LEMBRANÇAS DE UM VELHO AMIGO

Parte I:

Iolaus: Hércules...

Hércules acordou atordoado e procurando pelo dono da voz.

Iolaus: Hércules...

Sem pensar duas vezes apossou-se da arma mais próxima e preparou-se para atacar. Ao ouvir a voz pela terceira vez conseguiu claramente distinguir de que direção esta vinha. Virou-se pronto para atacar quando viu o velho amigo Iolaus. As cenas de sua morte lhe vinham à cabeça e lágrimas começavam a brotar de seus olhos cansados.

Hércules: Como isso é possível? Você está morto... eu te vi morrendo...

Iolaus sorrio tranquilamente e se aproximou. Encostou a mão no ombro do amigo, que lhe respondeu como um outro sorriso. Hércules não queria saber o que estava acontecendo, ou se estava sonhando. Ele apenas queria abraçar o amigo, e assim o fez.

O abraço foi longo e confortante.

Hércules: Meu amigo. O que está fazendo aqui?

Iolaus: Vim especialmente para fazer isso.

Os olhos de Iolaus modificaram-se em segundos. De calmo e tranqüilo para um de fúria. Retirou uma faca de seu bolso e golpeou Hércules repetidamente.

Surpreso ele tentou arrasta-se para longe, mas os ferimentos eram muito fundos e ele havia perdido muito sangue. Desmaiou antes que podesse fugir.

Parte II:

Xena e Gabrielle discutiam sobre a próxima parada. Xena brincava com a filhinha, Eva.

Gabrielle: Xena, o que custa passar em Potedia?

Xena: Já te disse. Pode ir. Eu irei para a Tercia.

Gabrielle: Pense bem Xena. Você pode passar em Amphipolis depois. Ver sua mãezinha.

Xena: Não! Irei para a Tercia.

Gabrielle irritou-se e acelerou o passo para não discutir com a amiga. Entretanto Ares apareceu lhe empatando a passagem. Logo acenou para a pequena Eva que respondeu com um sorriso carinhoso.

Xena: O que está fazendo aqui?

Ares: Faria tudo para que pelo menos um dia me recebesse com um simples 'olá'.

Gabrielle preferiu afastar-se da ''zona de fogo''. Pegou Eva no colo e sentou-se em umas pedras não muito distantes.

Xena: Sempre irônico.

Ares sorrio e se aproximou da princesa guerreira, encarando-a.

Ares: Soube que estão indo para Potedia.

Xena: Não. Estamos indo para Tercia.

Ares: São dois destinos interessantes.

Ares desviou seu olhar, apreciando o céu e demonstrando uma expressão pensativa.

Xena: Odeio duvidar de você – Falou ironicamente – Mas não acho que tenha vindo aqui para nos perguntar sobre nossa próxima parada.

Ares: Estou pensando se devo ou não ajuda-las.

Gabrielle levantou-se animada.

Gabrielle: Isso! Isso! Ares é imparcial... ou quase – Ela olhou para ambos tentando insinuar algo – Ele escolhe se vamos para Tercia ou Potedia.

Ela sussurrava ''Potedia''. Ares aproximou-se ainda mais de Xena e olhou em seus olhos.

Ares: Acho que deviam ir para Tersális.

Xena: Não adianta. Irei para Tercia e ponto final. Vocês dois desistam de me convencer a mudar de destino.

Gabrielle ficou confusa ao ouvir a sugestão de Ares. Xena afastou-se do Deus da Guerra e continuou seu caminho. A amiga a seguiu com Eva nos braços.

Ares: Acho que devia ir para Tesális, Xena. Mas se não quer me ouvir, o que posso fazer? Na verdade já fiz bem mais do que devia.

E ele desapareceu deixando ambas extremamente confusas.

Gabrielle: O que acha que ele quis dizer? Acha que está preparando alguma armadilha?

Xena: Eu não sei. Mas algo me diz para irmos até Tesális.

Gabrielle: Certo! Eu aceito ir para Tesális se depois passarmos em Potedia.

Gabrielle sorrio.

Parte III:

Xena e Gabrielle chegaram em Tesális no dia seguinte. Um homem as reconheceu e correu até elas.

Homem: Xena?

Xena: Sim.

Homem: Por favor, siga-me.

O homem caminhou até uma casa próxima a taberna da cidade. Xena e Gabrielle se olharam por alguns instantes e começaram a segui-lo. Aquele homem era inofensivo, nem que quisesse poderia fazer algo a elas.

