Capítulo 8 – Escolhas

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui

Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vá e eu não fui

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só prá agradar

Me diz até o que vestir
Com quem andar, onde ir
E não me pede prá voltar

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

- Desculpa aparecer essa hora Allison, mas eu ia enlouquecer se tivesse que esperar até amanhã.

- Senta Robert.

Ele acomodou-se em um confortável sofá de couro branco que havia na sala. Observou o quanto a decoração do apartamento era a cara dela. Tudo muito claro, simples e moderno.

Ela sentou-se no outro sofá, cruzando as pernas na frente do corpo. Ele riu.

- Do que você tá rindo?

- Lembrei da faculdade. Quando você sentava assim e me olhava com essa cara que você tá me olhando agora era porque vinha papo sério.

- Só que agora é você quem tem alguma coisa séria pra me falar, não é?!

- A Lucy e eu terminamos.

Cameron levou um susto. Abriu a boca pra falar alguma coisa, mas não veio nada em mente.

- Nós tivemos uma briga depois da festa. Ela falou coisas... Eu não sei como te falar isso... Minha cabeça tá rodando ainda com tudo que aconteceu essa noite.

- Robert eu... Não sei o que te falar. Eu... Sinto muito.

Chase pareceu não ouvir o que ela disse.

- Ela terminou comigo por sua causa, Allison.

Cameron fechou os olhos. Alguma coisa lá no fundo dizia que ele iria falar isso. Uma parte dela sentia-se feliz com aquele momento. A outra pedia desesperadamente que ela estivesse ainda na sua cama e que aquilo fosse um sonho.

- Eu imaginei, Robert. Eu tive a sensação que a Lucy estava prestes a voar no meu pescoço lá na festa.

- Ela falou que eu não parei de olhar pra você. Alegou que eu estava com ciúmes do Wilson e que eu demonstrei isso o tempo inteiro, que todo mundo podia ver. Ela se sentiu fazendo papel de idiota.

- Isso é bobagem. Coisa da cabeça dela. – Ela disse tentando convencer mais a si mesma do que a ele. – Ela se sente insegura com a minha presença, é só isso. Você vai ver que amanhã ela vem atrás de você.

- Eu queria muito que fosse coisa da cabeça dela. Mas não é.

Cameron o encarou nos olhos. Ela procurava uma confirmação do que ele havia dito. Ela queria ver, pelo menos por um instante, que ele não estivesse sendo verdadeiro com ela. Seria mais fácil assim. Mas o que ela viu foi verdade. Aqueles olhos azuis estavam mais brilhantes do que nunca e transpareciam uma honestidade que ela nunca tinha visto antes.

- Fala alguma coisa. – Ele disse despertando-a dos seus pensamentos.

- Eu não sei o que te dizer. Você parece que tem o dom de bagunçar a minha vida.

- Eu sei. Mas eu vim aqui porque eu quero começar de novo com você. E, dessa vez, fazer tudo certo. Eu quero reparar todo o sofrimento que eu já causei a você.

- Eu já perdi as contas de quantas promessas você já me fez e não cumpriu, Robert. Como que eu vou saber se essa não é só mais uma?

- O único jeito é confiar em mim.

Ela riu.

- Confiar? Me pede uma coisa mais fácil.

- Allison... Eu vou ser sincero com você. Como eu nunca fui a minha vida inteira. – Ele respirou fundo. – Eu amo você. Eu descobri isso no dia em que nós terminamos. No dia em que você me disse que não queria me ver nunca mais. Aquela raiva e aquela dor que haviam nos seus olhos me fizeram querer morrer. Eu só pensava que eu queria voltar no tempo. Eu queria não ter demorado tanto pra perceber que você era a mulher da minha vida. Eu queria ter sido menos canalha. Eu queria que você me atendesse quando eu ligava pra você. Eu queria pedir perdão, pedir pra você voltar pra mim. Mas eu te conhecia muito bem e eu sabia que não tinha volta. Só que no dia em que eu te vi lá no Hospital, eu senti uma felicidade tão grande, e, de lá pra cá, eu tenho pensado que talvez a vida tenha dado outra chance pra gente. E eu não quero desperdiçá-la. Eu demorei pra perceber isso, mas hoje, quando vi você com o Wilson, eu tive a certeza que eu não suportaria perder você outra vez.

