ENTRANDO NUMA FRIA

By Dama 9


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aishi, Felícia e Alegra são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Importante!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!


CAPITULO 10: Compras.

.I.

Suspirou pesadamente, enquanto lançava um olhar desolado para a jovem de melenas lilases, já perdera a conta de quantas horas estava em pé sobre aquele palanque, esperando a costureira ajoelhada no chão, terminar de fazer a barra.

-Tem certeza de que precisamos de tudo isso? –Hilda indagou, vendo Saori confortavelmente sentava numa poltrona a poucos metros de onde estava, folheando distraída uma revista.

-Claro, você é a madrinha da noiva, tem que estar tão deslumbrante quanto ela; Saori respondeu sorrindo.

-Mas...;

-Já estamos terminando, meu bem... Logo faremos um intervalo; a costureira adiantou-se, ao notar os ombros da jovem curvarem-se por cansaço.

-Depois nós vamos encontrar com o Shun e almoçar, antes de continuar a maratona de compras; Saori explicou.

-Mais compras? –Hilda indagou chocada, vendo a jovem sorrir ainda mais.

-Pense pelo lado positivo;

-Qual? –ela indagou, embora temesse a resposta.

-Vamos ter o Shun pra carregar as sacolas... Quer coisa melhor? –a jovem brincou, com um sorriso igual ao gato da Alice.

-Eu poderia ter sido poupada dessa resposta; Hilda resmungou com desalento.

Não que quisesse evitar a presença de Shun, mas depois do que acontecera entre ambos na noite anterior, sentia-se vulnerável com ele. Há muito compreendera que precisava ser forte pra não se ferir, então evitava permitir que as pessoas se aproximassem demais, mas a forma como ele fora chegando e se apossando de seus pensamentos, a deixava apavorada.

-Pronto! Pronto! Já acabamos; a costureira falou, afastando-se com a caixa de costura e ajudando-a a descer do palanque.

Hilda assentiu, antes de retornar ao provador para retirar o vestido.

.II.

Passou a mão nervosamente pelos cabelos, todos os documentos que Saori deixara estavam impecáveis, prontos para serem apresentados na reunião daquela tarde, mas ainda sim, não conseguia se concentrar.

Bufou exasperado, a conversa naquele café da manhã, fora bastante suspeita. Agradecia aos céus que Saori fora junto com Shun e Hilda fazer compras, já estava cansado dos fuxicos que corriam a casa desde que os dois começaram a sair juntos resolvendo as coisas do casamentos.

Ainda tinha aquela conversa com Pandora, lhe perturbando a paz de espírito. Droga! Se ao menos não tivesse tido uma conversa semelhante com o próprio Shun algum tempo atrás.

-Com licença; Saga falou, batendo levemente na porta.

-Oh Saga, pode entrar; Ikki falou, saindo das perturbadas reflexões. –Aconteceu alguma coisa?

-Não, pelo menos, acho que não; o cavaleiro falou dando de ombros, vendo-o arquear a sobrancelha. –Eu estava vindo pra cá quando chegou uma mensagem, Yume pediu que eu te entregasse; ele falou, estendendo-lhe um envelope.

-Obrigado; ele respondeu, franzindo ainda mais o cenho ao ver o nome do diretor de segurança da empresa.

-Agora sou eu que pergunto, aconteceu alguma coisa? –Saga indagou casualmente.

-O chefe da segurança da empresa, que faz o monitoramento das outras propriedades acopladas ao grupo Kido, disse que foi informado de uma movimentação estranha no chalé nas montanhas de Yokohama e me pediu pra designar alguém para ir até lá;

-Sério? Porque você? –o geminiano perguntou confuso. –Quero dizer... Se ele é o chefe da segurança, porque tem de ser você?

-Porque estou substituindo o Shun como vice-presidente. Mesmo os diretores, só enviam funcionários em viagens, depois da aprovação do vice-presidente; ele explicou.

-Entendi; Saga respondeu. –E você, já tem idéia de quem vai mandar?

