ENTRANDO NUMA FRIA
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aishi, Felícia e Alegra são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
CAPITULO 7: Flores, biquínis e armações.
.I.
Por todas as divindades do mundo, que época era essa que vivia, que não podia nem ao menos confiar na inocência das flores mais? –ele se perguntou consternado, enquanto estacionava o carro na garagem.
-O que vamos fazer amanhã? –Hilda perguntou tentando quebrar o silêncio constrangedor que se instalara entre os dois depois da floricultura.
Entretanto era difícil ignorar os donos da floricultura que lhes recepcionaram, dois rapazes de longos cabelos dourados, que se passariam perfeitamente por gêmeos se os olhos de ambos respectivamente não fossem, dourado e violeta.
-Uma empresa de decoração foi contratada; Shun explicou enquanto descia do carro e dava a volta para abrir a porta para dela. –Eles ficaram de entregar amanhã o lay-out do salão de festas, mas só saímos por volta das nove; ele explicou.
-Certo! – ela murmurou, enquanto pegava as sacolas no banco de trás.
Suspirou cansada, jamais pensou que uma inocente ida ao shopping ou a uma delicatessen podessem causar tanta comoção; ela pensou sentindo a face aquecer-se, mas pelo menos Felícia e Alegra tinham a presença menos perturbadoras do que os dois rapazes que assim que chegaram, começaram a falar de Orquídeas e Rosas de uma forma que faria um devasso corar.
-O jantar é por volta das sete, ainda da tempo de descansar um pouco; Shun comentou, enquanto dirigiam-se para o hall de entrada.
-Senhor, sua irmã ligou; Yume falou aproximando-se.
-Estranho! Pandora normalmente liga no celular primeiro; ele murmurou pegando o aparelho e franziu o cenho ao constatar que não havia nenhuma chamada perdida.
Não era normal isso acontecer, alias, desde que ela e Ikki andaram se estranhando em seu último aniversário, a jovem de melenas negras vinha evitando ligar direto para a mansão e correr o risco do irmão interceptar a ligação.
-Não faz muito tempo que ela ligou; a jovem de melenas castanhas falou.
-Certo! Depois ligo de volta, obrigado; ele respondeu com um sorriso.
-Sua irmã não vive no Japão? –Hilda indagou curiosa.
-Não, ela vive no condado de Heinstein, na Turingia, uma cidade do interior da Alemanha; Shun explicou, enquanto começavam a subir as escadas. –Os pais dela... Quero dizer, nossos pais viviam no castelo Heinstein e com o final das guerras ela decidiu ficar lá e eu, bem... Estou aqui; ele completou com um sorriso hesitante.
-Imagino, depois de viver tantos anos no Japão, é difícil se acostumar com a vida em outro lugar; Hilda comentou pensativa.
-E você, nunca pensou em experimentar viver em outro lugar que não fosse Asgard? –ele indagou casualmente.
-Não! – a jovem respondeu com simplicidade. –Talvez seja comodismo, mas com todas as coisas que aconteceram em Asgard nos últimos anos eu não achei que algum dia sairia de lá, nem mesmo por um mês; ela comentou sorrindo.
-Eu gosto do Japão, adoro a primavera daqui quando o gelo branco derrete dando lugar ao rosa das Sakuras, ou o roxo das Ayames; o cavaleiro falou sorrindo enquanto detinha-se em frente a porta do quarto da jovem, para em seguida abrir a porta e dar-lhe passagem. –Bem, tenha um bom descanso. Se precisar de algo, minha porta é a da frente; ele avisou e antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, já havia fechado a porta e se retirado.
Suspirou pesadamente, enquanto jogava as sacolas sobre a cama, jamais pensou que aquele dia demoraria tanto a acabar; ela pensou encaminhando-se para sua mala, com a intenção de pegar algumas peças de roupa e tomar um banho antes de descansar para a hora do jantar.
.II.
Deitou-se em uma espreguiçadeira, vendo pouco a pouco o sol esconder-se atrás das árvores e uma brisa suave trazer a noite. Suspirou um pouco sonolenta, fazia bastante tempo que não sentava-se no jardim para ver o tempo passar.
Normalmente quando estava na mansão Kido preferia refugiar-se no planetário e ver as estrelas; ela lembrou-se.
-Vai ser uma bela noite; uma voz grossa falou a seu lado.
