CAPÍTULO 10 – Medos

Já fazia mais um mês que Cameron estava trabalhando na equipe de House. Tinha a sensação de que mais coisas aconteceram durante aquele mês do que na sua vida inteira. O reencontro com Chase, Wilson, Cuddy, o trabalho estressante... Tudo aquilo fazia a sua cabeça ferver nos finais dos seus dias. Mas ela estava feliz. Apesar de todos os problemas, lá no fundo ela sabia que aquela era a vida que ela gostava: um trabalho desafiador, um chefe brilhante e uma vida pessoal cheia de conflitos e confusões.

Aquela semana havia transcorrido normalmente no Princeton Plainsboro Hospital. Alguns poucos casos, mas nenhum que tirasse o sono de House e sua equipe. O clima entre Cameron e Chase havia melhorado um pouco, ele tentava ao máximo ser gentil com ela e ela até se divertia com isso, era engraçado vê-lo se dobrando em esforços para agradá-la.

Na sexta-feira, Cameron estava lendo alguns artigos na internet, enquanto Foreman folheava uma revista e Chase fingia que lia um livro de Nefrologia, quando o telefone tocou despertando a todos.

- Alô. – Chase atendeu.

- Chase. – Disse Cuddy do outro lado da linha. – Preciso de ajuda de todos no Pronto Socorro.

- Ok. Estamos a caminho.

- Onde está o House?

- Passou por aqui cedo, saiu em seguida e não deu mais sinal de vida.

- Ok. Desçam rápido.

Chase desligou o telefone e comunicou aos colegas:

- Trabalho pesado no Pronto Socorro pessoal. Rápido!

Os três dirigiram-se ao primeiro andar e, ao chegarem lá, viram uma enorme confusão.

- O que aconteceu aqui? – Perguntou Cameron assim que conseguiu distinguir Cuddy no meio da multidão.

- Um engavetamento envolvendo mais de 30 veículos e um ônibus escolar. – Ela respondeu rapidamente. – Chase, quero você e Cameron na linha de frente. Tomem as medidas iniciais e façam os encaminhamentos. As listas com os hospitais especializados estão afixadas nas paredes. Foreman, estamos encaminhando os traumas crânio-encefálicos para a neurologia e estão precisando de pessoal lá.

Os três se dirigiram para os seus postos e trabalharam incessantemente o resto do dia. Já passava das 7 da noite quando as coisas se acalmaram. Cuddy passou na sala principal do Pronto Socorro e encontrou Chase refazendo um curativo em uma criança e Cameron encostada na entrada da sala.

- E aí? – Cuddy perguntou. – Tudo mais calmo agora?

- Ah sim. Todas as vítimas já receberam atendimento ou foram encaminhadas. Só aquela garota que arranca o curativo a todo momento e não deixa nenhuma enfermeira se aproximar dela. Só o Chase. - Cameron respondeu divertida.

- De boba ela não tem nada né?! – Cuddy riu.

- Mal sabe ela...

- E aí? Como vocês estão?

- Na mesma... Mas... Desculpa Cuddy, não tô com cabeça pra tocar nesse assunto hoje.

- Tudo bem, mas quando quiser falar.

- Obrigada... Mas, falando nisso. Por onde anda meu chefe?

Cuddy suspirou.

- Espero que bem longe daqui, porque se ele aparecer na minha frente eu sou capaz de matá-lo.

Cameron riu.

- O que ele fez dessa vez?

- Nada. Só desapareceu o dia inteiro, no dia em que eu mais precisei dele.

- Ah, Cuddy. O House não iria ajudar muito, ele odeia isso tudo. Aposto que ficou sabendo do engavetamento e desapareceu de propósito.

- Eu tenho certeza absoluta disso.

- E como vocês dois estão?

- Não faço idéia... Aliás, acho que não existe nós dois.

Cameron observou a resposta da amiga e percebeu que se formou uma ruga na sua testa.

- Você está com um ar preocupado. Mais do que o normal quando se trata do House. Algum outro problema?

- Nada... – Cuddy disfarçou. – Cansaço.

Antes que Cameron pudesse responder, Wilson se aproximou e passou os braços sobre os ombros das duas.

- Cansadas meninas? – Ele perguntou.

Cameron riu.

- Só você me chamando de "menina" pra animar meu dia mesmo. Muito cansada.

- Mas as duas continuam lindas com olheiras e os cabelos bagunçados.

- E você continua o mesmo cavalheiro de sempre. – Cuddy respondeu. – Ou é isso ou você vai nos convidar pra uma esticada depois do trabalho.

