Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Alana é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 5: Uma parte que se perde com o tempo.
"No amor basta uma noite para fazer de um homem um Deus".
Propércio.
I – Forças da Natureza.
Fora uma questão de segundos e já estavam no santuário, precisamente em frente à casa de Libra. Ainda se perguntava por que a maioria das pessoas não aprendia telecinese. Era eficiente, rápido, não existe pedágio e ainda por cima economiza combustível e não polui o ar; ele pensou, quase sorrindo com o pensamento.
-Achei que quisesse fazer uma parada aqui antes; o ariano falou, chamando-lhe a atenção.
-...; Assentiu silencioso. Realmente seria bom parar ali um pouco. –Obrigado;
-Disponha... Bom vou deixa-lo agora, mas quando quiser, é só ir até Aquário, Aishi disse que estaria lá; Mú respondeu, com um olhar calmo.
-Está certo; Dohko respondeu, vendo-o se afastar, descendo as escadas para o templo seguinte.
Respirou fundo, entrando em casa. Era estranho pensar dessa forma. Casa, normalmente a palavra era associada com 'lar', mas nunca se sentira completo ali, sempre faltava alguma coisa.
Deparou-se com o salão principal, ainda se perguntava por ainda mantinha aquela casa com três andares. Se começasse a fazer as contas, seu templo certamente seria o maior dentre os doze.
O salão principal da entrada servia como passagem de ligação para a saída do templo seguinte anexada à sala da armadura e de treinamentos.
No segundo andar havia uma cozinha ampla e bastante espaçosa, uma sala de jantar, uma biblioteca e uma sala de banhos. Ainda não aderira a modernidade, a ponto de colocar um banheiro em cada suíte no terceiro andar, embora houvesse um banheiro entre os quartos, junto com o modesto terraço que funcionava mais como uma sacada de seu quarto.
Subiu as escadas do salão, em direção ao segundo andar. As cortinas da sala estavam fechadas, apertou o interruptor acendendo as luzes. Respirou fundo, pelo visto Shion andara mandando alguém arrumar as coisas por ali, pois não via um cisco de poeira em cima das moveis.
Seguiu até as escadas para o ultimo andar. Passando pelo corredor, havia pelo menos cinco quartos ali, definitivamente aquela casa era grande demais; ele pensou, seguindo até o final do corredor, para seu quarto, que lhe dava uma vista perfeita para Twin Sall.
Abriu a porta do quarto, deparando-se com a grande cama de casal na parede oposta a entrada do terraço, os moveis ainda eram rústicos do inicio do século XIX, ainda com os acabamentos perfeitos como se simplesmente houvessem sido congelados pelo tempo.
Abriu as portas do terraço, vendo um belo jardim oriental a sua frente. Ai estava mais uma das coisas que se questionava, o porque de ter feito aquele jardim ali, talvez esperasse que um dia pudesse levar Nix para lá; ele pensou, com um meio sorriso, vendo em um canto do jardim gramado uma parede que servia de apoio para uma infinidade de varas de bambu.
Uma pequena fonte formava-se no meio de vários bonsais que poderia muito bem passar por um pequeno riozinho. Tudo era perfeito ali, como se houvesse parado no tempo; ele pensou, caminhando por uma trila de seixos até algumas cadeiras de madeira na outra extremidade do jardim, próximo aos balaústres.
Fechou os olhos por um momento, era estranho como conseguia sentir a paz e harmonia que Twin Sall transmitia, mesmo daquela distancia. Chegava a ser irônico que alguns usassem as forças da natureza para fins sórdidos.
-Lembrança-
Fitaram-se com um olhar que sem duvidas poderia matar. As respirações eram pesadas, porém controladas. Aquele que desse o primeiro passo teria pelo menos uma vantagem a mais naquele duelo.
-Prefere começar, ou me daria a honra? –Dohko perguntou debochado, vendo os orbes verdes do adversário se estreitarem.
-Oras seu...; Alberich vociferou, partindo pra cima dele.
-Patético, sem um pingo de auto-controle; o libriano falou, desviando com facilidade das investidas do cavaleiro.
Socos, chutes, voadoras, golpes pesados e agressivos eram trocados. Nenhum dos dois parecia desviar os pensamentos do objetivo que tinham a atingir, não era uma disputa comum, apenas para saber quem era o mais forte, mais coisas estavam envolvidas nesse combate mortal onde apenas um seria o vencedor.
