Black Crystal – 1x03

Dean e Cindy suspiravam de prazer, depois de mais uma vez, se entregarem nos braços um do outro, tanto Cindy como Dean contando as horas para se verem, conhecendo-se cada dia mais e dependendo cada vez mais um do outro.

Cindy não contara nada às irmãs, que desde há 4 meses, conhecera dois caçadores de criaturas sobrenaturais e que mais ainda, se tinha apaixonado por um deles.

Se ambas soubessem, Beth principalmente, advertia-a imediatamente dos casos românticos anteriores e do quanto sofrera com eles.

Teria sido escolha de Cindy omitir o facto, porque também ela queria saber até onde aquela relação podia ir.

Depois de sentirem calor uni-los ainda mais, percorrendo-lhes o corpo, Cindy aninhou-se no peito de Dean, suspirando ao mesmo tempo que Dean lhe concedia festas carinhosas no ombro e no cabelo.

- Dean?

- Sim?

- Quem era aquele homem que levou Beth?

- Um vampiro.

Cindy ergueu-se, assustada, sentando-se na cama, de modo a encarar Dean, os seus seios expostos, nos quais Dean tocou suavemente, contemplando-os.

- Não te preocupes, Cindy. Ele não a vai morder…

- Porque dizes isso?

- Porque ele está apaixonado por ela…

- Oh meu Deus! Isso ainda é pior!

- Nope, não é! Se eu fosse um vampiro, nunca te converteria…

- Sério? Porquê?

- Ah! Ah! Querias ser vampira? – Dean parecia surpreendido.

- … Nah! Mas tens a certeza…?

- Yap, tenho. Ele vigia-a desde pequena… digamos que ele a ama… Confia em mim…

- Como é que tu e o Sam o conheceram?

- Ele salvou-nos a vida. Ele é dos bons e nunca nos fez mal… nem nunca tocou um dedo em nós… Ele é porreiro…

- Uau! – Cindy tornou a aninhar-se no peito de Dean, que puxou os cobertores para a agasalhar – Excitante!

- Achas?

- Mas não mais excitante que tu! – Cindy deu um beijo nos lábios de Dean, que correspondeu e segundos depois Dean não resistiu a entregar-se mais uma vez nos braços daquela mulher, esquecendo-se de tudo o que os rodeava.

Sam não soube dizer se ficou feliz ou não, mas olhou incontáveis vezes para o número que ela lhe tinha escrito a caneta na sua mão e apressou-se a apontá-lo no telemóvel, como se tivesse receio que o número desaparecesse, só se parecendo dar conta que a caneta de Allison se encontrava na sua mão; Allison tinha-se esquecido dela.

Sam também se lembrou naquele momento que Allison tinha um namorado e a forma como ela se comportou enquanto com ele, revelou-lhe que era uma rapariga inteligente e com valores morais; uma qualidade interior que descobriu nela e mais uma vez amaldiçoou-se por ter tanto azar na vida com as mulheres, ou porque morriam ou porque tinham que morrer ou porque já tinham namorado.

Sam deitou-se na cama, mas sentia o perfume dela na sua almofada: o perfume começou a enlouquecê-lo até que Sam saiu do quarto para a noite, procurando acalmar-se.

Quando Allison chegou a casa, Beth já se encontrava à sua espera, recebendo-a com um sorriso.

- A Cindy?

- Está com o Dean! Não te preocupes, mana.

- Mas onde está ela? E quem é o Dean?

- O Dean é aquele agente do FBI que conheceste hoje, mana. Ela deve estar no quarto de hotel com ele… Ih! Ih! – Allison soltou uma risada.

- OH Crist. A Cindy não aprende mesmo… Allie, o Clark está cá… está no teu quarto…

- …AH… Ok!

Beth sorriu para ela e Allison dirigiu-se ao seu quarto, onde Clark andava de um lado para o outro.

