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Capítulo Nove

Os Samurais

.:.. Casa de Aquário ..:.

Estabanada que só ela, Kurayko, ao correr na direção da cama, bate fortemente com o joelho na quina do objeto. Ela tomba no chão e começa a esfregar o local dolorido, blefando palavras ininteligíveis. Mas a lembrança do semblante de Camus surtira como um anestésico na dor. Nossa, que homem é aquele!, suspirou ela. Ao finalmente conseguir se recompor, ela dirige-se à cozinha e apanha alguma pomada e um analgésico em comprimido, que engole sem nem ao menos beber água. Tomando mais cuidado da próxima vez, ela deita-se calmamente e massageia onde dói mais. É naquele momento que ela mais desejava uma massagem de Aquário...

.:.. Salão de Athena - No Dia Seguinte ..:.

Saori: -Prepare tudo bem rápido, Tatsume.

Ao escutar as ordens da reencarnação de Athena, o mordomo de extraordinário poder oculto retirou-se a passos apressados. Acomodou-se novamente em seu trono e voltou a fitar aqueles misteriosos olhos amarelos de brilho escarlate. O homem apenas sorriu para a jovem srta. Saori. Sentiu uma chama de ódio crescer em si, porém se controlou. Era uma Deusa! Por que sentir ódio em um coração tão puro?

...: -Vejo que esse seu empregado é muito eficiente, Saori.

Saori: -... -ela não tinha palavras para combater aquele ser humano. Mas por quê?

Meia hora depois, Isadora adentrou o salão com aquele passo pesado e oco provocar irritantes sons. Olhou interrogatoriamente para o homem, e este estava de costas. Logo veio Gabriela, Kurayko, e assim vieram todas as outras amazonas. Ambas cochicharam entre si sobre todas as possibilidades de quem ser o cara vestido de terno que se posicionava no meio do salão, acomodado em uma majestosa cadeira de mogno com estampa lisa azul-turquesa. Assim que o burburinho se cessou, Saori logo começou.

Saori: -Amazonas, este é Alisson Kinomoto. -levantou-se. -Sr. Kinomoto, deve lembrar-se exatamente de quem são elas.

Ele também se ergueu, e então, uma a uma, ele foi fitando com aquele olhar simplesmente excitante e anormal. Ao olhar para Sophie, notou que aqueles olhos escuros estavam bem arregalados, como ovos de galinhas. Uma dor em seu coração brotou imediatamente, fazendo com que, em breve, tomasse uma atitude explícita.

Alisson: -Realmente. Eu me lembro. Como estão lindíssimas e crescidas.

Sophie: -FOI VOCÊ!!- apontou bruscamente para o homem, que se dirigiu completamente à ela, e, com aquela voz enjoativa e esganiçada, logo indagou.

Alisson: -O quê disse? -ela aproximou seu rosto ao dele, que apenas sorriu ironicamente.

Sophie: -... -ela tentou falar, mas achou ridiculo o que iria dizer.

Alisson: -Tudo bem. É melhor esquecer mesmo o que ia dizer. -virou-se de costas a ela e deu alguns passos, porém virou-se abruptamente para cuspir algumas poucas sílabas. -Melhor para você.

Sentiu a garganta coçar intensamente, somente pela simples vontade de dizer o que queria. Mas se conteu. Ele não podia ser o mesmo homem que atormentara seu sono nas últimas semanas. Não podia... mesmo porque, ele não parecia ter más intenções para com elas.

Saori: -Diga logo o que quer.

Alisson: -Ótimo. Desejo muito chegar logo ao ponto... -volveu-se inteiramente na direção das guerreiras, dando de ombros para srta. Saori, porém nem ao menos se importando com isso.

Gabriela: -Eu sou a mestra das R.S.H.'s. -fez uma típica reverência e deu um passo na direção dele. -Pode começar.

Alisson: -Eu sou Alisson Kinomoto, um dos secretários do presidente do Japão. -Felicidade cerrou os punhos. -E sou mestre do Clã Royal Sky. Acho que vocês devem conhecer pelo menos boa parte dos integrantes deste grupo.

Gabriela: -Creio que não. -engoliu em seco. Poderia ser ele o mestre daqueles malditos ninjas que as atacaram há pouco tempo atrás?

Alisson: -Oras, é claro que sim. Ou por acaso vocês nunca viram alguém como... -apontou misteriosamente para a entrada do salão, situada atrás delas, que viraram curiosamente. -...ele?

Ao terminar aquela pergunta, um homem encapuzado utilizando um uniforme ninja azul-royal adentrou o cômodo. Por um momento, pensaram que poderia ser Lucas ou Angeli. Mas logo a indagação de desfez, dando lugar a outra: quem era aquele homem de cabelos longos, encaracolado e negros que acabara de retirar o capuz de linho da face?

...: -Mestre... -ajoelhou-se perante ao sr. Kinomoto. -Gregory se apresentando. -sorriu maliciosamente, com aqueles olhos escuros contornados por um risco negro brilhando por detrás das mechas suaves que caíam em seu rosto.

Alisson: -Perfeitamente, Gregory. Queira cumprimentar as amazonas, por obséquio.

Gregory: -Como quiser... -e fitou uma por uma, com grande desejo de ter por um momentos seus corpos jovens e suas mentes insanas pelo ódio da morte da mestra amada. -Mucho placer, señoritas.

Agatha sentiu as pernas cederem por um segundo. Ah, que homem!, meditou ela, olhando de cima a baixo aquele inimigo completamente sedutor.

Alisson: -Muito bom, guerreiro. Aproxime-se.

Ainda fitando-as quando caminhava na direção do mestre, ele piscou por uma fração de segundos para Kurayko, que teve o olhar tomado por uma mistura de raiva e... excitação. Umedeceu os lábios e desviou o olhar dele, que apenas esboçou um leve sorriso nos lábios finos e graciosos.

Alisson: -Não é por isso que eu vim aqui. -despertou-as de seu devaneio quando voltou a deixar que sua voz irritante passeasse pelo Santuário. -Eu vim lhes propor um desafio. -Isadora levantou aquelas gotas de mel no lugar dos naturais olhos. Estralou discretamente os dedos. A última vez que tivera chance de lutar chegara tarde demais. Dessa vez, o pau cantaria na sua mão!

Gabriela: -Que tipo de desafio?

Alisson: -Lutas, lutas, e mais lutas. Vocês farão o que sabem de melhor. Porém... -ergueu-se e ajeitou o impecável terno, que parecia custar bilhões de dólares. -...permitam-me que eu explique as regras.

Gabriela: -Ninguém o está impedindo. -disse friamente.

Alisson: -Eu espalhei pela ilha do Santuário cinco guerreiros. Samurais, para ser mais exato. Por obséquio, gostaria que as srtas. dividissem-se em cinco duplas, e fizessem uma busca pelo local, e cada dupla deverá matar um samurai, e lhe trazer um objeto pertencente ao guerreiro abatido.