- As duas coisas. Nós merecemos depois de um dia desses né?!

- Tudo que eu preciso agora é de uma cerveja! – Cameron se animou.

Chase e Foreman também se aproximaram.

- Alguém falou em cerveja? – Foreman perguntou.

- Sim. – Completou Cuddy. – Vamos todos sair pra refrescar a cabeça.

- Essa é a melhor chefe do mundo. – Disse Foreman dando um beijo na bochecha dela.

- Olha a intimidade rapaz! – Cuddy brincou e todos começaram a rir.

- Desculpe. – Foreman falou constrangido, fazendo todos rirem ainda mais.

House entrou no saguão do Hospital nesse momento.

- Hey, lacaio! A chefe é minha.

Cuddy fechou a cara assim que o viu.

- O que aconteceu por aqui? Parece que o Katrina atingiu New Jérsei.

- Como você é engraçado, House. Não vai me dizer que não soube do...

Ele não a deixou completar a frase.

- Sim, eu soube querida. Mas não imagino como os meus escassos conhecimentos de medicina poderiam ser úteis. – Ele disse humildemente.

- Eu acho melhor você calar a boca, senão...

- Senão?! – Ele respondeu com um de desafio.

- Ok pessoal. Sem mais acidentes por hoje. – Wilson interrompeu a discussão dos dois. – A gente não ia pro bar?

- Claro, vamos logo.

O grupo saiu do Hospital e dirigiu-se para um bar próximo. Quando chegaram à entrada, Cuddy comentou.

- Vocês enlouqueceram? Metade dos meus alunos deve estar aqui hoje. Segunda-feira eu sou o assunto da garotada.

- Ah Cuddy. Os meus alunos também freqüentam esse bar. Aliás, eu vivo aqui com eles. – Wilson a tranqüilizou.

- Nossa. – Cameron disse. – Não sabia que você era tão popular com os seus alunos.

- Eles me adoram. – Wilson brincou.

- Principalmente as alunas. – House provocou. – Ops! Não posso falar disso na presença da chefe, você pode ser demitido.

- Dá pra você parar de me chamar de chefe?

- Dá pra gente entrar logo que eu tô morrendo de frio? – Foreman sugeriu.

- Tá... Vamos logo. – Cuddy concordou meio a contragosto.

- Assim é bom que esses garotos metidos a médicos vão saber que você tem dono. – House cochichou no ouvido dela.

- Tenho? – Ela disse irônica. – Quem?

- Posso te mostrar mais tarde.

- Depois de me dar umas boas explicações pros seus sumiços durante toda a semana, quem sabe...

Os seis se acomodaram numa mesa um pouco mais longe do som. Como previsto, o bar estava lotado de estudantes, que vez ou outra passavam pela mesa dos médicos pra cumprimentar os professores. Todos eram repelidos de lá com os comentários de House.

- Não adianta puxar o saco dela aqui. Amanhã ela nem vai lembrar-se da sua cara. Experimente estudar e mostrar serviço que você talvez ganhe uma estrelinha na testa. – Ele disse a um garoto de um pouco mais de 18 anos que insistia em se insinuar para Cuddy.

- Ai que ótimo. – Cuddy disse assim que o garoto se afastou. – Ainda levo a fama de bêbada.

Cameron estava às gargalhadas.

- Cuddy. Quantos anos esse garoto tem?

- Só sei que tem idade pra ser meu filho. Ele já me chamou pra sair.

Todos caíram na gargalhada, exceto House que a olhou impressionado.

- Sério? – Disse Chase. – E o que você fez?

- Disse que eu já tinha um programa com os meus amigos, da minha idade. Que era melhor ele procurar uma garota da idade dele pra se divertir.

- Coitado. – Brincou House. – Acabou com a esperança do menino tão rápido. Por que não aceitou o convite e deu um bolo?

- Ah House. Me poupe!

- E ele desistiu? – Wilson estava interessado.

- Claro que não. Esses jovens quando cismam com uma coisa são impossíveis. Ele descobriu o meu celular, daí, vira e mexe ele me liga: "Professora, eu estou em dúvida sobre qual conduta adotar em um paciente com diabetes melito insulino-dependente refratária, será que a senhora poderia me ajudar."

Todos começaram a rir novamente.

- E você? – Cameron perguntou.

- Querido, vou te passar o número da monitora de endócrino. Eu realmente estou muito ocupada agora.

- Ah não. Dá um passa fora nesse garoto. – House interferiu. – Já tá abusando. Quer que eu vá lá resolver?

Cuddy começou a rir.