-Se eu pudesse, ia eu mesmo. Detesto ter de ficar escolhendo funcionário para essas coisas. Alias, detesto ter de ficar atrás da mesa, perdendo o melhor da diversão; Ikki falou emburrado.

-Então, porque você não vai? – o geminiano falou casualmente.

-Tenho uma reunião hoje à tarde, alem de um monte de coisas pra fazer; Ikki falou.

-Mas amanhã já é sexta-feira, a empresa para nos finais de semana, quem sabe se você fosse depois da reunião, consegue resolver tudo? –Saga sugeriu inocentemente.

-É, talvez consiga; ele murmurou pensativo.

-E quem sabe June pode te acompanhar, um final de semana em Yokohama pode ser bem relaxante, pelo menos é o que Saori vive dizendo; o cavaleiro completou como quem não quer nada.

-Certo, vou falar com ela antes de ir pra empresa e vamos pra lá; Ikki concordou animado.

-Bem, vou indo então; Saga falou acenando pra ele. –Até depois;

-Até... E obrigado; o cavaleiro completou vendo-o fechar a porta.

.III.

Apoiou distraidamente os cotovelos sobre a mesa, baixou os olhos para a xícara de café ainda intacta a sua frente. Se olhasse no relógio, veria que três horas já haviam se passado desde que Saori e Hilda entraram na loja de vestidos, pra fazer a prova das roupas.

Dessa vez, optara por deixar tudo com Saori, evitando assim possíveis constrangimentos; ele pensou, lembrando-se do que acontecera da última vez.

Entretanto, estava começando a ficar cansado de esperar, por mais que Shaka dissesse que paciência era uma virtude cunhada para os virginianos, tinha lá suas duvidas, principalmente em momentos como aquele.

-Nossa, que animo; uma voz feminina soou a suas costas.

Virou-se a tempo de ver a amazona de melenas verdes puxar uma cadeira a seu lado e sentar-se.

-Shina; Marin a repreendeu, diante do olhar surpreso do cavaleiro.

-Oras Marin, não é como se o Shun fosse algum desconhecido, que fossemos obrigadas a esperar um convite pra sentar, não é? –ela completou voltando-se para o cavaleiro, como se o desafiasse a contrariá-la.

-Fiquem a vontade, por favor; ele respondeu um pouco aturdido.

-Estávamos passeando quando o vimos; Marin tentou justificar.

-Ppensamos que você tinha saído cedo pra levar Saori e Hilda para fazerem a prova das roupas, mas não estou vendo elas? –Shina falou curiosa, olhando para os lados.

-Elas estão na loja, mas optei por tomar um café aqui; Shun respondeu, indicando o local do outro lado do extenso corredor, repleto de lojas.

-Também, depois daquela do Sexy Shop, qualquer um evitaria entrar numa loja de roupas femininas; Shina falou abafando o riso, fazendo o cavaleiro engasgar com o café que estava tomando.

-Shina; Marin a repreendeu.

-Tudo bem, não é como se isso fosse algum segredo; Shun resmungou. Assim que tivesse chance, iria torcer o pescoço de Milo por isso, pois não havia duvidas de que fora o Escorpião a "passar" a informação sobre o fatídico interlúdio dentro da loja. –Mas e vocês, acharam algo interessante por aqui? –ele perguntou tentando mudar de assunto.

-Livros; Shina adiantou-se, mostrando a sacola que tinha em mãos. –E também um trio de malas sem alça, que é de dar nos nervos; ela reclamou em seguida.

-Uhn?

-Encontramos Shura, Aiolia e Kanon aqui também; Marin falou, como se isso, por si só respondesse o porque da amazona estar aborrecida.

-Aquele idiota; ela resmungou, rolando os olhos.

-Mas mudando de assunto, falta muita coisa ainda para organizar do casamento Shun? –Marin perguntou.

-Não, já contratei uma empresa que vai organizar a mansão para a festa e os demais eventos. Uma amiga da Saori recomendou essa equipe pra mim e o serviço deles é de confiança; ele explicou. –Agora só faltam mesmo as roupas que as garotas estão vendo e um atirador de elite; ele completou deixando a xícara de lado, ao sentir o liquido frio tocar seus lábios, torcendo o nariz.

