Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Alana e Nix são uma criação única e exclusiva minhas para essa saga.
Boa leitura!
Capitulo 4: A Missão.
"A humanidade não se divide em heróis e tiranos. Suas paixões, boas ou más, foram-lhes dadas pela sociedade, não pela natureza."
Charles Chaplin.
I – Muita bagunça e pouco saque.
Abriu os olhos dando um baixo suspiro, simplesmente não deveria ter se sentado ali para meditar, seus pensamentos foram tão longe que mal notara o tempo passar. Ergueu os braços para cima, alongando o corpo um pouco, sentiu as costas estalarem devido ao fato de ter estado tanto tempo numa mesma posição.
Respirou fundo sentindo o ar da noite invadir suas narinas, era melhor levantar e voltar para casa; o libriano pensou, porém antes que fizesse qualquer movimento sentiu uma presença conhecida se aproximando.
-Há quanto tempo Mú?
-Não muito eu diria, meu amigo; o ariano respondeu pacificamente, surgindo atrás dele.
-O que lhe trás aqui? –Dohko perguntou, vendo-o de soslaio, sentar-se ao seu lado.
-Aishi me pediu para lhe trazer uma mensagem; Mú respondeu, retirando de dentro do bolso interno da blusa um envelope e lhe entregando.
-Esta acontecendo alguma coisa? –ele perguntou estranhando o fato da jovem ter mandado justamente a si uma mensagem.
-Não sei, mas ela pediu que você considerasse as possibilidades; o ariano comentou, referindo-se ao conteúdo do envelope.
Arqueou a sobrancelha desconfiado, ai tinha coisa; Dohko pensou, abrindo o envelope.
Saudações meu caro Dohko
Creio que você deve estar achando realmente estranho o Mú ter aparecido do nada em Rozan levando um recado meu, pois bem, vou ser breve por que não contamos com muito tempo.
Uma deusa, amiga minha desapareceu de Asgard, todos os nove mundos tentaram localiza-la, mas isso é impossível, seu cosmo é completamente nulo, nem mesmo seu irmão consegue ter alguma pista de seu paradeiro.
Conversei com Kamus sobre isso e achamos que Aaron pode ajudar, como bom conhecedor da região.
Mas você deve estar se perguntando aonde entra nisso, bem... Essa deusa se chama Freya, sim, a Deusa do Amor. Ela também é a líder das Valkirias. Possivelmente nove a dez jovens já devem estar se reunindo em Asgard apenas esperando por ela.
Atualmente, Alana é a líder das Valkirias nomeada por Freya, ela faz com que as jovens continuem incógnitas até um possível conselho se reunir. Infelizmente Asgard esta passando por um período conturbado, após a morte de Durval, antigo gerente. Hilda assumiu o posto de governante agora, mas muitos conflitos políticos estão acontecendo, membros do conselho antigo e partidários de Durval podem causar grande alvoroço e complicações ao saberem das Valkirias.
Há poucos dias estive com Kamus em Asgard e sentimos uma energia estranha se manifestando no ambiente, possivelmente algum gigante ou algo que ainda não descobrimos o que é, esta despertando. O que quer dizer que mais uma vez a Terra Média esta em perigo, as Valkirias precisam despertar completamente e isso somente ocorrera com a presença de Freya.
Por isso lhe peço que procure por Aaron na Sibéria e siga com ele até Asgard, infelizmente não podemos confiar na opinião de algumas pessoas de lá, então, basicamente precisamos saber do paradeiro de Freya.
É muito importante que ela seja encontrara. Fenris e Hell filhos de Loki foram exterminados dessa terra, eles eram deuses poderosos e foram eliminados por essa força estranha. Devido à importância de Freya nesse conflito, imagino que ela será a próxima.
Agora estamos correndo contra o tempo, eu sinceramente gostaria que você pudesse nos ajudar. Se sim, venha com Mú ao santuário, assim lhe explicarei melhor como deve proceder.
Até mais...
Aishi.
-"Alana"; ele pensou, sentindo novos flash de memória voltarem a sua mente.
Era coincidência de mais, ou talvez não; ele pensou, dando um baixo suspiro. Porque Aishi havia escolhido justamente ele para essa missão, será que havia algo mais por trás disso ou não? -ele se perguntou intrigado.
-Então? -Mú falou, chamando-lhe a atenção.
