N/A/ Lisa desviando das pedras / Lisa se pronunciando. \o/
Bom, o meu caso foi mais ou menos parecido ao da Silver / Lisa estudando para faculdade e para concursos /, e eu também não tinha o capítulo 10 completo aqui no cd em que está gravado os capítulos prontos da fic. Quanto ao caso da Belle... ela não tem nenhum completo, se eu não me engano.
E depois de fazer uma busca pela bagunça (des)organizada que eu insisto em chamar de quarto... eu achei o cd da fic e cá estou eu.
Ainda temos uns capítulos totalmente prontos e depois temos as cenas que, em geral, eu e a Belle estamos devendo, quando eu a encontrar, vou conversar com ela sobre isso. / imaginando titia Silver dando puxões de orelha /
E, Silver, se você estiver lendo isso aqui... por onde você anda? T.T. Estou com saudades!!!
Bom, beijos a todos e me desculpem pela demora.
Capítulo 11: Olhos dourados
Duas semanas se passaram desde o desastroso dia em Hogsmeade no primeiro final de semana de abril. Tudo parecia ter voltado ao normal. E a Corvinal vencera seu último jogo contra a Lufa-Lufa com uma boa margem de pontos e ainda tinha chances, a depender da grande final de quadribol em pouco mais de um mês entre grifinórios e sonserinos.
Marlene entrou na sala da professora Minerva McGonagall com passos controlados, embora estivesse ardendo de ansiedade. Aquela seria a última aula das duas antes da Páscoa e a jovem corvinal estava muito perto de conseguir transformar-se completamente.
- Boa noite, senhorita McKinnon. – a voz severa da diretora da casa de Sirius Black a cumprimentou.
Marlene meneou a cabeça para espantar aquele pensamento. Por que associara a professora de Transfiguração com o maldito Black? A professora Minerva observou-a por trás das lentes quadradas de seus óculos e a morena conseguiu apenas esboçar um sorriso como forma de cumprimento.
- Então, estamos prontas para continuar nossos estudos? Creio que em breve poderemos ir ao Ministério para passar por seu teste final.
- Eu já estou conseguindo me transformar quase que por completo. Não fosse pelo tamanho e pela mania bípede que meu corpo possui...
A professora não se impediu de sorrir ao comentário espirituoso de Marlene, ao mesmo tempo em que se levantava e dava a volta em torno de sua mesa, postando-se diante da corvinal com os braços cruzados.
- Teremos que resolver esse pequeno problema então. – Minerva a observou atentamente – Concentre-se firmemente em sua forma, senhorita McKinnon. Já sabemos que você é uma felina, como eu mesma. Você deve delinear em sua imaginação que tipo de felina você é. Sinta a textura do seu pêlo, sinta o peso do seu corpo se esvaecer, veja o mundo através dos olhos de um gato.
Marlene assentiu e fechou os olhos, respirando fundo. Aos poucos, seu corpo relaxou e ela conseguiu visualizar em sua mente cada molécula de seu ser transformando-se. O pêlo negro, sedoso, quase azulado. O corpo pequeno, a cauda longa agitando-se lentamente no ar... O mundo mudando diante dos seus olhos, tudo se tornando repentinamente maior e mais ameaçador...
Ao mesmo tempo, tudo parecia muito mais simples. Os cheiros eram mais reconfortantes, o calor em suas patas almofadadas, o coração a bater ligeiro...
A gata negra abriu os olhos, olhos imensos, dourados como ouro, como mel... Olhos gentis, e, ao mesmo tempo, extremamente inteligentes.
Ela ouviu uma voz humana falar alguma coisa, mas não deu maior atenção a ela do que daria a uma mosca voejando ao seu redor. E vez disso, ela pulou elegantemente sobre o parapeito da janela, os passos pequenos, bem marcados, felinos... Sem hesitar por um instante, ela deslizou pelo exíguo espaço entre as vidraças, caminhando rapidamente pelos telhados do castelo, apoiando-se nas calhas e nas pequenas sacadas das torres enquanto descia.
