7

Capítulo Sete

Algo de Estranho

.:.. Casa de Virgem ..:.

Enquanto Hay Lin colocava outra roupa em seu quarto, Shaka fora até a cozinha separar algumas coisas que ela havia pedido. Ao adentrar o cômodo, Amizade olhou o balcão e viu que lá estava tudo que havia pedido.

Hay Lin: -Obrigada.

Shaka: -Que mal lhe pergunte...o que pretende fazer?

Hay Lin: -Um almoço para nós dois, além de algo para a sobremesa e lanche da tarde.

Shaka: -Nossa, que versatilidade. Vai fazer tudo agora?

Hay Lin: -Sim. -ela pegou o macarrão, óleo, alguns legumes e pedaços de frango.

Jogou tudo numa grande frigideira que ela mesma trouxera. Shaka observava tudo por cima do ombro da jovem, mas recusava-se a mostrar curiosidade.

Shaka: -Fritura? Pelo amor de Buda! Sabe quantas calorias isso tem? Isso não faz bem nenhum à nossa saúde.

Hay Lin: -Há quanto tempo você não come fritura? -misturou um pouco do macarrão, frango e legumes na frigideira e jogou um pouco de óleo sobre a mistura. Mexia delicadamente com uma espátula.

Shaka: -Hum...eu nunca comi fritura.

Hay Lin: -Nossa...bom, então hoje vai ser o primeiro dia na sua vida a comer fritura.

Shaka: -E quem disse que eu vou comer? -ela pega um pano de prato e limpa com rapidez e eficiência as mãos de unhas pintadas de amarelo dourado.

Hay Lin: -Ah! Vai sim! Ou... -olhou profundamente nos olhos de Virgem. -Você vai fazer essa desfeita comigo? -beicinho.

Shaka: -...e se eu não gostar?

Hay Lin: -Bom... -pegou a batedeira e separou dos demais eletrodomésticos, posicionando-a perto de uma tomada. -Você experimenta. Se não gostar, eu como tudo sozinha. -pegou também um pacote de farinha e um pote de fermento. -Te garanto que isso não vai ser nenhum sacrifício!

Shaka percebeu que ela deixara a mistura anterior no fogo, e já estava preparando-se para fazer outra.

Hay Lin: -Na frigideira, eu estou fazendo nosso almoço. Comida chinesa. Yakisoba. Já ouviu falar?

Shaka: -... -inclinou a cabeça, com o olhar perdido. –Sim, sim.

Hay Lin: -E agora, nessa batedeira aqui, eu vou fazer nosso lanche da tarde. Um bolo de chocolate. -Virgem lambeu os beiços. Ela percebeu que o cavaleiro gosta de chocolate.

Separou a gema da clara de cerca de três ovos. Bateu as claras e guardou as gemas. Depois bateu farinha de trigo, fermento, entre outros ingredientes. A tarde iria 'render' para a amazona!

.:.. Casa de Touro ..:.

Silêncio. A casa se tornara inútil naquela vastidão do Santuário, graças à falta do cavaleiro de Touro. Mu sentia falta do velho amigo. Das noites zuadas, das festas badaladas, das bebidas inusitadas...enfim, do toque exótico que aquele grandalhão deixava impregnado no ar nas redondezas. Esboçou um longo sorriso ao lembrar-se que faltava pouco para o retorno do grande cavaleiro. Uma pena que sua paz não iria durar muito.

Parou. Volveu-se rapidamente para a esquerda. Nada. Jurava a si mesmo que podia ter escutado algo. Voltou a admirar a estrutura da segunda casa do zodíaco. Piscou constamente. Uma dor imensa lhe assolou a nuca. Caiu inconsciente.

.:.. Casa de Câncer ..:.

Cilena finalmente se soltou dos braços de Câncer. Suas bochechas arderam. Correu para o exterior da casa. Pensou que ele iria atrás dela, porém, virou seu pescoço para trás e percebeu que Máscara da Morte não estava mais lá. Suspirou e voltou a olhar para o telhado da casa de Gêmeos. Viu uma sombra lá. Uma não, três. Assemelhou-as as mesmas pessoas que mataram Íris. Espiou por cima de seu ombro e certificou-se de que Mephisto tinha mesmo se ido. Clamou baixinho por sua armadura e voltou a olhar para o telhado de Gêmeos. Nada.

Cilena: -Estranho...eu tinha certeza de que tinha algo ali.

Um zunido de uma faca. Encaixou entre os dedos uma Am Rei. Pé ante pé, foi andando até a retaguarda de Câncer. Sussurou algo.

Cilena: -Coração Odiado... -umas características faíscas negras se dispersaram da suriken. Sem perder tempo, disparou-a atrás da casa de Câncer.

Um grunhido. Armou-se com mais uma Dark Am Rei. Deu uma cambalhota no chão e mirou-a no que poderia encontrar à sua frente. Um corpo caído. Era uma das sombras que, certamente, matou sua mestra.

Cilena: -Desgraçado!! -desferiu um potente chute na boca do estômago do homem caído. Gemeu. Sentiu que a mão dele agarrara seu pé. Lançou uma suriken na mão que a prendera. Outro grito. -Foi você... -outro chute, porém na face direita. -Foi você que a matou, não é? Hãn?! DIGA!!

Com cada vez mais raiva, Cilena maltratava o ser que ali estava caído. Ele tentava revidar. Em vão.

...: -Argh! I-rei dizer..somente se você...argh! -cuspiu algumas gotas de sangue. -Parar de me agredir...AH!