Gabriela: -Apenas isso?

Alisson: -É claro que, tudo isso, em... -checou por um instante o relógio de pulso prateado. -...três horas.

Gabriela: -E se não aceitarmos?

Alisson: -Pois bem. Gregory. -o ninja apenas reverenciou-o e aproximou-se de Saori, imprensando-a com seus braços e ameaçando sua jugular pálida com uma Kunai dourada. Athena apenas sentiu a fria lâmina do objeto acariar-lhe o pescoço. -Se não aceitarem, ela morre.

Gabriela: -Droga...- murmurou ela, mordendo o lábio inferior.

Alisson: -E antes que perguntem... -voltou a se acomodar na cadeira. -...o mesmo acontecerá se vocês não voltarem no tempo determinado.

Um longo silêncio estabeleceu-se no local, e nesse meio tempo, sr. Kinomoto apanhou um charuto cubano e o acendeu com um fósforo do hotel Waterloo. Espetou o fumo no sulco labial e retornou a falar.

Alisson: -O que me diz, queridinha?

Gabrielas: -Nós aceitamos. -ergueu a cabeça, triunfante.

Alisson: -Perfeito! -esfregou as mãos até senti-las arder. -Terão cinco minutos para se organizarem.

Passado o tempo estabelecido, as R.S.H.'s dividiram-se da seguinte forma: Caroline e Vanessa, Sophie e Hay Lin, Agatha e Cilena, Sabrina e Gabriela, Isadora e Kurayko. Todas dispersaram-se em duplas pelo Salão de Athena, com os corpos volvidos para a entrada. Apenas esperavam pacientemente pelo apito final.

Alisson: -Prontas? -ambas menearam positiva e orgulhosamente a cabeça. -Gregory, tenha as honras.

Gregory: -Com todo o prazer, mestre. -deu um passo à frente de Alisson, e logo anunciou. -Comecem!

A última coisa que elas ouviram foi o sonoro 'clic' pressionado pelo ninja, avisando que já era hora de salvar Athena... e suas próprias vidas.

.:.. Ilha do Santuário - Oeste ..:.

Alguns minutos depois, Ying e Yang, a dupla número um, já estava se embrenhando nas moitas da ilha.

Caroline: -Como você acha que é esse samurai, mana? -perguntou a ela, enquanto utilizava uma de suas flechas de marfim para retirar com eficiência as ervas daninhas que bloqueavam seu caminho.

Vanessa: -Hum... -parou por um instante e coçou a cabeça, bagunçando os fios negros. -Penso que seja como aqueles samurais dos animes. Utilizam armaduras e panos pesados, dotados de uma katana de poder destrutivo incomparável.

Caroline: -Deve ser isso...

Por uma fração de segundos, a irmã gêmea de Vanessa não conseguiu sair do lugar onde estava. Mexeu com força um dos pés. Nada. Logo, percebeu que aquela lama subia cada vez mais e mais... a lama subia, ou ela descia?

Vanessa: -Vem logo, garota.-já impaciente, Yang posicionava o machado à sua frente, caso algo aparecesse.

Caroline: -Não dá!! -seus olhos esbugalharam-se.

Vanessa: -Porque não??

Caroline: -Porque eu to atolada em areia movediça.

Num impulso só, Vanessa arremessou seu Fu para o alto, pegando-o em seguida, para que este cortasse um cipó que se encontrava sob ela. Com a corda feita pela Natureza, ela amarrou-a no busto da irmã, que se agarrou no objeto, sendo puxada em seguida.

Caroline: -Zeus!! Eu pensei que fosse morrer! -abafou uma risada, porém logo a interrompeu, ao perceber que Yang tentava frustradamente segurar-se em algo.

Uma força sobrenatural puxava o pé esquerdo da amazona. Caroline conseguiu verificar o que era: uma raiz imensa de uma árvore secular agarrara o tornozelo de Vanessa, que se esperneava tentando livrar-se daquilo. Ying olhou ao seu lado e viu o machado da irmã. Sem pensar muito, agarrou a arma, fechou os olhos, e seria o que Zeus quisesse... ergueu o cabo de madeira e cortou em cheio a raíz viva.

Vanessa: -QUE DIABOS É ISSO?! -abraçou a irmã, fixando o olhar no resto da raíz, que mexia-se rapidamente, tentando sobreviver. Logo, ela parou de mover-se.

Por um momento, apenas podia escutar-se o som do ganido dos pássaros que por ali sobrevoavam. Por puro instinto, Vanessa olhou sorrateiramente para o topo das árvores e assim avistou uma sombra. Caroline seguiu seu olhar e discretamente, conseguiu preparar-se para atirar uma flecha. Acertou o que poderia ser o ombro da criatura. Esta tombou para trás, rolando de dor pelas folhas secas. Yang aproximou-se, ameaçando-o com o Fu, e Ying com aquele imponente Kun Tin.

...: -Argh! Como se livraram de tudo?

Vanessa: -Fácil. Somos fortes. Quem é você?

...: -Sou um dos guerreiros de Alisson. Yama, o Samurai da Terra.

Caroline: -Mas porquê diabos Samurai da Terra? -indagou ela, encostando a ponta da flecha em sua testa.

Yama: -Porque eu posso controlá-la.

Para as gêmeas, agora tudo fazia sentido. Num impulso, o guerreiro, conseguiu afastar aquele objeto de marfim pontiagudo para longe de sua face. Sorriu e logo fez um movimento estranho com a espada de lâmina fria que tinha na bainha até o presente momento. Yang espiou por cima de seu ombro e logo empurrou a irmã para que ambas abaixassem-se. Alguns cipós estavam a caminho de seus pescoços com as ordens de dele.

Yama: -Não podem me derrotar, jovenzinhas!!

Uma árvore fez um movimento brusco com um de seus galhos mais grossos, fazendo com quem este colidisse brutalmente com a boca do estômago de Caroline, que ajoelhou-se e depois caiu de bruços. O samurai apertou os dedos no cabo da espada, erguendo-a ameaçadoramente na direção da amazona caída. Vanessa logo proferiu em alto e bom som aquelas palavras. Um som metálico fez-se ouvir e logo Yama sentiu um frio na espinha, sendo arremessado para longe segundos depois. Olhou para Vanessa, que estava mudada. Um par de asas nasceram de suas costas, que estavam cinzas, com um brilho misterioso. Yama levantou-se e movimentou a mão na direção da amazona, fazendo com que esta ficasse presa ao chão, graças às raízes grossas que prendiam suas asas extremamente próximas ao chão. O guerreiro gargalhou escadalosamente.

Yama: -Huhuhuhu!! Idiotas, jovens tão...inocentes! -piscou e assim voltou a olhar para Ying, contudo ela não jazia mais lá. Volveu-se para trás e a encontrou há alguns metros dele.

