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Capítulo Quatro

O Verdadeiro Propósito das R.S.H.'s

.:.. Casa de Escorpião ..:.

Agatha levantou-se lentamente. Olhou para os lados e não viu Milo. Onde teria dormido aquele fujão?? Pegou um pente que estava ao seu lado e se dirigiu à sala penteando os curtinhos fios do cabelo vermelho. Olhou pela janela e viu alguém subi-la como um bêbado sai após uma boa balada num boteco. Gargalhou do jeito estabanado de Escorpião, que quase tropeçou ao tentar subir as escadas de sua casa. Logo avistou Agatha, tirando sarro da sua cara de bobo. Não sentiu raiva, muito menos quis rir junto. Estava com dor de cabeça e espirrava a todo minuto. Porém parecia que não mais sentia isso, quando lembrava-se do ocorrido da noite passada.

Entrou em casa e logo foi ao banheiro. Abriu a torneira da banheira e sentou-se no vaso, ainda mergulhado em pensamentos. Alguns minutos depois, caiu dentro da pequena hidromassagem de roupa mesmo, nem sequer havia trancado a porta. Tanto é que, ao deitar na banheira, embaixo da suave corrente d'água, viu Ciúmes adentrar o cômodo. Queria satisfações.

Agatha: -Onde foi parar depois que correu ontem??

Fitou-a com um jeito de 'e isso te interessa?'. Meteu a cara debaixo da água, mostrando a Agatha que estava pouco ligando para ela. A amazona saiu bufando do banheiro. Porém, Milo teve forças o suficiente para levantar-se e trancar a porta. Finalmente, poderia tomar seu banho tão almejado banho em paz.

.:.. Casa de Gêmeos ..:.

Saga sempre divertia-se quando era sua vez de preparar o café da manhã. Kanon ainda roncava em seu quarto, coincidentemente ao lado da cozinha. Fritava alguns ovos e bacons. Pegou muitas laranjas e logo foi fazendo uma laranjada caprichada. Separou dois pratos e uma bandeja. Preparou os lanches das respectivas hóspedes e, ao aproximar-se da porta, não se conteu e escutou um pouco da conversa.

Kurayko: -...mas não podemos mais pô-los em risco. Precisamos nos retirar desse lugar.

Hay Lin: -Fica fria, Kuray! Acha mesmo que eles vão nos encontrar aqui?

Kurayko: -Acho!

Kanon: -Tá fazendo o que aí na porta??

O cozinheiro espantou-se com a presença súbita do irmão, que escorregou e deixou a bandeja cair, espalhando comida por toda a sala. Hay Lin abriu a porta furiosa com Saga. Olhou para baixo e o viu caído, praticamente aos seus pés. Chutou a cabeça dele, e logo indagou:

Hay Lin: -O que fazia aí, meu DOCE AMIGO Saga?! -pegou-o pela orelha direita, como um pai pega a criança quando esta apronta algo irritante.

Saga: -Aiiii, er...nada, amiguinha! -sorriu amarelamente.

Hay Lin: -Humpf, ok...vou fingir que acredito. -avistou os ovos e bacons espalhados pelo lugar, e adiantou-se. -A propósito, não queremos café da manhã. Tchau!

Bateu a porta abruptamente na cara de Gêmeos. Kanon apenas riu. Saga fitou-o com raiva, e este logo parou de gargalhar.

Kanon: -Tava escutando a conversa delas por quê?

Saga: -Porque esta me interessava, oras!

Kanon: -E elas falavam do quê? Qual a cor do esmalte que iriam usar no Natal? -sentiu sua canela arder. Saga havia revidado a piada sem-graça de Kanon com um chute desferido no lugar que doía. -Aiiii...

Saga: -Imbecil... -agachou-se para recolher o que havia deixado cair. -Elas estava falando algo importante. Kurayko dizia que era melhor nos deixar fora de risco.

Kanon: -Mas do quê que tu tá falando, cara??

Saga: -Se você não tivesse atrapalhado a minha 'espionagem', certamente saberia do que se tratava.

Kanon: -Será que elas são fugitivas da polícia??

Desta vez, Saga quase ficou sem ar, de tanto de sacaneou a idéia impossível de seu companheiro.

Kanon: -Tá, gênio! Então, me dá uma idéia melhor.

Saga: -E eu tenho mesmo.

Kanon:-Ah, é? Qual?