Hesitou. Não por causa do pedido daquele desgraçado. Pensou em sua mestra. Será que ela gostaria de vê-la maltratando um 'inocente'?

Cilena: -... -pousou seu pé esquerdo sobre o tórax do ferido, apoiou um de seus braços no joelho dobrado. -Pois então, diga quem foi! -cuspiu na cara dele, que, assustado, limpou a gosma que escorria pela sua maçã do rosto.

...: -Arf, arf... -Cilena percebeu que ele arfava e respirava com dificuldade, devido ao seu pé estar estrategicamente posicionado num local do peito que lhe dificulta a respiração. -Não..fui eu! -tentou sentar, posicionar-se melhor. Ela não permitiu. -Foi...meu ex-companheiro.

Cilena: -Ex?? -arqueou as sombrancelhas e franziu o nariz. –Por que? Não está mais trabalhando com ele?

...: -Ele...foi morto...pelo meu chefe. -Ódio retirou o pé de seu peito. -Arf! Na verdade...meu chefe não queria que matássemos sua...mestra. -sentou-se e se preparou para correr. A morena segurou-o pela gola da camisa. Certamente, ele não possuia muito tempo de sua vida desgranhenta, pois a suriken o feriu quase que mortalmente.

Cilena: -Por que??

...: -Eu não ia fugir...não ia! -sorriu amarelamente a ela, que o pousou novamente no chão empoeirado.

Cilena: -Humpf. Por que ele não queria que seu amigo a matasse? -prensionou a gola contra a traquéia do ser.

...: -Aiii! Porque ele queria...matá-la pessoalmente. Arf!

Cilena: -E quem é seu chefe? -aproximou seu rosto do dele, que estava suado e repleto de cortes e sangue.

...: -Certa...certamente sabe quem é ele... -sorriu, porém não por muito tempo. Uma careta de dor estampou-se em seu rosto. Levou as duas mãos ao peito, e Cilena deixou que ele sofresse, ali, caído. Retirou-se.

Após estar sem sua armadura, largou-se no sofá da sala e pegou seu celular e digitou alguns números. Esperou. Logo, uma voz respondia um pouco preguiçosa do outro lado da linha.

Kurayko: -Alôôô?? -espreguiçou-se.

Cilena: -Apronte-se. Temos visita.

Kurayko: -Hein?! Do que é que tu tá falando?

Cilena: -Acorda, Kuray! Estamos sendo atacadas!

Kurayko: -Dã! Eu sei...percebi que a gente não está salva em qualquer parte desse planeta.

Cilena: -Acabei de matar um dos ninjas.

Kurayko: -O quêêêê?? -saltou da cama com entusiasmo. Fazia tempo que já não metia umas boas porradas na fuça de algum japonês enxerido. (N.A.: Isso porque ela é japonesa!)

Cilena: -Descobri que um deles que assassinou nossa mestra já está morto. Quem o fez foi seu próprio mestre. Disse o cara que eu matei que ele fez isso porque o chefe deles queria ter pessoalmente matado nossa mestra. -sentiu os olhos castanhos marejarem.

Kurayko: -Desgraçados... -mordeu o lábio inferior com força, chegando a abrir um corte. -Acha que ainda tem mais?

Cilena: -Óbvio. Uma abelha quando vem para o ataque, não vem sozinha... -sorriu vitoriosa. Teve uma vaga lembrança de sua tortura para com aquele maldito soldado. Seus gemidos soavam prazeirosos aos ouvidos de Ódio.

Kurayko: -Beleeeeeza! -esfregou as mãos até senti-las arder. -Vamos avisar as outras. Nada de contar aos cavaleiros.

Cilena: -Eu tenho uma idéia. Pediremos ajuda a Athena. Ela poderá ocupa-los. Falando neles...como andam as coisas com o Camus, se é que me entende! -piscou, mesmo sabendo que infelizmente Kurayko não podia ver a malícia em seu olhar.

Kurayko: -Ahn... -corou. -Tá tudo ótimo. Nada de mais.

Cilena: -Ahn?! Nada ainda?? Mas você é lerda mesmo!!

Kurayko: -E você queria que eu fizesse o quê?? Abusasse dele?! Não sou assim, e você sabe.

Cilena: -É claro.

Kurayko: -Já tu...percebi que 'entrou em ação'. -gargalhou deliciosamente.

Cilena: -Hehe... -sentiu as bochechas arderem. -Depois eu te conto tudo. -lembrou-se mais uma vez do que fizera com Máscara... -Temos que ligar para a Gabi.

Kurayko: -Que tal nos reunirmos na casa dela?? Nesse momento, precisamor nos reunir e pedir a ajuda de Zeus... -disse, num certo tom de deboche, ao mesmo tempo que fazia a posição de lótus na cama e formava uma careta engraçada na face.

Cilena: -Haha! Palhacinha...vamos logo. Liga pra Gabi,está bem? Estou preocupada com Máscara da Morte, ele não apareceu até agora aqui na sala... -desviou o olhar da agenda de telefone e deixou que seus olhos girassem em suas órbitas, percorrendo a sala. Sentiu que uma gota de suor frio brotou de sua testa.

Kurayko: -Ok. Te vejo mais tarde.

.:.. Casa de Aquário ..:.

Amor jogou-se pra trás na cama de lençóis azuis felpudos. Mordeu um pouco da antena de seu celular (N.A.: Parece bem típica essa mania de Kuray-chan, não?). Meditava sobre tudo aquilo. Aqueles filhos da mãe iriam pagar pela morte de sua mestra que, de certa forma, fora em vão. Apertou com mais força ainda os dentes. Por fim, digitou alguns números e correspondeu-se com Felicidade, que solicitou uma comunicação rápida e precisa com toda as amazonas. Kurayko levantou-se da cama num pulo e foi correndo em direção ao Salão de Athena.