-Pra que? –Shina perguntou surpresa.

-Pra acertar um dardo tranqüilizante, do tipo sossega leão na Freya, e que de preferência, faça ela acordar só três horas antes do casamento. Assim ela não fica fazendo terrorismo em cima de ninguém, principalmente da Hilda por conta desse casamento; ele completou aborrecido.

-Ela não ta dando folga, não é? –Shina falou, tocando-lhe a mão por sobre a mesa, de maneira conciliadora.

-Não, nem um pouco; ele respondeu suspirando pesadamente.

Sentia que Freya, mesmo que discretamente estava fazendo pressão em cima de Hilda por conta do casamento, por isso temia que a jovem acabasse se sobrecarregando, mas nessa etapa do campeonato não iria adiantar nada falar com Hyoga sobre isso, pra faze-lo refrear a noiva.

-Uhn! Que feliz coincidência encontrar tantos conhecidos por aqui; uma voz carregada de sarcasmo espanhol soou atrás deles.

-Como vão? –Shun perguntou, voltando-se para os três cavaleiros recém chegados, engoliu em seco diante do olhar envenenado de Shura sobre si, puxou a mão lentamente, escondendo-a por baixo da mesa, só agora notando que Shina ainda segurava sua mão.

-Bem, mas pensei que você estivesse com Saori e Hilda; Kanon falou, lançando-lhe um olhar especulativo, quase de acusação.

-Elas estão provando as roupas numa loja aqui perto; ele falou, indicando o mesmo lugar que mostrara a Marin e Shina minutos antes.

-E vocês, já almoçaram? –Aiolia indagou casualmente.

-Não, paramos para conversar com Shun primeiro; Shina respondeu.

-Enquanto isso, quem esta protegendo Athena? –Kanon indagou em tom frio.

-Como? –Shun perguntou voltando-se para ele.

-Isso mesmo, porque nesse exato momento alguém poderia entrar lá e fazer algum mal a ela; o geminiano espezinhou.

-Kanon, o fato de estar aqui, não quer dizer que eu esteja desatento ao que acontece dentro daquela loja; Shun falou ficando serio. –E os motivos óbvios pelos quais não estou lá, não deveriam nem ser discutidos, mas é claro que não espero que você entenda a Saori, tampouco a Hilda; ele rebateu.

-O que esta insinuando? –ele indagou hostilmente.

-Pessoal, nós sabemos que nada pode acontecer com tantos cavaleiros por aqui, então vamos nos acalmar, sim; Marin falou lançando um olhar a Aiolia, pedindo que ele ajudasse.

-Marin está certa, não vamos fazer tempestade em copo d'água; ele completou, puxando uma cadeira e sentando-se confortavelmente ao lado da amazona.

-Não é isso, estou apenas levantando uma questão pertinente; Kanon reclamou.

-Impertinente, você diz; Shun o corrigiu. –Conheço Saori desde que ela era um bebe, sei bem o quanto ela detesta ter um cavaleiro em cada porta que ela passa, como você diz "garantindo sua segurança", toda essa preparação para o casamento é um momento dela, pra ela curtir como uma garota normal. Não uma deusa reencarnada. Mas não é como se esperássemos que você realmente entendesse isso; ele completou levantando-se. –Com licença; ele falou afastando-se.

-Viu o que você fez? –Shina ralhou.

-Oras, aquele moleque; Kanon resmungou, ameaçando ir atrás do garoto, mas a mão de Shura pousou sobre seu braço, segurando-o.

-O garoto tem razão, você vem agindo de maneira irracional nesses últimos tempos. Nem mesmo o Grande Mestre é tão obcecado com a segurança de Athena quanto você; Shura o repreendeu. –Relaxe, Shun pode dar conta das duas sozinho, alem do mais, nenhuma delas teve oportunidade de agir como uma garota normal nos últimos anos e merecem a chance de fazer isso agora; ele completou, empurrando-o para a cadeira desocupada.

.IV.

Passou a mão nervosamente pela massa de cabelos platinados, tentando prende-los novamente no coque que fizera. Aquele tira e põe, estava deixando os fios arrepiados, como se tivesse saído da cama naquele momento.

