Feriado. Pessoas viajando. Silver passa correndo para atualizar fic. BB dá tchauzinho de dentro dos bastidores. Lisa não compareceu à reunião semanal - provavelmente não tem uma conexão por perto. N/a's voltarão ao normal no próximo capítulo. Enjoy this e, não se esqueçam...

REVIEWS!

Agradecimentos a todos que nos acompanham.

Ah e, antes que me esqueça... Chaser significa artilheiro.


Capítulo 05: Despedidas


A porta do dormitório feminino da Corvinal se abriu num forte rangido, no que uma morena entrou por ela bufando, irritada. Ignorando Emmeline, que fitava um pergaminho atentamente, deitada de bruços na sua cama, Marlene desabou pesadamente na sua e respirou profundamente, fitando o teto com um ar emburrado.

- Pela sua cara, nem preciso perguntar se aconteceu alguma coisa. – Emmeline comentou calmamente, tirando a pena de açúcar dos lábios e girando-a entre os dedos, correndo o olhar pelo pergaminho, contudo sem dar muita importância a ele. – E não preciso ter muito trabalho para saber que tem homem nessa história... – ela sorriu pelo canto dos lábios. – E penso menos ainda para deduzir que seja...

- O Black. – resmungou Marlene. – Quem mais poderia ser?

Emmeline apenas riu em resposta, enquanto enrolava o pergaminho calmamente entre suas mãos. Colocando a pena e o pergaminho em cima da cama, a loira virou-se de lado, sustentando o corpo com um dos cotovelos, a fim de fitar a amiga de forma mais ampla.

- Ria, pode rir... – a morena continuou, sentando-se na cama e exibindo uma feição contrariada.– A senhorita ri porque não é com você. Como se não bastasse ter que aturar um Black, acabei descobrindo pela Maggie que a criatura tem um irmão e o mesmo está a perseguir a minha irmã. Se um Black já é demais para minha pobre alma, imagine ter que aturar dois... – ela falou num tom levemente desesperado.

- Marlene...

– Merlin, Merlin querido... – ela juntou as mãos e completou num tom suplicante, olhando para cima num ar solene. – Seria pedir muito que o senhor me livrasse desse carma? Eu sei que eu cheguei a reclamar que tinha uma vida um tanto quanto monótona, mas você tinha justo que me mandar uma praga feito aquela...?

Sem mais se conter, Emmeline gargalhou gostosamente, tacando um travesseiro no ombro da amiga.

- Deixa de drama, Lene. – a loira comentou ainda um tanto quanto risonha. – O que foi que aconteceu dessa vez?

- O Black se lembrar sempre que eu existo? – ela indagou aborrecida. – Céus, era tão bom viver em paz, quieta no meu canto, antes do Black ter notado a minha existência...

- E... – Emmeline entoou olhando-a de forma penetrante.

Marlene sentiu a face ruborizar e levantou-se da cama de modo quase estratégico e andou até o seu malão, revirando-o de forma desinteressada.

- E mais nada. – ela falou num murmúrio, sentindo-se mais envergonhada ao lembrar-se do fato dele provavelmente tê-la visto em situação... constrangedora.

- Se eu não te conhecesse como eu te conheço, diria que você estava falando a verdade. – Emmeline colocou os pés para fora da cama e cruzou os braços, ao mesmo tempo em que Marlene fechava o malão. – Então...

Marlene bufou de raiva e sentou-se em cima do malão de maneira um tanto quanto frustrada. Às vezes, ela gostaria de não ter amigas tão observadoras.

-É que... – a morena suspirou, voltando o olhar para Emmeline de modo quase relutante. – As perseguições dele me aborrecem. – ela completou calmamente.

Emmeline soltou um murmúrio aborrecido e, usando as mãos como apoio, levantou-se graciosamente da cama.

- Gira, gira, gira e não sai do lugar... – ela comentou num tom impaciente, enquanto caminhava em direção à morena. – Eu sei muito bem que as perseguições do Black estão te aborrecendo, Lene.– ela completou, ajoelhando-se em frente à amiga e sorrindo. – Mas eu sei que ainda há algo por trás disso. Ele te fez alguma coisa, não é mesmo?

