Aviso: Saint Seiya não me pertence...

Uma parte será uma fanfic.

O nome da musica é "The Voice – Celtic Woman"

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Deixe-me sonhar, viver, amar. Deixe-me sentir o sol, as nuvens e a brisa. Deixe-me ver o céu, as casas, a família. Dê-me liberdade para sentir.

Será que peço tanto assim, deu livre arbítrio para eles porque eu, tua filha, tua escolhida não posso ter?

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Quantos dias haviam se passado desde que Kamus recebera o colar não era muito importante, mas o fato de que o tempo corria era. Estou sentada na arquibancada do Coliseu, assistindo aos cavaleiros treinarem, Athena está um pouco acima de mim, sinto que sou observada, mas não por ela. Meus olhos se fecham e um suspiro baixo escapa de meus lábios. Estava quase na hora de terminar o que havia sido começado.

Meu coração se aperta a cada segundo, levanto. Já não suporto ficar ali, não consigo suportar o peso da esperança, um privilégio que não tenho. Olho para o céu e quero praguejar, mas não consigo, porque O amo. Viro para Athena, nossos olhares se cruzam, ela sabe que o dia está se aproximando, posso sentir em sua cosmoenergia a agitação.

Estendo a mão e a Deusa então se levanta e se aproxima de mim, pegando a minha mão. Minhas asas se abrem e trago o corpo humano contra mim, tão rápida quanto a luz sinto os cosmos dos cavaleiros se elevarem e seus ataques vindo em minha direção. Mas Athena confia em mim, sinto isso.

- Não temes a morte?

Pergunto e então me elevo aos céus, antes que qualquer golpe me atingisse. Athena está em meus braços, passamos as nuvens, eles já não podem nos seguir mais. Athena sorri.

- Não Audrey, não temo a morte.

Minha cosmoenergia é o suficiente para fazer uma barreira a nossa volta, porque onde estava levando a Deusa não havia ar. O universo era grande demais e ela era a sua ultima protetora. Agora estamos vendo a Terra, como ela é realmente, um globo no imenso vazio, iluminado pelo Sol, Apollo nos observa, enquanto a Lua se aproxima. Se Athena pudesse olhar realmente veria seus irmãos, cada um acima de seus objetos.

- Olhe Athena. Isto é o que proteges. – Aponto para baixo, onde o globo azul pairava calmo. – Mas olhe atentamente, porque ele não depende só de você. – Aponto o Sol e a Lua. – Você despreza aqueles que estão ao seu lado. – Minhas asas continuam abertas, pois sem ela nos duas não poderíamos ficar ali. – Porque luta contra eles? Será que não percebe que os humanos não são bons? – Movimento a minha mão e agora Athena poderia ver a camada de ozônio, como um espectro ao redor da terra e varias manchas nela. – Sabe quanto tempo demorou para criarmos esta camada? – Volto a movimentar a minha mão e as nuvens desaparecem e ficam apenas as nuvens das grandes industrias. – Criamos a perfeição Athena, não para ser destruída... mas para ser amada.

- Eu amo a Terra. – Athena falou e então apontou para o mar. – Veja, estão caçando... Mas olhe também para o outro lado. Tem pessoas que estão protegendo. – O navio estava sendo interceptado por outro, que impedia-o de caçar. – Ainda existem humanos que protegem a Terra junto comigo.

- São tão poucos... – Faço tudo voltar ao normal, começo a descer com a Deusa. – Por que protegê-los?

- Porque Audrey... – Athena segurou a minha face. – Eles são nós. Deles que dependemos, por eles que vivemos. Sem eles não seriamos nada.

Compreendo o que ela quer dizer, um sorriso triste se espalha pelo meu rosto. E novamente estávamos acima do Santuario, meus pés tocam o chão do Coliseu, minhas asas se fecham e dou as costas a Athena. Os argumentos que a Deusa havia usado eram os mesmos defendidos por outras. Mas segundo o grande livro, já não havia mais argumentos para os humanos. Aqueles que fossem puros realmente seriam salvos.