Cameron estava com lágrimas nos olhos quando ele acabou de falar. Ele sentou-se mais perto dela e segurou-lhe as mãos. Sentia uma vontade imensa de beijá-la, de trazer o corpo dela pra junto do seu e amá-la ali mesmo.

- Robert, você tem consciência do que você tá me dizendo?

- Por que é tão difícil pra você acreditar em mim?

- Porque você acabou de brigar com a sua noiva. Você deve tá confuso. Porque você me viu com um colega seu de trabalho e isso também deve ter confundido você.

Ele ficou perturbado com o que ela disse. Por um momento considerou que ela e Wilson realmente estivessem juntos e que ela não sentia mais nada por ele. Sentiu um nó no estômago. Cameron falou, como se tivesse lido os seus pensamentos:

- Nós não estamos juntos. Nós nos beijamos, foi uma noite agradável, mas não tem nada certo. Eu ando cautelosa com os meus relacionamentos. O Wilson é um cara...

- Me poupe dos detalhes, Allison. – Ele a interrompeu bruscamente. – Eu odeio imaginar vocês dois juntos, eu sinto como se tivesse uma faca atravessando meu peito só de pensar nele tocando você.

Ela se assustou com a reação dele. Nunca o tinha visto sentir tanto ciúmes.

- Allison, me diz que você não sente mais nada por mim. Me diz que você não tem vontade de tentar viver a nossa historia outra vez e eu vou embora e não te procuro mais.

Ela não respondeu. Não ia mentir pra ele, mas também não podia deixar de admitir que não era simples assim. Ela não ia cair nos braços dele porque, de repente, ele descobrira que a amava.

- Robert, escuta. – Ela falou como se estivesse explicando algo a uma criança de cinco anos. – Eu não vou negar que o que eu sentia por você ainda seja muito forte dentro de mim. Você mexe muito comigo e você sabe disso. O que eu quero que você entenda é que eu não vou me entregar de corpo e alma sem pensar nas conseqüências. A sua história com a Lucy não acabou do nada, vocês precisam resolver isso. Eu, de uma forma ou de outra, posso magoar o Wilson, e eu não vou fazer isso porque ele não merece.

- O que você quer que eu faça então?

- Comece dando um ponto final definitivo no seu noivado.

- E depois?

- Você vai ter que me reconquistar. Provar que a gente merece outra chance.

Ele deu um sorriso.

- O jeito que você fala me assusta. Parece que está me desafiando, o tempo todo.

- Eu sempre assustei você. Talvez por isso tenha sido tão difícil pra gente ter um relacionamento normal na faculdade.

- Você é muito segura... Muito... Livre. Isso me dá medo.

- Eu também tenho medo, Robert.

- Mas você lida melhor com ele.

- Não fale por mim. Você não faz idéia do que se passa na minha cabeça.

- Me ensina a superar isso, Pequena. Eu preciso de você!

Ela abriu um sorriso e fez um carinho no rosto dele.

- Me conquista de novo e você não vai ter medo de nada.

- Eu vou fazer isso.

- A gente não tem mais chance de errar um com o outro, Robert.

- Eu não vou errar dessa vez.

Ela o puxou para um abraço apertado. Sentia tanta falta daqueles braços ao redor do seu corpo, do cheiro do cabelo dele... Sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e sabia que era felicidade por tê-lo tão perto outra vez.

Eles ficaram um longo tempo abraçados até que ele se soltou dela e disse:

- O dia tá amanhecendo, eu acho que você precisa dormir.

- É. Você também precisa, está com a cara péssima.

- Obrigada. Mas você continua linda, mesmo com cara de sono misturado com ressaca.

- Começou bem.

Ele deu um risada, deu um beijo estalado na bochecha dela e saiu.

Não faça assim
Não faça nada por mim

Não vá pensando que eu sou seu

XXX

Era um pouco mais de nove da manhã quando House acordou. Demorou alguns segundos pra perceber onde estava e pra se lembrar como fora parar ali. Levantou-se da cama, vestiu a calça e a camisa da noite anterior e saiu do quarto.