Marlene suspirou derrotada e mordeu o lábio inferior, encarando a amiga de modo firme.

- É que a Lily falou que, provavelmente, o Black não deva desistir de mim assim tão fácil... – ela tremeu involuntariamente. – E eu não gosto nada, nada de imaginar o que mais aquele louco pretende fazer até que tenha o seu desejo atendido...

O olhar de Emmeline se tornou um pouco surpreso.

- Você acha que ele pode tentar... te ter à força? – Emmeline respondeu um tanto quanto pálida.

Em resposta, Marlene corou furiosamente.

- Também não exagera, Em! – ela resmungou. – Não acho que o Black chegue a isso.

- Pelo que conheço da maneira de ser dele, não duvido que muitas "namoradas" que ele teve, já tenham chegado a isso com ele. – Emmeline soltou um longo suspiro. – É muito difícil entender o que se passa na cabeça dos homens, Lene. Principalmente quando ele é um maroto. – ela completou num ar pensativo, sua mente vagando até um certo rapaz de cabelos claros e seus lábios se abriram num sorriso.

Marlene observou Emmeline com um olhar meio enviesado, tentando reprimir uma careta de desagrado em resposta à afirmação dela e àquele olhar extremamente brilhante que ela esboçava... sabia perfeitamente que, quando isso ocorria, a loira estava planejando algo.

- Não seria mais um de seus futuros casórios, não é mesmo? – Marlene indagou para a amiga num tom meio receoso.

- Hã? – Emmeline voltou-se para ela, ainda exibindo um meio sorriso.

- Esquece. – a morena resmungou em resposta, abanando a mão em sinal de descaso.

- Você não está nada satisfeita com as perseguições do Black, não é mesmo?

- Claro que não! – Marlene falou com a voz meio alterada. – O Black é um idiota, é um imbecil, é um prepotente, é um insuportável... Quando ele chega para mim sorrindo daquela forma irritante e superior, eu sinto ganas de pular no pescoço dele e sufocá-lo até a morte. E, se você se lembra bem, Line. Ele quase me matou! Ele fez isso de propósito! – ela resmungou. – Só por que eu... – a voz da morena morreu e ela engoliu em seco.

- Você...

Marlene tornou a ruborizar e encarou Emmeline meio de soslaio.

- Não aceitei... ir para a festa... da vitória da Grifinória... ontem... – ela falou pausadamente, lembrando-se da conversa que tivera com a Lily pela manhã. – E ele me pediu isso antes do jogo começar. – ela ficou mais vermelha – Aquele idiota já contava vitória antes do jogo e hoje ainda teve a audácia de me dizer que eu havia perdido uma ótima festa ontem.

- O Black é muito egocêntrico. – comentou Emmeline, lembrando-se de um certo garoto tímido que era totalmente oposto a ele.

- Egocêntrico é pouco para ele! O Black se acha um deus no meio dos mortais e todas as garotas, suas fiéis súditas... As odaliscas do seu harém particular. – ela revirou os olhos. – Idiota.

Emmeline apenas prendeu o riso.

- Devo interpretar esse riso como um: "Quer que eu arranje um namorado perfeito para você?" – Marlene perguntou, arqueando a sobrancelha.

- Não sei... – Emmeline comentou sem muita importância, se preocupando em olhar as unhas. – Talvez sim, talvez não.

Marlene revirou os olhos e recostou-se na cama, exibindo um ar contrariado.

- Odeio quando você faz isso.

- Eu não estou fazendo nada. – ela comentou, ainda olhando para a mão.

- Line! – repreendeu Marlene. – Olha, eu já vou para Hogsmeade com Fabian. Não tente fazer absolutamente nada.

Emmeline apenas encarou a amiga com o meio sorriso nos lábios.

