Silver: Ok, não joguem as pedras ainda... Eu tenho certeza que há uma excelente explicação para termos passado tanto tempo sem atualizar. Eu, pelo menos, tenho (vide SS para maiores explicações...). Mas isso não importa muito, não é? O importante é que, já que nem a Lisa, nem a BB aparecem para atualizar e hoje tive uma folguinha, decidi tomar vergonha na cara e postar o capítulo novo.

Antes que me esqueça, meninas, se vocês lerem isso aqui... Estou com saudades de escrever com vocês... faz tanto tempo que não nos encontramos...


Beijos e divirtam-se com o capítulo...

p.s.: a peça a que Dorcas se refere nesse capítulo é apresentada na fic "Time of your life", que vocês poderão encontrar no profile da Silverghost (ou seja, eu... ¬¬). Propaganda é a alma do negócio, não?

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Capítulo 10: Garoa
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Pouco tempo depois de Remus ter se despedido para ir almoçar com alguns colegas, Peter também se foi, alegando estar muito cansado e que a sombra do castelo lhe parecia muito promissora àquela altura do dia.

Dorcas e Sirius ficaram sozinhos, no centro de Hogsmeade; ela, um tanto incerta de como agir e ele, remoendo a raiva que sentia.

O sol radiante da manhã estava rapidamente dando lugar a nuvens negras. Não demoraria a começar mais uma das tempestades que prenunciavam um verão chuvoso aquele ano.

O moreno colocou as mãos nos bolsos e Dorcas sentiu-se levemente constrangida. Não tinham conversado muito desde a festa de comemoração da última vitória no quadribol. No entanto, ela chegara a pensar...

Meneou a cabeça. Tinha muito caminho pela frente com Sirius Black para poder cogitar aquela possibilidade.

- Você está bem? – ela perguntou, enquanto eles rodeavam uma das fontes perto da Dedosdemel.

- Muito bem. – ele resmungou de volta, erguendo a cabeça para encará-la e dando um pequeno sorriso para a moça.

E por que não? Marlene não estava com o Prewett? Por que ele não podia ficar com Dorcas?

- Sirius? – a voz gentil dela voltou a despertá-lo.

- Seria um belo quadro para você desenhar, não? – ele perguntou, apontando para o céu escuro.

Dorcas sorriu. Tinham entrado em um terreno mais seguro para que ela pudesse conversar com ele.

- Eu já tenho um desenho desse tipo na minha pasta. Eu fiz em uma noite de tempestade, não faz muito tempo. Gosto de chuva. Desde pequena sempre me encantava o barulho da chuva contra as vidraças da janela da sala.

- Eu não gosto muito de chuva. – ele se refreou a tempo, antes de dizer que ficava com "cheiro de cachorro molhado" – Hum... Recordações não muito agradáveis de infância.

- Eu imagino. – ela riu, antes de seu semblante tornar-se muito sério – Sirius, o que aconteceu lá no pub?

Ele também assumiu uma postura menos relaxada e encarou a loirinha com uma sobrancelha arqueada.

- Mais tarde, Dorcas. Você quer ir a algum lugar? Está meio abafado enquanto não chove e eu não quero voltar para o castelo. Posso acompanhar você por aqui.

Dorcas o observou em silêncio por alguns instantes antes de dar de ombros.

- Eu preciso passar na Scrivenshaft para comprar algumas penas novas e tinta vermelha e dourada. Acabei com quase todo o meu estoque depois do jogo e...

Mais uma vez, o constrangedor assunto. Dorcas se calou, encarando o horizonte escuro, enquanto eles se aproximavam da loja de penas.

- Bem, depois da Scrivenshaft, o que você acha de passarmos no Cabeça de Javali para um brinde? O Três Vassouras anda muito cheio nos últimos tempos.

- Programa romântico, não? – Dorcas não pôde se impedir de rir, meneando a cabeça – Falando em drinques, você viu que James e Lily estão no Madame Puddifoot?

Sirius também riu.

- Espero que eles se acertem de uma vez. Já está ficando repetitivo encher a paciência do James com essa história.

- Realmente, é como diz o ditado... – ainda com uma sombra de riso, ela empurrou a porta da loja de penas, fazendo um sininho tocar nos fundos – Quem tem um amigo como você não precisa de inimigos, Sirius.

- Lógico. Quem tem um amigo como eu está livre dos inimigos. Eu mesmo faço questão de supervisar a limpeza. – ele ficou pensativo por alguns instantes – O que me lembra que já faz muito tempo que eu não dou um "oi" para o Ranhoso... Desde o Natal, para ser exato.

- Vocês aprontaram o suficiente no Natal para o resto do ano, Sirius. Embora que no ano passado as coisas tenham sido mais divertidas. Em vez de pregar uma peça do Snape, vocês fizeram aquele negócio com os professores... Foi muito mais interessante...

Sirius sorriu.

- Foi por causa daquela peça que Dumbledore acabou aceitando que James fosse monitor-chefe. Tudo bem que meu caro amigo é o primeiro aluno da escola... Mas mesmo o diretor não estava muito à vontade em dar a ele o cargo...

