Saint Seiya não me pertence.

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"Sonho e não quero sonhar, meus sonhos são nefastos, se transformam em pesadelos cheios de sangue e morte. Minhas mãos carregam uma espada negra recoberta do liquido rubro precioso. Mas não quero..."

"Não é você quem decide Audrey, teu destino foi traçado desde o primeiro momento, desde que tuas asas se abriram e fomos completadas. Hunf... tola, teu carinho por estes mortais não me comove, tuas esperanças serão esmagas por minha espada, enquanto teus sonhos se transformarão em pesadelos a minha vontade."

"Não! Por favor, imploro... Não faças isso, deixe-me sonhar mais um pouco, enquanto posso. Não quero lutar contra ti, não ainda, por isso imploro, deixe-me sonhar mais um pouco."

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Os sonhos fazem a vida parecer mais fácil e ansiamos por alcançá-los. A garota estava acordada fazia tempo já, aquele santuário agora virara a sua casa, de alguma forma monstruosa ela se apegara aquele lugar e aos seus habitantes. Isso a alegrava e ao mesmo tempo a deixava triste, seu coração se apertava cada vez que lembrava o que estava por vir, a cada dia o caos parecia se tornar maior, pois o mundo humano estava sendo afetado. As guerras começavam a se intensificar, Eris e Ares com certeza estava fazendo festa no Olimpo.

Audrey estava sentada em cima da casa de ares, com as asas abertas, o vento um pouco mais forte que o de costume, os olhos não brilhavam, ela fitava o horizonte quase sem esperanças, as lagrimas que caiam por seu rosto ao tocarem o chão formavam pequenas e delicadas perolas perfeitas, a lua brilhavam intensamente.

- Sabe Artemis, não queria que o mundo se acabasse. Será assim tão ruim Athena governar? Ainda existem humanos com sentimentos puros, poucos eu concordo, mas existem.

Um suspiro escapou dos lábios rubros. Ela poderia sumir naquele mesmo instante, deixando a tudo e todos, voltando apenas para cumprir aquilo que deveria fazer. O fardo era pesado e ela estava quase desmoronando.

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Saga acordou no meio da madrugada, sentia algo de diferente no ar, uma grande inquietação se formava em seu coração. Olhou para o lado, não havia ninguém no quarto. Ele então se levantou, não conseguiria dormir, quem sabe um copo de água não lhe traria um pouco de paz. Passou pelos corredores e percebeu a porta do quarto de Audrey aberto e ela não estava em sua cama. Seria possível?! O cosmo de Athena ainda ressoava pelo Santuário, então a garota não havia atacado sua deusa, mas talvez ela estivesse agora na 13° casa.

Correu para fora e então percebeu aquelas pequenas perolas no chão e olhou para cima, era a visão mais perfeita. O vestido prata refletindo a luz do luar, as belas asas brancas abertas, enquanto as mãos estavam a frente, unidas, em pose de reza. Ele estava estático, seu coração se acalmou, aquela visão era a de uma Deusa, de um Anjo, intocado, perfeito, puro. Se não fosse tão devotado a Athena provavelmente cairia aos pés daquele anjo e pediria perdão.

Então lentamente o anjo se voltou para Saga e logo estava à frente daquele cavaleiro.

- Por favor Saga... – Audrey pediu e então nas mãos delicadas a katana apareceu. – Esta lamina é como a adaga que lhe foi dado há muito tempo, as únicas que podem me ferir e me matar. – Ela estendeu a mão. – Por favor.

Audrey pedia, como já havia pedido a Athena, e Saga estava tentado a aceitar, estendeu a mão e tocou a dela, mas não pegou o punho da katana. Ele afastou a mão dela e se aproximou do corpo feminino.

- Fico tentado com seu pedido. – Saga estava falando a verdade, todos os seus sentidos ansiavam por terminar com aquela agonia. – Mas não cabe a eu decidir, não cabe a ninguém decidir isso. Agora você tem Athena e todos os seus cavaleiros para lhe ajuda, então lute. Lute contra seu destino, pois uma vez o meu destino foi o de matar Athena e nunca o cumpri, mudei meu Destino, então você também poderá mudar o seu. Então LUTE!

Audrey fechou as asas e a Katana desapareceu, os olhos se fecharam e o corpo quase caiu, mas Saga o segurou. Frágil, era a palavra para descrever aquela mulher.

- Você passou... – Audrey sussurrou e encostou a cabeça no peito masculino e fechou os olhos.

Saga ficou perplexo, então aquilo não passara de um teste? Ele suspirou desanimado, o que aquela mulher pretendia? Ele acariciou os fios sedosos, com delicadeza e carinho, encostou o queixo sobre a cabeça da mesma. O corpo feminino parecia se encaixar perfeitamente ao seu.