Já estava quase na sala quando lhe ocorreu a idéia. Voltou alguns passos e abriu, sem fazer barulho, a porta do quarto dela.

Cuddy dormia espalhada na imensa cama de casal, com uma mini-camisola preta, de forma que apenas parte do seu bumbum ficava coberta. House a observou por uns longos minutos e sentou-se numa poltrona de frente para a cama dela.

Alguns instantes depois ela começou a despertar e logo se deu conta da presença dele ali. Puxou rapidamente o lençol para se cobrir e gritou.

- House! O que você tá fazendo aqui?

- Não adianta se cobrir. Eu já vi tudo. Você tem as pernas mais lindas que eu já vi. – Ele disse com um sorriso malicioso no rosto. – Você fica linda dormindo, nem me assusta.

Ela passou as mãos nos cabelos levando-os para trás. Não podia acreditar que House estava no seu quarto no domingo de manhã.

- House, é sério, o que você tá fazendo aqui hein?!

- Eu dormi aqui, você não lembra? – Dessa vez dando um sorriso ainda mais insinuante.

- Claro que lembro. Você dormiu ali no quarto ao lado e não aqui no meu quarto.

- Droga, achei que eu ia convencer você de que nós transamos e iria chantagear você com isso.

Ela riu.

- Eu te garanto que eu me lembraria.

- Hum, será que eu sou tão inesquecível assim?

- Não sei. Só sei que eu costumo me lembrar dos caras com quem eu vou pra cama.

Ele a fitou por uns instantes fazendo-a desviar o olhar. De repente percebeu o quanto aquela situação era nova para os dois. Eles não estavam discutindo alguma conduta dele, ela não o estava ameaçando, eles não estavam no Hospital...

- Um milhão de dólares pelos seus pensamentos. – Ela disse, fazendo-o dar um sorriso.

- Eu só estava pensando em como você fica menos insuportável aos finais de semana.

- É? Ontem você não achava isso.

- Hum. Então não é o fim de semana. É a sua casa que faz com que você aja como uma mulher e não como uma Diretora de Hospital.

- Por que você tá me falando isso?

- Porque essa mulher me interessa muito.

- Porque de repente ela não é sua chefe e parece muito vulnerável de ressaca, vestindo só uma camisola e sem um pingo de maquiagem na cara?!

Ele ficou sério e não respondeu a pergunta, apenas a encarou nos olhos esperando que ela dissesse mais alguma coisa.

- O que você disse pro Guillman? – Ela perguntou de repente.

- Nada de importante. Que ele não era o homem ideal pra você, que não era capaz de fazê-la feliz.

Ela respirou fundo. Por que ele tinha que interferir daquela forma na vida dela?

- Por que você fez isso?

- Não sei. – Ele respondeu com sinceridade.

- Não sabe House? – Ela começou a se irritar. – Você sente algum prazer em me ver infeliz? É uma espécie de vingança por eu não fazer sempre o que você quer?

Ele deu uma gargalhada.

- Definitivamente não é isso. Você faz sempre o que eu quero.

- Não faço não! – Ela protestou.

- Ah não? Então me diz uma única coisa que você não tenha me deixado fazer ou que você não tenha feito por mim no final.

Ela corou. Realmente não lhe ocorria nada no momento. Como ela odiava aquele poder que ele exercia sobre ela.

House levantou-se e sentou-se ao lado dela na cama.

- Eu acho que sei porque eu dei um fim no Guillman.

- E?

- Porque é a mim que você quer. Eu só estava dando uma forcinha.

Ela deu uma risada.

- Sério? Como você é um homem bom, House! Tô impressionada, até comovida.

Ele percebeu que ela ficou desconcertada com o que ele disse e aproximou-se ainda mais dela.

- Você me quer Dra. Lisa Cuddy. Eu vejo nos seus belos olhos verdes, sem um pingo de maquiagem. E sabe qual é a sua sorte?

Ela abriu a boca pra responder, mas ele não a deixou falar.

- Eu também quero você.

