"Deixe-me levar pela onda de prazer que me invadia... Era tão poderosa e tão intensa quanto a luz solar. Este prazer irreconhecível para aqueles que não tem fé. Sinto este calor que cresce e se tornar parte de mim, fazendo com que novamente eu volte a brilhar em totalidade com a Pureza.
Mas ainda me lembro de que nada dura para sempre. Eu ainda terei que prosseguir, minhas mãos voltarão a matar e o sangue novamente manchará minhas roupas. Por quanto à paz duraria?"
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Por quanto tempo caminhei nas trevas sem saber por onde ia? Por quanto tempo fiquei aprisionada em meus sentimentos sem poder sair? Agora vejo a luz novamente e isto me consola, vejo a imagem da Esperança, em cabelos roxos e olhos carinhosos. Na face de minha inimiga encontro a Esperança que um dia possa mudar e que meu destino não seja traçado.
Sei que agora estou caminhando por terras devastadas, a neve encobre as cidades destruídas e eu olho ao redor, caindo ao chão, chorando por todos que um dia li viveram. Sei que tenho que seguir em frente, conseguir alcançar aquilo que busco. Devo levar o presente, sem ele nada acontecera, mesmo tendo entregue um dos colares. Agora me é permitido entregar pelo menos mais um. Deixei-o guardado no cume daquela montanha, encoberto pela neve mais pura e o gelo mais imortal que se pode existir. Calcado pelos deuses, em seus tempos de gloria.
Minhas asas se abrem e subo aos céus, para finalmente pousar na caverna bem no pico, adentrando a montanha e encontrando apenas o gelo imortal, enquanto vejo aquela caixa, tão perfeitamente moldada em ouro e prata. Um sorriso finalmente se molda aos meus lábios e volto a sair a montanha, com aquela pequena caixa em minhas mãos.
Quanto tempo passou? Não sei, apenas sei que tenho que voltar, para aqueles que esperam ansiosos o meu retorno.
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Já haviam se passado dois meses desde a chegada daquela mulher tão estranha, seus hábitos era comuns e aqueles que não haviam assistido a cena na terceira casa, se perguntavam o que ela estaria fazendo naquele Santuário. Mas por alguns dias agora ela sumira, sem deixar rastro e muito menos que um dia existira, apenas a lembrança em cada mente dos cavaleiros de ouro e em Athena persistia e sabiam que ela voltaria.
A lua brilhava intensamente no céu, Athena e os cavaleiros estavam reunidos no salão do grande mestre, em um pequeno salão de jantar em algum canto daquela casa. Realmente um pequeno banquete, mas para manter 12 pessoas, ainda mais sendo cavaleiros, deveria ser um senhor banquete, havia de tudo e para todos os gostos, como sempre, desde comida japonesa a pura comida brasileira, apenas o vinho era tolerado como bebida.
Athena comia descansada e despreocupada, conversando com Shion sobre quais as modificações que seriam feitas logo no Santuário, como algumas casas para as crianças ficarem, sobre a questão dos servos e também havia Marin e Shina que esperavam para ter alguma conversa sobre a importância de manter a regra da Mascara obrigatória. Cada uma defendendo efetivamente seu ponto de vista. Os cavaleiros de bronze não estavam ali, tinham ido para suas terras natais visitarem algum parente ou amigo, ou até mesmo se divertir apenas.
Então as pesadas portas foram abertas e aquela mulher voltou a aparecer, carregando sobre o braço esquerdo um pequeno embrulho encoberto por panos negros. Um sorriso delicado estava em sua face.
- Desculpe, não queria interromper o jantar.
Ela estava sendo sincera, preferia ter esperado até o termino e poder falar a sós com Athena, mas estava alvoroçada por dentro, era preciso entregar aquele outro colar o mais rápido, quanto mais rápido todos possuíssem os colares mais rápido seria a entrega e a força aumentaria, assim eles poderiam resistir.
- Não se preocupe, fiquei preocupa com sua partida. Mas vejo que estais bem. Por isto a perdôo por ter saído sem me avisar e também por ter atrapalhado o jantar.