-Só mais um pouco; a costureira pediu, enquanto marcava a barra do longo vestido de noite que ela provava.

-Ainda não entendo porque tantas roupas diferentes? –ela falou cansada, Saori já não ocupava a poltrona de antes, provavelmente estava provando seus vestidos.

-O chá de panelas é á tarde, então não fica bem você usar um vestido longo, nem escuro. É preciso algo mais suave que valorize suas curvas e a cor suave de sua pele; a costureira explicou. –Sem é claro, deixar você parecendo um fantasma, sendo tão clarinha assim; ela brincou, abafando o riso. –Quanto ao vestido longo, é para o jantar de ensaio, que acontece uma noite antes do casamento, é a preliminar do evento principal, e um jantar de gala o acompanha. Com isso você vai ter uma idéia de como as coisas vão ser no dia seguinte;

-Mas...;

-Cores escuras como preto, vinho, verde musgo e terra queimada, são cores básicas, mas se você prestar atenção, são cores que transpiram confiança. Você como madrinha vai precisar de uma dose extra disso para encarar esses eventos; a senhora explicou com um sorriso carinhoso. –A noiva tende a passar por momentos de alegria a depressão antes do casamento e você precisa estar emocionalmente preparada para ajudá-la nesse momento, então a roupa vai lhe dar esse suporte, alem é claro de realçar seus atributos e deixar qualquer homem de joelhos; ela brincou piscando pra ela.

-Só que...;

-Bem, acabamos aqui; a senhora a cortou. –Vou guardar essas coisas e você já pode se trocar;

-...; Hilda assentiu, vendo-a sair da sala espelhada.

Suspirou aliviada, finalmente poderia descansar um pouco; ela pensou inclinando-se um pouco para trás para soltar o vestido, mas franziu o cenho quando não conseguiu alcançar o zíper.

-Droga; ela resmungou inclinando-se mais.

Perdeu o equilíbrio quando o corpo pendeu pra frente, ergueu-se rapidamente para manter-se em pé, mas ao pisar na barra do vestido, sentiu o tecido ceder um pouco, quando foi em direção ao degrau do palanque. Fechou os olhos esperando pela queda, que certamente seria dolorosa, mesmo a altura sendo tão pequena, mas ela jamais aconteceu.

Sentiu um par de braços fortes contornarem sua cintura e um arrepio correu o meio de suas costas ao sentir os dedos frios do cavaleiro tocarem sua pele, mesmo por sobre as roupas.

-A vendedora disse que eu podia entrar; Shun antecipou-se, enquanto ajudava-a a afirmar-se.

-Ahn? –ela voltou-se confusa pra ele.

-Você esta bem? –ele perguntou baixando os olhos e fitando-a intensamente.

-Estou; ela respondeu engolindo em seco diante do olhar dele.

-Verde fica bom pra você; ele falou baixando os olhos para o vestido longo que ela usava.

-Saori disse que iria ficar; Hilda respondeu desviando o olhar.

-Você não parece muito contente; Shun falou lançando-lhe um olhar especulativo.

-Não é isso... É só que...; ela começou, antes de sentar-se na beira do palanque, segurando a barra do vestido cuidadosamente.

-Se tem algo lhe aborrecendo, gostaria de saber; Shun falou aproximando-se e ajoelhando-se á frente dela, ficando na mesma altura de seus olhos. –Por favor, confie em mim...;

-o-o-o-o-o-

Fechou rapidamente a cortina do provador, enquanto remexia o interior da bolsa, procurando o celular, encontrou-o e com agilidade, discou alguns números.

-Alô; uma voz masculina soou do outro lado.

-Você pode vir me buscar no Shopping? –Saori indagou num sussurro, que quase mal podia ser ouvido do outro lado.

-Aconteceu alguma coisa? –Saga perguntou preocupado.

-Ahn, digamos que é parte daquele plano; ela respondeu como se resumisse tudo.

-Aonde exatamente você esta? –ele perguntou desconfiado.

-Dentro de um provador pra ser mais precisa, mas se você for ser rápido, consigo sair daqui sem ser vista; ela explicou.