Uma explosão de energia lançada por Dohko fez Alberich recuar surpreso com a potencia do golpe, ele não elevara nem um quarto de seu cosmo e mesmo assim se o golpe lhe acertasse destruiria a armadura, era como se por um milésimo de segundo, visse as unhas dele tornarem-se garras, garras de um tigre que certamente o faria em pedaços.
-"Não vou conseguir vencê-lo dessa forma"; Alberich pensou, com os dentes serrados, respirando pesadamente, estudando os movimentos do adversário.
-Vai precisar de mais que isso para me vencer, garoto; Dohko falou, fitando-o com um brilho intenso nos orbes verdes.
Todas as guerras que já lutara, todos os oponentes que enfrentara e que vira perecer sobre seu punho lhe deram a experiência necessária para não desistir de lutar agora. Não recebera um dom de Athena para perecer quando sua missão mal começara, ainda teria 200 anos pela frente e perder agora não era uma opção.
Elevou seu cosmo, fazendo uma corrente de vento esverdeado envolver-lhe o corpo. Nesse momento, as águas da Chuva de Estrelas começaram a correr ao contrario e dragões cristalinos serpentearam na superfície.
-"Vamos acabar logo com isso"; ele pensou, movendo uma das pernas um pouco para trás de onde estava, inclinando-se, de forma que o peso de seu corpo ficasse dividido e equilibrado, para quando lançasse seu golpe mais poderoso não se desequilibrasse.
-Só uma forma; Alberich murmurou, relaxando o corpo, como se houvesse simplesmente desistido de lutar.
Elevou seu cosmo, fechando os olhos por um momento. Esse era um golpe que há séculos era passado de geração em geração pelos Alberich. Um golpe mortal que lhe iria dar a vitória assim que o aplicasse; ele pensou, com um meio sorriso formando-se em seus lábios.
-FORÇAS DA NATUREZA;
Fora tudo muito rápido, mal tivera tempo de aplicar seu golpe, sentiu os galhos das arvores virem em sua direção, saltou agilmente para se afastar, mas agora eram as raízes, arvores e folhas a lhe atacar.
Era como se elas possuíssem vida própria e estivessem agindo contra si.
Pousou a um metro de distancia da porta da casa, não poderia deixar que aqueles galhos chegassem até Alana, ou até mesmo permitir que Alberich se aproximasse dela enquanto estivesse distraído.
Buscou por ele com seu olhar, vendo-o parado, completamente imóvel ao pé de uma arvore e uma aura violeta lhe envolvendo. Provavelmente aquela reação agressiva das arvores tinha algo a ver com seu cosmo.
Novamente os galhos vieram em sua direção, afastou-se rapidamente, cortando-os com um golpe de deslocamento de ar. O ouro tilintava em seu corpo, quase que por instinto levou a mão à espada dourada as duas costas, mas não iria usa-la. Não sem permissão de Athena. E como ironicamente só a veria dali a 200 anos, teria de se virar com o que tinha; ele pensou, recuando a mão.
Olhou para todos os lados, só havia arvores ali, mas precisava de uma forma de combater natureza com natureza.
-"Preciso pensar em algo rápido"; Dohko pensou, vendo uma infinidade de galhos vindo em sua direção, não foi capaz de desviar desse golpe, sendo lançado contra as paredes da casa. –Droga;
-Você não pode me vencer cavaleiro de ouro, então, morra em paz; Alberich falou, abrindo os olhos que cintilavam perigosamente.
-Isso é o que vamos ver; Dohko respondeu, levantando-se, passando as costas da mão sobre o lábio, tirando um fino filete de sangue que escorria dali.
Elevou seu cosmo e no momento seguinte para a surpresa de seu adversário as partes da armadura de ouro desprenderam-se de seu corpo, indo parar a seu lado, na porta da casa. Estava sem armadura, agora seria matar ou morrer tentando.
-Ficou louco diante da idéia de que perecera em minhas mãos? –Alberich falou debochado, cantando vitória antes do tempo.
-É o que veremos Alberich; o libriano respondeu, com um olhar enigmático.
-Pois não vamos demorar muito então; o cavaleiro respondeu, elevando seu cosmo novamente, fazendo os galhos se contorcerem para em seguida, alongarem-se. Indo na direção de Dohko como lanças afiadas prontas para transpassar-lhe o coração.
Fechou os olhos, respirando fundo. Nenhum movimento brusco ou algo que atraísse a atenção de qualquer coisa em sua direção. Não tinha mais nenhuma opção, só o venceria se tentasse àquele ultimo golpe.
