Entrando Numa Fria

By Dama 9


Nota:

Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e empresas afiliadas.

Apenas Felícia, Alegra e alguns poucos personagens que não fazem parte da trama oficial, são criados por mim, única e exclusivamente para essa Saga.

Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos. Então não queriam me prender apenas por querer exercer um hobby e entreter leitores cuja paixão é a mesma que a minha, por esse anime que encanta a tantos.

Boa Leitura!


Capitulo 6: Afrodisíaco.

.I.

Chegaram cinco minutos antes do horário marcado na delicatessen, alem de ter de atravessar todo o centro da cidade, ainda pegaram um congestionamento enervante por causa do horário de almoço. Estacionou o carro e deu a volta no veiculo para abrir a porta para a jovem e ajudou-a a sair.

-Nessa época é sempre tão quente assim? –Hilda perguntou com a face corada ao sair do carro gelado pelo ar-condicionado e sofrer o choque térmico devido ao calor lá fora.

-Normalmente não sentirmos tanto, por habito; Shun explicou. –Como você esta acostumada com o frio, vinte e sete graus são um exagero; ele falou sorrindo.

-Vinte e sete; ela falou surpresa. –Realmente; a jovem murmurou pensativa. Sabia que estava quente, mas não pensou que fosse tanto.

-Vem! Lá dentro deve estar mais fresco. Você vai se sentir melhor; o cavaleiro falou estendendo-lhe a mão.

Hilda assentiu, enquanto entravam juntos na delicatessen, que Freya escolhera para fazer os doces da festa.

-Você tem idéia do que Freya possa querer para os doces? –Shun perguntou.

-Minha irmã sempre gostou de qualquer coisa que tivesse açúcar, mas algo em especial alem de bolo de chocolate com nozes, não sei; ela respondeu, pensativa.

-Um gosto bem peculiar eu diria; uma voz feminina falou surgindo de repente na frente deles, fazendo o casal se sobressaltar. –Desculpem-me, não quis assustá-los; uma bela mulher de longas melenas vermelhas falou sorrindo de maneira estranhamente familiar.

-Tudo bem; Hilda falou levando a mão ao coração sentindo-o bater mais rápido.

-Você deve ser Alegra; Shun falou.

-Isso mesmo e vocês devem ser o casal de noivos que estou esperando; Alegra falou com ar perspicaz.

-Não; os dois responderam juntos corando furiosamente.

-Como não? –a ruiva falou confusa.

-Somos os padrinhos; Hilda tentou explicar.

Já não bastava a saia justa que Felícia lhes fizera passar, agora Alegra também pensava que fosse um casal; a jovem pensou beirando ao pânico.

-Padrinhos, ah sim...; Alegra falou dando um tapinha de leve na própria testa. –Vocês devem ser Shun e Hilda, não é? –a jovem indagou vendo-os assentirem. –Você me ligou na semana passada agendando o horário, não? –ela indagou voltando-se para Shun.

-Sim, Freya pediu que viesse na sua delicatessen, disse que já a conhecia há bastante tempo; o cavaleiro explicou.

-É verdade, embora você tenha marcado a prova do bolo, Freya me ligou dizendo que a irmã viria junto e pediu que eu separasse as sobremesas para serem escolhidas primeiro; Alegra explicou. –Espero que não haja problemas com relação a isso? –ela indagou.

-Não tem problema, não é Shun? –Hilda indagou voltando-se para ele.

-Não, de forma alguma; o cavaleiro respondeu levemente desconfiado.

-Por favor me acompanhem; ela pediu indicando um corredor logo à frente.

Antes de seguir em frente, deixou os orbes correrem pela delicatessen, na parte que estavam o lugar parecia uma doceria comum, com balcões refrigerados e cheios de tortas e doces. As cores nas paredes eram suaves e convidativas, dando um ar de familiaridade ao estabelecimento.

-Vamos? –Shun falou chamando-lhe a atenção.

-Ah Sim! Claro; ela murmurou seguindo com ele, enquanto seus olhos curiosos não perdiam detalhe algum.

-Na frente temos o estabelecimento comercial, mas aqui dentro ficam as cozinhas onde nossa equipe trabalha nas encomendas que recebemos ao longo do ano; Alegra explicou, parando em frente a uma cozinha impecavelmente limpa, mas agitada.

-O que esta acontecendo aqui? –Hilda indagou curiosa, vendo vários homens de branco correndo atarefados para todos os lados.

