Bom ai está! XD segundo capitulo on! EEEEE!!! Finalmente consegui dar sequencia a alguma fic minha! XD
-
Já não lembro quem eu sou, esqueci por completo minha vida, deixe-me cair na escuridão da dor, pois nada no mundo poderia ser mais reconfortante do que a escuridão ao qual me escondia, ali eu poderia chorar e sofrer, fugir de todos aqueles que matei, minhas mãos manchadas de sangue jamais poderão ser limpas... Apenas me deixem nesta escuridão... Não quero ver a luz novamente...
-
Haviam se passado exatamente três semanas desde aquele funesto dia, quando uma jovem aparecera no Grande Salão, quando aquela horrível visão se fizera presente, muitos ainda tinham receios quanto a jovem que estava sendo tratada por Kanon e Saga, seus ferimentos eram profundos demais, talvez ela devesse ter ido para algum hospital, mas simplesmente aqueles dois irmãos haviam se recusado a isso, eles iriam tratar dela.
Naquela manhã ensolarada Kanon estava a trocar as faixas que cobriram boa parte do corpo daquela mulher, de alguma forma irreal tinha certeza que ela jamais fora tocada de outro modo que não fosse adoração, por isso tomava todo o cuidado, não apenas por seus ferimentos, mas pela própria garota, sim com os olhos fechados ela mais parecia uma garotinha de cinco anos do que uma mulher capaz de destruir Athena...
- Ah... Tão doce, talvez não devesse carregar o fardo que pesa sobre seus ombros...
Aquele tom era delicado, baixo, não queria acordar a jovem, mesmo que soubesse que seria quase impossível isso acontecer, ela não havia ficado lúcida por nenhum momento desde que chegara, havia balbuciado algumas coisas em momento extremas de febre, tivera um momento em que temera pela vida da mesma, mas agora sabia que o pior havia passado... Terminou por fim de colocar as novas faixas, havia percebido que os ferimentos já quase haviam cicatrizado, mas mesmo assim ela não acordara... Talvez porque não desejasse. Deixou os trapos em uma bacia e logo se retirou do quarto, finalmente poderia tomar o desejum.
- Bom dia Kanon... – Saga cumprimentou o irmão assim que ele entrou na cozinha, os dois haviam descansado aquela noite, havia dias em que passavam em claro apenas cuidado da jovem, o sorriso de Saga era animador.
- Bom dia irmão... – Kanon sorriu de volta, enquanto ia direto para as panquecas, comendo com certa voracidade, sem nem se sentar. – As feridas praticamente cicatrizaram... É muito provável que ela acorde por esses dias.
- Então isso significa que logo teremos que reunir todos... Acha que vamos conseguir fazer eles entenderem?
- Athena já entende Saga... Isso é mais importante, mas tenho certeza que os outros também entenderão... Principalmente quando soubermos a historia dela.
Saga não respondeu e apenas suspirou.
-
Lentamente abri meus olhos, a primeira sensação que tive foi à dor intensa sobre meu corpo, gemi baixo em dor, logo depois percebi que continuava viva, um suspiro de tristeza saiu de meus lábios, por mais que eu quisesse morrer não poderia. Meus membros não queriam me obedecer, talvez pela inércia de tanto tempo, mas de algum modo minha mente se sobrepujaria a dor física, consegui a muito custo me sentar. Fitei o quarto ao meu redor, belo, seu tom dourado era impressionante, aquela mobília de madeira entalha combinando perfeitamente com as paredes de mármore.
"Então não foi um sonho, foi real..."
Tentei por três vezes me levantar, mas não conseguia até que por fim tirei minhas pernas da cama e me levantei, olhei para baixo e vi meu corpo recoberto por bandagens, algums estavam limpas, olhei para o lado e vi a bacia com as antigas bandagens, alguém havia trato de mim, será que Athena fora piedosa? Ah... talvez, por um breve momento tive esperanças... Mas voltei-me para a realidade, nada poderia salvar-me de meu destino. Comecei a caminhar, meus primeiros passos foram dolorosos, mas logo eu poderia ignorar a dor, olhei em volta e vi o armário, o abri e percebi que havia apenas roupas masculinas ali, voltei a respirar fundo, não poderia sair daquele quarto apenas com aquelas bandagens cobrindo meu corpo. Rapidamente arrumei o lençol de cima sobre meu corpo, como se fosse uma toga antiga, daqueles vestidos antigos, usados na antiga grécia e Roma, olhei-me no espelho e respirei fundo, minha face estava pálida e eu não podia esconder o sofrimento que tomava conta de meus olhos.