.:.. Salão de Athena ..:.

-Para quê precisa de meu comunicador, querida?

Saori logo levantou-se do trono e chamou Tatsume. Enquanto elas o esperavam, Kurayko foi logo se explicando.

Kurayko: -Preciso solicitar uma reunião urgente na casa de Capricórnio com a nossa Mestra. -avistou Tatsume, e logo acenou para ele, que apressou o passo na direção das srtas.

Saori: -Ah, que bom que veio rápido, Tatsume. -deu poucos passos na direção dele e parou numa posição majestosa. -Prepare o comunicador das casas para a srta. Kurayko, sim?

Tatsume: -Pois não. -virou-se na direção de Amor, e a cumprimentou com um aceno de cabeça. Ela o retribuiu, juntamente com um sorriso.

Saori: -E... -voltou a seu trono, e sentou-se confortavelmente, porém, ainda com aquela posição majestosa. –Por quê precisam de uma reunião urgente?? Não seria melhor fazerem isso aqui no meu salão?

Kurayko: -Imagine, srta. Não queremos incomodar... -sentou-se numa cadeira, a qual Saori havia indicado. -É que tem alguns japonêses 'duma figa' nos atacando.

Saori: -Zeus!! -levou a mão ao peito, com uma cara de espanto, como se estivesse sofrendo de taquicardia.

Kurayko: -Por favor! Queremos resolver isso sozinhas! -levantou-se e inclinou a cabeça numa típica reverência japonesa. -Não deixe que vossos cavaleiros interfiram no nosso plano de vingança!!

Saori: -... -olhou à sua direita e logo viu Tatsume voltando, então, cochichou à amazona. -Ok...mas não vá contar a ninguém que eu deixei! -piscou e sorriu largamente. Amor fez o mesmo para agradecer.

Tatsume solicitou que as srtas. o acompanhassem, e assim o fizeram. Chegaram à uma saleta onde tinha um comunicador idênticos aos usados por policiais, e alguns controladores de volume, além de uma cadeira. Kurayko acomodou-se e olhou para Saori, que estava atrás dela. Com um aceno de cabeça de Athena, Amor voltou-se para o comunicador, e assim avisou.

Kurayko: -AMAZONAS!! PERIGO! ESTAMOS SENDO ATACADAS!! CLAMEM POR SUAS ARMADURAS E SE DIRIJAM À CASA DE CAPRICÓRNIO!! EU REPITO...

.:.. Casa de Gêmeos ..:.

Enquanto Caroline e Vanessa estavam jogando 'Banco Imobiliário' e os gêmeos estavam tirando uma soneca, ouviu-se o aviso saindo diretamente das caixas de som das portas das casas chegarem aos seus ouvidos.

Kurayko: -...VISTAM-SE COM SUAS RESPECTIVAS ARMADURAS E CORRAM ATÉ A CASA DE CAPRICÓRNIO!! É UMA EMERGÊNCIA!! É UM ATAQUE!!

Ying e Yang se entreolharam com os olhos esbugalhados, porém assim o fizeram. Assim que estavam protegidas pelas forças de seus elementos, sem hesitar, foram à Capricórnio, deixando que as notas do jogo voassem ao sabor da brisa gélida daquela noite.

.:.. Casa de Capricórnio ..:.

Já fazia alguns minutos que Sophie e Hay Lin haviam chegado. Ambas estavam acomodadas no sofá, bebendo um copo d'água cada uma. Olhavam preocupadas para Gabriela, como que perguntando com o olhar onde estavam as outras.

Isadora: -Desculpem o atraso! -correu para abraçar Felicidade e cumprimentar suas amigas.

Aos poucos chegaram Caroline, Vanessa, Cilena, Sabrina, Agatha, e por último, Kurayko. Todas estavam tentando chegar a uma conclusão, além de esperarem o ataque, já preparadas. Cansada daquele ar pesado de preocupação presente na casa de Capricórnio, Isadora resolve sentar-se nos degrais do topo da casa. Ao acomodar-se na escadaria da décima casa daquela construção grega imensa, ela retira um pirulito de uva do bolso e desembala-o. Ao sentir o sabor envolvente da fruta em sua língua, ela fecha os olhos e sorri levemente. Parecia ter entrado num estado de puro êxtase. Sentiu que alguém mais vinha de perto das outras para ficar ao seu lado.

Sophie: -Nossa...quanta energia negativa nessa casa, né? -olha interrogatoriamente para Paixão, porém diminui o tom de sua voz ao perceber que a amazona estava bem relaxada. -Não é? -ela repete.

Isadora: -Ah... -retira o pirulito da boca, para poder gesticular mais claramente. -Sim, tem razão. Não gostei desse ar pesado... -lambe delicadamente o pirulito e o oferece a Tristeza, que recusa com uma risada abafada acompanhada com um balanço negativo de cabeça. -Sophie...

Sophie: -O quê? -levanta o olhar na direção dos misteriosos olhos mel de Isadora, deixando a pedra que fitava rolar rapidamente escadas abaixo, após chutá-la.

Isadora: -Você percebeu...que estranho? -introduz novamente o doce por dentre os lábios.

Sophie: -Hãn? Estranho? O que, exatamente? -remexe-se, virando o corpo um pouco robusto para a direção de onde se encontrava a guerreira amiga.