- E quem disse que eu ia fazer alguma coisa? – ela indagou, enquanto tentava imaginar como seria Fabian e Marlene juntos... mas pensava firmemente que esses dois não teriam muito sucesso, eles não ficavam bem juntos. Já ela e um certo garoto de cabelos claros...

- Eu bem que te conheço Emmeline Vance...

A amiga riu fracamente em resposta e, dando uma olhada rápida no relógio, se levantou.

- Bom, preciso ir. – ela disse ainda com um ar risonho, se dirigindo para a porta do dormitório.

-Ir? – Marlene disse surpresa. – Para onde?

Emmeline parou com a mão na maçaneta e voltou-se para a amiga com um sorriso.

- Não se preocupe, Lene, não vou sair por aí de dormitório em dormitório à caça de maridos para você. – ela comentou, piscando o olho. – Vou dar apenas uma volta...

- Sei... – Marlene ergueu uma sobrancelha desconfiada. – Já é a segunda volta que a senhorita dá em dois dias. Será que alguém finalmente conseguiu laçar o coração da "santa casamenteira"?

Emmeline gargalhou gostosamente.

- Deixa de besteiras, Lene. – ela ajeitou os cabelos calmamente. – Mas, para você não ficar aí se roendo de curiosidade, eu só vou ver... um garoto.

- O Lupin? – Marlene indagou de imediato.

- Quem sabe... – ela disse num ar de mistério, enquanto abria porta e passava por ela, deixando uma Marlene extremamente desconfiada e curiosa para trás.

Ignorando os olhares curiosos de alguns amigos setimanistas, que desviaram a atenção dos seus inseparáveis livros para observar quem estava descendo do dormitório feminino para a sala comunal, Emmeline suspirou calmamente e se dirigiu à armadura que guardava a entrada da torre.

Empurrando-a calmamente, e não se dando ao trabalho de responder a um curioso para onde ela estava indo àquela hora, – e rezando para ele não ser um monitor e delatá-la a Flitwick – ela começou a caminhar a passos silenciosos pelos corredores do sétimo andar e, percorrendo o mesmo caminho que percorrera na noite anterior, não demorou muito para avistar um garoto de cabelos claros, sentado num parapeito, fitando o céu através da janela com um ar meio melancólico.

Em meio ao silêncio e ao breu do corredor, um garoto de cabelos claros, sentado no parapeito de uma das janelas, fitava a lua quase cheia brilhando majestosamente no céu. Remus abraçou os próprios joelhos, já começando a sentir a melancolia e fraqueza que se alastrava em seu ser com a aproximação inevitável da próxima fase da lua.

Sua face pálida e de profundas olheiras, entrava em uma quase harmonia com sua feição soturna enquanto seus olhos vidrados continuavam a encarar a lua, como se a mesma o hipnotizasse. Estava tão absorto em seus próprios pensamentos, que nem escutara o ruído abafado de passos que começava a ecoar por aquele corredor.

Um leve sobressalto acometeu Remus quando ele ouviu um pigarreio e, olhou para trás, encontrando Emmeline recostada à parede, com os braços cruzados e um sorriso a brincar em seus lábios.

- Sabe... – ela disse docemente. – Às vezes gostaria de saber no que você tanto pensa...

Moony sorriu timidamente, sentindo-se um pouco quente, e voltou o olhar para a lua, deixando escapar um longo suspiro.

- É da minha natureza viver a fitar o céu... Ele sempre me fascinou... – ele tornou a encará-la. – Achei que você não mais viria...

Ela riu fracamente e o fitou com uma sobrancelha erguida.

- E você acha que eu te deixaria aqui sozinho?

- Eu... – ele pigarreou levemente, tornando a fitar o céu através da janela. – Acho que não. Mas... Talvez você tivesse coisas para fazer e não pudesse vir. – ele deu de ombros. – Não sei... Eu... – ele silenciou e engoliu em seco ao sentir algo extremamente quente recostado à sua perna, ignorando o arrepio que percorreu sua espinha ao perceber que as costas da sua mão estavam rentes à cintura dela. – Não sei. – ele completou com uma voz rouca e se calou.

