Silver: Bem, por uma falta de comunicação e por conta da queda do ff. durante o final de semana (visto também eu não ter dado as caras na semana passada...), estou aqui sozinha hoje...

Bem, para quem está reclamando da falta de J/L... ´Sim, a culpa é minha. Bem, nesse capítulo as coisas começam a acontecer... E é importante vocês guardarem na memória o que a Lils fez no dormitório do James capítulo passado. Sabe, aquela camisa... Hum...

Ok, divirtam-se. E até semana que vem. Vejamos se a gente consegue reunir a gangue mais uma vez qualquer dia desses...


Capítulo 07: Hogsmeade

Emmeline acordou cedo, espreguiçando-se enquanto sentava na cama, de modo a observar as colegas de dormitório. Todos ainda dormiam, inclusive suas amigas, Hestia e Marlene.

Com suavidade, ela escorregou para fora dos lençóis, enfiando os pés em grossas pantufas azuis, antes de se dirigir a passos curtos para o banheiro. Experimentou a água morna sob o chuveiro e fechou os olhos, entrando de cabeça nele. Meia hora depois, já pronta para o dia de passeio, ela voltou para o quarto.

Hestia estava acordada, sentada na cama, balançando as pernas de um lado para o outro, prestando muita atenção no que Marlene, ainda deitada e virada de bruços, resmungava.

- Bom dia, minhas caras! - Emmeline desejou, sentando-se na beirada da cama de Marlene - O que estão esperando para saírem da cama e preparar-se para um maravilhoso dia de sol em Hogsmeade?

- Está muito cedo. - Marlene resmungou, virando-se na cama para encarar a amiga - Sinceramente, por que não colocam esses passeios para depois da hora do almoço?

- O que, afinal, você andou fazendo de noite, Lene? - Hestia perguntou com um sorriso - Não é normal te ver resmungando por mais alguns minutinhos junto ao travesseiro...

- McGonagall. Transfiguração. - Marlene resumiu com duas palavras a situação - Quando comecei com esse negócio de animagia, eu realmente não sabia que ia me cansar tanto... Parece que esses treinamentos drenam toda a minha energia.

- Bem, Lene, eu não sei quanto a você, mas a essas alturas Fabian já está te esperando para Hogsmeade. Você vai preferir se arrastar daí ou quer que nós avisemos a ele que você não se sente bem? - Emmeline perguntou, levantando-se.

Com certa dificuldade, Marlene levantou meio corpo, virando-se na cama e caindo sentada no chão. Hestia e Emmeline começaram a rir, enquanto a outra bufava.

- Isso não foi engraçado. - ela observou, levantando-se afinal.

- É, eu sei que não foi. - Hestia levantou-se também, ajudando-a - Vá tomar um banho. Depois do café você certamente vai se sentir mais animada.

Eram quase nove horas quando as três afinal deixaram o dormitório, e Marlene já se sentia mais acordada. Fabian estava na sala comunal, conversando com outro rapaz de cabelos claros, que elas não demoraram a identificar como Artemis Lovegood. Marlene destacou-se das outras duas, aproximando dos rapazes.

- Bom dia, Fabian, Art.

- Bom dia, Lene. - Art a cumprimentou com a cabeça, voltando-se para o amigo - Bem, então, depois podemos discutir isso. Eu vou indo, Ann está me esperando e nunca é de bom tom deixar as senhoras esperando, não é mesmo?

Fabian assentiu, sorrindo, enquanto o amigo deixava a torre rapidamente. Ele voltou-se para Marlene, fazendo um aceno com a mão, indicando para ela seguir à frente.

- Eu estava esperando você para tomarmos café.

Marlene sorriu e os dois deixaram a torre lado a lado, conversando sobre os testes que se aproximavam e suas perspectivas para o futuro.

- Então, sua mãe é uma inominável?

- Exatamente. - ela respondeu, aproximando-se da mesa deles - Quando eu era do tamanho da Maggie, eu queria seguir a carreira dela porque morria de curiosidade para saber o que existe no departamento de mistérios. Só que, à medida que eu ia entendendo a maneira como minha mãe se isolava por ser uma inominável, eu desisti dessa idéia.

- E agora... - ele continuou, tomando assento à mesa, servindo-se de suco, enquanto ela observava os pratos disponíveis para o café da manhã daquele dia.