-Uhn! -Dohko murmurou, voltando-se para o cavaleiro, que fitava-o pacientemente.
-O que a Aishi quer com você?
-Quer que eu vá pra Asgard; o libriano respondeu, dando um baixo suspiro, durante a vida inteira quis evitar o momento que teria de ir para lá, lembrar de tudo aquilo novamente.
Abaixou os olhos por um momento, lembrando-se do que acontecera naquele dia, talvez fosse o começo de tudo, ou as coisas já haviam começado a mudar entre eles e só haviam percebido naquele momento.
-Lembrança-
Havia resolvido ir ao vilarejo aquela manhã, dera uma folga a Alana, desde que começara a aprender a usar o Cólera do Dragão, a jovem não parava um segundo os treinamentos e decidiu que isso poderia prejudicar sua saúde, fazendo com que a jovem fosse 'literalmente' obrigada a sossegar um pouco aquela manhã, descansando e repondo as energias.
Olhou para a sacola que tinha em mãos, algumas garrafas entre outros suprimentos que comprara, logo o inverno iria chegar, por isso já estava preparando o novo estoque da despensa.
Abriu a porta de casa sentindo um cheiro diferente, ergueu a cabeça para cima, como se isso fosse ajuda-lo a sentir melhor o cheiro e saber sua origem, olhou para os lados, tudo estava quieto, porém ouviu um som baixo, muito baixo que quase seus ouvidos não captaram, ele vinha da cozinha.
Correu para lá pedindo aos deuses que Alana não houvesse aprontado nada, desde que começara a ensinar a jovem a cozinhar, descobrira que ela tinha uma habilidade nata para atear fogo nas coisas, só esperava que ela não tivesse decidido se aventurar sozinha naquela cozinha 'indomável' como a jovem mesmo chamava o lugar, para fazer algo.
Suspirou cansada, passando a mão pela testa, estava ficando quente demais ali, ou seria o cheiro daquele negocio? -ela se perguntou confusa, olhando de soslaio o livro de receitas. Algumas coisas estavam difíceis de entender, aquilo estava literalmente em chinês; ela pensou.
-"Uhn, acho que isso quer dizer que tenho que colocar o pimentão, junto com a cebola e depois misturar naquele molho escuro do vidrinho"; Alana pensou, forçando a vista para enxergar melhor.
Estava realmente muito quente ali; Alana pensou, respirando fundo, sentindo o cheiro forte da bebida de arroz chegar a suas narinas. Não fazia a mínima idéia do que era aquilo, alias, quando mexera na dispensa, procurando os ingredientes para fazer aquele macarrão estranho do livro, achara a garrafinha.
Definitivamente não deveria ter colocado nem uma gota daquilo na boca, sentiu como se um rastro de chamas corresse por sua garganta. Torceu o nariz ao se lembrar, aquilo era muito ruim, ainda mais para si que não era dada a ingerir bebida alcoólica.
Sentia como se houvesse bebido álcool puro, mas decidiu que talvez aquilo ficasse bom na receita, só não esperava que aquele cheiro embriagante tomasse conta de todo o local, quando colocasse na panela e o vapor subisse.
Mal cortou a cebola, sentiu os olhos arderem, apertou-os tentando impedir que às estranhas lágrimas corressem furiosamente sobre a face. Não sabia porque estava chorando, era estranho; ela pensou confusa.
Passando a mão pelos olhos, mas segundos depois descobriu que esse foi o maior erro que fez.
-Droga; ela resmungou, esfregando a mão sobre os mesmos, porém a dor não passava.
-Alana; Dohko chamou, aproximando-se correndo ao ouvir os gemidos emitidos pela jovem, devido ao fato dos olhos estarem ardendo demais.
-Dohko, ta doendo; ela murmurou.
-Calma; ele falou, aproximando-se preocupado. Lançou um olhar para a pia, vendo a taboa e a cebola que estava começando a cortar, rapidamente concluiu o que havia acontecido.
Pegou a jovem pelas mãos, puxando-a para perto da pia, de forma que ela se encostasse na mesma e ele pudesse lavar-lhe as mãos.
-Agora jogue a água no rosto; o libriano falou, ao confirmar que não havia mais nenhum resquício da enzima ácida.
-Mas vai arder; ela falou num choramingo, mal conseguindo abrir os olhos.
-Não vai mais, apenas passe a água no rosto e logo vai passar; Dohko explicou pacientemente.