- Aí, ele e a Lily trabalharam tão bem juntos para descobrir uma maneira de desfazer a poção que vocês fizeram deixando todos os professores mais jovens... Que não houve mais como James fugir do distintivo... Se bem que, considerando que ele foi um dos envolvidos na peça...

- Mas você não pode negar que foi divertido passar o fim de ano com uma McGonagall de vinte e poucos anos ou com Flitwick parecendo uma criança... Aliás, se eu tivesse sido colega da Minnie... Ela era um pedaço de mau caminho, não?

Dorcas revirou os olhos.

- Vocês não têm jeito mesmo...

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Marlene observou a irmã se afastar e com um suspiro fez o caminho de volta ao Três Vassouras. Ela sabia que Emmeline e Hestia iriam para lá almoçar por agora e de repente seu apetite havia retornado com uma força maior que antes de topar com Sirius no pub.

O Três Vassouras estava bastante cheio e ela teve que se esforçar para achar as amigas e se espremer um bocado para conseguir chegar à mesa delas. Fez o percurso todo amaldiçoando a garota que havia escolhido sentar-se na mesa mais afastada de todas.

- Muito boa tarde. Estão tentando se esconder de alguém? - ela comentou ao chegar perto das amigas.

- Lene! - Emmeline sorriu. - Onde está o Fabian? - um ar estranhamento maquiavélico passou pelo rosto de Emmeline, assustando Marlene um pouco.

- Nós... Hum... Decidimos que seria melhor sermos apenas amigos. - a morena deu de ombro, puxando uma cadeira para se assentar.

- Não aí, Lene. - Hestia disse, apontando para a cadeira que Marlene pegou. - Tem gente.

- Gente? Eu não sabia que as senhoritas teriam companhia.

- Consegui. Madame Rosmerta já... Ah, oi, McKinnon. – Remus a cumprimentou com um aceno de cabeça – Acho que vamos precisar de mais uma cadeira. Eu já volto.

- Não se preocupe conosco, Remus! – Emmeline ainda acrescentou, antes de se virar para Marlene, que permanecia com uma mão no espaldar da cadeira – O que está esperando para se sentar?

- O que ele está fazendo aqui? – ela perguntou, estreitando os olhos.

- Ele é amigo da Emme, Marlene. – Hestia respondeu, deixando de lado por alguns instantes a cerveja amanteigada que estava tomando – Ela o convidou para almoçar conosco. Não esperávamos que você voltasse tão cedo.

- Diga isso por vocês, Hestia... Eu tinha certeza que ela ia voltar. – a loirinha sorriu – E então? O que me diz?

- Digo de que? – Marlene se fez de desentendida, sentando-se finalmente.

Emmeline revirou os olhos, enquanto Hestia reprimia um sorriso.

- O que aconteceu entre você e o Fabian?

- Eu conto mais tarde. – ela resmungou de volta – Vocês já almoçaram?

- Eu tinha combinado de encontrar o Remus depois do almoço, mas, por uma série de pequenos problemas, acabou que nenhum de nós almoçou e cá estamos nós agora, nos preparando para uma refeição reforçada.

- Não que eles já não tenham reforçado seus estômagos. – Hestia observou – É simplesmente assustador ir à Dedosdemel com esses dois, Lene. A Emmeline parecia uma louca, brigando com uns primeiranistas pelas últimas caixas de pena de açúcar. Sorte dela Remus ter chegado depois dessa lamentável cena.

- Você diz como se ele também não fosse um assumido viciado em chocolate. Lembra o que eu te disse sobre as tentativas dele de dominar o mundo?

- Quem vai dominar o mundo? – Remus, que acabara de chegar com mais uma cadeira, sentou-se à frente delas.

- O chocolate. – ela respondeu, sorridente.

Antes que ele pudesse responder, Madame Rosmerta apareceu junto à mesa deles, entregando finalmente o almoço dos quatro. Sentindo o estômago contrair-se de fome, Marlene sorriu, satisfeita, ao sentir o delicioso cheiro de costeletas ao molho.

O almoço transcorreu entre muitas risadas e brincadeiras e Marlene pegou-se muitas vezes trocando olhares com Hestia. As duas não tinham demorado a perceber a maneira como Remus olhava para Emmeline. E nem a estranha alegria que parecia dominar a loirinha.

Teria finalmente a casamenteira da turma encontrado sua cara metade? Marlene duvidava muito que Emmeline tivesse percebido, especialmente por causa dos olhares que a amiga lhe lançava de quando em quando. Emmeline acreditava firmemente que Remus era o par perfeito para ela e não para si própria!

Deixou escapar um suspiro enquanto se lembrava da cena de mais cedo. Sentiu o rosto arder de vergonha ao se lembrar das palavras de Fabian. De certa maneira, ele tinha razão. Ela o usara. Tudo por causa de Sirius.

Por que raios aquele maldito Black tinha que ter percebido a existência dela?