- Agora eu estou um tanto indecisa. - ela respondeu - Eu pensei em trabalhar no St. Mungus. Mas também gostaria de ser auror. Como meu irmão, Marcus.

- Eu quero ser auror. - Fabian respondeu - Meu irmão é colega do seu. Quem sabe nós também não podemos fazer parte do mesmo time?

Marlene sentiu-se corar de leve, mas sorriu para o rapaz.

- Quem sabe?

Nesse instante, alguém parou as costas dos dois e, virando-se, eles perceberam Lily em pé.

- Olá, Fabian. - ela cumprimentou o rapaz, que conhecia da biblioteca - Lene, será que eu posso falar com você um instante?

- Claro, Lils! - Marlene se levantou, desculpando-se com Fabian.

- Tudo bem. Só não decida roubá-la pelo resto do dia, Lily.

A ruiva sorriu e puxou Marlene até um canto do salão.

- Você vai sair com o Fabian? - Lily perguntou em um tom animado.

- Vou sim. - Marlene sorriu para a amiga - Não estava acreditando em seus olhos e decidiu confirmar comigo?

Lily meneou a cabeça e seu olhar voltou-se para a entrada do salão, por onde os marotos agora entravam. Os olhos castanhos de Marlene seguiram os da amiga e a corvinal sentiu parte do seu mau humor matinal voltar ao perceber Sirius Black encarando-a.

- Na verdade, eu queria ter certeza que você não vai denunciar o Sirius por conta do jogo.

- Eu já esqueci disso, Lily. - Marlene respondeu, desviando o olhar - Mas posso me lembrar se você fizer muita questão.

A outra meneou a cabeça, retorcendo as mãos de leve, de maneira inconsciente.

- Na verdade, eu vou ao vilarejo com eles, tenho que resolver uns problemas da monitoria com James... Sobre o baile de formatura. Ele me mandou uma coruja ontem de noite já que não me encontrou...

Marlene sorriu, colocando uma mão de leve sobre o ombro da amiga.

- Nervosa, Lils? Mas vocês têm tanto tempo para resolver essas questões da festa... Há três meses inteiros pela frente até o baile.

- É, mas tem os NIEM's e... E...

- E o Potter.

Lily negou veementemente com a cabeça.

- NÃO! - ela abaixou o tom da voz ao perceber algumas cabeças se virarem para elas - Quer dizer, nada a ver, Marlene, de onde você tirou isso agora? Seu encontro com Fabian está te fazendo ver bezerros apaixonados por aí agora?

A corvinal deu de ombros, lembrando-se do diálogo que tivera com Lily uma semana atrás.

- Quem estava falando sobre "ele vai te vencer pelo cansaço" no domingo? - ela perguntou, estreitando os olhos - Ou "eu falo por experiência própria"?

- Às vezes esse negócio de "corvinais" me assusta, sabia? - a ruiva suspirou, decidida a fugir rapidamente dali - Bem, eu tenho que ir. Pode ir para o seu encontro com o Fabian.

Marlene assentiu, um sorriso travesso brincando nos lábios antes de voltar-se para a mesa dos corvinais, encontrando a irmã no meio do caminho.

- Hei, Maggie!

- Bom dia, Lene. - Magdalene aproximou-se da irmã, recebendo um beijo estalado na testa.

- Já vai para Hogsmeade?

Maggie assentiu com a cabeça.

- As primeiras carruagens já estão deixando o castelo.

- Vejo você mais tarde? - Marlene perguntou, antes da irmã se afastar definitivamente.

Maggie apenas fez um sinal positivo com a mão e deixou o castelo em seguida.

Enquanto isso, Lily seguia de volta para a mesa dos leões, sentando-se em silêncio ao lado de Remus, que tinha o olhar concentrado sobre a mesa de onde ela acabara de sair.

- Bom dia, meninos. – ela cumprimentou, sem olhar pra ninguém e rapidamente se servindo de algumas torradas.

James e Sirius sorriram para ela, cumprimentando-a alegremente. Peter apenas fez um aceno com a cabeça, muito ocupado em prestar atenção em Remus, que parecia, para variar, ter entrado em um mundo paralelo.

