ENTRANDO NUMA FRIA
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aishi, Felícia e Alegra são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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CAPITULO 11: Águia inteligente esconde as garras.
.I.
Deixaram a praça de alimentação uma hora depois que Shun os deixara e a atmosfera tensa ainda estava presente e visível para qualquer um que relanceasse um olhar a Kanon, que parecia estar morrendo de vontade de ir atrás do cavaleiro e continuar a discussão iniciada antes do almoço.
-Será que elas ainda estão na loja? –Marin indagou.
-Possivelmente; Shina respondeu, mas estancou ao cruzarem um corredor e uma cena nada comum lhe chamar a atenção.,
-O que foi Shina? –Shura perguntou quase chocando-se contra as costas da amazona.
-Ai meu Zeus; Marin alertando Aiolia.
-O que foi? –ele falou passando a frente e estancou a também.
-o-o-o-o-o-
-Grrrrrrrrrrrrrrrr, Saga me solta; Saori praguejou quando o cavaleiro enlaçou-a pela cintura e arrastou-a para longe da aglomeração que se formara em volta deles no exato momento em que haviam se deparado com Felícia.
-Saori, por favor... Aqui não é lugar pra discussões; ele falou, esquivando-se das garras da jovem que quase lhe acertaram.
-Não quero discutir, longe disso; ela respondeu irritada. –Só quero dar uma surra naquela v-...;
-Saori; ele a repreendeu.
-Quem aquela idiota pensa que é? –ela exasperou, dando-se por vencida, enquanto de longe ouviam a voz do ariano, arrastando Felícia para o lado oposto.
-Por sorte Mú tem mais paciência com isso do que eu; Saga falou, dando graças pelo cavaleiro tê-lo acompanhado.
-Você esta fazendo tempestade em copo dágua Saga, eu já disse, só queria dar um ou dois tapas naquela idiota... Mas não, por sua culpa perdi essa chance; ela reclamou, sentando-se numa cadeira que ele acabara de lhe indicar, num quiosque de café.
-Sempre pensei que virginianos fossem pessoas pacificas;
-HÁ! HÁ! HÁ! –ela riu de maneira sarcástica. –Pergunte ao Shaka quantas pessoas ele já despachou pro inferno por interromper as meditações dele. Depois você me conta onde os virginianos são pessoas pacificas. Até mesmo o cosmo do Shun esta hostil nesse momento; ela completou, acomodando-se melhor.
-De qualquer forma...;
-O que esta acontecendo aqui? –a voz que ela menos esperava ouvir naquele momento soou igualmente hostil nas suas costas.
-Kanon; Saga falou ao ver o irmão ali, acompanhado dos demais.
-Saori, esta tudo bem? –Shina e Marin perguntaram.
-Perfeitamente bem; ela respondeu com um sorriso forçado. –Estávamos apenas discutindo semântica;
-Seman- o que? –Aiolia perguntou confuso.
-Melhor não saber; Saga resmungou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-Você não deveria estar com Hilda? –Kanon indagou com os punhos serrados, voltando-se para ela.
-Fiquei com vontade de tomar café e coincidentemente encontrei com Saga; ela falou inocentemente, sem fitá-lo diretamente nos olhos.
-Acabamos de ver o Shun; Shina comentou, mudando de assunto.
-Provavelmente ele esta com Hilda agora; ela falou dando de ombros.
-Aff! Da próxima vez que algo assim for acontecer, me avisem por favor, assim que venho com armadura; Mú falou aproximando-se do grupo.
-O que aconteceu? –Marin perguntou ao ver o ariano com alguns arranhões no braço que começavam a desaparecer de maneira discreta.
-Tudo culpa do Saga; Saori falou, fazendo ambos os cavaleiros arquearem a sobrancelha. –Se tivesse me deixado dar uma surra naquela v-...;
-Chega Saori; o geminiano exasperou. –De que adiantaria fazer isso? –ele indagou, cansado.