- Oh, Allie…'tás bem? – Clark abraçou-a num aperto forte, até que a beijou nos lábios, num beijo ardente – Eu não acredito…

- I'm Ok, Clark…

- Não é isso… - Clark soltou-a, sentando-se na cama dela, até que desabafou: - Eu não pude ir salvar-te, Allie… ' Tava tão ocupado… 'tava no meio de um incêndio… salvei 3 crianças… eu nem ouvi gritos teus, nada… porque não me chamaste? Eu ouviria-te em segundos e…

- Clark, pára! I'm Ok! Não podias fazer tudo ao mesmo tempo… por mais rápido que sejas…

- E se tivesses morrido…? Eu não viveria com isso…

Allison aproximou-se de Clark, ajoelhando-se no chão e calou-o com um dedo seu nos lábios dele, carinhosa – Mas eu estou aqui, Clark… não morri…

Clark fê-la sentar-se no seu colo e mais uma vez abraçou-a, deixando-se assim ficar por longos minutos, até que Clark sentiu o cansaço dela, ajudando-a a deitar-se, carinhoso, observando-a enquanto dormia, contemplando o seu sono calmo.

De seguida, saiu do quarto e com um suspiro, partiu para a noite, enquanto o som de um pedido de socorro desesperado lhe surgiu através da sua audição apurada.

Beth preparava um café com leite, quando Allison lhe surge, de roupão e chinelos, diante de si, na cozinha.

Allison também ficou surpreendida por ver a irmã àquelas horas, ainda acordada, pensativa, sonhadora: - Beth? Que se passa? São duas da manhã!

- Allie?

- Sim?

- Posso fazer-te uma pergunta? E eu não acredito que 'tou a pedir conselho a uma rapariga mais nova – Beth abanou a cabeça - … mas como soubeste tu que o Clark… quero dizer… não tens dúvidas…? Como sabes que ele é o certo para ti?

- Não sei… - Allison baixou a cabeça.

- … Allie?

- O quê? – Allison continuava de cabeça baixa.

- Que se passa?

- Perguntaste se não tinha duvidas…? Por vezes tenho e por incrível que pareça… hoje pioraram…

- Oh meu Deus! Foi aquele agente?

- Sam…

- Ele chama-se Sam?

- Yap! E o loiro é o Dean! A Cindy está com ele agora…

- Uau! Já sabes o nome dele?

- Ele salvou-me daquele homem… hããã… - Allison lembrou-se das presas e abanou a cabeça, afastando mais uma vez a ideia – E… ele… levou-me para o quarto dele – Desta vez, Allison corou e esboçou um sorriso sonhador.

- Oh Allie, que aconteceu?

- Nada… acredita… ele simplesmente deitou-me na cama dele e…

- E? – Beth parecia apreensiva.

Allison contou tudo o que tinha sucedido e quando acabou, levantou-se do banco à frente de Beth e dirigiu-se para o frigorifico de onde retirou uma bebida fresca, bebendo-a quase toda de uma vez.

Beth observou-a atentamente, até que falou: - Eu acho que te compreendo…mas eu ao menos não tenho namorado; Josh morreu recentemente, por isso não fico com a consciência…

- Yeah, I know… Damn it! – Allison fechou os olhos, até que falou: - Pela primeira vez na vida, mana, 'tou com sérias dúvidas e…

- … Sim, acredito – Beth sorriu – mas já pensaste que provavelmente, nunca mais o vais tornar a ver?

- Hããã…

- O que foi?

- Trocámos de número de telemóvel…

- Oh Allie! – Beth parecia recriminar a irmã.

Allison baixou a cabeça e nada disse até que colocou a embalagem fria de bebida contra o coração, face, pescoço.

Beth soltou uma risada – Eu acho que te compreendo, mana…

- A sério? Como assim?

- Já há dois meses que não tenho ninguém. Antes de vir para aqui, tive um sonho… com o homem que me salvou… tu percebes…

- Sim, percebo… eu de cada vez que fecho os olhos, só a imagem dele me surge na mente…

- O Sam?

- Sim – Allison estava séria.

-Allie… antes que dês em louca de tanta dúvida, porque não o esqueces? Estás apaixonada?

- Não sei…

- Mas ainda amas o Clark?

- Sim… - Allison encarou Beth, pigarreando.

- Allie, a única maneira de acabares com as dúvidas é…

- Sim, já sei, esquecer o Sam!

