Capítulo 9 – Se...
- Posso entrar?
- Olá. Olha só quem veio me fazer uma visita na segunda de manhã. – Wilson respondeu abrindo um sorriso. – Entra Cameron.
- Está ocupado?
- Não. Só estou revisando uns prontuários. Tudo bem?
Ela sentou-se numa cadeira à frente da escrivaninha dele.
- Sim. Eu só vim pedir desculpas por ontem, a Cuddy precisava de companhia.
- Ah, eu imagino, não se preocupe.
- Imagina o quê?
- Que a Cuddy precisava de companhia ontem...
- Não vai me dizer que o...
- Sim. – Ele a interrompeu. – Eu tô sabendo.
- O House foi correndo exibir o troféu pros amigos. É a cara dele.
- Cameron, ele não foi exibir troféu nenhum. Tá. Isso é realmente a cara dele, mas ele não fez isso. Eu sou o melhor amigo dele, é normal eu saber! Além do mais, pelo jeito, quem foi exibir alguma coisa foi a Cuddy né?!
Ela riu.
- Imagina. Ela só me contou porque precisava contar pra alguém. Não dá pra guardar uma coisa dessas só pra si!
- Ah... Deixemos a vida dos dois. Eles que se entendam... Ou não! Vocês têm algum caso hoje?!
- Não sei. Mas acho que não, pelo menos não ainda.
- Hum... Então, pra eu te perdoar por ter recusado meu convite ontem, você vai ter que almoçar comigo!
- Olha só! Você acabou de dizer que tinha me perdoado.
- Ok. Mas o convite pro almoço continua de pé.
- Certo. Me chama quando você quiser ir então!
- Combinado.
- Vou indo então, antes que meu chefe sinta minha falta!
- Bom dia pra você.
- Um ótimo dia pra você também.
Ela deu uma piscadinha pra ele e saiu da sala. Ao chegar à sala de diagnósticos todos já estavam lá.
- Bom dia pessoal.
- Onde você estava? – Perguntou Chase. – Eu vi seu carro no estacionamento quando cheguei.
- Eu disse "Bom dia", Chase. – Ela respondeu com um sorriso, ignorando a pergunta dele.
- Aposto que ela estava visitando as criancinhas com câncer. – Disse House em tom irônico.
Chase fechou a cara.
- É?! – Ela disse em tom desafiador. – Eu também posso dizer por onde você passou o fim de semana.
Os dois trocaram um olhar cúmplice. Cameron atravessou a sala, pegou um café e sentou-se ao lado de Foreman.
- Acho melhor começarmos a trabalhar! – Disse House.
- Hey. – Foreman entrou na conversa. – Agora vocês dois têm segredinhos é?!
- Seja promovido a funcionário branco e eu conto pra você.
- Eu sou um funcionário branco. – Chase falou rindo.
- Funcionário branco do sexo feminino. – House piscou pra ele. – Desculpa, esqueci essa parte.
- Algum caso pra hoje? – Perguntou Cameron mudando o assunto da conversa.
- Sim. A Cuddy foi boazinha comigo e me mandou uma garotinha de 13 anos com trombose venosa profunda.
- Diagnosticada?! – Perguntou Cameron incrédula.
- Sim.
- Inacreditável. – Disse Foreman pegando o prontuário.
- Mas o que é pra gente fazer? – Perguntou Chase. – Tratar e pronto?
- Isso!!! Uma garota de 13 anos teve uma TVP e nós vamos entupi-la de anticoagulantes e mandá-la pra casa. Por essa você quase ganha o troféu de funcionário do mês.
Chase suspirou.
- Pelo jeito o escolhido da semana pra você torturar sou eu né?! – Disse Chase.
- Claro que não. Eu amo você. Foreman, a clínica é sua hoje. Você e a Cameron vão descobri por que a nossa criança tá formando coágulos onde não devia.
Chase e Cameron se olharam. Cameron lançou um olhar fuzilante para House e ele entendeu o "Você me paga" que ela lhe disse silenciosamente. Cameron pegou o prontuário e saiu da sala, seguida por Chase. House saiu na direção oposta.