Ao chegarem a humilde casa do aldeão, as duas observaram os curativos encharcados de sangue sobre a mesa.

Xena: Pode nos dizer o que está acontecendo?

O aldeão não respondeu e continuou andando até um quarto nos fundos da pequena casa. Quando Xena e Gabrielle entraram, ele parou ao lado da cama e virou-se para elas.

Homem: Encontramo-lo no meio da floresta, sangrando muito.

Viram, então, um homem deitado numa cama mal arrumada e cheio de curativos já ensangüentados.

Xena: Hércules?

Ao reconhecer o amigo, ela correu até a cama desesperada e checou os ferimentos. Gabrielle seguiu logo atrás.

Gabrielle: Ele está bem?

Xena: Acho que vai sobreviver.

Xena estava obviamente muito preocupada.

Xena: Só não consigo entender como ele foi ferido assim. Afinal ele é o Hércules.

Homem: Quando ele chegou aqui só falava um nome: Iolaus.

Elas se olharam.

Gabrielle: Acha que ele pode ter feito isso com ele mesmo num momento de dor pela perda de Iolaus?

Xena: Não! O Hércules é muito forte. Mesmo depois de perder seu melhor amigo, ele continua tendo consciência do que faz. Ele não fez nada do tipo quando sua mulher e seus filhos morreram. Duvido que faria agora.

Xena parecia pensativa.

Xena: Os Deuses.

Gabrielle: Acha que eles usaram a culpa dele para feri-lo.

Xena: Ele fez isso com a ex-mulher do Hércules, Serena. Fez comigo e com a Callisto. Ele odeia o Hércules, essa oportunidade era perfeita.

Gabrielle começou a entender a amiga e assustou-se com sua conclusão.

Gabrielle: Acha mesmo que foi o Ares?

Xena: Ele nos mandou pra cá. Ele queria que eu visse Hércules morrer. Mas não contava com a força dele.

Gabrielle: Xena, será que não pode dá um crédito a ele? Pelo que ele fez ultimamente? Eu realmente estou começando a acreditar que ele se importa com você.

Xena: Gaby, isso não tem nada haver comigo. Mas acredito que o ódio dele por Hércules, seja tão grande quanto o suposto amor dele por mim.

Gabrielle: Ao menos converse com ele antes de atacá-lo.

Xena: Certo. Enquanto isso tente descobrir algo que seja útil sobre quem possa ter atacado ele. Pergunte aos aldeões se alguém suspeito passou por aqui ultimamente.

Gabrielle percebeu que a amiga precisava de um momento a sós com Hércules e saiu sem fazer mais perguntas.

Xena: Perdão por não ter vindo antes.

Xena cuidava dos ferimentos e falava com ele, ainda inconsciente, tentando segurar o choro.

Parte IV:

Hércules acordava devagar, ainda meio confuso. Xena, que estava quase cochilando ao seu lado, despertou imediatamente e aproximou-se.

Xena: Hércules!

Hércules: Xena?

Xena: Estou aqui meu amigo.

Xena disfarçou um sorriso e apertou a mão dele.

Xena: O que aconteceu com você?

Ela já não conseguia manter as lágrimas em seus olhos. Hércules sem muita força enxugou as lágrimas que teimavam em escorrer pelo seu rosto.

Hércules: Foi tudo muito confuso. Estava na floresta quando... Iolaus apareceu.

Ele lembrou-se do que havia acontecido ao seu grande amigo, e sua expressão mudou, para uma tristonha.

Xena: Hércules... Iolaus está morto.

Hércules: Eu sei. Mas ele apareceu e me atacou.

Xena começou a entender o que estava por trás de tal ataque. Só Deuses poderiam se passar por alguém já morto.

Xena: Hércules... Acho que sei quem fez isso com você.

Hércules: Ares!

Xena concordou com a cabeça.

Xena: Volte a dormir. Preciso ir atrás de Gabrielle.

Antes que Xena saísse do quarto, Hércules disse.

Hércules: Obrigado por ter vindo.

Xena sorriu e saiu em seguida.

Parte V:

Xena já mais calma foi até um cômodo vazio da casa. Logo percebeu a presença desagradável de Ares.

Xena: Vá embora daqui!

Ele apareceu imediatamente, sentindo sua fúria.

Ares: Então seguiu o meu conselho?

Xena caminhou até ele e olhou-o nos olhos.