Os cavaleiros estão todos a minha frente. Sinto que Athena faz um gesto e eles abrem caminho para que eu passasse. Olho para trás, fitando novamente a Deusa, com sua cosmoenergia pura, dourada, nenhuma de nós troca palavras não havia necessidade. Desço os degraus do Coliseu, caminhando em direção a morada de Gêmeos.

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- Athena!

- Eu estou bem não se preocupem. – Athena se sentou novamente e sorriu delicada. Não podia demonstrar preocupação. Ela sabia que havia sido testada, mas não tinha certeza se passara. – Audrey apenas quis me mostrar algumas coisas. – A Deusa fitou seus cavaleiros, sem demonstrar apreensão. Eles se acalmaram.

- Mesmo assim. – Shaka comentou. – Para onde foram não poderíamos defendê-la minha Deusa.

- Nem sempre Shaka as coisas são resolvidas com lutas físicas. – Athena fitou o cavaleiro maios próximo de Deus. – Sabes melhor que ninguém.

- Algumas lutas devem ser lutadas sozinhas... – Shaka se aproximou e se ajoelhou perante a Deusa, pegando a mão da mesma. – Outra minha senhora, devem ser compartilhadas. Não nós exclua desta luta. Porque todos somos seus cavaleiros.

- Aprendi isso na luta contra Artemis. – Athena acariciou a face do cavaleiro com bondade. – Nunca poderia excluí-los mesmo se eu quisesse. – Athena então se levantou. – Mas entendam, desta vez não são os humanos. Não estou defendendo o mundo. – Athena fez o báculo aparecer. – Estou sendo julgada e apenas eu posso me defender.

- E quem Audrey é para ser a juíza? – Aioria perguntou em seu tom ruidoso.

- A única que pode. – Athena fez o báculo brilhar. Então os cavaleiros já não estavam mais no Coliseu ou no Santuário. – Vejam...

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I hear your voice on the wind

Ouço a sua voz no vento
And I hear you call out my name

E ouço-a chamar meu nome…


"Listen, my child," you say to me

"Ouça, minha criança!" Você diz para mim,
"I am the voice of your history

"Eu sou a voz de sua história,
Be not afraid, come follow me

Não tema - venha, siga-me

Answer my call, and I'll set you free"

Responda meu convite e vou tornar você livre ".

A noite estava clara, no castelo havia festa. O Senhor estava bebendo, enquanto no quarto mais alto, criadas iam e viam, alguém estava gritando de dor. A Senhora estava dando a luz, entrara em trabalho de parto já fazia algumas horas, desde a tarde, as freiras não tinham muita convicção que a criança nasceria viva.

Naquele momento a mulher estava deitada, enquanto a parteira estava entre suas pernas, ela podia ver a criança dentro da mãe, mas não podia retirar a criança sem que a mãe sofresse mais, além do mais era melhor salvar a mãe. Pois a criança era uma mulher, se ao menos fosse um homem. Mais uma hora se passou naquela angustia, até que finalmente a criança resolveu sair de dentro da mãe.

I am the voice in the wind and the pouring rain

Eu sou a voz do vento e da chuva torrencial,
I am the voice of your hunger and pain

Eu sou a voz de seu anseio e dor;
I am the voice that always is calling you

Eu sou a voz que sempre está chamando você,
I am the voice, I will remain

Eu sou a voz - Eu persistirei

Era uma menina de fato, a Madre Superiora lavou a criança, pequena, nem sequer sobreviveria alguns dias, a mãe estava exausta, também não sobreviveria. A Madre respirou fundo, enrolando a menina em panos limpos e foi até o Senhor para dar as noticias.

O Senhor gritou, quebrou copos, jogou uma cadeira, sua amada esposa estava à beira da morte, tudo por uma menina mirrada e sem vida, pequena, feia, não que fosse deformada, mas simplesmente não tão linda quanto os outros bebês.

I am the voice in the fields when the summer's gone

Eu sou a voz nos domínios em que o verão acabou,
The dance of the leaves when the autumn winds blow

A dança das folhas no Outono, quando os ventos sopram;
Ne'er do I sleep thoughout all the cold winter long

Posso dormir ao longo de todo o frio do Inverno;
I am the force that in springtime will grow

Eu sou a força que na primavera vai crescer.