XXX
- Onde você estava? – Perguntou Chase assim que os dois ficaram sozinhos.
- Eu não tenho o menor problema em te falar, mas como não é da sua conta, eu vou te deixar curioso. – Ela respondeu e começou a andar mais rápido que ele, fazendo-o quase correr atrás dela.
- Hey. Espera. O que eu te fiz?
- Meu Deus Chase!!! Que coisa. O que eu falei de mais? Tô brincando com você. Agora vamos trabalhar e pára de fazer perguntas!
Os dois seguiram em silêncio até o quarto da paciente.
- Bom dia Samantha. Eu sou a Dra. Cameron, esse é o Dr. Chase, nós vamos colher um pouco do seu sangue pra fazer alguns exames ok?!
- Mas eu já estou ótima. Eu quero ir pra casa.
- Não senhora mocinha. – A mãe dela disse. – Você não sai daqui antes de os médicos descobrirem o que houve com você.
- Obrigada, senhora Anderson. – Disse Chase.
- Maggie. Pode me chamar de Maggie.
Chase explicou o motivo dos exames à mãe enquanto Cameron fazia uma pequena incisão na pele de Samantha.
- Pra que isso? – A garota perguntou.
- É pra ver por quanto tempo você sangra, assim a gente determina como está a sua coagulação.
- Certo.
Cameron olhou preocupada para Chase e disse:
- 20 segundos.
- Colhe sangue pra gente fazer um TAP.
- TAP? – Samantha disse curiosa.
- Como você pergunta, menina. – Cameron disse rindo. – Parece alguém que eu conheço! TAP é o tempo de atividade de protrombina. Ele vê quanto tempo a protrombina atua no seu organismo. Se tiver aumentado significa que você coagula com mais facilidade que as outras pessoas e por isso você teve a trombose. Então, nós tentaremos descobrir porque isso ocorre com você.
- Ok!
Chase e Cameron saíram do quarto e foram direto para o laboratório.
- Hey. O que você está fazendo? – Ele perguntou ao vê-la retirando alguns materiais dos armários.
- Pegando material para o ANA.
- Você vai testá-la pra Lupus? Não vai fazer o TAP?
- Não. Você vai fazer o TAP. Eu vou fazer o ANA.
- Por que você sempre acha que é Lupus?
- Eu não acho sempre que é Lupus. O problema é que, se você não sabe, uma das principais causas de TVP é Lupus.
- É claro que eu sei. Mas é uma doença sistêmica e ela teve UM coágulo e você acha que é Lupus.
- Um coágulo que nós vimos. Quem garante que não têm outros?
- Você tá se precipitando.
- Hey. Ela tem 13 anos! Ah não ser que você me dê uma explicação melhor, eu vou fazer o exame. Aliás, eu não tô entendendo o porquê dessa discussão. Qual o problema com o meu exame? Não é você quem vai fazer, não é você quem vai pagar... É só prazer em contrapor as minhas idéias?!
Ele deu um sorriso meigo pra ela.
- Imagina, pequena! Nós somos médicos, só estamos discutindo nossas opiniões médicas, não precisa levar pro lado pessoal.
Ela ficou vermelha de raiva.
- Não me chama assim aqui, Chase. E que mania essa que você tem de começar uma discussão e mudar de assunto quando você perde.
- Eu não perdi.
- Terá perdido quando eu te der um ANA positivo. – Ela respondeu e mostrou língua pra ele.
Os dois passaram o resto da manhã trabalhando, praticamente em silêncio. Já eram quase meio dia quando Chase perguntou:
- E então? Lupus?
Ela fez uma carinha decepcionada.
- Não. Nada de anticorpos anti-nucleares.
- Que bom. Significa que eu não perdi.
- Perdeu sim. É melhor pecar por excesso, se o teste tivesse dado positivo, nós teríamos feito um diagnóstico precoce de uma doença crônica grave e teríamos dado qualidade de vida à paciente.