- Não!

Allison encarou a irmã mais velha, que falou: - Por vezes, rapazes como o Sam surgem nas nossas vidas… quem sabe se o Sam não é apenas paixão… uma paixoneta e talvez, quando o conheceres melhor, se o quiseres conhecer melhor, aí comproves que Sam não é o homem indicado para ti… e que não passa mesmo disso…!

Allison pousou a lata de refrigerante sobre o balcão, encarando a irmã com um sorriso, até que a abraçou: - Adoro os teus conselhos. Eh! Eh!

Beth sorriu compreensiva, vendo a irmã voltar para o quarto, minutos depois, enquanto Beth continuou acordada, até que quando eram já 04:00 da manhã, se decidiu a voltar para o quarto.

Quando Allison voltou ao quarto, sentia-se muito melhor, depois da conversa que tivera com a irmã.

Allison sabia que não ia conseguir dormir nada durante a noite, mas deitou-se na cama até que reparou que tinha uma mensagem no telemóvel; pensou que seria Clark e abriu a pasta das mensagens para a ler, mas com o coração em alvoroço, constatou que era de Sam, que dizia apenas: " Allison, sou eu, o Sam. Era só para dizer que deixaste a tua caneta comigo. Se quiseres reavê-la, sabes onde me encontrar".

Allison não pode evitar sentir uma dor no coração, quando respondeu: "Guarda-a", lembrando-se automaticamente de Clark.

Lois Lane não queria acreditar que Clark Kent poderia ser um afectado pelos meteoros. Allison sabia de algo, isso Lois tinha a certeza, mas Lois não fazia a mínima ideia que tipo de habilidades teria Clark, apesar de já ter testemunhado determinados factos feitos por ele, algo que julgara Lois ter esquecido.

Por isso, sentia-se curiosa em relação a ele; queria descobrir com quem estava a lidar, mas Lois também sabia que Clark não era como os outros: desesperado, paranóico, mau, falhado, pelo contrário, Lois considerava-o o homem mais carinhoso, preocupado, amigo, atencioso, que alguma vez conhecera e não podia evitar o seu coração bater quando o via, imaginando como seria um beijo dele, um abraço e mesmo uma noite nos braços dele, não conseguindo evitar inveja da sua prima Allison.

Lois sabia estar apaixonada por ele, mas também sabia que Clark não a podia ver à frente: a forma como lhe respondia, implicativo, trocista e isso por mais que disfarçasse, magoava-a.

Lois avançava em direcção à seguinte reportagem; desta vez, um corpo tinha sido encontrado esmagado pelo que parecia por mão humana, quando se depara com Clark.

- Oh não! Os meus dias de paz acabaram…

Clark olhou na direcção dela: - Que estás aqui a fazer? A tentar ver se me roubas outra vez a reportagem? Podes tentar mas não vais conseguir…

- Oh Porquê? 'tás com medo que eu o consiga!? Ah Ah! Essa já não seria a primeira vez.

Clark tornou a assumir aquela expressão impaciente que tanto divertia Lois, mas nada mais disse.

O corpo encontrava-se também envolto por fita amarela; Jimmy Olsen seguia Lois de perto e tirava fotografias, assim como outros fotógrafos do Buzzwire, até que são afastados pela polícia.

Clark olhava muito atentamente em direcção a um ponto específico do chão.

- Clark, sofres de estigmatismo? Porque olhas tão fixamente para o chão? Que tem? – Lois aproximou-se do corpo, tentando ver algo que não conseguia – Dude, és mesmo estranho…- Lois virou-se na direcção de Clark, mas este tinha já desaparecido.

- Oh Great! Lá fiquei eu a falar sozinha outra vez! – Resmungou Lois, que partia agora em direcção a um dos agentes, com um sorriso sedutor artificial.

- O que descobriste, Clark? – Allison e Clark encontravam-se debruçados sobre uma pista que Clark achara no chão da cena do crime – Tens a certeza que ninguém te viu?

- Tenho, Allie! Sabes que eu me movo à velocidade da luz!

- Ok! Ok!