-Não faço idéia; ela respondeu, fazendo o cavaleiro quase ir ao chão. –Mas confesso que eu iria me sentir muito bem se pudesse esfregar o chão com a cara daquelazinha; ela completou com um olhar capaz de dar inveja a Mascara da Morte.
A verdade é que Felícia lhe tirara do sério ao afirmar que graças a ela, Flér e as demais, tinham total certeza de que Hilda e Shun iriam ficar juntos. Tudo bem, que torcia imensamente pela felicidade do amigo, mas ouvir aquela garota falar de coisas que não sabia, como se fosse dona da razão, lhe enlouqueceu.
Flér fora leviana demais ao achar que poderia bancar o cupido e tudo ficaria bem, mas ignorou algo extremamente importante, o quanto a própria irmã poderia sair magoada naquele joguinho dela. Não iria permitir que Hilda e Shun se magoassem, apenas para satisfazer o eco daquelas desocupadas.
-Ahn! Ainda não entendi o que aconteceu; Shina falou confusa.
-Certas coisas é melhor não saber; Mú respondeu dando um pesado suspiro. –Enfim, vão precisar de mim ainda, ou não?
-Tudo bem Mú, não vamos, mas obrigado pela ajuda; Saga agradeceu.
-Não por isso; o ariano falou antes de afastar-se e buscar por um local discreto e livre de câmeras para desaparecer.
-Bem, acho que podemos ir almoçar agora, não? –Saori indagou, voltando-se para Saga com o olhar mais inocente que conseguiu forjar.
-Claro; ele resmungou. –Vocês já almoçaram? –ele indagou, voltando-se para o grupo.
-Já, mas fazemos companhia a vocês; Kanon respondeu, lançando ao irmão um olhar que não admitia contestação e que também servia para os outros.
.II.
Guardou a última peça de roupa dentro da mala. Deu um baixo suspiro enquanto sentava-se na beirada da cama e apoiava as mãos, sobre os joelhos. Estavam a duas semanas do casamento de Hyoga e como era de se esperar, a mansão toda estava em polvorosa.
Nesse momento, mais do que tudo desejava estar longe disso. Queria sossego e principalmente, um pouco de paz para o noivo, antes que ele lhe enlouquecesse com suas cismas e ciúmes.
Shun e Hilda não tinham culpa por estarem sendo alvo das artimanhas de Flér, mas o noivo não parecia ver isso. Ele colocara na cabeça que a jovem era uma ameaça e estava disposto a extingui-la como faria com qualquer divindade psicótica que ameaçasse o mundo e Athena.
-Ai, ai, ai...; June murmurou.
Graças a providencia divina ou não, teriam um final de semana inteiro juntos e esperava que fosse sem estresse algum. Talvez nesse meio tempo, Shun pudesse encontrar as respostas que procurava; ela pensou.
-Amor, esta pronta? –o cavaleiro indagou, entrando rapidamente no quarto, enquanto tirava afrouxava a gravata e começava a procurar por seu bom e velho jeans azul, com o qual se sentiria mais confortável para viajar.
-Só esperando você; ela respondeu calmamente.
-Não vou demorar, já pedi a Saga pra avisar Saori, como já deixei tudo organizado, se ela precisar de algo não vai ter problemas para encontrar; Ikki comentou. –Mas preciso falar com Shun e-...;
-Eu liguei para Marin e pedi que ela desse o recado; June adiantou-se, omitindo o pequeno detalhe de que não fora para a amazona que ligara, mas sim para a própria Saori. –Fora isso, faltou mais alguma coisa para fazer? –ela indagou mudando de assunto.
-Não, acho que não, mas...;
-Bem... Bem... Ande logo então, se não vamos chegar de noite lá e você sabe, que eu me sinto mais segura viajando de dia, com carro; ela continuou.
-Certo! Não vou demorar; ele balbuciou, terminando de se arrumar.