-Recebemos um pedido de última hora para um aniversário, então mobilizamos uma equipe de confeiteiros para aprontar tudo até sexta-feira; Alegra explicou, diante do olhar espantado dos dois. –Nós chegamos a receber encomendas para o dia seguinte em grande quantidades, então procuramos sempre ter funcionários o suficiente para mobilizar alguns e suprir a encomenda; ela explicou seguindo em frente.

Passaram por outras três cozinhas igualmente bem equipadas e em funcionamento. Não foi necessário explicar novamente que cada equipe de confeiteiros estava atarantado com alguma encomenda.

-Freya me falou tanto de você,que estava curiosa para lhe conhecer; Alegra falou caminhando ao lado de Hilda.

-Verdade? –a jovem indagou curiosa.

-Claro, alias, ela me disse que talvez você ficasse um pouco confusa com relação às sobremesas e que confia nas suas escolhas. Mas para facilitar ela pediu que eu separasse algumas das sobremesas que ela mais consome de nós para que seja selecionada uma; Alegra explicou. –Alem das amostras dos bolos, é claro; ela apressou-se em completar quando notou o olhar indecifrável do cavaleiro sobre si.

-Realmente, assim é mais fácil; Hilda falou aliviada.

-Venham; Alegra falou indicando a última cozinha do corredor. O cômodo estaria vazio se ignorassem todas as indumentárias usadas pelos confeiteiros. –Sentem-se, por favor; a jovem falou indicando a eles dois bancos em frente a uma bancada de mármore.

-Freya falou que vocês trabalham apenas com doces; Shun comentou, enquanto ela ia até um refrigerador e retirava o primeiro prato de lá.

-Sim, raramente fazemos algum salgado. Só em último caso, como noivos desesperados cujas noivas ameaçam cancelar o casamento se não tiverem seus desejos atendidos; Alegra falou gesticulando casualmente.

-Como é grande aqui; Hilda comentou olhando a cozinha ampla.

-Como recebemos bastante pedidos, mantemos apenas um chefe confeiteiro por setor. Temos cinco cozinhas equipadas e mais de vinte e cinco auxiliares; Alegra explicou. –Dos pratos que Freya me pediu, fizemos seis amostras numa porção menor da que será servida oficialmente. A cada amostra, aconselho-os a tomarem uma pequena dose de café puro, para que o gosto do doce anterior não influencie o próximo;

-É como perfume; Shun falou vendo o olhar confuso da jovem. –Quando muitas essências se misturam você fica com os sentidos confusos, sem saber qual essência pertence ao primeiro perfume ou aos outros. Por isso o café, ele anula o gosto e o cheiro da essência de um perfume ou neste caso, o gosto do açúcar de cada sobremesa;

-Entendi, e que sobremesa é essa? –a jovem indagou apontando para a doceira que Alegra colocou sobre a bancada na frente deles com um par de colheres.

-Três sobremesas contem açúcar em calda e licor. A nossa proposta é colocar sobremesas de frutas que combinem com manjar de coco, devido sua textura mais suave e por ser menos açucarados, evitando uma sensação enjoativa; Alegra explicou. –Alguns possuem canela e a maioria do açúcar é da própria fruta;

-Interessante; Shun murmurou, pegando uma das colheres.

-Eu gostei desse; Hilda falou depois de provar o primeiro que consistia no manjar de coco que Alegra falara e em maçãs carameladas, levemente salpicadas com canela e açúcar de confeiteiro.

-A maçã normalmente combina com sobremesas assim, porque é levemente cítrica e não é tão doce quanto a maioria das frutas vermelhas. Graças à calda de açúcar ela não fica com um gosto insosso; Alegra explicou. –Alem do mais, essa é uma sobremesa que combina bem com noivos; ela completou casualmente.

-Uhn? –Hilda murmurou confusa.

-Ah! Por causa de toda aquela história de paraíso, cobras e tentações. Afinal, quem ainda acredita que aquela maçã era só uma maçã e o pecado original não...;

-Já deu pra entender Alegra; Shun a cortou com um olhar frio assim que notou aonde ela queria chegar com aquela conversa.

-Não o que? –Hilda perguntou curiosa.

-Cada cultura tem uma forma de explicar como surgiu o mundo e tudo mais, era isso que Alegra estava se referindo; Shun explicou, lançando um olhar atravessado a ruiva.

Deveria ter imaginado que Freya aprontaria mais alguma achando que iria coagir a irmã a seguir seu plano. Provavelmente as sobremesas deveriam ter sido mais um dos itens vetados por Hyoga, mas porque? –ele se perguntou pensativo.