-Parece que sim; Saori respondeu sorrindo ao ver a imagem de um jovem de longos cabelos dourados materializar-se a seu lado. –Mas você parece cansado;
-Foi um dia longo; ele respondeu sentando-se na outra espreguiçadeira. –Elas estão dispostas a tudo para juntar aqueles dois;
-E o que você acha disso? –ela perguntou casualmente.
-Tudo ficaria mais fácil se pudesse usar minhas flechas; Eros reclamou aborrecido. –Mas minha irmã me proibiu de chegar perto de qualquer um dos cavaleiros com elas;
-Talvez Harmonia queria que as coisas se desenvolvam sozinhas e não posso dizer que discordo dela; Saori falou sorrindo.
-É uma pena que Freya e Hator não pensem assim; o jovem arqueiro falou passando a mão levemente pelos cabelos. –Até mesmo Freyr se uniu a causa, mas não tivemos muito sucesso com as flores; ele falou aborrecido.
-Já pensou em adotar uma abordagem mais sutil e menos agressiva? –ela sugeriu.
-Freya acha que sutilezas vão deixá-los acomodados demais. Hator disse que uma abordagem mais agressiva vai estimular o sexy-apple deles e fazer as coisas se ajeitarem de maneira mais eficiente; ele explicou.
-E você? O que acha? –Saori perguntou.
-Não tive muito tempo de pensar nisso; Eros confessou. –É difícil tomar alguma decisão quando se esta entre três mulheres de personalidades tão fortes; ele explicou. –Até eu me sinto intimidado por elas às vezes; ele confessou.
-Não duvido; Saori falou sorrindo. –Quando elas colocam uma idéia na cabeça, é impossível demove-las;
-Mas e você, como está? –ele perguntou de repente.
-Uhn!
-Você me pareceu um pouco deprimida aqui sozinha; Eros comentou preocupado. –Esta com algum problema?
-Não, esta tudo bem; ela desconversou. –Mas agora vou ter de entrar, você se importa?
-Não, fique a vontade; ele falou sorrindo, enquanto estendia-lhe a mão, para ajudá-la.
-Ah! Boa sorte amanhã, talvez vocês consigam algo; Saori falou sorrindo, antes de se afastar.
-Tomara; Eros murmurou, vendo-a desaparecer pelos fundos da casa. Balançou a cabeça levemente para os lados, antes de lançar um olhar de soslaio para o irmão que acabara de surgir atrás de si. –Fico pensando quanto tempo mais, você vai deixá-la nessa agonia?
-Tudo tem seu tempo, irmão; Anteros falou fitando-o com os gelados orbes dourados. –Tudo a seu tempo; ele respondeu calmamente, enquanto com a ponta dos dedos afastava alguns fios negros que o vento lançara sobre seus olhos.
.III.
Serrou os punhos sob a barra de ferro, vendo as juntas dos dedos ficarem quase brancas antes que a suspendesse para cima. Respirou e inspirou fundo, repetindo o movimento, para cima e pra baixo seguidas vezes, tentando manter a barra equilibrada.
Fazia muito tempo que não usava a academia da mansão para se exercitar, mas ao chegar em seu quarto e tentar descansar até o jantar, vira que a inquietação que sentia não lhe daria paz.
Fechou os olhos, enquanto forçava os alteres para cima e soltava-os sobre o suporte. Suspirou aliviado por livrar-se do peso. Aquilo deveria ser fácil para si, isso é claro, se estivesse concentrado o suficiente para levar aquela bateria de exercícios a sério; ele pensou.
Entretanto, desde o dia anterior vinha tendo dificuldade em se concentrar, principalmente ao ficar sabendo quem era a "Madrinha".
Balançou a cabeça levemente para os lados, o melhor que tinha a fazer era tomar um banho frio e refrear seus pensamentos; ele pensou, levantando-se e decidindo usar o vestiário anexo ao ginásio em vez de ir primeiro para seu quarto.
-o-o-o-o-o-o-
Jogou-se na cama, sentindo-se completamente exausta. Aquela noite sem duvidas dormiria como um anjinho, com calor ou sem. Suspirou pesadamente e estava quase dormindo ali mesmo, quando a irmã irrompeu porta a dentro.
-Vamos! Vamos! Vamos! Quero saber tudo, não me esconda nada; Freya falou animada, jogando-se a seu lado na dama.
-Hein?
-Oras, como foram as coisas com o Shun? –ela perguntou curiosa.
