Capítulo 2 –Bloody marriage .

Passou um dia inteiro ate de novo pôr vista sob o seu primo. Depois da conversa ao pequeno-almoço, Marlene, como todos os dias fazia, procurara-o à hora de almoço. Procurara-o de sótão à cave. E nada. James desaparecera, sem sinal de breve retorno. Os seus pais continuavam sem estar em casa, a trabalhar com toda a certeza. A principio não deu importância, e descansou por fim, quando, coberta em seda negra, deslizara para o calor dos seus lençóis, graciosa como um felino e se encolhera contra a almofada. Assim que encolheu os ombros contra o colchão e a cara contra a almofada, na esperança que o conforto da noite e do mundo dos sonhos a possuísse, ouviu, pezinhos de lã a acariciarem o chão depois de o barulho da janela do quarto dele, ao lado seu, fazer estremecer o chão, encolheu os ombros num gesto de indiferenças, e mergulhou no escuro. Porque ela não sonhava, ela nunca sonhava.

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Marlene acordou cedo. Muito cedo. Eram cerca de 6h da manhã. Os roncos de James podiam ouvir-se do outro lado da mansão e não lhe agradou particularmente o facto de os estar a ouvir do quarto do lado. Percebendo que não mergulharia mais na escuridão, suspirou e deslizou para fora dos lençóis tão graciosamente como neles tinha entrado. Os seus pés descalços tocaram o chão frio, e um arrepio de desconforto acariciou-lhe a tenra carne das costas. Cega pela falta de luz, procurou com o seu pé direito as sabrinas de água quente a nova invenção de "Deaux e Peaux le coquins" que trouxera de Bordeaux, da última vez que pusera os pés em França.

O sol definitivamente ainda não mostrava quaisquer traços de ter acordado ou de entender que devia assim fazer. Com um longo suspiro, muito impróprio da sua pessoa, levantou-se e alisou o tecido puro da sua camisa de dormir de seda negra até aos pés, que contrastava imaculadamente com a sua pele alva, quase cal, os seus olhos fechado, privando o mundo de uma visão celestial, e apesar de ter acordado os seus cabelos estavam tão direitos, como se alinhados um a um, como sempre. Era isso que ela era. Imaculada. Perfeita. Sem uma única falha, um diria que ela era quase irreal. Um novo arrepio percorreu da ponta dos dedos até à ponta dos cabelos, deixou-lhe os cabelos da nuca em pé. Sempre graciosa, ainda parada em frente à sua cama e de olhos fechados, os seus dedos longos e elegantes traçaram um curto caminho no ar para alcançarem uma manta branca que repousava em cima de um dos quatro postes da sua cama. Segurando-a contra sim firmemente, começou a andar, gentilmente com um pé sempre atrás do outro, respirando o ar nocturno estagnado da mansão. Dirigia-se inconscientemente.

A visão do seu vulto a passear pelos recantos de uma casa gigantesca como aquela, não era senão fantasmagórico. Na linha da beleza e do assustador. A seda negra esvoaçava em volta da sua figura e tapava-lhe os pés, criava a ilusão de que ela planava no ar. Os seus cabelos negros, etéreos deixavam o ar atrás de si fluir negro, e a sua cara não era mais que uma estátua de gelo, e os seus olhos tinham a cor desse mesmo gelo. Fantasmagórico.

Quando os seus olhos do azul celestial da manhã alegre, estava perante o jardim imenso da mansão Potter. As roseiras da tia Sarah, e não sabia se magicamente se não, subiam e cobriam completamente, brincando com as heras que se entrelaçavam com elas, os muros que limitavam as terras que suportavam a propriedade dos Potter.

Os seus olhos analisaram o que a rodeava, sem darem sinal de estar impressionada ou minimamente aborrecida.

Desceu do degrau concentrada – ainda que minimamente – numa mesa que sobrevivia no meio da tenra relva. Era a sua mesa, eram as suas cadeiras.

Mais ninguém na mansão Potter se sentava ali. As cadeiras eram tão velhas e duras, feitas de latão velho que toda a gente as achava desconfortáveis. A mesa era fria de mais e esburacada, feita do mesmo latão branco cheio de ferrugem. A sua cabeça desceu uns graus, para observar mais a sua mesa. Um livro grosseiro de pele castanho descansava em cima dela.