.:.. Casa de Câncer ..:..

Coçou o nariz. Gabriela e Mephisto haviam ficado a noite inteira rondando o Santuário, que a amazona acabou pegando uma chuva e ficando gripada. Escutou batidas na porta. Era ele, que gentilmente trazia um chá de mel com alho para ajudá-la.

Gabriela: -Nhaaaaaaaaaa! Obrigada amigo. Não precisava.

Mephisto: -Claro que sim. E nem ouse sair dessa cama hoje!

Gabriela: -O que? Mas não! Eu tenho que falar com a Cissa.

Câncer corou. Gabriela sorriu do jeito encabulado dele. Tomou um gole do chá e fez uma careta. Não era muito agradável.

Mephisto: -Toma.

Gabriela: -Tenho mesmo??

Mephisto: -Se quer ficar boa para ir falar com Cilena...

Engoliu quase o chá inteiro de uma vez. Tossiu sem parar. Sua língua ardia irritantemente. Máscara da Morte deu-lhe uma bronca.

Mephisto: -Mas eu devia ter avisado mesmo. Está muito quente para tomá-lo de vez, garota!

Esboçou um sorriso em seus lábios. Ficara envergonhada depois de ter levado uma bronca dele. Tomou o pouco que restava do chá e já se descobriu, para levanter-se e colocar uma roupa decente.

Mephisto: -Eu lhe disse que não é pra levantar, menina!

Gabriela: -Deixa de ser chato. -mostrou a língua para ele, que ficou enraivecido e logo ameaçou dar outra bronca nela.

Por fim, Felicidade desistiu, e resolveu deixar para falar com Cilena mais tarde, ou no dia seguinte. Não soube porque, mas de repente, alguém assaltou-lhe as lembranças. Seu sotaque espanhol a havia encantado docemente. Tentava arranjar um jeito de ir para a décima casa. E iria conseguir.

.:.. Casa de Peixes ..:.

Afrodite nem dormira direito, pois Vanessa não passara a noite na casa onde estava hospedada. Iria procurá-la, mas a chuva o pegou de surpresa, caindo fortemente sobre sua cabeça, a caminho da procura de sua hóspede. Resolveu voltar. Não queria ficar doente por causa dela.

Afrodite: Ai, cacete! Tô frito se essa pirralha não voltar logo...

O telefone tocou. Escutou a incansável musiquinha da chamada a cobrar e logo se ligou que talvez pudesse ser a guria perdida. Ouviu uma voz pouco conhecida dar sinal de vida do outro lado da linha.

Vanessa: -Dite!

Afrodite: -SUA FELADAPUTA!! ONDE TÁ?!

Vanessa: -Êita, mas que estresse chato hein 'tio'! Eu tô aqui em Leão. Vim prestar umas continhas com a minha mana quando aquele temporal desabou legal. Não tive como voltar!

Peixes quase torceu o pescoço da jovem via telefone (N.A.: mas hein?!). Além de tê-lo feito ficar preocupado à toa, não suportava aquele modo como os jovens falavam.

Afrodite: -E por quê que você só liga agora??

Vanessa: -Ih, já tá cheio de cabelo branco né véio?

Irritou-se denovo. Quase cuspiu uns belos palavrões no ouvido daquela... grrrrr... 'goblin'! Respirou fundo e tentou amaciar sua voz.

Afrodite: -Me responde, queridinha. Por quê que tu só me avisa agora?

Vanessa: -Ai cara! Só porque foi agora que deu vontade!

Bufou. Tentou, mas não conseguiu. Ficou a noite inteira sem pregar os olhos por causa dela! Encheu a boca e gritou.

Afrodite: -PUTAQUEMEPARIU!! VAI PRO INFERNO ENTÃO!!

Vanessa: -!!

.:.. Casa de Leão ..:.

O celular emudeceu. Escutou o 'tu-tu-tu' conhecido de quando alguém desligava o telefone do outro lado. Xingou para o alto aquele cavaleiro viadinho mal-criado. Que ele fosse ao inferno também! Não voltaria para Peixes, mas sabia um modo eficaz de ferrar 'bonito' com a vida de Afrodite, vulgo Dite. Sorriu maliciosamente. Foi andando com passos pesados até o Salão de Athena.

Enquanto isso, Caroline entrara no seu quarto, onde Vanessa estava ao telefone com seu hospedeiro. Estranhou ao não ver a irmã, porém pouco se importava. Voltou para a cozinha, onde terminava de fazer seu café da manhã.