Caroline estava numa posição de ataque, com uma flecha branca com aura poderosa envolta da mesma, fazendo com que, em breve, esta se multiplicasse. Yama teve tempo apenas de cobrir o olhar com um de seus braços, como um pássaro acuado faz quando vai repousar.

Caroline: -A LUZ!! -apenas naquele momento, as gêmeas do Ying e Yang perceberam um fato incrível: a amazona Caroline atingira a terceira fase!!

Um verdadeiro rio de flechas desceu dos céus, com velocidade e imponência. Atingiu um braço, uma coxa, um tendão do pé e uma orelha do samurai, que ganiu ensudercidamente.

Caroline: -Vanessa!! -aproximou-se desembestadamente da irmã, que tentava alcançar o Fu caído. Mais uma vez, Ying agarrou a arma de Yang e cortou as raízes. Vanessa livrou-se das asas e abraçou a irmã, foi quando notaram novamente a presença do inimigo ali, incapacitado de lutar. Se entreolharam, e por fim, decidiram acabar com aquilo de uma vez por todas.

De um compartimento secreto existente em cada armadura, Caroline e Vanessa apanharam fragmentos de uma espada de bronze. Ergueram-se e assim, com orgulho, encaixaram ambas as partes da arma. Um trovão atingiu certeiramente a espada e ambas as irmãs, fazendo com estas tomassem um choque insuportável de milhares de volts. Logo, seus corpos desapareceram. Yama olhou confuso para onde deveriam estar as guerreiras, porém logo notou a presença de outra pessoa ali. Um ser alto, dotado de asas negras, uma estranha cauda longa com uma ponta afiada, cabelos longos até os joelhos, ruivos. Em uma das mãos, adormecia profundamente uma espada de bronze com cabo de marfim. Assim que Malakian abriu bruscamente os olhos, Yama recuou. Logo notou que seus olhos eram cinzas.

Malakian: -Samurai da Terra. -sua voz saía dupla e rouca daquela boca carnuda e rosada. -Seus dias estão contados. -ergueu a espada.

Yama: -N-não! Eu sou praticamente...imortal. -sangrava incessantemente todos os seus ferimentos.

Malakian: -Deixá-lo-ei que minhas asas abençoem tua alma, e que Deus perdoe tua existência maligna. Com esta lâmina bendita, irei distinguir teu corpo de toda a face terrestre e entregarei-o ao Deus Supremo, que haverá de amá-lo assim como a todos nós.

Num único movimento, o anjo fincou a arma no peito de Yama, que caiu de bruços na grama da pequena floresta da Ilha do Santuário. Retirou-a tão rápido quanto a enfiou, e assim a guardou em sua bainha branca de marfim, localizada na cintura do guerreiro alado.

Malakian: -Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo... -enquanto benzia-se, ele proferia as palavras para a salvação de Yama. -...Amém. -beijou a testa do ser morto, tendo pura pena do Samurai da Terra.

.:..Ilha do Santuário - Leste ..:.

Enquanto as gêmeas se livravam do perigo, Agatha e Cilena já se encontravam nele.

Cilena: -Iááááááá´!! -tentou mais uma vez disferir um potente golpe na armadura vermelha do Samurai do Fogo. Em vão.

Tayoo: -Há! Acham mesmo que irão me derrotar? -Bah... -o guerreiro apanhou com facilidade a Am Rei de Ódio, que quis revidar.

Agatha: -Maldito! -murmurou ela, já correndo velozmente na direção dele, que apenas lhe direcionou uma rajada de fogo inigualável. Ciúmes rolava de dor no chão arenoso de uma região da ilha, onde haviam muitas pedras e vegetação rasteira.

Tayoo: -E para tu, amazona desprezível... -com passos lentos, posicionou-se ao lado de Cilena, já ajoelhada devido aos ferimentos anteriores causados em seu abdômen.

Com uma das mãos no ferimento e outra apoiada no chão, ela apenas ergueu os olhos amendoados até que enfim pudesse fitar a katana do homem de cabelos loiros e curtos, porém lisos.

Cilena: -O que pretende? És fraco... -antes que pudesse demonstrar tamanha raiva possessa pelo inimigo, aquela lâmina invadiu sorrateiramente o braço direito de Cilena, que grunhiu.

Tayoo: -Quero apenas causar-lhe uma morte dolorosa e inesquecível. -ainda empunhando a espada, encostou a ponta da arma no queixo dela, para que assim pudesse levantar e ver o quanto seus olhos estavam repletos de fogo, de ódio. -E esta arma aqui irá ajudar...

Até que, o aço da espada avermelhou-se repentinamente, esquentando o corte de modo que este pudesse derreter o objeto mais resistente ao calor. Preparou a katana. Parou. Onde está a outra guerreira?, pensou ele. Com cuidado, remexeu o pescoço até que pudesse olhar na direção de Agatha, que estava inconsciente.

Tayoo: -Morta. Como eu pensei, huhu... -assim que fez menção de voltar a fitar Cilena, desabou pateticamente no chão. Sentia-se pesado. Mas como?

Cilena: -Pare... -ergueu a mão até conseguisse encostar no ombro esquerdo do Samurai do Fogo. Tayoo sentiu que a gravidade ao seu redor tinha aumentado um milhão de vezes.

Tayoo: -Mas o quê? -e percebeu. Um leve contorno brilhante alaranjado envolvia uma das mãos de Cilena. Justamente a que se apoiava no seu ombro. -Argh!

Cilena: -E que tal agora seu peso, hãn? -indagou ironicamente ao guerreiro, até que este enfim tornou a erguer a espada, porém todo o esforço fora em vão. A arma escorregou de seus dedos entreabertos e adormeceu aos pés de Ódio.

Tayoo: -Não...não vai me impedir com tal...truque. -balbuciou ele, antes que fizesse com que um súbito líquido vermelho brotasse sob os calçados da armadura de Cilena. A amazona deu um pulo e afastou-se.

Cilena: -Lava...

O Samurai do Fogo sentiu-se mais disposto assim que se livrara da impertinente mão de Cilena. Mas esqueceu a espada, que ainda repousava há uma pouca distância dele. Até que notou...

Tayoo: -Minha espada... -Ódio olhou interrogatoriamente para ele, que, com seus olhos pretos esbugalhados como duas opalas negras, apenas olhava a katana derreter-se por dentre a lava borbulhante que já estava demolindo tudo que houvesse de admirável no lugar. Menos Agatha.

Agatha: -NEVE CORTANTE!!- aquela característica ventania de certo poder avassalou o pouco da lava que ainda restava. O gelo do seu golpe não aguentaria por muito tempo todo o calor do líquido. -Cilena, me ajude!

Aproveitando a distração do samurai, que apenas olhava a arma desaparecendo e a lava nascendo cada vez mais rápido e mais grossa, Ciúmes propôs um plano, todavia teriam de ser ágeis. Juntamente com Cilena, ambas apanharam algumas pedras largas e assim, fizeram um imenso círculo em volta do guerreiro quase que desacordado e do local onde a lava jorrava incessantemente.

