Lisa - A nossa chefe resolveu sumir do mapa essa semana e não compareceu nem ontem e nem hoje à nossa reunião. / tudo bem que a nossa reunião seria ontem, mas, bem, vocês entenderam... / Creio que seja vingança pelo meu não comparecimento semana passada. Huahahahaha. Mas é que eu acabei resolvendo viajar de última hora e não deu para avisar para ninguém o fato...Y . Y /

Belle: De qualquer maneira, vamos postar a fic assim, mesmo

Lisa - Creio que não deva ter muitas perguntas a serem respondidas. Acho que estão mais reclamando devido a falta de James/Lily na fic... / se esconde / Isso é com a Lulu, mas não se preocupem, eles terão mais destaques ao longo da fic / não me perguntem onde nem quando... kkkkkk /. Quanto ao fato da Emmeline não perceber que o Remus gosta dela, é o fato dela considera-lo tão amigo que não "enxerga" essa possibilidade.

Belle: Quanto ao S/M é puro sadismo mesmo, então... enjoy it kids


Capítulo 06: Lua cheia

- Por que raios eu tenho que ir sempre te acompanhando com essa capa, James? - falou Sirius num resmungo, enquanto eles atravessavam o saguão de entrada. - Ela está ficando cada vez mais apertada e visto que sua forma animaga é um veadinho, acho que isso pode subir pela sua cabeça e te dar idéias...

James apenas olhou para Sirius de soslaio e o fuzilou com o olhar, ao mesmo tempo em que ouvia uns guinchos que ele sabia perfeitamente que eram os risos de Peter.

- Eu sei que você não gosta muito de usar o cérebro, Sirius. Mas eu não acho nem um pouco viável um cachorro sair de dentro do castelo, sendo que esse tipo de animal não é permitido em Hogwarts. E é CERVO. Quantas vezes eu preciso dizer, hein?

- Num tempo frio como esse, eu não acho que as pessoas queiram ficar olhando para a janela, eles têm muitas coisas melhores para fazer, não é mesmo? - ele exibiu um sorriso maroto.

-Nem todos são pervertidos como você, Sirius Black. - ele disse emburrado. - E quer calar a boca? Daqui a pouco alguém nos descobre.

- Ok! Você quem manda. - disse ele observando James abrir os portões de carvalho cautelosamente.

Lá fora, a lua brilhava esplendorosamente sobre o lago. Uma brisa quente soprou, fazendo a capa enfurnar de leve. James e Sirius pararam por alguns instantes, ouvindo apenas os sons de suas respirações, esperando que alguém aparecesse. Mas ninguém tinha visto o pouco que a capa permitira mostrar por alguns breves instantes.

James ergueu a cabeça, observando o céu claro. Antes de chegar a Hogwarts e conhecer Remus, ele considerava as noites de lua cheia como as mais belas das noites. A partir do segundo ano, ele sempre associava o disco prateado com a dor do amigo e a detestava por isso. Por fim, com a vitória deles na animagia, a chegada dela era sempre ansiosamente aguardada pelos marotos, muito embora subsistisse uma certa melancolia.

- Prongs, será que você pode acordar dos seus devaneios? - a voz de Sirius veio quebrar a contemplação do moreno - Remus está nos esperando.

- Pads, não enche. - ele resmungou de novo.

Os dois recomeçaram a caminhar, chegando até o limiar de alcance do Salgueiro Lutador. Quando ultrapassassem aquele ponto, a árvore imediatamente começaria a tentar atacá-los. Com cuidado, James tirou Wormtail do bolso, fazendo-o escorregar para o chão.

- Faça seu trabalho agora, Peter. – James disse num sorriso.

O rato guinchou em resposta e os dois rapazes observaram a silhueta do ratinho sumir por entre o gramado, correndo em direção ao salgueiro, desviando dos seus galhos numa agilidade surpreendente. Alguns minutos depois de decorrida aquela cena, o som das batidas violentas dos galhos da árvore no chão dava lugar ao cricrilar dos grilos e o som suave do farfalhar das árvores e o ranger dos seus galhos.

- Prongs? – Sirius o chamou novamente no que ele desviou o olhar para encarar Sirius.