O menor dos marotos sorriu, satisfeito, ao perceber que o olhar de Remus estava fixo em uma bela loirinha, que conversava animadamente com as amigas. Há tempos ele desconfiava dos encontros às sextas que o rapaz tinha na biblioteca com Emmeline Vance, mas mantivera a história em segredo.

Sabia que Sirius e James dariam tudo por aquela preciosa informação, mas ainda não estava na hora de entregar o lobinho apaixonado. Pelo que ele pudera entreouvir das últimas conversas de Remus com Emmeline, eles se encontrariam naquele dia em Hogsmeade, o que lhe daria excelentes oportunidades para descobrir, com certeza, o que o amigo queria com a corvinal.

Os olhos dele se desviaram de Remus, caindo sobre os outros dois marotos. Sirius também estava agora concentrado na mesa da Corvinal, embora fosse bem mais discreto que Remus. Já James observava em silêncio Lily tomar seu café da manhã.

Meneando a cabeça, ele voltou novamente a se preocupar com seu próprio mingau. Os três estavam irremediavelmente perdidos... O que ele poderia fazer para ajudá-los? A única idéia que lhe ocorria era continuar vigiando-os de perto para descobrir o máximo possível.

E depois... Bem, depois ele teria que pensar no que fazer...


- Posso saber a razão para tanta felicidade, Em? – Hestia indagou ao presenciar a nítida excitação expressa no rosto da loira, logo após ter falado algo com Marlene, que seguira com Fabian para uma das carruagens. – Tem algo a ver com o que você acabou de conversar com a Lene? – ela concluiu num olhar desconfiado.

- É que hoje eu acordei sorrindo para o mundo... – ela disse numa voz meio distante. – Não está um ótimo dia para ir a Hogsmeade, Hestia? – completou encarando a amiga com os olhos extremamente brilhantes.

Em resposta, a outra exibiu um meio sorriso e meneou a cabeça calmamente, enquanto atravessavam os jardins em direção às carruagens.

Você está aprontando alguma.

Emmeline alargou o sorriso ao perceber que aquilo não era uma indagação.

- Eeeeu? – ela exibiu um ar inocente, no que Hestia a encarou com um ar meio risonho, meio desconfiado. – Você acha que eu faria uma coisa dessas? Longe de mim, Hestia. Sou uma garota boazinha. – ela falou calmamente, enquanto subia em uma das carruagens, sendo logo seguida pela amiga – Nunca fiz mal a ninguém!

- Oh, sim... Eu estou ouvindo isso da mesma garota que tentou me jogar para cima do Horner ano passado? – a garota ergueu uma sobrancelha desconfiada.

Emmeline sorriu meio constrangida.

- É. Pena que tenha dado errado... – ela suspirou de modo quase melancólico. – Ele era um bom partido.

- Acho que ela não se lembra da ameaça que eu recebi na manhã seguinte a esse fato... – Hestia comentou num resmungo.

- Ora, Hê... – ela disse num sorriso malicioso. – Não vá me dizer que não estava gostando...

Um pigarreio desviou as duas da conversa e Emmeline voltou o olhar para a porta da carruagem, onde um garoto loiro – que a fez lembrar-se ligeiramente de Remus, sem ela saber porquê – lhe lançava um sorriso estranho.

- Será que eu e o meu amigo podemos acompanhá-las até Hogsmeade?

- A frase demonstra ambigüidade, mas, se pretendem apenas pegar a carruagem conosco, sintam-se à vontade.

Emmeline reparou que o sorriso do garoto diminuiu um pouco, mas, ainda assim, ele subiu, seguido de um amigo que possuía os cabelos castanhos. Corando um pouco, Hestia agradeceu internamente aos dois Lufa-Lufas que entraram naquele momento na carruagem e apenas suspirou profundamente, um pouco aliviada.

Entretanto, o olhar brilhante que Emmeline lhe lançou em seguida fez com que Hestia afundasse levemente no assento, fazendo-a ter plena certeza de que aquela conversa não estava acabada.

- John Warren. – o loiro disse, e quase num revirar de olhos, Emmeline constatou que o sorriso dele aumentara e que o mesmo sentara-se estrategicamente à sua frente. Tentou ignorar o fato de sua mente divagou levemente, fazendo-a lembrar que John era o segundo nome de Remus... e que ela sempre achava que o mesmo lhe soava forte, apesar de simples e comum. – E este é meu amigo, Daniel Godfrey. – ele completou, enquanto o amigo sentava-se em frente a Hestia e Emmeline cruzava os braços.