Tayoo: -Não é possível!! -e assim logo pôde perceber que estava quase sendo distinguido do lugar graças ao líquido borbulhante que chegava aos seus pés. -Como puderam armar esta cilada para mim?! -enormes paredes de pedra envolviam tudo ao seu perímetro. Aproximou-se de uma e socou-a. Inútil.

Do lado exterior da pequena prisão petrificada, Agatha concentrava-se por um bom tempo, até que um imenso bloco de gelo despencou do céu alaranjado repleto de nuvens. O iceberg encaixou-se perfeitamente dentro do que se podia chamar de cela. Cilena orgulhou-se imensamente da amiga. Ela acabara de utilizar-se do Iceberg em Chamas, um golpe da terceira fase.

Assim que terminou, desabou no monte de areia que ali residia. Cilena utilizou-se do rastro de trevas das Dark Am Rei e circulou a cela do Samurai do Fogo com aqueles miúdos trovões negros. Logo, puderam ouvir os gritos agonizantes de Tayoo se cessarem sob o infinito silêncio da natureza. Ganidos de lobos substituiram os grunhidos do guerreiro. Estava anoitecendo.

.:.. Salão de Athena ..:.

Olhou para o pescoço de Athena, ainda sendo segurado pelo criado, e logo devolveu o olhar penetrante ao relógio de pulso de ouro, 24 quilates. Passara-se uma hora desde que as amazonas partiram. Sorriu minuciosamente.

.:.. Ilha do Santuário - Sul ..:.

Acompanhado do barulho das ondas do mar da praia, estavam os passos na branca e fofa areia causados pelas amazonas incubidas da região sul da ilha. Até aquele presente momento, nada encontraram. Sabrina suspirou preguiçosamente e assim ajeitou-se perto das ondas que lambiam sua armadura.

Gabriela: -Precisamos... -arfava, afinal estava andando já faz uma hora. -...encontrar aquele maldito samurai, guerreiro, ou seja lá o que for. Não é hora de... -olhou para a praia, e não terminou a frase, posto que sentia água em seus pés. Suava muito, pois a armadura era uma vestimenta que causava extenso calor.

Felicidade mergulhou deliciosamente nas límpidas águas e pouco se importava com o homem que tinham de encontrar. Alisson por acaso tinha dito que era um homem?, meditou ela.

Sabrina: -GABI!

Gabriela submergiu imediatamente quando escutara o chamado de Inveja, e logo viu. Uma mulher. Sim, uma encantadora samurai, dotada de uma armadura azul-marinho, envolta de pesados panos azuis-escuros. Uma katana repousava delicadamente na bainha preta da cintura. A moça de bochechas rosadas e cabelos misteriosamente negros logo sorriu magneticamente.

...: -O que fazem por estas regiões, amabilíssimas amazonas? -fez menção de agarrar com força evidente o cabo negro da espada, porém logo renunciou.

Gabriela: -Procurávamos por você. -anunciou, enquanto espremia os cabelos loiros para retirar a água salgada retida nos fios.

Sabrina: -Preparada para a luta? -empunhou furiosamente o tridente da cor da terra com detalhes pretos.

...: -Pois não. Com todo o prazer. Contudo, apresentar-me-ei às srtas. -disse ela cortejadamente. -Sou Kawa, Samurai da Água.

Gabriela: -Perfeitamente, guerreira. Tome isso! -e avançou nela com o Fu Tao Ngau, quase que encaixando-o no estômago da oponente, não fosse sua agilidade que fizera-a desviar do que poderia ter sido uma ferida mortal.

Gabriela sentiu uma pontada de dor brutal nas costelas, quando percebera que Kawa havia fincado-lhe a katana no seu corpo de cor pálida. Desabou de bruços, um pouco inconsciente. Inveja logo golpeou as pernas da samurai com o Pa, fazendo com que ela caísse desesperadamente com o traseiro no chão.

Kawa: -Hum...essa doeu! -esfregava o traseiro, porém não conseguia mover corretamente as pernas, decidindo, por fim, utilizar as mãos para acabar com a existência da amazona que trajava uma armadura brilhante de cor amarronzada.

Quando Sabrina sentiu uma presença misteriosa nascer por detrás de si, logo volveu-se completamente na direção da praia. Um ser feito de água pairava perto das ondas. Obtinha a forma de um ser humano. Uma alma de água. Não sabia. Possuía mãos, cabeça, e longos cabelos. Além de olhos eternamente azuis, assim como todo seu corpo. A criatura não possuía pés, apenas uma corrente de água que a ligava ao mar salgado.

Sabrina: -Zeus! Que criatura...- e assim ergueu a mão vazia na direção do novo inimigo e pronunciou. -ESCURIDÃO NO CORAÇÃO!! -trevas e mais trevas brotaram da palma da sua mão.

Assim que os relâmpagos negros aproximaram-se do que se podia chamar de corpo aquático, o ser apenas sentiu-se mais poderoso e teve a capacidade de lançar uma cachoeira no corpo de Sabrina, que foi lançada para trás, batendo fortemente com a cabeça numa das pedras e se postando desacordada.

Kawa: -Inúteis vocês, não? -andava em círculos no perímetro que envolvia os corpos caídos de Felicidade e Inveja, porém não por muito tempo.

Ela agarrou raivosamente o cabo da espada e retirou-a da bainha, porém foi pouco a pouco enchendo-se de medo. Ela fitava o céu que estava sobre o mar. Nuvens de chuva uniam-se cada vez mais naquela região, e vinham rapidamente até ela. Olhou para Gabriela e viu a amazona ajoelhada, com ambas as mãos erguidas.

Gabriela: -TEMPESTADE DA ALEGRIA!! -um trovão azulado logo eletrificou a água da praia., acabando com a existência da alma de água no mesmo instante. Um grunhido de ódio prendeu-se na gargante de Kawa, que logo voou longe com a força do raio que caíra perto de si. Gemeu.

A tempestada rolava solta por aquelas bandas, porém ela não atingia de forma alguma o corpo estirado de Sabrina, que já piscava, perto da vigília. Gabriela voltou a desmaiar tamanho o esforço que utilizara para desferir o golpe. A Samurai da Água gargalhou escandalosamente.

Sabrina: -Q-qual a piada? -com o auxílio do Pa, erguia-se até poder se fincar com firmeza na areia. -Eu quero rir...também... -sorriu minuciosamente, com a cabeça baixada.

Kawa: -Sua desgraçada! Por que não morre logo? -deu uns dois passos na direção dela.

Sabrina: -Há... porque... eu morro somente com ataques poderosos. -debochou Inveja, atiçando ainda mais a raiva em Kawa, que tentou avançar.

A guerreira inimiga caiu inútilmente sob a terra. Seu coração cessava o batimento paulatinamente. Estava morrendo. Mas como?, pensou ela.

