ENTRANDO NUMA FRIA
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, mas eu amo o Saga mesmo assim.
Boa Leitura!
Em resposta ao desafio da Hana-Lis "O improvável acontece".
Capitulo 2 : A Madrinha.
.I.
Remexeu-se inquieta na cama, sentia alguma coisa estranha, talvez fosse o colchão que parecia ser mais fofo do que se lembrava, ou aquele calor quase insuportável que estava sentindo; ela pensou anestesiada pelo sono.
Virou-se de lado, deixando o cobertor deslizar por seu corpo até cair no chão, abraçou o travesseiro e tentou abrir os olhos lentamente. Lembrava-se de ter embarcado em Moscou, para ir visitar a irmã e ajudar nos preparativos do casamento.
Lembrava-se também de Shun pegá-la no aeroporto, mas e depois? Abriu os olhos completamente e viu-se em um quarto estranho, as paredes tinham um tom clássico de azul, cortinas brancas e moveis rústicos, combinando com todo o resto.
Havia duas portas no cômodo, uma provavelmente a do banheiro anexo. Sentou-se na cama, arrumando os longos cabelos que estavam despenteados, notou ainda estar vestindo a roupa que chegara, mas que estava toda amarrotada.
Por quanto tempo deveria ter dormido? Pelo que se lembrava chegara à tarde no aeroporto e o cavaleiro lhe trouxe para a mansão, mas estava tão cansada que deveria ter pegado no sono; ela pensou.
Levantou-se e caminhou até uma penteadeira do outro lado do cômodo, franziu o cenho ao encontrar uma grande camisa de cetim azul ali e um papel sobre o mesmo.
(...)
Imaginei que fosse sentir calor pela madrugada, estamos em plena primavera aqui e o tempo é bem diferente de Asgard, imagino que suas roupas pudessem ser pesadas demais, desculpe não vir lhe ver antes, mas você parecia tão cansada que Shun não me deixou te acordar.
Mas caso acorde com fome, deixei na cozinha um lanchinho preparado pra você e lhe aconselho a ir logo comê-lo, porque se depender do Seiya, você não encontrará nem os potes que coloquei as coisas, inteiros.
Pela manhã conversamos, estava morrendo de saudades e tenho tantas coisas pra te contar, mas amanhã com certeza.
Um beijo de sua querida irmã.
Fréya.
(...)
Sorriu, era bem típico da irmã estar tão agitada, ainda mais com a chegada do casamento. Deu um baixo suspiro, enquanto deixava o bilhete de lado e pegava a camisa de cetim. Deveria ser alguma espécie de camisola, mas não era nada transparente, por sorte; ela pensou com a face levemente aquecida.
Retirou as roupas que já lhe incomodavam e vestiu a camisa, deixando apenas os dois primeiros botões abertos. Voltou-se para um alto espelho do outro lado do quarto e fitou-se atentamente.
Parecia outra pessoa, embora só houvesse mudado a roupa. Depois de tantos anos decidira que não podia se impedir de viver. Ainda sentiria muito a falta de Siegfried, pois antes de ser o amor da sua vida, ele também era seu melhor amigo e perder os dois ao mesmo tempo, ainda doía.
Entretanto, aprendera ao longo dos últimos três anos que o tempo não parava e que já fora covarde demais, ao se deixar dominar por aquele anel, então não seria de novo, pendurando a toalha sem lutar.
Havia decidido ajudar a irmã com o casamento e a chance de mudar de ares fora uma das coisas que mais lhe motivou a vir. Queria conhecer pessoas novas, uma cultura diferente e acima de tudo, se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse o passado.
Balançou a cabeça levemente para os lados, não iria pensar agora. Como não havia amanhecido, era melhor dormir mais um pouco; Hilda pensou, mas antes de chegar a cama ouvindo um barulho estranho. Olhou para os lados e não encontrou nada, até ouvi-lo de novo.
Sentiu a face corar ao notar que era o próprio estomago a fazer aquele ruído estranho. Pelo visto teria de antecipar o lanchinho, mas como sair dali daquele jeito? –a jovem se perguntou. Não havia um hobby por perto, mesmo a camisa não sendo transparente era mais curta do que costumava usar seus vestidos, chegava a um palmo abaixo dos joelhos e na sua opinião não era algo adequado para sair andar pela casa a noite.
Ouviu novamente aquele ruído estranho, era assim ou nada; Hilda pensou, era melhor ir atrás da cozinha e torcer para não se perder.