- Não tem ninguém nas janelas. – ele soltou um muxoxo quando Sirius o olhou como quem dizia "Não falei?"

James e Sirius se entreolharam com seus peculiares sorrisos marotos. E, alguns segundos depois um cervo e um cachorro dava lugar aos dois rapazes.

Prongs sentiu um peso adicional sobre uma de suas galhas e voltou o olhar para cima, percebendo então que ela não estava ali. Um latido contínuo foi ouvido e o cervo bramiu, indignado, balançando a cabeça levemente a fim de tirar a capa, que ficara grudada em seus chifres. Por que raios ele tinha que ter esquecido desse pequeno detalhe?

Ele observou Padfoot aproximar dele com os olhos azuis extremamente brilhantes e revirou os olhos em resposta. Que espécie de amigo ele tinha...

Sua cabeça pendeu para o lado de modo quase brusco e ele percebeu que Pads puxava a capa levemente. Prongs então abaixou a cabeça o máximo que pôde e pode entreouvir os guinchos nervosos de Wormtail se aproximando lentamente deles.

Finalmente livre da capa, Prongs observou seus amigos e começou a caminhar lentamente em direção ao salgueiro, tentando ignorar o fato do rabo de Pads estar abanando rapidamente e de que seus olhos ainda brilhavam da mesma maneira, enquanto caminhava alegremente com a capa de invisibilidade na boca. Certamente, ela ficaria – se não já estava- completamente babada.

Ele deslizou pelo alçapão, deixando seus olhos se acostumarem pouco a pouco com a escuridão da passagem antes de seguir em frente, sentindo o cheiro de Padfoot e Wormtail pouco atrás dele. Os três seguiram quase silenciosamente pelo já conhecido caminho, parando apenas diante da portinhola de metal que separava o corredor de terra da Casa dos Gritos.

Com cuidado, ele abaixou o focinho, correndo com os dentes pequenos o fecho do portão. E, com um passo firme, avançou para a penumbra.

Eles não demoraram a encontrar Moony. O lobisomem estava enrodilhado na perna de uma mesa, dando voltas em torno de si mesmo, tentando abocanhar o próprio rabo. Ao perceber a presença dos amigos, ele rapidamente deixou sua pequena diversão, saudando-os com um longo uivo.

Quase que automaticamente, Padfoot acompanhou Moony com o uivo e ele o seguiu com um bramido, seguido de Wormtail que guinchou timidamente. Se James estivesse na forma humana certamente sorriria ao perceber os avanços que obtiveram por acompanhar Moony em suas transformações. Agora, vendo Pads e Moony correndo um atrás do outro, poderia confundir o licantropo com um cachorro desenvolvido.

Foi despertado dos seus pensamentos ao sentir uma leve cabeçada dada por um dos dois amigos. Olhando ao redor com os olhos estreitos, ele tornou a ouvir os latidos contínuos que sempre imaginava ser o riso de Pads.

Depois sentiu outra cabeçada do outro lado e bramiu de modo quase irritado. Certamente, os dois combinaram dele ser o alvo dessa vez. E, mal se deixou pensar que o próximo a atacar seria Wormtail, quando sentiu um peso adicional na ponta do seu rabo e virou a cara, levantando-o levemente, entreouvindo os guinchos do ratinho.

Podia divisar dois pares de olhos, cada um de um lado seu, brilhar intensamente no breu dos cantos da casa. Podia escutar o ruído quase inaudível dos passos dos amigos e a respiração calma de ambos.

Os olhos castanho-esverdeados do cervo exibiu um brilho divertido quando ele percebeu que eles se aproximavam sorrateiramente, se preparando para o futuro ataque...

Um baque surdo de duas cabeças se chocando foi se sobrepôs aos sons dos cascos de Prongs trotando no chão de pedra. O cervo bramiu de forma constante e, ainda sentindo-se um pouco zonzos, Padfoot e Moony entreolharam-se antes de encararem Prongs, que ainda tinha Wormtail pendurado em seu rabo.

O som de rosnados foram ouvidos, no que o cervo automaticamente silenciou. Ele e o rato se entreolharam cautelosamente, com os olhos extremamente arregalados. Estavam encrencados.

