CAPÍTULO 7 – A Festa

A campainha tocou um pouco antes das 10 da noite. Cameron deu uma última conferida na maquiagem e abriu a porta.

- Quanta pontualidade. – Disse Cameron. – Gostei!

Wilson riu e observou o quanto ela estava linda. Ela usava um vestido tomara-que-caia de cetim azul que valorizava o seu colo e acentuava ainda mais a cor dos seus olhos.

- Depois do que você disse sobre pontualidade britânica nem passou pela minha cabeça me atrasar. Aliás, você está linda.

- Obrigada. Você também está ótimo. Não precisava ter subido, era só me ligar que eu descia.

- Imagina. Eu falei que pegava você na sua casa e não na porta do seu prédio. Acho isso muito pouco gentil.

- Então quer dizer que você é um cavalheiro Dr. Wilson? – Cameron disse com ar de curiosidade.

- Eu tento. As mulheres merecem ser bem tratadas. – Ele respondeu.

- Bom seria se todos os homens soubessem disso... Bom... Então vamos. Eu estou pronta.

- Sim senhora.

XXX

O hall principal do Hospital havia sido transformado num enorme salão de festas. Wilson apontou para uma mesa.

- Vamos, Cameron. Antes que uma dessas pessoas que contribuem com o hospital venha puxar assunto. Eles são ricos e chatos. Você não merece isso. Nossa mesa está ali.

Cameron riu e olhou na direção que ele apontava. Na mesa estavam Cuddy, House, Chase e Lucy. Ela imaginou que teria que se sentar com eles, mas ainda tinha uma esperança de o Wilson ter escolhido outro lugar. Respirou fundo. Vamos lá Allison, você consegue! – pensou.

- Wilson, você não perde tempo hein?! – Disse House assim que os dois chegaram à mesa.

Wilson deu uma olhada de reprovação para House e cumprimentou a todos na mesa. Cameron fez o mesmo e sentou entre Wilson e Cuddy.

- Onde está o Guillman? – Perguntou Cameron a Cuddy.

- Não veio. – Cuddy parecia extremamente chateada.

- Aconteceu alguma coisa?

- Sim. Ele terminou tudo comigo, com o argumento que não é homem pra mim. Eu mereço?

- Nossa... Que coisa estranha. – Cameron disse e deu uma risadinha.

- Hey, do que você está rindo? Não tem graça!

- Desculpe Cuddy. Mas nada me tira da cabeça que aí tem dedo do House.

- Eu tenho certeza. – Cuddy disse desolada. – Ele não agüenta me ver feliz.

- Nossa. Aquilo tá na moda? – Perguntou House apontando para uma mulher que passava.

- House. Controle-se. – Cuddy o repreendeu. – Você veio pra ficar falando mal de todo mundo?

- Claro que não. Eu só não posso deixar de observar quando as pessoas se vestem feito árvores de Natal.

Chase e Wilson começaram a rir.

- Olha só aquela outra. – House continuou. – Parece uma samambaia gigante. Dá pra fazer roupa pra todas as mulheres dessa festa com o tanto de pano daquele vestido!

Todos riram.

- Nossa House, eu acho que não vou levantar da mesa. Nem quero imaginar o que você falaria de mim. – Disse Lucy.

- Não se preocupe querida. Você não está tão bem quanto a Dra. Cuddy ou a Dra. Cameron, mas eu ainda me casaria com você.

Cuddy e Cameron se entreolharam. O House fazendo elogios a elas, mesmo que só pra diminuir a outra, era realmente muito estranho.

- Eu é que não me casaria com você. – Lucy respondeu.

- Nem tente. Tá vendo aquela mulher de vermelho? – House cochichou pra ela apontando pra Cuddy. – Ela mataria você antes. Ela morre de ciúmes de mim.

- Pessoal. Onde está o Foreman? – Cameron perguntou.

- A última vez que eu o vi ele estava caminhando em direção à porta com uma residente da neurologia. – Chase respondeu. – Eu acho que ele não aparece mais por aqui hoje.

- É um idiota mesmo. – Disse House. – Saiu no começo da festa. Nem deu tempo da garota ficar bêbada.

- House, você acha que é só embebedar uma mulher que você a leva pra cama na hora né?! – Wilson falou.

- Claro que não. Tem que ter um pouco de talento. Por exemplo, acho que com mais umas quatro taças de vinho você ganha a Cameron. Confio em você meu amigo.

Chase ficou visivelmente incomodado com o comentário. Cameron pensou em responder, mas viu que só ia piorar a situação.

