Entraram em um pequeno estabelecimento na Harley-street. Na vitrine estavam à mostra delicados paletós, casacas e gibões, largas etiquetas saindo de suas mangas ou penduradas em seus colarinhos, nada excessivamente caro.

Um sino tocou ao abrirem a porta marrom-escura, logo o dono da loja veio atendê-los. Era um homem careca e baixinho, que se vestia em cores verde-limão.

-Boa tarde, senhores. –cumprimentou.

-Boa tarde. –respondeu Sirius, passando os olhos pelo lugar.

Remo, um metro e meio atrás de James, fitava tudo com inocente prazer. Mantinha-se estático em seu canto por medo de que seus amigos fossem também repreendidos por sua conduta, mas sua verdadeira vontade era de correr pela loja, e alisar cada um daqueles tecidos coloridos.

As roupas que Sirius trouxera para ele haviam ficado exageradamente grandes, e isso não passou despercebido ao homenzinho, que por respeito conteve o riso.

-O que posso fazer pelos senhores? –perguntou com polidez. Sabia que falava com um dos Black, e por isso se esforçava para parecer o mais atencioso possível. –Será que querem algum terno pronto? Ou talvez, vieram recorrer a minhas habilidades como alfaiate.

-Ficarei feliz com um terno pronto, obrigado. –informou Sirius com rispidez, odiava quando o tratavam com maior amabilidade só por causa de sua condição social.

-É para ele. –apontou James. –Algo elegante, por favor.

O homem assentiu sorridente, indo até Remo, tirando uma trena do bolso e medindo-o.

-Tenho um paletó perfeito, imagino. –comentou gentilmente, indo na direção do balcão e remexendo em algumas gavetas. –Por um acaso, teria preferência por cor?

-Acho que não, Moony, você quer uma cor específica? -perguntou Sirius.

-Não... Qualquer uma. –respondeu vagamente.

-Bem, aí está sua resposta. –disse Padfoot, rudemente.

O senhor encarou a rudeza no tom de Sirius como um incentivo para ser ainda mais amigável e eficiente, passando a procurar o paletó com maior agilidade.

-Experimente este daqui, por favor. –pediu, colocando sobre o balcão um lindo terno cinza claro.

Remo balançou a cabeça em sinal afirmativo, pegando o embrulho de cima do mostruário, e indo até o provador. Antes de entrar na cabine, porém, ele pareceu lembrar de algo e correu na direção de Sirius.

-Eu não sei, digo eu acho que não sei como vestir essa roupa complicada.

-Está bem, eu lhe ensino. –respondeu o outro em um sussurro complacente.

Lupin concordou com um sorriso, e os dois entraram juntos no provador. O local era um cubículo apertado, com um grande espelho redondo, separado do resto da loja por um véu vermelho berrante.

De tão estreita que era a cabine, Remo mal podia se mexer e Sirius viu que seria necessário ajuda-lo a despir a camisa de linho e a casaca. Lupin corou profusamente ao vê-lo o auxiliando. Padfoot, pelo reflexo, percebeu o quanto ele ficara vermelho e não conseguiu evitar um sorrisinho travesso.

Remo intrigou-se com o fato de ter enrubescido; já estava acostumado a ser despido, muitas vezes com violência. Mas, quando Sirius o fez, seu corpo todo pareceu vibrar. Era uma nova sensação, algo que não compreendia, que o deixava curiosamente feliz e ansioso por mais.

O corpo magro e pálido de Lupin trazia cicatrizes e uma ou duas marcas de cigarro. Não possuía músculos definidos, entretanto não era de feia magreza, pelo contrário, seu tronco era verdadeiramente muito bonito.

Sirius fitou os ombros e a barriga nua de Remo, e um forte desejo de tocá-los tomou conta de si. Imaginou-se passando suavemente as mãos por todo o corpo de Lupin. No entanto, antes que acabasse realmente concretizando o que pensava, se obrigou a agitar a cabeça e acordar de seus devaneios.

-O que foi? –perguntou Remo, virando-se para encará-lo.

Silêncio, em parte por que Sirius não sabia ao certo o que dizer.

-Posso perguntar uma coisa?

