Entrado numa fria

By Dama 9

Nota:

Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e empresas licenciadas, apenas Felícia e Harm são criações únicas e exclusivas minhas para essa fic.

Essa é uma história de fã pra fã, sem fins lucrativos.

Boa leitura.


Capitulo 3: Flor de Cerejeira.

.I.

Sentiu um arrepio correr pelas costas quando seus pés tocaram a grama úmida. Gotas de orvalho cobriam o tapete verde a sua frente. Faltavam poucos minutos para amanhecer e não fazia a mínima idéia de onde estavam indo.

-Só mais um pouco; Shun falou enquanto seguiam por um caminho de seixos para adentrarem ao bosque que fazia fundo com a grande mansão.

As árvores fechavam-se ao longo do caminho, escurecendo tudo a sua volta, instintivamente encostou-se mais no cavaleiro.

-Olhe; Shun falou indicando algo a frente.

Ergueu os orbes do chão e prendeu a respiração ao ver que ao adentrarem o bosque, as árvores iam abrindo-se até que pode ver um brilho cristalino a poucos metros de onde estavam.

Um lago formava-se bem ao fundo da propriedade e que agora era banhado pelos raios pálidos do sol, porém o mesmo estava coberto de forma encantadora por infinitas pétalas rosadas.

Deixou os orbes correrem a sua volta e viu que elas eram flores de cerejeiras. Já que as árvores cresciam em quase toda a volta do lago e mesmo a brisa suave da manhã fazia as flores desprenderem-se dos galhos e cobrissem a água.

Continuou a andar, deixando-se levar pelo cavaleiro, sentia a tranqüilidade daquele lugar como se fosse algo tão natural. Tão certo!

-Shun; ela falou voltando-se para ele, mas o cavaleiro tinha os olhos voltados para as árvores.

-Aqui é um bom lugar para se ficar em paz consigo mesmo; ele falou aproximando-se da beira com ela.

-É lindo; ela falou extasiada.

Era como se estivessem num mundo a parte daquele que conhecia.

-Todo ano, depois que a neve cai, as flores de cerejeira nascem ainda mais rosadas que no ano anterior e a essência delas é inebriante;

-Incrível; Hilda sussurrou, olhando para a direita onde via vários pássaros voando para em seguida pousar em ninhos feitos entre os galhos.

-É, muito...; ele respondeu, embora não se referisse ao lugar.

-Você vem muito aqui? –a jovem indagou voltando-se para o cavaleiro, mas corou ao deparar-se com o olhar intenso dele e foi quando deu-se conta de que ambos ainda estavam com as roupas de dormir.

-Não com tanta freqüência, quando estou trabalhando na fundação; Shun respondeu casualmente. –Mas sempre dou uma escapada quando tenho tempo;

-Entendo; ela murmurou.

Aquele não era um lugar pra se pensar; Hilda concluiu ao voltar com o cavaleiro para a mansão enquanto o ouvia explicar como chegar ali sem se perder pelo bosque. Aquele pequeno pedacinho de paraíso era um lugar para se estar sozinho.

Naquela mesma manhã havia notado algo intrigante, quando foram surpreendidos na cozinha pelos demais, quando Ikki ameaçou se aproximar do irmão, Shun recuou.

Sempre soube que os dois eram muito próximos, alias, a batalha que ambos travaram contra Mime apenas reafirmou isso, mas depois da conversa que tivera com Shun no dia anterior ficou intrigada.

Até onde sabia pelas correspondências trocadas com a irmã, alguns anos atrás todos apostavam num romance entre Shun e June, mas surpreendera-se no dia anterior quando Shun dissera que Ikki iria se casar em breve e justamente com quem? June!

Ele pareceu não se importar, mas alguma coisa ali não fazia sentido. Será que ele amava realmente June a ponto de se afastar do irmão? Não, Ikki e Shun eram unidos demais pra deixar que qualquer pessoa se colocasse entre eles, mas essa distancia...