Sentando-se numa das cadeiras, as suas costas estritamente direitas, um dos seus longos e finos dedos brancos veio acariciar o relevo do livro que se encontrava agora à sua frente, deixou o latão velho penetrar nas suas costas e não pôde evitar relaxar um pouco, as suas finas sobrancelhas quase se uniram numa, num franco e pela segunda vez naquele curto espaço de tempo, gesto pouco característico da sua pessoa.

As suas sobrancelhas afincaram o franzir uma memória pousou levemente na sua mente, enegrecendo seu humor.

FLASHBACK

Desde esse dia até ao de hoje já tinham passado 3 longos meses. Lá estava ela, numa das suas cândidas saias de tafetá desta vez era de uma suave cor de pêssego a cobrir as suas coxas, sentada na sua cadeira velha de latão, em frente à sua mesa preferida, no jardim da casa dos seus tios, e acabara de chegar à não mais de 2 semanas de França. James ainda não saíra de Hogwarts, e só o faria dentro de aproximadamente um mês. O seu olhar azul divino viajava pelas linhas à mão escritas no livro que tirara da prateleira de James, e que orgulhoso exibia na sua capa em letras douradas a inscrição "Godric Gryffindor ".

Ao fundo do outro lado do jardim de onde, separando por alguns metros o muro de rosas e heras se via, ostentando altivez e grandeza, o grande portão da entrada, Marlene ouviu sinos tocarem. A campainha. Teriam companhia? O breve e fraco som de risos infantis mas de uma mulher madura e o riso rico de um homem, fizeram o seu corpo enrijecer.

Ela podia facilmente, ter-se levantado e abrir ela o portão. Mas não, obrigado. Ela sabia o seu lugar, e os elfos sabiam o deles. Simples, certo? Não, sem dúvida isso tinha parte na sua decisão, porém foi o som de bater de palmas proveniente de uma fêmea e o riso rouco e rico de um homem que ela reconheceu como o seu pai e mãe que a fez estacar. Eles não deviam estar na Grécia? Estranho sem dúvida…

Rapidamente do outro lado da mansão, o que ela se apercebeu que era um dos mais novos elfos da casa apressou-se a correr para o portão. Um pequeno toque carvalho grosso e opressivo, e as portas abrem-se. Assim, sem mais nem menos. Magia élfica!

Ela esperou a principio que ambos os seus pais - realmente eram eles, ela não se tinha enganado – seguissem para a porta principal da mansão para onde o elfo se tinha começado a dirigir, e ignorassem o que os circundava, e principalmente a área onde ela estava. Mas enganara-se. O pequeno elfo, de olhos esbugalhados, e Marlene com uma sobrancelha levantada desaprovadoramente, observaram Mrs. Micknnon correr, para a mesa, ainda a alguns metros de onde ela estava, as suas sobrancelhas ainda dispostas num franzir desconfortável de tão profundo, onde estavam as maneiras que a sua mãe lhe tinha ensinado?!

-MARLENE! - Gritou Lady Mckinnon, o seu sotaque irlandês impossível de disfarçar, a sua face poderia pertencer a uma Marlene com mais 20 anos, não fosse a quantidade de emoção nas suas expressões e nos seus olhos, e o enorme sorriso com que abraçara a filha. Marlene não se encolheu sequer, não sorriu, não pestanejou, limitou-se a envolver a mãe com os seus braços cobertos de algodão vermelho e levantar-se num movimento fluido e rápido.

- Olá mãe. - Disse. Desatada de qualquer emoção a sua voz rolou fria para fora da sua boca

Quando a sua mãe finalmente a largou ela dirigiu os seus olhos azuis imediatamente para o seu pai, quem ouvisse com atenção poderia reparar que a ponta, uma ínfima parte da ponta, derretera quando se dirigiu a ele numa única palavra em jeito de cumprimento – Pai.

O seu pai limitou-se a acenar em reconhecimento um doce sorriso nas suas feições, mas ao mesmo tempo havia preocupação nos seus olhos tão azuis como os dela, senão tivesse já abandonado e posto de lado as poucos emoções que só mostrava quando estava sozinha, teria franzido o sobrolho uma vez mais.

Voltou a sentar-se na sua cadeira, indicando com um olhar silencioso, aos seus pais as duas restantes cadeiras. Eles sorriram um para o outro, certamente reparando o bom humor da filha e sentaram-se.