Xena: Por quê? Por que fez isso?

Ares abaixou a cabeça procurando por palavras.

Ares: Odeio admitir mas... mandei você vim para cá, para salva-lo.

Xena soltou uma gargalhada nervosa.

Xena: O que está dizendo? Sei que anda tentando me convencer de certas coisas ridículas. Mas isso?

Ares: Não estou dizendo que gosto dele, o que quis salvar a vida dele. Eu diz isso por você. Sabia que ia fazer isso.

Xena: O que?

Ares: Culpar-me. É o que está fazendo não é?

Xena não respondeu e afastou-se um pouco.

Ares: Eu sabia. Sempre faz isso. Não importa o quanto eu tente te provar que mudei. Nunca vai acreditar.

Xena: Ares, não me venha com drama. Você só tem a ganhar com a morte de Hércules. Quer que acredite que salvaria seu tão odiado irmão só para que não ficasse com raiva de você? Você mesmo me disse uma vez, que não importa que aconteça, você é o Deus da Guerra e nem eu posso te mudar.

Ares ficou nervoso. Ele a encarou e chegou bem perto de seu rosto, mas sem tocá-la. Ouviam apenas suas respirações, levemente ofegantes.

Ares: Não adianta. Sempre precisa me acusar. Não pode fingir que da última vez que eu salvei sua pele você realmente começou a acreditar no que eu digo?

Xena olhou em seus olhou, buscando forças para respondê-lo.

Xena: O Hércules fez com que a Xena que você construiu sumi-se. Devo muito a ele.

Ares colocou suas mãos perto de seu corpo, mas ainda sem toca-la, apenas para que ela podesse senti-lo perto.

Ares: Não! Eu construí essa Xena. A Xena forte, poderosa, habilidosa... Ele só a mudou de lado.

Ela arrepiou-se com as palavras do Deus.

Xena: Hércules é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Tem que entender por que estou preocupada.

Ares afastou-se e abaixou a cabeça. Deixando-a hipnotizada e desejando que ele se aproximasse novamente.

Ares: Eu queria ser uma das pessoas mais importantes na sua vida. Mas vejo que mesmo me esforçando ao máximo, eu nunca vou ser o Hércules. Foi assim com toda a minha família, por que seria diferente com você, não é?

Xena não respondeu. Ele se afastou um pouco mais e sumiu. Gabrielle entrou com Eva no colo, instantes depois, e encontrou a amiga ainda em estado de choque.

Gabrielle: Xena! Xena! A Eva precisa ser trocada.

Xena ainda em transe pegou a filha no colo e sem falar nada foi até o quarto onde Hércules já estava sentado e aparentemente muito melhor.

Hércules: Eva!

Xena: A Eva daria um oi para o titio Hércules, mas eu acho que ele prefere esperar eu te trocar certo?

Hércules riu. Gabrielle sentou-se ao seu lado e sussurrou.

Gabrielle: O que a Xena tem?

Hércules: Eu não sei. Ela me parece bem.

Xena voltou com Eva e a deixou no colo de Hércules, que começou a brincar com a pequenina. Gabrielle puxou Xena pelo braço e levou-a até um canto afastado no quarto.

Gabrielle: Xena. Sei que você não está bem por causa do Hércules. Mas você já viu que ele está bem e sinto que esse não é o verdadeiro motivo.

Xena: Gaby...

Gabrielle: Não Xena. Por favor, olha pra mim. Seja sincera comigo, como você nunca foi. Juro que não farei nenhum comentário. Você falou com o Ares não foi?

Xena: Sim... A verdade é que eu não quero que tenha sido ele, mas algo me diz que foi. Eu acho que...

Gabrielle: Está apaixonada por ele?

Xena: Não...

Xena respondeu imediatamente e ficou visivelmente incomodada com a pergunta da amiga. Antes que podesse continuar Hércules começou a tossir. Gabrielle tomou em seus braços a pequena Eva e afastou-se enquanto Xena tentou ajudar o amigo.

Ao olhar seu ferimento viu um hematoma levemente verde em volta e logo percebeu.

Xena: Você está envenenado.

Hércules: O que está acontecendo? Já estava bem melhor e de repente isso...

Continuou a tossir.

Gabrielle: Xena! O que está havendo?

Xena: A adaga de Heros. É a única adaga envenenada que trás esses sintomas, a única que só os Deus podem usar e a única que poderia deixar Hércules mal.