-...; Alana assentiu hesitante, com as mãos em conchas, jogou a água sobre o rosto, sentindo-se rapidamente aliviada, a ardência aos poucos foi passando.
-Como está agora? -ele perguntou, entregando a ela uma toalha, para que enxugasse a face.
-Melhor; ela murmurou, abrindo os olhos com cautela.
-O que estava fazendo Alana? -o cavaleiro perguntou, só agora vendo a bagunça na cozinha.
Panelas espalhadas para todo o lado, uma pilha de lousas dentro da pia, sem contar aquele cheiro atordoante de álcool destilado. Foi quando arregalou os olhos ao ver ao lado do fogão uma garrafa de mais ou menos um litro de saquê, completamente fazia. Voltou-se para a jovem que olhava distraidamente para o teto assoviando sem saber o que responder.
-Alana; Dohko chamou novamente, com um olhar que não pedia uma explicação, e sim, exigia.
-Bem... Eu estive pensando, que... Ahn; ela começou, hesitante.
-Você bebeu aquilo? -ele perguntou, apontando para a garrafa.
Não precisou de resposta alguma, foi uma questão se milésimo de segundo para ela mesma se trair, quando sua face incendiou-se.
-Alana, quanto daquilo você tomou? -Dohko perguntou respirando fundo.
Se ela caísse no sono agora, iria acordar queimando em dor de cabeça, com uma ressaca insuportável. Saquê era uma bebida feita de arroz fermentado, mas aja fígado pra agüentar uma dose daquelas. Era extremamente forte e de gosto amargo, na verdade, ainda se perguntava que gosto tinha aquilo. Porque a bebida tinha o típico gosto de 'nada', nada que já houvesse tomado antes e nada que pudesse comparar como algo pior.
-Um pouquinho; Alana respondeu, abaixando os olhos, envergonhada.
-Um pouquinho, quanto? -ele insistiu, aproximando-se da jovem, erguendo-lhe a face delicadamente pelo queixo.
Ela fez um sinal com os dedos, indicando exatamente a metade de um copo. Arregalou os olhos, por isso ela estava tão vermelha.
-Você não esta acostumada a beber bebidas alcoólicas, não é?
-...; Ela negou com um aceno tímido.
-É melhor sair um pouco daqui, esse cheiro só vai piorar as coisas; ele falou, apagando o fogo e puxando-a para fora dali.
Sabia que devia ter levado a pupila junto, deixa-la sozinha ali com objetos pontiagudos e uma cozinha completamente disponível para suas experiências não ia dar certo.
-Dohko, esp-...; Alana balbuciou, tentando parar de andar, porém acabou por tropeçar no tapete da sala indo pra cima do cavaleiro, por sorte não foi ao chão, conseguindo agarrar-se nele antes. –Desculpe, eu...; Ela começou, perdendo completamente a linha de raciocínio, que já não era muita ao deparar-se com os orbes intensos do cavaleiro sobre si.
-Tem certeza que foi só meio copo? –Dohko perguntou, segurando-a pela cintura.
Ela parecia sonolenta, definitivamente ela deveria estar querendo dizer meia garrafa; ele concluiu, ajudando-a a se levantar.
-Não sei, mas desde quando tem dois Dohkos aqui, você não disse que tinha um irmão; ela falou, com a voz sonolenta, apontando para um suposto 'irmão' ao lado dele.
-Alana, consegue ficar em pé? –ele perguntou, vendo-a agarrar-se ainda mais em si para se equilibrar.
-...; a jovem negou com um aceno.
Suspirou pesadamente, suspendendo-a do chão, já vendo que a jovem não conseguiria chegar até a parte de fora da casa sozinha.
-O que uma garrafa de saque não faz; Dohko murmurou.
Respirou de maneira aliviada quando saiu, nada mais daquela atmosfera embriagante de saque que estava dentro da casa. Teria de abrir todas as janelas depois; ele pensou, colocando-a sentada embaixo de uma arvore, sentando-se ao lado dela em seguida.
-To com sono; ela murmurou, agarrando-se ao braço dele, aconchegando-se melhor.
-A-la-na; ele murmurou, engolindo em seco.
-Uhn! –Alana murmurou, completamente alheia ao que estava acontecendo.