Conteve o suspiro aliviado quando ele pegou ambas as malas que estavam sobre a cama e deixaram o cômodo. Tomara que até a saída ninguém o lembrasse de que Shun estava com Hilda, ou temia seriamente que ele decidisse esperar para viajar no dia seguinte bem cedo, ou sabe-se lá quando; ela concluiu.
.III.
Sentou-se em uma poltrona na entrada da loja, tentando conter o impulso que tinha que acertar a cabeça na parede.
Droga! Como podia ser tão idiota? – ele se recriminou. Tudo estava indo muito bem, até ela mencionar June e ele agir como se estivesse batendo de frente com o próprio Hades.
Estava tão cansado dos próprios amigos estarem lhe julgando por conta disso, que não suportava mais ninguém batendo nessa mesma tecla. Talvez estivesse apressando as coisas e sendo egoísta ao esperar que ela sentisse aquela mesma ansiedade em estar consigo, que sentia por ela.
Quem sabe estivesse desde o começo esperando uma coisa cuja recíproca não era verdadeira e acabara por enxergar apenas aquilo que queria. Afinal, esse tipo de coisa acontecia com as pessoas o tempo todo, consigo não seria diferente. Entretanto, a dor que tal possibilidade causava em si não era das mais suaves.
-Shun;
Balançou a cabeça levemente para clarear a mente. Talvez fosse melhor seguir com o plano original e concentrar-se apenas em fazer o casamento acontecer, obliterando de sua mente a história com Hilda, ou melhor, o que achara ser um principio de história.
-Shun!
-Uhn? –ele murmurou, virando-se ante o chamado, mas sentiu o momento exato em que seu queixo caiu, literalmente.
-O que acha? –ela perguntou hesitante, passando as mãos nervosamente pelo vestido.
-Ahn! Bem...; o cavaleiro balbuciou, enquanto seus olhos corriam frenéticos sobre a jovem, gravando os mínimos detalhes que podia enxergar.
O vestido que ela usava era longo, caiando ao chão, formando uma pequena barra. O tecido era de um cetim azul, quase petróleo, mas cintilava. Bordado sobre a ceda, delicadas petalas de cerejeira, espalhadas de tal forma, que qualquer um que as visse, pensaria que alguém havia chacoalhado um galho florido sobre o tecido e ao caírem, elas houvessem se fixado entre as tramas. Eram tão perfeitas e reais, que poderia até mesmo sentir seu perfume se chegasse mais perto.
Os ombros alvos estavam à mostra por conta da abertura da gola. À parte de cima era semelhante a um kimono tradicional, usado pelas gueixas em antigas apresentações, mas tornava-se mais fechado e colado ao corpo a partir da cintura.
Os longos cabelos azulados caiam pelos ombros e costas como uma chuva de estrelas diáfanas. Poderia olhá-la por horas sem sentir o tempo passar.
-Então? –Hilda indagou, mordiscando o cantinho dos lábios em sinal de nervosismo.
-Perfeito; ele falou levantando-se para olhá-la mais de perto.
A vendedora e Hilda soltaram juntas um suspiro de alivio, como se até agora estivessem prendendo a respiração, esperando o veredicto de um tribunal.
-Bem, acho que vou levá-lo então; ela murmurou com a face enrubescida.
-Só falta uma coisa, mas podemos resolver depois do almoço; ele falou tocando-lhe o pescoço com a ponta dos dedos.
-O que? –ela balbuciou tremula.
-Não se preocupe com isso agora, vá se trocar, eu espero aqui; ele falou recuando ao nota-la estremecer.
Serrou os punhos nervosamente, esperando que ela não notasse o quão perturbado ficara com sua presença. Se estava realmente disposto a passar um branquinho no que acreditava estar acontecendo entre eles, era preciso manter uma distancia no mínimo respeitável e em hipótese alguma, ceder a tentação, por mais forte que fosse de tocá-la; ele pensou, engolindo em seco. Só os deuses sabiam o quanto aquilo não ia ser nada fácil.
.IV.