-Aqui esta o outro; Alegra falou colocando uma doceira com sorvete de nozes e calda de chocolate.

-O que mais tem na calda alem do cacau do chocolate? –Shun perguntou após provar a sobremesa.

-Uma pequena dose de rum; Alegra respondeu apreciando a observação enquanto servia-lhes uma dose de café e dava seqüência na degustação.

Três sobremesas mais tarde, a jovem de melenas vermelhas estava quase arrancando os cabelos. Não era possível que aqueles dois agissem como se nada estivesse acontecendo entre eles. Até um cego poderia ver as nuvens de estática ali, correndo de um para o outro.

-"Droga, preciso fazer alguma coisa"; Alegra pensou.

Sabia que Shun estava desconfiado de algo, podia sentir em sua aura o quanto ele estava na defensiva. Mas não havia um jeito sutil de fazer aqueles dois entrarem em combustão espontânea, porque do jeito que as coisas estavam, só assim mesmo.

-Se me dão licença um pouquinho. Vou ver como os rapazes estão na outra cozinha, enquanto vocês provam a última sobremesa; Alegra falou depois de lhes entregar a doceira e os dois assentiam.

-Figo com licor; Shun falou vendo as frutas mergulhadas num liquido esverdeado.

-Acho que já ouvi falar dessa sobremesa; Hilda comentou pensativa, tentando lembrar do de lembrar de quando isso acontecera. Era recente, embora não soubesse o quanto.

-Como não sou grande apreciador de licor, menos ainda de figo. Essa eu passo; o cavaleiro falou entregando-lhe uma espécie de garfo com apenas duas pontas, para que ela pudesse provar.

-Já que é assim; ela falou dando de ombros. Com cuidado pegou a fruta da doceira e deixou o licor escorrer por alguns segundos.

Tentou desprender seus olhos da jovem, mas tal tarefa tornou-se impossível naqueles míseros segundos. Era difícil ficar alheio à presença dela e a perturbação que ela lhe causava com seus gestos cuidadosos e delicados.

Respirou fundo, sentindo a garganta subitamente secar enquanto seus olhos traiçoeiros acompanhavam fixamente os lábios rosados fecharem-se sobre a fruta esverdeada e um gemido de satisfação escapar por entre eles, indo ecoar de maneira enlouquecedora em sua mente.

Passou a mão de maneira nervosa, porém discreta pelos cabelos, antes de deixar a ponta dos dedos puxarem a gola da camisa que parecia fechar-se em seu pescoço, lhe sufocando.

Céus! Precisava manter a mente em foco e parar de deixar seus pensamentos desviarem-se para caminhos que não estava disposto a percorrer. Entretanto, era difícil se lembrar de quem eram e qual o propósito de tudo aquilo quando ainda tinha a imagens de cintas-liga e calda de chocolate na mente.

Ser padrinho não era uma tarefa fácil, alias... Oh! Vida difícil!

.II.

Andou impaciente pela biblioteca, há essas horas eles estariam com Alegra. Quem sabe ela pudesse conseguir algo mais concreto do que Felícia.

-Você não acha que deveria pegar mais leve com sua irmã? –uma voz feminina falou vinda de um canto escuro na sala.

-Hilda jamais deixaria Asgard por conta própria e as regras que a prendem ao trono; Freya respondeu com pesar. –Eu falei com Freyr e Freya, nossos primos e ambos disseram que poderiam cuidar de tudo e ajudar na administração do castelo para aliviar a carga de minha irmã, mas ela não deixa;

-É uma forma de auto-punição; Felícia falou acomodando-lhe melhor na poltrona estofada, enquanto cruzava as pernas.

-Ela deve se sentir culpada pelo que aconteceu por causa do anel, mas a culpa não é dela; Freya exasperou.

-Sabemos disso; Harm respondeu surgindo ao lado de Felícia. –Mas pressioná-la para sair da concha pode fazê-la se retrair ainda mais;

-Nos últimos três anos eu a convidei para vir aqui infinitas vezes e Hilda sempre arrumou uma desculpa para não sair de Asgard; a jovem falou triste. –E agora não vou deixá-la voltar para lá. Qualquer um de nossos primos é capacitado para assumir essa responsabilidade, não vou deixar que isso a prenda ao passado e a tire de mim;

-Mas...;

-Minha irmã é tudo que tenho, não vou deixá-la sofrendo quando sei que isso pode ser diferente; Freya falou veemente. –Sei o quanto ela amava Siegfried e sei também que se aquele anel não houvesse aparecido, talvez os dois tivesse um futuro juntos, mas os tempos são outros e ele não esta mais aqui. Minha irmã precisa ver isso e seguir em frente, mas em Asgard, com todas aquelas lembranças não vai acontecer; ela completou.