Hércules e Xena se olharam.

Gabrielle: Existe uma cura não é?

Continuaram se olhando.

Hércules: Não Xena.

Xena levantou-se e se preparou para sair.

Hércules: Xena, não pode fazer isso.

Xena: Não vou arriscar sua vida. Isso é o mínimo que posso fazer por você. Devo-te minha vida Hércules. Não me diga para não salvar a sua.

Parte VI:

Xena chegou ao templo de Ares, transbordando raiva. Foi até o altar e derrubou tudo que havia em cima da mesa de oferendas. Tentou destruir as estatuetas do Deus, quando ele apareceu indignado.

Ares: Pare com isso imediatamente! Está louca?

Xena saltou até ele atingindo-o com dois murros seguidos.

Ares: O que você tem?

Ele a segurou com força, pelos pulsos, impedindo-a de continuar a agredi-lo.

Xena: Sabia que eu viria pedir sua ajuda. Sabia de tudo. E ainda quer que eu acredite que não foi você?
Ares: Eu posso ter tirado um certo proveito da situação. Porém continuo dizendo que não fiz nada ao seu amado Hércules. Mas do que adianta falar certo? Eu nunca vou ter sua confiança ou seu coração... Ao menos posso tentar ter um pedacinho de você, de um modo ou de outro.

Xena, enraivada, parecia não ouvir a uma palavra do que ele dizia.

Xena: O que você quer?

Ares aproximou-se e falou quase encostando seus lábios nos dela.

Ares: Sabe o que eu quero.

Xena: Me diga onde está o antídoto e lhe dou minha palavra que te darei o que quiser.

Ares: Fácil demais.

Xena: Ares. Meu amigo está morrendo. Farei qualquer coisa para salva-lo. Diga o que quer e lhe darei.

Ares: Certo... Lhe darei o antídoto.

Parte VII:

Gabrielle: Hércules. Está melhor?

Hércules: Sim.

Gabrielle: Pode segurar a Eva para mim, só por um minuto.

Hércules: Claro. Mas fique por perto.

Gabrielle entregou Eva à Hércules e voltou-se para o ungüento que Xena havia mandado ela fazer para retardar o efeito do veneno. Hércules não conseguia esconder seu rosto de preocupação.

Gabrielle: Hércules. Está bem mesmo?

Ele suspirou.

Hércules: Gabrielle.

Ela deixou o ungüento e sentou-se ao seu lado.

Hércules: Acha que Xena seria capaz de qualquer coisa para me salvar?

Gabrielle começou a perceber que conseguir o antídoto não haveria de ser fácil. Abaixou a cabeça e falou com firmeza.

Gabrielle: Qualquer coisa!

Hércules tentou esquecer seus pensamentos e voltou-se para Eva. Gabrielle segurou em sua mão e eles se olharam.

Gabrielle: Xena é muito inteligente. Ela sempre arranja um jeito.

Xena entrou no quarto tentando evitar o olhar de Hércules. Gabrielle caminhou em sua direção.

Gabrielle: Xena. Onde estava?

Xena sorriu e tirou da bolsa o antídoto. Gabrielle sorriu também.

Gabrielle: Hércules. Veja isso!

Hércules olhou para Xena, que ainda evitava o encontro de olhares. Pegou o antídoto das mãos de Gabrielle e bebeu. Xena pegou Eva em seus braços.

Xena: As malas já estão prontas Gaby?

Gabrielle: Não. Ainda nem desarrumei elas direito.

Xena: Ótimo. Partiremos ainda hoje.

Gabrielle: Mas é tarde e precisamos ter certeza que o Hércules ficará bem.

Xena fingiu não ouvir. Pegou sua mala e seguiu até Argo. Hércules levantou-se e foi até ela. Puxou-a pelo braço e olhou em seus olhos.

Hércules: Como conseguiu o antídoto?

Xena: Você já está muito melhor. Acho que não precisa mais de nos aqui.

Gabrielle seguiu os dois e arrumou as malas na cela.

Gabrielle: Por que não podemos ficar mais alguns dias?

Xena: Por que não Gabrielle!

Eles continuavam a se olhar. Xena deu um sorriso leve.

Xena: Fico feliz que esteja bem.

Então subiu no cavalo e partiu.

Parte VIII:

Já mais afastadas da vila, Gabrielle percebia o olhar distante de Xena.

Gabrielle: Onde conseguiu o antídoto?

Xena: Com Ares.