Prongs começou a correr, sendo seguido por dois "predadores" que latiam ou uivavam quase de modo enfurecido, enquanto Wormtail guinchava, tentando se manter preso ao rabo do cervo, que balançava violentamente.

Eles tinham plena certeza de que aquela noite ia ser longa.


Magdalene andava a passos rápidos pelo corredor que levava às masmorras. Ela tinha aula de Poções e aquele era o último lugar de todo o castelo em que ela gostaria de se demorar muito. E menos ainda quando tinha que cruzar com o grupo de sonserinos que naquele momento vinha em sua direção.

- Olha só... Uma corvinal apressada. - um deles disse, quase como se comentasse que o tempo estava muito frio e eles devessem esquentar.

- Qual é a pressa? - um outro perguntou, bloqueando a passagem dela.

Ela parou, sem responder.

- Ei, Reggie, é a McKinnon mais nova. - um terceiro se manifestou. O olhar de Maggie inconscientemente correu para o garoto com o qual este havia falado.

Ele era um pouco maior que os outros e bem mais magro. A palidez natural de seu rosto poderia fazer com que ele se destacasse ali se quisesse e, de certa forma, se destacava. Ele chamava muito mais a atenção da garota que qualquer outro dos seus amigos. Regulus encarou-a por uns instantes e ela sentiu um calafrio. Os olhos dele eram realmente brilhantes.

- O que eu tenho com isso? - ele perguntou numa voz imparcial.

- Seu irmão quase matou a irmã dela no quadribol. - o mais alto dos sonserinos observou, rindo.

Os olhos azuis e brilhantes de Regulus Black se apertaram, sem desviarem dos dela.

- Continua não sendo grande coisa. Mas, pode ser que... - o moreno respondeu, sem deixar transparecer qualquer emoção.

Magdalene sentiu as mãos fecharem-se, mas ela não respondeu. Os outros rapazes agora pareciam muito animados, e, embora ela não fizesse menção de fugir, dois deles agora bloqueavam seu caminho.

- O que você tem em mente, Reg? - ela ouviu um dos que a bloqueava perguntar, com um sorriso atravessado.

Um sorriso de lado cruzou a face do mais novo dos Black.

- Deixá-la parada e morrendo de medo. - ele respondeu, observando-a friamente.

Magdalene não sustentou o olhar dele, entretanto, só aquilo não parecia satisfazer os outros sonserinos.

- Só isso? - eles resmungaram.

- Eu acho que ela já está bastante perturbada, não precisa de mais nada. Não é mesmo McKinnon? - ele abriu ainda mais o sorriso quando ela não respondeu - Estão vendo? Ela não consegue nem responder...

Ela ouviu tudo aquilo, escondendo sua frustração. Não tinha medo deles. A questão é que havia qualquer coisa em Regulus Black que... Desde o começo do ano... Ela meneou a cabeça, observando-os afinal afastarem-se. Um dia mostraria a eles. E, com isso, seguiu caminho rumo às masmorras onde teria aula a seguir.


- Boa noite, Lily.

A ruiva ergueu a cabeça do livro que estava lendo – "Grandes eventos do Mundo Bruxo no século XVIII" – deparando-se com o meio sorriso de Emmeline Vance. Marlene as tinha apresentado no começo do sexto ano, quando as duas tinham começado suas aulas de reforço e as duas logo tinham se tornado boas colegas.

Afinal de contas, não era muito difícil conviver com Lily. Emmeline tinha uma certa curiosidade acerca da ruiva, especialmente depois de vê-la muitas e muitas vezes desprezar os convites de James Potter com firmeza. Não era qualquer garota em Hogwarts que faria aquilo, não quando o rapaz era um dos grandes partidos da escola.

A corvinal sempre fora muito observadora sobre os sentimentos dos outros. Desde criança que ela tinha um certo dom para formar casais por onde passava e sua mãe geralmente contava uma ou duas divertidas histórias sobre as tentativas da jovem Emmeline em juntar sua avó, uma bela viúva de setenta e dois anos, com o prefeito de Godric's Hollow, onde a matriarca dos Vance morava.