-Nada; o libriano murmurou, não adiantava, ela não entenderia; ele pensou. Virou-se de lado, passando os braços por baixo das pernas e atrás das costas dela, puxando-a para o seu colo, acomodando-a melhor. –É melhor dormir um pouco mesmo, quando acordar vai se sentir melhor;
-...; Ela assentiu, apoiando a cabeça sobre o peito dele, suspirando.
De trás da casa, Nix surgia caminhando distraidamente, arrastando com a boca um grande galho de bambu, nem um pouco preocupada com o que estava acontecendo.
-o-o-o-o-
Lentamente abriu os olhos, sua cabeça doía. Remexeu-se um pouco sentindo um par de braços estreitarem-se em sua cintura e uma respiração quente, chocar-se contra a curva do pescoço.
Engoliu em seco, sentindo o corpo estremecer ao descobrir onde estava. Ergueu lentamente a cabeça, deparando-se com o libriano dormindo com uma expressão serena, tocou-lhe a face delicadamente temendo acorda-lo, deixando que a ponta dos dedos corresse com suavidade, tirando-lhe um baixo suspiro dos lábios.
Sentiu a face aquecer-se quando deteve-se no canto dos lábios, estavam juntos a quase dois anos, era estranho pensar nisso.
Não tinham àquela relação mestre / discípula que a maioria das amazonas ou cavaleiros tinham, eram como amigos, embora ainda não conseguisse contar a ele tudo o que estava acontecendo, os fatos reais que envolviam sua fuga de Asgard para Rozan.
Seus olhos ganharam um brilho triste, ao lembrar-se de Alberich, ele estava quieto demais, o conhecia a tempo suficiente para saber que viria retaliação e esse silencio lhe aterrorizava.
Despertou de suas divagações ao sentir uma mão forte, fechar-se com suavidade sobre a sua, foi só quando notou o que ainda fazia. Sua face incendiou-se ao vê-lo abrir os olhos, tinham um ar opaco como o de alguém que acabara de despertar, porém que logo ganharam um brilho intenso.
-Dohko; ela sussurrou, engolindo em seco.
Não sabia o que estava acontecendo, apenas que seu coração disparara de repente, causando-lhe um estranho frio na barriga.
Sentiu seus olhos voltarem ao foco, enquanto dedos delicados corriam por sua face, instintivamente colocou sua mão sobre a dela, notando que Alana já havia acordado.
Fitou-lhe atentamente, o brilho intenso nos orbes lhe confundia, estavam há quase dois anos juntos, aprendera a conviver com o gênio por vezes indomável da jovem, sabendo reconhecer seus tons de voz, olhares e gestos, mas esse era indecifrável para si, porém a única coisa que tinha certeza era de uma força maior que o impelia a se aproximar.
Entreabriu os lábios para dizer que não era o que ele estava pensando que era, embora não fizesse a mínima idéia do que ele estava pensando. Sentiu o corpo todo ficar petrificado quando a respiração quente dele chocou-se contra sua face, fazendo com que instintivamente serrasse os obres quando o mesmo roçou-lhe os lábios com suavidade.
Tocou-lhe a face, segurando-a delicadamente pelo queixo, puxando-a para mais perto de si, sentiu a respiração dela descontrolar-se, mas não se deteve, segundos depois seus lábios se tocavam, de maneira casta e hesitante no começo.
Deixou que os dedos corressem pela lateral da face dela, prendendo-se nos volumosos cabelos, um baixo suspiro saiu de ambos os lábios, enquanto o beijo tornava-se mais intenso, numa caricia envolvente, fazendo-o esquecer de tudo a sua volta.
Uma leve brisa passou por eles, esvoaçando levemente os cabelos, porém isso era o que menos importava agora.
-Fim da Lembrança-
-Dohko; Mú chamou, agitando a mão em frente a seus olhos.
Piscou seguidas vezes, notando o olhar curioso dele sobre si, engoliu em seco, era melhor para de pensar nisso, nada mudaria o que acontecera mesmo; ele pensou, com certa amargura.
-Me desculpe, acabei me distraindo; Dohko justificou-se.
-Não se preocupe; o ariano falou, com um sorriso compreensivo. –Mas então, vai voltar comigo?
-...; Dohko assentiu, coincidência ou não, era melhor enfrentar de vez alguns demônios que andara fugindo nos últimos séculos. –Só me deixe fazer as malas e avisar Shyriu e Shunrei sobre isso;
-Como quiser; Mú respondeu, levantando-se, batendo as mãos sobre as calças para retirar a poeira das mesmas, enquanto via o cavaleiro seguir para a casa.