Ao longe conseguia ouvir as águas da Chuva de Estrelas correrem mais rápidas do que o normal, já conseguia visualizar os dragões sobrevoando a superfície. Era como se fossem feitos de jades inquebráveis que tomavam vida ao seu comando. Alberich não era o único a utilizar as forças da natureza para um golpe, iria mostrar que não era nada saudável bater de frente com um cavaleiro de ouro, principalmente com ele. Dohko de Libra.
-COLERÁ DO DRAGÃO; ele gritou, expandindo seu cosmo.
As suas costas um imenso dragão surgiu, formado apenas por águas e rochas vindos da Chuva de Estrela. Os galhos secaram rapidamente quebrando-se devido à umidade que simplesmente desaparecera da terra.
Sem água e sem fonte de vida, nem mesmo o cosmo de Alberich poderia fazer aqueles galhos se moverem e atrás de si, estava aquele dragão para garantir que ele não faria mais nada.
-Esse é seu fim; Dohko falou, posicionando os braços na frente do corpo.
No momento seguinte o dragão saltou com um olhar colérico sobre o guerreiro deuse, o bosque ficou completamente alagado, arrastando com águas furiosas tudo que se colocava em seu caminho, incluindo o guerreiro deus quase sem vida.
Respirou fundo, sentindo o coração aos poucos acalmar-se. Deixou-se cair de joelhos no chão, a franja caiu sobre seus olhos, encobrindo-a por alguns segundos. Não fora nada fácil, ele era um oponente exemplar, tanto que não sabia descrever o que lhe rendera a vitória, ou se poderia chamar isso de vitória.
Pelo visto Alberich tinha o dom de voltar do mundo dos mortos quanto bem entendesse, talvez essa não fosse a ultima vez que o visse, ou se o encontrasse de novo, não seria ele realmente a perecer nas mãos do guerreiro de gelo.
-Graças a Odin;
Ouviu a jovem falar ajoelhando-se atrás de si, para em seguida abraça-lo. Suspirou fracamente, colocando sua mão sobre a dela, que jazia em seu ombro. Sabia que não era o fim, mas por hora, não pensaria nisso. Definitivamente não pensaria...
-Fim da Lembrança-
-Então você estava aqui o tempo todo; alguém falou atrás de si. Apenas balançou a cabeça levemente para os lados. –Ficamos preocupados, Mú disse que você já havia chegado, mas não apareceu em Aquário; Shion falou, aproximando-se.
-Resolvi fazer uma parada aqui primeiro; ele respondeu, lançando um olhar ao ariano por cima do ombro.
-Imaginei, por isso vim aqui; Shion respondeu, com um meio sorriso, apoiando os braços no alpendre, ao lado dele, vendo Twin Sall. –Faz tempo que não vem aqui, não é?
-...; Dohko assentiu, virando de costas para o jardim, encostando-se no alpendre. –Séculos eu diria;
-Foi o que pensei, as coisas estão do jeito que mandei deixar na ultima vez que foi feito à limpeza; o ariano comentou.
-A propósito, obrigado; ele respondeu.
-Não precisa agradecer, sei que faria o mesmo; Shion respondeu, com ar sério. –Mas estou preocupado com você, desde aquela vez...;
-Shion, eu...; Dohko passando a mão nervosamente pelos cabelos. –Porque eu?
-Como? - Shion voltou-se para ele com um olhar confuso.
-Porque eu? Tem tantos outros cavaleiros nesse santuário, porque eu? –ele falou, com ar aflito.
-Sabe, tem coisas que a gente não explica; o ariano falou, dando de ombros.
A verdade é que queria realmente contar a ele o que sabia sobre isso, mas não era justo, não depois do que aconteceu, ele tinha o direito de saber disso sozinho, só assim se desprenderia das correntes que o impediam de seguir em frente, mesmo que tentasse se mostrar forte e inabalável na frente de todos.
Um dia chegou a pensar como o amigo, que poderia seguir em frente, fechar seu coração para todos os sentimentos, mas nem sempre as Deusas do Destino permitem que as coisas aconteçam no tempo e forma que desejamos.
Prova disso foram os últimos anos que não tivera Ilyria a seu lado, a saudade por vezes fora enlouquecedora, que mesmo enterrando-se na infinidade de livros da biblioteca fora capaz de ocupar sua mente, que a cada segundo gritava consigo, dizendo que era um covarde por não procura-la em vez de simplesmente se conformar com o destino que já lhe fora traçado.