E ao dizer isso ele a puxou para um beijo. Ela não tentou resistir, sugou os lábios dele com força, como se há muito tempo quisesse fazer isso. Ele desceu as mão pelos ombros dela, deixando cair as alças da camisola e revelando ainda mais o colo.

Cuddy afastou um pouco os seus lábios dos dele, estava sem fôlego.

- House... Nós não...

Ele a calou com outro beijo. Sugou-lhe os lábios com paixão enquanto ela desabotoava desesperadamente os botões da camisa dele. Cuddy sentiu com as mãos o tórax definido dele, a barriga que não evidenciava de nenhuma forma a idade que ele tinha. Sentiu os braços fortes dele em torno do seu corpo e o desejou naquele momento mais do que tudo na sua vida. Esqueceu-se de tudo, de quem ele era, do quanto ele podia fazê-la sofrer... A única coisa que importava é que ela o queria dentro dela...

Ele percebeu que ela finalmente se entregara por completo e começou a percorrer-lhe todo o corpo com a boca, fazendo-a arrepiar e soltar gemidos de prazer. Ela o puxou de volta e o beijou com voracidade, sentiu que ele pulsava de excitação e cravou as unhas nas costas dele quando ele finalmente a penetrou. Alguns instantes depois, tudo sumiu da sua mente e ela sentiu uma onda percorrer todo o seu corpo enquanto ele se jogava exausto ao seu lado.

Eles ficaram lado a lado sem dizer nada, somente o som das suas respirações pesadas era ouvido no quarto.

Cuddy finalmente quebrou o silêncio.

- Eu poderia jurar que você planejou isso quando veio pra cá ontem à noite. – Ela disse com um sorriso no rosto.

Ele passou a mão pelos cabelos dela.

- Faz diferença agora?

- Não. – Ela respondeu dando um beijo suave nos lábios dele. – Não mais.

Eles ficaram algum tempo abraçados, ele acariciando-lhe as costas e ela percorrendo o peito dele com as pontas das unhas. Não havia muito o que dizer. Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer ou o que fazer.

- Será que eu poderia tomar um banho? – Ele perguntou.

- Claro. Vai lá.

- Você não vem comigo?

- Não. Eu vou ver algo pra gente comer.

Ele fez uma cara de desapontado e levantou-se da cama. Assim que ele levantou, ela caiu na gargalhada.

- Hey. Do que você tá rindo? Meu traseiro não é tão ruim assim é?!

Ela riu ainda mais.

- Dá uma olhada no espelho.

Ele virou-se de costas para o espelho e viu enormes marcas vermelhas de unhas nas suas costas.

- Ah, mas isso vai ter troco!

Ele correu de volta para a cama e lhe deixou uma enorme marca roxa no pescoço.

- Hey, isso não é justo! – Ela protestou. – Ninguém vai ver as minhas unhas nas suas costas.

- Como você fala isso com tanta certeza?

Ela revirou os olhos.

- Como você é romântico House. Vai pro seu banho, vai.

Ele deu mais um beijo nela e saiu em direção ao banheiro.

Cuddy estava sentada à bancada da cozinha quando ele voltou.

- Por que você tem todas aquelas coisas no seu banheiro?

- Que coisas?

- Eu demorei uns 20 minutos pra diferenciar o sabonete normal, o sabonete do rosto, o shampoo, o gel esfoliante e mais uns 10 negócios que eu não faço idéia pra que serve.

- É simples House, basta saber ler.

Eles tomaram café da manhã conversando sobre banalidades. Voltaram a ser colegas de trabalho, ou mais que isso, amigos.

- Eu preciso ir pra casa trocar essa roupa.

- Ok. Vou tomar um banho rápido e levo você pra pegar sua moto.

Cuddy saiu e voltou em seguida vestindo um jeans surrado, chinelos, uma camisetinha regata branca e os cabelos presos em rabo de cavalo.

- Você devia se vestir sempre assim. Parece que tem 20 anos.

Ela riu.

- Obrigada. Droga, eu devia ter gravado você me fazendo um elogio de verdade. Mas se eu for trabalhar assim, aí que ninguém vai me respeitar mesmo.

- Todo mundo respeita você.

- Menos você né?!

- Eu também respeito. Eu só não te obedeço!