Ela sorriu misteriosamente. Parecia um homicida maníaco prestes a esfaquear sua vítima, o qual iria se divertir muito com aquele feito. De tanta ansiosidade, Sophie percebeu que ela mordera o pirulito. Paixão fez uma careta hilária, porém alegre, e retirou o doce da boca. Contemplou-o antes que uma parte do pirulito de uva desprender-se do palito, rolando para perto de Tristeza, que olhou com uma cara de nojo e deu um peteleco no pedaço solto do doce, fazendo com que este voasse para longe das amazonas. Isadora gargalhou pelo jeito de Sophie, e, ao meio daquela 'criancice', ela atirou ao longe o que restara do saboroso pirulito. Continuou com seu olhar na direção onde o pirulito provavelmente deveria caído, mas logo voltou sua cabeça com precisão e velocidade na direção de Sophie, que ficou séria ao perceber que Paixão ficara da mesma forma.

Isadora: -Assim que chegamos aqui, provavelmente, cada uma de nós sentiu-se atraída por um cavaleiro. Estou certa?

Sophie: -Provavelmente... -inclinou a cabeça, ficando com um olhar perdido.

Isadora: -E, o mais intrigante, é que... cada caveleiro ficou atraído pela sua respectiva admiradora, né?

Tristeza soltou um gemido imperceptível aos ouvidos de Isadora, ao surpreender-se com a revelação.

Sophie: -Sim! -apontou com ansiosidade para Isadora, como se tivesse acabado de descobrir o nome de um poderoso ladrão.

Isadora: -E olhe que cada um de nós tivemos chance de nos apaixonarmos por outra pessoa, pois ficamos em outras casas num bom período!

Sophie: -...

Fez menção de entreabrir o lábios para proferir algo, porém estacou. Estava fitando as escadarias. Duas sombras estavam subindo elas. Quase as reconhecia, portanto, pensou que pudesse ser algum cavaleiro. Franziu o cenho ao perceber que não viu um reluzir sequer das armaduras quando estes passaram por debaixo de um facho de luz forte da lua. Levantou-se e voltou seu olhar para Paixão, que a fitava também com o semblante aborrecido. Ao voltar novamente a fitar as escadarias...onde estavam eles?? Virou sua cabeça um pouco a sua esquerda e pulou para trás.

...: -Morra!!

Isadora: -!!

Paixão fora pega de surpresa por uma adaga de ouro desferida por um maldito ninja. Este correu, porém logo Sophie o perseguiu.

No interior da casa...

Agatha: -DORA!!

Já fazia alguns minutos que Ciúmes havia posicionado-se estrategicamente para poder ver o que as duas tanto faziam no lado de fora de Capricórnio. Percebeu quando Isadora soltou um grunhido de dor e tombou para trás. Notou também que Tristeza havia saído em disparada para descer a escadaria. Seu grito de desespero e zelo pela vida da amiga despertou a atenção das outras.

Caroline: -Deus! -Ying estava mais próxima de Isadora, apesar de não estar percebendo o que estava acontecendo naquele lugar. Aproximou-se de Paixão e logo se ajoelhou, para apoiá-la em seu corpo.

Gabriela: -Mas o que aconteceu aqui??

Isadora, agora deitada sobre o colo de Caroline, tentava balbuciar o nome de Sophie, avisando-as de que ela corria risco de morte, porém logo desabou inconsciente no chão branco e empoeirado da décima casa.

.:.. Casa de Virgem - Escadarias ..:.

Sophie corria atrás de...de...quem ou o quê estava perseguindo? Apressou o passo ao perceber que os dois ninjas estavam afastando-se dela. Logo, foi supreendida pelo arranhão da adaga de um dos guerreiros, que havia parado, virado-se e desferido o golpe na face de Tristeza, que soltou um longo grito de dor, porém logo recompôs-se e voltou a persegui-los. Malditos!, pensou.

.:.. Casa de Capricórnio ..:.

-Ponham-na aí!! Zeus...

Esta foram as ordens da mestra das R.S.H.'s. Caroline e Hay Lin, que amparavam Isadora em seus ombros, logo a fizeram deitar-se na cama de Gabriela. Ela ainda teve uns espamos de dor enquanto estava estirada no colchão macio. Cilena fitou-a com pesar e passou as costas da mão na testa, para retirar o excesso de suor, que brotou devido a tamanha preocupação. Olhou para Gabriela, que tomava um copo d'água com açúcar e sentava-se numa poltrona na sala da casa. Ajoelhou-se no chão, de frente para a guerreira líder. Sentia que ela queria falar algo.

Gabriela: -Vocês precisam ir atrás de Sophie. Ela corre muito perigo.

Cilena: -Mas e a Dora-chan?! Estamos muito preocupadas com ela!

Gabriela: -Eu cuido dela, e assim que estiver recuperada, iremos as duas ajudá-las a combater o inimigo.

Cilena sorriu com um sabor de vingança adocicado em seus lábios. Chamou as outras amazonas e pediu que a acompanhassem. Gabriela explicou que elas tinham de obedecer Ódio, e também ordenou que elas salvassem Tristeza. Todas menearam a cabeça positivamente e saíram em disparada, para descerem as escadarias. Ao ver que estava sozinha, Felicidade levantou-se e foi para perto da cama onde estava Isadora, que parecia dormir profundamente. Enquanto olhava para um pequeno vaso de líros que se encontrava no parapeito da janela, ela havia mergulhado seus pensamentos em outra pessoa.