Sem esperar qualquer resposta, Lupin ficou na ponta dos pés; as duas mãos no peito de Sirius, de maneira que pudesse se equilibrar melhor.

-Estava pensando em mim, não? –murmurou lascivamente na orelha alheia, e como não gostava de resistir a suas vontades, realizou o pequeno desejo de mordiscá-la.

Padfoot instintivamente alisou o rosto pálido de Remo, levando os lábios a quase tocarem os deles. Contudo, estava confuso, muito confuso, aliás.

-Me desculpe. –cochichou Sirius inquieto, saindo do cubículo com pressa. –James, eu tenho de ir até a casa da senhora March, mamãe pediu que eu entregasse uma carta pessoalmente a ela, não se importa de resolver tudo sozinho, não é? Remo precisa que você o ajude a colocar o paletó.

-Não, tudo bem. Não é nada excessivamente difícil, acho que consigo comprar uma roupa decente mesmo sem a sua presença. –zombou James.

-Eu sei que não, e é com tristeza que me vejo obrigado a deixar o pobre Remo sozinho em suas mãos. –replicou, rindo nervosamente. –Boa sorte, tenho de ir, os March me esperam.

Quando a porta bateu, o dono da loja pareceu transformar-se. O semblante endureceu, a voz tornou-se visivelmente menos amável, e suas maneiras passaram a ser frias e profissionais.

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-Oh, boa tarde senhor Black. Fico tão contente por sua família ter decidido passar o verão aqui em Londres. –disse a senhora March, assim que Sirius sentou no sofá da sala de visitas.

A mulher era uma senhora de idade, com o cabelo branco preso em um coque sobre a cabeça. Quando jovem fora dona de uma beleza refinada, mas que agora se reduzia a um rosto encovado e repleto de rugas. Sua personalidade e inteligência eram vulgares, indignas de um maior detalhamento.

-Aceita uma xícara de chá? –perguntou ela, sentando-se numa poltrona lilás a sua frente.

-Não obrigado. –recusou Sirius polidamente -Vim lhe entregar uma carta.

-Eu já sei, querido. Sua mãe me disse ontem de manhã, enquanto combinávamos um delicioso passeio em Herfordshire, que enviaria uma carta a minha pessoa por seu intermédio. Sabe, não sei se eu deveria lhe contar isso, mas a carta não é para mim. Você é um jovem encantador, e não posso me impedir de lhe dizer somente a verdade. É para a senhora Campbell. –afirmou, amigavelmente.

A beleza que fascinava a senhora March, já havia feito muitos outros revelarem seus segredos, como se a aparência de Sirius fosse um forte motivo para não lhe contarem mentiras.

-Compreendo. Entretanto, não quero forçá-la a revelar nada, senhora.

-Não seja tolo, você não está me forçando a nada. Vejo em você um ótimo ouvinte, e decidi que quero compartilhar algo que me aflige terrivelmente. Se me escutar, me fará a velha mais feliz deste mundo.

Sirius, vendo-se sem alternativa, aceitou ouvir os problemas da idosa.

-Muitíssimo obrigada. Enfim, sabe que a senhora Forster é minha prima não? Não sabe, mas é gentil de sua parte fingir que sim. Pois bem, acontece que algo horrendo lhe ocorreu semana passada, mais precisamente para sua irmã, a senhora Campbell. Se estivesse em pé querido, pediria que sentasse de tão tremendo que deve ser o choque, eu própria escapei de desmaiar por um triz: O seu filho, o mais novo entre os senhores Campbell, foi encontrado na cama com um homem. Sim, você não ouviu errado, com um homem.

A senhora fez uma pausa proposital para analisar a reação de Sirius, ao vê-lo arregalar os olhos em sinal de surpresa, se deu por satisfeita e decidiu continuar. Padfoot se espantara um pouco, mais pelo impacto de saber que existiam homens corajosos na Inglaterra do que pelo ato em si. Sentiu-se, inexplicavelmente, um covarde. Na verdade, talvez não fosse tão inexplicável assim.