-o-o-o-o-
-Uma missão, aconteceu algo mestre? –Shyriu perguntou preocupado.
-Nada com Athena, Shyriu, não se preocupe; Dohko respondeu, seguindo para seu quarto, sendo acompanhado pelo garoto.
-Mas...;
-Aishi me pediu para ir com Aaron a Asgard; ele justificou.
-Asgard? –Shyriu perguntou, surpreso.
-Uma amiga dela desapareceu e as informações sobre seu paradeiro são meio vagas, por isso ela pediu que eu e Aaron investigássemos melhor o que esta acontecendo; Dohko explicou.
-Entendo; o cavaleiro murmurou pensativo, porque tinha a leve impressão de que havia algo mais; ele pensou. –Quer que eu vá junto?
-De maneira alguma; o libriano exasperou, voltando-se para ele com os orbes serrados, fazendo-o recuar. –Seu irresponsável, se esqueceu por acaso que agora Shunrei não pode ficar mais sozinha;
-Desculpe, é o habito; ele respondeu, sem graça, passando a mão nervosamente pelos cabelos negros.
-Habito, sei; Dohko resmungou, porém deu um meio sorriso. Agora quem teria de agüentar as excentricidades dos desejos estranhos da garota seria o dragão e não ele. Não era nada fácil ter de sair de madrugada atrás de alguma coisa estranha que ela quisesse comer.
-Quanto tempo pretende ficar lá mestre? –Shyriu perguntou, engolindo em seco diante daquele sorriso, isso nunca era um bom sinal.
-Possivelmente uma semana, mas não sei se isso pode se estender;
-Está certo, bom, vou lá falar com o Mú, enquanto o senhor arruma as coisas; ele falou, afastando-se.
-...; Dohko assentiu, vendo-o fechar a porta do quarto atrás de si.
Suspirou pesadamente, sentando-se na cama, sentia-se muito inquieto, a idéia de retornar a Asgard depois de tudo o que acontecera era aterrorizante, não podia negar.
Caminhou até o guarda-roupas abrindo uma das portas, fitou-a atentamente, ou melhor, observou com extrema atenção o fino papel de arroz que sobrevivera aos anos pregados ali.
Os traços eram suaves, retratando uma jovem de longas melenas cacheadas sentada em baixo de uma arvore ao lado de um panda, que comia distraidamente um broto de bambu.
-Alana; ele sussurrou, tocando levemente o papel com a ponta dos dedos, sentindo sua mente vagar novamente, perdendo-se em lembranças.
-Lembrança-
O silencio caiu sobre eles, às respirações aos poucos voltavam ao normal, apoiou a cabeça sobre o peito dele, sentindo as mãos dele correrem suavemente por suas costas, deixando-a lânguida entre seus braços.
Nenhuma palavra dita, ou pensamento formulado sobre o que acabara de acontecer. Simplesmente não sabiam como explicar aquilo que sentiam, ou que a muito já despertara, porém que somente agora tal aproximação tornara-se incontrolável.
-Como se sente? –Dohko perguntou num sussurro.
-Minha cabeça ainda dói um pouco; ela respondeu, ignorando a ambigüidade da pergunta e da situação.
-Não deveria ter bebido o saque, aquela bebida tem muito álcool; ele explicou.
-Mas foi só um pouquinho; ela justificou-se, já preparando-se para a bronca da bagunça que fizera na cozinha.
-Sei; Dohko falou, descrente.
Ergueu a cabeça com os orbes serrados e o cenho franzido, mas desanuviou a expressão ao vê-lo sorrir, sem nenhuma marca de que iria repreende-la pela bagunça. Sua face incendiou-se quando sentiu a mão dele pousar sobre a maça rosado do rosto, acariciando-lhe com suavidade.
-Não me arrependo do que fiz; Dohko sussurrou, com um olhar intenso. –E faria de novo, mas somente se for algo que você também quiser; ele completou.
Sabia que ele de maneira alguma brincaria com seus sentimentos, sentia-se segura entre os braços dele e não negava que também desejava viver aquilo. Sua resposta foi erguer-se um pouco, tocando-lhe os lábios com os seus.