Gabriela: -Shura...onde você está? -balbuciou.

.:.. Entrada do Santuário - Escadarias ..:.

Sophie: -Granada Melancólica!!

Enquanto ainda terminava de descer as imensas escadarias, ela já preparava seu Fu Mei Pin, afim de surrar alguns malditos japoneses. Ao sentir a areia sob seus pés, parou. Olhava ao seu redor e se viu na praia que envolvia o Santuário. Correu para as ondas, e assim que pôde sentir que os calçados de sua armadura estavam sendo molhados pela salgada, porém límpida água do mar, voltou seu olhar para o Santuário, e logo sentiu uma dor aguda invadir-lhe as costelas. Olhou para sua direita e viu que o mesmo ninja estava armado com aquela conhecida adaga de ouro, mas esta se encontrava repleta de sangue. Do seu sangue. Antes que pudesse cair no chão, viu que haviam mais uns trinta atrás do seu oponente, semelhantes a ele mesmo.

Sophie: -Desgraçado!! -lançou seu chicote na direção do japonês, e logo ouviu aquela explosão. Ah, sim. O ruído de suas amadas granadas funcionavam como calmantes aos nervos de Tristeza, que após isso, pôde ver que seu inimigo ajoelhou-se, com a adaga erguida aos céus, como se a oferecesse aos deuses da antiga Grécia.

Retirou seu orgulhoso e vitorioso olhar de cima do corpo já estabanado no chão do ninja, e assim percebeu que mais outro avançava nela com fome de matar. Apenas tentou proteger-se do próximo impacto, porém nada aconteceu. Entreabriu suas pálpebras e viu que suas amigas haviam chegado. Sim! A cavalaria!!

Kurayko: -Tardamos a chegar ou será que você ainda sobrevive? -sorriu sarcasticamente para Tristeza, que o retribuiu. Gemeu. Amor apressou-se para ampará-la.

Hay Lin: -Parece que temos uns três ninjas pra cada uma. -já armada com sua arma preferida, Kan Van Tou, seu facão de nove argolas prateado.

Agatha: -Isso se a mestra e a Dorinha chegarem a tempo de nós deixarmos alguns pra elas. -gargalhou rapidamente e erguia imponentemente aquele Pa-Sin que mais parecia inocente, porém seu leque preto com delicadas violetas pintadas nele o deixavam com um ar gótico e poético.

Vanessa não perdeu seu precioso tempo e golpeou novamente com seu machado aquele mesmo ninja antes mesmo derrubado. Acabou por abrir uma rachadura visível em seu crânio. Gargalhou, e logo preparou-se para atacar. Com certeza, Ying fora a primeira a perceber que Yang havia usado seu primeiro golpe, Lenhadora Perversa. Juntou-se a irmã, e assim começou a pancadaria...

.:.. Casa de Capricórnio ..:.

Piscou constantemente. Felicidade percebeu que havia caído no sono, na beirada da cama onde repousava Isadora. Esfregou os olhos e viu que Paixão já não estava mais ali. Olhou para sua esquerda e quase caiu da cadeira. Lá estava Isadora, erguida vitoriosamente, sorrindo à toa, ainda mais quando Gabriela percebeu que aquela adaga de ouro entalhada à mão ainda estava enterrada no ombro direito da amiga.

Gabriela: -Sua doida!! Porque não a retira?? -ergueu sua mão direção do ferimento, porém teve seu pulso amparado pela guerreira.

Isadora: -Não estou sentindo nada. Seria pior se eu a retirasse.

Gabriela: -Mas pode infeccionar!! -se levantou e fez menção de tocar o ferimento, porém conseguiu finalmente notar a tranquilidade no cenho de Paixão, então deixou que sua mão pendesse inerte ao lado do corpo.

Isadora: -Vamos... -olhou para a janela, onde se podia ver a entrada do Santuário, e um pequeno movimento de pessoas. -...ajudá-las!! -sorriu.

.:.. Entrada do Santuário ..:.

-Aaaaaaaaaaaaaaaahh!!

Um grito de dor estendeu-se pela praia de areia branca e águas azuis, com reflexos lunares. Sabrina logo apoiou seu pé no abdômen do ninja, para poder ter eficiência no momento de retirar o Pa do peito dele, que estava enterrado. Assim que o fez, enterrou-o novamente no corpo estirado do inimigo, porém em sua cabeça, fazendo com que duas pontas do tridente acertassem corretamente seus olhos claros. Os últimos espasmos antes da morte do ninja foram acompanhados de perto pela amazona, um pouco traumatizada já. Retirou o tridente e logo avançou em outro oponente.

Cilena estava repleta de ódio. Certamente, agora estou combinando com meu respectivo sentimento!, pensou. Logo que lançou uma inusitada Aura Profana sobre aquele ninja que já se erguia pronto para matá-la, este sentiu-se mais lerdo e mais incapacitado. Sentia-se intimidado pela presença de Ódio à sua frente. Tentou correr, porém logo pode sentir algumas pontas afiadas rasgarem suas costas. Caiu morto aos pés de Sophie, que fitava assustada toda aquela batalha, sem se sentir boa para guerrear ainda. Cilena logo viu que o rastro de sua Dark Am Rei estava ferindo de certa forma a amiga, então, ajudou-a a sair da direção das trevas até que elas se dissipassem. Suspirou aliviada ao ver a amiga bem, longe do que estava fazendo mal a ela. Tristeza agradeceu e depois deixou que seus olhos percorressem a morena que logo voltou para terminar a batalha com um dos ninjas.