-Talvez; Dohko respondeu vagamente, tirando-lhe de suas divagações.
-Ainda sente a falta dela não? –Shion perguntou, virando-se e encostando-se no alpendre, observando o jardim oriental.
-Estaria mentindo se dissesse que não, mesmo depois de 200 anos... Longos duzentos anos; ele completou, quase num sussurro.
-Lembrança-
-Me desculpe; ela falou num sussurro, sentindo as lágrimas correrem impiedosas por sua face.
-Pelo que? –o libriano perguntou, tocando-lhe a face ternamente, apagando o rastro de lagrimas que corriam de seus olhos.
-Pelos problemas que tenho lhe causado desde que cheguei; Alana respondeu, desviando o olhar, para as mãos em seu colo. Sentindo-o remexer-se um pouco no acento do sofá.
-Não precisa; Dohko respondeu, fazendo-a encarar-lhe novamente, erguendo-lhe a face pelo queixo.
-Mas...;
-Xiiiiiii; ele sussurrou, tocando-lhe os lábios, com a ponta dos dedos. –Lutar ou não é uma escolha minha, mas jamais poderia permitir que ele lhe levasse;
-Você poderia ter morrido; Alana falou, abraçando-o fortemente.
-Mas estou aqui, não precisa chorar; Dohko falou, afagando-lhe as melenas castanhas, enlaçando-lhe pela cintura. –E também, não iria permitir que ele lhe tirasse de mim;
Sentiu a face incendiar-se ao erguer a cabeça deparando-se com o olhar intenso dele e os braços em torno de sua cintura, estreitarem-se mais. Prendeu a respiração engolindo em seco.
-As Deusas do Destino tem uma forma interessante de brincar com os mortais; ele falou, deixando a ponta dos dedos correrem distraidamente pela face dela, detendo-se no canto dos lábios. –Colocando pessoas completamente opostas, num caminho cruzado. Não acha?
-...; Ela assentiu, entreabrindo os lábios para responder, porém as palavras simplesmente não saíram.
Sabia a que ele se referia, nos últimos dois anos que estiveram juntos fizera a mesma pergunta. Às vezes se perguntava se Freya não havia planejado algo quando lhe mandara seguir para Rozan, em busca de um mestre capaz de lhe ensinar aquilo que precisava e por fim o conhecerá, mas não esperava que acabasse por se-...
-Nunca pensei que fosse acabar me apaixonando por você; ele sussurrou, chamando-lhe de volta a realidade.
-Dohko; Alana murmurou, sentindo a respiração dele chocando-se contra sua face e os orbes verdes, intensos e hipnotizantes, lhe fitando com algo a mais, aquele algo a mais que lhe fazia acreditar que agora, só faltava o tempo parar e tudo tornaria-se eterno.
–Amo você; ela sussurrou em tom confidencial, deixando-se levar por aquele momento em que simplesmente deixaria seu coração lhe guiar, mesmo que o mundo resolvesse acabar depois disso, ou a verdade sobre o caminho que lhe fora imposto, voltasse a lhe atormentar.
-Também te amo; ele sussurrou, tocando-lhe os lábios com os seus de maneira suave, deixando uma das mãos prender-se entre os fios castanhos, aproximando-os ainda mais, tirando dos lábios da jovem um tímido suspiro.
Talvez nunca viessem a saber, o que tanto as Deusas do Destino fiavam, teciam ou cortavam por eles, mas não iriam pensar nisso agora... Não agora.
Aninhou-a entre seus braços, suspendendo-a do sofá. Sentiu a jovem envolver-lhe o pescoço com os braços finos e delicados, porém cuja força era capaz de pulverizar estrelas, como muitas vezes já a vira fazer.
Entre beijos e confidencias, rumaram com passos calmos pelos corredores da casa. O tempo lá fora parecia parado, as arvores moviam-se calmamente com a brisa suave da noite, os galhos secos destruídos horas atrás, pouco a pouco recuperavam a vitalidade que antes possuíam, voltando ao lugar de origem.
Seus pés tocaram o chão, porém em momento algum seus lábios se separaram. Os toques suaves, de pequenos encontros entre suas mãos, tornavam-se aos poucos mais ousados, numa busca quase urgente pelo calor um do outro.
Afastaram-se parcialmente ofegando, ambos os orbes jaziam nublados quase completamente enegrecidos, apenas refletindo aquilo que sentiam.