Emmeline soltou um fraco riso e descansou o braço no joelho dele, de modo quase displicente. Remus não pôde deixar de morder o lábio inferior em sinal de nervosismo ao sentir o corpo dela mais perto do seu.

Tentou esquecer o fato de que a sua chaleira estava à ativa novamente.

- Tudo bem. – ela disse calmamente. – Mas, e então... – ela completou alegremente. – O que você queria falar comigo.

- Me desculpar... hum... pessoalmente. – ele começou, rouco. – Eu queria me desculpar por não ter estudado com você hoje. – ele estreitou os olhos para o céu, rezando para que ela não visse o quão ruborizado ele se encontrava... O que ele achou que seria humanamente impossível, já que ela estava tão... perigosamente perto. – É que... bem... eu prometi que iríamos... que eu te diria algumas dicas sobre como não se atrapalhar... com Herbologia. E... – ele tornou a se calar.

- Eu já disse, Remus. – ela falou calmamente. – Não teve problema algum. Não se preocupe com isso. Você me ensina outro dia. – ela sorriu fracamente. – E... Eu sei que você acabou de me confessar que é fascinado pelo céu. Mas eu acho que não seja muito sacrifício para você olhar de vez em quando para mim, não é mesmo? Sabe, eu fico meio incomodada com isso e acabo achando que você está a me deixar falando sozinha.

Emmeline percebeu, com um ar meio curioso, a face de Remus variar de ruborizada para extremamente pálida, enquanto seus olhos se arregalaram levemente.

- D-d-desculpe. – ele gaguejou, para logo depois voltar o olhar calmamente para ela. Emmeline sorriu de forma amável para ele e Remus tentou ignorar os pensamentos que agora lhe invadiam a mente. Muito perto...

- Assim está melhor. – ela falou entusiasmada.

Remus apenas mordeu o lábio inferior com força... A proximidade dos dois o fazia ter idéias, que jamais passariam de idéias... Já que ele jamais teria a devida coragem digna de um Grifinório para pô-las em prática...

- Essa posição... – ele disse num murmúrio, sentindo o rosto corar. – Digo... Você não está... desconfortável? – ele indagou de uma forma meio entoada e receosa. Uma vozinha urrou furiosa na sua mente, desejando de forma quase suplicante que aquela posição fosse completamente confortável para ela e que ela não saísse nem tão cedo dali.

- Se você estiver incomodado... – ela fez menção de sair, no que Remus, num impulso quase involuntário - ainda seguindo aquela vozinha em sua mente – segurou o braço dela firmemente.

Emmeline apenas o encarou surpresa, no que Remus teve plena certeza de que seu rosto adquirira todos os tons vermelhos existentes no universo.

A chaleira fervia enfurecida dentro de si.

- É... – ele falou num fio de voz, soltando o braço dela calmamente, enquanto xingava-se internamente de todos os nomes que conhecia...

Por que raios ele tinha que ser tão idiota, tímido e quase patético na frente dela? Remus tentou ignorar a vozinha irritante que bradou "Porque você a ama, seu idiota!" e em resposta, suspirou profundamente.

- Remus...? – ela o chamou calmamente, ao ver que ele estava num quase estado de transe.

- S-senta. – ele tornou a gaguejar, colocando os pés para fora do parapeito, dando assim espaço para ela ficar sentada ao seu lado. – Deve estar... cansada.

- Tudo bem... – ela rapidamente sentou-se ao lado de Remus de modo gracioso. – Obrigada.

Remus sentiu o calor do corpo da loira junto ao seu e repreendeu-se mentalmente por ter feito uma burrada daquelas. Afinal, Emmeline Vance se encontrava mais perto ainda... e aqueles pensamentos anteriores voltaram com mais intensidade e mais insistência. Soltou um longo e tremido suspiro. Mas do que nunca desejava que não fosse tão tímido...

- Quer dizer que o Black resolveu ser seu cão de guarda? – ela disse num tom brincalhão. – Eu percebi que você estava meio aborrecido com isso...