Enquanto Vanessa atacava com fúria os três ninjas que lhe foram designados, Caroline apenas usava o golpe de sua primeira fase, Aura Equilibrada, sobre a irmã amada, ao mesmo tempo que armava uma Chuva de Flechas. Quando finalmente cobriu Yang com aquele brilho característico em volta de seu corpo esguio, Ying dirigiu seus olhos brilhantes como esmeraldas para os inimigos que obtinham espadas longas, e assim, logo se pôde ver que uma única flecha branca se multiplicou ao ser lançada naquela direção. Os japoneses desabaram, um a um, feridos em lugares diferentes, porém com a mesma arma: as flechas de marfim desferidas do Kun Tin de Caroline do Ying.

Uma das coisas que se podia ver naquele campo de batalha é que alguns ninjas insistiam em 'voar' pela praia, caindo nas águas, com a ajuda do Vôo Nada Amigável de Hay Lin, que simplesmente adorava usar aquele golpe! Logo, um brilho platinado, acompanhado de um grito de guerra, aconteceu na região. Ao se utilizar da Brisa Platinada para ter um facão com maior poder de corte, porém mais pesado, Amizade ergue-o no ar, para que ferisse um ninja que havia sido lançado em sua direção. Logo viu que o facão havia sido corretamente enterrado na boca de seu estômago. Riu sarcasticamente e logo balançou a arma, fazendo com que o corpo caísse sem vida naquelas areias que já não eram mais brancas, e sim vermelhas...

Aquela característica armadura rosa parecia mais dançar e deslizar por entre os inimigos, ferindo mortalmente todos que eram atingidos por seu Gi Nga Tchan, aquela imponente lança meia-lua. Kurayko perfurou dolorosamente o coração de um dos oponentes. Depois, lançou seu corpo com um certo cuidado para perto das águas, fazendo com que este boiasse encantadoramente, e em sua volta, pudesse ver uma mancha escarlate impressionante. Mas isto era pouco, comparado ao que sua arma podia fazer. Ainda! Gritou a plenos pulmões:

Kurayko: -O ESPINHO DA ILUSÃO!! -no exato momento em que levantava o Gi Nga Tchan.

Sentiu um perigo avassalar seu coração, ao lembrar-se que aqueles espinhos poderiam atingir uma de suas adoradas amigas, mas logo percebeu que isto não acontecera.

-HEY!!

Olhou rapidamente para as escadarias e viu Gabriela e Isadora, ambas com suas respectivas armas erguidas na direção de Amor, que sorriu largamente e assim levantou-se rispidamente, feliz pelas amigas estarem bem.

Agatha soltou um risinho abafado ao ver que um dos ninjas estava tonto, pois acabara de sentir um ventinho refrescante e perigoso feito com aquele leque. Seja Ciumento é um golpe um tanto peculiar!, meditou Ciúmes. Enquanto este encontrava-se quase inconsciente, ela aproveitou a deixa e logo lançou uma rajada de Neve Cortante na direção do rosto disfarçado do ninja, que parecia estar com um semblante hilário. Quando viu que aquele corpo congelado desabou, ela abaixou-se por um minuto e retirou a máscara de linho preta que cobria um rosto dotado de olhos brilhantes e mel, que agora estavam quase apagados. Pôs a mão sobre uma das bochechas há pouco rosadas do inimigo, e notou que elas estavam intensamente frias. Ao levantar-se, quase foi golpeada nas costas por outro ninja, mas foi salva milagrosamente por Isadora, que acabara de chegar e estava ali por perto. Ambas sorriram e ficaram de costas uma para a outra. Deixaram que seus respectivos olhos girassem em suas órbitas, verificando ao redor, e assim, menearam a cabeça positivamente, para voltarem ao massacre.

Tristeza já sentia-se melhor do que no ínicio de tudo aquilo. Porém, antes mesmo que fosse atacar alguém, parou para pensar...no objetivo daquele ataque. Olhou para muitos dos corpos estirados que tiveram suas vidas roubadas. Mas por que, Zeus...por quê?? Naquele momento, percebeu o quanto o ser humano é egoísta, a ponto de sacrificar seus semelhantes para cumprir um ideal seu. Logo viu que nenhuma delas estavam com seus colares para a libertação da Safira Escarlate. Então, notou duas possibilidades: ou eles ainda não haviam percebido, ou eles estavam apenas...distraindo-as...

Quando viu o último ninja tombar por cima de um morto, ela ergueu-se e logo iniciou:

Sophie: -MAS POR QUÊ TUDO ISSO?! -respirava ofegante, e ainda apoiava-se num de seus joelhos dobrados.

Cilena: -O quê?! Você ainda pergunta?! -aproximou-se de Tristeza, ainda com aquele característico ódio em seu coração, mas que de pouco em pouco se dissipava.

Sophie: -Por que eles estão nos atacando agora?

Gabriela: -Porque são retardados... -ainda lamentava por não ter tido chance de ter enchido alguns de porradas até a morte.

Sophie: -Nós estamos sem nossos colares!! -gritou ela, apontando para seu pescoço.

Um silêncio súbito cresceu naquela praia vermelha e azul, devido ao sangue e ao banho de luz lunar. Cada uma meditava a respeito da tremenda verdade que Tristeza revelara.

Vanessa: -Se estamos sem nossos colares para a libertação da Safira Escarlate, então...

Caroline: -...por quê nos atacariam!?

Isadora: -Porque este não é o real objetivo deles!!

Fitaram-na boquiabertas. Era verdade.

