Silver: Fala sério, porque sempre sou eu quem tenho que começar? É alguma espécie de castigo por ser a tirana da família?

Lisa: Você não é a nossa chefinha/ Bem, talvez seja por você ser uma tirana também... Não queremos ser alvo da "Fúria de Hades" /.

Silver: ¬¬ Bem, para tirar de uma vez a dúvida sobre a questão de James - apanhador ou artilheiro, eu traduzi muito porcamente a nota que aparece sobre isso na página do lexicon. O editor que escreveu esse texto foi um tanto violento, não? De qualquer forma, quem tiver curiosidade e quiser ler essa entrevista citada nas notas, o endereço dela está no profile e a resposta à pergunta está quase no final da entrevista.

"Nota: No primeiro filme, James é dito como apanhador, mas JKR estabeleceu que ele era artilheiro na segunda entrevista da Scholastic. Sim, os editores sabem que num dia de verão quando ele tinha 15 anos, ele estava brincando por aí com um pomo de ouro - muito mais efetivo para impressionar garotas que uma goles, obviamente, e isso não prova nada sobre a posição em que ele realmente jogou. JKR disse em Sch2 que James era um artilheiro, então, até que ela diga explicitamente outra coisa, sua palavra vale."

Belle: E nunca mais duvidem da Silver... ela pode ser bem persuasiva quando quer... hehe

Silver: sim, sim. Mas, sem mais delongas... não pudemos nos reunir todas hoje... Vamos ao capítulo!

Belle: That's all folks... opa, desenho errado...

Silver: Tchau, Lilica! E depois respondemos seus comentários!


Capítulo 03: Fera verto


Quando Lily desceu as escadas na manhã do dia seguinte, a sala comunal ainda estava vazia. Nenhuma surpresa, visto ser domingo e quase toda a torre ter ido dormir muito tarde no dia anterior por conta da comemoração.

A ruiva sorriu, descendo de dois em dois degraus, terminando de prender o cabelo em um rabo de cavalo, mas parou no meio da ação quando enxergou uma cabeça despenteada num dos sofás junto à janela. Estreitou os olhos, pulando os últimos degraus e aproximando-se do rapaz, que entreabriu os olhos devagar ao ouvir seus passos.

James ainda estava com o roupão sobre o pijama e usava pantufas vermelhas, em forma de um leão de boca aberta. Lily fez uma nota mental para perguntar a Sirius de onde aquilo saíra.

- James? Você dormiu aqui na sala comunal?

Ele bocejou, meneando a cabeça.

- Não tive uma boa noite e acabei vindo pra cá durante a madrugada. E você? Não está muito cedo para já estar aqui?

- Eu costumo acordar cedo. - ela respondeu com um sorriso, sentando-se ao lado dele - Além disso, eu tenho reforço com a Lene agora.

Ele virou-se para ela, curioso.

- Reforço? A grande monitora-chefe precisa de reforço em alguma matéria?

Lily bufou de leve, dando de ombros.

- Eu não sou perfeita. E sempre tive problemas com transfiguração. Depois dos NOM's, eu conversei com a professora McGonagall e ela colocou Marlene como minha tutora. Por isso que eu a conheço. Mas eu não falei disso ontem para você?

- Eu não tinha associado "aulas com Marlene" com reforço. - ele respondeu - Você podia ter pedido minha ajuda.

- Você era um idiota na época. - Lily respondeu, encostando a cabeça no alto da poltrona.

- Quer dizer que agora eu não sou mais? - ele perguntou marotamente, deitando-se no sofá, repousando a cabeça sobre o colo dela.

Ela estreitou os olhos, meneando a cabeça.

- Depende do ponto de vista... - com isso, ela se levantou da poltrona, fazendo a cabeça dele cair - Ainda não me esqueci do presente de Natal que você me mandou ano passado. Sinceramente, James, eu esperava um pouco mais de você... Uma meia usada?

- De acordo com Moony, ela possui muitos feromônios, o que levaria você a cair de amores por mim. - James piscou o olho para ela - Além disso, aquele não era meu presente de verdade. E você gostou tanto do cordão que eu te dei que nunca mais o tirou.

- Você percebeu? - ela sorriu, meneando a cabeça - Bem, seja como for, seu plano dos feromônios não deu muito certo. Eu não caí de amores por você.

- Por enquanto, Lils. - ele respondeu, piscando o olho para ela.

Lily meneou a cabeça.

- Você nunca vai mudar. Em todo caso, eu vou indo. Tomar café da manhã e depois ir para a aula com a minha tutora.