Sabrina: -É o seu fim...há, isso sim é engraçado, não é? -gargalhou, enquanto trevas e mais trevas iam de sua mão até Kawa, que tentava gemer. -CAOS VITAL!! -o terceiro golpe...

Seu grito ecoou no infinito, juntamente com o último grito de dor de Kawa. Seu corpo tombou novamente, sem vida. Inveja sorriu vitoriosa, e procurou ajudar Gabriela de alguma forma. Mais uma batalha havia sido ganha.

.:.. Ilha do Santuário - Norte ..:.

Quando sentiu o vento das montanhas lamber seus cabelos negros, Hay Lin simplesmente não sentia mais vontade de lutar. Mas tinha de fazê-lo. Um dos homens de Alisson ali estava, pronto para matá-la e acabar com a vida de Sophie também. Isso se não fizesse alguma coisa.

Sophie: -Acredita que aqui está bom? -ela se posicionava à mais alguns passos longe de Kaze, o Samurai do Vento.

O guerreiro respirou profundamente, até que seu peito se enchesse do mais puro ar. Aquela montanha era perfeita para a batalha que iria acontecer a seguir. Sorriu e assim anunciou.

Kaze: -Aqui está perfeito. Obrigado por terem tido a paciência de permitirem que me encontrasse em um local mais propício para a batalha. -agarrou o cabo da espada até que os nós de seus dedos ficassem brancos.

Hay Lin: -Por nada... -ainda fascinada com a beleza dele. Cabelos curtos e encaracolados, da cor do caramelo. Pele negra, olhos tão escuros quanto as mechas que lhe caíam nas maçãs-do-rosto. Tinha um ar angelical, mas sabia que aquilo ele não era.

Sophie: -Perfeitamente. -estalou ensudercidamente o chicote de sete caudas nas pedras e pouca grama que a pequena montanha obtinha. As granadas nasceram subitamente, fazendo com que o Samurai do Vento desse um salto para trás.

Kaze: -Há! -com aquele grito curto, uma rajada de vento arrastou algumas granadas para longe do poder de Tristeza.

Amizade pegou o facão de nove argolas e não perdeu tempo em banhá-lo com uma camada de uma platina brilhante e encantadora. Tentou ferir Kaze com um corte profundo, mas causou apenas alguns arranhões na face do guerreiro, o que aumentou seu desejo por sangue. O homem apanhou a katana e arrancou aquele precioso líquido vermelho da pele de Hay Lin, que tombou, com as pernas feridas. A amazona balbuciava gemidos de dor e lástima, enquanto Sophie fitava raivosamente o guerreiro que antes tinha uma expressão inocente estampada no semblante.

Kaze: -Agora que começaram a se mexer, meu sangue ferve de vingança. -e olhou para Tristeza, que ainda lamentava-se por um ser tão bonito utilizar-se para o mal.

Sophie: -O quê? Mas não te fizemos nada!! -tentava compreender tamanha raiva que não cabia naquele olhar negro.

Hay Lin: -Imagine se tivéssemos feito algo... -e rolava pelo chão de pedras pontiagudas da montanha, ainda com os membros inferiores jorrando sangue sem cessar por um segundo.

Kaze: -Não importa! Não sabem há quanto tempo espero por uma chance de luta. -umedeceu os lábios.

Sophie: -O que está querendo dizer?

Repentinamente, Sophie sentia-se levemente arrastada para algum lugar, foi então que notou. Estava sendo levada para o olho de um tornado que se formava numa área da montanha. Tentava não permitir. Ela lançou a ponta do Fu Mei Pin até que esta se agarrou em uma pedra avantajada, segurando-a próxima ao solo, até que conseguisse dissipar o tornado recém-formado, com a ajuda de algumas explosões das granadas. Amizade fez um esforço enorme até que se pusesse novamente de pé.

Kaze: -Por que?! Bah... esta é a minha primeira batalha. -engoliu em seco. -Eu...não tenho experiência... -começou a gaguejar. -Mas, creio que isto não lhe importa, amazona. Né? -sorriu nervosamente.

Sophie percebeu o quanto ele estava abatido e distraído, então, de repente, uma idéia avassalou-lhe os pensamentos. Como?, pensou ela. Todavia isto não era de máxima importância. Infelizmente, Kaze estava mais atento que uma águia quanto a proteção de seus filhotes, e logo viu.

Kaze: -Mas como é imprudente... -e fincou-lhe a katana no cabo do chicote , fazendo com que este se prendesse à espada, dando ao samurai a capacidade de puxá-lo para perto de si. Sophie engoliu em seco. Estava desarmada. Por enquanto.

Hay Lin: -Vôo Nada Amigável! -prosseguiu ela, provocando brisas poderosas. O guerreiro nem sequer saiu do lugar onde permanecia. Porém, não notara que não era aquela a intenção de Amizade.

Kaze: -Eu controlo o vento. Acha que o próprio me derrotaria? -foi então que percebeu. O chicote já não estava mais em seu poder. Bufando, virou-se bruscamente e viu Tristeza correr na direção da arma.

O Samurai do Vento não havia cogitado aquela hipótese, contudo, pouco dando atenção à isso, lançou mais uma rajada de vento na direção de Sophie, tentando impedi-la de apanhar a arma. Em vão. Tristeza agarrara o Fu Mei Pin a tempo, e antes que caísse num barranco que havia por ali, ela fez com que o chicote a salvasse mais uma vez.

Outrora de volta ao chão, abriu um compartimento no cabo do Fu Mei Pin e dali, brotou um explosivo altamente potente, azul com detalhes vermelhos, com o pino da cor do vinho. Com o coração apinhado de sede de vingança, Sophie arremessou a bomba na direção do samurai, que infelizmente, não obteve tempo necessário para conseguir desviar do que acabou com sua existência.

Hay Lin: -Sophie!! -uma espessa fumaça encobriu seu olhar há um palmo de distância de sua visão. Avistou uma sombra em meio à tudo aquilo. Era ela.

Sophie: -Ah... -acabou desabando na vegetação rasteira daquela região.

Hay Lin: -Querida! -segurou suas mãos. -Você atingiu a terceira fase! -e a abraçou, fazendo com que ambas sorrissem largamente e sentissem seus corações macios e puros novamente.

.:.. Ilha do Santuário - Central ..:.

Kurayko fora mais uma vez lançada para longe de Isadora, que só fazia gemer de dor aos pés do Samurai da Morte. A batalha já durava meia hora, e até agora ambas não encontraram um modo definitivo de acabar com a existência de Shi.

Shi: -Morram! -e assim, proferindo aquelas palavras tão mórbidas, lançou mais uma onda de trevas na direção da desacordada amazona da Paixão.