Aproximou-se da porta e parou ao ver que sobre um aparador ao lado da mesma estava algumas indicações, um pequeno mapa provavelmente feito por Fréya, para explicar onde ficavam as coisas na casa. Olhou rapidamente para o papel e localizou a cozinha.
Era fácil, só descer as escadas, virar a esquerda, depois à direita e por fim, a esquerda de novo ao passar pela sala de jantar. Respirou fundo e saiu. Colocou a cabeça pra fora espiando o corredor, depois de constatar que não havia ninguém ali, deixou o quarto.
.II.
Digitou as últimas linhas do e-mail, antes de alongar os braços pra cima, sentindo a coluna estalar. Não fazia a mínima idéia de que horas eram, mas deveria ser madrugada. Trabalhara a noite toda quase pra conciliar seu trabalho na vice-presidência da fundação e o outro como padrinho, sem deixar nada pendente.
Estava de férias da empresa por um mês, mas ainda sim, prestava acessória ao irmão que lhe substituía. Ikki simplesmente detestava ficar confinado em sua sala, tendo de fazer o trabalho burocrático, mas estava lhe ajudando, já que ele ficara com a parte difícil do casamento de Hyoga e iria passar por isso novamente dali a alguns meses.
Entretanto agora sua preocupação era com a madrinha, como poderia dividir as responsabilidades com Hilda, sem que perdessem mais tempo? Durante o jantar Fréya dissera que havia preparado uma lista básica para Hilda, contendo o que queria para o chá de panelas e para o casamento.
Provavelmente a lista continua os tópicos que ele já estava resolvendo, como buffet, decoração e os músicos. Sem contar é claro, os convites para o chá de panelas e os presentes.
Deu um baixo suspiro, Hyoga estava simplesmente radiante com a possibilidade de não ter nenhuma surpresa no chá de panelas da noiva, sabia o quanto Fréya andava empolgada com algumas idéias americanas demais, para o gosto do cisne e, deixar que a noiva se divirta com algum Go Go Boy vestido de marinheiro antes do casamento estava fora de questão. Não que não confiasse em Fréya, ele só não queria ter nenhum rival em potencial.
E, sendo Hilda a cuidar dessas coisas, ele estava bem mais aliviado por poder confiar na madrinha da noiva. Entretanto, Shun desconfiava daquela lista de Fréya, não sabia ao certo o porquê, mas algo no olhar da jovem lhe trairá. Só esperava que ela não houvesse aprontado nada.
Clicou em enviar e mandou o e-mail para o fornecedor de flores. Lírios, gérberas e rosas, todas flores deveriam ser frescas e de cores vibrantes, para decorar a mesa e criar alguns arranjos para o salão de festas. No e-mail, havia pedido ao fornecedor que separasse uma amostra das flores para que ele e Hilda fossem ver no dia seguinte e aprovar ou não os arranjos.
Ela possivelmente entenderia mais do gosto da irmã do que ele, então, preferia esperar, mesmo já tendo adiantado bastante.
Deu um baixo suspiro, não iria conseguir dormir àquela hora mesmo, o relógio em cima da mesa piscava cinco horas em vermelho, quem sabe se descesse e tomasse café, teria pique para dar uma caminhada antes de começar a correria; ele pensou levantando-se.
Alongou o corpo, sentindo os músculos relaxarem depois de tanta tensão. Vestindo apenas uma calça de cetim azul-petróleo, deixou o quarto, ninguém estava acordado àquela hora, então não iria ficar se preocupando em trocar de roupa.
Desceu as escadas até a cozinha, mas antes de chegar franziu o cenho ao ver que a luz já estava acesa. Estranho! –ele pensou aproximando-se cauteloso.
-o-o-o-o-o-
Remexeu-se inquieta na cama até abrir os olhos. Estranho, acabara de ouvir um barulho vindo do andar de baixo.
-Alguma coisa aconteceu na cozinha; Ikki falou levantando-se a seu lado.
-Ainda é muito certo para alguem já estar acordado; a jovem de melenas loiras falou bocejando. –Deve ser impressão a sua;
-Não acredito, fique aqui, vou descer e dar uma checada; o cavaleiro falou levantando-se.
-Espera, vou junto, já acordei mesmo; June murmurou levantando-se, enrolou-se em um hobby que estava aos pés da cama e seguiu o noivo para fora.
-o-o-o-o-o-
-Droga, onde estão? –Hilda murmurou, já olhara em todos os armários e não encontrara os pratos.
Também, numa cozinha enorme como aquela, havia tantas portas que ela simplesmente não sabia onde procurar. Fréya deixara alguns potinhos com vários tipos de comida, mas não os pratos nem os talheres, já procurara em todo lugar que alcançava, agora havia decidido subir em uma cadeira e ver as portas mais altas.