Foi quase engraçado, e tivesse ela sido outra pessoa, teria com certeza rido com a expressão de frio e desconforto que as cadeiras lhes tinham causado. A sua mãe desinclinou-se com as costas direitas, e cabelos de ébano a cobri-las, olhou-a com o que parecia por segundos ser piedade. Marlene enegreceu por dentro. Se havia coisa que absolutamente desprezava era que tivessem pena dela. Por isso esperou em vez de se dirigir a eles de novo

Lindley Mckinnon, viu os lábios da sua filha fundirem-se numa final linha em censura, à piedade dos seus próprios olhos. Deixou um pequeno suspiro sair do seu peito.

-Querida, estas cadeiras são desconfortáveis, não preferias ir lá para dentro? - Perguntou com uma voz quente e glamorosa, a sua mão veio pousar em cima da de Marlene que acariciava o livro de capa dourada e letras escarlates até a mãe da sua mãe a cobrir.

Marlene deixou a cabeça cair um pouco para o lado e continuou a encara a mãe, finalmente disse:

-Não – Diz ela. Manteve-se curta e objectiva, nunca rude, apenas curta – Este sítio é o meu preferido.

Os seus pais trocaram um olhar que admitia claramente que eles achavam que a sua filha era demasiado severa consigo mesmo, e Marlene apercebeu-se que para não afrontar os seus progenitores, poderia ter feito uma melhor escolha de palavras.

Não que não gostasse da sua filha, Merlin, longe disso. Marlene era a pessoa mais importante do mundo para si. Simplesmente quando descobrira que ia ter uma filha, sonhara em ter uma companheira, uma amiga. Marlene era uma estátua glacial, fria, dura, uma concha, ela parecia viva, desinteressada de tudo e todos, acima de tudo Marlene parecia uma deusa, um ser superior, simplesmente porque não era isso que era pretendia mostrar, para além disso ela nunca vira ninguém tão directo, se a conversa não tinha um objectivo, dizia ela, então não valia a pena tê-la. Marlene era uma pedra, uma daquelas pessoas, em quem lhes podia cair um piano em cima e a sua expressão não mudaria. E sempre fora assim desde pequena criança, nunca na vida, a mãe tinha visto a filha deixar uma lágrima cair dos seus olhos. Quando era criança se, se magoasse mantinha a sua expressão fria mesmo que cerrasse os dentes, e corria para casa, para chorar de porta trancada. Ao princípio achara aquele comportamento extremo, hoje… bem hoje ela estava apenas habituada… ainda que a fizesse sentir bastante infantil e idiota quando mostrava qualquer tipo de gesto afectivo, que ela nunca retribuía.

Porém ela hoje, mais que habituada estava contente pela sua filha nunca lhe ter levantado a voz ou a ter desafiado. Faria tudo simplesmente mais fácil.

-Querida como sabes temos estado em Mikonos, em funções da empresa… - a filha manteve como sempre a sua expressão sempre na mesma, um sinal de que devia continuar, ela estava a ouvi-lo. Por isso ela assim fez, os seus olhos sempre fixos nas suas mãos unidas – temos andado à procura de uma solução para a evidente falência… E penso que descobrimos a solução perfeita para que o nosso império se mantenha…

Marlene não se mexeu, não pestanejou, apenas olhou para os pais, e eles estavam a desperdiçar o seu tempo para isto?

-Hm? – Emitiu, o seu som, até o seu som parecia nada mais que um grunhido de tédio ainda assim a indicar que ela devia continuar, o seu pai continuava a olhar para os sapatos engraxados e negros e a relva nova e macia. Ela não percebia muito bem para quê… A conversa não tinha, até agora, qualquer tipo de objectivo…

-Marlene… tu vais ter de casar. – Bom não tinha um objectivo até agora…

ENF OF FLASHBACK

Os seus dedos agora tracejavam e acariciavam menos carinhosamente a capa do livro castanho e rude, na cama uma pequena palavra, estranhamente colocada no canto superior direito "Famílias", dizia.

A sua mãe dera-lho, lá dentro residia um papel, nele estava escrito o nome do seu noivo, vinha dentro deste livro para que ela o pudesse procurar.