Ele arqueou o corpo no sofá, observando ela passar pela passagem.

- Não se esqueça de falar com a McKinnon.

A ruiva não chegou a ouvir. Ela rapidamente dirigiu-se para o salão principal e lá tomou a longos goles um copo de suco de abóbora, roubando uma maçã para começar a correr para sua aula. Só parou diante da porta da sala de transfiguração, que a professora Minerva cedera para as aulas de domingo das duas.

Respirou fundo, pensando em como poderia abordar o assunto que James pedira que ela conversasse com Marlene. A lembrança do sorriso do rapaz foi o suficiente para fazê-la sorrir também e foi dessa maneira que ela entrou na sala.

- Bom dia, Lene! Como dormiu ontem? - ela perguntou, fechando a porta atrás de si.

Marlene, que estava encostada ao parapeito, ainda irritada com o jogo do dia anterior, voltou-se para a amiga, estranhando a pergunta. Mas assentiu, acostumada com a maneira de Lily conduzir seus diálogos.

- Bem... Melhor do que eu esperava e pior do que eu queria. - Marlene suspirou. - E você parece particularmente feliz. Aconteceu alguma coisa?

A ruiva corou de leve, meneando a cabeça.

- Não. Apenas... Hoje é um bom dia para estudar, não?

- Todo dia é um bom dia para estudar. - Marlene forçou um sorriso - Então. Pronta para transfigurar coisas?

A corvinal passou pela frente da amiga, abrindo uma caixa e tirando dela uma tartaruga, colocando-a sobre a mesa. Lily sorriu de lado, observando o velhíssimo animal começar a caminhar lentamente pelo tablado. Em seguida, voltou-se novamente para Marlene.

- Você não quer conversar um pouco? Por que não dormiu tão bem?

- Bem... - a morena tentou não corar. - Foi... Ah... O jogo de ontem...

Lily sorriu. Ótimo, já tinha a desculpa perfeita para introduzir o assunto. Agora só tinha que tomar coragem para pedir que Marlene não denunciasse Sirius e tudo estaria bem. Mas para isso, talvez fosse melhor ela fingir que não sabia de nada. Aproveitava e ouvia a outra versão da história, para ter certeza de que estava agindo certo.

- O que aconteceu? Eu não pude ir ao jogo ontem, estava gripada e enrolada com as tarefas da monitoria...

A outra pareceu embaraçada com a pergunta e, coçando o nariz de leve, Marlene respirou fundo.

- Ah... Nós... Hum... Perdemos... Eu só me preocupei com isso por que sou a capitã, você sabe... E, me perdoe dizer assim, mas o capitão da sua casa não me parece muito interessado em... eh... Controlar o time...

- James? - a ruiva franziu os olhos ao notar o nervosismo da amiga. Não podia ter sido só aquilo, Marlene era sempre tão centrada... - Não me parece uma coisa que ele faria. O quadribol é a vida dele e, se tem alguma coisa em que ele sempre foi muito responsável, foi em suas funções como artilheiro e capitão do time.

- Bem... - a outra revirou os olhos, não pretendia colocar a reputação de James em xeque só por conta do Black, mas eles eram melhores amigos não eram? Deveriam ter conversado sobre isso... - É que ele deixa os amigos dele no time, mas aparentemente esquece de ensinar regras éticas a eles.

O negócio parecia ter sido mais sério do que James a fizera acreditar...

- O que aconteceu afinal?

Marlene voltou a respirar fundo, as narinas dilatando-se ao se lembrar das cenas do dia anterior. Até aquele maldito jogo, ele nunca a notara e ela, por sua vez, nunca fizera questão de notá-lo. Por que, de uma hora para a outra, ele tinha se tornado tão... notável - para dizer o mínimo - em sua vida?

- Eu fiz uma manobra e o Black quase me matou. - disse tentando se controlar, mas sabendo que seria difícil se controlar falando de Sirius Black.

- Matou? Lene, você não está sendo muito dramática? - Lily suspirou - Quadribol é um jogo violento, é normal que uma ou outra coisa aconteça e...

- Bem, se você estivesse pendurada de cabeça pra baixo numa vassoura e um balaço fosse mandado em direção à sua cabeça, você não acharia que eu estou dramatizando. - Marlene a interrompeu bruscamente. - Agora, por que você não pega aquela tartaruga e...

Lily meneou a cabeça e, pegando a mão dela, forçou-a a se sentar à sua frente. Marlene estava perturbada demais... Não era apenas o jogo que a tinha deixado daquele jeito. Em todos os jogos de quadribol que acompanhara da Corvinal desde que a amiga fora feita capitã, Marlene era sempre um dos alvos preferidos dos batedores e só se safava deles por sua espantosa agilidade.

