era inegável; ele pensou, sentando-se em baixo de um bambuzal, observando-a sentada em uma pedra no meio do lago, meditando. Seis meses já haviam se passado.

O desenvolvimento dela era assombroso. Ficou se perguntando porque com todo aquele poder ela tivera que interromper tanto os treinamentos, em vez de se opor a isso? Mas não cabia a si julgar os motivos dela, esperaria que ela mesma decidisse o momento certo para lhe contar tudo.

Respirou fundo, fechando os olhos momentaneamente. Depois daquele dia Alberich não aparecera mais, mas ainda duvidava que ele fosse desistir, algo lhe dizia que a qualquer momento ele poderia aparecer para surpreende-los, mas agora estava completamente recuperado e se ele tentasse fazer algo a Alana, morreria antes mesmo de toca-la; ele pensou.

-DOHKOOOOOOOOOOO;

Abriu os olhos rapidamente ouvindo o grito da jovem, viu-a em pé na pedra, com um olhar assustado, apontando para si. Concentrou-se tentando sentir algum cosmo hostil, mas nada. Até que do nada...

-AI; ele gemeu, ao sentir algo realmente pesado cair em cima de si.

-Afaste-se dele; Alana mandou, com um galho de bambu nas mãos.

-Alana, calma; Dohko pediu, ao sentir que o bicho pesado sobre si, era nada mais nada menos do que um pandinha.

-Mas...; Ela falou, olhando preocupada para o bichinho que rolava no chão despreocupadamente, quando o cavaleiro levantou-se.

-É um panda, Alana; Dohko falou, vendo o bichinho aproximar-se dela.

A jovem empunhou o pedaço de bambu como uma espada, pronta para ataca-lo, mas a única coisa que o bichinho fez, foi agarrar a ponta do bambu, rolando no chão. Para usar as quatro patas, para segurar o bambu e mastiga-lo.

-Uhn! –Alana murmurou, piscando freneticamente.

-Pandas comem broto de bambu; o cavaleiro explicou, com um olhar divertido.

-Panda? –ela perguntou, aproximando-se dele, vendo-o ajoelhar-se em frente ao bichinho, acariciando-lhe a barriga.

-É um tipo de urso; ele respondeu. –Nunca viu um?

-Não, em Asgard só vemos ursos brancos, mas são raros também; ela respondeu, hesitante em toca-lo.

-Eles não mordem, são bastante dóceis quando não se sentem ameaçados; Dohko explicou, vendo-a finalmente dar vazão a curiosidade e tocar o bichinho.

-Ele é fofo; a jovem comentou, com um largo sorriso, ouvindo uma espécie de ronronar dele.

O pandinha deixou-se cair completamente no chão, com as quatro patas para cima, deixando-se ser acariciado.

-Que manhoso; Dohko brincou, levantando-se. –Vem, vamos fazer uma pausa para o almoço e depois continuamos;

-Mas, vai deixa-lo aqui? –ela perguntou, apontando o pandinha.

-Alana, o panda é um animal silvestre, não de estimação; ele falou, vendo o olhar pidão dela.

-Por favor, vamos leva-lo? –Alana pediu, com um olhar suplicante.

-Alana; Dohko falou, sério.

-Olha só essa carinha, vai ter coragem de abandona-lo aqui sozinho? –ela perguntou, puxando o pandinha para seu colo e indicando a cara de carente dele, para o cavaleiro.

-...; Olhou-a incrédulo, não acreditava que ela estivesse literalmente lhe fazendo chantagem emocional.

-Viu Nix como o tio Dohko é malvado e não quer deixar eu ficar com você? -ela falou, brincando com a patinha do panda.

-Nix? –Dohko perguntou, vendo que até nome ela já dera para o animal. –E que história é essa de t-...;

-Vai Dohko; Alana o cortou. –Deixa a Nix ficar, pelo menos por um tempo? –ela pediu, com os olhos brilhando.

-Esta bem; ele falou, dando-se por vencido. –Mas é você que vai cuidar dela; ele completou, vendo-a colocar o urso no chão se levantando.