-Conseguimos resolver a maioria das coisas que estavam agendadas; Hilda respondeu sem entender o olhar decepcionado da irmã.
-Só? –Freya perguntou incrédula.
Como ela podia passar um dia inteiro com um cavaleiro lindo, charmoso e cheiroso como Shun e ser tão impessoal na resposta? Hyoga que lhe perdoasse, estava comprometida, mas não cega para os prazeres da vida, que obviamente incluíam apreciar o que era belo.
Mesmo Shun com aquela carinha de querubim renascentista era de arrasar quarteirão quando queria, alias, ele andava bancando o celibatário nos últimos meses não por falta de opção, porque conhecia uma porção de garotas que desejariam saber na pratica se aquele virginiano era tão perfeccionista e meticuloso como dizia o signo.
Por isso precisava agir rápido, um bom partido desses não iria ficar solteiro por muito tempo e sua irmã, sua adorada irmã, merecia o melhor, nada menos do que o melhor; ela pensou sorrindo largamente.
-As sobremesas já foram escolhidas e a prova dos bolos vai ser no final de semana; Hilda comentou.
-E o que achou da Felícia? –Freya perguntou com um sorriso malicioso.
-Ahn! Bem...; Hilda balbuciou corando furiosamente. –Ela é uma pessoa bastante diferente;
-Ah! Confesse; a irmã provocou, enquanto virava-se na cama de forma que pudesse apoiar os cotovelos no colchão e fitar a irmã. –Não ficou nem um pouquinho curiosa para saber onde metade daquelas coisas que ela vende lá, são usadas? –ela perguntou.
-Não! Definitivamente, não! – Hilda respondeu escarlate.
-Ah! É uma pena; ela murmurou em desalento, mas isso não lhe faria desistir. –Mas o que são essas sacolas então?
-Veja bem, eu tentei dizer a ela que...;
-Nossa! – Freya falou cortando-a, enquanto virava as sacolas sobre a cama para ver o que Felícia conseguira fazer a irmã levar para a casa. Arqueou a sobrancelha levemente, enquanto segurava uma camisola de cetim esmeralda. Definitivamente Felícia não brincava em serviço; ela pensou vendo os acompanhamentos. Meias de ceda, cinta liga e outras cositasmais.
-Eu disse a ela que não havia necessidade de tanta coisa; Hilda tentou explicar.
-Uhn! Talvez, mas essa combina com você; Freya completou voltando-se para a irmã e colocando a camisola na frente dela. –Olha só e tem uma azul também; ela continuou revirando as coisas.
-Freya; Hilda falou começando a entrar em pânico.
-Isso vai ser interessante; Freya murmurou sorrindo largamente.
-É melhor eu guardar isso; a jovem resmungou pegando rapidamente as coisas e nervosamente jogou-as de volta nas sacolas, antes que a irmã pudesse falar algo contra.
-Tudo bem, mas ela ao menos lhe explicou como usar tudo isso? –a irmã perguntou curiosa, enquanto sentava-se na cama e via Hilda nervosamente tentar enfiar a sacola dentro do guarda-roupa sem destruir nada no caminho.
-Claro; Hilda resmungou aborrecida.
Alem de estar inquieta por conta de toda aquela agitação do dia, ainda tinha aquele calor todo que estava começando a lhe dar nos nervosos e que nem o banho frio resolvera, apenas piorara; ela pensou assoprando alguns fiozinhos azulados que caiam sobre seus olhos, mas notou aborrecida que eles estavam começando a colar-se a sua pele.
-É sempre tão quente nessa época do ano? –ela perguntou voltando-se para a irmã.
-Normalmente não, mas hoje a casa esta abafada; Freya explicou. –Tatsume mandou fazer manutenção no sistema de ar-condicionado da casa, por isso os aparelhos foram desligados e só serão religados após o jantar;
-Entendi; ela resmungou, suspirando pesadamente. Talvez mais um banho frio pudesse ajudar a aliviar aquele calor, antes que tivesse uma desidratação ou coisa parecida.
-Mas se você esta com tanto calor, tenho uma idéia; Freya falou animada, com os orbes brilhando.
-Algo me diz que não vou gostar disso; Hilda falou desconfiada.
-Ah! Não seja tão cínica assim, isso não combina com você; a irmã reclamou. –Eu só pensei que talvez você quisesse entrar na piscina do ginásio. Lá é o único lugar que o sistema de refrigeração é independente, provavelmente deve estar fresquinho lá; ela falou.