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Regulus estava caminhando sozinho por Hogsmeade, as mãos nos bolsos, o olhar perdido no céu nublado.

Tinha se isolado dos amigos em Hogsmeade para poder pensar na carta que a prima mandara. Bellatrix... Como alguém poderia resistir à força que emanava do abismo que eram os olhos dela?

Bella queria que ele a seguisse. Que se juntasse aos "Comensais da Morte", os leais companheiros do Lorde das Trevas. Que demonstrasse orgulho do seu sangue.

Sangue... O mesmo sangue que corria por suas veias, corria pelas veias de Sirius. No entanto, o irmão não parecia nem de longe inclinado a "demonstrar orgulho" e "juntar-se aos leais companheiros do Lorde". Por que eles eram tão diferentes?

A família deles não se pronunciara sobre o convite de Bellatrix, muito embora ele tivesse mando uma carta para a mãe. Os orgulhosos Black jamais diriam com todas as palavras para que ele abaixasse a cabeça diante do "Lorde". Mas Regulus não precisava pensar muito para descobrir que o silêncio da grande matriarca era um consentimento.

Matar trouxas e os sangue-ruim... Limpar o mundo da escória, da vergonha, manter puro o sangue... Certamente, essas eram idéias muito bem-vindas em Grimmauld's Place.

Entretanto, todas aquelas preocupações tinham sumido da sua cabeça quando se deparara com a caçula dos McKinnon na frente da Casa dos Gritos. Assim como ele, ela tinha escolhido aquele lugar para se isolar do mundo.

Os olhos dourados de Magdalene tinham varrido todo e qualquer vestígio da carta de Bellatrix e ele não conseguia compreender porque, exatamente, isso acontecera. Ou melhor, ele desconfiava... E não tinha certeza se isso era bom ou ruim.

Uma garoa rala começou a cair sobre seus ombros, mas ele não se importou. Começava a entardecer. Talvez fosse melhor voltar para o castelo, não havia mais nada para ele fazer no vilarejo.

A passos tranqüilos, ele dirigiu-se para a pequena estrada que levava de volta a Hogwarts, mas não demorou a estancar. Sirius também caminhava por ali, conversando distraído com uma moça de cabelos dourados e voz gentil.

Quem seria aquela? A nova diversão de Sirius? Ele tinha a impressão de já tê-la visto junto do irmão, nas raras vezes em que ele o encontrava pelos corredores do castelo. Talvez fosse apenas uma colega de casa...

A garoa foi passando aos poucos, enquanto ele seguia a passos lentos, não perdendo o irmão de vista, nem se deixando ver. Um vento calmo soprou, limpando o céu, deixando que o sol se despedisse, tingindo tudo de vermelho, como se um grande incêndio tivesse começado no mundo.

O fogo, entretanto, estava dentro do sonserino. Embora tivesse passado metade da vida ouvindo o quanto era melhor que o irmão, o quanto orgulhava o sangue das dezenas de Black que o tinham antecedido, Regulus sentia que Sirius não era o lixo que sua mãe queria fazê-lo crer desde que ele abandonara a casa de Grimmauld Place.

Não podia se impedir de admirar o irmão. Admirar a coragem com que o outro abraçava seus ideais, admirar a lealdade que ele tinha com os amigos, com o Potter, que era como se fosse seu verdadeiro irmão...

Gostaria de ser amigo de Sirius... Mas sabia que isso era impossível. A família nunca permitiria e o próprio Sirius jamais acreditaria o suficiente nele para se permitir chamá-lo de amigo.

- Então, você ainda não me disse o que foi aquilo na frente do Três Vassouras. – a voz da loirinha chegou até seus ouvidos, límpida, e Regulus não demorou a perceber uma nota de ciúmes no tom dela.

Sirius riu.

- Não foi nada, Dorcas. Aliás, você já fez o desenho da McKinnon que eu pedi?

Regulus estreitou os olhos. McKinnon... Magdalene dissera que sua irmã conhecia Sirius. O irmão só podia estar falando da mais velha... Maggie era muito nova para ele...

O moreno voltou a estancar. Desde quando chamava a menina de Maggie? Desde quando tinha intimidade suficiente com ela para fazer isso, mesmo que em pensamentos?

- Não, Sirius. E nem vou fazer, eu já lhe disse. Não acho que uma demonstração dos seus instintos assassinos seja uma boa idéia de recordação para o futuro.

- Tudo bem, então. – o rapaz respondeu, um tanto irritado.

O resto do caminho foi percorrido sem que nada de importante fosse dito. Regulus observou o irmão desaparecer dentro do castelo junto da moça que ele chamara de Dorcas. Em seguida, ele mesmo mergulhou no labirinto de masmorras que o levariam de volta à sala comunal dos sonserinos.

Apenas quando se encontrou na segurança e conforto de sua cama, ele se permitiu deixar os pensamentos voltarem todos de uma vez. Aquele fora um dia estranho...

Um breve sorriso aflorou em seus lábios.

Quando veria Maggie novamente?