- Você tenta ganhar até quando você já perdeu!
- Como você é chato!!!
Os dois foram interrompidos pela chegada de Wilson.
- Hey, tava se escondendo de mim é?!
Cameron levantou-se e tirou o jaleco.
- Tava. Queria saber se você ia me procurar!
- Meu Deus! Que mulher maquiavélica. Ainda vai almoçar comigo ou também foi só um teste?
Ela caiu na gargalhada.
- Claro Wilson. Nós temos um paciente e eu passei a manhã fazendo uns exames. Esqueci de te avisar. Desculpa.
- Tava brincando. Eu imaginei que você estivesse aqui, uma vez que quem tava na clínica era o Foreman. Eu sei que você é a "garota do laboratório" do House!
- E eu o "assistente da garota do laboratório". – Disse Chase. – Vocês dois não vão me convidar pro almoço?
- Nem pensar! – House entrou na sala falando alto. - Você vai ficar de olho naquela garota. Ela já manipulou 3 enfermeiras pra fazerem o que ela quer. A menina é o diabo.
- E eu não como.
- Você tá jovem, agüenta esperar a Cameron voltar. Cameron, algum resultado?
- ANA negativo. O TAP estava bem aumentado.
- Previsível. Eu imaginei que você faria um ANA. Essa é minha garota. Lupus foi a primeira coisa que pensei.
Cameron lançou um olhar vitorioso a Chase.
- Estou indo. O Chase fez o TAP, você discute com ele.
Cameron pegou Wilson pelo braço e saiu da sala deixando um Chase furioso.
House deu um tapinha nas costas de Chase.
- Pega a senha, colega.
- Vai à merda House!
XXX
- Posso fazer uma pergunta?
- Outra. – Cameron disse brincando. – Claro.
- Você tem alguma história mal-resolvida com o Chase? – Wilson perguntou encarando-a nos olhos.
Cameron desviou o olhar dele. Não queria mentir, mas não queria contar a verdade. Será que ela conseguia encontrar um meio termo?
- Por que você tá me perguntando isso?
- Por causa do jeito como ele fica irritado quando eu estou perto de você. Pelo fato de vocês terem estudado juntos. Porque você foi muito rápida em responder que nós só estávamos "tomando um ar" lá na festa.
- Você ficou chateado com isso?
- Não. Só não vejo porque esconder.
- E eu não vejo porque tornar a minha vida pública, principalmente sobre uma coisa que ainda não é certa pra mim.
- Você é muito sincera.
Ela corou. Não estava sendo exatamente sincera com ele naquele momento.
- Mas eram os nossos amigos Cameron. – Ele disse de uma forma gentil. – Não vejo problemas em contar pra eles.
- Eu só não queria ficar agüentando as piadinhas bobas do House.
- Ele ia fazer isso de qualquer forma. Todo mundo percebeu o que estava acontecendo, não tinha necessidade de mentir.
- Você ficou chateado sim! Senão não estaria tocando nesse assunto.
- Não. Eu ficaria chateado se você tivesse feito isso pelo Chase. E foi essa a pergunta que você não respondeu.
- Wilson, o Chase estava lá com a noiva dele.
- E você continua fugindo de responder a minha pergunta.
Ela olhou nos olhos dele. Por que o Chase tinha que ter confundido tanto a cabeça dela? Por que não o Wilson? Por que não dar uma chance a uma cara que estava realmente disposto a fazê-la feliz? Achou melhor não mentir pra ele, ela estaria agindo como o Chase.
- Eu não gosto de falar nesse assunto. O Chase e eu já fomos namorados e ele me fez sofrer muito.
- Eu sabia. E ele ainda gosta de você e você não sabe o que fazer...
Ela o interrompeu.
- Não sei se ele gosta de mim, Wilson. Só sei que a idéia de me ver com outro homem o incomoda. Se é amor, ciúmes, orgulho... Eu não faço idéia. O que eu tenho certeza é que a minha vida não vai parar pra esperar o Chase resolver a vida dele.
Wilson sorriu e segurou a mão dela.