-OBRIGADA; ela gritou, lançando-se em seus braços.

De novo não...; ele pensou, quando ambos cairam, porém da primeira vez, estavam certos de que seria no chão, mas dessa...

O pandinha olhou a cena confuso ao ver os dois caírem com tudo no meio da água, enquanto mastigada distraidamente um broto de bambu.

-Desculpe; Alana falou, com um sorriso sem graça.

IV – O que esta começando.

Um ano depois...

-CONCENTRE-SE; ele gritou, da beira do lago.

Estavam a mais de uma semana treinando aquilo, mas não houve nenhum progresso. A jovem sentia-se frustrada, estavam a exatos um ano e seus meses treinando e já desenvolvera tudo: Agilidade, força, o cosmo, porém fazer a cachoeira de Rozan correr ao contrario era o maior de todos os desafios.

Queria aprender a executar o Cólera do Dragão e isso só aconteceria quando as águas da cachoeira corressem ao contrario.

Ela socava, chutava, vociferava, xingava, enquanto golpeava a água tentando algum resultado, mas nada.

-SE VOCÊ NÃO SE CONCENTRAR, SÓ VAI PERDER TEMPO COM ISSO; Dohko gritou.

-Droga, eu não consigo; Alana murmurou, dando um suspiro cansado.

-VAI DESISTIR? –ele perguntou, em tom de provocação.

Serrou os orbes voltando-se para ele, viu o sorriso jocoso nos lábios do cavaleiro e sentiu-se ainda mais irritada. Será que teria problemas se saísse dali e desse uma surra nele? –ela se perguntou, calculando as possibilidades.

Embaixo da árvore onde Dohko estava, Nix comia distraidamente alguns brotos de bambu, completamente alheia a briga do casal.

-Não; ela respondeu, mostrando-lhe a língua de maneira infantil.

-Ótimo, agora se concentre; o cavaleiro mandou.

-Puff; Alana bufou, virando-se para a cachoeira e tentando concentrar-se novamente.

Fechou os olhos, controlando a respiração. Ouviu o farfalhar das folhas e os galhos moverem-se lentamente de um lado para o outro. Foi capaz de ouvir ao longe um trovão, provavelmente choveria a tarde; Alana pensou.

Suspirou, sentia seu corpo entrar num estado de letargia pré-meditação, mas dessa vez não era isso que queria fazer. Sentiu os braços de moverem com suavidade, como se estivesse preparando-se para atacar.

-Cólera do Dragão; ela falou abrindo os orbes com um brilho mais intenso, quando seu cosmo elevou-se de maneira surpreendente.

Foi apenas um golpe, as águas da cachoeira pareceram ficar congeladas por um milésimo de segundo, para em seguida, correrem ao contrario, em vez de caírem, subiam de volta para a nascente, com tal força que ao chegar ao topo da montanha, quebraram-se em um dos picos formando a imagem de um grande dragão.

Voltou-se para o cavaleiro, vendo-o tão ou mais surpreso do que si. Levou a mão à testa, sentindo-se atordoada. O corpo pendeu para frente. Teria caído com tudo na água se o cavaleiro não houvesse se precipitado, pegando-a antes que isso acontecesse.

-Alana; Dohko chamou, chacoalhando-a pelos ombros.

Ouviu-a murmurar algo, agarrando-se fortemente a suas vestes. Ela estava dormindo; ele pode constatar para seu alivio.

-Gastou energia demais, eu avisei para se concentrar devagar, mas quis fazer tudo de uma vez; ele falou, balançando a cabeça levemente para os lados. Antes de saltar da pedra, indo em direção a casa.

Continua...


Domo pessoal

Aqui esta o capitulo novo, agora as coisas vão começar a ficar mais declaradas, possivelmente a fic só teria cinco capítulos. Então o próximo será decisivo. No mais, antes de ir, gostaria de agradecer o grande apoio, carinho e todos os super reviews que tenho recebido desde o começo dessa fic.

Valeu mesmo pessoal

Até a próximo...

Kisus

Já ne...