Black Crystal – Episódio 1x02
Beth sentiu-se recuperar pouco a pouco, sentindo nas suas costas, desta vez, uma estrutura suave, até que se apercebeu que se encontrava numa cama de hospital; o mesmo homem que a salvara encontrava-se ali à sua frente, a observá-la.
Beth, desta vez, assumiu uma expressão desconfiada.
- Quem és?
- O meu nome é Mick St John, sou detective particular e estou encarregue de investigar o caso do "sugador"… - O detective fez o sinal de aspas com as mãos, parecendo divertido.
- Ah, sim, sei! É você que tem andado a "perseguir-me"…? – Beth decidiu ir direita ao assunto.
- Não digo "perseguir", mas sim "vigiar"…
- Porquê?
- Você é filha de David Nutter, certo?
- Sim.
- Acredito que você possa estar em perigo...
- Porquê?
- O seu pai trabalhou como polícia num caso chamado "True Blood", onde se encontraram pistas de uma possível existência de … hããã… vampiros…
Beth recordou-se, de imediato, das presas que vira no homem que a derrubara e falou: - E não existem?
- O seu pai acreditava que sim…mas é evidente que não… - O homem sorriu, como que para comprovar o quanto a pergunta dela não tinha sentido.
Beth esboçou um sorriso amarelo: - Então e pensa que agora alguém me queira ver morta só por causa das investigações do meu pai…? E tem estado a vigiar-me porque pensa que…
- Sim… que você e as suas irmãs podem estar em perigo…
- Oh meu Deus! Onde estão a Allie e a Cindy?
- Não se preocupe… elas estão bem… daqui a pouco já pode vê-las…
Beth e Mick entreolharam-se, o olhar dele captando a atenção da repórter que se sentia inexplicavelmente bem na sua presença e Mick sorriu para ela, ajudando-a a levantar e apontando para uma cadeira onde a roupa de Beth se encontrava cuidadosamente dobrada.
Naquele momento é que Beth se apercebeu que se encontrava apenas de roupa interior e sentiu-se corar, até que Mick disse:
- Eu espero lá fora; eu sei onde estão as suas irmãs.
Mick fechou a porta do quarto atrás de si e Beth começou a vestir-se.
Sam sabia porque se sentia assim: sabia que tinha sido a partir do momento em que conhecera Allison há 3 meses atrás. Ele vira-a primeiro e de cada vez que a olhava, sentia uma tranquilidade no seu coração, que ao mesmo tempo batia como um louco, ao ver o sorriso dela, até ao dia em que ela o viu também.
Fixaram-se durante longos momentos, mas Allison estava com Beth e depressa a seguiu, saindo do campo de visão de Sam, entristecendo-o.
Não só a considerou como uma das mulheres mais bonitas que vira, mas caracterizou-a com um tipo de beleza que nunca vira em nenhuma outra mulher: o seu cabelo era encaracolado até aos ombros, loiro, mas a face e o olhar, assim como os lábios e o sorriso, foi o que cativaram mais Sam.
O sorriso e as expressões faciais pareciam-lhe como as de um anjo: suave, quase infantil, mas ao mesmo tempo, com um corpo que lhe transmitiu tal sensualidade, que só de lhe tocar numa perna ou num braço, Sam não se reconhecia a si próprio.
Algo que nunca antes sentira, invadia-lhe o coração e todo o corpo; quando lhe tocava, sentia o seu sangue pulsar nas suas veias, sangue esse que ele considerava sujo, corrompido como o sangue de demónio de olhos amarelos e sentiu-se um monstro perante aquela mulher adormecida à sua frente.
Sam encontrava-se num quarto, sentado num sofá, olhando para Allison que dormia como um anjo na sua própria cama.
A respiração dela era calma, observando os seus seios acompanharem o ritmo respiratório do seu coração.
Os seus lábios encontravam-se rosados, voluptuosos, com um sorriso, a sua face corada e um semblante pacífico; Sam não conseguiu simplesmente desviar o olhar.
Dean e Cindy encontravam-se no quarto ao lado, Sam sabia, para sua surpresa, que Dean se encontrava verdadeiramente interessado em Cindy.
Tinham conhecido Cindy há cerca de 4 meses, quando a fotógrafa se viu presa por um grupo de lobisomens.
A partir daí, Cindy, que não fazia ideia da existência daquele mundo, passou a fazer parte dele e existira de imediato uma ligação muito forte entre ela e Dean.