O problema não eram os balaços, o que significa que ela não precisava se preocupar tanto com o fato de ter que pedir à Marlene que não se queixasse contra Sirius. Lily sentia isso e sua intuição dificilmente errava.

- Aconteceu mais alguma coisa, não foi?

Marlene piscou os olhos, confusa. Detestava aquela capacidade de Lily de perceber apenas com um olhar a maneira como as pessoas ao seu redor se sentiam. A ruiva era muito sensitiva e, às vezes, ela se perguntava até que ponto ia a capacidade de Lily de perceber os problemas que a rodeavam.

- Bem, eu estou assim, por que ele não só tentou me matar aquela hora, como mandou balaços pra cima de mim o jogo inteiro e... - ela não sabia se conseguiria continuar. Mas de qualquer maneira, se não terminasse, Lily iria persegui-la até obter uma confissão completa- E... ele... mechamouparasaircomeleecomemoraravitóriadelesantesmesmodojogocomeçar. - disse sem ter certeza que a outra entenderia.

Lily sorriu, simpática.

- Você pode tentar respirar entre as palavras?

- Ele... - respirou fundo. - Me chamou para ir com ele à festa de comemoração da vitória da Grifinória antes mesmo do jogo começar. - respondeu, omitindo a parte em que ele a vira trocando de roupa.

Os olhos verdes da ruiva se arregalaram em espanto.

- E o que você fez?

Marlene sorriu de lado.

- Eu disse umas verdades à ele... - ela suspirou, o sorriso desaparecendo - Mas ele estava certo de qualquer maneira. Vocês ganharam.

Lily meneou a cabeça, apertando mais a mão de Marlene.

- Esqueça isso, Lene. - ela abaixou a voz - Você tem idéia da enrascada em que se meteu agora?

Marlene estreitou os olhos, tirando a mão das mãos da ruiva e voltando a se levantar.

- Enrascada? - a morena perguntou num tom quase divertido.

A outra suspirou, lembrando-se de muitas cenas que ela protagonizara nos últimos três anos graças a um maroto. Se Sirius fosse igual a James, Marlene estava com sérios problemas. Ela também se levantou, olhando séria para a outra moça.

- Aprenda comigo uma coisa, Marlene McKinnon... - ela ergueu o dedo, os olhos fixos na morena - Marotos são os seres mais persistentes da face da terra. Eles não costumam aceitar um não ou qualquer outra variante possível. Ele não vai te esquecer, não vai te deixar em paz de agora em diante.

Marlene riu, espantada com a veemência de Lily.

- Ele vai esquecer, sim. Mesmo porque não é como se eu quisesse alguma coisa com ele. - ela meneou a cabeça, ainda rindo, agora decidida a apagar aquela situação toda da memória - E de qualquer maneira, você conhece a fama dele até melhor que eu... Aposto que ontem mesmo na festa ele já arrumou outra para incomodar.

Lily a observou, pensativa.

- Ele estava com a Dorcas... Mas, de uma maneira ou de outra... Escute o que estou te dizendo, Lene, eu falo por experiência própria...

Marlene vou a menear a cabeça.

- Eu não disse? Já arrumou outra. Com certeza ele não nem se lembra que me chamou para sair ontem. Agora, Lily, esqueçamos isso e vamos à sua lição!

Cruzando os braços, Lily apenas sorriu resignadamente.

- Ele vai te vencer pelo cansaço...

- Me vencer... - Marlene piscou os olhos - Mas você já não disse que ele estava com outra? Ora, vamos, Lils, eu não vejo como ele iria...

- Você não acha que o fato de estar com a Dorcas vai fazer ele tirar o olho de você, não? Santa inocência... - a ruiva suspirou - Eles nem estão namorando, e, sinceramente, conhecendo o Sirius como eu conheço... Em todo caso, escute o que eu estou dizendo, Marlene, e prepare-se para muita dor de cabeça. Mas, agora, às tartarugas...

- O quê? Ah, sim, as tartarugas... - ela bateu a mão na testa. - Transformar em chaleiras... Lembra-se da fórmula?

Lily assentiu, começando a trabalhar, sendo corrigida por Marlene de quando em quando. Não que Marlene estivesse realmente concentrada depois do aviso de Lily. A ruiva poderia estar certa?

- Fera Verto!

Depois de algumas tentativas falhas, uma rajada luminosa deixou a varinha da grifinória e a pobre tartaruga de repente deu lugar a uma bela chaleira de porcelana, com detalhes em prata e pequenas flores pintadas ao longo do borco.