Athena se levantou e então um criado trouxe mais um prato e o colocou ao lado de Athena, sim era um lugar de prestigio aquele, nenhum outro cavaleiro ousava comentar alguma coisa, mantinham seus pensamentos para si. Audrey fez uma breve reverencia e então se aproximou do lugar e se sentou, não estava trajando nada mais que um vestido puro de seda branca, um vestidinho de verão, comum em qualquer praia, mas elegante e puro por sua beleza e pelo tecido tão fino e delicado quanto a própria que o usava.
- Sinto muito, não imaginei que precisasse pedir tua permissão. Fui mal educada, concordo. Não voltara a se repetir, prometo.
Mas ela dispensou qualquer comida, não poderia comer, apenas ficou observando enquanto todos terminavam a sua refeição, Athena voltou a conversar com Shion, como se Audrey não fizesse diferença.
"Por favor Athena não faça isso, não me permita me sentir em uma família. Não me torture a esse ponto, não me ensine o que terei que destruir... Caminho a muito tempo ao lado da solidão, não me mostre um companheiro, mesmo que ele seja a esperança. Sei que terei que destruir isso e isso me destruirá cada vez mais."
Aquele pensamento passou pela mente de Audrey, enquanto a mesma abaixava a cabeça e olhava para o colo, onde estava o pequeno embrulho, mas ninguém poderia sequer imaginar ou ler aquele pensamento, apenas a leve aura de tristeza que se apoderou dela poderia ser um indicativo. Assim que todos terminaram a refeição Athena se levantou e seguiu com seus cavaleiro para o grande salão. Audrey tocou a mão de Athena, fazendo a mesma parar.
"Preciso lhe entregar algo, não vá... Mas confie em mim. Ninguém poderá estar conosco."
Audrey falou via cosmo para Athena, a mesma consentiu com um leve acenar com a cabeça, as duas se dirigiram para uma sala menor e mais privativa. Era um pequeno escritório, Athena logo se sentou na poltrona atrás da mesa. Audrey continuou de pé, mas se aproximou da mesa e colocou o pequeno embrulho em cima da mesa.
- Abra, poderá fazer o que quiser, é um presente meu. Mas acho que você já sabe o que é e o motivo para eu estar lhe entregando isso.
Audrey desviou o olhar e fitou um ponto fixo, tornando distante, Athena abriu o pequeno embrulho e viu uma linda caixinha dourada, com detalhes em azul marinho, feitos em ouro branco pintado, o símbolo de Aquário estava ali, gravado por todos os lugares. Sim era a caixa que guardava o Colar de Aquário. Um pequeno suspiro saiu dos lábios de Athena.
- Não vou lhe perguntar como conseguiu, pois sei que não vais me responder. Agradeço seu gesto e sei que terei todos os 12 colares em mãos não é mesmo? Está nos preparando para enfrentá-la, para que possamos ter uma chance de vencê-la não é? Não, não responda.
Athena se levantou e fechou a tampa daquela caixinha e então se aproximou de Audrey, tocando seu ombro esquerdo.
- Olhe a sua volta, não fale, apenas olhe... Sinta o poder que emana, o carinho que cada um deles sente pelo outro, a amizade que os une. Sinta a esperança que inunda cada parte deste santuário. A paz que ele carrega, não pense mais em nada, não imagine futuro, não faça previsões. Apenas escute, ouça e sinta... Acima de tudo sinta.
As lagrimas começaram a banhar a face bela daquele Anjo, enquanto a mesma se encostava na parede, se afastando da mão de Athena.
- Eu quero, desejo, anseio e acima de tudo daria minha vida para ter isto que me mostra. Mas não posso não entendes Athena, não posso. Será mais difícil, ver e sentir, ouvir e degustar disto que você representa, quando tudo ruir será mais difícil. Pois serão o sangue das pessoas amadas que estarei derramando, porque será a carne que amei que dilacerarei.
Athena voltou a toca-la, desta vez a abraçando, deixando que seu cosmo dourado inundasse o aposento, o calor do amor e da paz, a esperança, era aquilo que daria aquela mulher. Athena podia sentir o corpo dela estremecer e então parar, sossegada, os olhos verdes se fecharam lentamente. Sim ela estava cansada, cansada de lutar contra si mesmo, por isso agora se entregava ao sono e a paz que ele traria. Athena sorriu delicada, então colocou a mulher no sofá. Pediria para Saga ou Kanon a levar para a casa deles.