-Pobrezinha da senhora Campbell, até fez o possível para evitar que o boato se espalhasse, mas sabe como são essas coisas, em menos de dois dias toda Londres já sabia do ocorrido. Estava tão miseravelmente triste e envergonhada, que caiu enferma. O doutor Gardiner foi convocado, e ele que me contou quase tudo que sei sobre o caso: Charlotte juntamente com o senhor Campbell deserdaram de imediato o filho depravado, mas ainda lhes restou um fio de piedade para ajudá-lo a fugir da Inglaterra. Eu julgo essa compaixão desnecessária, pois aquele menino escolheu seu caminho, escolheu ser um homem pecaminoso.

"Se não fossem um casal tão bondoso, o imundo do filho deles teria pego a pena máxima, dois anos encarcerado. Você sabe que a prisão acaba com a saúde e a sanidade de qualquer um, não? Enfim, senhor Black, será que concorda comigo quando afirmo que o garoto precisava ter sido preso?"

Sirius a encarou um instante: não sentia a mínima inclinação por aquela mulher que o fizesse desejar lhe agradar.

-Temo que não, senhora. A prisão, em casos assim, é tirana (apesar de eu ser de opinião que todas as prisões são de certa forma déspotas). O rapaz em questão já sofre, sofreu e sofrera bastante, para que agravar sua dor? É por sadismo que nossa sociedade quer obrigá-lo a passar dois anos em penitência, trancafiado em uma cela úmida, terrível em todos os aspectos. Não, não é só puro sadismo na verdade, também é por um centena de outros motivos, como por exemplo, o desejo inumano de seguir a risca toda espécie de costume e lei.

Parou, indiferente ao assombro nas feições da mulher. Tanto fazia o que ela pensava dele agora, o importante é que não poderia ter dito outra coisa sem se tornar um verdadeiro hipócrita.

-Você diz coisas perigosas, caro senhor Black. –murmurou a velha senhora, horrorizada. –Mas acredito que é um mal da idade, certamente quando crescer mais um pouco terá maturidade o suficiente para poderemos ter uma conversa razoável.

-Bem, eu estava achando nossa conversa bastante razoável, senhora. Não acredito na maturidade, os supostos maduros estão longe da perfeição, são todos prudentes e isso é um defeito imperdoável. Enfim, tenha uma boa tarde.

E sem mais, levantou-se com o intuito de nunca mais voltar a por os pés ali.

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-Pai, este é Remo. –apresentou James, indicando o garoto que vestia um gibão simples com uma camiseta branca, tudo comprado naquele dia. –Ele é um amigo meu de Hogwarts, também conhecido de Sirius.

O senhor Potter sorriu, como era próprio de sua personalidade amável. Aproximou-se de Lupin e lhe estendeu a mão, que foi imediatamente apertada.

-Muito prazer, senhor...?

-Greyback. –respondeu depressa, com o primeiro nome que lhe veio à cabeça.

-Que sobrenome peculiar, não é daqui é? –perguntou agora a senhora Potter, que terminara seu livro predileto pela quarta vez e decidira ir até a sala. -Oh, li mais uma vez Razão e Sensibilidade e ainda não consigo me conformar com o final. Gosta da Jane Austen, senhor Greyback?

Remo começava a odiar-se por ter escolhido aquele nome. Ouvi-lo o deixava amargamente melancólico.

-Não, acho que não. Nunca li nada dela, para ser sincero. Quanto a minha nacionalidade... –hesitou, olhando para James como que pedisse ajuda.

-Ele é americano, mãe. –disse, em seu socorro. –Viajou muito só para poder estudar em Norland.

-Deus, você veio mesmo da América do Norte? –espantou-se a mulher.

-O que acontece é o seguinte: ele está hospedado na casa de uma tia aqui pelas redondezas de Londres, mas como prezo por sua companhia queria levá-lo comigo para o baile de amanhã na casa da senhora Steele. Para isso ele teria de dormir aqui hoje.

-Claro. –assentiu o pai e voltando-se para Lupin exclamou:

–Se já não fossemos hospedar as duas irmãs de minha mulher, com toda certeza você seria convidado a passar ao menos um mês conosco.

Remo agradeceu, e os dois subiram até o quarto de Prongs. O papel de parede era verde claro, sem maiores detalhes. Um guarda roupa antigo dividia espaço com a cama a escrivaninha e a lareira com adornos dourados.