Respirou fundo, enquanto entravam na cozinha novamente, os cacos do vaso de porcelana chinesa de Saori já haviam desaparecido e um outro tomava seu lugar na mesa.

-Depois do café, se apronte pra sairmos, agendei algumas coisas para hoje; Shun falou enquanto dirigiam-se para a escadaria principal.

Assentiu silenciosamente e manteve-se assim até chegar em seu quarto e despedirem-se, cada um entrando em seu próprio.

.II.

Folheou o jornal, enquanto levava uma xícara de café até os lábios. Olhava as manchetes distraído. Sua mente estava voltada para uma infinidade de informações e de quebra, ainda revia a lista de afazeres para aquele dia.

Passou a mão levemente pelos cabelos úmidos, alem de não ter dormido, só tivera tempo de tomar um banho gelado pra despertar completamente antes de descer para o café.

Hilda ainda não havia descido, mas Saori, Shyriu e Shunrei já estavam ali também e não demorou a ouvir as vozes de Ikki, June, Freya e Hyoga no corredor.

-Então Shun, o que tem planejado pra hoje? –Saori perguntou, enquanto servia-se de uma xícara de café.

-Falei com o rapaz da floricultura e ele disse que achou as flores que Fréya queria, mas quer que passemos lá pra aprovar os arranjos; ele respondeu deixando o jornal cair sobre a mesa para se levantar e puxar a cadeira para Hilda que acabara de chegar, sentar-se.

-Obrigada; ela falou sentindo a face aquecer-se levemente diante do olhar curioso de todos na mesa.

-E o bolo? –Fréya perguntou sentando-se com o noivo do outro lado de Shun.

-Aquela delicatessen do centro já disse que providenciou as amostrar e que podem ser avaliadas hoje; ele respondeu, dobrando metodicamente o jornal.

-Por falar nisso, queria tirar algumas duvidas com você, sobre a lista que Fréya me passou; Hilda comentou, enquanto a tirava do bolso e desdobrava o papel.

-O que é? –ele indagou voltando-se para ela e só agora tomando consciência das roupas que a jovem vestia.

Estava tão costumado com o longo vestido azulado que cobria-lhe do pescoço aos pés que vê-la com roupas tão normais e femininas ainda lhe surpreendia. Os longos cabelos azul-platinados estavam caídos sobre um de seus ombros, preso numa tranca com fios soltos.

Já o vestido, fora substituído por uma blusinha sem alças e de tecido esvoaçante, azul escuro. Ela trajava também uma calça curta e sapatos de bico fino preto. Tudo harmoniosamente combinando.

-Algumas coisas eu entendi, embora tenha aquela palavra estranha que eu te disse; ela continuou voltando-se para ele.

-Que palavra? –Hyoga perguntou, vendo que a noiva desviou o olhar, forçando-se a não rir. Estreitou os orbes desconfiando que aquilo também fazia parte do plano de Fréya.

-Ahn! O que é um Sexy Shop? –ela perguntou, vendo Shun, Ikki e Hyoga cuspirem o café que estavam acabando de tomar, quando ela falou.

-Como? –Shun perguntou quase engasgando.

Respirou fundo, tentando se acalmar e impedir-se de corar ainda mais. Céus, de onde Fréya tirara essa de que a irmã tinha de fazer alguma coisa pra ela num Sexy Shop? –Shun se perguntou indignado.

-É o que está escrito aqui, ou a pronuncia é diferente? –Hilda perguntou inocentemente, apontando algo na lista.

Voltou-se para a jovem, compreendendo que ela não fazia a mínima idéia do que era o local. Ao virar-se para Fréya e a mesma sorria de maneira satisfeita, diferente dos demais que pareciam evidentemente desconcertados.

-Não, a pronuncia esta certa; ele falou tentando manter a calma, enquanto sutilmente puxava a lista das mãos dela pra dar uma espiada no que Fréya andara armando.

Deveria ter previsto que ela faria algo do tipo, contando com a inocência da irmã. Que ardilosa;

-Ahn! Se precisarem de ajuda...; Saori começou, tentando quebrar aquele silêncio constrangedor.