- E-estava? – ele se fez de desentendido, encarando-a meio de soslaio, sentindo ganas de jogar aquela maldita "chaleira" no fundo do Ártico. – Eu não percebi...

- Remus... Você acha que me engana? – ela disse com uma sobrancelha erguida. – Eu te conheço bem o bastante. E, às vezes, você acaba não conseguindo esconder a sua irritação...

Remus exibiu um sorriso em parte constrangido.

- É que o Sirius, de vez em quando, costuma torrar minha paciência... Principalmente quando diz respeito à "Atrapalhe os estudos do Remus até que ele tenha vontade de te jogar aos dragões". – ele resmungou emburrado.

Emmeline gargalhou gostosamente e encarou Remus com um ar ainda divertido.

- Só gostaria de descobrir onde é que você encontraria dragões em Hogwarts, para jogar o Black entre eles. – ela disse sufocando um novo riso. – Até que a Lene gostaria de assistir a esse feito.

- É... acho que ela gostaria. – ele respondeu num murmúrio.

- Hum... – Emmeline comentou calmamente. – Você ainda se encontra confuso em relação aos seus sentimentos?

Emmeline observou Remus empalidecer depois corar furiosamente, desviando o olhar dela quase que de modo automático.

- A-acho que sim. – ele respondeu num murmúrio. – Mas... – ele continuou num tom rouco. – Acho que é só amizade mesmo... Sabe... – ele corou mais ainda. – Eu nunca cheguei a me apaixonar... Por ninguém. Posso simplesmente estar confundindo estima com amor.

Emmeline apenas sorriu fracamente e tocou no ombro de Remus num gesto afetuoso.

- Você é jovem, Remus... – ela disse calmamente. – Acho que você deveria aproveitar um pouco as "coisas boas da vida" enquanto há tempo. E, do mesmo modo, você deve partir em busca. Não deve simplesmente viver a espera do amor chegar...

Ele apenas deu de ombros e suspirou em resposta, sentindo o corpo quente por causa da mão dela sobre o seu ombro. De nada adiantaria se ele fosse atrás do amor, como a Emmeline dissera... Ele já o encontrara, mas sabia que jamais ia tê-lo. Afinal, quem se interessaria por um garoto feito ele? Como ela chegaria um dia a se interessar por um garoto feito ele?

Magro, desleixado, constantemente pálido e com olheiras no rosto, cabelo escorrido e sem graça. Um idiota completo, um atrapalhado, uma pessoa que não conseguia falar duas frases sem corar no meio delas... E, além dessas "grandes qualidades" que ele possuía, certamente ele deveria comentar que havia o fato que acabava de vez com qualquer idéia insana de relacionamento que sua mente lhe permitia imaginar: afinal, ele era um lobisomem.

Por vários momentos, pensava que, talvez, poderia dar certo entre eles... Mas, agora, vendo-a ao seu lado, ele sabia que não estava nem aos pés de merecê-la. Afinal, Emmeline Vance era alguém que ele jamais conseguiria ser. Afinal, ela era maravilhosa. Afinal, ela era linda. Afinal, ela era inteligente. Afinal, ela era amorosa.

Afinal, ela jamais se apaixonaria por ele, principalmente se descobrisse toda a verdade sobre sua condição. E a coisa que ele menos gostaria de ver era aqueles olhos negros e brilhantes encarando-o com asco e fúria. Ele poderia suportar o preconceito de todos os outros, mas jamais o que poderia vir dela.

Talvez, a melhor coisa que ele deveria fazer era se afastar dela o mais breve possível, para assim, não se iludir ou - o estômago de Remus se contorceu ao pensar nisso –antes que ela descobrisse mais sobre ele do que ele gostaria. Remus sabia que "felicidade" seria uma palavra que ele nunca alcançaria por completo. Afinal, estava fadado a viver rodeado pela sombra do preconceito.