Respirou fundo, e ficou na pontinha de um pé, para alcançar uma das portas, abriu-a e olhou rapidamente la dentro, não tinha prato algum ali também.
-Quem deixou a luz acessa? –uma voz indagou atrás de si.
Assustou-se na pressa de se afirmar na cadeira e abaixar a camisa que havia levantando, quando havia inclinado-se para abrir a porta, que mal notou o momento que a mesma correu, fazendo-a perder o equilíbrio.
Fechou os olhos esperando o momento que cairia contra a bancada de mármore abaixo, um grito ficou preso em sua garganta, enquanto seu coração disparava e podia ouvi-lo bater em seus ouvidos.
-Você esta bem? –uma voz conhecida perguntou.
Bem, tudo depende do ponto de vista; ela pensou, tentando afastar os cabelos revoltos que caiam sobre seus olhos. Não havia caído contra a bancada, mas sim, contra algo muito, mas muito macio e quente. Uhn! Que estranho, não se lembrava de ter um tapete ali, quando subiu na cadeira.
-Aonde guardam os pratos nesse lugar? –ela indagou exasperada, erguendo os orbes, mas surpreendeu-se ao ver que uma de suas mãos jazia apoiada sobre o peito desnudo do cavaleiro.
Sentiu a face corar, quando a consciência do que havia acabado de acontecer, começou a tomar forma em sua mente. Seus olhares se encontraram, as íris azul-esverdeadas do cavaleiro tornaram-se levemente nubladas e pode sentir o momento que o coração bateu mais forte sob a palma de sua mão e a respiração tornou-se mais pesada.
-Na primeira porta a esquerda; Shun falou, sem desviar o olhar da jovem.
Por muito pouco ela não se machucara e ele ainda estava tentando compreender como conseguira mover-se tão rápido. Entretanto, teria de explicar mais tarde o porquê o vaso de porcelana chinesa que estava sobre a mesa agora jazia destruído no chão.
Já que ao saltar sobre a mesa para segurar a jovem antes da queda, escorregara na toalha e perdera o equilíbrio, acabando por arrastar tudo para o chão consigo.
Respirou fundo, tentando acalmar os batimentos cardíacos, mas a presente situação era inusitada e estranhamente perturbadora; ele pensou, observando os contornos sinuosos da jovem, totalmente expostos pela longa camisa de cetim azul, bem diferente do longo vestido que a vira usar nas duas vezes que estivera em Asgard.
-Espero que não tenha se machucado; ele falou num tom de voz baixo, deliciosamente caloroso, enquanto erguia um dos braços para alcançá-la e com a ponta dos dedos, afastava os últimos fios azul-platinados que caiam sobre os olhos dela e os prendia atrás da orelha.
-Não, eu...; ela balbuciou, sentindo a face aquecer-se novamente e seu coração começar a disparar. estremeceu ao sentir uma onda de calor percorrer seu corpo, começando pela face aonde ele tocara, embora fosse um breve roçar.
-Isso que é lanchinho noturno; uma voz bem humorada falou vinda da porta.
Viraram-se rapidamente a tempo de ver, todos, sem exceção, na entrada da cozinha lhes fitando com olhares e sorrisos nada descentes.
-Por Odin; Hilda gemeu desesperada.
-Seiya; todos exasperaram.
Estavam na platéia, ansiosos para ver o que iria acontecer, mas a mala tinha de abrir a boca; Fréya pensou, com os orbes serrados voltados para o cavaleiro.
-Não vou perder tempo explicando algo que vocês não vão querer acreditar; Shun falou, levantando-se e ajudando Hilda a ficar em pé, embora a jovem sentisse que iria desabar a qualquer segundo.
-Vocês estão bem? Ouvimos um barulho; Fréya falou preocupada, aproximando-se da irmã.
-Não, eu cai da cadeira; Hilda respondeu envergonhada pelo que acontecera.
-Nossa, as coisas já chegaram a esse ponto; Seiya provocou, recebendo um olhar letal de Andrômeda.
-Fique quieto Seiya; Shyriu mandou, antes que acontecesse alguma coisa.
-Meu vaso de porcelana chinesa; Saori murmurou, ao ver caquinhos avermelhados espalhados pelo chão.
-Como você conseguiu quebrá-lo ao cair da cadeira? –Fréya indagou curiosa, voltando-se para a irmã.
-Na verdade, fui eu que quebrei; Shun adiantou-se. –Fui tentar segurá-la e acabei puxando a toalha; ele completou, antes que Seiya pudesse abrir a boca.