-­Saori, o que esta tramando? –ele indagou.

-Yare! Yare! –ela resmungou apressada. –Depois eu explicou, só preciso que você me tire daqui, por favor Saga; ela pediu fazendo beicinho, embora soubesse que ele não poderia ver.

-Detesto quando você faz isso; o cavaleiro resmungou dando-se por vencido. –Acabei de ver o Mú passar por mim, vou pedir uma carona a ele;

-Ótimo, obrigada; ela agradeceu;

-Não fique tão animada, esses seus planos podem sair pela culatra e tenho até medo de pensar o que vai acontecer depois; ele respondeu.

-Não se preocupe, contanto que eu consiga manter aquelas três malucas longe de Shun, não me importo de desviar de algumas balas perdidas; ela respondeu seria.

-Certo! Certo! Daqui a pouco estou aqui, cuide-se kyria; ele completou carinhosamente antes de desligar.

.V.

Observou o cavaleiro ajoelhado a sua frente e quase riu da ironia. Só não o fez por saber que seria uma grande grosseria diante da preocupação que ele demonstrava para consigo.

Suspirou exasperada consigo mesmo, não achava que merecesse toda aquela preocupação, não quando só estava dando trabalho; ela pensou.

-Acho que seria melhor se Freya escolhesse outra madrinha; ela respondeu por fim, externando sua inquietação.

-Porque? –Shun perguntou preocupado, sentindo a voz subir uma oitava com a inesperada exaltação que sentiu ao pensar nessa possibilidade.

-Eu... Bem, não conheço nada aqui, não tenho como lhe ajudar Shun, você tem de convir comigo que não sou de nenhuma ajuda. Você esta cuidando de tudo, se desgastando tanto pra suprir as futilidades de minha irmã e eu só posso ficar assistindo, e pior, atrasando tudo ainda mais; ela falou abaixando os olhos para o vestido, enquanto seus dedos enrolavam-se no tecido distraidamente. –Isso não combina comigo, não sou eu...;

-Então troque por outro; ele falou prontamente.

-Não é só sobre o vestido; Hilda continuou.

-Uma roupa não faz quem você é; ele continuou, segurando-lhe as mãos e ajudando-a a se levantar. –Já vi muitas mulheres vestidas como princesas, mas por baixo da mascara eram verdadeiras bruxas; ele continuou, puxando-a para frente de um espelho.

Deixou os orbes correrem sobre o reflexo dos dois no cristal, vendo o longo vestido verde moldar o corpo delicado, que pareceu ainda mais frágil perto de si. Tocou-lhe o ombro desnudo, sentindo-a estremecer.

-O que você vê, quando olha pra lá? –ele indagou, fitando-a atrás do espelho.

-Shun? –ela sussurrou, tentando recuar, mas sentiu as costas chocarem-se contra o peito dele.

-Talvez você não possa ver o que eu vejo; o cavaleiro falou, puxando a presilha que prendia os longos cabelos platinados, deixando-os cair sobre os ombros dela como uma cascata de seda. –Mas agora... Aqui, na minha frente, vejo uma mulher forte, que venceu muitas dores e que ainda luta pelos seus... Vejo uma mulher linda, cujo sorriso pode iluminar os recônditos mais sombrios do Érebro, que ficaria maravilhosa até mesmo vestida num saco de estopa; ele completou, tocando-lhe a face enrubescida.

-Mas...;

-Xiiiiii; ele sussurrou, fazendo-a virar-se lentamente em sua direção. –Pode ser o casamento de Freya, mas sei o quanto isso é importante pra você. A parte da organização é superficial, em vista do resto... Não vou deixar você desistir; ele falou, acariciando-lhe a face suavemente, vendo os orbes azuis tornarem-se levemente escuros. Aproximou-se mais, sentindo a respiração quente oscilar, roçando-lhe a pele. Serrou os orbes ao tocar-lhe os lábios levemente com os seus, como o roçar das asas de uma libélula.

-Ahm! Com licença; uma voz soou atrás dos dois, fazendo o cavaleiro respirar fundo para não soltar uma imprecação ao sentir a jovem ficar tensa entre seus braços.