Emmeline e Hestia trocaram um breve olhar de soslaio e suspiraram de forma quase tediosa. A loira entendeu perfeitamente. A amiga também não estava nada, nada satisfeita com aquilo tudo. A carruagem começou a se locomover com um leve sacolejo, varrendo da cabeça de ambas qualquer possibilidade de descerem dali o mais rápido possível e darem um fim àquele flerte implícito dos dois rapazes.

- Vance e Jones. – Emmeline murmurou de forma seca, no que os sorrisos que os rapazes esboçaram morreram quase que imediatamente.

Emmeline sentiu vontade de rir ao presenciar isso, mas limitou-se apenas a recostar-se mais no banco e olhar para qualquer ponto que não fosse o rapaz à sua frente. Tinha coisas melhores a pensar para se preocupar com aquilo...

Sentiu uma mão delicada sobre o seu ombro, o que fez com que ela fosse despertada dos seus devaneios – que lembravam muito algo como um garoto loiro no altar a espera de uma garota de cabelos castanhos, e a loira como madrinha do casamento dos dois... – e fitasse os olhos claros de Hestia com um olhar confuso. Ela não estava...?

- Chegamos. – a amiga explicou num tom gentil.

- Ah, sim. – ela sorriu um pouco e, soltando um fraco riso, percebeu que os dois garotos já haviam saído da carruagem e elas agora se encontravam sozinhas. – Hogsmeade.

- E você achava que era o quê? – Hestia retrucou, intrigada, no que a loira apenas lhe lançou um sorriso misterioso. – Não precisa dizer... – ela concluiu num revirar de olhos, entendendo perfeitamente, no que Emmeline riu.

As duas amigas desceram graciosamente da carruagem e começaram a andar calmamente em direção à entrada do povoado. Hestia exibiu um sorriso quase misterioso, que morreu automaticamente quando Emmeline voltou-se para ela com os mesmo olhos brilhantes de outrora.

- Eu não esqueci do assunto ainda, senhorita Jones... – a loira comentou num tom de descaso. – Eu bem sei que você sempre sentia algo diferente quando estava perto do Horner.

Hestia ficou levemente ruborizada.

- Ele era comprometido.

- Mas ela não estudava mais em Hogwarts. Não tinha como eu saber disso. E, do mesmo modo, quando vocês estudaram juntos àquela noite, você me disse que ele percebera muito bem os seus olhares e que ele estava gostando. E, se ele fosse outro, certamente diria logo que era comprometido. – ela revirou os olhos. – Homens...

A amiga sorriu em parte constrangida. Emmeline não estava errada...

- O que eu não sabia era que a irmã dela estudava em Hogwarts e me delataria ainda na mesma noite.

Emmeline gargalhou gostosamente. Ela bem se lembrava da feição da amiga quando recebera a carta da namorada do Horner na manhã seguinte e ser jogada contra a parede pela irmã da mesma momentos depois. Mas, algo que ela não podia negar, é que o coração da amiga ainda batia forte pelo antigo monitor-chefe, mesmo que agora eles só mantivessem uma relação de uma tênue amizade.

- Para onde vamos primeiro? – Hestia indagou, disposta a mudar de assunto.

- Queria ir um pouco na Dedosdemel. – ela disse sorrindo fracamente. – Preciso renovar meu estoque de penas de açúcar.

Hestia riu fracamente. Emmeline era quase uma dependente de penas de açúcar parar estudar, principalmente sozinha. Emmeline mencionava que era uma ótima motivação para estudar matérias que ela achava levemente irritantes, como era o caso de Herbologia.

- Você nunca vai largar esse vício? – Hestia comentou calmamente.

- Não é vício. – Emmeline retrucou com uma careta indignada. – É apenas uma distração. Eu te digo, Remus Lupin sabe ser pior do que eu às vezes.

- E o que o Lupin tem a ver com a sua justificativa de ser uma penas-de-açucólatra?

Emmeline explodiu em gargalhadas.

- Penas-de-açucólatra? De onde você tirou isso, Hestia?

- Da minha mente, de onde mais? – ela retrucou com a sobrancelha arqueada.