-Concordamos com você, mas tenha paciência. As coisas não acontecem da noite para o dia; Harm falou sabiamente.

-Deixe que o destino se encarregue de uni-los se assim for sua vontade; uma terceira completou manifestando-se na sala, chamando a atenção das três para a jovem de melenas lilases que acabava de entrar.

-Athena!

.III.

Lembrava-se vagamente de ter ouvido Felícia falar sobre os figos, mas a jovem de melenas loiras lhe deixara tão agitada com a prova das roupas que só agora estava se lembrando disso.

-Se quer realmente deixá-lo de quatro, só as roupas não são suficientes, se bem que já é meio caminho andado... Use algum doce, de preferência sobremesas com calda e licor... Elas sempre abrem um leque de infinitas possibilidades;

Sentiu um arrepio cruzar suas costas e ofegou ao ouvir a voz da jovem ecoar em sua mente.

-Você esta bem? –Shun perguntou vendo-a ficar escarlate repentinamente.

-Sim... Acho; Hilda falou com a voz entrecortada e tossindo.

Balançou a cabeça freneticamente para os lados tentando afastar a imagem perturbadora que surgiu em sua mente de um certo cavaleiro, muita calda de chocolate e chantily.

-Tem certeza que esta bem? –Shun perguntou preocupado ajudando-a a descer do banco, vendo-a se agitar. –É melhor pararmos com as provas, essa última não lhe fez bem. Por isso não gosto de figos; ele completou empurrando o prato para longe.

-Não, eu só... Afoguei; Hilda falou dando a primeira desculpa que conseguiu pensar. –Acho que o ar entrou pelo canal errado; ela murmurou.

-Podemos deixar o resto para amanhã, as coisas estão bem adiantadas; ele falou suavemente.

-...; Hilda assentiu, precisava de um tempo para colocar a cabeça em ordem, antes que fizesse algo que fosse se arrepender e se envergonhar depois.

-Ficou um pouco aqui...; ouviu a voz dele ecoar levemente enrouquecida em seu ouvido.

-Uhn? –ela murmurou sentindo-o tocar-lhe o canto dos lábios com a ponta dos dedos.

Um calor intenso inundou-lhe o corpo, ameaçando lhe sufocar. Ergueu os olhos na direção dele, mas encontrou-os sobre si de maneira tão intensa que sentiu seu coração disparar.

-De calda; Shun falou suavemente enquanto seu olhar prendia o dela e tornava-se levemente nublado.

-Ah sim! –a jovem balbuciou.

-Então o que acharam dos pratos? –Alegra perguntou entrando na cozinha, fazendo os dois se assustarem.

-São ótimas; Hilda falou afastando-se envergonhada do cavaleiro.

-Ah que bom; Alegra falou casualmente embora seu olhar levemente malicioso parecesse ter visto bem mais do que demonstrava. –Confesso que fiquei um pouco surpresa com os pedidos de sua irmã, não dos bolos, porque já havíamos conversado sobre isso; ela completou voltando-se para Shun que assentiu.

-Como? –Hilda perguntou confusa.

-Sobremesas assim não são freqüentemente requisitadas, bem com frutas é claro, mas não exatamente essas;

-Por quê? - ela perguntou sem notar a tensão do cavaleiro.

-Ah! Vocês sabem... Com todo esse puritanismo dissimulado que vemos hoje em dia, nós ficamos meio reticentes quando alguém pede de amostra para festas, o cardápio Afrodisíaco, mesmo o pedido vindo de Freya;

-Como é? –Shun quase berrou para em seguida pigarrear levemente, tentando aplacar o rubor que tingia sua face, deixando-a escarlate.

-Isso mesmo, ou vai dizer que vocês não sabiam? –ela perguntou inocentemente.

-Do que ela esta falando, Shun? –Hilda perguntou confusa.

-Querida, me diga o que você vê? –Alegra perguntou indicando a porção de figos que restava.

-Figo com calda; ela falou sem entender.

-Vamos, você é mais inteligente do que isso; a ruiva insistiu.

-Alegra, isso é suficiente. Vou falar com Freya depois; Shun começou.