-Não se preocupe Saori, nós damos um jeito nisso depois; Shun falou dobrando a lista e guardando-a no bolso interno da jaqueta, em vez de devolvê-la a Hilda.

-Bem, então vamos tomar logo esse café; Seiya falou animado e nem um pouco incomodado com o que acontecera.

-Hyoga, você bem que poderia prendê-lo em um esquife de gelo, não? –Ikki perguntou, enquanto servia duas xícaras de café, uma para June e outra a si mesmo.

-É uma boa idéia; ele concordou.

-Hei! – Seiya reclamou indignado.

-Ou despachá-lo para a Sibéria; Shiryu sugeriu.

-Meninos, por favor; Saori pediu. –Mas estou falando sério Shun, se precisarem de ajuda, é só falar; ela completou voltando-se para os dois.

-Não se preocupe Saori, nós damos conta de tudo; ele respondeu veemente, notando a tensão que envolvia a jovem de melenas azuladas a seu lado.

-Pelo menos você já vai estar anestesiado dessa correria quando for à vez do Ikki; Seiya falou enquanto enchia uma torrada de geléias, mal notando o olhar envenenado do Fênix.

-É, os contatos já temos... Tudo vai ser mais fácil; Shun falou calmamente, lançando um olhar carinhoso ao irmão, embora não tenha feito menção de dirigir algum assunto a ele.

Quando Seiya ameaçou dizer mais alguma coisa, Saori agilmente enfiou-lhe uma outra torrada na boca e cortou seus planos. Assim o café transcorreu sem maiores surpresas.

.III.

Desceram os degraus em silêncio, o carro já esperava pelos dois estacionado no final da escada. A lista de compromissos para o dia era bem cheia, mas Shun havia garantido que teriam tempo de fazer tudo, mas estava preocupada com uma coisa.

Algo na lista de Fréya deixara o cavaleiro bastante constrangido, não sabia ao certo o que a irmã aprontara, mas sentia aquele clima estranho entre eles. Será que fora algo com aquela palavra estranha? Sexy Shop o que será que isso queria dizer? – a jovem se perguntou confusa.

-Shun; Hilda chamou, fazendo-o se deter no último degrau.

-Sim; ele falou voltando-se para ela.

-Ahn! Com relação à lista da Fréya; a jovem começou, sem saber ao certo o que pretendia. –Se por acaso for lhe incomodar me ajudar com alguma coisa, basta só você me dizer aonde procurar e eu vou sozinha. Não precisa ficar constrangido de me dizer isso; ela completou.

-Uhn? –o cavaleiro murmurou piscando confuso, antes de observá-la intensamente, fazendo-a estremecer com aquela expectativa inquietante.

Essa era a chance de evitar maiores constrangimentos, poderia pedir a Saori que acompanhasse a jovem até o Sexy Shop, para comprar o que quer que fosse que Fréya havia pedido, mas não fazia a mínima idéia de como abordar esse assunto com Saori, ainda mais depois de todo o constrangimento na mesa do café.

Não tinha outro jeito, ele mesmo teria que ir com ela. Mas Zeus todo poderoso, o que ele havia feito para passar por tantas coisas assim em tão pouco tempo? –ele se perguntou, dando um suspiro cansado.

-Não se preocupe, nós iremos juntos, mas se você se sentir constrangida em algum momento, não hesite em me dizer; Shun falou serio, sabendo que ambos teriam de dar um passo bem grande para superar aquele pequeno percalço.

Porque Fréya não poderia ser como a maioria das noivas que faz um típico chá de panelas, onde reúne as amigas, ganha-se presentes, falam de homens e ainda por cima fazendo lá suas brincadeirinhas muitas vezes infames, mas passam o dia comendo, bebendo e saindo da rotina.

Mas não, com Fréya tudo tinha de ser diferente, começando pelo stripper vestido de marinheiro que ela quis contratar, mas Hyoga abolira a idéia da lista, ameaçando largá-la no altar para fugir com uma corista ruiva de Las Vegas se ela insistisse no assunto.