- Não me importo se aquilo foi um teste Audrey. – Saga falou baixo. – O que importa é que minha resposta não mudou. Eu nunca poderei lhe ferir, mas é preciso que você lute. Basta acreditar.

- Ahh... Saga, eu luto há muitos séculos. É muito tempo, estou tão cansada, minhas forças são drenadas, mesmo quando encontro novas. – Audrey não chorava, mas estava triste. – Quando encontrei a Paz por alguns anos tive que abandoná-la, pois Athena havia nascido novamente. Por 200 anos caminhei sobre a Terra sem nenhum fardo. – Ela escondeu a face no peito masculino. – Agora sou obrigada a destruir aquela a quem salvei.

Saga não compreendia completamente todas as palavras daquela mulher, mas percebeu que ela estava envolvida na ultima guerra Santa e ao que tudo indicava, nesta também.

- Teve forças para lutar até agora Audrey, agora você tem a mim para lutar ao seu lado. – Ele não percebeu realmente o significado daquelas palavras. Não havia dito nós, mas sim eu. Saga estava apaixonado por aquele anjo, terrivelmente apaixonado e não percebia aquilo, não ainda.

Audrey se afastou do cavaleiro, o fitou intensamente. Seria possível? O coração do cavaleiro era sincero, ela podia escutá-lo, sabia que aquelas palavras foram ditas com carinho, atenção e verdade. Ela não poderia dar esperanças a ele, mas de alguma forma louca ela se sentia segura nos braços daquele homem.

"Saga, o que fizeste?"

Ela pensou e então deu as costas para o cavaleiro e saiu em direção ao seu quarto.

Saga ficou parado, estático. O que ele dissera para espantar Audrey? Suspirou e voltou ao quarto, quem sabe se dormisse ele encontraria as respostas.

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Kanon estava treinando com o irmão na arena. Agora com essa nova ameaça todos os cavaleiros estavam treinando para valer. E ninguém havia visto Audrey, novamente a garota parecia ter sumido. Athena não estava preocupada, quando perguntaram para ela se sabia onde Audrey teria ido, Athena apenas dera um sorriso e havia continuado os seus afazeres.

Saga estava distraído e Kanon percebia isso e sempre que podia acertava o irmão. Quem sabe os socos o fariam acordar, mas parecia que não. Até que finalmente Saga caiu no chão, um filet de sangue escorrendo pelo canto da boca, ele balançou a cabeça.

- Chega Kanon, não estou bem. Melhor pararmos antes que me machuque mais. – Saga se levantou e limpou o sangue, estava serio. Saga queria fazer uma piadinha, mas era melhor não irritar o irmão.

- Tudo bem mano, vamos descansar, além do mais já está na hora do almoço. – Kanon deixou a toalha de treinamento com um dos seus servos, Saga concordou coma cabeça e os dois saíram da arena.

Kanon queria perguntar o que estava acontecendo, mas tinha medo da resposta, Saga estava sofrendo mais que ele por causa de Audrey.

- Mano, nós vamos conseguir ajudá-la. – Kanon comentou. – Não se angustie tanto assim.

Saga ficou calado, sem responder. A mente ainda se lembrando da madrugada, ele deveria contar ao irmão o que havia acontecido, mas não tinha coragem. Era algo particular, por mais que fosse bobagem, ele sentia que aquela noite fora mais que um mero teste. O cavaleiro suspirou fundo.

O irmão arqueou a sobrancelha esquerda, não havia nada que pudesse fazer se Saga não queria se abrir, apenas abraçou o irmão e os dois se encaminharam para a cozinha de gêmeos.

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Quando penso neles meu coração dispara, meu âmago se aquece, sei que isso se chama esperança. Eles terão alguma chance contra mim, sei disso, um sorriso se forma em meus lábios enquanto observo o santuário em cima de uma nuvem. Os deuses me observam, eu sinto seus olhos em mim, mas eles não podem me atingir. De certa forma os invejo, porque eles podem interagir, se quiserem podem ser mortais e depois voltarem a ser imortais, sem serem atingidos.

Ahhh, mas não sou igual. Sabe, se pudesse, daria as costas aquele que me criou, mas não posso e nunca poderei. As lagrimas começam a escorrer, percebo que estou muito mais abalada, esta luta será a mais difícil.

Abro as minhas asas, está na hora de voltar, o sol já se põe no horizonte, o espetáculo começa, pois o céu é tingido por varias cores, sei que este espetáculo é para mim, mas dou as costas a ele e vou em direção ao Santuário, não quero fitar aquele que cria tão magnífica peça. Então meus olhos o vêem, meu coração dispara, paro no ar, apenas para fitá-lo, observar enquanto sai de seu templo.