Gabrielle: Vocês não...?

Xena: Ainda não.

Gabrielle: O que quer dizer com ainda não?

Xena parou Argo e virou-se para Gabrielle.

Xena: Prometi dá um filho a Ares, em troca do antídoto.

Gabrielle não podia acreditar.

Gabrielle: Xena, você perdeu o juízo? Não pode fazer isso.

Xena não escutou e continuou seu caminho.

Parte IX:

Hércules andava com dificuldade, quando caiu no chão inconsciente, atingido por alguém. Discórdia apareceu.

Discórdia: Agora sim terei o prestigio do Ares. Ele vai adorar a surpresa.

Discórdia soltou uma risada maléfica.

Parte X:

Ares sentando em seu trono, tomava uma taça de vinho, quando Xena entrou furiosa.

Xena: Conseguiu o que queria não foi Ares?

Ares: Como está meu maninho Xena?

Ele se aproximou. Ela também.

Xena: Ele está muito bem. Se não estivesse, não estaria aqui.

Ares: Hum... Tem razão.

Ele sorriu.

Xena: Vamos logo com isso.

Ares: Não sei para você Xena. Mas para mim esse momento é muito especial. Quero aproveitar cada pedacinho.

Ares a rodeava.

Xena: Está me forçando a te dar um filho. Acha que isso é especial para mim? E ainda tem a coragem de dizer que me ama.

Ares a puxou com força e a pressionou contra seu corpo, fitando seus olhos.

Ares: Eu te amo. Já te disse muitas vezes, mas você se recusa a ouvir. Eu desisto. Meu sentimento é eterno, minha paciência, não.

Xena: Muito romântico Ares...

Ele colocou suavemente seus dedos sobre os lábios dela.

Ares: Não hoje. Não agora.

Ele olhava para seus lábios, desejando-os. Xena parecia enfeitiçada. Puxou seu rosto para mais perto e o beijou. As mãos de Ares deslizavam por seu corpo, apertando carinhosamente sua cintura. O beijo ficava cada vez mais intenso. As batidas de ambos os corações não tinham mais ritmo de tão aceleradas que estavam.

Parte XI:

Gabrielle conversava com Eva, sentada numa pedra junto a Argo em frente ao templo de Ares.

Gabrielle: Sabe Evinha, eu tenho uma irmã. É ótimo. Você vai gostar. E você vai ter um papai. Isso é bom não é? Não é o pai ideal mas...

Hércules interrompeu.

Hércules: Onde está Xena?

Gabrielle levantou-se e viu Hércules chegando com Discórdia acorrentada.

Gabrielle: Ela está lá dentro. O que está acontecendo?

Hércules: Ela entrou a muito tempo?

Gabrielle: Ela já está lá dentro há horas.

Hércules, irritado, entrou no templo arrastando Discórdia e seguido por Gabrielle.

Ao entrarem no quarto de Ares, Xena, assustada, sentou-se na cama usando o cobertor para esconder sua nudez.

Gabrielle tampou os olhos de Eva. Todos ficaram em silêncio por alguns instantes, em choque. Ares saio de baixo das cobertas, ainda meio zonzo.

Ares: Maninho. Vejo que está muito bem.

Gabrielle: Xena!

Xena: O que estão fazend aqui?

Xena ficava corada de tanta vergonha, enquanto Ares sorria esbanjando felicidade. Hércules empurrou Discórdia em cima da cama.

Hércules: Sua amiguinha tentou me matar.

Xena olhou para Ares, decepcionada.

Xena: Você disse que não tinha feito nada.

Ares: Eu não fiz. A Discórdia só me contou depois de mandá-las para Tesális.

Xena: Então você sabia? E não me contou?

Xena levantou-se, irritada, e segurando as lágrimas. Ainda enrolada no cobertor, procurou sua couraça.

Ares: Xena. Por favor, me escute.

Xena: Não Ares. Chega das suas mentiras. Eu vou embora.

Ela vestiu a couraça e pegou a armadura. Quando estava prestes a sair, Ares gritou:

Ares: Eu te amo!

Xena virou-se, já com lágrimas escorrendo pela sua face.

Xena: Você me enganou. Quem ama não faz isso...

Então todos deixaram o templo, menos Discórdia e Ares.

Ares: Suma da minha frente.

Discórdia: Mas Ares...

Ares: Agora!

E ela o fez. Ares levantou-se da cama ainda a tempo de ver Xena partir, pela janela.