-Digo o mesmo pra você, até agora eu não fazia idéia das coisas que andavam passando pela cabeça da minha irmã; Hilda falou, lançando-lhe um sorriso cristalino. –Tenho até medo de saber aonde isso vai dar;

-Somos dois; ele murmurou, enquanto abria a porta do passageiro para ela entrar.

-Obrigada; Hilda falou sentando-se e antes que pudesse se virar para ver como colocaria o cinto se segurança, sentiu o mesmo pressionar-lhe o corpo, fazendo-a recostar-se completamente no banco.

Mas o mais perturbador foi sentir o cheiro de colônia de banho embriagar-lhe os sentidos no momento que o cavaleiro abaixou-se para ajustar o cinto em si. Fechou os olhos por alguns segundos, inebriada pela essência forte e máscula, tão intensa que contrastava com toda a suavidade que o cavaleiro demonstrava em todos os seus gestos.

Não havia reparado antes, mas ele provavelmente havia tomado banho, já que a essência que sentia não era apenas da colônia e sim de pele úmida e quente. Cerrou com força as mãos, contendo o impulso repentino de tocá-lo.

Quando Shun se afastar, parecendo igualmente perturbado, não disse nenhuma palavra, apenas esperou-o fechar a porta e dar a volta no carro. Enquanto seu coração batia desenfreado no peito, como se quisesse saltar pra fora.

.IV.

Olhou a enorme construção estupefata. Nunca parara muito para pensar como o palácio havia sido construído, embora fosse imenso, mas aquilo que tinha a sua frente parecia ainda maior.

-Que lugar é esse? –Hilda perguntou, recuando um passo assustada quando as portas de vidro abriram-se sem que ninguém tocasse.

-É um Shopping Center, um prédio que serve de centro comercial. Vários comerciantes de roupas, alimentos ou quaisquer outras utilidades e inutilidades, se reúnem. Depois que inventaram o cartão de crédito, gastar virou um esporte, como vôlei ou futebol; ele brincou.

-E essas coisas todas? Tantas luzes; ela murmurou instintivamente aproximando-se do cavaleiro inquieta com todo aquele barulho.

Embora o aeroporto fosse igualmente iluminado e movimentado, estivera entorpecida demais pelo vôo e a adrenalina do embarque e desembarque, que não reparou em nada, mas ali era diferente.

-Vamos dar uma volta para que você veja tudo, se tiver curiosidade em ver algo especifico, apenas diga e nós paramos; o cavaleiro falou, fazendo-a enlaçar o braço no seu, para que pudesse acompanhar-lhe os passos.

-Como cabem tantas pessoas aqui? –ela perguntou olhando atentamente pelas vitrines.

-As pessoas vêm e vão. O shopping tem quatro andares, alem dos andares de estacionamento. Alguns pavimentos são divididos entre os lojistas e alguns restaurantes. No último andar ficam os cinemas e uma praça de alimentação também; Shun explicou.

-Cinema? –Hilda indagou curiosa.

-Fique tranqüila, hoje teremos tempo de ver de tudo um pouco e ao longo da semana também; ele falou sorrindo diante do deslumbramento dela.

-Mas não temos que resolver as coisas do casamento? –ela indagou com um certo pesar, semelhante ao de uma criança ao ser arrastada para longe da loja de doces.

-As outras coisas podem esperar; Shun falou sorrindo. –Venha, as lojas começam por aqui; ele falou guiando-a pelos corredores e parando em uma por uma das vitrines e lhe explicando como funcionavam as coisas por ali.

.V.

Já era perto da hora do almoço quando conseguiu sair de casa e ir encontrar aqueles dois no shopping. Passara o tempo todo caçando sua noiva pela mansão, mas Fréya conseguira escapar e arrumar um motivo para evitar a conversa que certamente iriam ter.