Sai do quarto, percebi aqueles cosmos ao redor, poderosos com toda a certeza, bravos cavaleiros e talvez excelentes inimigos, mas não gostaria de lutar com ninguém e muito menos provocar uma guerra, caminhei sem saber para onde ia, até que escutei vozes, baixas, mas o suficientes para serem escutadas, segui através daquelas vozes...
"- Acha que vamos conseguir fazer eles entenderem?
- Athena já entende Saga... Isso é mais importante, mas tenho certeza que os outros também entenderão... Principalmente quando soubermos a historia dela."
Sabia que era de mim que estavam falando, respirei fundo e então entrei por aquela porta, sem bater, apenas me fazendo presente, me assustei, pois aqueles dois era a única face de que me lembrava dos últimos dias.
-
Os dois se assustaram ao escutar a porta da cozinha sendo aberta, ninguém fazia aquilo, nem os servos, logo eles estavam de pés fitando quem ousava ter aquele ato tão inapropriado. Os dois se surpreenderão, aquela mulher já estava de pé e parecia ignorar a dor, mesmo sabendo que por baixo daquele tecido as feridas estavam sangrando, eles podiam sentir o leve cheiro de sangue no ar, mesmo que não pudessem vê-lo.
- Você...
Saga não teve tempo de terminar aquela frase, pois a mulher fazia uma breve reverencia com a cabeça e o sorriso delicado gora era estampado nos delicados lábios.
- Sou Lady Audrey Lancaster... Filha e Herdeira da Casa Lancaster.
Sua voz era tão suave, tão controlada, não havia tremido um momento sequer, uma demonstração de força de vontade pura, pois para estar de pé enquanto sangrava era apenas pela força de vontade... Os dois retribuíram a reverencia do mesmo modo.
- Saga de Gêmeos...
- Kanon de Gêmeos...
Os dois falaram ao mesmo tempo, não havia sobrenome, apenas que eles eram os protetores daquela casa, isso já indicava tudo. Audrey se aproximou dos dois e logo se encostou na mesa, não sentando, apenas como um jeito para se manter em pé sem tanto esforço físico.
- Os dois guardiões atuais de Gêmeos, sabiam que os antigos cavaleiros desta morada também eram gêmeos? Este sempre foi o quesito para os guardiões desta casa vestirem a armadura de Gêmeos...
Ela falava como se eles se conhecessem há tempos, Kanon percebeu o sutil movimento de apoio e logo afastou a cadeira mais próxima para ela se sentar, Audrey aceitou de bom grado aquele gesto, não ouve um suspiro de alivio, apenas um outro sorriso para Kanon.
- Isso realmente nos era desconhecidos, mas como você sabe tanto sobre nós? – Saga indagou enquanto também se sentava. Eles deveriam avisar os outros para que houvesse uma reunião geral.
- Acompanho o Santuário há alguns séculos... Pode-se dizer que vocês atraíram minha atenção mais do que eu gostaria de admitir...
Aquela afirmação foi seguida por um delicado som de risos, talvez fosse mais o som de um riacho cristalino do que um riso propriamente dito, aquela mulher era tão delicada, tão pura e ao mesmo tempo tão adulta... Mas como ela poderia ter séculos de vida se ainda continuava tão jovem e viva?
- Não nos engane senhorita, como pode ter séculos de vida se ainda tem essa aparência tão jovem?
A voz de Saga agora estava um pouco mais dura, Kanon ainda não havia se manifestado, mas de certa forma concordava com o irmão...
- É uma longa historia, ao qual vocês poderão ter acesso logo...
Audrey se levantou e logo se voltou para a saída da cozinha... Seu olhar era pesado e triste, não havia demonstrado cosmo algum e poderia ser considerada uma mera mortal por qualquer um... Mas não era, era diferente daquela raça de mortais, era diferente por ter nascido assim, seu destino fora traçado antes de nascer e agora ele chegaria ao fim...
- Vocês logo saberão... Eu prometo.