- Isso. Vai lá e enfrenta ele na porrada. Você realmente leva a maior vantagem nele, no preparo físico e na idade.

- Mas eu aposto que você prefere a minha idade e o meu preparo físico do que o dele.

Ela corou.

- Opa. Parece que estamos sobrando aqui. – Chase brincou. – É só mais uma garrafa de cerveja pra ele pegar o microfone e declarar seu amor eterno a ela.

Cuddy corou ainda mais.

- Eu acho melhor mesmo eu parar de beber. – House concordou. – Vocês não fazem idéia da mistura explosiva que é álcool + hidrocona.

- Nós fazemos idéia House. – Wilson respondeu.

- Aliás, Cuddy. – House observou. – Não vai tomar nenhuma cerveja com a gente? Pelo que sei você não trabalha amanhã e eu também não me lembro de você politicamente correta.

Cuddy engasgou.

- Estou de dieta House.

Ele a fitou sério, pela primeira vez na noite.

- Sei... Ou é isso, ou...

- House! – Cameron o interrompeu enquanto encarava a amiga na outra ponta da mesa. – Dá pra parar de encher a paciência só um pouco?

- Menina, eu ainda sou o seu chefe, esqueceu?

- Não aqui. – Ela respondeu.

- Isso mesmo. Acho melhor nos preocuparmos com o que nós estamos bebendo. A garrafa está vazia. – Wilson disse fazendo sinal para o garçom.

House deu uma risadinha sarcástica.

- Jimmy boy está mal intencionado hoje!

- Em primeiro lugar House, Jimmy Boy é a mãe. E em segundo lugar, as minhas boas ou más intenções não lhe dizem respeito.

- Está na defensiva. – House acrescentou. – É pior do que eu pensava, está com coração partido. Wilson eu não acredito que você perdeu...

- House! Cala a boca. – Cuddy falou elevando o tom de voz.

- Yes, mistress! – Ele respondeu em um tom quase formal.

Todos na mesa começaram a rir.

Já passava das duas da manhã quando Cameron levantou-se para ir embora.

- Pessoal, o papo está ótimo, mas eu estou exausta.

- Ah Cameron, fica mais um pouco. – Wilson insistiu. – Tá uma delícia aqui.

Ela sorriu pra ele.

- Realmente Wilson, está ótimo, mas eu estou mesmo muito cansada. O dia hoje foi terrível.

- Sério? – House comentou. – Eu agüento ficar aqui a noite inteira.

- Ai que vontade de matar você, House. – Cuddy falou fulminando-o com os olhos.

- Bom, matem-se aí, mas agora eu vou embora. – Cameron disse e despediu-se de todos.

- Preciso falar com você. – Cuddy cochichou no ouvido da amiga antes dela sair.

- Ok. Me liga amanhã. Love you!

- Cameron, eu te acompanho. Também estou muito cansado. – Chase disse levantando-se.

Cameron o olhou surpresa e apenas consentiu com a cabeça.

- Muito bem Chase. – House falou quase gritando. – Não deixa a moça ir embora sozinha.

Cameron ficou constrangida com a situação. Buscou os olhos de Wilson enquanto esperava Chase se despedir de todos. Ele a encarava com um olhar que ela não conseguiu decifrar. Não sabia se havia tristeza ou simplesmente conformismo naqueles olhos.

- Vamos Cameron. – Chase tocou no seu braço, despertando-a.

- Claro. Até mais pessoal. – Ela disse lançando um último olhar a Wilson. Ele lhe respondeu com um sorriso e um aceno com a cabeça. Ela entendeu o recado.

Do lado de fora fazia um frio insuportável. Cameron se encolheu toda ao sair do bar e ser quase arrebatada por um vento gelado.

- Onde está seu carro? – Ela perguntou entre dentes.

Chase riu dela.

- Está no hospital. Eu vim com o Foreman.

- Então está partindo do pressuposto que eu vou te dar uma carona? – Ela disse erguendo uma sobrancelha.

Ele não respondeu. Apenas sorriu e ficou olhando pra ela.

- Que foi? – Ela perguntou divertida.

- Eu adoro quando você faz isso.

- Isso o quê? – Ela perguntou repetindo o gesto, sabia do que ele falava.

Ele gargalhou.

- Ah Chase. – Ela disse e o empurrou como se fosse derrubá-lo. – Eu tô aqui congelando de frio e você fica aí rindo da minha sobrancelha.

Ele a abraçou gentilmente.

- Ainda com frio?