"Isso é loucura, insanidade."

Mas não consigo me controlar, é como se eu visse a fonte de minha forças.

"Céus, que terrível provação é essa? Por que fazes isto? Será que já não provei que lhe sou fiel?"

Mas não vem resposta, ele só responde quando quer, mas quem sou eu para lhe repreender, nesse momento sei que não posso deixar que este pequeno sentimento tome conta, melhor jogar água fria nesta pequena chama, que a ver aumentar e não poder mais controlá-la. Volto a se mover, deixo que Saga se afaste e entro na casa de gêmeos.

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Kanon se assustou e se virou, elevando a cosmo energia rapidamente e então prendeu aquele ser que se aproximava contra a parede, suas mãos seguravam-na pelo pescoço. Audrey levou a mão a mão dele, tentando afastá-la. Kanon ao perceber quem era abaixou a cosmo energia e a soltou rapidamente.

- Desculpe-me Audrey. – Ele pediu preocupado. – Não queria machucá-la, força do habito.

- Não se preocupe. – Audrey levou a mão ao pescoço e então a marca vermelha que ali estava desapareceu. – Fizeste o que foi treinado a fazer. Além do mais, eu sou a inimiga.

- Não! – Kanon se aproximou de Audrey, quis tocá-la, mas era melhor que não. – Você não é uma inimiga, ao contrario, é uma amiga.

Audrey o fitou.

- Kanon eu...

- Não continue. – O cavaleiro a interrompeu. – Você é amiga, esta apenas confusa, mas é para isso que estamos aqui. Se precisarmos lutar, minha lama chorara lagrimas de sangue. Audrey, eu e meu irmão nos livramos do mal que tentava nos controlar. Você também pode. – Kanon pegou as mãos de Audrey. – Não desista.

Audrey o fitou, os olhos verdes brilhavam. Aqueles cavaleiros não a deixariam desistir, mas ela já sabia qual seria o resultado daquela batalha. Sorriu de leve, não acabaria com a esperança que restava no coração daquele cavaleiro.

- Obrigada Kanon.

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Saga havia voltado imediatamente para a sua casa ao sentir o cosmo de seu irmã, mas não esperava ver aquela cena. Audrey e Kanon estavam muito pertos, Kanon segurando as mãos da garota, enquanto sussurrava, ele poderia escutar a conversa se quisesse, mas simplesmente não conseguia.

Seu coração se despedaçava, era como milhares de faca lhe atingindo no estomago, a raiva começava a brotar, ele queria simplesmente matar seu irmão, como ele podia fazer uma coisa daquelas? Seduzir a jovem? Era repugnante, e ela parecia gostar, o sorrio nos lábios, enquanto deixava que Kanon se aproximasse.

Que sentimento era aquele? Então Audrey se virou e o fitou e ele soube o que era. Estava sentindo ciúmes e ela sabia também, o sorriso delicado desapareceu e ela se afastou de Kanon. Saga se aproximou dos dois.

- Não foi nada irmão. – Kanon sorriu para o irmão. – Eu quase ataquei a nossa convidada, costume de ser guardião da nossa casa.

Saga assentiu com a cabeça e fitou Audrey, não podia descrever aquele sentimento, mistura de raiva e alivio, frustração. Porque ela nunca poderia ser dele, além do mais, aquilo deveria terminar, os dois sabiam disso.

- Então vamos irmão.

Saga falou e saiu da casa de gêmeos, ele havia feito uma promessa a si mesmo e a cumpriria. Mas seu coração sangrava e as lagrimas lhe viam aos olhos, lagrimas que nunca seriam derramadas.

Audrey ficou estática vendo os dois irmãos se afastarem, Saga não escondia o que sentia, ela podia ler sua alma e aquilo a deixava ainda mais triste, ela caiu no chão, ajoelhada, levou as mãos à frente, enquanto abaixava a cabeça, rezando aos céus.

"Não me faça matar novamente aqueles que aprendo a amar."

As lagrimas começaram a escorrer, ele nunca a respondia e a única voz que escutava era a dela. A risada fria ecoou pelo sala, por sua mente, as lagrimas cristalinas agora eram de sangue.

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Athena estava na sua sala, com a caixa do colar de aquário a sua frente.

- Shion, sei que posso ajudar a Audrey, mas não sei se sairei vitoriosa nessa batalha. – Athena comentou com seu grande mestre. – Ela tenta nos ajudar, estes colares aumentam o poder da armadura em 10 vezes, mas quantos de nós morreremos? – Athena fechou os olhos. – Nesta batalha não poderei mais ressucitá-los, pois não será a Hades que serão enviados.