- Isto é nada mais, nada menos, do que uma presa…

- Presa? De quê? – Allison tinha os olhos muito abertos, olhando, assustada, para Clark.

- Vampiros…

Allison abriu muito os olhos; era já a enésima vez que ouvia aquela palavra e abanou a cabeça, incrédula.

- Ya, I know! Custa a acreditar, não é?

Allison falou a custo, pouco depois: - Eu estou aberta a todas as possibilidades… quer dizer, se existem E.t's – Clark e Allison trocaram olhares, Clark rebolando os olhos, olhando para todos os lados – E se existem pessoas que conseguem respirar e viver debaixo de água e o rapaz- relâmpago, para não falar do canário verde…

- Arqueiro verde! – Corrigiu Clark, divertido.

- Whatever… será que custa a acreditar que existam vampiros?

Clark suspirou, parecendo também ele, não ter resposta.

- Que mundo é este em que estamos? Uau! Parece um sonho…

- Allie… Ainda não sabemos… pode ser apenas um animal… qualquer coisa…

- Ok! Onde vamos a seguir?

Eram 23:00; Allison, Clark e mais dois rapazes de nome Bart e Oliver Queen, 2 membros que Allison sabia ser da liga da Justiça, seguiram-nos até à rua onde Allison tinha sido atacada, juntamente com as irmãs.

Clark procurava pistas enquanto Bart se aproximou de Allison:

- Allie? – Bart tinha um sorriso muito aberto para Allison – tenho aqui uma ferida! Será que me podias curar? – Bart mostrou um enorme arranhão, bastante feio no seu braço esquerdo; Allison sabia que Bart, o rapaz- relâmpago, tinha uma paixoneta por ela e não se conteve em sorrir para ele, com simpatia.

- Bart! Agora não á altura para flirtar. Porque é que eu te trouxe? – Oliver, o arqueiro verde, bufou incrédula.

- Não faças isso, Allie! - Gritou Clark a alguma distancia – Não se esqueçam que eu vos ouço… e se a Allie utilizar os seus poderes ficará fraca e…

- Ya, ya, I know… - Bart pareceu amuar, afastando-se de Allison, mas não se cansando de a mirar, sorrindo para ela.

- Encontrei alguma coisa – Tornou a falar Clark.

Os 3 aproximaram-se dele até que reconheceram mais presas nos dedos de Clark.

Naquele momento, no entanto, um som que eles não conheciam, surgiu-lhes nos ouvidos e três homens, movendo-se a uma velocidade estonteante, atiraram com Allison a um canto, que caiu sem sentidos.

Bart e Clark lutaram contra eles, Clark igualando-lhes na força, mas tanto ele como Bart superando-os na velocidade, conseguindo em segundos, derrubar dois deles.

Minutos depois, Clark reconheceu Cindy, que se aproximava deles acompanhada por 2 rapazes que Clark nunca vira.

Um desses rapazes aproximou-se de um dos vampiros e decapitou-o com um só golpe, com um facalhão, o mais alto fez o mesmo ao segundo vampiro.

Clark não queria demonstrar as suas habilidades, por isso deixou Oliver, com o seu arco e flecha, atirar uma seta em pleno coração do vampiro, do coração já morto e frio, uma seta envolta em Kriptonite verde, mas tal como esperavam, não provocou qualquer dano ao vampiro que, em segundos, conseguiu fugir.

Quando Clark olhou em volta, constatou que Cindy e o rapaz mais alto se encontravam debruçados, parecendo aflitos, sobre Allison.

Clark aproximou-se, afastando Cindy, calmamente e também ele procurou reanimá-la.

Para preocupação de todos, Allison acordou demasiado devagar, mas a preocupação maior veio a seguir, quando Allison abriu os olhos, revelando a íris e os olhos, na sua totalidade "manchados" de negro.

- Damn it! Ele possuiu-a! Damn it! That sono f a b***! – Dean tirou uma garrafa que Clark pensava ser de uísque, mas antes que algo sucedesse, Allison, com um simples gesto da mão, atirou com Dean contra uma parede, a garrafa caindo ao chão e ainda com os mesmos olhos pretos e com um sorriso maldoso, troçou: - Uau! Isto vai ser divertido.