Seu corpo sofreu espamos violentos com a potência de tudo aquilo. Kurayko apanhou sua já caída anteriormente lança meia-lua e abateu Shi pelas costas, fazendo com que este caísse em cima do corpo ferido de Isadora. Amor tentou fincar-lhe a arma nas costelas, porém o desgraçado desviou. Se Kurayko não tivesse parado a tempo de percebê-lo, ela teria matado Isadora. Suspirou aliviada, porém não por muito.

Shi: -Por que ainda insistem em tentarem me destruir? É inútil! -desviara de mais uma rajada de Espinhos da Ilusão da guerreira do Amor.

Kurayko: -Porque... -arfava e respirava com dificuldade, pois mantinha em seu diafragma um extenso corte que sangrava a todo minuto. Com uma mão, posicionava-se erguida com o auxílio do Gi Nga Tchan, e a outra amparava o ferimento. -...eu sei que... posso vencer!

Cuspiu mais algumas gotas escarlates e, pela segunda vez, desferiu uma Luz do Amor. Em vão. Shi protegeu seus olhos vermelhos com um pano de linho negro, semelhante às máscaras usadas pelos ninjas do Clã Royal Sky.

Paixão conseguiu se pôr de pé novamente e maquinou um pouco, a fim de tentar descobrir a melhor forma de matá-lo. Ele utilizava as trevas para o ataque. Já tentara de tudo para que conseguisse atacá-lo com eficiência. A primeira coisa que pensara antes do início da luta seria que era melhor que utilizassem de ataques baseados na luz para que acabassem com ele. Mas não, não adiantou! Droga!, pensou ela.

Shi: -Não vai mais brincar comigo, amazona? -dirigiu suas palavras à Paixão, que despertou de seus devaneios naquele momento. Ergueu as mãos e anunciou:

Isadora: -Fogo da Paixão!! -Kurayko quase se ferira, não fosse sua agilidade para desviar-se a tempo. Assim que a fumaça se dissipou, Shi mostrara-se saudável, ainda!

Já bufando de raiva, ela não sabia mais o que fazer. Ajoelhou-se, devido à fraqueza de suas pernas. Baixou a cabeça, lamentando a derrota.

Isadora: Mestra... perdoe-me...eu a decepcionei. -uma lágrima escorreu timidamente e rolou pelas bochechas rosadas. Espero que um dia... aceite minhas desculpas...

O Samurai da Morte notara que ela parara. Olhou à sua esquerda e viu que Kurayko estava realmente desmaiada. Desembainhou novamente a katana e a ergueu na direção de Isadora. Com a ponta da espada, fez com que seus olhos levantassem-se. Sorriu ao notar aquelas lágrimas sofridas escorrerem.

Shi: -Oh! Mas já desistiu?

Isadora: -... -ela silenciou-se. Pretendia que suas últimas palavras fossem de despedida à mestra.

Shi: -Perfeito. Poderei matá-la com a minha mais nova técnica que acabei de inventar. Huhu... -e deixou que a lâmina afiada da espada ficasse recoberta de relâmpagos da cor de seus cabelos, que juntamente com as mechas loiras de Isadora, eram lambidas pelo vento das planícies centrais da ilha.

Ele treinou alguns golpes no ar, o que fora estranho. Amor despertou, porém ficara em silêncio. O que ele pretendia? Estava ele dando tempo à Isadora? Não compreendeu.

Shi: -Não vai levantar-se mesmo? -realmente, ele estava fazendo com que ela ganhasse tempo de reagir.

Isadora: -Não... -o peito de Shi oprimiu-se, porém sacudiu a cabeça. Por que? Estava ele se penalizando com o estado emocional da amazona?

Shi: -Mas...porque? -tinha um certo tom nervoso em sua voz.

Isadora: -Sem... motivos... não há o por que de lutar... -curtos, porém lerdos movimentos fizeram com que suas mãos mexessem-se.

Shi: -É... é claro que tem motivos! -engoliu em seco. Gaguejava levemente.

Isadora: -Mate-me... por favor. -levantou o olhar até que pudesse fitar novamente a armadura negra e resistente do guerreiro.

Shi passou a mão livre nos cabelos negros, como querendo afastar seus pensamentos dali de sua mente. Não queria matá-la... espere! É claro que queria matá-la! Recebera ordens explícitas para isso! Não tinha o por que de fraquejar... os olhos da jovem caída brilharam tristemente devido à uma lágrima que ameaçava cair. Mais uma lágrima...

Shi: -Eu... não! Não tem graça acabar com sua vida se for assim. Tem de lutar. -inventou esta desculpa naquele exato momento. Não sentia mais aquele desejo louco de matá-la, e sim...

...uma vontade de agachar-se, envolve-la em seus braços e afagar seus cabelos castanhos e beijar aquela face avermelhada. Estava atraído por Isadora. Meneou negativamente a cabeça mais uma vez. Impossível!, meditou ele.

Isadora: -Pensei... que isto era o que mais queria, samurai. -sorriu. Quantas horas faltavam para que o tempo se findasse?

Shi: -Há! Não sou tão covarde quanto pensa. -largou a espada próxima à uma pedra que ali havia. Ela não compreendeu.

Isadora: -Não irá... me matar? -indagou.

Shi: -Humpf, não! -mostrava-se aborrecido, o que arrancou alguns poucos risos dela. Ele se posicionou sentado ao seu lado.

Isadora: -O que está fazendo? -afastou-se dele com alguns poucos espasmos.

Shi: -Ué, calma! Vou esperar você se recompor. -reaproximou-se.

Ao longe, Amor observava cada movimento deles e sentiu-se atordoada e confusa. O que estavam conversando?

Isadora: -Não... não pode ser. Há pouco queria me matar a qualquer custo. O que houve?

Shi: -Eu perdi a vontade. -gargalhou.

Isadora: -Haha! Estranho...

E assim, conversaram calmamente por alguns poucos minutos. Isadora já não mais se importava com o fato dele ser seu inimigo, muito menos ele de ter sido incubido de matá-la. Eles falavam e sorriam naturalmente. Amor pensou que Isadora estivesse correndo perigo, e não demorou muito para tomar uma decisão. Com muita cautela e esforço, ela conseguiu ficar apoiada em seus quatro membros, esforçando-se para que conseguisse desferir um único e potente golpe...

Kurayko: -AMOROSAMENTE PERDIDO!! -e então ele se foi.

Piscou constantemente e viu-se no lugar onde estava antes. Olhou ao seu lado. Onde estaria Shi? Viu Kurayko desmaiada, e logo voltou a lembrar-se. Ela se utilizara do artifício do seu terceiro golpe. Paulatinamente, baixou a cabeça e derramou uma lágrima pelo guerreiro. Shi...

.:.. Salão de Athena ..:.

Mais uma vez olhou o relógio. Cinco minutos. Certamente não conseguiriam. Gargalhou num tom baixo e olhou para Gregory, meneando a cabeça. O ninja ajeitou-se, quase que espetando a arma na delicada jugular de Saori, que já estava quase adormecendo.

Alisson: -Que pena...

Passados alguns segundos, ele voltou a olhar para o relógio. Então começou.