Alguns dias se passaram e conforme a mãe definhava a criança ganhava força, parecia que a Senhora estava dando a vida para salvar a filha. Um milagre estava acontecendo a Madre que havia visto o bebê em seu primeiro segundo de vida, tão pequena, agora estava grande, com vários fios de cabelos loiros, os olhos azuis iguais a da mãe.

O Senhor não foi ver a criança por vários meses, pois a culpava pela morte de sua amada, mas os anos se passaram. O bebe agora era uma criança, com 4 anos de idade. Uma bela garota, os cachos dourados moldavam o rosto fino e pequenos, os grandes olhos azuis como o mar refletiam seus sentimentos mais puros. Todos no feudo amavam a pequena. Ela era simplesmente encantadora, apesar de brincar, correr, gritar, quase nunca se sujava ou passava dos limites. Aprendia rápido, sempre acordava para rezar, não comia nada que não fosse dado pela madre, sempre aos redores da igreja, mas nunca perto de seu pai.

I am the voice of the past that will always be

Eu sou a voz do passado que será sempre,
Filled with my sorrow and blood in my fields

Pleno em meu sofrimento e com meu sangue em meus campos

Aquele dia, o céu parecia brilhar um pouco mais, era o aniversario da garota, mas ela estava no cemitério da família, ajoelhada no tumulo da mãe, com flores nas mãos, enquanto rezava pela alma de sua falecida mãe. O Senhor observava a filha de longe, aquele era o primeiro dia em que vira a garota, tão parecida com a mãe. A raiva estava em seus olhos, ele sacou a espada e se aproximou da menina.

- Foi você quem a matou. – A voz fria e cheia de raiva ecoou pelo jardim perfeito, sobre a lapide de mármore. A menina levantou os olhos e fitou o pai.

- Eu não queria... – As lagrimas nos olhos azuis brotavam como pequenos cristais.

- Tuas lagrimas não me servem para nada! – Ele gritou e chutou a garota que voou contra a lapide branca, o sangue escorreu pela boca pequena, enquanto ela gritava de dor e se contorcia. O Senhor não se importava em causar dor, na verdade queria aquilo. Se aproximou e deu outro chute, outro grito, mais sangue.

Aqueles gritos chamaram a atenção de varias pessoas que ficaram paralisadas com a cena, o Senhor estava espancando a própria filha e não pararia tão cedo, as freiras correram para chamar a Madre, que rapidamente se colocou entre o Senhor e garota.

- Pare! – Ela gritou o Senhor parou com a mão no ar. – Vai bater também em uma esposa de Cristo?

O Senhor nada respondeu, um sorriso demoníaco surgiu nos lábios finos e ele abaixou a mão dando um tapa na Madre. As freiras gritaram.

- Salvem a menina! – A Madre gritou, enquanto o Senhor começava a despejar nela toda a sua fúria.

- Nunca mais se coloque em meu caminho mulher! – Ele gritou.

Uma das freiras correu e pegou o corpo da garotinha rapidamente e levou para a Igreja, estava chorando, a garota estava quase morta. Deixou o corpo frágil sobre o altar, o padre veio ajudá-la. O que estava acontecendo ali era inacreditável. Eles fizeram o possível para fechar os ferimentos do corpo pequeno, mas ela não passaria daquela noite.

I am the voice of the future, bring me your peace

Eu sou a voz do futuro…
Bring me your peace, and my wounds, they will heal

Traga-me a sua paz, traga a sua paz, e as minhas feridas irão cicatrizar

O senhor se cansara da Madre e fora atrás de sua filha, as portas da igreja estavam fechadas, trancadas. Rapidamente seu exercito estava tentando derrubá-la. Aqueles que estavam ali dentro rezavam.

A noite estava alta, bela a lua brilhava, as estrelas não se apagaram, pareciam não se importar pelo que estava acontecendo naquele feudo. O Senhor e seus soldados estavam dormindo, todos estavam dormindo.