-Alana; ele falou, num sussurro enrouquecido.
Tocou-lhe a face, ouvindo-o suspirar, pousando a mão sobre a sua, levando-as aos lábios, sorriu ternamente sentindo os lábios dele correrem pela palma, numa sutil demonstração de carinho.
-Não me importaria se o tempo parasse agora; ela sussurrou, aconchegando-se entre o calor de seus braços.
-Para-lo só depende de nós; o libriano falou, chamando-lhe a atenção.
Mal ergueu a cabeça, sentiu os lábios dele sobre os seus. Não iria mais buscar por respostas, para coisas que sabia que agora não poderia mudar, apenas desejava um momento, nem que aquela fosse a única e ultima noite a compartilharem juntos, queria viver o que sentia, queria sentir-se amada e ama-lo com a mesma intensidade.
Mesmo que fosse apenas por uma noite...
As roupas foram ao chão displicentes, enquanto era colocada delicadamente sobre a cama. Instintivamente as pernas entrelaçaram-se e os carinhos tornaram-se mais intensos.
-Amo você; ele sussurrou-lhe ao pé do ouvido, deixando seus lábios correrem com suavidade pelo colo desnudo, fazendo a suspirar, segurando-se em seus ombros.
Sentiu as mãos delicadas correrem com suavidade pelas costas desnudas, arranhando-a levemente, tirando-lhe um baixo gemido de seus lábios.
-Também te amo; ela sussurrou em resposta, deixando as demais palavras morrerem em um gemido tirado de seus lábios, sentindo os dele descerem com suavidade pelo vale entre os seios.
Uma brisa suave entrou pela janela, esvoaçando as cortinas, mas isso era o menos importante agora.
Trocaram um olhar intenso, as mãos buscaram uma pela outra, entrelaçando os dedos de maneira suave, para em seguida, entre beijos e caricias seus corpos se unirem como um único.
Amando-se intensamente, obliterando qualquer hesitação que ousava começar a formar-se em seus corações.
-Fim da Lembrança-
Balançou a cabeça levemente para os lados, tentando afastar algumas lembranças que insistiam em voltar. Poderia tentar negar, mas querendo ou não, estava pensando cada vez mais nela nos últimos dias.
Pelo visto as Deusas do Destino pareciam querer brincar consigo novamente; ele pensou, dando um baixo suspiro.
-É melhor irmos; Dohko falou, desencostando-se do alpendre.
-Estive pensando numa coisa; Shion falou, seguindo com ele para fora do jardim, atravessando o quarto, rumo ao correr em direção a escada.
-No que? –o libriano perguntou, arrumando a alça da mala melhor sobre o ombro.
-Quando voltar, deveria passar uma temporada aqui; ele sugeriu. –Talvez respirar outros ares, longe de Rozan possa te fazer bem e te ajudar a dar um rumo mais certo a sua vida; o ariano completou.
-É, talvez seja bom fazer isso mesmo; Dohko murmurou com ar pensativo.
Devido à missão que recebera de proteger a Fronteira Secreta, nunca pudera deixar Rozan, o que acabara lhe forçando a conviver com todas aquelas lembranças ao longo dos últimos 243 anos.
-Só tenho pena de Shyriu; ele completou, com um sorriso maroto nos lábios, lembrando-se do que o cavaleiro acabaria passando para satisfazer alguns dos desejos um tanto quanto excêntricos de Shunrei.
-Ninguém disse que uma vida normal seria fácil; Shion completou, de maneira enigmática. Só ele sabia o quanto essas palavras eram certas.
II – Uma parte que vai e outra que fica.
Rússia/ Extremo norte da Sibéria/ Asgard...
Afastou brevemente as cortinas da janela, lá fora uma tempestade de neve se iniciava. Passando os dedos já enrugados pelo tempo, pelos cabelos prateados, sem o brilho intenso do castanho que antes possuíam. Suspirou.
Mais de 243 anos já haviam se passado, se dissesse que a saudade era desesperadora, estaria sendo modesta, pois por vezes ela se tornara enlouquecedora. Tantas coisas que aconteceram no decorrer dos últimos séculos, porém aquelas lembranças ainda voltavam a lhe atormentar.
-Lembrança-
Suspirou relaxada, sentindo um par de braços fortes estreitarem-se em sua cintura, nunca em todo decorrer de sua vida, sentira-se tão segura como agora. Um brilho triste passou por seus olhos e pensar que isso não poderia ir mais alem.