Alisson: -Dez., nove, oito, sete, seis,cinco... -escutou passos pesados e de som metálico adentrarem o salão. Duas haviam chegado. -Quatro... -mais passos, mais duas. -Três... -novamente, aquele característico ruído provocado pelas armaduras encheu o ar. -Dois... -desta vez, outras duas chegaram com passos apressados e ofegantes. -Um... -parou.

Assim que voltou a reerguer o olhar na direção das guerreiras, seu sorriso dissipou-se. Ali estavam, saudáveis, cinco pares de amazonas. Aplaudiu-as por uma fração de minutos. Prosseguiu.

Alisson: -Perfeitamente! Vocês conseguiram! -passou o olhar por cada uma delas, que o fitavam raivosas. -Vejo que até trouxeram os respectivos fragmentos de armaduras pertencentes à cada samurai. -volveu-se para Ying e Yang, que se entreolharam e sorriram malignamente. -Queiram anunciar-se, queridas.

Caroline: -Pois não, com muito prazer. -ambas tinham em mãos, cada uma, um calçado de armadura da cor da terra.

Vanessa: -Nós apanhamos os calçados do Samurai da Terra, Yama.

Alisson sentiu o coração apertar-se. Estava derrotado. Sem que sequer anunciasse, Ódio e Ciúmes prosseguiram.

Cilena: -A gente pegou o cinturão do cara lá. Qual era o nome dele mesmo?

Agatha: -...Tayoo, o Samurai do Fogo. -foram bruscamente interrompidas pelas guerreiras seguintes.

Sabrina: -Nossa, foi muito chato acaba com a Samurai da Água, Kawa.

Gabriela: -Porém nós conseguimos, e cada uma trouxe uma ombreira pertencente à ela. -disseram elas, enquanto esticavam, de modo que todos pudesse ver, a armadura da falecida e exemplar guerreira.

Hay Lin: -Aqui está o elmo do guerreiro que derrotamos.

Sophie: -Kaze, o Samurai do Vento. -completou ela, também erguendo aos céus o seu troféu de batalha.

Kurayko: -E nós... -deu um passo à frente, porém fora barrada por Isadora, que enviou-lhe um olhar de súplica.

Isadora: -Deixe... -murmurou. Depois voltou a olhar Alisson. -Nós, Kurayko e Isadora, trouxemos... a espada de Shi, o Samurai da Morte.

Hovue um burburinho entre as amazonas, porém fora cessado rapidamente pelo movimento brusco da mão de Alisson, acenando para Gregory a fim de que ele liberasse Saori.

Alisson: -Ora, e não é que conseguiram mesmo? -sorriu nervosamente. Seu plano fracassara.

Isadora: -E o que ganhamos com isso? -apertou a mão no cabo da espada que jazia em uma bainha na sua cintura.

Alisson: -C-com isso o quê? -aturdido, ele se esquecera do principal...

...se as amazonas ganhassem, o que daria à elas?

Isadora: -Com as vitórias.

O japonês engoliu em seco. Não tinha a mínima idéia do que oferecer à elas. Maldição!, meditou ele, esfregando as mãos. Talvez tivesse de oferecer sua própria vida. Era tão jovem, e morrer daquela forma seria vergonhoso...

Isadora: -Ah!

Alisson: -!! -despertou de seus devaneios após ouvir a exclamação da amazona.

Isadora: -Percebi que simplesmente não sabe o que nos oferecer. -a face do empresário enrusbeceu.

Alisson: -Er.. não! É claro que sei exatamente com o que lhes premiar!

Isadora: -Então diga.

Ele abaixou os olhos. Tentou lembrar-se das ordens de seu mestre. Nada! Ele não havia dito nada aquele respeito! Ambos acreditavam cegamente de que elas seriam mortas pelos samurais de confiança. Um arrepio assaltou-lhe a nuca quando pensou em algo que poderia dar certo.

Alisson: -Façam uma pergunta. -Paixão franziu o cenho, com uma expressão interrogativa impressa no olhar.

Isadora: -Uma... pergunta?

Kurayko: -Qualquer tipo de pergunta? -deu um passo à frente.

Alisson: -Sim! -sorriu. Talvez as enganasse com aquilo. -Qualquer uma! Um exemplo: querem saber a localização de nossa sede principal? Perguntem-me. Responderei.

Kurayko: -E como sab... -foi bruscamente interrompida por Isadora.

Isadora: -Perfeito. -a amazona, orgulhosa, gargalhava por dentre suas entranhas.

Alisson: -Pois então, diga.

Isadora, a passos largos, empunhando discretamente a katana de Shi, agarrou-o pelos curtos cabelos, porém lisos. O semblante do sr. Kinomoto misturou-se numa expressão de horror e orgulho. Sentia a suja e fria lâmina da arma encostar na artéria principal, que pulsava em seu pescoço.

Isadora: -Preste atenção, pois esta é uma pergunta delicada, e um pouco extensa. Certamente não a compreenderá de primeiro momento. Mas eu sei exatamente o que quero. -acariciava-o com a espada, balbuciando em seu ouvido. -E se você mentir...

Alisson: -Não! I-imagine! Por quê mentiria? É claro que entenderei a pergunta! Fale logo!

Isadora: -Você, ou qualquer pessoa relacionada à você ou ao seu mestre... -suspirou. -...tem algo a ver com o fato de nós, amazonas, termos nos apaixonado pelos respectivos cavaleiros que nos adoram?

Um perturbante silêncio estabeleceu-se, antes que a voz de Gabriela soasse como um canto nos tímpanos de cada presente.

Gabriela: -Isadora, por favor, retire a questão. É inútil! -balançava a mão negativamente.

Isadora: -Deixe que eu me viro nessa.. -voltou a olhar para o já enfraquecido corpo de Alisson.

Alisson: -S...sim... -tossiu.

Kurayko: -Mas o quê?! -saltou, estupefata com a revelação.

Saori, que assistia tudo acomodada no trono, levantou-se. Queria impedi-la de perguntar algo tão sem interesse. Era constantemente observada por Gregory.

Isadora: -Há! Eu sabia!! -afundou um pouco a katana na pele amarelada do homem de aproximadamente 45 anos. -Diga-me: como?!

Alisson: -Argh! Er... -arfava e respirava dificilmente. O ar demorava por demais a entrar em seus pulmões. -A explicação.. é longa... pode me... soltar?! Arf!

Um imenso alívio invadiu-lhe o físico assim que Paixão largou-o, fazendo com que este deitasse no chão, porém ainda o ameaçava com a lâmina.

Alisson: -Nós... -pigarreou e piscou várias vezes. -...cogitávamos a hipótese de não conseguirmos recuperar a Safira Escarlate, ou então que ela não fosse o suficiente para satisfazer os nossos desejos. Assim, nós resolvemos fabricar uma cópia dela.

Isadora: -Isso é impossível.