- House. Você não cansa de ser inconveniente? – Disse Cuddy.

- Eu só estou falando a verdade, Chefe. Olha só, você eu levo com mais uma taça de vinho. Mas eu sou muito mais eficiente que o Wilson. E você também é louca por mim, facilita as coisas.

Cuddy caiu na gargalhada.

- Só se for nos seus sonhos House. Eu não ia pra cama com você nem se eu bebesse todo o álcool existente nessa festa.

- Vocês viram né? Ela está me desafiando!

- Wilson, por que você não dá umas aulas de como se comportar com as mulheres pra ele? – Perguntou Cameron.

- Por que seria preciso passar ainda mais tempo do meu dia com ele. E eu não agüentaria isso.

- Ah, James. Não fala isso. Todo mundo sabe que você me ama. Mas eu dispenso as suas aulas. Eu enlouqueceria com três ex-mulheres e um monte de pacientes apaixonadas por mim!

- Pessoal, eu vou ao banheiro. – Cameron diz levantando-se da mesa.

- Eu também. – Cuddy a acompanha.

- Bom, eu também vou. – Completa Lucy.

- Por que elas vão juntas ao banheiro? – Pergunta Wilson.

- Pra falar mal da gente. – Chase responde.

- Tadinhos. – Cameron brinca. – Eles acham que o mundo gira em torno deles.

Assim que as três saem, House vira-se para Wilson:

- Hey, amigo. Por que não me contou isso?

- Contar o que House?

- Pensa que todo mundo não viu você e a Cameron chegando juntos. Fala logo. Há quanto tempo tá rolando?

- Não tá rolando nada House. Eu não tinha companhia pra vir, ela também não. Eu a convidei. Só isso.

- Sei. Se eu não te conhecesse, Jimmy Boy, eu poderia jurar que você não está interessado nela.

Wilson deu uma risadinha e concordou.

- Ok, House. Ela é linda, simpática, agradável, uma ótima companhia, sem falar na capacidade profissional. Qualquer cara daria tudo pra ficar com ela. Satisfeito?

House deu uma risada e Chase fechou a cara.

- Eu acho que você vai dançar Wilson. – Disse Chase. – Eu aposto que a Cameron não vai cair na sua rede.

- Por que, Chase?

- Não liga Wilson. Ele tá se mordendo de ciúmes. – Disse House ainda rindo.

- Ciúmes? – Respondeu Chase. – Eu sou noivo, House. Mas eu conheço a Cameron. E, Wilson, me desculpe, mas você não faz o tipo dela.

- É ciúmes sim, Chase. – House retrucou. - Presta atenção garoto, quanto tempo você acha que uma mulher como ela fica aí "disponível no mercado"? A sua vez já passou! Conforme-se!!!

- Vai à merda, House. Você não tem idéia do que você tá falando. Wilson, eu só tô falando isso porque conheço a Cameron muito bem. Não significa que eu torça contra.

- Tudo bem, Chase. Eu acho a Cameron uma mulher incrível e realmente tô muito interessado nela. Vamos ver no que vai dar né?!

- Então boa sorte pra você.

Wilson observou a reação de Chase. Percebeu que ele ficou extremamente irritado com o assunto, mas fez o possível pra disfarçar. Ficou preocupado com a possibilidade de ter alguma coisa entre os dois.

Assim que entraram no banheiro, Cuddy virou-se para Cameron.

- Pode começar a abrir a boca, Dra.

- O que eu fiz? – Cameron fingiu que não entendeu.

- "O que eu fiz?". Você não tem nada de santa menina, tá "pegando" o Wilson e não contou pra ninguém.

Cameron deu uma gargalhada.

- Não há nada entre mim e o Wilson, Cuddy. Pode acreditar.

- Vai mentir pra outra. Pensa que eu não vi os olhares dele pra você?

- Mas é sério. Ele só me convidou pra vir à festa com ele. Não tem nada entre a gente.

- Cameron. O Wilson é um cara muito legal, o único motivo pra você não dar uma chance a ele é ter outra pessoa.

Cameron deu uma olhada de relance para Lucy que observava a conversa das duas.

- Não tem ninguém, Cuddy. É que eu ando meio "fechada pra balanço" sabe?! E também não quero precipitar as coisas. O Wilson realmente parece ser muito legal, mas eu mal o conheço. Eu já quebrei muito a cara com homens que pareciam ser "muito legais".

- É você está certa. Mas eu dou total apoio, conheço o Wilson há muito tempo.