Não poderia permanecer mais em Rozan, porém não queria partir e deixa-lo. Como era difícil ter de seguir desígnios já predestinados e saber que ainda não podia mudar isso. Precisava voltar a Asgard e resolver de uma vez por todas aquilo que deixara pendente. Agora era forte o suficiente para enfrentar Alberich e voltar-se contra ao que lhe fora imposto pela família.
Só esperava que um dia ele pudesse lhe perdoar por isso...; Ela pensou, virando-se de frente para o cavaleiro.
Dohko dormia com um ar sereno, a respiração tranqüila e equilibrada, chocando-se com suavidade sobre a curva de seu pescoço. Como seria bom acordar assim todas as manhãs, sem preocupações, sem obrigações...
Mas nem sempre as coisas são da forma que são desejadas; Alana pensou, levando a mão aos lábios, tentando conter um soluço, porém uma lagrima não foi capaz de conter e caiu com suavidade, marcando a pele alva da face.
Respirou fundo, tirando o braço que jazia pousado sobre sua cintura, tentando não acorda-lo, ouviu-o murmurar algo, tentando lhe abraçar novamente, porém esquivou-se, conseguindo levantar da cama.
Recolheu as roupas que jaziam pelo quarto, vestindo-as rapidamente antes de sair. Tentou conter as lagrimas que vieram a seguir, mas isso foi impossível. Entrou rapidamente em seu quarto, retirando de baixo da cama uma pequena sacola de viagens, guardou as roupas que seriam necessárias para a viagem, precisava ir antes que ele despertasse. Se não, jamais conseguiria partir; ela pensou, sentindo as mãos tremerem a cada peça que guardava na sacola e tinha certeza que uma parte de si permaneceria ali para sempre.
Colocou a sacola pendurada no ombro, encaminhando-se com passos silenciosos para a sala, ouviu um barulho de algo se movimentando e quase tropeçou na mesa de centro, assustada, pensando ter sido descoberta, mas suspirou aliviada ao ver que era apenas Nix, que dormia em um canto da sala, abraçada a um broto de bambu, que mastigava vez ou outra, quando acordava.
Um meio sorriso formou-se em seus lábios, como sentiria falta dela e dele sem duvidas, mas era preciso. Tentou se conformar com tal pensamento enquanto deixava a casa.
Mesmo que nunca mais retornasse aquele lugar, jamais o esqueceria e jamais esqueceria tudo que ali fora vivido.
-Fim da Lembrança-
-Senhora; alguém chamou atrás de si.
Respirou fundo, passando a mão pelos orbes verdes que já não tinham mais o mesmo brilho de antes, tentando aparar uma lagrima que caira deles sem ao menos perceber.
-Sim; respondeu, virando-se para trás, deparou-se com o olhar preocupado de uma jovem de longas melenas esverdeadas e orbes azuis, que a fitavam com preocupação.
-Está tudo bem? –Anieri perguntou cautelosa.
-Está sim, algum problema? –Alana perguntou, afastando-se da janela, soltando a cortina que automaticamente fechou-se.
-Não, é só que...; A jovem parou hesitante.
-Vamos, o que foi, pode dizer? –a senhora insistiu.
-Me desculpe, sei que isso não é da minha conta, mas... A senhora parecia tão triste, tem certeza que esta tudo bem? –Anieri insistiu, um tanto quanto incerta.
-Nada que possa ser mudado criança; Alana respondeu, respirando fundo. –Mas não se preocupe com isso, agora é melhor irmos, já esta chegando à hora do jantar e temos que arrumar as coisas;
-...; A jovem assentiu, vendo a senhora passar por si, franziu o cenho.
Alana era como uma mestra e tutora, alguém que conhecera assim que retornara a Asgard e pelo pouco que conhecia da senhora, sabia que não era algo insignificante que a fizera ficar daquele jeito, mas era melhor não mexer em feridas que talvez nunca cicatrizassem, isso só pioraria as coisas, mesmo que a intenção fosse ajudar.
III – Dragão Alado de Gelo.
200 anos atrás...
Sentiu as lágrimas caírem impiedosas por sua face ao avistar as torres imponentes do palácio erguerem-se entre os pinheiros e dunas de gelo. Voltara para a casa, embora nunca houvesse considerado aquele lugar opressivo como seu lar.
Apenas dois anos em Rozan, fizera com que sentisse mais falta os picos antigos do que da terra que nascera e recebera a missão de proteger.