Emmeline percebeu a face de Remus tornar-se mais sombria e apenas fitou-o com um olhar surpreso. Sentiu o peito contrair-se levemente e suspirou. Quais seriam os segredos que aquele garoto guardava e que lhe faziam sofrer tanto? O que era aquela tristeza expressa em seus olhos claros, e que os deixava completamente enevoados?

- Remus...? – ela o chamou docemente, apertando o ombro dele de modo gentil. Algo dizia a ela que a constante tristeza no olhar dele estava significativamente relacionada aos seus desaparecimentos misteriosos uma vez a cada mês que passava.

Mas, o fato que mais a intrigava era que, ao retornar, Remus Lupin voltava com uma aparência tão pálida quanto a que ela via em sua face no dia anterior a sua partida. Aparência esta que se encontrava em sua face naquele exato momento. Com um suspiro, Emmeline pensou que o sumiço dele estaria próximo novamente. Talvez até mesmo amanhã...

Os boatos que rolavam quanto a isso eram os dos mais variados. E, como ela era uma corvinal, achava que não poderia saber tanta coisa sobre esses "sumiços" quanto saberia se ela fosse uma grifinória. E isso, constantemente, irritava-a profundamente por saber que, mesmo sendo amigos, ele muitas vezes escondia o motivo para ela... Pelo menos, o motivo que ela desconfiava ser o verdadeiro.

Seu senso de corvinal lhe dizia que aquilo tudo era muito estranho... Mas, o fato é que no mês passado ela ouvira a notícia de que a mãe dele havia caído doente... O que seria esse mês?

-Sim...? – ele indagou, sua voz soando etérea, como se ainda estivesse imerso em seus pensamentos.

- Aconteceu algo de errado? – ela indagou preocupada.

Remus soltou um longo suspiro e passou a mão pelos cabelos, recostando as costas na janela fechada.

- Dumbledore me falou... – ele começou baixinho. – Que minha mãe piorou novamente...

Emmeline sorriu de forma triste. Mais cedo ou mais tarde, ela sabia que isso aconteceria...

- E você já sabe o que ela tem?

- Gripe de dragão. – ele falou seriamente.

Emmeline soltou uma exclamação surpresa. Mesmo não sendo uma doença muito grave, ainda havia índices de morte se não tratada com o devido cuidado.

- Ela está muito mal? – ela perguntou, sentindo a preocupação aumentar, esquecendo-se de que, há pouco, pensara que isso poderia ser alguma mentira para esconder algo mais grave...

- Não faço a mínima idéia. – ele suspirou profundamente. – Mas, creio que, como meu pai me chamou para ir para lá... A situação não deve ser das melhores. – ele comentou, evitando encará-la.

Era nessas horas que ele se sentia a pior pessoa do mundo, tendo que mentir daquela maneira, principalmente para ela.

- Eu sinto muito, Remus... – ela procurou a mão dele e entrelaçou a sua, fazendo Remus corar furiosamente. – Espero que a sua mãe se recupere logo...

- Obrigado. – ele falou com a voz um pouco falha.

- Suponho... que você vá sair amanhã? – ela indagou docemente.

- Sim... Acho que logo cedo. – ele deu de ombros. – Não sei ao certo ainda. Vai depender de Dumbledore. – ele olhava firmemente para sua mão entrelaçada à dela.

- E você volta que dia? – Emmeline indagou com uma sobrancelha erguida.-Você vai para Hogsmeade, se voltar a tempo? – ela disse calmamente.

Remus sentiu a face corar furiosamente e apenas sorriu timidamente em resposta.

-Eu gostaria que você me acompanhasse desta vez... Se você quiser, é claro.– ela disse piscando o olho, fazendo-o corar mais ainda, no que ela riu um pouco. – Não esqueci do que eu te prometi ontem à noite.

Remus exibiu um ar meio risonho, meio constrangido...

- Boa noite, Remus. – ela disse abraçando-o fortemente, fazendo o maroto ferver. A velha e inseparável chaleira...

- B-boa noite... Line. – ele balbuciou em resposta.