.:.. Casa de Gêmeos ..:.

-Aaahh!! Então é isso.

Saga acabara de explicar seu plano 'genial' para descobrir sobre o que as garotas falavam, no momento exato em que ele fora entregar o café da manhã a elas. Kanon meneava a cabeça, como que demonstrando que havia entendido.

Saga: -Vai ser amanhã logo cedo, tá? Te prepara.

Kanon: -Ok, deixa ver se eu entendi MESMO...

Saga: -...

Kanon: -...amanhã, logo cedo, todas as R.S.H.'s vão sair juntas com a Íris para fazerem compras. Aí, nesse meio tempo, a gente finge que vai faxinar o quarto delas e tenta achar algo que nos dê o significado total sobre o que exatamente elas estavam falando ontem. É isso?

Saga: -Sim, sim, sim, meu caro irmão gêmeo.

Kanon: -Ah, bom! Então assim, sim.

.:.. Casa de Capricórnio ..:.

Shura já estava cansado de clamar por Sabrina, então resolveu ir atrás da neguinha. Chegando em seu quarto, percebeu que havia muitas roupas espalhadas pelo cômodo: vestidos, camisetas, saias, calças, blusas, casacos e até alguns sapatos. Tentou encontrar naquele amontoado de objetos a amazona. Enfim a achou. Estava tentando se decidir se ia com um vestido de alcinha azul-turquesa, ou com um top rosa-bebê e uma saia jeans branca para...onde??

Shura: -Mas o que é isso, Bina?

A garota tomou um pequeno susto, ao finalmente se dar conta da presença de Capricórnio. Deixou as roupas de lado e correu ao seu encontro.

Sabrina: -Aiii, é que eu preciso de ajuda. -puxou seu braço para mais perto do amontoado de roupas. -Você acha que fica bem eu ir como? Com aquele vestido azul-turquesa ou com aquele top rosa-bebê e a saia jeans branca??

Shura: -Como assim?? Ir aonde?

Sabrina: -Putz, como sou esquecida! É que amanhã logo cedo vou ao shopping com as outras R.S.H.'s e com a minha mestra. Preciso de uma roupa. Me ajudaaaa!!

O espanhol olhou confuso para aquele amontoado de roupas. Por que que mulher se preocupa tanto com isso? Analizou bem os dois, por fim decidiu.

Shura: -Pra falar a verdade, acho que aquela saia e aquele top não combinam não...

Sabrina: -Não?!

Shura: -É! Você não percebeu que fica melhor com essa blusa aqui? -agachou-se e pegou uma peça de roupa preta com um gato feito de strass na frente.

Sabrina ficou boquiaberta. E né que aquela combinação era perfeita??

Sabrina: -Eu ainda não tinha pensado nisso...

Shura: -Pois vá lá no banheiro e vista-se com isso. -estendeu o conjunto à ela. -Enquanto isso, eu procuro um sapato que fique bonito. -virou-se atencioso na procura de alguma sandália ou de uma bota cano curto.

Sabrina entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si. Nunca vira um homem tão atencioso com roupas! E pensar que, ao ver Shura pela primeira vez, pensou que ele fosse um homem tipo 'machão' que não sabia nem a diferença entre sandália e chinelo. Vestiu-se e saiu na direção de Shura. Este desviou sua atenção dos calçados e a olhou. Estava encantadora!

Sabrina: -Er...o que acha?

Shura: -Per-fei-to!! Agora vai e calça este par de sandálias pretas aqui. E veja como ficará linda.

Assim que as calçou, Sabrina sentiu um aperto dolorido no dedinho direito.

Sabrina: -Iiiiih, vai dá não...

Shura: -Por que niña?

Sabrina: -Tá apertado.

Shura: -Hum, que infortúnia... já sei. Tenta com essa bota.

Calçou e caminhou confortavelmente. Estava perfeito. Olhou carinhosamente para Shura, este retribuiu o sorriso.

Shura: -Vem que eu te ajudo com as jóias. -puxou sua mão.

.:.. Casa de Áries ..:.