Arregalou os olhos surpreso, não esperando por tal atitude da jovem. Estreitou os braços em torno de sua cintura, colando-lhe os corpos, aproveitando ao máximo aquele momento que só pertencia a eles, porém às vezes as Deusas do Destino gostam de brincar com os mortais.
-Ora. Ora. O que temos aqui? –uma voz irônica ecoou por todo o local, chamando-lhes a atenção.
Separaram-se rapidamente, levantando-se, um cosmo devastador manifestou-se no ambiente. Vários pássaros levantaram voou assustados com tal energia negativa.
-Dohko; Alana sussurrou, preocupada, sabia que aquele silêncio era sinal de tempestade a vista.
-Fique calma; ele respondeu, colocando-se à frente dela.
Algumas folhas remexeram-se na direção da cachoeira, uma aura violeta acendeu-se, enquanto o guerreiro deus caminhava com ar imponente e arrogante, fitando-os com um brilho de fúria cintilando nos orbes verdes.
-Eu não diria isso cavaleiro; Alberich falou, seco. –Você deu sorte da primeira vez, mas agora não vai ficar vivo;
-Creio que é você que não vai ter tanta sorte como da primeira vez; Dohko avisou, com os orbes cintilando.
Alberich tivera sorte por estar ferido, afinal, a menos de dois dias havia voltado daquela batalha, ainda com o corpo e cosmo debilitado, mas agora não, as coisas seriam diferentes.
-Puff! É melhor fazer as malas princesa, parece que seus pais estão dispostos a perdoar sua rebeldia aceitando-a de volta.
-Não vou voltar; Alana falou, veemente.
-Quando eu acabar com esse idiota, conversamos novamente, ou melhor, ou leva-la de qualquer jeito; ele completou.
-Você não vai leva-la; Dohko avisou, elevando seu cosmo de maneira furiosa. –Vá para dentro da casa e não saia de lá; ele mandou.
Hesitante Alana assentiu, afastou-se correndo para entrar, num rápido movimento Alberich tentou colocar-se em seu caminho, mas uma rajada furiosa de vento jogou-o contra uma arvore.
Voltou-se furioso para o cavaleiro vendo-o com um olhar impassível, não era possível que ele fosse tão forte assim agora recuperado; ele pensou, de certa forma inquieto com isso.
-Como disse, você não vai ter tanta sorte como da primeira vez; Dohko avisou.
-Fim da Lembrança-
Terminou de fazer a mala, fechando-a em seguida. Respirou fundo, tentando espantar as outras lembranças de sua mente. Precisava se concentrar agora em resolver aquilo que Aishi lhe pedira, mas intimamente sabia que tais lembranças não sairiam tão facilmente de sua mente.
Colocou a mochila de viagens nas costas, saindo do quarto em seguida. Encontrou com Mú, Shyriu e Shunrei na cozinha conversando. O dragão parecia suar frio por ter de uma cebola, possivelmente para colocar em algo que estava cozinhando.
-O que esta fazendo? –Dohko perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Shunrei esta com vontade de comer yakisoba com shitak (1); Shyriu respondeu, com um olhar do tipo, 'já começou com os desejos de novo'.
-Ta certo; o libriano falou, balançando a cabeça levemente para os lados, com um meio sorriso, isso ainda ia render muito o que falar. –Mú, podemos ir?
-Claro; o cavaleiro respondeu, levantando-se.
-Mas vocês não querem esperar um pouco, Shyriu já esta terminando, assim vocês comem algo antes de ir; Shunrei falou, enquanto atacava distraidamente uma panelinha com camarão já refogado para o yakisoba.
-Não obrigado; Mú respondeu, sorrindo.
-Vamos então; Dohko falou, vendo-o assentir.
Momentos depois os dois já haviam desaparecido, indo surgir no santuário, onde muitas revelações esperavam por ele.
Continua...
Domo pessoal
Penúltimo capitulo on, logo vocês vão descobrir porque para o Dohko é um martírio ir a Asgard e os últimos segredos de Alana serão revelados. Fortes emoções e muitas surpresas no próximo capitulo. Não percam...
No mais, obrigada pelos review, valeu mesmo pessoal. Fico super feliz que estejam curtindo a fic e ainda perdendo um pouco de seu tempo comentando.
Até a próxima
Kisus
Já ne...
Nota:
(1) shitak: é um cogumelo tipo champignon, usado no yakisoba.