Pelos Deuses! Onde Fréya estava com a cabeça ao pensar que Hilda iria a um Sexy Shop, fazer sabe-se lá o que para o chá de panelas. Por sorte Shun havia interceptado aquela lista; ele pensou aliviado.

-Nossa, você parece alguém que vai para a forca, não que vá se casar; uma voz conhecida soou atrás de si, de maneira debochada.

-Escorpião! – Hyoga falou lançando um olhar nada amigável ao cavaleiro de ouro.

-Alguns homens dizem que casamento é um momento importante na vida, aquele de tomar decisões, de ter pulso firme. Mas você parece que esta a ponto de amarelar; Milo alfinetou, enquanto aproximava-se com um Kamus nada contente.

-Ignore-o Hyoga; Kamus falou.

-Como vai mestre? –Hyoga perguntou cumprimentando-o com um sorriso genuíno.

-Bem, pelo menos estava até esse artrópode ir se engraçar pro lado de uma garçonete e nós termos sido expulsos da praça de alimentação; ele respondeu emburrado.

-Milo! – Hyoga falou em tom de aviso.

-Oras! Viemos aqui para nos divertirmos, não? Eu que não vou bancar o monge. Mesmo porque, um dos padrinhos é você; ele completou apontando para Kamus.

-Não vou comentar; Hyoga falou resmungou.

-Mas como você esta Hyoga? –Kamus perguntou.

-Bem, apesar das últimas confusões que Fréya armou; ele respondeu.

-Por isso aquela cara? –Milo escarneceu.

-Milo, já pensou em ir passar uma temporada na Sibéria? –Hyoga perguntou.

-Lá é muito frio; ele reclamou.

-Lembre-se disso antes de soltar mais alguma coisa infame; o russo rebateu. –Mas vamos procurar um lugar para sentar, tem outros restaurantes nesse pavimento com menos garçonetes para serem assediadas; ele completou lançando um olhar cortante ao artrópode.

-Oh povo estressado; Milo falou, seguindo com eles.

.VI.

-Isso tem um cheiro muito bom; Hilda murmurou enquanto provava mais um dos doces do saquinho que tinha em mãos. –Mas porque o gosto é diferente? –ela indagou apertando distraidamente a almofadinha açucarada entre os dedos.

-Isso se chama marshmallow, mas é industrializado, não aqueles que vemos normalmente em acampamentos, que o pessoal assa num espeto. O cheiro que você sente é dos conservantes e essências, aplicados no preparado da massa, mas o gosto não é o mesmo. Entretanto, você acaba viciando pelo cheiro; ele explicou, enquanto saiam da loja de doces.

-Até onde você falou, tudo aqui é industrializado, então, não existem mais coisas feitas pelas pessoas, só por máquinas? –Hilda indagou confusa.

-Não, muitas coisas ainda são feitas a mão, como chamamos. Mas hoje são mais conhecidas como artesanais. Que tem um valor inferior a algo feito por uma máquina na produção em serie, que tem um custo bem menor; Shun explicou. –As grandes empresas hoje em dia investem naquilo que for rápido e que gaste menos. Já produtos feitos à mão, são mais minuciosos, levam mais tempo e custam mais caro, por serem coisas mais exclusivas;

-Isso serve para comida também? –ela perguntou.

-Existe hoje o mercado de comida congelada e fast food, comida rápida como o Mac Donalds; ele falou apontando para um quiosque logo a frente onde um imenso palhaço vestido de branco, amarelo e vermelho estava pendurado em uma placada. –Antigamente as pessoas que trabalhavam longe de casa, perdiam muito tempo da hora do almoço tentando comer e não podiam descansar. Visando isso os irmãos americanos, Mac Donalds, desenvolveram um restaurante de comida rápida. Onde os lanches seriam feitos com tudo de mais pratico;

-Como assim? –Hilda indagou curiosa, enquanto seguiam andando pelas alamedas, parando vez ou outra entre as lojas.