Ela dirigiu até o Princeton Plainsboro Hospital e encostou o carro ao lado da vaga de deficientes físicos.

- Está entregue Dr.

- Então... É isso?

Ela sabia que em algum momento a pergunta iria surgir. E agora, como vai ser? O problema é que ela não tinha uma resposta para isso.

- É... Parece que é isso.

Ele deu um beijo no rosto dela e abriu a porta do carro. Antes de sair ele disse:

- Devo dizer que eu nunca comecei um domingo tão bem.

- Eu também não. Eu adoro os finais de semana de outubro. Nos vemos amanhã então.

- Até lá.

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos

De rostos serenos, de palavras soltas,

Eu quero a rua toda parecendo louca

Com gente gritando e se abraçando ao sol.

Hoje eu quero ver a bola da criança livre,

Quero ver os sonhos todos nas janelas,

Quero ver vocês andando por a.í

Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse,

Eu até desculpo o que você falou,

Eu quero ver meu coração no seu sorriso

E no olho da tarde a primeira luz.

Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto,

Eu quero um carnaval no engarrafamento,

E que dez mil estrelas vão riscando o céu

Buscando a sua casa no amanhecer.

Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada,

Rasgar a noite escura como um lampião,

Eu vou fazer seresta na sua calçada,

Eu vou fazer misérias no seu coração.

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua,

Pra escrever a música sem pretensão,

Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce

E que triunfe a força da imaginação.

XXX

Cameron acordou com o som do telefone tocando.

- Alô?

- Cameron?

- Sou eu. Quem é?

- Você tá bêbada menina? Sou eu!

- Ah. Cuddy. Mas isso é hora de ligar pra casa das pessoas?

- É meio dia querida! Hora de acordar.

- Nossa. Já é isso tudo? Dormi demais!

- Dormiu mesmo. Acorda, toma um banho e me passa seu endereço que eu tô a caminho da sua casa. Tenho novidades.

- Ah, eu também.

Cameron passou o endereço para Cuddy, desligou o telefone e foi para o banho. Ficou pensando se tinha sonhado que Chase estivera lá. A conversa que tiveram estava meio embaralhada na sua cabeça, mas logo as coisas foram ficando claras e ela percebeu que tinha sido muito mais real do que ela gostaria.

Assim que saiu do banho o interfone tocou. Vestiu só um roupão e foi abrir a porta.

- O que aconteceu pra você bater na minha porta no domingo de manhã com essa cara de quem fez arte? – Cameron a observou. – E com um chupão no pescoço!!! Sua vadia, o que você aprontou?

Cuddy caiu na gargalhada.

- Você não vai acreditar.

Cuddy desabou no sofá da sala. Cameron começou a rir.

- Peraí que eu não consigo raciocinar com a fome que eu tô. Eu vou pegar algo pra comer, você quer alguma coisa?

- Uma água, bem gelada.

Cameron saiu e voltou com uma tigela de morangos com leite condensado, uma latinha de coca-cola e um copo de água.

- Meu Deus! Isso é o seu café da manhã?

- É! Delícia!

- Me dá enjôo só de ver!

- Você tá de ressaca. Normal.

- Allison, isso é grave. Você não pode comer desse jeito não. Você morre!

- Morre nada. Quando eu crescer eu faço uma dieta. Mas esquece o meu café da manhã e começa a falar. O que você aprontou?

- House dormiu lá em casa! – Ela disse ficando vermelha.

Cameron deu um grito e quase deixou a tigela cair no chão.

- Calma. Mas ele dormiu no quarto de hóspedes.

- Ah. Quer me matar é?!

- Só que... Hoje de manhã ele foi me visitar no meu quarto... E a gente transou!

- Oh my God! Lisa!!! Eu não sei o que falar! Foi bom?

Cuddy jogou a cabeça pra trás.

- M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O. Ele é incrível na cama.

- OMG! Eu não tô acreditando nisso! Que máximo! Que tudo!!! Vamos, me conta. Eu quero saber todos os detalhes sórdidos!

Cuddy caiu na gargalhada e começou a contar todos os detalhes, só era interrompida pelos gritinhos de "uou" e "OMG" de Cameron.