Com delicadeza, ela pulou para uma janela entreaberta, escorregando por trás de cortinas vermelhas aveludadas. Passou por debaixo da cortina, esgueirando-se nas sombras. Estava num salão iluminado fracamente por uma lareira afastada. Havia poucas pessoas por ali, conversando, estudando, jogando...
A gata aproximou-se da lareira, lentamente. As pessoas não prestaram atenção nela – estavam mais que acostumados com os felinos que rondavam a torre. O calor que se desprendia das chamas era reconfortante, e ela escarrapachou-se no tapete vermelho, fechando os olhos para melhor aproveitar aquela sensação.
Aos poucos, a gata sentiu um leve torpor tomar conta da sua mente, como se estivesse sonhando, como se... Como se houvesse algo errado com seus instintos, com sua própria essência.
- Hei... Você tomou meu lugar sabia?
Ela abriu os olhos dourados, deparando-se com um garoto de faces rosadas e uma expressão um tanto contrariada. Logo atrás dele, havia outro humano.
- Deixa ela, Wormtail. Não vá deixá-la perceber que você é um rato em forma de gente...
A voz dele era calma, acolhedora. Ele sentou-se no tapete, de frente para ela e, com cuidado, estendeu a mão, afagando a gata com cuidado junto à orelha. Ela ronronou de prazer, fixando os olhos dourados nas orbes cinzentas dele.
- Sirius... – a voz do outro humano soou um tanto irritante em seus ouvidos sensíveis – Há alguma coisa estranha nessa gata.
Antes que o rapaz de olhos cinzentos pudesse responder, o barulho de uma passagem sendo aberta chamou a atenção dos poucos estudantes que ainda estavam pela sala comunal. Sirius sorriu ao ver a face preocupada da diretora de sua casa.
- O que será que a Minnie quer por aqui a esta hora? – ele perguntou para Peter, sem deixar de afagar a gata, que estava agora deitada molemente em seu colo.
Minerva observou a sala por alguns instantes e já ia se retirar quando percebeu o pequeno animal sobre o colo de Sirius. Com passos resolutos, ela caminhou até ele.
- Senhor Black, onde encontrou essa gata?
Sirius estreitou os olhos, achando a pergunta estranha.
- Ela apareceu aqui há pouco. Deve ser de algum dos outros alunos... Estou infringindo alguma regra por estar com ela aqui?
- Você pode me entregá-la, por favor? – Minerva respondeu, sem responder a pergunta do rapaz.
Sirius tomou a gata delicadamente nos braços, estendendo-a para a professora. Antes, porém, que ela pudesse segurar Marlene em sua forma animaga, a gata deu-lhe uma firme unhada, arranhando seu braço e aconchegando-se junto ao peito de Sirius mais uma vez.
- Oras, e mais essa... – Minerva retirou o braço, observando os filetes de sangue que escorriam agora – Venha comigo, por favor, senhor Black.
- Esta gata não é minha, professora... A senhora não vai descontar pontos porque ela decidiu lhe dar umas unhadas, não é? – ele perguntou, levantando-se e logo começando a seguir Minerva para fora da torre dos leões.
- Se eu fosse tirar pontos de alguém por isso, seria dos corvinais, senhor Black. Eu preferiria manter isso em segredo, mas visto que ela não está conseguindo segurar o fio de sua consciência humana e sua forma animaga afeiçoou-se ao senhor... Creio que terá que me ajudar a trazer a senhorita McKinnon de volta.
A professora abriu a porta do seu escritório particular no exato instante em que Sirius parava, estupefato. Aquela gata em seus braços era Marlene? Ele abaixou a cabeça, encarando mais uma vez os olhos dourados da felina, surpreendendo-se ao perceber um brilho diferente nos olhos dela.
Ele estudara animagia... Como não percebera antes que aquela gata não era um animal comum? A cor dos olhos, o brilho deles... Mesmo perdendo a consciência humana, havia coisas que um animago não podia disfarçar.
- Coloque-a sobre a mesa, senhor Black.