Ela o observou atentamente. Como ele estava lindo. Aquele casaco que ia até o joelho o deixava com um ar de príncipe inglês. Estava corado por cauda do frio e o vento bagunçava um pouco os cabelos dele, quebrando a formalidade da roupa e o deixando parecendo o mesmo menino que ela conhecera anos atrás. Ela riu.

- Sim. Ainda estou com frio, mas valeu pela gentileza.

- Eu tenho uma idéia ótima pra mandar esse frio embora.

Ela riu fazendo uma carinha de nem pense nisso.

- Como você é desconfiada Dra. Cameron. Eu só ia te convidar pra tomar aquele chocolate quente que eu sei fazer. Lembra?

Ela mordeu os lábios. Sabia exatamente como os chocolates quentes na casa de Chase costumavam terminar.

- Não sei se é uma boa idéia Robert.

- Hey. Por que ficou séria? É só um chocolate quente Allison. Tem tanto tempo que a gente não senta pra bater um papo.

- São quase 3 da manhã! – Ela tentou outro argumento. – Além do mais, das últimas vezes que a gente conversou nós só brigamos.

- Ah, pára né?! Nós não estamos brigando agora e você costumava adorar as nossas madrugadas de jogar conversa fora e também dizia que o meu chocolate quente era o melhor do mundo.

Ela deu um sorriso, finalmente rendida.

- E é mesmo. Tudo bem, mas eu tenho uma condição.

- Pode falar.

- É uma coisa de amigos ok?!

Ele assentiu com a cabeça, não muito certo de que cumpriria a sua promessa.

Os dois entraram no carro dela, Chase encostou a cabeça no banco, fechou os olhos e deu um suspiro.

- Que foi? – Ela perguntou enquanto dava a partida no carro.

- Tem o seu cheiro aqui dentro...

Ela riu.

- Talvez porque eu seja quase a única pessoa a entrar nesse carro.

- Quase?

- É... De vez em quando eu dou uma carona aos meus homens.

- Não tem graça. – Ele disse fechando a cara. – Ah, não precisa pegar o meu carro, amanhã eu pego.

- Como?

- Eu gosto de correr de manhã. Eu venho até aqui correndo e pego o carro.

- São quase 12 Km. – Ela disse boquiaberta.

- Qual o problema? É por isso que eu estou com essas pernas saradas.

- Hum. Metido. – Ela debochou. – É por isso que eu continuo com as mesmas pernas de sempre, morro de preguiça de malhar e poucas coisas me fazem levantar da cama cedo no sábado. Correr não é uma delas.

- Continua preguiçosa como sempre... E se continua com as mesmas pernas, você realmente não tem com o que se preocupar...

Ela o repreendeu com o olhar.

- Desculpa. Eu só estava sendo sincero. – Ele disse fingindo estar envergonhado.

- Coloca o carro na garagem. – Ele disse assim que se aproximaram do prédio dele. – O meu não está aí mesmo.

- Ok.

Os dois entraram no elevador e Chase apertou o nº 17. Cameron arregalou os olhos e sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo.

- Você mora no 17º andar? – Ela perguntou, petrificada.

Chase riu.

- Ai meu Deus. Eu esqueci do seu medo de altura. Mas não se preocupe, é só você se manter afastada das janelas. Se bem que eu tenho uma sacada que tem uma vista maravilhosa, é incrível.

Ela encostou-se no elevador, desolada.

- É uma pena que eu nunca vou saber como é essa vista. Por que tão alto Robert?

- Relaxa Pequena. – Ele a abraçou tentando acalmá-la. – É a chance de você superar o seu medo.

Ela deixou a cabeça descansar sobre o peito dele. Não sabia exatamente de qual medo ele estava falando, mas tinha a certeza de qual ela queria superar.

Me diz como é que faz
Finge que eu cheguei agora
Finge que eu não sei do engano, ah!
Finge que eu não vi
Me fala sobre mim
Como se eu estivesse fora
Mostra a foto do outro ano,é
Finge que eu não vi
Me roubei da estrela
E é como se eu fosse a luz e ela eu
Vim banhado em cor e a estrela
É o que eu fui e ainda sou em ti
E aí dói tanto vê-la
Como dói hoje olhar pra estrela
Que eu marquei em ti

XXX

Foreman, Wilson, House e Cuddy saíram do bar pouco depois de Chase e Cameron.

- Hey companheiro, que cara é essa? – Cuddy perguntou a Wilson enquanto o grupo andava pelo estacionamento.

- Cansado... – Wilson respondeu vagamente.

- Sei... – Cuddy o olhou desconfiada.

- Hey amigo. – House interferiu. – Vai atrás dela, você é um homem ou o quê?

- Você não sabe do que tá falando House.