Aquela promessa foi dita em tom de voz baixo, quase inaudível enquanto a jovem voltava-se para a saída de gêmeos, respirou fundo o ar da manhã e só então deixou que seu cosmo queimasse, apenas o suficiente para que seu corpo cicatrizasse por completo, mas aquela não seria a unia conseqüência, pois não demorou nem três minutos e todos estavam reunidos li na casa de gêmeos, inclusive Athena ali estava, a jovem continuava de olhos fechados, sendo observada por todos.
- Chegou o momento... Deixarei vocês me julgarem depois que souberem de minha historia, não antes disso... Nem tentem me atacar, não pensem nem me manipular e não tirem conclusões precipitadas ao meu respeito... As aparências enganam, tenho muito mais anos do que a idade de todos vocês somados e multiplicados por dois.
A voz era delicada, calma, mas continha aquele traço de verdade, da simples e pura verdade e com ela trazia a razão e a loucura a se encontrarem de uma forma irracional, perigosa, ela abriu os olhos e voltou-se para aqueles cavaleiros e fitou a Deusa, a reencarnação da Deusa melhor dizendo. Suas orbes esverdeada traziam uma dor infinita, mas ao mesmo traziam a luz da pureza, como jamais alguém teria, nem mesmo Athena exalaria uma pureza maior que a dela, era algo incomparável... A jovem deu dois passos para frente, não exalava cosmo energia, apenas caminhava...
- Por poucos momentos me permitiram ser normal, mas isso jamais me será permitido, mesmo assim gostaria de agradecer aqueles que cuidaram de mim, mesmo sem me conhecer...
Audrey fitava delicadamente Saga e Kanon, enquanto juntava as mãos e logo depois as afastava, fazendo com que um pequeno objeto aparecesse, um lindo colar em dourado, feito pelo mesmo material que as armaduras dourados e tão poderoso quanto... O pingente tinha duas faces, as duas faces de gêmeos, as mesmas duas faces que fora um ida ostentada por aqueles dois.
- Este é um color feito a muito anos, quando praticamente o Santuario fora criado, Athena que criou suas 88 armaduras criou pequenos colares que deveriam ser sustentos por aqueles que usassem as armaduras douradas, com o tempo muitos destes colares se perderam e apenas alguns continuam intactos... Neste momento estou devolvendo o colar de Gêmeos...
Aquela mulher estendeu a mão, com a palma e o colar se dividiu em dois, sem que Saga ou Kanon o tocasse ele já estava em seus pescoços, ardonando-os como uma jóia preciosa, Athena se surpreendeu ainda mais.
- Como fosse sabe e tem acesso a estes colares? Há algum outro contigo?
A voz da Deusa expressava todos seus sentimentos de curiosidade misturada a surpresa, seus olhos mostravam aquilo, Audrey apenas confirmou com a cabeça, mas não deu nenhum outra informação a respeito, simplesmente deu as costas aquelas pessoas e voltou a fitar o horizonte.
"Será que Deus me deu uma nova chance? Devo ter esperanças quanto ao futuro? Ah... como eu gostaria de ser uma simples humana, a felicidade me foi arrancada e meu futuro é sombrio como as tempestades sem direito a um arco-íris ao final."
- Darei duas opções a vocês... Não há volta ao escolherem, o caminho não poderá ser mudado. Posso ir embora neste exato momento e desaparecer entre os humanos que habitam esta terra, ou posso contar-lhes a minha historia, mas ao contar minha historia não terei outra opção que não seja me voltar contra este Santuário...
Antes que qualquer um pudesse se manisfestar Athena se aproximou, tocou o ombro esquerdo daquela mulher que não escondia seu sofrimento e muito menos deixava de ser tão forte e tão pura.
- Há muito tempo uma visão me fora mostrada, há muito tempo uma profecia foi anotada pelas mãos daqueles que não viam e não escutavam, pessoas tão puras em alma e tão sujas em carne... Nestes mesmos tempos eu decidi que quando o Anjo chegasse eu o enfrentaria, mas para enfrentá-lo teria de conhecer sua historia... – Athena fez com que seu cosmo crescesse de uma forma esplendida, de uma forma que o sol brilhou mais forte e tudo se iluminou, todos sabiam de seu Amor profundo, de sua justiça sem limites. – Não a desejo como inimiga, pois vejo seu sofrimento, mas talvez, por breves instantes, devemos deixar que nossos corações se encham de Esperança, a mesma esperança capaz de realizar milagres...