Mesmo ainda no exterior, na frente da casa, Isadora ainda podia ouvir os longos gemidos de Mu, devido à uma boa dor de cabeça a quem Milo lhe atribuíra. Balbuciava palavras de vingança. Paixão apenas ria baixinho. Olhou para o horizonte. Sentiu um calafrio ao enxergar um avião atravessando o céu. Suspirou, mas logo relembrou-se do que aconteceu com Milo na noite passada. Uma tranqüilidade enorme invadiu seu peito, tomando conta de sua alma. Precisava vê-lo. Entrou e já avistou Mu, ainda deitado no sofá, com uma espécie de venda nos olhos.

Isadora: -Er...Mu, vou até Escorpião conversar com Agatha. Preciso de uma presença feminina.

Mu: -Ah, sim. Vá.

.:.. Casa de Virgem ..:..

Shaka admirava de longe o vasto mar que os cercava. Os jardins do Twin Sala lhe dava uma vista privilegiada de todo o Santuário. Avistou a Casa de Gêmeos, e logo um lindo semblante lhe invadiu a mente. Como aquela pequena Hay Lin conseguia ser tão encantadora? Lembrava-se de como agia aquela doce garota. Seus movimentos suaves, sua voz baixa e um pouco infantil. Seus olhos misteriosos, porém claros como o mel. Escutou um trovão rugir ao longe. Desviou sua atenção para oeste, onde avistou mais uma grossa camada de nuvens negras. Ah, não! Não poderia chover novamente. Virgem não gostava de chuva, muito menos do cheiro que ela proporciona. Suspirou. Chuva poderia atrapalhar sua ida a Gêmeos. Escutou um baque vindo do quarto de Cilena, porém nem se importou.

Cilena: -Aiii, que droga.

Ódio abaixou-se para recolher a estatueta de um gato que havia caído no chão. Adora gatos. Deitou-se na cama que agora poderia dizer que é sua. Sentiu uma certa inveja de Gabriela. Ah! Ela estava em Câncer. Queria estar lá e conhecer o misterioso e charmoso cavaleiro de Câncer. Quem seria Máscara da Morte? Por que haveriam de lhe dar este apelido? Pensou em mil e uma possiblidades. Seria ele um serial killer no passado? Ou agora mesmo, no presente? Gabriela poderia estar em perigo.

Cilena: -Vixx, besteira.

Sacudiu a cabeça e passou a mão morena de unhas bem feitas nos cabelos, como que querendo retirar tais pensamentos absurdos de sua mente. Virou-se e, por ironia do destino, adormeceu.

.:.. Casa de Aquário ..:.

Camus a olhou pela última vez. Fitou Sophie dormindo por alguns segundos. Ela o fazia lembrar-se de Amor. Por quê? Elas nada têm em comum. A não ser o fato de ambas serem R.S.H.'s. Sim, deveria ser isto. Aproximou-se de uma enorme porta branca instalada ao lado da porta de seu quarto. Sentiu um frio delicioso assaltar-lhe. Adora aquele cômodo. Era uma espécia de 'congelador'. Uma sala onde ele gostava de ficar, de fazer suas esculturas de gelo. Estava terminando uma que recentemente havia começado. Tinha a forma de uma graciosa águia. Faltava apenas esculpir os detalhes das asas. Pegou uma estaca e um pequeno martelo, então começou seu trabalho artesanal. Passou-se alguns minutos, e logo pegou-se pensando em Kurayko. Ah! Isso já estava dando-lhe raiva! Acabou martelando o próprio dedo e, por reflexo próprio, o levou à boca, como se esta reação pudesse curar o ferimento. Decidiu para de pensar em bobeiras. Tinha de terminar aquele trabalho, pois queria começar outro ainda mais difícil em breve.

"Abriu uma porta azul. Viu-se num cômodo mergulhado em águas. Vários cardumes lhe atravessavam a todo instante. Um coração. Um coração negro lhe surgiu no meio do peito. Desesperou-se, pois aquilo doía. Ardia dolorosamente. Olhou ao fundo dos cardumes. Um ser humano. Um homem vestido elegantemente com um terno preto de gravata vermelha, utilizando óculos. Parecia reconhecê-lo. Seus olhos escarlates brilharam. Não agüentava olhar aquilo. Piscou constantemente. Viu-se perdendo a consciência. Desmaiou."

A cama tremeu. Sophie levantara-se abruptamente. Havia tido um pesadelo. Sim! Era apenas um pesadelo. As imagens do homem de terno vieram-lhe à mente. Mas quem diabos era aquele homem?? Não preocupou-se muito. Era apenas um sonho. O que isto poderia significar? Virou o travesseiro, afofou-o e voltou a cochilar.