Sirius assentiu com a cabeça, tentando obedecer. A gata, porém, agarrou-se firmemente com as unhas à sua camisa. McGonagall suspirou.
- Acho que ela não quer ir, professora. – ele colocou em palavras o que já estava óbvio.
- Bem, então, prepare-se para não perder o balanço, senhor Black. – ela tirou a varinha da capa, apontando-a para a gata, fechando os olhos. Por alguns instantes, a professora procurou concentrar-se na mente de Marlene, tentando aguçar sua sensibilidade para encontrar o fio humano que restava dos pensamentos do felino – Vertis.
Embora tivesse se preparado para o novo peso que viria quando a gata voltasse a ser Marlene, Sirius não conseguiu manter o equilíbrio, caindo com estrépito em algumas carteiras atrás dele. Ele fechou os olhos antes da queda, sentindo as costas arderem, enquanto as unhas que arranhavam de leve seu peito tornavam-se mãos delicadas a segurá-lo firmemente pela camisa.
Quando reabriu os olhos, ele encontrou a face de Marlene a centímetros da sua, observando-o um tanto assustada, pouco antes de ela levantar-se, o rosto claro tomando uma coloração rubra na medida em que ela tomava consciência do que fizera.
- Foi uma transformação quase perfeita, senhorita McKinnon. – a voz da professora soou, arrancando os dois de seus próprios pensamentos – Entretanto, você concentrou-se tanto em sua forma animal que quase perdeu sua essência humana. Esse é um dos erros mais freqüentes dos que estudam animagia...
- Eu me cuidarei melhor da próxima vez, professora. – Marlene respondeu, contendo a insana vontade que tinha de miar para McGonagall e ainda sem encarar Sirius.
- Creio que o esforço de hoje foi o suficiente. Senhor Black, eu gostaria que você acompanhasse Marlene até a torre dos Corvinais e...
- Não é preciso, professora. – Marlene tentou cortá-la, rapidamente. Minerva virou-se para ela, com os olhos estreitos, enquanto Sirius tentava esconder um sorriso – Eu posso chegar até lá sozinha.
- Eu não tenho muita certeza disso. – Minerva respondeu – Insisto que o senhor Black a acompanhe. Estão dispensados.
Sirius abriu a porta do escritório, convidando a moça com um gesto a passar a frente. Um tanto desconfiada, Marlene passou por ele.
- Então, além de capitã do time de quadribol, super estudiosa, ainda é uma animaga? Devo dizer, McKinnon, você se torna cada dia mais surpreendente. - o meio sorriso tão característico de Sirius se formou.
- Eu acho que posso muito bem seguir sozinha, Black. - a garota cruzou os braços, contrariada.
- Não posso deixar de obedecer à diretora da minha casa... O que ela diz é ordem. – Sirius respondeu, estendendo um braço para ela. Marlene apenas revirou os olhos.
- Não força, Black. - ele levantou a cabeça e seguiu na frente.
- Espere, Marlene... - ele viu o olhar furioso que ela lhe mandou ao ouvir seu primeiro nome sair da boca dele. - McKinnon. - se corrigiu aumentando um pouco o tamanho das passadas para alcançá-la, segurando-a pelo braço.
- Me solte, Black.
- A professora pediu que eu te acompanhasse, e é o que eu irei fazer, ma Dame d'Or.
- Ma o quê? - ela levantou uma sobrancelha desconfiada. Sirius deu um sorriso ao ver a ignorância que ela tinha da língua francesa.
- É francês. - ele respondeu, voltando a andar.
- Sim, mas o que diabos quer dizer isto? - ela resmungou, forçando-se a segui-lo.
- Eu não creio que deveria lhe contar, gatinha. - ele segurava o riso.
- Black, se você for ficar fazendo piadinhas com a minha cara...
- Não é bem com a sua cara... É com a cara da sua forma animaga.
- Como se fizesse alguma diferença. - ela resmungou.
- Na verdade, eu prefiro seu temperamento felino... Mas eu gosto de você assim também. - ele deu um sorriso e Marlene se surpreendeu ao perceber que não era torto.