I am the voice in the wind and the pouring rain

Eu sou a voz do vento e da chuva torrencial,
I am the voice of your hunger and pain

Eu sou a voz do seu anseio e da dor;
I am the voice that always is calling you

Eu sou a voz que sempre está chamando você,
I am the voice

Eu sou a voz

Então no altar algo aconteceu, um brilho iluminou todo o local, enquanto a garota gritava e se contorcia, todos acordaram, dentro e fora da igreja. Das costa da garota grandes asas brancas começavam a aparecer e o corpo frágil cresceu, rasgando a roupa e por final o corpo de uma menina se transformou no corpo de uma mulher, os cabelos antes loiros agora azuis celestes, os olhos azuis agora verdes e as asas brancas. Um Anjo.

Os louvores eram erguidos, enquanto todos ali rezavam e pediam perdão a Deus, a garota sorrio e se aproximou da jovem que a havia salvado.

I am the voice of the past that will always be

Eu sou a voz no passado que será sempre
I am the voice of your hunger and pain

Eu sou a voz de fome e dor;
I am the voice of the future

Eu sou a voz do futuro…
I am the voice, I am the voice

Eu sou a voz, Eu sou a voz,
I am the voice, I am the voice

Eu sou a voz, Eu sou a voz.

- Teu lugar no céu já está reservado. – o Anjo falou com sua voz delicada e olhou para o Padre. – A você e a Madre superiora também, venham... – O Anjo abraçou ao padre a jovem freira, então os dois corpos brilharam e viraram pedaçinhos de estrelas. Todos ali na igreja sofreram a mesma coisa, então as portas da Igreja se abriram e o Senhor caiu ajoelhado.

- Perdão! – Ele implorou.

O Anjo que antes tinha asas brancas, agora começava a se transformar, as penas se transformaram em pele e osso, enquanto o corpo branco era recoberto por um tecido negro, e na mão esquerda uma imensa espada rubra apareceu.

- A vocês o inferno está destinado. – Então aquele Anjo negro avançou, matando a todos, mas não rapidamente, e sim de uma forma que eles sofressem e assim foi por todo feudo e os feudos vizinhos. O cheiro de morte inundava a noite, enquanto o sangue banhava a terra, não importando se eram mulheres ou crianças, velhos ou jovens, doentes ou saudáveis. Por onde aquele Anjo passasse restavam apenas corpos e naquela noite uma praga foi espalhada por todos os lugares e mesmo que depois daquela noite, aquele Anjo jamais fosse visto, seu legado continuaria o que ele começara. Milhares ainda morreriam pelos anos que se seguiriam.

O dia começava a nascer e junto com o Sol o Anjo se aquietou, sentando em uma pedra, com a espada fincada no chão, as asas voltavam a serem brancas e os olhos vermelhos agora verdes. Junto com a Luz, o Anjo Branco voltava a superfície e de seus olhos lagrimas caiam e a pedra antes infértil, agora crescia grama e ao redor uma imensa floresta nascia.

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- Audrey nasceu com seu destino traçado e nada pode fazer para mudá-lo. – Athena então abaixou a cosmoenergia e eles estavam novamente no Coliseu. – Ela não é um de nós, não é uma Deusa e não é humana apesar de ter nascido sob a forma de um. Ela não é como os Anjos que enfrentamos, ela é algo superior. - Athena fechou os olhos.

Todos estavam calados, para se conhecer alguém era preciso saber sua origem e agora eles sabiam. Haviam visto o passado de Audrey, como tudo começara e não poderiam jamais culpá-la pelo o que havia acontecido.

- Audrey sofreu, mais que qualquer um suportaria. – Um deu um passo à frente. – Então ela é forte o suficiente para carregar o fardo que carrega Athena. Este foi o começo, como ela se transformou em Anjo, por falta de palavra melhor. Mas ainda existe o final... Mesmo que no começo ela não pudesse lutar contra o próprio destino, agora ela pode.

- Ela conhece os próprios poderes. – Shion ficou ao lado de seu pupilo.