- Eu não sei se quero me envolver nessa história, Cameron. A chance de que quem saia machucado dela seja eu é muito grande.
Cameron suspirou. Droga!
- Eu entendo você. Mas é uma pena. Eu adoro a sua companhia...
- Nós podemos continuar amigos. Você pode me ligar a qualquer hora da madrugada pra eu te levar uma comida ou pra falar bobagem se você tiver com insônia.
Ela riu.
- E... – Ele continuou. – Se descobrirmos que essa amizade pode virar uma coisa a mais e que nós poderemos fazer um ao outro feliz, as possibilidades não estão descartadas.
Ela ficou encarando-o em silêncio. Por que esse coração idiota tem sempre que querer as pessoas erradas?
- Você é o máximo Wilson.
- Eu nem me esforço.
Os dois caíram na gargalhada.
- Ok Dra., vamos pedir um café e ir trabalhar né?!
- Faz parte.
Os dois trocaram um olhar confidente e selaram ali um forte laço de amizade.
XXX
Cameron chegou à sala de diagnósticos e encontrou House, Foreman e Chase discutindo o caso de Samantha.
- E aí pessoal, alguma novidade?
- Tirando que a nossa paciente teve uma parada respiratória enquanto você almoçava está tudo bem. – Respondeu Chase emburrado.
- Ah. E a culpa foi minha? Porque eu fui almoçar?
House e Foreman riram.
- Não Cameron. – Respondeu Foreman. – O problema é que a garota não entendeu a parte de "repouso absoluto" e resolveu apostar corrida com as outras crianças da pediatria.
Cameron abriu a boca.
- Ela teve uma embolia pulmonar?
- Ah não ser que você veja outra relação entre um trombo venoso e uma parada respiratória. – Disse Chase.
Cameron ignorou o que ele disse.
- Meu Deus, Chase. Qual o seu problema? – Foreman falou irritado.
Chase levantou-se de supetão.
- Eu vou ver como a Samantha está.
Os três o olharam incrédulos.
- O que deu nele? – Foreman perguntou.
- Estão tentando tomar o brinquedo favorito dele. – Respondeu House.
Cameron fechou a cara. Foreman não entendeu e resolveu mudar de assunto:
- Tá bom, vamos voltar a caso.
- Quem colheu o histórico dela? – Perguntou House.
- Não sabemos. Você trouxe a ficha.
- Alguém perguntou se ela toma anticoncepcionais?
- House! Ela tem 13 anos! É uma criança. – Disse Cameron.
- Criança que faz criança. – Respondeu House.
- Sim. Que seja. Mas a chance de uma garota de 13 anos ter trombose, tendo uso de anticoncepcionais como único fator de risco é mínimo. – Foreman argumentou.
- Você. Vá perguntar a ela.
Foreman saiu e voltou alguns minutos depois.
- Ela não usa anticoncepcionais e está tendo tromboses generalizadas. Ela não está enxergando e os rins estão falhando.
House começou andar de um lado pro outro na sala.
- Pelo amor de Deus House, senta. – Cameron disse impaciente. – Você me deixa mais aflita.
Chase entrou na sala.
- Conseguimos reverter a vascularização da retina, era um trombo arterial. O rim direito está intacto, mas o esquerdo não funciona mais.
Depois de alguns longos minutos em silêncio. House deu um pulo da cadeira e exclamou.
- Síndrome do anticorpo antifosfolípide!
Cameron arregalou os olhos.
- Como eu não pensei nisso antes?
- É a sua área. – Alfinetou Chase. – Realmente era você quem devia ter pensado.
Cameron finalmente se irritou com ele.
- Será que dá pra você parar de me encher por um minuto? Vai me dizer que você nunca deixou passar alguma coisa em branco que te levou a um diagnóstico ou conduta errados?
- Por que vocês dois não param de discutir a relação e vão tratar a paciente? – Disse House.
- Ela já está sendo tratada. – Chase respondeu. – Administramos heparina. Assim que fizer efeito a mandamos pra casa pra tomar anticoagulantes e AAS pelo resto da vida.