.:.. Salão de Athena - Quarto de Íris ..:.

Íris saiu desembestada do banheiro, completamente molhada. Havia esquecido a toalha em cima da cama. Voltou ao banheiro e se enxugou adequadamente. Vestiu-se com uma extensa camisola violeta. Calçou um par de pantufas lilases e andou delicadamente até a pequena sacada. O Santuário era um lugar tranqüilíssimo. Seria impossível que fossem atacadas ali. Pelo menos...era isso que ela pensava...

.:.. Casa de Gêmeos - Dia Seguinte ..:.

Kurayko abriu a porta e se deparou com os gêmeos, ambos com um lindo sorriso. Estavam de avental, Saga segurava uma vassoura e um rodo e Kanon estava empunhado de um balde repleto d'água e um saco de lixo.

Kurayko: -O que significa isso, rapazes? Principalmente você, Kanon...

Saga e Kanon, ambos dirigiram seus olhares para o avental branco bordado com flores de Kanon. Este ficou vermelho, e tratou de se desculpar.

Kanon: -Hehe. Avental errado.

Saga: -Zeus... Onde eu arranjei essa coisa?! -levou a mão ao rosto, cobrindo-o.

O ex-cavaleiro de Dragão Marinho recorreu ao avental branco simples que estava disposto em cima da mesa. Voltou à sua posição incial.

Kurayko: -Vou repetir...o que significa isso, rapazes?

Saga: -Hoje é dia de faxina, querida!

Hay Lin: -Mesmo?? -estava saindo do quarto, acompanhada de Kurayko. Vestia uma camiseta com números estilo 'líder de torcida' branca e azul, uma saia rodada também azul e um par de sapatos de fivela pretos, com meias brancas, acompanhados de um delicado laço branco com detalhes azuis nos cabelos. -Então aproveitem pra tirarem todas as minhas coisas das minhas malas e dar uma boa limpeza nelas.

Kurayko: -Idem na minha. -os gêmeos se entreolharam maliciosamente.

Saga & Kanon: -Com prazer...

Ficaram parados, esperando o barulho provocado pelos sapatos delas desaparecerem.

Kurayko & Hay Lin: -Tchau!

Saga: -'Xauxau'.

Kanon: -Adios...!

Não podiam esperar mais um segundo. Tinham de saber algo a respeito da conversa das amazonas. Kanon vasculhou ferozmente as mochilas de Kurayko, enquanto Saga procurava alguma pista nas malas de Hay Lin.

Saga: -Merda, não estou achando nada.

Kanon: -Eu também não...

Saga abriu uma caixinha de metal rosada pertencente à Amizade. Avistou um monte de papéis coloridos. Imaginou que tivesse algo ali. Em vão. Kanon encontrou uma caixa de sapatos repleta de várias lembranças, jóias e alguns papéis. Achou uma carta. O rapaz se interessou por ela. Violou-a e começou a ler em voz alta.

"Hay Lin,

Não sei se você concorda comigo, mas acho eu que estamos pondo em risco a vida desses jovens. E se os Exércitos Japoneses vierem atrás de nós novamente? Lembre-se do que aconteceu à nossa sede. Em apenas três dias, foi completamente demolida. Estou preocupada. Não quero vê-los lutando ou sofrendo por nossa causa. Você sabe com quem está a Safira Escarlate este mês? Se eu não me engano, está com a Vanessa, não é? Hoje é mês dela...Bom, de qualquer forma, precisamos falar a respeito disso na quinta-feira, quando saírmos todas juntas, inclusive a Mestra. Uma boa parte do futuro terrestre está em nossas mão, lembre-se. Vou ficando por aqui. Espero uma carta resposta.

Um Beijo,

Kurayko."

Saga fixou seus olhos em seu irmão, boquiaberto com a descoberta dele. De certa forma, ele estivera certo. Quem diria que o Exército Japonês estava na cola das inocentes R.S.H.'s!! E o que seria essa tal de Safira Escarlate? Estavam curiosos demais para esperarem o 'tempo certo' de todos saberem a resposta. Era só esperar as garotas chegarem...

.:.. Casa de Peixes ..:.