- Ah Cameron, dá uma chance pra ele. – Lucy se intrometeu na conversa. – Vocês formam um casal muito bonito.

E ninguém tá falando com você. Pensou Cameron.

- O problema é que nem sempre um "casal bonito" significa um "casal feliz". – Alfinetou Cameron. – Mas, mesmo assim, obrigada pela torcida Lucy.

- Agora, me conta direito essa história do Guillman, Cuddy. O que aconteceu exatamente?

- Não faço idéia. Nós saímos ontem e, no final da noite, ele disse que gostava muito da minha companhia, mas que era melhor pararmos por ali.

- Assim, do nada?

- Foi. Mais precisamente assim: "Lisa, você é uma mulher como poucas e merece alguém melhor do que eu. Eu não sou capaz de fazer você feliz". Agora me explica que espécie de homem é esse?

Cameron não pôde conter uma risada.

- Cuddy, me desculpa. Mas esse cara realmente não é pra você. Nenhuma mulher merece um homem que não se garante. Ele tem um problema sério de auto-estima.

- É, eu sei. Mas foi melhor mesmo. Eu já tava de saco cheio dele.

- Vamos voltar pra mesa, porque a essa altura já deu tempo do House falar bastante da nossa vida. – Disse Cameron.

- É impressão minha, ou o House não vai nem um pouco com a minha cara? – Perguntou Lucy.

Cuddy e Cameron se entreolharam

- É impressão sua, querida. – Respondeu Cuddy. – Ele só implica mais com você porque te vê com menos freqüência. A mim e a Cameron ele pode importunar todos os dias.

- Ah, mas eu também não dou a mínima. Se ele não gosta de mim, problema dele.

- Ou não Lucy. Ele é chefe do Chase e tem um poder de persuasão como poucos que eu já vi. – Cameron respondeu saindo do banheiro na frente das duas.

- Achei que tinham se perdido no caminho, meninas. – Disse Chase assim que elas se sentaram de volta.

- Você sabe como são as celebridades né Chase? Os fotógrafos não nos deixaram em paz. – Brincou Cuddy.

- Vocês não vão passar a noite inteira aqui sentados né? – Disse Wilson. – Vamos dançar?

- Eu não sou muito bom com isso. – Disse House mostrando a bengala. – Mas vou dar uma volta por aí.

- Podem ir vocês. Robert e eu vamos daqui a pouco. – Disse Lucy.

Wilson, Cameron e Cuddy levantaram-se e foram pra pista de dança. Dançaram muito ao som das músicas dos anos 60.

- Nossa. Faz tempo que eu não me divirto tanto. – Disse Cuddy quase gritando pros dois poderem ouvi-la.

- Nem eu. – Respondeu Cameron. – Essa equipe que você contratou realmente sabe como organizar uma festa.

- Ai. Hoje eu tô me achando muito. – Cuddy começou a rir. – Mas eu ainda não descobri uma coisa na qual eu não seja muito boa.

Wilson riu e falou no ouvido de Cameron:

- Acho que ela já bebeu demais.

- Deixa ela ser feliz, Wilson. Relaxa.

- Ok, pessoal. Já vi que eu tô sobrando aqui! Vou dar uma voltinha tá?! Bye bye!

- É impressão minha ou ela insinuou que queria nos deixar a sós? – Perguntou Wilson.

- Não é impressão sua. Mas eu acho que a percepção dela tá alterada mesmo. Tem jeito de ficar sozinho aqui? – Cameron respondeu.

- Ah não ser que você queira dar um passeio no jardim do Hospital.

Cameron o olhou com um ar desconfiado.

- Dr. Wilson eu estou desconfiando das suas intenções.

Ele a pegou pela cintura e disse no ouvido dela:

- Minhas intenções são as melhores Dra. Cameron.

Ela ficou tensa por um momento. Eles estavam muito próximos e a quantidade de vinho que ela havia ingerido fazia com que essa aproximação fosse muito perigosa. Por que o House tinha sempre razão? Cameron mordeu o lábio inferior, olhou nos olhos de Wilson e respondeu:

- Tá quente aqui dentro né?!

Wilson sorriu, a pegou pela mão e a conduziu para a saída do salão.

Chegaram ao jardim e sentaram, lado a lado, na beirada do chafariz.

- E agora? Ainda com calor? – Perguntou Wilson.

- Na verdade, tá bem frio aqui! A gente precisava ficar perto da água?

- Aqui ninguém vai nos incomodar.