- Eu vou fazer os testes pra confirmar o diagnóstico. – Cameron disse e saiu da sala batendo a porta.
House virou-se para Chase e Foreman:
- Vocês dois fiquem de olho naquela garota. Eu vou embora.
XXX
Cuddy estava ao telefone quando House entrou na sala. Ele sentou-se à frente dela e começou a bisbilhotar a mesa dela.
- Pára de mexer nas minhas coisas. – Ela disse assim que desligou o telefone.
- Eu só tava me esforçando pra não prestar atenção na sua conversa.
- Engraçadinho. Você ficaria entediado em 30 segundos. Negócios.
- Eu percebi.
- Pensei que você tivesse dito que não estava prestando atenção.
- Eu disse que estava me esforçando...
Ela riu.
- Onde você esteve a manhã inteira?
- Na clínica.
- Mentira. O Foreman estava lá no seu lugar.
- Tá me perseguindo?
- Onde você estava?
- Não consigo lembrar se você sempre tentou me controlar ou se isso começou agora.
Ela corou.
- Eu controlo você.
- Mas não sabe onde eu estava.
- Você passou a manhã no terraço do hospital. – Ela disse calmamente.
Ele arregalou os olhos.
- Como é que você sabe? Por que perguntou então?
- Como eu sei não importa. Eu sei. E perguntei pra saber se você ia mentir. Estou decepcionada.
Ele a olhou nos olhos.
- Faz cinco anos que eu não vou até lá.
- Eu sei. Algum problema?
- Não sei. E também não sei porque subi lá hoje.
Ela não disse nada, só esperou alguma reação dele.
- Eu só vim ver como você estava. Achei que não faria sentido ligar no dia seguinte se eu poderia vir pessoalmente né?!
Ela riu.
- Você não existe Gregory House. Eu estou ótima. E você?
- Eu estou sempre ótimo. Estou indo pra casa. Minha paciente está diagnosticada, não tenho mais trabalho pra hoje.
- Ok. Obrigada pela visita. Foi muito gentil.
- Eu consigo às vezes.
Ele deu a volta na mesa, aproximou-se dela e encostou seus lábios nos dela num beijo muito suave.
Ela se assustou com a atitude dele.
- House, alguém pode entrar.
- Sinto muito. Mas eu senti vontade de beijar você, nem ligo se alguém vai entrar.
Ela deu um sorriso e retribuiu o beijo.
- Agora vai. – Ela disse. – Me deixa trabalhar.
- Aposto que agora você não vai mais conseguir. – Ele disse com um sorriso malicioso nos lábios.
- Eu te garanto que sim. – Ela respondeu com um sorriso ainda mais malicioso que o dele. – Até amanhã House.
Ele lhe lançou um olhar que ela não conseguiu decifrar e saiu da sala.
Eu
era apenas rio
Esperando que você navegasse
Poema
quebrado no frio
Num salão vazio
Esperando que você
recitasse
Eu era manhã cinzenta
Esperando de você
a aurora
Um lobo de olhar em brasa
Te vendo em casa
(e o
lobo do lado de fora)
E eu era, quem diria
A melodia que jamais
compusera
E eu, que jamais daria
Era o verbo dar
Dizendo
assim: quem dera!
Então não vá embora
Agora
que eu posso dizer
Eu já era o que sou agora
Mas agora
gosto de ser
XXX
- Hey. Espera. – Chase alcançou Cameron saindo do laboratório.
- O que você quer? – Ela estava possessa com ele.
- O que você pensa que está fazendo?
- Testando anticorpos antifosfolípides. Aliás, o resultado deu positivo.
Ela continuou andando e ele a seguiu.
- Não tô falando disso.
- Tá falando de que então?
- Você e o Wilson.
Ela parou de frente pra ele.
- E?
- Cameron, você tá com ele? Você me deu uma chance ontem e eu chego aqui vocês dois estão morrendo de amores.
- Estou começando a me arrepender do que te disse ontem Chase.
- Por quê? O que eu fiz?