Hay Lin: -Isto é apenas uma distração. Desgraçados!! -chutou fortemente um dos corpo caídos, onde abriu-se um rombo, no caso, no peito de um deles, e dali jorrou-se mais sangue, embebedando os calçados verdes de Amizade.

Agatha: -Eles devem ter feito isso para atacarem livremente Athena! -olhou rispidamente para o Salão de Athena, que se encontrava no topo de tudo aquilo.

Sabrina: -Alguma de vocês viu o Aiolia ou qualquer um dos cavaleiros a tarde inteira?

Kurayko: -Eu me lembro de ter pedido para que ela os distraísse.

Isadora: -Mas acontece que as únicas pessoas distraídas aqui fomos nós!!

Gabriela: -Será que eles fizeram algum mal aos cavaleiros de ouro? -mordeu o lábio inferior e a língua também.

Sophie: -Apenas saberemos se subirmos até lá. Vamos... -parou.

Olhou para uma moita que se mexia incessantemente e a apontou silenciosamente. As amazonas compreeenderam e se aproximaram lentamente do pequeno matagal presente perto da montanha onde estava instalado o Santuário. Logo, uns dez ninjas saltaram de trás das árvores mais ao fundo de onde se encontravam as guerreiras. Todas deram um pulo para trás, menos Vanessa, que avançou selvagemente. O efeito da Lenhadora Perversa ainda não passara.

Caroline: -IRMÃ!!

Ela saltou na direção de Yang, e conseguiu agarrá-la pelo Fu, que ela sempre o deixava atrás de si quando corria para o ataque. Vanessa retulou, porém restaram poucos segundos para que o efeito do golpe passasse completamente. Os ninjas fizeram menção de lutar, mas foram interrompidos pelo movimento da mão de um guerreiro encapuzado que saíra detrás da moita. Era um homem de olhos verdes alaranjados, (N.A.: Olhos iguais aos da minha mãe!) e utilizava uma roupa azul-royal bem escura. Parecia ser diferente de todos. Deixava que seus longos e cabelos louros caissem encantadoramente por seus ombros. Num movimento rápido, retirou o capuz e mostrou seu belo rosto. Logo anunciou.

...: -Sou Lucas e lidero esta tropa de ninjas.

Agatha: -Lucas... -abanou-se com o leque. Gabriela e Isadora olharam para ela com um certo desprezo marcado no cenho de cada uma e logo depois se entreolharam, soltando um riso, que fora abafado com as mãos.

Lucas: -Vocês são as R.S.H.'s, hum? -olhou para Isadora, porém de uma forma dominadora. Paixão corou levemente.

Cilena: -Sim. -deu um passo à sua frente, determinada. -O que pretende? -desafiou-o com um tom de voz diferente.

Lucas: -Oras, e ainda me pergunta, guerreira? Quero acabar com a vida de todas vocês, recuperar a jóia Safira Escarlate que pertence ao Japão e ser devidamente gratificado pelo meu mestre.

Sophie: -E quem é ele? -mostrava-se melhor recuperada do ferimento anterior.

Lucas: -Haha! Acham mesmo que irei revelar, assim? Sem mais nem menos? Antes irei matá-las...óbvio que após acabar com a vida de Athena.

Kurayko: -SAORI!! -bufou raivosamente e fez menção de avançar nele, porém se tocou que não deveria faze-lo. -Vão matá-la também?

Lucas: -Já estamos matando-a...

Gabriela não aguentou a última frase de Lucas e saiu em disparada na direção do Salão de Athena, porem foi quase impedida por um ninja, não fosse o poderoso lança-chamas do Cerberus de Tristeza.

...: -Arrrrrrrrrrgh!! -caiu morto.

Isadora olhou para Sophie, ainda numa posição discreta, porém que demonstrava que havia se concentrado, e fez algo parecido.

Isadora: -CUPIDO GUERREIRO!!

Pôde-se ver aquela sombra descendo calmamente dos céus, dotada de asas, pronta para atacar. Pousou delicadamente, posicionando-se de forma que pudesse proteger Paixão e quem fosse que estivesse perto dela.

Sabrina: -LICH!!

Um cristal começou a brotar misteriosamente no chão, à frente da guerreira, e assim foi crescendo, até que ficasse quase duas vezes maior que ela. Este se quebrou em milhões de pedaços, e no lugar do cristal, encontrava-se uma majestosa caveira, vestida como um mago, munida de um cajado de madeira envolto por uma Naja viva. A pedra incrustada no objeto brilhou fortemente e, atravéz deste brilho, iniciou-se uma tempestade de neve avassaladora.

Sabrina: -Isto deve distraí-los por um tempo. Vamos salvar Athena!

Todas meneram a cabeça positivamente e, dotadas de determinação, deixaram que aqueles três guerreiros invocados tomassem conta dos malditos japoneses. O Cerberus, o Cupido e o Lich. Elas confiavam cegamente naquelas criaturas, portanto, já não mais se importavam com aquilo, e sim com a vida de Saori...

.:.. Salão de Athena ..:.

-MORRA, ATHENA!!

Tatsume: -Não!!

Quando um ninja de uniforme azul-royal assim como o de Lucas tentou acabar com a vida de Saori, Tatsume jogou-se na direção do ataque, porém este estava protegido por um imenso pedaço de madeira, que fora colocado à frente da espada longa daquele homem, que, furioso, retirou com raiva a arma incrustada na madeira, e preparou-se para acabar com a existência do mordomo enxerido.

...: -Maldito...

Já não havia mais tempo para salvar sua vida.