-Você vai dormir no quarto de hóspedes, a direita deste aqui. –informou, sentando-se na cadeira e tirando os sapatos e as meias finas, azul-escuras. –Moony, você sabe que estragou meus planos? Eu iria lhe passar por francês, mas ninguém acreditaria com aquele sobrenome que você escolheu, Greyback.

O outro balançou fracamente a cabeça, os cotovelos no parapeito da janela, o cabelo claro desarrumado por conta da brisa morna.

-Continua lua cheia. –constatou, o olhar vago e triste. –Onde está Sirius?

-Em casa, eu suponho. A não ser que a senhora March, aproveitando a viagem do marido, o tenha obrigado a ficar esta noite. –disse, rindo. Entretanto ao perceber o semblante infeliz de Remo, parou. –Eu estava só brincando, claro que ele não está com a senhora March. O que foi?

-Nada. –murmurou, e se virando em um giro, esboçou um sorriso quase sincero. - Sirius também estuda em Hogwarts?

-Assim você me magoa Moony, só se importando com ele. Antes de qualquer coisa, sabia que estou brincando. Enfim, estuda sim.

-Como é lá?

-É um local horroroso, com padres severos demais; o único que se salva é o diretor Dumbledore. E você, estuda aonde?

-Em canto nenhum.

-Mas, pensei... Então, como aprendeu a ler? –perguntou James, com curiosidade.

-Bem, isso é um segredo. –respondeu travessamente. –Vou ir dormir, Prongs.

-Boa noite. –desejou, ressentido.

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Chegaram às seis em ponto, o conde Orion magnificamente vestido em seu terno preto, o gibão azul-marinho, uma blusa branca por baixo, com um broche de esmeraldas no lado direito do peito, a senhora Black em um vestido de veludo verde-claro, com um aro imenso e babados na cauda, além das muitas jóias que tinha orgulho de usar por serem legados de uma família de nobres.

Regulus e Sirius estavam ambos muito elegantes também, o primeiro em um paletó impecável, o cabelo partido para o lado, sem um fio fora do canto. O segundo vestia um gibão com recorte sob o casaco longo, a gravata larga com nó desleixado, lhe dando um ar de beleza desmazelada. Não estava enfeitado por nenhum adorno, e não passara pó de arroz no rosto como era comum entre todos de seu tempo.

-Sejam bem-vindos, senhores Black. –cumprimentou a anfitriã, uma senhora por volta dos quarenta anos, o cabelo loiro muito claro, preso em um complicado penteado com fivelas de pérola. –Até o momento, só os Bennet chegaram.

-Não tem importância, defendo sempre a pontualidade lady Fanny. –informou o conde, com um sorriso típico de um homem de títulos. –E onde estão as senhoritas suas filhas?

-Falando com nossos músicos sobre o que tocar a princípio. Estão em dúvida entre uma composição de Haydn e Piccinni. Acredito que o senhor Sirius deve entender do assunto e as poderia ajudar.

Sirius, entediado e enfurecido por terem chegado tão cedo decidiu distanciar-se do pai, e aceitou o conselho da senhora Steele. O salão de festas era enorme, caberiam ali no mínimo cinqüenta casais. Havia requintados lustres de cristais pendurados no teto ornado com encantadoras figuras mitológicas. A orquestra era composta por um número razoável de homens, todos, com exceção do maestro, com os instrumentos em mãos. Três garotas, lindamente vestidas, conversavam com eles.

A senhorita Steele mais nova acabara de completar seus treze anos, era rechonchuda e bem-humorada. A primogênita, noiva do lord Vane era alta, magra e com feições comuns, sem nenhum traço marcante.

A irmã do meio, a senhorita Lucy, era de uma beleza banal. O cabelo até os ombros, encaracolado e loiro, as faces coradas, o lábio pequeno e o corpo ausente de curvas que a pudessem tornar sensual.

-Que bom que chegou, senhor Black. –disse a futura lady Vane. –Eu e minhas irmãs estamos com uma dúvida terrível.