Ele tocou o rosto dela e a puxou para um beijo. Um beijo suave no início, mas que foi se tornando cada vez mais quente. Quando estavam sem fôlego, Cameron se afastou um pouco dele.

- Eu acho que você está se aproveitando do meu estado etílico. – Ela disse com os lábios ainda muito próximos dos dele.

- E eu acho que você também está se aproveitando do seu estado etílico. – Ele respondeu antes de voltar a beijá-la.

Depois de um beijo demorado, os dois se afastaram.

- Você me surpreendeu sabia?! – Disse Cameron.

- Por quê? Você não achava que homens com cara de sério fossem bons com as mulheres? – Ele disse rindo.

Ela riu também.

- E quem tá falando que você é bom?

- Ah, não sou não é?

Wilson a puxou pela cintura e a beijou novamente. Começou a acariciar-lhe as costas, os cabelos... Beijou seu pescoço, seus ombros e voltou a sugar sua boca, puxando-lhe o corpo pra ainda mais perto do seu.

- Tudo bem. Eu admito. – Ela disse, quando acabaram de se beijar. – Eu achava que "caras sérios" não fossem bons. Mas você não está sendo um "cara sério" agora.

- Então assume que eu sou bom?

Ela riu e o puxou pela mão.

- Metido. Vamos voltar pra festa.

- Onde vocês estavam? – Perguntou Chase assim que os dois voltaram à mesa.

- Que pergunta indiscreta, Chase. – Respondeu House. – Não dá pra ver pela cara dos dois?

- Sua imaginação é mesmo muito fértil, House. Mas nós estávamos apenas tomando um ar lá fora. Aqui dentro tá muito abafado. – Cameron apressou-se em dizer.

- Ah, agora chama "tomar um ar". Gostei! – Disse House.

- Mas tá muito frio lá fora. – Disse Chase. – Você não tá agasalhada Cameron, pode pegar uma baita gripe.

- Obrigada pela preocupação Chase, mas eu estou ótima. – Ela disse abrindo um largo sorriso.

Cuddy interrompeu a conversa.

- Vocês chegaram bem na hora. Estão servindo o jantar.

- Que bom. – Disse Cameron. – Estou faminta. Nós podemos jantar e ir embora Wilson? Estou cansada.

- Claro. Você é quem manda.

Durante o jantar House continuou provocando Wilson e Cameron. Cuddy tentava contê-lo, mas ele estava impossível. Chase e Lucy permaneceram calados o tempo inteiro.

Assim que acabaram de comer a sobremesa, Wilson, Cameron, Chase e Lucy despediram-se de todos e foram embora. Cuddy levantou-se para sair também, mas House a deteve.

- Hey. Eu vou te levar pra casa.

- Naquela moto? Nem pensar. Pode deixar que eu vou sozinha.

- Cuddy, eu tô falando sério. Você bebeu muito.

Ela se impressionou com o tom de voz dele.

- Você realmente está preocupado comigo House?

- Eu só não quero que você meta o carro num poste no caminho de casa.

- Agradeço o cuidado. Mas eu estou ótima.

- Poxa vida. Como você é teimosa Dra. Lisa Cuddy. Eu vou te levar e pronto.

- Eu não subo naquela coisa nem em coma alcoólico.

- Em coma alcoólico eu não te levaria pra casa. Você ia tomar uma glicose na veia aqui mesmo. E, aliás, se você beber mais uma gota de álcool é isso que vai acontecer.

- Eu não vou com você. Você pode usar o argumento que quiser. Mas eu estou bem.

- Meu Deus, como você é mais insuportável quando está bêbada. Me dá as chaves do seu carro. Eu deixo a minha moto aqui.

Ela ficou sem reação. Não verdade, ela não queria em hipótese nenhuma ir embora com ele. Alguma coisa dizia que isso não daria certo.

Antes que ela pudesse responder, ele pegou a bolsa da mão dela, tirou as chaves do carro e a levou para a saída.

XXX

Wilson encostou o carro na porta do prédio de Cameron, desceu e abriu a porta para ela.

- Posso levar você até lá em cima?

- Não precisa Wilson. É muito gentil da sua parte, mas eu estou muito cansada. Acho melhor nos despedirmos por aqui.

- Tudo bem, se você prefere assim. Está entregue.

- Obrigada pela noite maravilhosa.

- Eu é que agradeço a sua companhia.

Wilson deu um beijo suave nos lábios dela.

- Wilson, eu não sei direito como lidar com essa situação. Nós somos colegas de trabalho e eu não quero que o que aconteceu hoje atrapalhe a nossa relação.