- Uma curiosidade... – Cameron disse fazendo cara de quem vai fazer uma pergunta indecente. – A perna dele não atrapalha?

- Nem um pouco. É inacreditável, mas é como se ele fosse um atleta! - Cuddy disse revirando os olhos. – Ai... Como eu estava precisando de um homem desses.

- Lisa, mas... E agora? Como é que vocês ficam? Vocês estão namorando?

- Pois é... – Cuddy ficou séria. – Aí é que está. Eu não sei. Não faço idéia... E é por isso que eu tô aqui. Pra você me falar alguma coisa.

- Eu? Mas eu sou a pessoa que menos entende de relacionamentos nesse mundo. Eu só me meto em barco furado.

- Então somos duas. Mas me diz o que você faria no meu lugar?

- Ai... Eu acho que... Nossa... Eu não sei. Acho que você deve esperar uns dias pra ver como ele se comporta, se ele muda a forma de te tratar, ou se ele age como se nada tivesse acontecido. Daí, dependendo da reação dele você o chama pra uma conversa e acerta as coisas.

- Hum... Isso é porque não entende nada de relacionamentos.

- É... Mas em homens que não sabem o que querem eu sou pós-graduada.

- Falando nisso... Você disse que também tinha uma novidade... Você e o Wilson...?

- Não. A gente trocou uns beijos... E só. Eu não deixei ele subir.

- Por quê? Você não gosta de sexo é?

Cameron começou a rir.

- Você é ótima. Não, eu adoro sexo. Se fosse um cara qualquer talvez eu até fosse pra cama sem compromisso, mas eu não sei bem o que quero com o Wilson. Só sei que não quero magoá-lo de jeito nenhum. E... Tem o Chase...

- Ah! Finalmente você vai me contar o que há com você e o médico mais lindo do mundo.

- Nossa Lisa. É uma história tão complicada. Vou tentar resumir.

Cameron contou toda a história de como se conheceram e como ficaram amigos na faculdade.

- Só que... – Cameron continuou. – Nós ficamos melhores amigos, até o dia em que eu levei um fora de um carinha que eu tava a fim. Fiquei super mal, o Robert foi me consolar, nós tomamos um porre e acabamos na cama.

- Nossa. Isso não costuma acabar bem.

- Pois é. Só que eu sempre fui muito desencanada de tudo. E aquilo passou e nós continuamos amigos, namorávamos outras pessoas, e de vez em quando, quando estávamos carentes ou por qualquer outro motivo, a gente acabava ficando junto. E eu sempre jurava que aquilo não ia mais acontecer, que eu podia me apaixonar e quebrar a cara. E a gente combinava que seríamos só amigos... E, quando a gente menos esperava, estávamos na cama.

- Que confusão hein?! E isso acabou como?

- Não acabou. Nós começamos namorar quando ele começou o último ano de faculdade. Aconteceu o que era previsto, nós nos apaixonamos. E tivemos o ano mais perfeito das nossas vidas.

- Que lindo, Allison. Mas e aí?

- O ano foi ótimo, nós nos amávamos muito só que tínhamos um problema. Ele iria fazer residência médica em Sidney, foi a condição pro pai dele deixá-lo vir estudar nos EUA. E eu ainda tinha três anos de faculdade pra terminar.

- Mas, se vocês se amavam mesmo, dava pra superar esse tempo e a distância.

- Sim. Só que o fato é que o Chase nunca foi de enfrentar muito os problemas sabe?! Ele sempre espera que caia uma solução do céu. E nós passamos o ano inteiro sem tocar no assunto. Resolvemos falar a respeito no dia da formatura dele e acabamos tendo uma briga horrível. Ele disse que não conseguia me encaixar no futuro dele, que era complicado demais, que ele ia embora no dia seguinte e que não queria deixar nada pra trás.

- Que egoísta.

- Muito. Eu fiquei arrasada. Chorei o dia inteiro, mas não deixei de ir à festa. Eu queria vê-lo pela última vez. E ele estava a coisa mais linda do mundo e eu decidi que não iria deixá-lo ir embora da minha vida assim. Então, quando eu percebi que ele tinha ido embora, eu fui atrás dele e o encontrei na cama com a minha melhor amiga.