Afrodite tentava cochilar um pouco mais, pois sua noite de sono pesado não foi o bastante para recuperar o tempo de descanso perdido quando estava preocupado com aquela pirralha. Aliás, onde estaria ela agora? Não importa. Estava pouco se fudendo para aquela fedelha mal-criada. Mais uma vez, seu telefone tocou.

Afrodite: Aiai, acho que essa é a casa onde mais o telefone toca. Espero que seja algo de importante. -Alô.

Ficou alguns segundos calado, apenas escutando o que a voz do outro lado dizia. Seu sangue gelou e sua voz empacou. Conseguiu finalmente responder.

Afrodite: -S-sim, Tatsume. Estou indo... -desligou roboticamente o telefone. Olhou pela janela o Salão de Athena. O que Saori queria falar com ele?

.:.. Salão de Athena..:.

Peixes adentrou o salão, e viu alguns guardas ao seu redor, escoltando-o. Saori estava sentada em seu trono principal, no meio do salão. Fitou-o com uma certa ira, até que, depois de poucos segundos de silêncio, logo indagou.

Saori: -O quê que você disse mesmo para Vanessa ao telefone, Afrodite? -interrogou-o também com os olhos.

Afrodite quis explodir. Então aquela feladaputa foi reclamar pra 'mamãe', né? Ah, mas ela tava fudida! Bom, era melhor não pensar nisso...tinha que dar um jeito de escapar de um castigo.

Afrodite: Hãããããããããããnn?? O que disse? -pôs a mão em sua orelha, como que querendo escutar melhor o que ela dizia.

Saori: -Não se faça de bobo, Dite. O que foi exatamente que você disse para Vanessa do Yang no telefone ontem à tarde?

Afrodite: -Bom, eu tenho que dizer 'exatamente' ou eu tenho que falar o que eu disse pra ela?

Saori: -O que você disse pra ela!

Afrodite: -Quando?

Saori: -Ontem à tarde...-bufava.

Afrodite: -Mas ontem eu não falei com ela.

Saori: -Como assim?

Afrodite: -Ela nem sequer dormiu comigo em Peixes.

Saori inclinou a cabeça. Não lembrava-se de Vanessa ter dito que não havia dormido na casa de Afrodite. Ah, aí tinha!

Saoir: -Ela não me disse isso...

Afrodite: -E a senhora ainda acredita que eu a xinguei no telefone?? Ah, faça-me o favor... -deu as costas e saiu andando. Definitivamente, havia se livrado da bronca e também incriminado Vanessa de ter mentido para Saori. Hehe, a pirralha estava 'ferradinha da silva'...

.:.. Casa de Gêmeos ..:.

Já estava tarde, quase anoitecendo. Saga havia cochilado na poltrona reclinável e Kanon estava deitado lendo um livro no sofá da sala. Escutaram altas gargalhadas, acompanhadas de alguns passos. Reconheceram as vozes das amazonas, e trataram logo de pegar a carta. Assim que adentraram a casa, Kurayko e Hay Lin fitaram interrogatoriamente os irmãos. Avistaram a carta, e logo Kurayko saltou na direção dela, tentado pegá-la, porém Saga a desviou de seu campo de visão, fazendo com que Amor se estatelasse duramente contra o chão.

Hay Lin: -O que estão fazendo com essa carta da Kuray na mão?

Kurayko: -Vocês por acaso não...

Saga abriu a carta lentamente, dando ainda mais suspense a cena. Hay Lin engoliu em seco e Kurayko tentou mais uma vez arrancá-la de Gêmeos. Em vão. Logo, ouviu em alto e bom som a voz de Saga chegando aos seus ouvidos. Ele estava lendo a carta. Alguns minutos depois, abaixou a carta e deixou que ela caísse no chão. Kurayko escorregou por conta própria e caiu de joelhos no chão branco da sala da casa de Gêmeos. Permitiu que uma lágrima escorresse de seus olhos escuros. O que eles haviam feito não era certo, não era...por que haviam feito tamanha crueldade??

.:.. Salão de Athena ..:.

Saori acabara de sair de mais um banho em sua banheira-piscina (N.A.: Até hoje, naõ sei se aquilo é uma banheira ou uma piscina!), enxugava-se confortavelmente, quando escutou o telefone tocar. Vestiu-se rapidamente com um roupão e alcançou seu celular. Escutou a voz de Kanon. Um pouco preocupado ele parecia estar. Colocou um vestido azul e logo dirigiu-se à cozinha. Pediu para prepararem um jantar caprichado. As R.S.H.'s iriam jantar especialmente no Salão de Athena aquela noite.