- Não nos importamos em morrer por ti Athena, mesmo que isso signifique o aniquilamento de nossas almas. – Shion falou veemente. – Quando a senhorita Audrey atacar todos nós faremos milagres para que ela nunca possa se aproximar de ti.

- É justamente isso... – Athena se levantou e tocou o ombro de Shion. – Isso que quero evitar, que a vida de vocês sejam ceifadas. Não importa o quanto desejem lutar não posso permitir que lutem, não posso tolerar imaginar que perderei vocês. – Shion queria discutir, mas Athena foi firme. – Não conteste... Vá leve esse colar a Kamus, ele deve começar a treinar com ele imediatamente.

Shion se levantou e fez uma reverencia, pegando a caixa da casa de Aquario. Estava preocupado com o que Athena faria, provavelmente ela iria lutar sozinha, mas era tolice. O que seriam eles, os cavaleiros de Athena, sem Athena.

"Mesmo que queira lutar sozinha, nunca conseguirá minha Deusa, porque sempre estaremos contigo, rezando para ti, lhe protegendo com nossos cosmos, mesmo a distancia. Porque Athena, esse é nosso dever. Protegê-la."

Shion então adentrou a casa de aquário, Kamus estava em seu jardim gelado. Como estava usando a armadura não sentia frio, mas com certeza qualquer outro servo estava usando roupas de inverno.

- Kamus! – Shion chamou, então o cavaleiro de aquário apareceu. – Vim lhe entregar isto, Athena mandou que comece a treinar imediatamente com o colar.

Kamus pegou a caixa, fitou Shion.

- A estadia dessa garota me preocupa Mestre. – Kamus falou e deixou a caixa em cima de uma mesa de cristal. Sabia que era um colar, do mesmo tipo que Audrey já havia entregado a gêmeos.

- A todos nos Kamus, mas não podemos fazer nada se essa é a vontade de Athena.

- Mas... é irresponsável. Uma futura inimiga!

- Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda... – Shion comentou.

- Mas ela também não passa de uma garota. – Kamus se sentou, não costumava se expressar dessa forma, mas a sua frente esta o Grande Mestre e dele não tinha nada a esconder. – Eu a vejo por ai, não parece mais que uma criança, o vilarejo já a conhece, ela fica com as crianças, quando uma se machuca ela cura o machucado. Se alguém me disse que ela era uma inimiga eu jamais acreditaria, sequer imaginaria que ela possui cosmoenergia, a vejo usar apenas quando cura uma das crianças. E está nos ajudando, trazendo esses colares...

Shion pegou a caixa de Kamus e a abriu, observou bem o colar.

- Sim, eu também a observei, não vi um traço sequer de outra personalidade. Diferente de Saga, ela parece controlar seu lado maligno. – Então fechou a caixa. – Mas talvez seja como a caixa de pandora, enquanto esse lado perverso continuar lacrado nada de ruim acontecerá, mas se ele for libertado... – Shion fitou Kamus.

- Athena poderá morrer. – Kamus completou em um sussurro quase inaudível.

Alguns minutos se passaram sem que nenhum dos dois cavaleiros trocassem uma palavra sequer. Kamus por fim se levantou e pegou a caixa, retirando o colar.

- Vou iniciar meu treinamento.

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A noite já havia chegado, todos estavam dormindo, então a mulher se levantou, arrumou os cabelos que agora estavam levemente negros. O tempo na casa de gêmeos parou, enquanto aquela mulher se levantava e caminhava em direção ao quarto de Saga. Ao abrir a porta se deparou com uma cama imensa, feita de mogno escuro, com os tecidos brancos a enfeitando, os lençóis eram beges, e apenas um homem dormia ali onde poderiam caber três pessoas sem ficarem apertadas. O resto do quarto não importava muito, apenas aquele que dormia.

O corpo estava parcialmente descoberto, com o peito e a perna esquerda descobertas, os cabelos azuis contrastando com os lençóis claros, o corpo perfeitamente esculpido, um deus, com certeza. Um sorrisinho apareceu na face feminina enquanto se aproximava da cama. Tocou a face máscula, passando o dedo pelas linhas fortes, até terminarem nos lábios, então subiu na cama e ficou se inclinou para ele.

- Tolinho... – Sussurou e então o beijou, Saga não retribuiu ao beijo, nem sequer acordou, mas algo em sua alma se movimentou, porque naquele beijo, ela havia libertado o que Athena um dia havia lacrado. Ela se afastou e saiu do quarto.

Voltou para o próprio quarto e ao deitar na cama, o tempo novamente voltou a movimentar.

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Aqueles que acompanham minha outra fic wars of blood, ela será atualizada novamente em alguns dias. Já tenho metade de um capitulo escrito.

Margarida se ainda acompanha essa fic, espero a sua review... ^^ E as novas, por favor espero mais ^^