- Ah... - ela abriu a boca para tentar falar, porém não conseguiu muito. - Não...
- Bem, você é uma gatinha bastante afável. Se um dia sentir saudades de mim pode aparecer pela sala comunal novamente, ma Dame d'Or.
Antes que ela percebesse Sirius pegou uma de suas mãos e encostou os lábios levemente em seus dedos. O leve toque fez um calor subir pelos dedos de Marlene até ela sentir uma incontrolável vontade de... ronronar. Antes, porém, que ela emitisse algum som, ele cessou o toque e a vontade parou.
- Deixe de ser idiota, Black. - ela puxou a mão de volta e voltou a caminhar.
Sirius deu um outro sorriso e a seguiu silenciosamente até chegarem à estátua que dava acesso à torre da Corvinal.
- Seus olhos. - ele disse depois que ela pronunciou a senha, quase cochichando, para que ele não ouvisse.
- Meus olhos? O que têm eles? - a garota balançou a cabeça, confusa.
- Pense um pouco, ma belle Dame d'Or. - ele deu um outro sorriso e se virou, para voltar à sala comunal da Grifinória.
James fechou os olhos, estalando os dedos antes de empurrar para uma pilha que ocupava quase toda a mesa o último relatório do mês. No dia seguinte começaria o final de semana e dali a uma semana eles estariam viajando para casa, para as férias de Páscoa.
- Você não precisava ter feito tudo isso sozinho, sabia?
Ele rapidamente virou-se na cadeira, encontrando Lily. Ela estava com um roupão entreaberto sobre a camisola azul, o pingente de cristal em forma de gota que ele dera a ela no Natal visível sobre o colo branco da garota. Tentando não dar atenção ao calor que de repente lhe subiu pela garganta, James deu um sorriso fraco, levantando-se.
- Você fez todos os relatórios do mês passado sozinha. Nada mais justo que eu compense agora.
Lily sorriu, sentando-se no sofá de frente para a lareira, fazendo com que o roupão caísse frouxamente do seu ombro esquerdo. James colocou as mãos no bolso do próprio roupão, enquanto balançava-se de leve na ponta dos pés para trás e para frente.
- Você vai para casa no feriado? – ela perguntou após alguns instantes de silêncio.
James observou as mãos dela cruzarem nervosamente em seu colo. Desde o dia de Hogsmeade, quando ela "aceitara sair" com ele, Lily estava agindo de uma maneira um tanto quanto estranha. Ele realmente adoraria entender como funcionava aquela cabecinha ruiva, mas isso estava definitivamente fora de seu alcance...
- A princípio, sim, eu vou. Mandei uma coruja para minha mãe, estou só esperando uma resposta dela para confirmar. – ele respondeu, acercando-se do sofá pouco antes de sentar-se ao lado dela – E você?
Lily ajeitou o roupão sobre o ombro ao perceber a proximidade dos dois, mas não o encarou. Em vez disso, seus olhos fixaram-se na janela, onde a lua já começava a se mostrar crescente de novo.
- Meus pais vão viajar pra conhecer a família do noivo da minha irmã. Embora eles queiram que eu vá, não acho que serei muito bem-vinda pelos Dursley e por Petunia... Então, eu vou ficar por aqui mesmo.
Ele sorriu. Lily já lhe dissera o suficiente para que ele entendesse o que ela estava sentindo naquele instante. Embora tentasse não demonstrar, ela se importava – e muito – com aquilo que sua irmã dizia e pensava.
Sem pensar muito sobre o que estava fazendo, ele passou o braço sobre os ombros dela, abraçando-a ao mesmo tempo em que a trazia mais para perto. Lily deixou-se ir sem lutar, apoiando a cabeça junto ao peito dele.
James sorriu, beijando de leve a têmpora dela, ao mesmo tempo em que acariciava os cabelos ruivos de Lily. Ela fechou os olhos, os lábios curvando-se num tímido sorriso. Os dois ficaram assim por alguns instantes até o moreno decidir que essa era uma excelente oportunidade para tentar resolver as coisas com Lily de uma vez por todas.