A deusa saiu do aposento, todos os cavaleiros estavam ali, parado a frente, com os rosto cobertos pela preocupação, prestes a invadir aquele escritório.
- Não se preocupem. Nada aconteceu... Saga poderia levar Audrey para sua casa? Só tome cuidado ela está dormindo, não a acorde por favor.
Athena falou e então caminhou até o trono e lá se sentou, pensativa. Nem mesmo Shion se aproximou. Saga então adentrou ao escritório, percebeu a pequena caixa com o símbolo de Aquário e logo voltou a face para aquela pequena ninfa que dormia no sofá, um sorriso gentil estava em seus lábios enquanto a pegava no colo. Sentiu quando o mesmo se aconchegava contra seus braços e peito, procurando por mais abrigo.
Um sentimento o invadiu, seus olhos estavam pousados naqueles lábios entreabertos e rubros, tão delicados, a face daquela mulher tão pura que agora dormia em seus braços. Não conseguia tirar os olhos dela, quanto tempo ficou ali parado, dominado pelo desejo de beija-la, saborear aqueles lábios, sentir seu gosto e provocar nela gemidos de prazer, apenas com um beijo, quase estremeceu ante o pensamento.
"Pare Saga, não deves pensar nisso. Você pode ter qualquer outra menos esta em seus braços, não seja tolo ao ponto de fazer isso."
Tentava dizer a si mesmo, argumentando de todas as formas, mas seu corpo continuava parado, por quanto tempo não sabia dizer, mas pareceu uma eternidade a ele. Até que escutou Kanon adentrando ao escritório, não falou nada, mas começou a andar, escondendo aquele desejo insano por aquela mulher no mais profundo recanto de sua mente. Não, ninguém saberia daquele pequeno lapso.
Saga poderia ter escutado as vozes que lhe chamavam, mas não deu atenção nenhum, deveria cumprir o que Athena lhe havia mandado, colocaria aquela mulher para dormir em uma casa macia e espaçosa, a que sempre tivera acesso em sua casa. Tentou afastar os pensamentos mais mundanos de seu cérebro, mas era impossível, não quando sentia o leve respirar quente doce tocando-lhe peito, não quando tinha plena consciência daquele corpo aninhado em seus braços.
"Tolo, estais sendo tolo Saga de Gêmeos. Isso seria se aproveitar da situação, não percebes isto? É tolo de pensar que qualquer coisa aconteceria entre vocês dois. Audrey jamais permitiria e Athena jamais o perdoaria por tal traição."
Finalmente havia chegado a casa de Gêmeos, então acomodou lentamente aquela mulher aos lençóis brancos e límpidos. Ficou a observa-la, em pé ao lado da cama, ainda hipnotizado por ela. Mas quando Kanon adentrou ao quarto, novamente fazendo voltar a realidade, sorriu de leve.
- Ahhh Saga, é nosso dever ajudá-la. Sabemos melhor que todos como é passar por esta angustia, de como enfrentar o mal que existe dentro de nós. Conhecemos a redenção de Athena e devemos mostrar isso à ela.
Aquelas palavras pegaram Saga de surpresa, claro que já haviam discutidos aquilo antes, mas agora, com todos aqueles pensamentos que tivera com Audrey, ficava ainda mais difícil se imaginar fazendo tal coisa, mas o faria.
"E pela minha Armadura não tocarei em teu corpo ou me aproveitarei de ti. Faço essa promessa, mesmo quando for difícil, ocultarei esse desejo insano que comecei a sentir, irei enterrá-lo para sempre."
Prometeu aquilo a si mesmo enquanto saia do quarto, tocando o ombro de seu irmão gêmeo.
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Ai está, meu terceiro capitulo eeee!!sacode os pompons Obrigada pela única review qu recebi Brigada Margarida... Hum, não sei eu já tenho idéia de como eles serão, ao estilo Angel Sanctuary sabe? XD Alexiel e Rosiel xD é muito provável e que venham mais reviews XD