Infelizmente, mesmo depois de doze anos de tentativas, o pobre Bale não conseguira ter uma conversa completa com sua musa... Ele sempre gaguejava quando sua avó chegava perto... Talvez ela pudesse tentar arranjar as coisas de novo nas férias de Páscoa...

Emmeline meneou a cabeça para espantar esses pensamentos, voltando novamente sua atenção para Lily, que a observava agora com um sorriso um tanto divertido. Realmente, não era difícil gostar da grifinória... Ela era gentil, alegre, carinhosa... Só um pouco relutante demais em admitir seus sentimentos... Mas isso não era exatamente da sua conta.

- Eu posso ficar aqui? A biblioteca está meio cheia hoje. – a loirinha finalmente pediu, abrindo mais um sorriso quando Lily a convidou a sentar.

- Ela tem estado sempre cheia nos últimos tempos. – a ruiva observou, abrindo espaço na mesa para os livros da colega.

- É a proximidade dos exames. – Emmeline concordou.

Lily suspirou e fechou o livro, marcando-o com o dedo.

- Bem, vocês podem reclamar só dos exames... Mas eu ainda tenho as tarefas da monitoria para terminar... Acho que vou passar esta noite em claro na companhia dos meus bem amados relatórios...

Emmeline riu enquanto a outra aprumava-se na cadeira. A mesa estava realmente apinhada de relatórios sobre as últimas reuniões de monitoria, sobre as condutas de alunos infratores, sobre os detalhes da festa de formatura, sobre...

- Vocês fazem relatórios sobre a forma com que os professores se portam em sala de aula? – ela perguntou, puxando para si um longo pergaminho onde a letra caprichada de Lily cobria quase toda a extensão.

- O professor Dumbledore faz questão desse tipo de relatório. Ele sempre quer saber qual a visão que os alunos têm dos professores. Eu costumo dividir o trabalho com James, mas esse relatório em questão, sempre faço sozinha. Ele tem uma intrigante mania de chamar a professora McGonagall de Minnie e de criticar o bigode do "Slug". – a garota sorriu, divertida – Uma pena que esses pergaminhos passam primeiro pela aprovação da Minnie... Tenho certeza que o diretor adoraria conhecer as opiniões do nosso estimado monitor-chefe sobre as pernas da professora Sinistra...

- As pernas... – Emmeline colocou as mãos sobre a boca para impedir que sua risada ecoasse pela biblioteca – Você realmente deveria deixar o Potter fazer esse relatório, Lily. Aliás, onde ele está? Ele não devia estar ajudando você?

A ruiva suspirou.

- Tecnicamente, sim. Mas eu desconfio que ele esteja muito ocupado essa semana. Preocupações de marotos. – ela completou, a pergunta que a assaltara no início daquela semana voltando a sua mente... O que os marotos faziam durante a semana de lua cheia?

- Isso tem alguma coisa a ver com a viagem do Remus?

Lily estreitou os olhos por alguns instantes. Já vira Remus estudar com Emmeline muitas vezes, na verdade, todas as sextas-feiras eles estavam lá na biblioteca, juntos. Será que a loirinha nunca desconfiara... Ela meneou a cabeça. Provavelmente, Emmeline não sabia de nada.

- Acredito que sim. De qualquer maneira, amanhã ele deve estar aqui. – ela sorriu – É sexta-feira. E, depois, Hogsmeade!

Os olhos de Emmeline brilharam de expectativa ao perceber uma certa ansiedade na voz de Lily ao falar no vilarejo.

- Você vai com o Potter? – ela perguntou, curiosa – Eu sempre achei que vocês formam um casal maravilhoso.

Embora corasse ligeiramente pelo comentário, Lily sorriu.

- Provavelmente eu vou com o James, visto que temos alguns problemas da monitoria para resolver. Mas não vamos como um casal. Ele é meu amigo, Emmeline. Por sinal... – ela se levantou, começando a guardar as coisas na bolsa – Eu tenho que arranjar uma maneira de avisar a ele que preciso encontrá-lo no sábado, já que nos últimos dias ele está sempre muito... ocupado...

A outra suspirou.

- É uma pena... Mas, antes que você vá, Lily, pode me responder uma coisa?