Lily sentiu a cabeça dele, que estava encostada à sua, abaixar-se de leve. Nem por um instante ela suspeitou do que estivesse por vir; só o que queria era ficar ali, naquele abraço reconfortante, esquecer por alguns minutos sua pose de quem sabia exatamente o que fazer, esquecer por alguns instantes a máscara que tão bem usava diante do mundo.
Ela sentiu os lábios quentes dele sobre os dela e, sem refletir, entreabriu os próprios lábios, deixando que ele tomasse total controle da situação. James ajoelhou-se no sofá, sem deixar de beijá-la e sem tirar o braço dos ombros dela, sorrindo por dentro, confiante.
Ele só se separou dela quando já sentia seu ar faltar. Lily manteve-se de olhos fechados, ofegando de leve. James sorriu, acariciando o rosto da ruiva, mas, antes que pudesse falar alguma coisa, ela levantou-se, afastando-se dele.
Os dois se encararam por alguns instantes, enquanto ele também se levantava do sofá.
- Afinal de contas... - ela suspirou, finalmente encontrando a própria voz, ao mesmo tempo em que desviava os olhos para baixo, tentando olhar para qualquer coisa que não fosse ele - O que você quer de mim?
James suspirou, passando a mão pelo cabelo.
- Você sabe o que eu quero de você, Lils. A questão é, o que você quer de mim?
- Eu gostaria de saber. - ela murmurou - Não há pior sentimento que o de impotência, de fragilidade, James. E é exatamente dessa maneira que eu me sinto quando estou com você. Eu detesto a maneira como você consegue me deixar tão frágil... Eu detesto a pessoa que sou quando estou próxima a você e me detesto ainda mais quando estou longe porque então é como se não houvesse mais esperança ou forças, ou... Isso está me matando, James.
Ele tentou tocá-la, mas a ruiva repeliu-o quase imediatamente. Os dois encararam-se novamente e Lily surpreendeu-se ao perceber o olhar magoado na face dele. Mas, em seguida, ela deu as costas ao rapaz e subiu quase correndo as escadarias que levavam ao seu dormitório.
- Você está me deixando positivamente insana, Potter. - ela resmungou com a voz baixa, fechando a porta atrás de si e enxugando o rosto - Eu deveria ir agora mesmo para a Ala Hospitalar e pedir a Madame Pomfrey um passe para o St. Mungus.
Como ele podia mexer com ela daquela maneira? Como podia deixá-la quase sem sentidos daquela maneira só com um olhar magoado, só com aquele olhar e nem uma única palavra ou acusação ou pedido...
Ela sentiu um soluço escapar da garganta enquanto escorregava para o chão, encostando a cabeça na madeira da porta. Como as coisas tinham chegado naquele ponto? Como ele conseguira entrar na sua vida daquela maneira? Até pouco mais de seis meses antes, ela o desprezava. E agora...
A quem queria enganar? Já não se machucara o suficiente mentindo para si mesma? Era louca por ele há tanto tempo que nem se lembrava mais como toda aquela loucura começara.
E, no entanto, ela ainda não aceitaria capitular. O orgulho e o medo jamais deixariam que ela se libertasse daquele ciclo vicioso de promessas, sorrisos, provocações, brigas e palavras cruéis. Nunca seria capaz de se arriscar ao lado dele. E, como mais uma série de soluços, ela se deitou no chão, abraçando os joelhos.
Aos poucos, o cansaço a venceu e ela acabou adormecendo junto à porta, como um cão que espera o dono chegar. Mas a pessoa que ela realmente esperava nunca passaria por aquela porta para lhe dizer palavras gentis ou lhe fazer carinho ou lhe lançar um olhar amoroso por cima do ombro. Porque ela jamais permitiria que ele se aproximasse o bastante para isso.
Ao final das contas, o Chapéu Seletor estivera errado ao mandá-la para a Grifinória. Ela não tinha um pingo da tão aclamada coragem dos leões. Ela não era como eles. Ela não era como ele. Não era capaz de atravessar o medo da rejeição, de não dar certo... Não conseguia superar o medo de viver.