- Você está agindo feito um idiota desde a hora em que eu cheguei aqui hoje. Me controlando, implicando com tudo que eu faço ou falo. Qual o seu problema? É assim que você tá tentando se dar outra chance?
Ele fez uma cara triste.
- Eu faço tudo errado mesmo. Que droga. Eu tô confuso Cameron. O Wilson é um cara tão melhor que eu que eu morro de medo de perder você pra ele.
- Ainda bem que você sabe. – Ela disse cinicamente.
- Pára de me torturar, por favor.
- Eu não estou te torturando. Estou agindo com você da mesma forma que você tá agindo comigo. Eu sou um espelho Chase. Trate-me da maneira como você gostaria de ser tratado.
- Eu conversei com a Lucy.
- E?
- Ela quer voltar. Disse que falou aquelas coisas porque estava com ciúmes. Que me ama muito e que não suporta me perder.
- E você disse que precisava pensar, que estava confuso.
- Como é que você sabe?
- Porque é assim que você resolve suas coisas. Fugindo delas.
- Allison...
- Chase, escuta uma coisa: se você tá pensando que vai enrolar a Lucy até ter certeza de que eu vou voltar pra você, você pode me esquecer definitivamente.
- Isso não passou pela minha cabeça.
- Tem certeza? Tem certeza que o seu medo não é trocar o certo pelo duvidoso e acabar sozinho?
- Não, não é.
- Tudo bem então. Mas esteja ciente que a minha vida não vai parar pra esperar por você.
Cameron continuou andando em direção à saída. Chase ficou parado onde estava, no meio do corredor, observando a mulher que ele amava se afastando cada vez mais dele.
Você
disse
Que não sabe "se não"
Mas
também
Não tem certeza que "sim"...
Quer
saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você
sabe que eu só penso em você
Você diz que vive
pensando em mim...
Pode ser
Se é assim
Você
tem que largar
A mão do "não"
Soltar
essa louca
Arder de paixão
Não há como
doer pra decidir
Só dizer "sim" ou "não"
Mas
você adora um "se"...
Eu levo a sério
Mas
você disfarça
Você me diz à beça
E
eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do
sul
Insiste em "zero" a "zero"
Eu quero
"um" a "um"...
Sei lá, o que te
dá
Não quer meu calor
São Jorge, por
favor
Me empresta o dragão!
Mais fácil
aprender
Japonês em braile
Do que você decidir
Se
dá ou não...
Notas:
1. TVP: trombose venosa profunda. Absolutamente incomum antes dos 35 anos, principalmente em crianças e adolescentes. Por isso a necessidade de encontrar uma causa, como Lupus ou a doença do anticorpo antifosfolípide (caso da paciente), que são doenças crônicas e de tratamento difícil. As pílulas anticoncepcionais são o maior fator de risco conhecido, junto com o tabagismo.
ANA: anticorpos anti-nucleares. Estão presentes em doenças auto-imunes, como o Lupus.
A doença que a paciente tem é auto-imune (gente eu só ando estudando doenças auto-imunes ultimamente, sorry!) causa coágulos no corpo inteiro podendo obstruir vasos vitais e levar a falência de órgãos importantes, como os rins. A heparina é pra tratar na fase aguda. Depois ela toma anticoagulantes e o AAS (aspirina), que evita a agregação das plaquetas e formação dos coágulos, pelo resto da vida.
2. Primeira música: Poema quebrado - Oswaldo Montenegro. Eu adoro essa música, o Oswaldo a escreveu pra namorada dele, e a melhor amiga dele comenta no DVD que nunca o Oswaldo se colocou tanto numa música e que a mulher que merece uma música dessas deve ser realmente uma mulher maravilhosa. Eu acho essa música muito Huddy!!! hehe
3. Música final: Se – Djavan
Meninaaaaas, vocês me matam com esses reviews! Poxa, eu sou leonina, naturalmente convencida!!! hehe
Li, não se desespere! O Chase ainda vai sofrer um bocadinho!
Só isso por hoje... Fui!