Audrey respondeu de uma forma muito diferente e ao mesmo tempo tão igual, enquanto tudo ficava mais belo ao redor do cosmo de Athena ao redor da própria mulher uma aura branca, tão branca quanto as nuvens no céu, se fez presente, grandiosa, pura, simplesmente limpa, limpa de qualquer emoção que pudesse corromper, de uma forma tão bela e ao mesmo tempo tão melancólica... Duas grandes asas brancas saíram das costas daquela mulher e o céu se abriu e ela foi iluminada por um pequeno feixe de luz.
- Eu sou o Anjo da pureza, aquele capaz de julgar as amas mais impuras sem jamais ser tocado pela sujeira, capaz de me misturar entre os pecados e não cometê-los... Mas também sou todos os pecados, sou todo o ódio que possa haver, sou a discórdia e a guerra, sou a Morte, a mais terrível e mais temida de todos os Anjos... Trago dentro de mim a vida eterna e a morte sem fim, sou a doença e cura, sou a amor e o ódio, o perdão e a vingança... Sou a única que deve ser temida acima de tudo, sou a mais amada, a mais bela entre as mulheres e a mais feia, sou aquela que jamais será tocada por homem algum, mas que já foi de todos... Sou a virgem que carregou o filho de Deus e sou a Prostituta que carregará o Filho do Diabo... – Audrey então se voltou para Athena, havia uma mudança tão drástica em sua fisionomia, metade dela estava de uma pureza sem fim enquanto a outra mostrava nitidamente todos os pecados existentes, uma asa estava negra e a outra branca. – Sou aquela que deves se ajoelhar e implorar perdão, sou aquela que devo me ajoelhar perante todos, pois meus pecados são tão pesados e tão grandes que não deveria caminhar sobre a Terra, não sou Anjo e nem sou Demônio, estranhamente sou uma criação perfeita, sou a divisão entre o bem e o mau, entre a beleza e a feiúra... Sou Afrodite e sou Hefesto... Mas acima de tudo sou uma mortal, uma humana como qualquer outra. – Ao dizer aquelas últimas palavras todo o cosmo que havia emanado desaparecia, como se jamais houvesse existido e novamente sua face havia voltado a ser a mesma que eles haviam encontrado.
- Um peso grande demais para ser carregado por uma só pessoa... – Athena se afastou dela e abaixou também sua cosmo energia. – Mas como você mesmo disse, antes de ser a perfeita combinação, você é uma mortal... E são todos os mortais que devo proteger e acolher.
- Então, por favor, mate-me... –Audrey caiu no chão, de cabeça baixa, com a face banhada pelas lagrimas, sem vergonha de mostrar a fraqueza que lhe consumia, a tristeza que tomava conta de seu ser. – Crave a adaga em meu peito e deixe-me descansar em paz, entregue-me a morte... Eu lhe imploro Athena, eu lhe imploro...
Aquelas ultima palavras quase não foram escutadas, todos estavam comovidos com aquela situação, muitos pediam a morte quando não agüentavam mais o peso que carregavam, muitos fugiam de suas obrigações e se matavam, mas aquela mulher pedia sinceramente a morte e mostrava que era o único jeito de conseguir a paz desejada. Athena se aproximou novamente da jovem.
- Não, ao invés de fazer o que me pedes eu lhe mostrarei como deves carregar seu fardo... Mostrarei-lhe que mesmo sendo uma mortal tua força será maior do que este peso que carrega. Eu lhe mostrarei a alegria e o amor, estes dois combinados à esperança superarão qualquer tragédia e qualquer peso, eles jamais a deixarão cair novamente.
-
Por algum tempo deixei de ser quem sou e pude então vislumbrar aqueles sentimentos que tanto haviam me falado e eu jamais pude me aproximar e agora vem esta Deusa me dizendo que me mostrara estes sentimentos tão belos e tão puros, será que sou digna de senti-los? Será que conseguirei aprendê-los antes que seja tarde demais?
Ah... posso começar a sentir uma pontada de esperança, posso ver uma luz em meio a tempestade que me cerca... Por favor, se isto for um sonho, não me acordem jamais.
-