- Está tudo bem Cameron. Vamos deixar as coisas acontecerem no tempo certo. Eu quero que, antes de qualquer coisa, nós sejamos amigos.

- Eu também espero isso.

- Bom... Acho melhor você subir. Está muito frio.

- Ok. Boa noite.

- Boa noite. Bons sonhos.

Eles trocaram um beijo rápido e ela subiu para o seu apartamento.

XXX

House guardou o carro de Cuddy na garagem dela e a levou para dentro de casa.

- Hey, o que você está fazendo? – Ela perguntou meio grogue.

- Calma. Eu não vou atacar você não. Só estou te levando para o seu quarto.

- E depois você vai embora?

- Claro. Ah não ser que você queira que eu fique. – Ele disse enquanto a colocava na cama.

- Eu preciso de um banho.

- Quer ajuda?

- Cala a boca House.

- Quanta gratidão hein?! Eu cuido de você e você me trata desse jeito. – Ele fez cara de choro. – Estou ofendido.

- House. Muito obrigada. Você foi ótimo hoje, por mais incrível que isso pareça, e você vai me lembrar disso eternamente. Mas agora eu já estou bem. Você pode ir embora no meu carro. Amanhã você o traz de volta e a gente busca sua moto no hospital.

- Tudo bem. Boa noite então. E se cuida.

- Pode deixar.

Cuddy tomou banho, vestiu uma camisola longa, colocou um robe e foi até a cozinha tomar uma aspirina.

- Eu não acredito que você ainda está aí. – Ela disse quando chegou à sala e viu House deitado no sofá.

- Eu tô com preguiça de ir embora. Posso dormir aqui? Eu fico bem no sofá.

- House, você não fica bem no sofá coisa nenhuma com essa perna.

- Na verdade, minha perna tá doendo muito hoje, eu fiquei muito tempo em pé. Eu não consigo dirigir até a minha casa.

Cuddy balançou a cabeça. Só isso que faltava, House dormindo na casa dela.

- Tudo bem. Eu tenho um quarto sobrando.

Cuddy o levou até o quarto de hóspedes, pegou travesseiro, toalha e roupas de cama limpas.

- Fica à vontade. Eu vou preparar um chocolate quente, você quer?

- Sim. Eu vou ajudar você.

Ela riu.

- Você sabe como faz chocolate quente?

- Não faço idéia.

Ela preparou o chocolate, pegou algumas bolachas e os dois sentaram-se à mesa da cozinha.

- Você tá melhor? – House perguntou.

- Mais ou menos. Minha cabeça tá doendo muito. Eu exagerei um pouco hoje.

- Algum motivo especial?

- Por que não pergunta o que quer saber?

- Não quero saber nada. Eu já sei.

- Como?

- O Guillman não foi à festa. Vocês terminaram...

- E você teve alguma coisa a ver com isso?

- Eu?

- O que eu poderia ter?

- Não se faça de bobo House.

Ele fez uma careta.

- Mas eu nem sei do que você está falando. O que eu poderia ter a ver com o fato de o Guillman saber que não é o homem certo pra você?

- Ah não House, o que você foi falar pra ele?

- Nada. Já disse. É... O chocolate está muito bom, mas eu vou dormir. Boa noite, prometo que vou embora amanhã bem cedo.

- Não precisa. Quando eu acordar eu te levo pra buscar sua moto. Boa noite pra você também.

- Ok.

House foi para o quarto e Cuddy ficou pensando nos motivos que o levariam a acabar com o relacionamento dela. Ele estava tão diferente hoje. Será que a Cameron tinha razão e ele estava interessado nela. Sentiu um frio na barriga ao pensar nisso, mas tratou imediatamente de afastar o pensamento da cabeça. É melhor você ir dormir Lisa... House é encrenca na certa.

Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por que

A noite é muito longa,
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer.
Será que alguma coisa,
Nisso tudo, faz sentido?
A vida é sempre um risco,
Eu tenho medo do perigo.

XXX

Lucy entrou feito um furacão no seu apartamento. Chase entrou atrás dela pedindo explicações.

- Lucy, pelo amor de Deus o que deu em você?

- Robert, vai embora. Eu não quero olhar pra você hoje.

- Você pode pelo menos me explicar o que eu fiz?

- Não se faça de idiota. É sério. Vai embora. Antes que eu mate você.

- Eu não saio daqui sem você me dizer o que houve e de onde vem essa raiva toda.