-Por Odin; ouviu a voz da jovem soar levemente em pânico, trincou os dentes tendo o impulso de torcer o pescoço da noiva do amigo por colocar-lhes numa saia justa daquelas.

-Pensei que vocês tivessem notado, mesmo porque os outros pratos não eram nada sutis; Alegra falou casualmente.

-Shun, acho que tínhamos hora na floricultura também, não? –a voz da jovem saiu levemente tremula pelo pânico.

-Não se envergonhe querida, isso é normal; Alegra falou completamente, mesmo diante do olhar inflamado do cavaleiro. –Sabe por que os pratos são chamados de Afrodisíaco?

-Acho que ela não quer saber; Shun respondeu num tom de voz tão frio que assustaria até mesmo Kamus de Aquário.

-Não seja bobo, não é nada para se preocupar; Alegra falou gesticulando casualmente.

-É melhor deixamos para a próxima Alegra, temos hora e...;

-Não vai demorar; Alegra o cortou. –Você conhece algo sobre mitologia grega?

-Um pouco; Hilda falou revezando seu olhar entre Shun e a jovem ruiva.

-Já ouviu falar de Afrodite, a deusa do amor?

-Sim, é a correspondente de Freya para os nórdicos; ela respondeu.

-Isso; Alegra continuou. –Na Era de Ouro, quando Afrodite nasceu na ilha de Chipre, ela foi criada pelas mulheres da ilha, que a mimaram e cuidaram dela para que Afrodite se tornasse a mais bela de todas as deusas. O treinamento que ela recebeu não consistia nos conhecimentos básicos de uma pessoa comum. Ela foi treinada nas artes do amor, como chamavam na época;

-Como assim? –Hilda indagou curiosa e totalmente alheia aos olhares mortais trocados entre o cavaleiro e a ruiva.

-Afrodite aprendeu que os relacionamentos não consistiam apenas na convivência entre duas pessoas e sim, que tudo começava com as preliminares da relação. Os flertes como chamamos hoje em dia; Alegra explicou. –Naquela época os conceitos de pudor eram diferentes dos de hoje, hoje o que parece vulgar era extremamente natural naquela época;

-Alegra, acho que já é suficiente; Shun a cortou.

-Imagina, estamos só começando; ela falou com um fino sorriso nos lábios antes de voltar-se para Hilda. –Antigamente as mulheres tinham mais liberdade para agir, digamos que Afrodite foi à pioneira dessa geração, porque ela inventou o termo Afrodisíaco;

-Não entendi; Hilda falou confusa.

-Não é novidade a quantidade de amantes que Afrodite teve ao longo de sua existência histórica. Entre eles estavam deuses, mortais e os homens mais belos do mundo, que com um estalar de dedos dobravam-se a suas vontades, mas porque?

-Por quê? –a jovem quis saber curiosa.

-Porque ela simplesmente sabia a forma correta de seduzi-los. O treinamento que Afrodite recebeu das mulheres em Chipre, consistia em saber como manipular os desejos e anseios de terceiros a sua vontade. A arte de seduzir não se resume ao flerte, mas sim, a tudo aquilo que lhes encaminhar para um clímax mais intenso; ela completou lançando um olhar ao cavaleiro dos pés a cabeça.

-Estamos atrasados Hilda; Shun falou ajudando-a a descer do banco.

-Estou quase acabando; Alegra o cortou, impedindo-o de levar a jovem para longe dali. – Afrodite era a mulher mais bela do mundo;

-O que só serviu para causar a guerra de Tróia... Vamos; Shun falou mordaz, voltando-se para a jovem de melenas azuis, impaciente.

-Por isso...; Alegra continuou ignorando-o. - Mas beleza não é tudo, existem infinitos fatores que fazem um homem e uma mulher se interessarem um pelo outro. Entretanto o elemento Afrodisíaco serve para estimular a sensibilidade das pessoas, deixando-as mais suscetíveis e receptivas aos...;

-Ela já entendeu Alegra; Shun a cortou vendo Hilda ficar ainda mais escarlate.

-Enfim, pra resumir Freya achou que seria interessante alguns desses pratos. Quem não conhece não vai achar nada demais nisso, mas quem conhece pode até se animar um pouquinho; ela completou inocentemente maliciosa.

-Ah! Obrigada pela explicação, mas agora precisamos mesmo ir; Hilda falou.

-Certo! Quando decidirem sobre as sobremesas, me avisem. Os bolos estarão prontos depois de amanhã para a degustação; Alegra completou acompanhando-os até a saída.