.:.. Casa de Áries ..:.

Jogou-se na cama. O passeio com as amigas haviam deixado seus pés doloridos. Como andou pelo shopping! Descalçou as botas de cano longo e retirou o resto da roupa, jazendo apenas com suas roupas íntimas em seu quarto. Deitou mais uma vez na cama. Ainda lamentava por não ter conseguido falar com Milo ontem. Ao chegar em Escorpião, Agatha lançou-lhe um olhar ciumento e inventou uma desculpa, dizendo que ele estava dormindo. Iria colocar seu baby-doll, quando escutou a voz de Mu do outro lado da porta.

Mu: -Iremos jantar especialmente no Salão de Athena. Apronte-se.

Isadora obedeceu, e logo abriu suas gavetas, para pegar uma roupa elegante e ir tomar mais um banho.

.:.. Salão de Athena - Sala de Jantar ..:.

Estavam quase todos reunidos no salão. Assim que Milo avistou Isadora, sorriu, e para sua surpresa, ela lhe retribuiu um sorriso ainda mais lindo e radiante que qualquer outro. Tentou sentar-se ao lado de Paixão, infelizmente não conseguiu. Acomodou-se ao lado de Agatha e esperou Saori anunciar o início do jantar. Ele logo percebeu um movimento adiantado dos gêmeos, que se levantaram, ambos batendo delicadamente com suas colherzinhas nas suas devidas taças.

Kanon: -Antes de tudo...

Saga: -...queremos fazer um brinde.

Todos se surpreenderam, porém cada um pegou sua respectiva taça de vinho, e levantaram-se. Saori dirigiu-se ao seu assento e nem fez questão de se sentar. Pegou sua taça e já a deixou estendida, preparada para o brinde.

Saga: -Gostaria de brindar a este maravilhoso jantar proporcionado pela nossa amada Saori. E...

Kanon: -...eu! Kanon...gostaria de brindar Íris de Arco-Íris e suas alunas, as R.S.H.'s, porque elas são muito boas na hora de mentir pra gente. Aplausos!

Um silêncio se estabeleceu no local. Íris sentiu seu sangue gelar e seu coração cessar a pulsação. Haviam eles descoberto?

Saori: -Do que está falando, cavaleiro? -olhou indignada para Gêmeos.

Saga: -Srta, apenas olhe a cara de 'putz, fudeu tudo' dessas jovens. -fitou demoradamente Íris. -Podem parar com seu planinho, queridas. Sabemos de tudo.

Saori: -Tudo o quê, Saga?!

Íris: -...

Saori: -Alguém aqui pode me explicar o que está havendo??

Íris deixou sua mão enfraquecer-se totalmente, fazendo com que a taça quebrasse em mil pedaços sobre a mesa.

Íris: -E-eu...

Todos: -!!

Respirou fundo. Estava se preparando para contar uma extensa história.

Íris: -Saori...pode me responder uma coisa?

Saori: -C-claro.

Íris: -Qual acha que é o verdadeiro motivo da existência das Representantes dos Sentimentos Humanos?

Saori: -...Não é para me proteger? Juntamente com outros Deuses, caso eles precisem de ajuda?

Arco-Íris meneou a cabeça negativamente. Saori engoliu em seco.

Íris: -Bom, vocês vão saber de tudo, desde o começo. Sentem-se.

E assim todos fizeram. Acomodaram-se. Milo olhou friamente para Isadora. Ela entendeu o porquê de tanto ódio por parte de Escorpião.

Íris: -Há alguns séculos atrás, um garimpeiro cretense estava à procura de alguma jóia para vender e tornar-se milionário. Assim que tomou conhecimento por parte de seus amigos de uma mina de ouro que se encontrava numa vila no Japão, ele pegou suas coisas e partiu para lá. Euclides estava sozinho. Seus amigos acreditavam que aquela mina de ouro era mal-assombrada. Ele achou aquilo tudo besteira e resolveu tentar achar algo de valioso naquele lugar.

Suspirou. Em seguida, engoliu em seco. Todos olhavam para ela. Eles nem sabiam que estava no início da história. Apenas suas amazonas conheciam de cor e salteado aquela narrativa.