- Ah não... Eu não acredito que ele fez isso...

- Fez... E tentou se explicar. Que estava bêbado, que não pensou, que tava com raiva por ter terminado comigo... Eu não conseguia reagir. Eu estava em choque. Foi a última vez que eu o vi e que falei com ele até o dia em que fui contratada no Princeton Plainsboro Hospital.

- Putz. Que história. Parece coisa de filme. E agora os seus fantasmas do passado estão de volta né?!

Cameron contou a ela tudo o que tinha acontecido desde o dia em que se reencontraram.

- Ai Allison, eu não queria tá no seu lugar. Ele terminou mesmo com a chatinha lá?

- Não sei. Eu tenho um problema sério pra acreditar nas coisas que ele diz. Mas o fato é que eles brigaram mesmo, senão ele não teria vindo me procurar. Ele ficou louco de me ver com o Wilson.

- Ainda tem o Wilson. É amiga, sua vida realmente está bem mais complicada que a minha.

- Me diz o que eu faço?

- Você o ama?

- Eu acho que não deixei de amá-lo nem por um minuto desde que o conheci.

- Então luta por ele. Deixa ele te provar que você pode voltar a confiar nele, mas não joga fora a chance que a vida tá te dando de viver esse amor outra vez.

- Será que vale a pena Lisa?

- Eu não sei. Realmente não sei. A única coisa que eu tenho certeza é que não vale a pena chegar à minha idade sozinha. Vai por mim. Eu tô falando pra você o que eu falaria pra uma filha. Vai atrás da sua felicidade.

- Ele me traiu. Ele traiu a Lucy. Como eu vou confiar num cara assim?

- Perdoar é um dom Allison. Não descubra isso tarde demais.

Cameron apertou a mão da amiga.

- Sabe que conhecer você foi uma das melhores coisas que me aconteceu esse ano?! Você tá sendo uma amiga e tanto. Obrigada.

- Você também é uma amiga e tanto.

As duas foram interrompidas pelo telefone. Cameron foi atender.

- Alô.

- Cameron, é o Wilson. tudo bem?

- Oi Wilson. Eu tô ótima, e você, dormiu bem?

- Melhor impossível. Tô ligando pra ver se você topa um cinema hoje à tarde.

- Eu adoraria, mas fiz compromisso com a Cuddy. Programa de meninas hoje.

- Ah, que pena. Mas, se mudar de idéia me liga viu?! Divirtam-se!

- Ok. Obrigada.

- Até mais.

- Até.

Cameron voltou para o sofá.

- E com ele, o que eu faço?

- Ah, isso é com você colega! Tá fazendo perguntas demais.

- Chata! – Cameron disse jogando uma almofada nela.

- Vai se trocar e vamos almoçar.

- Ok mamãe. Tô indo!

E que dez mil estrelas vão riscando o céu

Buscando a sua casa no amanhecer.

XXX

Notas:

Música: Nada por mim - Herbert Vianna e Paula Toller. Essa música diz tudo né?! "Não vá pensando que eu sou seu..." I love this... hehehe

Música: Sem mandamentos - Oswaldo Montenegro. É a música que eu ouço quando estou muito feliz... Assim como a Cuddy ficou depois de... Vocês sabem!!! kkkkkkkkkk

Finalmente toda a história universitária de Chase e Cam. Essas coisas acontecem e, como disse a Lisa sabiamente, não costumam acabar bem. Vamos torcer pra, pelo menos aqui, essa história ter um final feliz né:D

Pessoal, de novo desculpem pela demora pra postar. Meu pc estragou, a faculdade tá me enlouquecendo... Esses contratempos que não dá pra evitar!

Obrigada pelos reviews meninas! Vocês são o máximo e eu fico me achando muito com o que vocês escrevem. Ligya, Nessa, Mona, Lalah, Naiky, Dri, Nina, e também o pessoal que lê mas não comenta! Obrigada por lerem! (Desculpem se eu esqueci de alguém... É a pressa! Hehe)

Por hoje é só... Beijos pra vocês e até o próximo capítulo.