- Sim conheço. – Audrey falou, estava séria. – E conheço Aquele que me criou. – Havia magoa em seus olhos quando fitou Athena. – Não sou fruto de um Deus, mas de todos os Deuses. Se quiserem dar um nome atual então sou filha de Jeová, seu ultimo Anjo sobre a Terra. Porque quando não existia nada e finalmente os Deuses nasceram, com eles nasceram entidades que poderiam julgá-los e ensinar o caminho. Porque Eles acharam que durante a eternidade poderiam se perder do verdadeiro e único caminho que realmente deve ser seguido.

Audrey se aproximou de Shion e Mú.

- Fácil para os humanos dizerem que qualquer um pode mudar o próprio destino. – Ela os fitou fixamente. – VOCÊS GANHARAM O LIVRE-ARBITRIO! – ela gritou e as asas brancas se abriram. – Patético, irresponsável, ignorante. – Ela deu as costas a eles. – E pensar Athena, que talvez EU pudesse salvá-la.

Chocados, ninguém sequer conseguia se mover, Audrey desapareceu. Saga então fitou a todos, tão perplexo quanto, mas então seguiu a garota.

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- Espere! – Saga gritou enquanto Audrey já estava na divisa do Santuário, a garota se virou. Saga a alcançou. – Não vá.

- Não tenho mais o porquê ficar.

- Tem sim Audrey. – Saga pegou a mão delicada. – Se todos os humanos têm livre arbítrio, você também tem. Não, escute... Nasceste como uma humana Audrey, como tal você é uma humana, assim como Athena.

Audrey puxou a mão, estava com raiva, raiva por Athena ter revelado algo que nunca deveria ter sido mencionado. Aqueles humanos eram ignorantes como todos os humanos, defendiam que os humanos poderiam ser bons, mas ali estavam eles sempre julgando e duvidando. Se aqueles que protegiam o "bem" então porque não o praticavam?

- Não sou humana, nunca fui. Athena mostrou parte, como eu nascendo de dois humanos, mas o que ela nunca poderia mostrar é que na hora em que fui concebida não era a alma de dois humanos. – A voz da garota estava fria, Saga abaixou a mão e fitou o chão por alguns segundos. – Hunf! E no fim quem estava realmente acreditando em alguma coisa era eu! Foi preciso que alguém, uma pessoa superior a vocês mostrassem que eu era "boazinha", a mocinha da historia para que enfim acreditassem realmente que eu não queria lhes fazer mal. – Os olhos da garota começavam a mudar, e nem ela mesmo percebia isso. Sempre que se irritava, se descontrolava, era uma pequena porta para que sua outra personalidade aparecesse.

- Audrey! – Saga a pegou pelo braço com força. – Não fale por todos! Desde o começo eu acreditei em você, desde que chegaste a este Santuario! Céus se eu não acreditasse jamais teria ficado noites acordado ao seu lado enquanto seu corpo estava coberto de feridas. Não que os sejam descrentes Audrey, apenas querem o bem estar de Athena e se você é uma possível inimiga, então eles estão certos em agir daquela forma.

Saga soltou o braço da garota. Audrey ficou em silencio por vários segundos, sem desviar o olhar de Saga.

- Quando eu quiser matar Athena nada poderá me impedir Saga, eles não perceberam isso. Apenas eu posso deixar Athena viva, enquanto eu quiser que ela fique ela vai viver. Shion está certo, eu agora posso agüentar meu destino, mas não signifique que possa mudá-lo.

Saga teve vontade de sacudi-la, mas ao invés disso soltou o braço delicado.

- Por Zeus garota. – Saga deu as costas a Audrey. – Viveste muitos anos, conheces muitas historias, viu muitos fatos, mas será que não percebeu? Por mais que fales que não poderia mudar teu destino, se tivesse lutado, apenas um pouco, gastado a energia que gastou falando essas bobagens e acreditando nelas, poderia ter usado para modificar o que é. O ano em que nasceste não importa, porque você ainda pensa como uma criança. – Então ele se virou. Será que tinha ido longe demais?