- Perfeito, Lils! - Marlene bateu palmas, orgulhosa da aluna - Eu sinceramente não entendo como você tem tanta dificuldade com transfiguração.

- É uma questão estranha... - a outra assentiu - Se você tivesse me pedido para transformar a tartaruga numa chaleira com tais e tais especificações, eu conseguiria me concentrar. Mas, quando me dão um comando genérico, eu me deparo com milhares de modelos na minha cabeça e fico indecisa sobre qual usar.

- Isso se chama imaginação hiperativa... - a morena sorriu - Bem, acho que por hoje é só. Eu ainda tenho alguns deveres para completar na biblioteca.

Lily assentiu.

- Tudo bem. Antes de ir, só uma coisa, Lene... - ela suspirou - Você vai denunciar o Sirius à Madame Hook? James estava extremamente preocupado ontem com a possibilidade de perder seu melhor batedor para o próximo jogo...

Os olhos claros de Marlene tornaram-se fendas estreitas.

- Você não disse que não sabia de nada do que havia acontecido?

A grifinória chutou-se mentalmente. Por que tinha que ter uma amiga corvinal? Tudo bem que ela era esperta, mas os corvinais tinham qualquer coisa que, decididamente, não era normal.

- Ele apenas falou por alto que estava preocupado que você denunciasse o Sirius. Mas, como você bem deve se lembrar, estávamos em uma festa, e logo uma das detestáveis fãs dos Marotos, daquelas que só faltam aparecer segurando pompons, interrompeu a conversa e o levou para algum canto escuro. Ele não teve tempo para contar a história toda.

Ela terminou a história com uma autêntica careta de desagrado ao imaginar aquela cena transferida para a realidade. Marlene sorriu ao perceber os olhos da amiga nublarem-se, o que vinha acontecendo com certa freqüência nos últimos tempos quando ela estava falando de James Potter.

- Pode falar para o senhor monitor-chefe que o batedor dele está livre. Eu já esqueci o dia de ontem. Apaguei da minha mente.

Lily sorriu, aliviada.

- Bem, então, acho que te vejo no almoço, não? - ela perguntou, abrindo a porta.

- Na verdade, eu planejava passar o dia na biblioteca. Vou levar um lanche para lá e comer escondido da bibliotecária. - Marlene também aproximou-se da porta - Até a próxima, Lils.

- Até, Lene. - Lily despediu-se com um sorriso.


- Vamos lá, Remus, não deve ser tão difícil assim você me dizer... Quem é ela?

Remus suspirou, perguntando-se por que raios Sirius acordara com aquela idéia fixa na cabeça de que ele estava gostando de alguém.

- Sirius, não adianta, eu não vou deixar você sair me arranjando encontros pela escola! - Remus retorquiu, ajeitando a pequena pilha de livros junto ao peito, como se para se proteger da curiosidade do amigo.

O moreno revirou os olhos.

- Você não está de novo com aquele lenga-lenga de "nas minhas condições, eu não mereço ser feliz", não é? Moony, por Merlin, quantas vezes a gente tem que repetir que isso não tem nada a ver, que você tem que parar de ficar com esse negócio de se achar inferior e não sei mais o quê?

O outro meneou a cabeça.

- Você não seria capaz de entender, Sirius. Não há senso algum de responsabilidade nessa coisa que você carrega por detrás do focinho. Nem na sua, nem na do James, nem na do pobre Peter, por ir atrás das idéias malucas de vocês.

Sirius assentiu, entendiado, sabendo que Remus não lhe daria o braço a torcer. Não queria se cansar com aquela discussão de novo. Um dia, Remus enxergaria por si mesmo o que estava fazendo consigo mesmo. Observando o amigo de esguelha, ele notou a palidez que a cada dia se acentuava mais no rosto dele, assim com as olheiras fundas sob os olhos claros de Remus. Dali a dois dias seria lua cheia.

Os dois abandonaram o dormitório em silêncio. Ao entreouvir passos cada vez mais próximos, James ergueu-se novamente do sofá em que estava deitado e fitou as escadas do dormitório masculino com um olhar atento.

- Ah, aí está você, não Prongs? - Sirius indagou pulando os últimos degraus da escada e Remus agradeceu mentalmente por ele ter abandonado aquela cara emburrada e implorava para Merlin que ele não mencionasse esse caso para o Sr. Prongs Potter. - Madrugou hoje, foi?

James bocejou entediado.