-Você sabe muito bem que eu não sei nadar; ela falou arqueando a sobrancelha.
-Eu sei, mas nada te impede de entrar um pouco e se refrescar. Em vez de ir se trancar no banheiro e acabar cozinhando numa sauna antes de conseguir regular a temperatura; Freya falou eloqüente. –Alem do mais, a piscina não é olímpica, tendo dois metros de profundidade em toda ela. Ela tem uma parte rasa;
-Não sei! Não acho isso uma boa idéia; Hilda falou. Não queria arriscar e correr o risco de se afogar; ela pensou preocupada.
-Não se preocupe, eu vou com você; Freya falou prontamente.
-Mas...;
-Ainda temos tempo antes do jantar, alem do mais depois de sair da piscina você pode usar o banheiro do vestiário para se vestir, então não fique inventado desculpas para não ir; ela adiantou-se.
-Mas não tenho roupa nenhuma pra vestir e-...; ela parou de argumentar quando viu a irmã levantar-se da cama e disparar para fora do quarto.
Estupefata, apenas ouvi os passos dela pelo corredor, um grito feminino, provavelmente de alguém que ela tropeçou no caminho, antes de ouvir por fim a porta do quarto da irmã abrir-se.
-Ahn! Imagino que Freya tenha saído daqui; uma Saori toda descabelada falou encostando-se no batente da porta.
-Desculpe, minha irmã às vezes não pensa pra fazer as coisas; Hilda desculpou-se.
-Sem problemas; a jovem murmurou respirando fundo e recompondo-se rapidamente. –Mas porque toda aquela pressa?
-Não faço a mínima idéia do que ela esta tramando; Hilda respondeu hesitante. –Ela estava tentando me convencer de entrar na piscina do ginásio e eu disse que não tinha roupa, ai Freya saiu correndo; ela explicou.
-Uhn! – Saori murmurou assentindo.
-Voltei; Freya falou entrando correndo no quarto e jogando algumas coisas sobre a cama. –Ah! Saori, venha nos ajudar a escolher um que fique bom; ela chamou acenando para ela.
-O que é isso? –Hilda perguntou pegando com a pontinha dos dedos um pequeno triangulo de pano com alguns fiozinhos nas laterais, arqueou a sobrancelha voltando-se para a irmã, que jazia com a face corada pela corrida.
-Oras! Você disse que não tinha roupa para vestir e entrar na água, então, fui buscar algumas coisas; ela falou como se fosse obvio.
-Mas em que exatamente isso vai ajudar? –Hilda perguntou voltando-se para Saori.
-Aqui, quando vamos entrar numa terma usamos uma tolha em volta do corpo. Quando vamos a uma piscina usamos maiôs ou um biquíni; Saori falou indicando o jogo de duas peças que Freya estendia na cama.
-Não entendi. Se a intenção é cobrir, tem alguma coisa errada com isso aqui; Hilda falou inconformada. –Será que você não deveria reclamar com a loja que comprou essas peças. Obviamente elas devem ter vindo com defeito, são pequenas demais; ela comentou.
-Ahn! Elas não têm defeito algum; Freya falou respirando fundo, pra não rir. –Acontece que elas são assim mesmo, é para você poder, bem... Sabe; ela falou gesticulando de forma que imitasse alguém nadando, entretanto a irmã apenas arqueou ainda mais as sobrancelhas afinaladas.
-Porque não experimenta um para ver como é? –Saori sugeriu.
-Acho que não vai adiantar muito; Hilda falou inconformada, erguendo um das peças na altura dos olhos. –É muito pequeno;
-Você não perde nada experimentando; Saori ressaltou, lançando um olhar de aviso a Freya, quando a mesma ameaçou falar algo que provavelmente fosse deixar a irmã constrangida. –Vamos fazer assim, se você se sentir melhor eu vou até meu quarto, visto um e mostro como ficou. Depois você experimenta os modelos que Freya trouxe, sem pressão; ela ressaltou.
-...; Hilda assentiu, aliviada.
-Eu volto logo; Saori avisou.
.IV.
Bateu a ponta dos dedos insistentemente sob o tampo da mesa. Fazia pelo menos quinze minutos que estava esperando a ligação completar e nada. Olhou discretamente para os lados, garantindo que não havia ninguém por perto, principalmente a noiva.