Íris: -No seu quinto dia destinado à mineração desta caverna, estava crente de que era completamente normal, sem fantasmas ou anões, como seus colegas imaginavam. Nesse mesmo dia, Euclides encontrou uma coisa interessantíssima: um fragmento enorme de Safira. Este tinha um formato muito parecido com um ankh, símbolo egípcio da vida eterna. Alguns dias depois, encontrou um Rubi de forma elipsar. Pensou que pudesse ficar rico com aquelas lindíssimas pedras em suas mãos. Voltou para sua casa, na Ilha de Creta. Ele era também ourives, por isso, estava predestinado a fazer uma jóia fascinante com aquelas preciosidades. Até que teve uma brilhante idéia. Conseguiu encaixar o Rubi no buraco que tinha a Safira.

Retomou o fôlego e bebeu um copo d'água. Ninguém ainda havia entendido o porquê dela estar contando a respeito de um grego que havia feito uma jóia caríssima.

Íris: -Dentre seus 'amigos', Euclides tinha um que se chamava Hêrcule, que era descendente de Celtas e dizia ter poderes de um mago. Certa noite, Hêrcule conseguiu roubar a jóia de Euclides, batizada pelo mesmo de Safira Escarlate. Contava Hêrcule que ele precisava de algum objeto para lançar nele uma maldição que há muito vinha praticando e, por infortúnia, ele conseguiu. Depois de participar de um feitiço, a Safira Escarlate agora podia transferir ao seu dono poderes para controlar algumas coisas importantes: o Tempo; os cinco elemento que formam o planeta – Água, Terra, Fogo, Ar e Éter; e os sentimentos das pessoas. Hêrcule, durante toda a sua existência, sabia que havia criado algo demoníaco, portanto, aprisionou-o numa caverna, idêntica onde fora encontrada. Meu avô, há algumas décadas atrás, também era garimpeiro, e encontrou a jóia, juntamente com o pergaminho, que contava todos os maus a respeito desse artefato. Ele e Mitsumasa Kido eram muito amigos, e com a ajuda dele, ambos fundaram o grau de defesa criado especialmente para proteger aquela jóia. A jóia.

Todos olhavam boquiabertos para Íris, que parecia ter terminado sua narrativa.

Íris: -Poucos meses depois, o governo do Japão ficou sabendo de toda essa história. Achando que têm direito sobre a jóia, - vale ressaltar que as pedras que compõem essa jóia foram encontradas no Japão - querem retirá-la de nós, e utilizarem seus efeitos para conseguirem obter vingança contra os Estados Unidos, que há muito vêm sido secretamente desejada. E foi pelos japoneses que nossa sede oficial foi destruída.

Saori: -Eu nunca imaginei...

Íris: -Por isso que temos de ir embora daqui o mais rápido possível. Vocês correm perigo.

Saori: -Não deixarei que vocês morram sem que antes eu possa fazer alguma coisa. -bateu a mão fechada na mesa. -Vocês ficam.

Isadora: -Srta, sei que lhe parece difícil acreditar nessa história, porém podemos provar.

Íris: -Vanessa...

Yang meneou a cabeça. Retirou de dentro da blusa um colar em forma de chave. Com as mãos em forma de concha ao redor da chave, esta levitou e emanou um cosmo diferente, inanimado, porém suave e poderoso. E com cada amazona também estava um colar, porém cada um com uma fechadura. Todos brilharam da mesma forma da chave. Nas mãos de Yang, surgiu subitamente uma caixa metálica. Com a chave, que pendia em seu pescoço, abriu paulatinamente a caixa. Uma luz fortíssima invadiu a sala. Saori levou as mãos aos olhos, como que tentando bloquear a luz de irritá-los. De dentro da caixa, retirou a jóia comentada. Safira Escarlate. Todos olhavam encantados para aquele lindo ornamento. Alguns ergueram as mãos, para tentar tocá-lo, porém em vão. Assim como abriu, Vanessa rapidamente fechou a caixa, cessando o brilho e o cosmo. Saori piscou constantemente. Fitou Íris, e logo mandou-lhe um sorriso. Arco-Íris surpreendeu-se, porém sorriu também. Retirou-se da sala.

Saori: -Ok, rapazes, o show acabou. Podem atacar! -sorriu largamente, e foi atrás de Íris.

C.O.N.T.I.N.U.A...

N.A.: Agora que todos sabem a verdade, como serão as coisas daqui pra frente? Só lendo o próximo capítulo pra ver! Espero que estejam gostando..