Pelo que sabiam, Cindy não contara a ninguém que o mundo do sobrenatural existia, muito menos que existia quem o combatesse.
Sam sabia que Cindy tinha duas irmãs e quando Dean e Sam a iam levar a casa, era nessas alturas que, ao longe, ou mais perto, escondidos, viam Beth e Allison à porta da casa ou no carro.
Quando Sam vira Allison pela primeira vez, sentiu-se esperançado, como se uma luz muito forte incidisse e iluminasse o seu coração, aquecendo-o.
Desde que Jessica morrera, muito raramente estivera com uma mulher e sentira algo por alguma delas: a primeira tinha sido Sarah Blake, mas pela obrigação da caça, depressa partiu em direcção ao desconhecido; quando tornou a sentir algo por alguém, descobriu que era nada mais, nada menos do que uma criatura sobrenatural que tivera que matar com as suas próprias mãos.
A partir daí, era-lhe doloroso saber que qualquer mulher por quem se pudesse apaixonar podiam acabar mortas por si próprio ou por causa dele e naquele momento, ainda se sentiu mais sujo, um assassino.
Mas invejava o irmão, desejando sentir-se apaixonado de novo, desejando o toque de uma mulher no seu rosto, no seu corpo, desejando matar saudades de um beijo, de uma noite de amor, de ser acarinhado e de ter alguém que correspondesse e se apaixonasse por si.
Continuava a observar Allison, ainda adormecida à sua frente, até que um cansaço se apoderou dele e adormeceu.
Allison acordou pouco a pouco, sentindo-se quente e confortável.
Quando abriu os olhos, notou que não conhecia o lugar onde se encontrava, mas soube que era um quarto de hotel e olhou em volta: com o coração aos pulos, Allison apercebeu-se que se encontrava numa cama que só podia pertencer ao rapaz que se encontrava a dormir, no sofá ao lado, parecendo encontrar-se numa posição extremamente desconfortável.
Allison nunca conhecera dos namorados que tivera ou dos rapazes que já tinha observado a dormir, nenhum com uma expressão tão bonita.
Allison ainda não sabia o nome dele, lembrando-se naquele instante, de onde o vira mais do que uma vez, sempre acompanhado pelo outro agente e por Cindy.
Allison guardou na sua memória que teria que questionar a irmã mais tarde.
Allison levantou-se, procurando algo que lhe indicasse uma pista do nome dele, até que encontrou uma carteira onde se via duas fotografias: a dele com o outro agente que conhecera à tarde: "Dean e Sam Winchester",
Allison constatou que eram irmãos; a foto indicava que o da direita era Sam, por isso Allison soube imediatamente o seu nome e o seu coração bateu ainda mais depressa: adorava o nome de Sam. Sempre quisera que, quando fosse mãe, conceder o nome "Sam" a um futuro filho e continuou a observá-lo enquanto dormia: a expressão era de tal modo calma e perfeita que Allison não conseguiu desviar o olhar, notando com mais atenção em todos os pormenores da face de Sam e do seu corpo.
Sam encontrava-se vestido com uma camisa de flanela azul, com as mangas dobradas, evidenciando uns braços bonitos e musculados, com as veias surpreendentemente pronunciadas.
Clark era bem mais atlético que Sam, mas Allison admirou a forma como Sam, no seu próprio corpo, combinava a elegância com os músculos.
Em suma, Allison nunca conhecera homem mais bonito e mais perfeito em toda a sua vida e passou a admirar também os seus lábios, o seu nariz, as sobrancelhas, o cabelo; Allison sabia que o seu namorado era Clark, mas não queria sair dali, não queria ir embora e considerou-se uma traidora.
Sempre amara Clark desde que o conhecera e considerou-se uma idiota por começar a sentir algo por um rapaz só porque o considerava irresistivelmente atraente e sedutor.
Allison decidiu ir embora, mas acidentalmente foi contra os pés da cama, magoando-se terrivelmente e ouvindo-se um estrondo.
Allison pôs-se em pé coxinho, enquanto Sam acordava sobressaltado.
De inicio, pareceu atarantado, mas Allison não pôde deixar de notar nas suas mãos e na forma como Sam acordava e coradíssima, caiu para trás.
Sam levantou-se de um salto e aproximou-se de Allison, colocando as suas bonitas mãos na cintura dela, bastando aquele simples gesto para a levantar, até que segurou nela ao colo, estendendo-a ao comprido na cama.
- Allison, está bem?