A loira deu um beijo no rosto dele e se afastou, esboçando um último sorriso para o rapaz, antes de virar-se e sumir pelo corredor. Remus exibiu um sorriso radiante e soltou um longo suspiro. Eles deviam se encontrar assim mais vezes...


- Onde eles podem ter se metido afinal? - Lily bufou, descendo as escadarias que levavam à torre da Grifinória - Eles não podem ter simplesmente sumido!

Já percorrera praticamente todos os lugares possíveis em que poderia encontrar os marotos àquela hora, mas aparentemente, eles tinham se evaporado. A última vez que falara com um deles, mais especificamente, com James Potter, tinha sido no domingo de manhã, antes de ir para o seu reforço com Marlene.

Era precisamente sobre sua conversa com Marlene que Lily queria falar com eles. Mas, até agora, não tivera oportunidade para tanto. Durante o resto do dia anterior, ela estivera muito ocupada com seus próprios estudos. Recolhera-se tarde para o seu quarto de monitora-chefe e James não estava lá - fora dormir na torre, com os amigos. Segunda-feira, acordara cedo, tomara café antes da maior parte dos alunos aparecer e marchara para as aulas do dia.

O único horário de aula que coincidira entre ela e os marotos tinha sido Defesa Contra as Artes das Trevas. À exceção de Peter, todos eles queriam carreiras ligadas a essa área: Sirius e James estavam estudando para os testes da Academia de Aurores e Remus queria se especializar em DCAT. Ela, por sua vez, estava matriculada em quase todos os cursos de magia avançada.

Ao final das contas, ser aceita entre os Inomináveis era bem mais difícil até do que ela imaginava...

Meneou a cabeça, tentando não se deixar dominar pela curiosidade que sempre sentia quando pensava nas portas cerradas do Departamento de Mistérios.

Em todo caso, durante a aula, ela não pudera conversar com eles e, quando o sino soou para anunciar o encerramento das aulas do dia, James e Sirius tinham saído praticamente arrastando Remus com eles. E, depois, simplesmente sumido.

Ela não era tola. Era uma terceiranista quando percebera a verdade sobre os desaparecimentos de Remus. O último assunto que tinham estudado naquele ano fora, justamente, licantropia, e ela jamais esqueceria as feições do amigo enquanto o professor discorria sobre as maneiras de se defender e, se necessário, de matar lobisomens.

Lily mantivera silêncio sobre sua descoberta e em nada modificara sua maneira de ser com o rapaz. Aliás, Remus sequer desconfiava de que ela sabia seu segredo.

Entretanto, ainda havia uma coisa que ela não conseguia entender. Por que os outros marotos também sumiam com Remus nas noites de lua cheia?

Deixando o material que levava em seu quarto, ela tirou algumas roupas e toalhas do armário, encaminhando-se para passagem que ligava o dormitório diretamente com o banheiro dos monitores. A banheira estava parcialmente cheia, o que significava que não fazia muito tempo que alguém a usara.

Como estava um tanto ansiosa, ela preferiu o chuveiro. Enfiou-se debaixo da água fria, fechando os olhos ao sentir os pingos grossos escorrerem por seu corpo, encharcando o cabelo ruivo. Conhecendo os marotos de outras luas cheias, até o final de semana, eles estariam nas aulas feito zumbis, com profundas olheiras e cansados demais para prestar atenção em qualquer coisa que ela lhes quisesse falar.

Seria melhor, então, deixar para falar com James no final de semana. No sábado eles teriam visita a Hogsmeade e, como ainda tinham que acertar alguns problemas da monitoria, ela poderia pedir para acompanhá-los. Assim, durante o resto da semana, ela se dedicaria aos seus trabalhos e aos trabalhos que seu cargo exigiam que ela fizesse.

Ela deu um breve sorriso, antecipando o sábado seguinte, mas meneou a cabeça em seguida para espantar os incômodos pensamentos que vieram somar-se as suas preocupações.

- James Potter... - Lily resmungou, encostando a cabeça à parede - Sempre James Potter... Você nunca vai parar de me perseguir, não é?