- Ah, você não sabe? Você me fez fazer papel de tonta a noite inteira.

- Mas eu fiquei o tempo inteiro com você, te dei toda a atenção possível. Eu não tenho culpa se o House te deixou constrangida. Você sabe que ele é assim.

- Eu quero que o House se exploda. Eu tô falando da sua crise de ciúmes da Cameron com o Wilson.

- Ah não Lucy, esse assunto de novo não. Isso já esgotou tá bom? Vira o disco.

- Robert, eu não sou burra. Ninguém me falou. Eu vi. Eu vi o jeito que você olhou pra ela quando ela chegou. O vi a sua cara quando ela estava dançando com o Wilson. Eu vi a sua irritação quando eles voltaram do jardim.

- Isso tudo é coisa da sua cabeça.

- Ah é. "Mas tá muito frio lá fora. Você não tá agasalhada Cameron, pode pegar uma baita gripe". Você disse isso porque não arrumou outro jeito de dizer o quanto estava doído de saber que ela estava com o Wilson.

- Ela não estava com Wilson. – Chase disse quase gritando.

Lucy parou de falar e olhou nos olhos dele.

- Tá vendo. – Ele disse, tentando concertar. – Você me faz perder a cabeça.

- Robert, fala olhando nos meus olhos que você não sente nada por ela. Diz isso e eu nunca mais toco nesse assunto.

Chase ficou calado. Não conseguia dizer aquilo. Ela tinha razão, ele estava doente de ciúmes da Cameron. Lembrou-se que tinha prometido para Cameron que seria honesto com a Lucy, mas não conseguia.

- Lucy, escuta. Ela é minha amiga. Eu gosto dela como amigo. Eu não quero que ela sofra, é só isso. Eu me preocupo sim. Não sei se o Wilson vai fazê-la feliz.

Lucy deu uma gargalhada forçada, em meio às lágrimas.

- Foi a pior desculpa que você podia ter inventado. Eu sabia. Eu soube desde o primeiro dia que a vi que essa mulher ia infernizar minha vida.

- Não dá pra conversar com você desse jeito. Eu vou embora.

- Vai. – Ela estava gritando. – Vai correndo atrás dela. E não me procura nunca mais Robert. Eu não quero te ver mais.

- Você não sabe o que tá falando. É sempre assim. Você tem as suas crises, me manda embora e depois vem correndo pedindo desculpas. Só que eu tô cansando Lucy.

- Você não tá cansando coisa nenhuma. Você tá louco pra ficar livre de mim e cair nos braços dela. Então pronto, se é isso que você quer. Você está livre. Pode ir. E tomara que ela não queira você.

- Se é isso que você quer... – Chase disse abrindo a porta pra sair. – Eu vou embora. Mas eu quero que você pense muito em tudo isso, porque essa foi a ultima vez que eu agüentei as suas infantilidades.

Ele bateu a porta e saiu.

XXX

Chase entrou no seu carro e dirigiu direto para a casa de Cameron. Não conseguia pensar racionalmente, só sabia que precisava vê-la, falar com ela, pedir explicações. Sentia-se um idiota fazendo isso. Ele tinha prometido que ia deixá-la em paz, mas não conseguia.

Estacionou na porta do prédio dela e certificou-se que o carro de Wilson não estava por perto. Apertou o botão do interfone e ficou torcendo pra ela atender.

- Quem é? – Ela disse com a voz sonolenta.

- Allison... Sou eu. Posso entrar?

- Robert? São 4 horas da manhã.

- Por favor. Eu preciso muito falar com você.

- Tudo bem. Entra.

Ela ouviu o barulho do portão destravando e ficou esperando por ele. O que será que ele queria àquela hora? Ficou aflita. Lá no fundo ela sabia o que se passava. E sentia que tinha chegado a hora de tomar uma decisão importante. Ela só não sabia se estava preparada pra isso.

A campainha tocou. Cameron respirou fundo e abriu a porta.

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

XXX

Notas:

Eu gosto dessas festas porque tudo pode acontecer. Casais se formam, casais se desfazem... É o ciclo natural das coisas né?! D

E quem brilha na trilha sonora de hoje é Kid Abelha, com "Lágrimas e Chuva" e Tom Jobim e Chico Buarque com "Eu te amo". Dri, valeu pela dica! Caiu como uma luva.

Por hoje é só... Espero os comentários!!!

Ah... E me desculpem pelo título do capítulo. Ficou suuuper original! Mas não consegui pensar em nada mais inteligente! Eu sou péssima com títulos!!!