- E a louca aqui sou eu...

- Claro que é. Não sou eu que ando saindo por aí juntando pares para formar um bom casamento.

- Por que não? – ela falou num tom indignado. – Estou garantindo futuras festas para mim. Ah, e você nunca soube que eu tenho uma estranha mania de colecionar os buquês que roubo nessas festas?

Hestia revirou os olhos em resposta, no que a loira gargalhou gostosamente.

- Mas, você ainda não me falou o que Lupin tem a ver com isso.

- Ele tem uma estranha mania de oferecer chocolate para mim de vez em quando... Acho que ele está tentando converter o maior número de pessoas possíveis à chocoladolatria... Nesse pequeno gesto, minha mente começa a formular teorias... Como uma grande empresa de chocolate e um loiro enriquecendo da noite para o dia.

Hestia riu.

- Line, você tem certeza de que não colocaram nenhum tipo de bebida alcoólica no seu suco de abóbora hoje...?

- Hum, bem que eu achei o suco com um gosto meio estranho hoje... – Emmeline comentou pensativa.

- Line! – a amiga repreendeu enquanto a loira empurrava a porta da loja às gargalhadas. – Sabe, se comportar como uma pessoa normal de vez em quando não faz mal nenhum, sabia? – ela completou num sussurro, enquanto desviava de um grupo de terceiranistas, que olhavam maravilhados a diversa variedade de doces que havia nas prateleiras.

- Não se preocupe. Se você também for taxada de louca, é só você dizer que está me acompanhando para me impedir de cometer besteiras.

- Desisto. – Hestia murmurou, revirando os olhos quando Emmeline tornou a rir.

De repente a loira pareceu ter lembrado de algo importante e virou-se para a amiga, curiosa.

- Você não se importa do Remus nos acompanhar hoje depois do almoço, não é?

Hestia exibiu uma nítida careta de desagrado.

- Você não está pensando em convidá-lo para ser meu futuro noivo, não é mesmo?

- Se você quiser... – ela comentou calmamente.

- Line! – a amiga tornou a repreendê-la, enquanto Emmeline pegava uma caixa de penas de açúcar sem muito interesse.

- Até que ele lembra um pouco o Horner... – ela comentou num tom displicente. – Os mesmos olhos doces e gentis...

- Line!

- Os lisos cabelos claros... Os lábios nem finos, nem grossos, apenas tentadores...

- Line! – ela ruborizou.

- A voz calma e meio rouca...

- Emmeline...

- Eu nunca reparei, mas talvez, como o Horner, ele tenha um belo par de pernas para que você pos...

- Emmeline Vance! – Hestia a interrompeu completamente vermelha, no que Emmeline prendeu o riso.

- Bom, Hestia. – ela falou seriamente. – Eu pretendia apresentá-lo à Marlene...

- Devo lembrar a você, cara Emmeline Vance, que a Marlene está com o Fabian hoje.

Ela soltou um fraco risinho.

- Minha intuição diz que não vai dar certo entre eles. E, como você sabe, ela costuma não falhar.

- Merlin, espero que você me mantenha a salvo de Emmeline Vance pelo resto dos meus dias. – Hestia pediu aos céus num tom desesperado.

- Falando assim, até parece que eu sou uma maníaca. – a loira jogou um chocolate para Hestia, no que ela rapidamente aparou em suas mãos. – Sugiro que coma um chocolate.

- Por quê? – a amiga indagou confusa.

- Estou tentando aderir mais pessoas à nossa chocoladolatria. – ela disse risonha e piscando o olho para a amiga, enquanto pegava uma caixa de chocolate para ela.


Lily sentiu uma brisa suave tocar seu rosto enquanto descia as colinas para Hogsmeade na companhia de James, Sirius, Remus e Peter. Os quatro iam conversando sobre quadribol, enquanto ela pensava no diálogo que tivera há poucos instantes com Marlene.

- James. - ela chamou baixinho.

O rapaz parou tão logo ouviu a voz dela, fazendo com que os outros, instintivamente, parassem também. Ela o observou um tanto estranha por alguns instantes, seus olhos correndo dos três amigos para James e de James para eles de novo, até que o moreno deu de ombros.

- Pode falar na frente deles.