-Sim, sim é verdade. –anuiu a caçula, sua voz era doce. –Não sabemos o que tocar primeiro. E o senhor compreende, a primeira impressão é a que mais vale.

Lucy envergonhou-se com a presença de Sirius, por quem nutria certa paixão. Baixou os olhos e passou a concordar com as irmãs com um acanhado movimento de cabeça.

-Oh, Lucy, você está tão diferente. O que houve? –perguntou Beth, a menina mais nova.

A primogênita, Margaret, censurou a pequena com o olhar, mudando de assunto no mesmo instante:

-O que acha melhor, Haydn ou Piccinni senhor Black?

-O primeiro, acho. Causará menos confusão; a não ser que queira um baile realmente divertido. –respondeu desinteressado, sua consciência vagava distante, pensava em James e em Remo, principalmente em Remo.

-Tem toda razão, aqueles que são fãs de Gluck nos odiariam por tocarmos primeiro Piccinni. Sem dúvida sua escolha foi muito sensata. –congratulou Margaret ignorando a última sentença do rapaz, e exprimindo a decisão para o maestro.

Foi quando Harry Bennet decidiu juntar-se ao pequeno grupo, um visível escárnio em suas maneiras falsamente cavalheirescas.

-Que estranho senhor Black, o que faz aqui antes das nove? Pensei que vocês, dândis, estivessem sempre atrasados. –exclamou, prolongando a palavra 'dândis' como um tipo de ofensa.

Harry, secretamente, gostava muito de Lucy, mas sabia da preferência dela por Sirius, e, portanto o detestava.

-O faço por princípio, sou de opinião que a pontualidade é o ladrão do tempo. –esclareceu singelamente. –Hoje meu pai fez um escândalo para que eu fosse com ele, e acabei cedendo por cansaço. Não me considero um dândi, mas posso avaliar a idéia. –acrescentou, em tom satírico.

Lady Steele chamou por Beth e Margaret antes que elas pudessem replicar qualquer coisa, e o senhor Bennet foi requisitado pelo conde. Ambos o fizeram de propósito, na esperança de deixar Lucy e Sirius um pouco sozinhos.

-Como vai, senhor Black? –perguntou a menina, a voz vacilante. –O clima anda péssimo nesses últimos dias.

-Não vamos falar de tempo, é muito enfadonho. -pediu Sirius, consultando o relógio Luís XIV na parede cor de vinho, pintada com flores e coberta de quadros. –Sabe que horas a senhorita Evans chega?

A garota pareceu se penitenciar mentalmente por ter comentado sobre o clima, mas apressou-se em responder a pergunta:

-Lílian nunca se atrasa demais, deve estar aqui dentre quinze a vinte minutos. Desculpe chamá-la assim, mas somos muito amigas e já possuo tal liberdade. –esclareceu ela, timidamente.

Os dois conversaram por uns cinco minutos sem interrupções, até que a família Snape apareceu. Severo o fitou, os olhos brilhando em fúria. Vestia roupas exageradamente antiquadas, o cabelo oleoso penteado para trás. Ele trocou uma ou duas palavras com a anfitriã e seu marido, e foi para perto deles.

-Boa noite senhor Black, senhorita Steele. Onde está Lílian? –perguntou, arrogante. Observando Sirius com ar superior.

-Pensei em lhe perguntar o mesmo, senhor Ranh--... Severo. Vocês andam sempre juntos, não? Bem, que pena que até agora ela não parece demonstrar nada além de amizade pelo senhor. –comentou Sirius, com fingida compaixão.

O outro se irritou tremendamente, mas fez o possível para não demonstrá-lo. Foi então que Sirius reconheceu a voz estridente e animada de James, e virou-se de imediato na direção da porta, ansioso.

James sempre elegante, sem o mesmo desleixo de Sirius. Vestia-se com um gibão claro sob uma casaca negra, a comum blusa branca por baixo de tudo. Mas foi em Remo que os olhos dele se demoraram: Estava vestido com um casaco preto de lã, um colete com abotoamento alto e uma gravata muito estreita de tafetá vermelho. Só faltava uma cartola para lhe completar o estilo absolutamente delicioso.

Sirius ignorava qualquer coisa ao seu redor, seu coração só batia por Lupin naquele momento, e não pensou duas vezes antes de correr até ele.