-Eles não usavam mais carne fresca e cortada na hora, frita ou cozida. Eles moem a carne, transformando-a num pequeno disco e congelavam. Assim quando fossem montar o lanche, passavam apenas numa chapa bem quente para quebrar o gelo e colocavam no pão. Isso poupava tempo e esse processo de congelamento, mantinha a carne com o tempero sem estragar. Eles fizeram outras coisas também, como o pão redondo, diferente do modelo básico que conhecemos, herdado dos franceses, ou o Beirute, o pão em forma de folha dos árabes. Ou aquele com casca mais espessa em forma de bola, vinda dos italianos. Eles juntaram um pouco de cada e surgiu um pão mais pratico de cortar e macio, compatível com a necessidade de rapidez; Shun explicou. –Alem de conseguirem uma produção rápida eles inventaram um molho diferente de qualquer outro lanche de padrão americano. Esse molho, cuja formula não é revelada nem sob tortura, virou a marca registrada dos irmãos Mac Donalds, os lanches viraram febre e o fast food virou moda;

-Mas isso não deve ser muito saudável como você disse, são coisas congeladas e cheias de conservantes; Hilda comentou.

-Não, não é saudável; Shun concordou.

-Mas porque as pessoas comem isso?

–Porque é prazeroso embora não satisfaça; ele completou com um leve sorriso nos lábios que ela preferiu não tentar descobrir o que significava. –O gosto é bom, mas você normalmente precisa saber se quer algo pela vontade de comer ou para matar a fome. Existem contradições;

-Como quando você come muito chocolate? –Hilda indagou casualmente.

-...; ele assentiu. –Ou sorvete;

-Mas me diz, toda essa loucura é só com as comidas, ou em alguma outra área também? –a jovem indagou curiosa.

-Não, o mercado vem se expandindo para muitas áreas. Hoje em dia muitas coisas têm um valor mais baixo, porque foi desenvolvido uma forma alternativa de construí-lo. Por exemplo as roupas, antigamente eram feitas de algodão e linho. Hoje as lãs são feitas de PET e as outras roupas de Nylon.

-Como?

-Nylon e PET são polímeros. Dois tipos diferentes de plásticos derivados do petróleo. Um monômero de Nylon, que significa uma pequena partícula que se une a tantas outras e cria uma cadeia polimérica até formarem os granos. Que é o material sólido. Depois disso ele se transforma no que você quiser. Qualquer plástico submetido a calor toma a forma que você der. Mas apenas alguns são termo plásticos com memória. Que tomam forma com calor e voltam à forma anterior depois que esfriam. Alguns sofrem deformações e a maioria é descartável;

-Quanta coisa; ela murmurou, dando um suspiro cansado.

-O que acha de fazermos uma parada, para você descansar um pouco? –ele sugeriu.

-Olha só; Hilda falou sem ouvir o que ele falara, já que suas atenções foram desviadas por um letreiro nada discreto, que piscava com luzes vermelhas. –Sexy Shop! Shun, não é essa loja que estava na lista da Fréya? –ela perguntou voltando-se para o cavaleiro, que queria abrir um buraco no chão e se jogar lá dentro.

-É; ele murmurou, vendo o olhar nada conciliador que recebia das pessoas que haviam ouvido o comentário dela e passavam por eles agora.

-Você esta com a lista ai? –Hilda perguntou voltando-se para ele, enquanto amassava o saquinho de doces, já vazio.

Poderia dizer que não, mas isso seria mentira. Quem sabe se dissesse que deixara no carro, ela iria esquecer daquilo, mas também seria mentira. Era nessas horas que detestava ter tantos escrúpulos; ele concluiu colocando a mão no bolso interno da jaqueta e retirando a lista de lá, antes de estender a ela.

-Aqui;

-Ótimo, vamos lá ver se tem o que Fréya quer dessa loja; Hilda falou pegando a lista.

-Mas...;

Antes que o cavaleiro pudesse dizer algo, já havia sido arrastado pela jovem loja adentro.

Que Zeus o ajudasse, porque ele iria precisar de muita sorte agora, para não ser visto por nenhum conhecido.

Continua...