- Claro! – ela respondeu, enquanto enrolava os pergaminhos – Pode perguntar.

- Você já viu o Remus com alguma garota antes?

Lily virou-se lentamente para Emmeline, franzindo a testa.

- Para que você quer saber disso? Interessada em um maroto, Emme?

Emmeline riu, meneando a cabeça.

- Não. Na verdade, eu prometi a ele que ia encontrar alguém perfeito para sair com ele. Então, preciso de algumas informações, visto que ele não parece que vá dá-las a mim de livre e espontânea vontade... Remus é extremamente tímido... Aliás, para algumas senhoritas que ando escutando nos últimos tempos, adoravelmente tímido.

Lily também riu, colocando a mochila nas costas.

- Você daria uma excelente casamenteira, Emmeline... Em todo caso, pelo menos até onde eu saiba, Remus nunca saiu com nenhuma garota.

- Você acha que ele gostaria da Marlene? – a loira continuou, empolgadamente.

- Marlene? Mas a Lene não vai sair com Fabian este sábado? Eu tenho impressão de ter ouvido um comentário nesse sentido.

- A Marlene e o Fabian não combinam, acredite em mim. – Emmeline respondeu – Não existe nenhum tipo de mágica no ar quando eles estão juntos. Eles foram feitos para serem amigos. E a Lene precisa de alguém com um espírito mais solto...

- E esse alguém seria o Remus? Não creio, Emmeline... – Lily coçou o nariz de leve - Fabian e Remus são muito parecidos. Estudiosos, gentis, calmos... Se a Lene precisa de alguém mais "solto"... Bem, você já sabe que o Sirius começou a correr atrás dela?

Emmeline a encarou pensativa.

- Talvez a Lene seja exatamente o que o Remus precisa para se tornar menos tímido... Mas o Black também é um caso a ser analisado. De qualquer forma, eu vou meditar sobre esse assunto.

Lily riu, meneando a cabeça.

- Não sei se vai dar muito certo... De qualquer forma, eu vou indo. Até mais, Emme.

- Até, Lily!

A monitora deixou a biblioteca a longas passadas, subindo as escadarias que levavam do quarto para o quinto andar, só parando diante do quadro de um velho anão de barba ruiva e olhos azuis cheios de astúcia, que estava no momento brincando com um grande anel de ouro.

- Boa noite, minha senhora. – Alberic cumprimentou-a, tirando o chapéu emplumado e fazendo uma pequena reverência para ela.

- Boa noite, Alberic. James apareceu?

- O jovem senhor veio acompanhado dos amigos pouco antes do jantar, mas já se foi, minha senhora.

Ela deu um sorriso cansado. Era mais fácil ela encontrar Alberic, o Invisível, esperando por ela em sua moldura do que James...

- Obrigada, Alberic. Nibelungen.

O anão de repente sumiu do quadro e Lily ouviu a risada dele.

- Seja bem-vinda, minha senhora. E cuidado com os degraus.

Ela entrou na saleta vazia, depositando sua mochila e os pergaminhos que carregava nos braços sobre a mesa. Estava a ponto de se sentar e recomeçar a trabalhar quando seu olhar vagou até a porta do quarto de James.

- Bem, visto que ele não aparece e ninguém sabe se ele estará em condições de assistir às aulas amanhã... Talvez possamos fazer uma visitinha ao quarto do monitor-chefe, não?

Sacando uma pena e um pergaminho limpo da mochila, ela subiu as escadas que levavam ao quarto do moreno.

Quando Lily abriu a porta do quarto de James, sentiu algo cair sobre sua cabeça. Uma camiseta branca, larga o suficiente para caber pelo menos mais uma dela ali dentro. O perfume do rapaz estava impregnado na peça e, sem pensar muito, ela enrolou a roupa de qualquer maneira e colocou-a debaixo do braço.

Em seguida, pulando por cima de algumas caixas e sacos de aparência estranha, ela sentou-se na beirada da cama, escrevendo rapidamente um curto bilhete e colocando-o no meio das cobertas desarrumadas de James.