Alisson: -Não para nós, guerreira. -gargalhou por uma fração de minutos, e prosseguiu. -Quando nós arranjamos uma jóia de beleza extravagante, imaginamos que ela pudesse ser a substituta da Safira Escarlate. Todavia, a parte mais complicada fora como conseguir os poderes...

Isadora: -E como foi isso? -todas observavam e escutavam, atônitas, a história proferida pelo já de meia-idade sr. Alisson Kinomoto.

Alisson: -Descobrimos que a família do mago que lançou a maldição no artefato ainda vivia na Grécia. E também descobrimos que sua memória é muito honrada, tanto que todos os netos, bisnetos ou tataranetos dele, transformam-se em bruxos quando atingem a maior idade.

Sophie: -Zeus...

Alisson: -Conseguimos raptar o mais jovem dos magos, o que fora um erro. Exigimos dele que lançasse a mesma maldição sobre a jóia nova, igualmente a que Herculê utilizou há anos atrás. Em troca de sua liberdade... e a da família também. -sorriu. -No ínicio, ele recusou, mas aí o torturamos até que ele aceitasse. -gargalhou escandalosamente. Porém parou quando recebera um fino e incômodo arranhão na face, através da katana do Samurai da Morte.

Isadora: -Chega de rir. Continue, por obséquio.

Alisson: -Humpf... assim que ele tentou realizar o feito, houve um problema: aquela magia estava sendo aperfeiçoada há poucos meses, portanto, a jóia que nós nomeamos A Última Glória tem apenas o poder que conceder a seu dono a habilidade de controlar uma coisa...

Kurayko: -... os sentimentos dos humanos... -balbuciou ela, ainda estupefata com tudo aquilo.

Silêncio. O som das gralhas ao sudeste impestiavam o Santuário com ruídos misteriosos, como o de vozes. Naquele instante, podia imaginar-se que ali era um local apinhado de espíritos mal-encaminhados. Isadora largou a lâmina, provocando um barulho metálico no piso marfim do Salão de Athena. Saori derramava lágrimas silenciosas, como que mortas pelo tempo. Alisson acenou discretamente para Gregory, então ambos correram até a saída. Pensaram que fosse perseguidos. Um equívoco.

Um helicóptero apareceu alguns segundos depois, após Alisson ter se utilizado de um comunicador encaixado no relógio. Uma escada de cordas fez-se desenrolar ao sabor do vento, enquanto os raios lunares penetravam na pele do ninja, já novamente encapuzado. Olhou pela última vez o local onde estavam as garotas mais lindas que jamais vira. Posicionou o pé em uma das cordas e deixou que o helicóptero subisse, entregando-se à noite e á madrugada que se aproximava.

Agatha: -É... mentira...

Assim que aquelas longas horas de silêncio se dissiparam, todas tiveram forças para levantarem a cabeça e olharem nos olhos das companheiras. Então... eles não as amavam pelo o que elas eram... fora tudo... magia.

Saori: -Eu sinto muito, queridas...

Sabrina: -De que adianta a sua compaixão, se nem sequer temos a deles... -olhou melancolicamente para a Casa de Leão, há alguns metros longe de si.

Hay Lin: -Pe-perae... deixa eu ver se entendi direito... -com as costas da mão direita, enxugou as lágrimas há muito não derramadas. -Então, quer dizer que eles nos amam porque foram enfeitiçados?

Sophie: -Bingo! -gemeu a amazona.

Caroline: -Que merda...

Vanessa: -E eu achei que ele gostasse de mim pelo que eu sou.

Certamente, Isadora era a mais traumatizada de todas as guerreiras ali encontradas. Demorara a erguer os olhos de cor mel. A primeira coisa que viu foi Kurayko, a amada amiga, recolhida em um canto do salão numa posição fetal, balançando-se como um pássaro desequilibrado solto ao vento. Teve forças para engatinhar até ela e tentar consolá-la...e a consolar a si mesma...

Kurayko: -Isso... é triste...

Isadora: -Muito. -balbuciou.

Kurayko: -Mais uma desilusão amorosa na minha vidinha tão... dramática... -tentou sorrir, porém fora em vão. -Amiga, por quê?

Deixou que a cabeça caíssem pesadamente no ombro de Isadora. Com as mechas negras caindo sobre a ombreira da armadura, a amazona apenas acariciava a face de Amor.

Isadora: Meu primeiro amor foi um fracasso. Imaginei que estivesse sendo correspondida... mas...

Flashback

.:.. Casa de Escorpião ..:.

Sua mente mórbida fora arrastada até lembranças de poucos dias atrás. Deitada no sofá, com a cabeça repousada no colo de Milo, ambos apenas ouviam singelas músicas que dançavam juntamente com a brisa de aroma envolvente.

Milo: -Minha vida não seria nada sem você... sabia? -olhou carinhosamente para ela, que se encheu de felicidade.

Isadora: -É mesmo? Isso... é tão bom... -piscou. -Eu te faço feliz? -indagou ela, acanhada.

Milo: -Linda! Mas é claro! -beijou-a na testa, repleto de ternura e compreensão.

Isadora: -Eu simplesmente adoro fazer quem eu amo feliz. Sabia?

Milo: -Você me ama?

Isadora sentou-se no sofá de estampa lisa e clara, e olhou intensamente nos olhos azuis de Escorpião. Ela o amava. Tinha de dizer isso a ele.

Isadora: -...claro. -sua voz gaguejou e saiu nervosa de seus lábios.

Milo: -Eu... -sentiu as bochechas arderem. -Eu também te amo.

Com as mãos de delicadas unhas bem feitas, Paixão afagou os cabelos azuis de Milo, que a aninhou nos seus braços. Em poucos segundos, ela adormeceu, com o refrão da música soando em seus ouvidos...

"Close your eyes, I want to ride the skies in my sweet dreams

Close your eyes, I want to see you tonight in my sweet dreams..."

Fim do Flashback

Com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, Isadora ergueu-se firmemente, e anunciou com a voz dura.

Isadora: -Vamos embora daqui.

C.O.N.T.I.N.U.A...

N.A.: Tenho umas coisinhas a dizer a vocês...

MUITO OBRIGADA por estarem agüentando lerem isto aqui! Esta é a minha primeira fanfic que sai tão grande, por isso mesmo que a considero minha primeira fanfic, a primeira de todas. Eu tenho muito orgulho de estar tendo tempo, paciência e criatividade para escrever tudo isso.

Uma curiosidade: os nomes dos Samurais são em japonês, e estas são suas traduções:

Samurai da Terra -Yama (Montanha)

Samurai da Fogo -Tayoo (Sol)

Samurai do Água -Kawa (Rio)

Samurai do Ar -Kaze (Vento)

Samurai da Morte -Shi (Morte)

Mais uma vez, muito obrigada por estarem me prestigiando ao se deliciarem com esta história. Comentem!

P.S.: Música: Air Supply - Sweet Dreams