-Mas vocês estão bem? –Ikki indagou, aproximando-se preocupado, mas notou que o irmão esquivou-se um pouco, então refreou seus passos, ficando imediatamente tenso.
-...; Hilda assentiu timidamente.
-Então podemos voltar pra cama, é muito cedo para estar acordado; Saori falou, bocejando.
-Concordo; Fréya falou, antes de voltar-se para a irmã. –Tem certeza que não se machucou?
-Não, eu...; ela falou voltando-se instintivamente para Shun, mas franziu o cenho ao ver um fino filete vermelho correr pelo braço dele. –Você sim;
-Uhn? –ele murmurou, virando quase de costas para enxergar o corte que fizera, provavelmente havia caído em cima de algum caco, mas antes que pudesse fazer algo, sentiu o toque delicado das mãos da jovem sobre sua pele.
Uma luz azulada a envolveu, dando-lhe uma forma etérea, uma onda de calor abraçou-o e em poucos segundos o corte havia desaparecido.
-Obrigado; ele murmurou voltando-se para ela.
Um estranho silêncio caiu sobre a cozinha, todos observavam a cena com ainda mais curiosidade. De uns tempos para cá, o cavaleiro havia se tornado um pouco introspectivo e mesmo quando lhe perguntavam se estava bem, ele tendia a se retrair e se afastar, do que permitir que alguem alem de Ikki se aproximasse.
Entretanto, até isso havia mudado, desde que Ikki e June tornaram o romance publico e surgiram com a noticia de que iriam se casar, mesmo que todos apostassem que ela e Shun ficariam juntos.
Shun pareceu reagir bem, entretanto não era preciso ser um gênio ou ter bola de cristal, para ver que as coisas andavam meio tensas e que, a desculpa do casamento de Hyoga se aproximar, fora a chave para impedi-lo de pensar em outras coisas.
Mas a forma como haviam no pegado junto com Hilda naquela cozinha, por mais inocente que fosse, era bem sugestiva.
-Bem, vamos então; Fréya falou, empurrando Hyoga e por conseqüência os demais para fora da cozinha.
-Eu, bem... ; Hilda murmurou, quando ficaram sozinhos.
-Não ligue para eles; Shun falou soltando um suspiro de alivio. –Seiya só usa a cabeça quando tem de enfrentar alguma divindade neurótica, em dias comuns ele age no piloto automático e dificilmente usa a cabeça para pensar algo útil; ele falou afastando-se, enquanto aproximava-se da geladeira.
-Uhn? –ela murmurou, vendo-o retirar uma jarra de suco de dentro da geladeira e colocar sobre uma bancada.
-Esta com fome, não? –ele indagou, diante do olhar cauteloso dela. –Pela manhã o pessoal da cozinha da um jeito nisso aqui não se preocupe, quanto aos pratos; ele falou seguindo até a porta que lhe indicara.
Hilda seguiu-o com o olhar e maldisse sua falta de sorte, se ele não houvesse chegado, teria encontrado os pratos, já que era a porta ao lado da que estava abrindo quando caiu.
-Ahn! Ontem Fréya me falou que lhe deu uma lista de prioridades; Shun começou, enquanto colocava dois copos em cima do balcão próximo ao fogão, onde era reservado os lanches rápidos.
-Eu encontrei uma lista quando estava saindo; ela comentou, vendo-o abrir os potes que a irmã deixara com os lanches e indicar para que ela se sentasse num banco do outro lado do balcão.
-Imagino que ela deve ter mencionado o buffet e as coisas para o chá de panela? –ele indagou, enquanto via a face da jovem tornar-se levemente rosada quando a mesma quase escorregou do banco, por conta da camisa de cetim.
Conteve um suspiro e agradeceu a Zeus que o balcão era de mármore e ele não poderia ver o que acontecia do outro lado, ou seu lado racional e responsável estaria seriamente comprometido.
Há uma semana atrás, se uma garota quase nua houvesse caído sobre seu colo, teria encarado como um pequeno contratempo e esquecido o fato depois de alguns minutos, mas agora seus hormônios estavam cientes demais da presença da jovem do outro lado.
Há quanto tempo não ficava assim tão inquieto? Definitivamente, não conseguia lembrar-se de datas especificas. Precisava manter a calma e a concentração. Hilda era a princesa de Asgard e também A Madrinha.
-"Repita isso até se convencer"; Shun pensou, como se aquilo fosse alguma espécie de mantra.