-Então o senhor Greyback é americano? –perguntou a senhora Steele, surpresa. –Oh, senhor Sirius, o que faz aqui? Pensei que estivesse conversando com minha querida Lucy.

-Não pude... Digo, vôc--, a senhora, compreende...

-Ele veio me receber. –completou Remo, sorrindo.

-São amigos? –quis saber lady Fanny.

-Sim, somos todos amigos. –respondeu James e ao dizer isso fez menção de se afastar da mulher, sendo seguido por Sirius e Lupin.

-Lílian está aqui?

-Ainda não, Prongs. Talvez ela tenha adoecido, Lucy me disse que ela não costuma se atrasar.

-Que horror! Não seja tão cruel, Padfoot. Preciso me informar, se me dão licença.

E saiu, misturando-se na multidão. Muitos criados passavam agora, com bandejas de prata, servindo conhaque, vinho e aperitivos. Já era a terceira música, e vários casais dançavam, pulando de um lado ao outro.

-Você está encantador, sabia? –lisonjeou Remo.

-Sempre estou. –brincou. –Você também não está nada mal, me acusam de dandismo, imaginem quando o virem.

-Então, não gosta?

-Muito pelo contrário. Você está lindo.

Lupin corou. Só Sirius tinha esse efeito nele, não estava acostumado a enrubescer.

Um homem gordo, o rosto muito branco por conta do pó de arroz, passou por eles, trazia uma taça de vinho e dava um ou dois golinhos quando percebeu Remo. No mesmo segundo empalideceu, deixando o copo cair de suas mãos. Toda atenção se voltou para eles, a boca do homem tremeu e ele correu para longe.

Os convidados logo esqueceram o ataque nervoso daquele senhor, e o caso foi dado por resolvido assim que um criado varreu o local cheio de estilhaços de vidro.

Contudo, Sirius ainda estava curioso, e principalmente confuso. Era evidente, pelo menos para ele que estava tão perto, que aquele homem temia Remo por alguma razão. Decidido a esclarecer tudo, puxou Lupin delicadamente pela mão, no meio de tanta gente eles não seriam notados, e andou em direção a uma salinha vazia.

Fechou a porta ao entrarem. O lugar era uma espécie de sala de repouso, com só um sofá florido e uma lareira simples, que ardia em chamas.

-Por que estamos aqui? –perguntou Remo, ainda de mãos dadas a Sirius.

Como sempre ele não queria realmente uma resposta: Envolveu um braço no pescoço perfumado, a mão direita descendo sensualmente pelo belo corpo de Sirius, porém, antes de chegar aos genitais, foi impedido por um leve empurrão.

-Remo, eu preciso saber seu passado.

-Por quê? Ele tem alguma importância? Por favor, logo terei de ir embora. Eu quero você. –exclamou, os olhos começando a marejar.

-Está vendo? Eu não o entendo. Por que tem de ir embora? De onde você é afinal? Por que aquele homem se espantou tanto ao vê-lo?

Lupin suspirou, encostando-se na lareira. Ele chorava em silêncio. Sirius foi até lá e enxugou gentilmente suas lágrimas com o dorso da mão. Remo ficara vermelho mais uma vez.

-Não quero que você vá embora, vou até mesmo ao inferno para impedir isto. Quero que fique aqui para sempre.

-Você não entende, eu não pertenço nem a mim mesmo por tanto tempo assim, só quando fujo, como fiz no dia em que me achou, mas ele sempre me encontra! –Bradou Remo, angustiado, fixando os olhos no nada por alguns minutos. –Sirius, você é um anjo, veio me mostrar a felicidade e não só o prazer, por isso lhe contarei qualquer coisa nesse mundo que seja do seu interesse. Quer mesmo saber? Ai, o que estou perguntando? Você já deixou isso tão claro... Bom, talvez seja melhor sentar, é uma longa história, como esses dramas baratos que vendem por aí.

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Enfim , enfim consegui terminar esse cap. :D No próximo vou poder finalmente contar o passado do Remy . Boom, obrigada de novo aos que leram, e principalmente aos que comentaram.

Beijoos , comentem ;)