- Ah Wilson, você é patético. Tinha a mulher na mão e a deixou cair nas garras do mané do Chase.

- House. Eu reafirmo. Você não tem idéia do que tá falando.

- Ah não. Então me conta do que eu to falando.

- Eu não a amo. E não sou eu que estou deixando uma mulher especial escapar. Boa noite pra vocês.

- Você tá bêbado cara. – House gritou enquanto Wilson e Foreman se afastavam.

- Você também! – Wilson devolveu.

Cuddy abriu a porta do seu carro pra entrar e House a deteve.

- Preciso falar com você.

- Agora?

- É. Agora.

- Nem pensar. Eu estou exausta, com sono e aqui tá muito frio.

Ele deu a volta e sentou-se no banco do passageiro, ao lado dela.

- Por que você não me contou?

- Contou o quê? – Ela perguntou surpresa.

- Você está grávida.

- Não tô não. – Cuddy respondeu prontamente. – De onde você tirou isso?

- Dos seus seios maiores. Das vezes em que saiu mais cedo do trabalho nos últimos dias e da ausência do consumo de álcool.

Cuddy suspirou.

- Meus seios estão maiores porque eu estou de TPM, eu saí mais cedo porque tinha compromisso fora do Hospital e não estou bebendo porque estou de dieta.

- Você nunca sai mais cedo do trabalho, você marca todas as suas reuniões no Hospital. Não tem a menor chance de você estar de TPM, eu conheço você nesse estado. E você não precisa de dieta. Ah... Sem contar que você nunca responde a todas as minhas perguntas. Está se explicando demais é porque tem algo a esconder.

- House, você bebeu demais. Eu não estou grávida e eu quero ir pra casa dormir agora. Vai embora.

Ele a encarou.

- Eu vou tirar isso a limpo Cuddy e você sabe que eu descubro tudo o que eu quero.

- Boa sorte. – Ela sorriu. – Vai perder o seu tempo.

Ele saiu do carro batendo a porta. Cuddy encostou a cabeça no volante e começou a chorar. Ele vai ter que saber, mais cedo ou mais tarde. Passou a mão na barriga, ainda retinha, ainda não havia sinal de que ali dentro estava crescendo uma criança. O filho dela. O filho que ela tanto queria. O filho dela... E do House.

Em alguns bilhões de anos
Vamos nos mudar daqui
O sol vai explodir
E a terra vai sumir

As idéias muito simples
São difíceis de aceitar
Ir à praia
E mergulhar no mar
Antes de tudo se acabar

Quando o céu tá carregado
É sinal q vai chover
Não é tão complicado
Ter prazer em dar prazer

Pega vida em mim
Tenta a sorte em mim
Salva o que é seu em mim
Pega vida em mim
Zera o jogo em mim
Cuida do que é seu em mim

Não é bem felicidade
Mas ainda fico a fim
Querer o que se pode
É liberdade sim

As idéias muito simples
São difíceis de aceitar

Dar um beijo
E se deixar levar
Antes de tudo se acabar

XXX

Notas:

Bom pessoal, aí está. Dessa vez eu bati o recorde de demora né?! Mas... Festas de fim de ano, ficar em casa com a família, dividir o pc com meus irmão, fic de Natal... Tudo isso junto com a minha crise de ausência de inspiração pra escrever... Já viram né?!

Espero que tenham gostado desse capítulo.

A Cuddy realmente é professora. Se eu não me engano, no episódio "Human Error" há uma referência a isso. O Wilson não, mas eu imaginei que seria delicioso ser aluna dele! Hehe Imaginem só como ele daria um excelente professor!

A idéia do adolescente a fim da Cuddy foi uma coisa que me ocorreu. Achei divertido ver o House "competindo" com um garotão.

- Yes, mistress! – Eu me esforcei pra lembrar em que episódio o House fala isso pra Cuddy! Achei divertidíssimo!

As músicas:

Como se Estivesse Fora - Oswaldo Montenegro

Pega Vida - Kid Abelha

Mandem reviews contando o que acharam do capítulo. Não precisam ser só elogios, é óbvio que eles são muito bem-vindos e eu fico muito feliz quando os recebo, mas as críticas também são importantes para que a gente escreva cada vez melhor.

Ligya e obrigada pela força de sempre. Vocês me fazem ver que posso ser melhor.

Meninas da comunidade Cham, mais uma vez, obrigada também. É pra vocês que eu escrevo.

Ah... Um ótimo 2008 pra vocês! Que esse ano seja de realizações boas e de muita paz para todas nós.

Por hoje é só!