A voz; era a primeira vez que ouvia a voz dele e questionou-se, incrédula, se aquele homem à sua frente teria algum defeito.
Exteriormente, pelo que parecia, não e Allison sentiu uma curiosidade invadir-lhe o coração.
- É o pé! Mas já passa!
Também Sam não pareceu conseguir reagir, quando ouvira a voz dela; soou como música nos seus ouvidos: uma voz calma, melódica, sensual.
Allison sorriu, notando no rubor que surgia na face de Sam, que a fixava, até que pigarreou, parecendo embaraçado e esboçou um sorriso tímido, baixando a cabeça; Allison não conseguia respirar, encarando os dentes perfeitos e brancos do rapaz à sua frente, até que o ouviu perguntar. Incrédula: - És vampira?
Allison ainda se lembrava das presas que julgou revelarem-se na boca do homem que a prendera, mas julgava que era apenas uma alucinação. Poderiam realmente os vampiros existir?
Poderia aquele homem morto no chão, ter sido vítima de um vampiro?
E com um sorriso de troça, visualizou-se com um artigo escrito por si e mostrá-lo à sua nova e recente chefe Tess Mercer, ao qual ela respondia:
-Allison Turner, está despedida!
Allison acordou do seu devaneio e encarou Sam; poderia Sam ser um vampiro? E sentindo-se assustada pela primeira vez, tentou levantar-se, mas o pé ainda lhe doía e Sam incentivou-a a deitar-se, com um olhar e um tom de voz tão carinhoso que Allison não pensou mais que aquela obra de arte desenhada por Deus, pudesse ser algo maligno e sorriu.
Sam tirou-lhe o sapato e tocou no seu pé.
Allison não soube como ele lhe fez aquilo, mas ao sentir o toque dele na sua pele, um toque quente, fechou os olhos.
Quando os tornou a abrir, Sam olhava-a, mas Allison não soube decifrar o significado do seu olhar, até que ela se sentou de novo na cama, procurando calçar o sapato até que o conseguiu.
Sam encontrava-se, desta vez, de cabeça baixa: - Até os seus pés são perfeitos!
-Acha?
- Por favor, trata-me por tu! – Sam pediu em tom implorativo, notando Allison, pela primeira vez, que o olhar dele parecia o de um cachorrinho abandonado e resistiu ao impulso de o abraçar – Tu és Allison, não és?
- Como sabes?
Sam tornou a revelar o mesmo sorriso que deixava Allison quase sem respiração.
- Tu e as tuas irmãs são bastante conhecidas no mundo do Jornalismo… Beth, Cindy e Allison Turner, as melhores jornalistas do Buzzwire.
-E porque a Cindy te disse? – Alvitrou Allison.
Sam fixou-a com um olhar tão caloroso que a deixou sem fala.
Se Allison se pudesse descrever como se sentia naquele momento, não iria encontrar palavras para tal: era uma mistura de emoções e mais uma vez Clark lhe surgiu na mente, até que Sam tornou a falar, novamente:
- Como sabes?
- Eu lembro-me de ti. A minha irmã já vos conhecia, certo? Tu e ela…
- Não… - Sam abanou a cabeça, com força, sorrindo para ela, meigo – Mas com o meu irmão, Dean…
Um silêncio significativo abateu-se sobre eles, até que Allison se levantou de novo; desta vez, o pé já não lhe doía e conseguiu dirigir-se para onde se encontrava o seu casaco.
Sam levantou-se também, desta vez com um sorriso tristonho; se Allison o encarasse por muito mais tempo, não resistia ao impulso de o confortar.
- Já estás bem?
- Obrigada, Salvaste-me a vida! – Allison concedeu-lhe um beijo na face que Sam sentiu como uma onda de calor a percorrer-lhe o corpo e desviou o seu olhar do dela.
Allison começou a dirigir-se para a porta, quando Sam falou mais uma vez: - Toma, fica com isto! – Sam estendeu-lhe um cartão, onde Allison notou ter o seu número de contacto.
Allison sabia perfeitamente porque é que numa questão de segundos, aceitara o cartão, mas custava dizê-lo em voz alta, até que tirou uma caneta que tinha no interior do seu casaco e escreveu o seu número na palma da mão de Sam; antes que mais alguma coisa fosse feita ou dita, Allison abre a porta e sai do quarto de hotel, sabendo que começava a transpor uma barreira que sabia poder não conseguir ultrapassar ou retroceder.