Ao se levantar, ela deparou-se com um retrato na mesa de cabeceira do rapaz. Ela estava lá, ao lado de Dorcas e Sirius, que a obrigavam a colocar um ridículo chapéu pontudo. Logo atrás deles, James e Peter seguravam-se, praticamente chorando de rir.

Aquilo fora no aniversário dela, ainda no sexto ano. Lembrava-se de ter visto Remus com uma máquina fotográfica, mas nunca se preocupara em descobrir que fotos ele tinha tirado.

Sorrindo, ela voltou a passar pela bagunça no chão, deixando o quarto do maroto e seguindo para o próprio, onde jogou a camisa que acabara de roubar de James em sua cama. Ele certamente nem perceberia a falta dela...


A semana passara-se num abrir e piscar de olhos e eles tinham chegado afinal à última noite de lua cheia. A madrugada de quinta para sexta fora levada em explorações pela Floresta Proibida e agora eles retornavam à Casa dos Gritos, a tempo de assistir ao amanhecer de mais um dia de primavera.

Sirius, já em sua forma humana, estava encostado à janela, observando o vilarejo iluminar-se pouco a pouco, um meio sorriso nos lábios. Peter, por sua vez, observava em silêncio James ajeitar alguns cobertores sobre Remus, que adormecera, cansado, sobre cama velha de dossel no único quarto minimamente habitável da casa.

- Bem, nosso serviço está feito. Agora, só mês que vem. - James observou, levantando-se enquanto se espreguiçava, profundas olheiras sob os olhos de avelã.

- E amanhã, Hogsmeade. - Peter esfregou as mãos com contentamento - Preciso abastecer meus estoques na Dedosdemel.

James suspirou e Sirius sorriu de lado.

- E então, Prongs, será dessa vez que vamos ver você desfilando com a "sua" garota pelo vilarejo?

- Assim espero, mas do jeito que as coisas andam, só vou acabar "desfilando" com ela quando chover canivetes em Hogwarts, e sem magia. – ele falou levemente, aborrecido. – E você com a "Lene"?

- Ela não é a minha garota. – Sirius retrucou cruzando os braços – Não ainda... – ele completou num tom malicioso.

- Bem, pelo que você nos contou sobre seu último encontro na biblioteca... Você tem concorrência, Sirius, não se esqueça. Acho que demorou tanto para "percebê-la" que acabou ficando para trás. – James falou, sufocando um riso, no que Sirius deixou escapar uma careta – Hum, é melhor voltarmos, antes que o castelo acorde.

- O Prewett é um idiota. Mais cedo ou mais tarde ela vai acabar percebendo isso. – Sirius respondeu desencostando-se da janela e acompanhou os amigos, que já estavam seguindo em direção às escadas. – E, mais cedo ou mais tarde, ela vai acabar percebendo o que já está tão nítido para mim. – ele continuou, lançando um último olhar a Remus, que ressonava tranqüilamente. – Que ela está caída de amores por Sirius Black.

- E como pretende convencê-la disso, meu caro? - James respondeu, enquanto descia as escadas e seguia para a passagem que os levaria de volta para o castelo - Sua técnica de bater na cabeça dela até deixá-la insana o suficiente para aceitar você não deu muito certo... Ela desviou admiravelmente bem dos balaços que você lançou no jogo da semana passada. E, não haverá mais jogos para você tentar... Isso me lembra que ainda não falei com Lily...

- Engraçado, Prongs... Quando você não pode falar com ela, ela quer falar com você... - Peter observou - Ela foi te procurar ontem no clube de duelos... Mas você e o Sirius tinham ido dormir para poupar energias e...

Sirius riu e James revirou os olhos.

- Ela falou alguma coisa com você, Peter? – James perguntou, encarando o amigo firmemente.

O garoto apenas negou com a cabeça e James suspirou.

- Certamente, cara, ela vai perguntar a você a causa do seu sumiço. – Sirius falou, ainda risonho. – Desejo-lhe sorte.

- Talvez ela fale dos milhões de relatórios que eu joguei nos ombros dela nesta semana, no fato de eu não ter comparecido a uma única reunião, de nem ao menos ter falado com ela em momento algum... – ele concluiu num tom levemente desesperado. – Se eu amanhecer morto amanhã, vocês prometem que terei um enterro digno?