- Acha que eu não tentei? – Audrey se aproximou de Saga perigosamente, tocou o ombro do mesmo e então ele pode ver pequenas cicatrizes no rosto belo, aquilo o assustou, abaixou o olhar e viu no colo da garota uma cicatriz ainda maior, assim como nos braços. – Essas são as varias punições que levei por tentar fugir de meu destino. – Então Audrey o soltou e desta vez foi ela quem deu as costas.

Saga estava horrorizado, o que haviam feito com ela era imperdoável. A dor que havia sentido não era imaginável, todas aquelas cicatrizes, além do efeito psicológico. Saga abraçou a garota por trás, com carinho. Não sabia bem o que fazer, apenas queria protegê-la e demonstrar que independente do que havia acontecido ele agora estava ali.

Audrey estremeceu ao contato delicado, imaginara que Saga houvesse corrido, voltada para Athena, para contar a novidade, mas ele fizera justamente o contrario. A garota fechou os olhos, sentindo o calor daquele abraço.

- Tenho vontade de destruir quem fez isso com você. – Saga sussurrou. – Quem a torturou desse jeito não pode ser gentil ou bom, porque um verdadeiro Deus deve ser perdoar aqueles que o servem. – Ele encostou o queixo na cabeça de Audrey, estreitando o abraço, sentindo a garota estremecer novamente. – Você não está mais sozinha Audrey, eu estou aqui com você.

Audrey não respondia, seu coração estava aquecido, mas em seus olhos as lagrimas viam e lentamente ela começou a derramá-las em silencio. Saga a virou para si ao perceber aquelas lagrimas.

- Tentei negar milhões de vezes, treinei até o cansaço físico e mental, fiquei noites sem dormir, apenas para tentar esquecer esse sentimento que era louco e insano, mas então eu lhe via e meu coração se acelerava, ou então deitava na cama e a única imagem que vinha a mente ao fechar os olhos era a tua.

Saga falava tudo aquilo com pequenas pausas, estava nervoso, muito, simplesmente porque estava confessando para Audrey que a amava, tinha medo de não retribuído, medo da reação da garota e acima de tudo, medo de si próprio.

- Eu a a...

Audrey o impediu de falar aquela ultima frase, enquanto as lagrimas cristalinas se transformavam em rubras como sangue. Ela havia lhe tampado a boca e saga estava assustado, não por si mesmo, mas com o que estava acontecendo com Audrey. Tentou abraçá-la novamente e não conseguiu, porque ela se afastou tão rápido que quase não percebeu.

- Não! – Audrey falou baixinho e se ajoelhou, abaixando a cabeça, as lagrimas de sangue manchavam o chão e o vestido branco. Saga novamente tentou se aproximar, mas era impossível, já não conseguia se mover mais. Audrey se levantou e ele pode ver que na mão esquerda a katana estava brilhando, os olhos antes verdes agora negros como a noite, mas ele poderia perceber que Audrey ainda estava lá de alguma forma. – Por favor... – Ela implorou enquanto se aproximava de Saga. – Desculpe. – Saga compreendeu o que aconteceria a seguir, fitou Audrey e sorriu, aceitando. Audrey finalmente ergueu a Katana e desferiu o golpe.

O sangue espirrou, enquanto a garota chorava e um grito poderia ser escutado por todo o Santuario, o som rápido e metal cortando a carne, um sentimento destroçado, mais um para que ela se lembrasse sempre que ninguém jamais poderia tê-la. Audrey soltou a Katana que caiu fincada na grama, enquanto ela fitava Saga.

- Esta não é sua jurisdição. – Athena falou calma, enquanto aumentava a cosmoenergia para fazer o ferimento cicatrizar, seu braço estava cortado, ela não tinha sido rápida o suficiente para deixar apenas o báculo ser atingido. Saga estava logo atrás enquanto os outros cavaleiros estavam um pouco mais longe. Sim, Athena havia salvado Saga.

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Mais um capitulo para minha fic! Eeeee *-* nunca pensei que iria tão longe com uma fic minha... Pena que não tem muitas reviews mas tudo bem.

Até o próximo capitulo.