-Sim? –ele indagou sem se virar, mantendo um braço em torno da cintura da jovem, impedindo-a de fugir correndo.

-Vim ajudar a senhorita a retirar o vestido; a vendedora falou, corando furiosamente ao notar o que havia interrompido.

-Antes quero separe outros vestidos com modelos e cores diferentes para ela provar; Shun avisou, virando-se para ela.

-Mas esse ficou bom; ela contestou.

-Mas Hilda não gostou; Shun rebateu lançando-lhe um olhar que não admitia contestação. –E é o gosto dela que importa aqui;

-Sim senhor; a jovem respondeu tremula. –Ahn! Posso ajudá-la primeiro a tirar o vestido? –ela indagou cautelosa.

-Não é necessário, eu ajudo... Pode ir providenciar o resto; Shun a cortou.

-...; ela assentiu, afastando-se praticamente correndo.

-Ahn! Não acha que foi um pouco duro com a moça? –Hilda indagou confusa com a mudança na personalidade sempre tão doce do cavaleiro, se bem que, nos últimos dias estava vendo um Shun que jamais sonhara existir quando o conhecera anos antes em Asgard.

-Acredita mesmo que não tenho motivo? –ele indagou num sussurro, aproximando os lábios do ouvido dela, ouvindo-a ofegar.

-Shun; ela murmurou tremula.

-Não vou ser hipócrita e negar que tem algo acontecendo entre nós; ele falou estreitando-a entre seus braços, fazendo-a descansar a cabeça em seu ombro. –Não é algo que eu já tenha alguma outra vez sentido, mas não vou esperar que outros lutam minhas batalhas...;

-Uhn?

-Não quero que você se magoe Hilda, não pretendo pressiona-la, tampouco exigir algo que você não esta disposta a compartilhar; ele falou soltando o primeiro colchete que prendia o vestido nas costas. –Só quero descobrir aonde vamos chegar...;

-Não quero magoá-lo Shun; Hilda sussurrou num fio de voz. –Logo vou voltar a Asgard, lá é minha casa e é lá que estão minhas responsabilidades; ela completou sentindo um nó formar-se em sua garganta.

-Não estou pedindo que abandone seus princípios. Quero apenas a chance de explorarmos esse sentimento sem interferências; ele falou.

-Mas eu pensei que...; ela falou voltando-se para ele, hesitou.

-O que? –ele indagou afastando uma mecha platinada que caia sobre os olhos dela, vendo-a baixar a cabeça, esquivando-se.

-Pensei que você e June, bem...; Hilda murmurou, vendo numa nuvem negra cair sobre os olhos do cavaleiro, que havia baixando o zíper do vestido e afastado-se rapidamente, dando-lhe as costas.

-Talvez essa seja a sua chance de ver que somos só amigos, June é como uma irmã pra mim, desejo que ela seja feliz, mesmo que meu irmão cabeça dura duvide disso; ele respondeu colocando as mãos no bolso.

-Shun; Hilda falou, vendo-o se distanciar não apenas fisicamente, mas emocionalmente, como se aqueles últimos segundos juntos, jamais existissem.

-Vou deixá-la agora para escolher o vestido mais á vontade, se precisar, mande a vendedora me chamar; ele completou antes de sair da sala.

Segurou o vestido no momento que sentiu a seda deslizar por seu corpo, uma brisa gelada fê-la o estranho impulso de correr atrás dele fez seu coração dar um salto.

Respirou fundo. Maldita hora que abrira a boca para falar de June.

-Droga! –ela sussurrou.

-Desculpe a demora; a vendedora falou entrando e trazendo consigo uma infinidade de vestidos nos braços. –Pensei que seu namorado fosse ficar aqui dentro; a jovem falou ao notar que Shun não estava por perto e não foi nada discreta ao demonstrar o alivio que sentia por isso.

-Nós não... Esquece; Hilda falou dando de ombros. Como ele dissera, era besteira negar que estava acontecendo algo entre eles, mesmo que não soubessem ainda aquilo iria dar.

Continua...