-Como enlouquecer um homem, em dez lições; Flér murmurou, agitando as pernas, enquanto deitada de frente sobre a cama, lia a matéria em uma revista. –Uhn! Não parece grande coisa; ela falou, mordiscando a pontinha da caneta.
Há essa hora eles deveriam estar fazendo a prova de roupas, se ao menos eles estivessem sozinhos, Felícia podia agir, mas não, Saori tinha que se meter no meio; ela pensou aborrecida.
De tantas lojas espalhadas pela cidade, porque ela tinha que encomendar as roupas na mesma que escolhera para a irmã? Mesmo Saori sabendo do plano que tinha com as outras divindades, ela não seria capaz de interferir. Por isso estava tão irritada. O destino podia ser muito irônico quando queria.
Pelo que andara sondando com Hyoga, a jovem de melenas lilases andava extremamente ocupada na fundação, por isso acreditava que ela só tivera aquele horário para ver as roupas. Entretanto, mal sabia ela que sim, Saori havia tramado aquilo de propósito para frustras seus planos.
-O que esta tramando dessa vez? –Hyoga indagou, entrando no quarto.
-Nada, estava lendo apenas; a jovem de melenas douradas falou com um sorriso quase inocente.
-Uhn! Porque será que não acredito nisso? –ele falou, jogando-se na cama ao lado dela.
-Porque você é desconfiado demais; Flér brincou, dando-lhe um rápido beijo nos lábios. –E também...; ela ronronou ao senti-lo enlaçar-lhe a cintura. –Uhnnnnnn;
-O que dizia? –ele indagou roçando os lábios na curva de sua orelha.
-Não consigo pensar assim; ela murmurou.
-Ótimo; o cavaleiro completou, tirando a revista da mão dela e jogando-a num canto qualquer, antes de tomar-lhe os lábios num beijo intenso. Deixando-a completamente alheia ao resto do mundo, principalmente de suas maquinações.
.V.
Acomodou-se melhor no acento, enquanto esperava o garçom trazer os pedidos. Shura, Shina, Aiolia e Marin conversavam animadamente na mesa, enquanto Kanon e Saga pareciam comunicar-se através do pensamento, já que ambos estavam com a cara amarrada sem dar um pio.
Suspirou pesadamente, enquanto ouvia o celular tocar dentro da bolsa.
-Uhn! Quem será? –ela murmurou franzindo o cenho, ao reconhecer o número da mansão. –Alô?
-Saori, é June; a amazona falou do outro lado.
-Oi! Tudo bem? –ela indagou.
-Sim, sim... desculpe Saori, estou com um pouco de pressa, só queria avisar que Ikky e eu vamos pro chalé passar o fim de semana;
-Verdade? –Saori indagou com um largo sorriso, ajeitando-se na cadeira e trocando um rápido olhar com Saga.
-Nem acredito que isso vai mesmo acontecer. Ikky estava tão paranóico com essa história do Shun e da Hilda. Que estava me enlouquecendo, até aparecer hoje falando dessa viagem;
-Que bom... Quero dizer...;
-É, eu sei; June a cortou, sabendo bem que o namorado andava com um humor sensível naqueles dias. –Bem, só estou avisando, qualquer coisa estamos no celular;
-Não se preocupe, aproveitem o final de semana; ela desejou.
-Obrigada, vou fazer o possível;
-Boa viagem; Saori respondeu.
-Até mais; June falou desligando em seguida.
-O que aconteceu? –Shina perguntou curiosa, quando ela desligou o aparelho.
-Ikki e June foram para o chalé nas montanhas; Saori respondeu com um largo sorriso.
-Espera, mas Tatsumi não disse que... Ai; Aiolia gemeu ao levar de alguém um chute por baixo da mesa.,
-Não duvido que ele tenha falado algo sobre isso; Saori resmungou, balançando a cabeça levemente para os lados. –De qualquer forma, um problema a menos;
-O que quer dizer com isso? –Kanon perguntou desconfiado.
-Paciência, logo você vai saber; ela respondeu confiante.
Continua...