-Obrigado, até mais; Shun falou pegando na mão de Hilda e puxando-a para longe dali como se uma matilha de lobos os perseguisse.

Abriu a porta para Hilda entrar e antes que ela pudesse falar algo, ele já havia prendido o cinto em si e dava a volta no carro.

Suspirou aliviado quando ganharam as ruas. Pelo menos não havia nenhum duplo sentido em flores, elas eram totalmente inocentes. Deveria ter começado pelas flores, mas parece que o destino estava contra eles, era a única razão.

.IV.

As três mulheres voltaram-se na direção da jovem que calmamente entrava na biblioteca e fechava a porta atrás de si.

-Quando senti o cosmo de vocês achei que estava imaginando coisas; Saori falou calmamente, voltando-se para elas.

-Como vai Athena? –Harm falou de maneira polida e controlada.

-Bem e vocês? – ela indagou lançando um olhar curioso a Felícia.

-Bem; elas limitaram-se a responder.

-Saori, sei o que esta pensando, mas...;

-Não, eu creio que não; Saori cortou delicadamente a jovem de melenas douradas. –Mas concordo com Harmonia, se você continuar pressionando-os, pode afastá-los em vez de uni-los;

-Não estamos exatamente os pressionando; Freya rebateu indignada.

-Atormentá-los com Fetiches e Afrodisíacos não me parece uma abordagem muito sutil; Saori falou arqueando a sobrancelha.

-Oras! Todo mundo precisa de alguns estímulos na relação de vez em quando; Felícia se manifestou indignada.

-Você e Alegra já fizeram à parte de vocês, deixem à poeira assentar um pouco. Temos um mês pela frente; Harm falou antes que elas resolvessem baixar o nível.

-Mas se não agirmos pode acontecer algo; Freya falou impaciente.

-O mínimo que pode acontecer é um dos dois enlouquecer e chutar o pau da barraca; Harmonia falou levantando-se. –Eu disse que iria ajudar e vou, mas no meu tempo e essa é minha prerrogativa; ela falou lançando um olhar de aviso a Felícia e Freya.

-Tudo bem, a próxima é você e eu prometi não interferir; Felícia falou erguendo as mãos em sinal de paz, antes que a jovem desaparecesse.

Não seria bom contraria-la e como Harmonia dissera, teriam de esperar. Assim fora o combinado quando Freya conseguira reunir as três mulheres. Deixar que cada uma agisse a sua própria maneira.

Bufou exasperada, se ao menos pudesse fazer aquilo sozinha não teria de esperar tanto. Mas situações desesperadas, requeriam medidas igualmente desesperadas; Fréya pensou.

Continua...

Sabe, eu quase chego a ficar com dó do Shun e da Hilda. Mas vejam bem... Eu disse 'Quase'. Rsrsrsrs...

Mas eu realmente estou adorando trabalhar com esse casal. Nunca pensei que esse desafio iria estimular tanto minha imaginação. O Shun por si só é um personagem que abre um leque de infinitas possibilidades.

Muitos podem não perceber, mas ele é versátil. Num momento em que ele aparenta ser aquele querubim renascentista, fofo e casto. No outro ele pode se tornar um poço de complexidade, totalmente indecifrável.

E o legal da Hilda é toda essa inocência dela, que mesmo ela vivendo no meio de guerras e conflitos políticos em Asgard, ela ainda tem aquele lado menina na bolha de cristal. Como se ela houvesse decorado o manual da Arte da Guerra, mas as experiências de vida e o feeling dela fossem zero.

Inicialmente eu pensei em fazer uma fic curta dos dois, mas depois do segundo capitulo quando as coisas começaram a surgir que nem uma tempestade na minha cabeça, eu vi que isso não ia rolar. Eles merecem uma fic média/ longa no mínimo.

Tem muita saia justa para colocar esses dois. Eu particularmente estou me divertindo ao contar as desventuras em série que esse casal passa. Enquanto o Shun tenta manter a visão que a Hilda tem do mundo, o mais pura possível. Outras três divindades rebeldes querem mesmo é ver o circo pegar fogo.

Enfim, gostaria de agradecer de coração a todos que vem acompanhando "Entrando Numa Fria". Fiquem a vontade para expressarem a opinião de vocês. Para aqueles que têm problema com o Ff-net e quiserem entrar em contato comigo, posso ser encontrada no Orkut, Pan Box, Pan Box Fórum, no Anjos da Noite Blog, MSN e no You Tube (mas com o nick de JessyHelsing).

Ademais, nos vemos na próxima.

Um forte abraço

Dama 9