Sem querer, ela sentiu-se ligeiramente desapontada com isso, mas, seguindo o movimento dele, deu de ombros. Ao final das contas, não era nenhum assunto que não poderia ser falado na frente dos outros.

- Ah... Eu falei com a Lene. - pelo canto do olho a ruiva pôde perceber um meio sorriso formar-se nos lábios de Sirius.

- Ah, sim. - James voltou a andar e todos o imitaram. Ela inclusive. - E aí?

Lembrando-se dos pontos que Marlene fizera questão de frisar alguns momentos atrás no salão, Lily fechou um pouco a cara.

- Eu acho que a assustei o bastante para que ela esquecesse a história. - James esboçou um sorriso, porém parou ao ver a cara da ruiva. - Aliás, se não fosse porque eu conheço os dois, ela e o Sirius, eu daria razão para ela. - o olhar da ruiva se virou para Sirius que arregalou os olhos.

- Mas o que eu fiz? - se defendeu.

- Ah, Sirius, não se faça de idiota. Eu conheço bem você. - ela se esforçou para manter-se séria. - Vou só te dar um conselho, não insista com a Lene, tá certo? Ela não é seu tipo.

Sirius sentiu vontade de sorrir ao lembrar da corvinal trocando de uniforme no vestiário.

- Ela definitivamente é meu tipo. - Sirius resmungou - O que você sabe, de qualquer maneira? Não é você que sente ela ter calafrios quando chega perto.

Lily estreitou os olhos.

- A Marlene nunca teria calafrios ao te ver, Sirius.

- Talvez ela trema de medo então. - ele deu um sorriso maquiavélico, que logo se dissipou. No salão, a corvinal desviara o olhar do dele.

- Muito menos por isso. - Lily sacudiu a cabeça, impaciente. - De qualquer maneira, as chances que ela sinta alguma coisa por você são nulas.

O moreno começou a ficar impaciente.

- Você não está em posição de falar sobre sentimentos aqui, Lily.

- Sirius... - a ruiva ficou da cor dos cabelos - De qualquer maneira, por que você vai insistir nisso? Você nem sente nada por ela...

- Ah, eu sinto. Você não tem idéia de como eu sinto. - um sorriso estranho se formou na cara dele e Lily arregalou os olhos.

- Não me faça rir. Você não sente nada por nenhuma garota.

- Ah! Não fale como se entendesse a situação, Lily. Você tem a sua própria situação para cuidar. - e com essas palavras, Sirius saiu irritado por Hogsmeade.

A ruiva ficou de boca aberta e logo depois sentiu a face queimar. James se aproximou lentamente.

- Não adianta. Eu já tentei fazer ele perceber que isso não daria certo. - disse. - Mas você sabe como nós somos. Teimosos... Mas de qualquer maneira, o máximo que pode acontecer é alguém terminar bastante frustrado.

- James... - ela piscou algumas vezes. - Eu te frustrei?

- Não. - ele sorriu. - Eu mesmo me frustrei.

- Ah. - ela suspirou. - Eu às vezes me frustro um pouco também.

- Posso saber por que? - ele perguntou, interessado.

A garota corou, sentindo que havia falado demais. Aliás, por que ela se frustrava também! O que diabos estava acontecendo com ela?

- Hm... Nada. Ah, vamos a Dedosdemel, James? - ela o pegou pela mão e saiu puxando pelas ruas da cidade até chegar na loja de doces.

James a admirou com um sorriso bobo nos lábios, perguntando-se se levaria muito tempo até que ela finalmente admitisse. Ele havia desistido de chamá-la para sair, mas lá estavam eles. De mãos dadas (não que ele acreditasse que ela estivesse prestando atenção neste detalhe) andando por Hogsmeade. Talvez fosse uma oportunidade interessante.

- Ah, vamos. Podíamos ir ao Madame Puddifoot depois. - ela se virou. - Conversar sobre a monitoria, sabe? O que você queria me falar sobre o baile... Lá é mais tranqüilo.

- Hm... - ela pareceu ponderar. - Acho que não tem problemas. Agora vamos.

Lily o puxou, desta vez segurando o braço dele entrelaçado ao seu próprio braço.

- Onde Remus e Peter estão? - ela perguntou quando chegaram à loja.

- Não sei. Acho que eles sumiram junto com o Sirius. - e assim os dois entraram na loja.