-Sim, ela separou por tópicos e disse quais lugares deveriam ser consultados para cada evento. Ela mencionou o chá, a recepção e a festa. Tinha algo sobre um buffet também e uma coisa que eu não entendi o que era. Parece uma palavra em inglês, mas não me lembro da tradução; ela falou pensativa.
-Quando amanhecer, me mostre e eu lhe digo onde podemos ir para resolver tudo; Shun falou, enchendo com suco os copos. –Mas é melhor comer, você precisara estar preparada pra enfrentar o dia que vem pela frente, a agenda esta cheia; ele brincou.
-Nunca pensei que casamentos aqui fossem tão difíceis de se organizar; ela falou levando o copo de suco aos lábios. –Em Asgard, quando alguem se casa, é feito uma espécie de festa comunitária no vilarejo, todos ajudam os noivos com alguma coisa. Tem os rituais para a cerimônia e as festas, mas parece tudo tão mais simples;
-É uma pena que não seja assim; Shun falou suspirando. –Mas concordo que o casamento tem de ser o dia mais feliz da noiva, mesmo em um casamento simples a um gigantesco como esse; ele falou.
-E você, pretende ter um casamento assim, no futuro? –ela perguntou casualmente.
-Nunca pensei nisso; ele respondeu distraído. Realmente, nem quando havia imaginado estar apaixonado por June havia pensando em casamento. Era estranho, mas após a batalha de Hades ficara tão concentrado em si mesmo, ou melhor, tentando conhecer a si mesmo, que esquecera de pensar em coisas corriqueiras como os demais, que agora seguiam suas próprias vidas.
O irmão e June iriam se casar em breve, Shyriu e Shunrei iriam voltar a Rozan, Seiya continuaria a ser ele mesmo e Minu teria de agüentá-lo. Saori possivelmente voltaria ao santuário. Alias, a amiga andava passando muito mais tempo por lá agora que as batalhas chegaram ao fim. Tinha uma tenra suspeita do que a motivava a isso, mas preferia não comentar.
E ele, bem... Continuaria a trabalhar na fundação, depois de alguns anos chegar a vice-presidência era algo notável, principalmente sendo ainda tão jovem, mas gostava do trabalho que fazia e não pretendia parar tão cedo. Enfim, não conseguia inserir na imagem que tinha de sua vida para daqui a alguns anos, um casamento.
-E você? –Shun indagou, vendo-a desviar o olhar. –Desculpe, não quis dizer isso; ele balbuciou, passando a mão nervosamente pelos cabelos.
Droga! Como pudera esquecer de Siegfried. Ainda se lembrava das longas conversas em que Fréya declarava aos quatro ventos o quanto Hilda amava o Guerreiro Deus, entretanto era difícil conciliar a imagem da valkiria com a mulher, que ela traçava.
-Tudo bem; Hilda murmurou. –Mas não, nunca pensei;
Respirou fundo, ótimo... Agora ela se sentia constrangida consigo, por que simplesmente não pensou pra falar. Se iriam trabalhar juntos pelas próximas semanas, não podia deixar um clima pesado instaurar-se entre eles. Levantou-se bruscamente do banco, assustando-a.
-Vem comigo; ele falou dando a volta no balcão.
-Onde? –ela indagou surpresa, quando ele lhe estendeu a mão, para ajudá-la a descer o banco.
Com a face rosada, segurou a barra da camisa com uma mão e com a outra, apoiou-a sobre a do cavaleiro, para poder descer. Estremeceu quando seus pés tocaram novamente o chão frio e a mão dele, fechou-se sobre a sua. Seus olhares se encontraram e viu-se tragada para a tempestade que formava-se nos olhos do cavaleiro.
Como nunca havia reparado que ele tinha olhos tão verdes? Ou seriam azuis? Não conseguia saber.
-Quero lhe mostrar um lugar; Shun falou quase num sussurro, antes de puxá-la consigo, indo em direção a porta da cozinha, que os levava para os fundos da casa.
-Já vai amanhecer; ela falou vendo que o relógio já marcava cinco minutos para as seis horas.
-Por isso mesmo; Shun falou, abrindo a porta.
Um vento gelado chocou-se contra ambos fazendo-o instintivamente levar a mão aos olhos, para afastar os fios esmeralda que lhe cobriram a visão. Sentiu a mão da jovem apertar a sua.
-Não é muito longe; ele falou vendo-a encolher-se de frio.
Sem saber ao certo o porquê, enlaçou-lhe a cintura, mantendo-a junto de si, sentiu-a tensa e pensou seriamente que havia quebrado alguns protocolos com aquilo, mas quando viu que ela não iria recuar, desistiu e continuou seguindo em frente, levando-a consigo.
Continua...