Caminhou pela neve, vendo a ponte arco-íris a sua frente, como assim ela era chamada no tempo em que Hemdall ainda era seu guardião em nome de Odin.
-Quem vem? –um sentinela perguntou, vendo-a se aproximar, mas parou surpreso, quando a reconheceu. –Majestade; ele falou, ajoelhando-se, porém a jovem passou, sem ao menos fitá-lo. Não queria tornar as coisas mais difíceis do que já estavam.
-Minha filha, por Odin onde esteve? Quase nos matou de preocupação; Anastácia, sua mãe veio ao seu encontro, com os braços abertos como se realmente estivesse feliz em lhe ver.
Esquivou-se de seu toque com um olhar indiferente, vendo que seu pai e mais duas pessoas vinham logo atrás. Já era de se esperar, que o exibicionismo de sua mãe começariam cedo. Ainda mais diante de Siegfried e Fenrir, 'amigos pessoais' da família e guerreiros deuses.
-Princesa; os cavaleiros falaram numa breve reverencia.
-Bem senhor, creio que essa é nossa hora, vamos deixa-los agora, mas caso precisem de algo, é só nos chamar; Siegfried falou cordialmente, afastando-se, passando pela rainha e a cumprimentando antes de ir.
-Com licença, senhor; Fenrir falou, aproveitando a deixa para se retirar.
Olhou de soslaio os dois saírem, contando mentalmente até dez.
Um... Dois... Três... Quatro... Cinco... Seis... Sete... Oito... Nove... Dez.
-Onde esteve sua irresponsável; Anastácia vociferou, segurando-a fortemente pelo braço.
Já era de se esperar o surto neurótico de sua mãe, cuja única perspectiva de vida era se exibir como dona do trono de Asgard, ignorando a quantidade de pessoas que sofriam e passavam as mais infindáveis necessidades enquanto ela não fazia questão de esconder seus esbaldares em luxo ilimitado.
-Me solta; Alana falou, com a voz pausada e um brilho irado queimando nos orbes azuis.
-Anastácia; Eliot falou, aproximando-se da esposa antes que o pior acontecesse.
-Quem você pensa que é garota, para nos fazer passar essa vergonha ao fugir de casa; a esposa ignorou seu aviso, tentando puxar a jovem pelo braço para algumas salas do palácio.
-Já mandei me soltar; Alana falou, elevando seu cosmo furiosamente.
Os lustres de cristal tremeram e um vento forte irrompeu da porta principal.
Anastácia afastou-se assustada com a reação, nunca esperava que a filha reagisse dessa forma, porém, também pudera, depois de todos os anos de repressão que passara, sendo obrigada a ser a bonequinha de cristal que era privada de viver aquilo que desejasse apenas para ser imaculada. Não pretendia mais curvar-se as pretensões dos pais.
-Onde esteve Alana? –Eliot perguntou, com a voz branda.
Era difícil conversar com a filha na presença de Anastácia, ao contrario da esposa não compartilhava das mesmas opiniões, tanto que não concordara com o casamento prematuro da jovem, porém Anastácia tinha a habilidade de distorcer tudo que falasse.
-Pensei que Alberich já houvesse lhes contado; ela respondeu sarcástica.
-Alberich; Anastácia falou surpresa, vendo os orbes do marido serrarem-se perigosamente, era evidente o desagrado dele a menção do nome do cavaleiro.
Havia mandado o cavaleiro atrás da filha, sem o consentimento do marido, sabia que Eliot não permitiria, pois fora à própria Freya a mandar a menina sair de Asgard em missão, mas não iria permitir que qualquer idiota subisse ao trono deixando-lhe de lado.
Já que um dia seria obrigada a deixar o trono para a filha, que pelo menos alguém inteligente e que soubesse usar os poderes que lhe seriam conferidos, ocupasse o lugar. Eliot não era nem um pouco ambicioso e isso lhe irritava profundamente, então, nada a impedida de procurar pela satisfação que desejava em outro lugar.
Alberich era inteligente, tinha uma mente sórdida e perversa para a tenra idade, seria o genro perfeito, se conveniente, algo mais futuramente.
-Oras, ele mesmo me disse que vocês o mandaram me buscar, isso foi a exatos dois anos atrás; Alana falou, em tom ferino, sem esconder o sarcasmo. –Alem do mais, há dois dias atrás ele lutou contra meu mestre e se assim Odin quiser ele deve estar queimando no fogo de Muspell agora; ela completou, quase cuspindo no chão.