Gabriela foi a primeira amazona a botar o seu pé dentro do Salão de Athena, e, a primeira coisa que viu foi um ninja idêntico a Lucas caído. Ao seu lado, posicionava-se Tatsume, aquele empregado exemplar, empunhando uma espada longa banhada em ouro na direção do corpo já inerte e sem vida do oponente. Felicidade esfregou os olhos. Verdade ou ilusão? Simplesmente não acreditava em tamanha eficiência de Tatsume. Impossível!, pensou ela. Porém, achou mais realista quando ele ajoelhou-se, ferido, apoiando-se na espada fincada no carpete branco, agora de cor escarlate. Agatha logo adentrou o cômodo, e não ligou muito para Tatsume. Correu para amparar Saori, que estava caída, perto de seu trono, assim como Caroline e Sophie.

Gabriela: -TATSUME! O que houve, cara? -enrolou um dos braços do empregado em seu pescoço e levantou-o. Sentiu-se a única preocupada com ele, mas não ligou pra isso. Logo notou que ele havia ficado inconsciente. Clamou por ajuda a Kurayko e Isadora, que haviam acabado de chegar.

Quando Saori já fora colocada em sua cama por Ying e Tristeza e Tatsume já estava quase acordando, Vanessa notou que alguém vinha vindo. Chamou a atenção de Hay Lin e Cilena, para que as três ficassem atentas. Fixaram seus olhares na entrada, porém, uma luz azul que havia nascido como que instantaneamente num canto do salão fez com que elas se aproximassem daquele brilho. Perceberam que era a luz que o teletransporte do Lich emanava quando era usado. Logo, à frente delas, em uma posição majestosa, estava aquele mago, aquela... caveira. Este balançou a cabeça positivamente, como se estivesse dizendo que haviam vencido a batalha. Ouviram uns passos fortes vindo das escadarias e logo voltaram à entrada. Assim, logo veio correndo euforicamente um Cerberus. Ele vinha balançando aquele rabo flamejante com uma cabeça de dragão na ponta, sorrindo, e a cabeça do meio trazia algo entre os dentes. Ambas as cabeças fizeram algum tipo de reverências às guerreiras e assim, a cabeça do meio logo soltou o que havia guardado na boca tremendamente assustadora: um pedaço extenso de pano cor azul-royal. Cilena apanhou-o e logo sorriu largamente. Cerberus apenas abanava a cauda e, com aquelas enormes línguas para fora, pingando ácido puro, eles esperavam alguma recompensa. Elas não sabiam o que fazer, portanto, jogaram a 'bomba' na mão da invocadora da criatura.

Vanessa: -Er...Sophiiiee!! Tem alguém aqui te esperando...!

Aqueles olhos azuis logo abriram-se por completo. Athena, ou melhor, Saori, viu-se rodeada de amazonas. E assim lembrou-se do ataque feito por aquele ninja misterioso. Resolveu contar tudo às amazonas.

Saori: -Eu...estava em meu trono, e logo comecei a desconfiar que, durante o dia inteiro, nenhum dos cavaleiros de ouro vieram falar comigo. -bebeu um copo d'água e respirou fundo, para assim prosseguir. -Resolvi utilizar o comunicador para tentar estabelecer algum contato com qualquer um deles... o microfone estava mudo, não funcionava. Quando voltei ao meu trono, lá estava, sentado nele, aquele japonês de roupa azul. Indaguei quem era ele e o que queria. Ele respondeu...

Flashback

...: -Meu nome é Angeli. Sou um dos ninjas oficiais do meu mestre, aquele que quer recuperar a jóia que pertence ao Japão, Safira Escarlate.

Saori, subitamente, lembrou-se da história contada por Íris, quando a falecida ainda estava completamente saudável. Sentiu seus olhos marejarem e assim fizera discretamente um sinal-da-cruz sobre seu peito para honrar a memória de Arco-Íris.

Saori: -A jóia não pertence ao Japão!

Angeli: -Talvez... -aproximou-se sensualmente de Saori, que recuou intimidada com a presença do ninja. -...você possa me dizer onde consigo encontrá-la.

Saori: -Jamais!! -bateu seu punho cerrado no peito. -Apenas passando por cima de meu cadáver.

Angeli: -Com prazer. -com as costas da mão direita, ele tapeou uma das bochechas rosadas de Saori, porém não fora um tapa qualquer. Ele estava munido de um anel estranhamente dotado de uma lâmina de platina, e com isso acabou arranhando doloridamente a face de Athena, que caiu quase que sem sentidos no chão.

Saori: -Argh...você...

Angeli: -Eu o quê? Viu o quanto eu sou belo e forte, hãn? -balançou propositalmente aquele cabelos longos e rubros ao sabor de um vento abafado que invadira o salão naquele exato momento. A última coisa que Saori viu foi o brilho dos olhos verde alaranjados daquele homem cruel...

Fim do Flashback

Quando Paixão terminou de ouvir a narrativa da reencarnação de Athena, ela virou-se bruscamente na direção de Tatsume.

Isadora: -Como...como ele pôde deter aquele homem??

Saori fez menção de se levantar, mas foi impedida pelas amazonas. Imploraram para que ela descansasse mais. Apenas conseguiu sentar-se naquela cama coberta de edredons floridos. Olhava carinhosamente para Tatsume.

Saori: Obrigada...meu bom e velho amigo...Tatsume... -e sorriu mais uma vez.

C.O.N.T.I.N.U.A...

N.A.: O perigo está mais próximo de nossas amazonas do que elas imaginam. E sim, eu adoro o Tatsume! P Comentem!