Peter riu fracamente e Sirius meneou a cabeça.

- Não só farei isso, como serei cúmplice do seu assassinato.

James não respondeu, muito ocupado em tentar apertar o nó sob o salgueiro com um dos galhos secos que sempre se amontoavam junto à entrada. Assim que ouviram o Salgueiro silenciar, os três içaram-se para fora.

- Por onde vamos hoje? - Peter perguntou enquanto se afastavam da árvore, que não demorou a balançar-se perigosamente.

- Podemos usar a passagem do poço. - James respondeu - Vou passar o dia nos meus aposentos particulares, se não se importam, então, a saída do espelho é mais perto para mim. Assim, o espaço que vou ter que arrastar meu corpo é proporcionalmente inverso ao meu sono.

- Às vezes me espanta como um amigo pode ser tão desprendido e gentil como você, Prongs, meu caro. - Sirius observou, fingindo limpar uma lágrima - Mas eu concordo que você deva ir para seus aposentos de monitor-chefe. Quem sabe a ruivinha não está esperando por você na entrada para lhe fazer uma maravilhosa massagem e lhe desejar bons sonhos?

James sorriu quase em transe, no que Sirius revirou os olhos e deu um tapa "amigável" nas costas dele.

- Por Merlin, Sirius, isso doeu. – ele falou emburrado.

- Você esperava o que, James? Que eu usasse minhas amáveis e perfeitas mãos para te massagear? Lamento, meu caro, elas servem para massagear outra coisa.

- Poupe-me dos detalhes de seus "agarramentos amorosos", Pads. – ele falou num revirar de olhos.

- Eu lamento muito, Prongs, que você não possa fazer o mesmo que eu ando fazendo ultimamente...

Peter, que estava coçando os olhos levemente, pulou de susto quando James bufou de raiva e soltou um resmungo aborrecido, ao passo que Sirius gargalhava gostosamente.

A esse ponto, eles já haviam subido as escadas de mármore e James se despediu dos amigos num resmungo ainda irritado e tomou a direção contrária deles.

Caminhou a passos quase trôpegos até seus aposentos e murmurou a senha de qualquer maneira, até que a passagem se abriu.

Espreguiçou-se lentamente enquanto adentrava na pequena sala em que ele e Lily costumavam se reunir e correu o olhar pelo local, encontrando, com certa surpresa, um emaranhado de cabelos ruivos rodeado de pergaminhos. Sorriu amavelmente e deixou escapar um longo suspiro. Decerto que ela ficara até tarde da noite terminando os relatórios que ele deveria fazer e adormecera de cansaço.

Mordendo o lábio inferior ele conteve o desejo de acariciar-lhe os cabelos e tomou rumo em direção ao seu dormitório.

A porta se abriu com um leve rangido e ele a fechou silenciosamente. Sem nem mesmo ter tirado a roupa do corpo, ele desabou na cama, e fechou os olhos, apreciando o futuro e merecido descanso. Movendo-se lentamente para encontrar uma posição para o corpo cansado, ele ouviu o ruído de algo sendo amassado. James estreitou os olhos, deitando-se de lado para encontrar um pergaminho dobrado meticulosamente junto ao travesseiro dele.

"James,

Eu sei que você esteve muito ocupado esta semana... Mas acho que realmente precisamos conversar, há alguns problemas da monitoria para pôr em ordem e outros assuntos do seu interesse. Peço desculpas por ter invadido o seu quarto, mas foi a única maneira que eu encontrei para entrar em contato. Então, você se importaria se eu acompanhasse você e os outros marotos a Hogsmeade no sábado? Prometo que sumo antes de vocês irem para a Zonko's reporem seus estoques de logros, de modo que não precisarei confiscar nenhum dos pacotes.

Responda tão logo possa.

Beijos,

Lily.

P.S.: Arrumar o quarto de vez em quando também não faz mal sabia? Hehehe... Desculpa, não resisti. Mas é que eu tive que ultrapassar um "mar" de coisas para chegar até a sua cama."

James sorriu em resposta e suspirou profundamente enquanto fechava os olhos. E, ainda com o pergaminho em mãos, adormeceu.