- Lily Evans. - ele grunhiu levemente, desabando no sofá e soltando um longo suspiro.

- Sonhos conturbados? - Sirius exibiu um sorriso malicioso.

James sentiu a face ruborizar e estreitou os olhos para Sirius, que alargou o sorriso.

- Você acha que eu sou penso nisso, é? Não sou você. - ele ergueu o corpo se sentando com uma expressão inquisidora no rosto - E há algo que eu associo ao seu repentino sumiço antes do jogo à certas palavras ditas durante o sono...

Sirius apenas sorriu misteriosamente e, vendo que os amigos silenciaram, Remus decidiu aproveitar a deixa e sair de fininho antes que os dois entre no assunto "Moony e seus relacionamentos nunca amorosos". Tentou não pensar no que aquelas duas mentes juntas poderiam arquitetar contra ele se descobrissem quem era a garota que lhe tirava o sono.

- Mas de qualquer forma, esta noite eu não sonhei com ela. - disse James, levemente emburrado. - Mas pensar nela é motivo suficiente para me deixar sem sono. Pensar nela e no quanto "avançada" se encontra a nossa relação. Daqui a pouco, até mesmo uma lesma será mais rápida do que os avanços que eu tenho com a Lily. E olha que eu só tenho mais três meses! E eu tenho plena certeza de que, fora de Hogwarts, será muito mais fácil para ela fugir de mim...

- É, Prongs, devo... - Sirius parou de falar automaticamente e virou o olhar para o buraco do retrato. - Hey, Moony, para onde você pensa que está indo?

Remus suspirou resignadamente e rolou os olhos para cima, pedindo paciência e se perguntando o que ele fizera de errado para merecer um amigo como esse.

- Esses livros em minhas mãos lhe dizem alguma coisa? - ele rebateu, sarcástico.

- Hum... Ela freqüenta a biblioteca, é? - falou Sirius de modo quase debochado.

Moony sentiu-se com a face ruborizada e olhou para Padfoot com uma feição falsamente confusa.

- Não sei de quem você está falando.

- Podem me dizer o que está acontecendo? - James perguntou curiosamente, erguendo uma sobrancelha em sinal de reprovação. Odiava ficar "voando" nas conversas.

- A lobinha do Moony. - Sirius exibiu um sorriso satisfeito no que Remus meneou a cabeça, pedindo paciência.

- Você está vendo coisas onde elas não existem, Sirius.

- Ah, é? - ele exibiu um ar pomposo. - Veremos quem está mentindo aqui, Sr Remus "Moony" Lupin. Acho que não terá problema algum se eu te acompanhar até a biblioteca esta manhã, não é mesmo?

Remus conteu uma careta de indignação, enquanto praguejava contra Sirius silenciosamente e fazia uma nota mental de empurrá-lo escada abaixo na melhor das oportunidades. A gargalhada estridente de James foi ouvida, no que Remus resmungou baixinho.

- Incomodado, Remus? - James falou um pouco risonho. - Eu até acompanharia vocês mas... visto o estado deplorável em que me encontro, acho que o melhor que eu tenho a fazer é tentar dormir um pouco. Ah, e Pads, fique de olho nesse lobinho. Lembre-se que ele pode sair por aí atacando ovelhinhas inocentes.

Ainda em gargalhadas, James se levantou e sumiu pela escada que levava para o dormitório. Sirius voltou-se para Remus com uma expressão triunfante. Em resposta, Remus apenas ajeitou os livros nervosamente nos braços. E achou que era muito melhor jogar Sirius Black e aquele sorriso irritante dentro de um caldeirão fervente, para que assim, ele tivesse uma morte bem lenta e dolorosa.

- E então, vamos? - ele disse ainda exibindo o mesmo sorriso.

- E eu tenho outra escolha? - o outro resmungou em resposta.

- Ah, qual é, Moony! Eu não seria tão insistente se você abrisse essa boca e dissesse o nome da sua garota.

- Se eu dissesse que "a garota" é você, você calava a boca e me deixava em paz?

Remus voltou-se para Sirius com um olhar fuzilante, no que o segundo apenas olhou-o assustado.

- Você está brincando, não é, Moony?

- Interprete como quiser. - ele resmungou aborrecido.

Remus apressou o passo, pisando duro. Sirius ergueu a sobrancelha e sorriu amarelo. Realmente, Remus não estava nada, nada satisfeito com a ida dele para a biblioteca. Mas, mesmo assim, ele não pode exibir um ar triunfante. Pela "Fúria do Lobo" ele tinha plena certeza de que a "Sra. Lupin" estaria naquela biblioteca.