Sabia muito bem o que June pensava sobre aquilo, mas não podia simplesmente jogar a toalha. Não quando seu "irmãozinho" estava prestes a cair nas ardilosas armadilhas de Freya; ele pensou serrando o punho e batendo-o sobre o tampo da mesa.
-Alô;
Droga! Deveria ter previsto que a asgardiana não iria pegar leve, mas ouvir da boca do próprio Escorpião que o irmão estava levando fama de "tarado" por causa das armações dela, que arrastou-o para um antro de perversão. Ah! Já era de mais...;
-Alô; a voz do outro lado soou impaciente.
-Oi; Ikki respondeu.
-O que quer Fênix?
-Nossa! É assim que você fala com seu novo "irmãozinho"... Pensei que houvéssemos decidido dar uma trégua? –ele respondeu em tom de provocação.
-Primeiro, você não é meu irmão. Segundo, trégua só nos seus sonhos. Terceiro... Se não for sobre o Shun, é melhor procurar outra pessoa para atormentar que eu tenho mais o que fazer; Pandora respondeu aborrecida.
-Porque outro motivo eu ligaria alem de falar sobre o Shun? –ele indagou sarcástico.
-Poupe-me das ironias Fênix, diga logo o que quer, tenho mais o que fazer; ela avisou.
-Freya está armando para cima dele; Ikki falou em tom irritado.
-Como? –Pandora perguntou arqueando a sobrancelha.
-Você já sabe que ela vai se casar com Hyoga no fim do mês; ele continuou antes que ela pudesse responder. –Shun e Hilda são os padrinhos;
-E?
-E ela esta tentando juntar os dois; ele exasperou.
-Deixe-me reformular a pergunta... E daí? –ela indagou.
-Você não entende? –Ikki exasperou. –Estamos falando do Shun se você não percebeu;
-Ahn! Acho que você não percebeu uma coisa; Pandora falou calmamente. –Se bem me lembro, o Shun não tem mais cinco anos de idade. Ele já é um homem de vinte e dois anos, vacinado, sexy e capaz de cuidar dos próprios casos sozinho;
-O que? –ele quase berrou.
-Alem do mais, você esta se preocupando a toa, mesmo depois de tanto tempo Hilda ainda deve pensar em Siegfried. Por isso Shun não corre perigo algum;
-Como sabe disse? –o cavaleiro perguntou incrédulo quanto à calma dela.
-Porque ele mesmo me contou; ela falou dando de ombros.
-Quando? –Ikki perguntou confuso.
-Hoje mesmo, estivemos conversando... Parece que houveram alguns maus entendidos com uma vendedora no shopping e ele ficou com medo que Hilda acabasse se magoando por conta das coisas que a vendedora falou ou até mesmo constrangida na presença dele.
-Mas...; ele balbuciou incrédulo. Porque o irmão falara essas coisas para ela, em vez de procurar por si? –ele se perguntou.
-E antes que você me acuse de jogar sujo, eu só fiquei sabendo disso porque ele pediu minha opinião como mulher, não como irmã; ela ressaltou. –Alem do mais, o assunto surgiu por acaso;
-Entendo; ele murmurou.
-Porque não experimenta conversar com ele quando estiver mais calmo. Procure ignorar as teorias de conspiração, talvez isso ajude; Pandora sugeriu.
-Vou ver; Ikki falou vagamente. –É melhor eu desligar agora; ele completou ouvindo passos.
-Fenix!
-Uhn?
-Acho que esta na hora de você admitir que o Shun não é mais um garotinho que precisa ser protegido. Ele tem força pra vencer as próprias batalhas. Enquanto você insistir em vê-lo como criança ele vai continuar a se afastar...; Pandora falou detendo-o antes que ele desligasse. –Outra coisa, procure controlar o ciúme, não é como se ele só estivesse esperando você virar as coisas para levar sua noiva pra cama; ela alfinetou antes de desligar.
-O que? –ele berrou, mas só ouviu o som da linha caindo do outro lado.
-Algum problema amor? –June perguntou se aproximando.
-Não! Problema algum; ele murmurou olhando vagamente para o aparelho de telefone. O que Pandora quisera dizer com aquilo?
.V.
Apertou bem o roupão em torno do corpo enquanto atravessava o corredor. Ainda não conseguia compreender como fora convencida a vestir aquilo, ou melhor, quem sabe se estivesse completamente nua ainda conseguiria esconder algo, porque com aqueles míseros retalhos, não havia muita coisa para deixar a encargo da imaginação, não que fosse ser vista por alguém, é claro.