-Não blasfeme criança; Eliot falou, surpreso com o tom da jovem. Alana sempre fora uma garota doce, geniosa, porém ainda sim. Nunca a ouvira falar daquela forma, dois anos longe de Asgard sem duvidas haviam transformado a sua garotinha em uma mulher que sabia muito bem o que desejava.
-Blasfemar? Pelo contrario senhor meu pai; ela falou, voltando-se para ele com um olhar que até mesmo Anastácia tremeu. –Se não fosse meu mestre a lutar contra ele, seria eu a manda-lo para o inferno;
-Porque não tenta então, Vossa Majestade; alguém falou, surgindo dentre os pilares do palácio.
O meio sorriso nos lábios era característico de sua personalidade mesquinha e ordinária, tinha pena das próximas gerações que certamente sofreiam com esse gene ruim.
-Será um prazer; ela respondeu, crispando as unhas, que tornaram-se o que passaria muito bem por garras.
-Parem com isso; Eliot mandou, voltando-se para Alberich. –Explique-se, não lhe autorizei a ir buscar minha filha, você foi com autorização de quem? –ele indagou.
-De vossa rainha meu senhor, foste à senhora a me mandar buscar pela princesa e traze-la a qualquer custo; Alberich falou, numa calma aterrorizante.
-Anastácia; Eliot falou, voltando-se com um olhar envenenado para a esposa.
-QUERIA QUE EU FIZESSE O QUE? Enquanto você ficava tranqüilo sem saber onde ela estava, eu tinha de tomar as rédeas desse palácio e impedi-lo de decair porque você não quer nada, não tem ambição alguma; ela vociferou, com os orbes azuis brilhando furiosamente. –E não tente me impedir, amanhã a noite vocês se casam nem que eu tenha de obrigar a deusa a dar-lhes as bênçãos.
-O QUE? –Alana gritou.
-Você ouviu princesa; Alberich falou, com um olhar vitorioso.
-Nem na próxima encarnação; ela falou, voltando-se para ele, com os orbes serrados.
-Já está decidido; Anastácia falou.
-Você não pode opinar por isso Anastácia; Eliot falou, consternado.
-Engano seu meu marido, nossa certidão de casamento me dá plenos direitos de escolher o destino de meus filhos, mesmo que passe pela sua decisão e é o que estou fazendo, sobre os homens o pai tem os direitos, sobre as filhas, sou eu; ela completou, com um olhar frio e indiferente.
-Não vou casar com ele; Alana falou, com os punhos serrados.
-Vai e isso não cabe a você decidir; a mãe afirmou.
-Tem certeza? –ela perguntou, com os orbes brilhando perigosamente.
-...; Anastácia virou-se para ela, engolindo em seco ao ver os orbes dela ganharam um brilho intenso e uma aura esverdeada lhe envolver, atrás de si a imagem de um dragão formou-se.
-Amanhã à noite estarei assinando sua lapide minha mãe e é melhor não duvidar, porque é o que farei; Alana completou, passando por eles, subindo as escadas principais para seu quarto, ignorando o olhar atônito dos demais.
-Ela evoluiu muito; Alberich murmurou surpreso, vendo a silhueta esguia desaparecer de suas vistas.
Ignorando a discussão que se iniciava entre o rei e a rainha deixou o palácio. Um brilho intenso tomou conta de seus obres e um meio sorriso formou-se em seus lábios.
-"Amanhã a noite serie príncipe regente de tudo isso aqui e esses idiotas curvar-se-ão diante de mim"; ele pensou, caminhando em meio a neve, sem notar duas sombras esguias ocultarem-se entre as arvores ali perto, dispostas a tudo para impedir que seus planos se concretizassem.
Continua...
Domo pessoal
Mais uma fic chegando ao fim, eu sei, detesto finais de fic, mas isso um dia tem de acontecer né, mas ignorando meu lado MdM XD, resolvi fazer um epílogo, normalmente epílogos tem por volta de duas paginas, mas resolvi estende-lo um pouquinho mais e logo vocês vão entender o porque.
Basicamente a história de Alana e Dohko termina aqui, porém o próximo capitulo seria revelador.
Enfim, sinceramente espero que tenham gostado.
Obrigado a todos que acompanham essa história desde o começo e ainda perdem um pouco de seu tempo comentando.
Até a próxima pessoal
Kisus
Já ne...