-Calma, é só um traje de banho; Saori tentou tranqüilizá-la.
Seu único consolo naquilo tudo é que a jovem estava lhe acompanhando até a piscina. Freya estaria com elas se não houvesse sido detida por Hyoga no meio do caminho, mas prometera se juntar a elas assim que se vestisse.
-Mas e se alguém me ver assim? –ela perguntou incomodada, fechando ainda mais a gola do roupão.
-Acredite, duvido muito que qualquer um dos outros fosse reclamar; ela falou rindo quando viu-a corar furiosamente.
-Isso não tem graça; Hilda balbuciou constrangida, principalmente por ter imediatamente lembrando-se de um par de orbes verdes olhando para si. Engoliu em seco, sentindo um arrepio correr o meio de suas costas.
A lembrança daquele encontro no vestiário da loja ainda estava bem fresca em sua mente para ser ignorada; ela pensou balançando a cabeça levemente para os lados.
-Não se preocupe, a piscina não é tão funda; Saori a tranqüilizou, pensando ser essa sua preocupação. –A parte rasa tem meio metro e a funda um metro e oitenta, mas provavelmente se você ficar em pé não terá problemas; ela explicou.
-Entendi; Hilda falou pensativa.
-Mas qualquer coisa, fique próxima a borda, onde você sempre pode se apoiar; Saori explicou. –A escada foi tirada para manutenção, mas ela normalmente fica na parte funda da piscina;
-Não pretendo ir até a parte funda, só quero um pouco de alivio para esse calor; ela falou dando de ombros.
-Sem problemas; Saori falou sorrindo, enquanto abria a porta do ginásio.
-SENHORITA SAORI!
-Ah! Não; ela murmurou com ar desolado.
-O que foi? –Hilda perguntou.
-Tatsume; Saori respondeu balançando a cabeça levemente para os lados. –Se eu não for lá, ele não me deixara em paz;
-Mas...;
-Pode ir entrando. Vou deixar a porta aberta; Saori falou travando a porta num pedal de forma que ela ficasse completamente aberta. –Lembre-se, a parte funda fica a direita, mas em todo caso é só procurar o encaixe da escada para saber onde é a parte funda. Eu volto logo; ela explicou antes de sair.
-Certo! – Hilda falou vendo-a sumir ao longo do corredor. –Droga! Mais essa agora; ela resmungou entrando no ginásio.
Deixou os orbes correrem por toda à parte e franziu o cenho ao ver uns equipamentos estranhos do outro lado, próximo a uma pequena arquibancada. Outra hora perguntaria a Freya para que eram usados àquelas coisas.
Respirou fundo, enquanto atravessava a entrada, indo até as portas do vestiário. Olhou para todos os lados garantindo que não tinha mais ninguém ali e por fim tirou o roupão, colocando-o dobrado sobre um banco, ao lado da porta.
Hesitante, aproximou-se da beirada da piscina. Olhou novamente para os lados, buscando as identificações que Saori dera.
-Ela disse direita, mas que direita? De quem entra, ou de quem sai? –ela se perguntou confusa.
A jovem estava praticamente de costas quando dissera isso, então não tinha como saber se era a sua direita ou a dela, que no caso seria esquerda. Entretanto, havia o local de encaixe da escada que indicava a parte funda, só precisava encontrá-lo agora; ela pensou satisfeita.
Baixou os olhos para a beirada, vendo os ladrilhos do mesmo formato, provavelmente ela deveria estar do outro lado. Mas com todo aquele calor. Quem sabe se caísse na piscina perto da borda poderia testar a profundidade depois; ela pensou.
Hesitante, colocou a pontinha do pé na água para testar a temperatura e sorriu satisfeita ao senti-la fria. Não tanto quanto estava acostumada, mas já era um começo.
-Hilda!
Virou-se rapidamente para trás, tirando o pé da água. Entretanto com o susto, recuou instintivamente ao ver aquele homem gloriosamente despido surgir na porta atrás de si, coberto por um ínfimo pedacinho de tecido na cintura.
Mal teve tempo de se recuperar quando sentiu o chão abaixo de seus pés desaparecer e a água cobrir-lhe o corpo.
Continua...
Pra começar o ano com pé direito... XD