Merlin! Como queria chegar rapidamente a Hogwarts e esquecer Beuxbatons. Só de pensar em voltar lá enjoava-a profundamente. Primeiro era o barulho afiado dos gritinhos inflamados e histéricos das suas colegas ao descobrirem que tinha ficado noiva, perguntar-lhe-iam tudo desde o seu nome, até se ele tinha irmãos ou se quando os pais morressem lhe iam deixar a fortuna toda a ele… coisas que só tinha intenção de saber quando fosse obrigada a abrir o maldito livro. Ela não o queria fazer não queria, mas se os seus pais precisavam dela, quem era ela para negar alguma coisa a quem lhe tinha dado a vida? Para além disso, como já tinha dito a James, nada disto a perturbaria. Nada disto lhe tirava a sua liberdade se quisesse ter outra pessoa, teria. Lembrava se muito bem … muito bem de sempre na sua família haver casamentos arranjados…e amantes, às vezes mesmo dentro da família. Além disso precisava urgentemente de uma lufada de ar fresco, e pelo menos em Hogwarts ia haver rapazes… homens esperava. Ela nunca sucumbira a Beuxbatons… e Merlin sabia que a tentaram… mas ela nunca sucumbira a toda a feminina atmosfera. Deuses proibissem. Mais uma razão para desaparecer de vez daquela maldita escola, ela sentia sempre saudades do frio de Londres e das sombras do céu que em França quase não havia durante o inverno. Quando estava em Inglaterra, saía – às escondidas claro, o que pensariam caso contrário, viesse ela a cheirar a homem? – Porque era assim…sempre assim, que ela cheirava quando vinha de um clube.

E isso só era mais frustrante, porque ela tinha a sua diversão mas nunca concretizava os seus objectivos… não parava de pensar que eles não eram bons o suficiente, e foi com alguma ironia, e até amargura que ela se perguntou a si mesma… se, se estaria a guardar para a alguém. Ridículo. E o que ela menos queria, era chegar aos braços de um homem que mal conhecia e ser desflorada por ele… mais uma vez, o pensamento provocava lhe tanto nojo e repulsa que – sendo o máximo que pode fazer, uma vez que ela era Marlene Mckinnon. – Retorceu a cara em angústia. Ao se aperceber da falta de controlo rapidamente escolarizou de novo as suas feições, para que mais uma vez só mantivessem a perfeição de uma escultura de gelo.

- Casar hei? - Murmurou para si mesmo, usando o dedo comprido, que tinha acariciado gentilmente a capa do livro, para o afastar.

-Quem vai casar? - A voz dele tirou-a dos seus pensamentos, mas ela não podia dizer que se assustou, a voz dele aos seus ouvidos era tudo menos assustadora. Ela apenas deixou a manta que lhe cobria os ombros cair num movimento lento e arrastado para vir repousar aos seus pés no chão quando girou vagarosamente os ombros e pescoço para que os seus olhos colidissem com os raros olhos cinzentos.

Sirius Black estava ali, com as mãos enfiadas nos bolsos, das elegantes calças negras, a sua camisa igualmente negra, e os seus olhos, e lábios demonstravam perfeitamente o divertimento e contentamento que era vê-la. Ele estudou com atenção a sua companhia, deixou os seus olhos cinza, cor de nuvens de tempestade, ainda que minimamente tapados pelo cabelo negro e displicente, vaguearem na pele alva dos ombros dela, e pelos seus olhos, passou uma sombra predadora. Marlene viu e ignorou, Sirius Black, por mais sensual e apetecível, seria definitivamente um caso fácil de complicar. É que ele era a única pessoa por quem se sentia verdadeiramente atraída… uma das suas sobrancelhas, ilimitadamente elegantes subiu uns centímetros quando o viu aproximar-se, como um felino, ele tinha estado a não mais que 2 metros de distância, e dirigia-se para o lugar directamente em frente a ela. Seria isso assim tão mau? Se não queria cair pura, nas mãos de um desconhecido, e tinha conhecido Sirius toda a sua vida… se ele a atraía como a terra atrai a lua, como se exercesse qualquer tipo de gravidade sobre ela… E se ele sempre tinha estado disposto a ser mais que seu amigo… conhecido… seria isso… assim tão mau?

Se Sirius não se tivesse, lentamente, baixado para pegar na manta branca de croché que escorregara dos seus ombros, ele teria visto um sorriso nos olhos glaciais dela, que imediatamente desapareceu. Não… não era assim tão mau.

Graciosamente, debaixo da fraca luminosidade que começava a encher o céu acima deles, ele levantou o tronco e ficou cara a cara, poucos centímetros de distância, com ela…O sorriso divertido não desaparecia… mas os seus olhos… os seus olhos escureciam com luxúria.

Ela não se mexeu, nem fez movimento algum que lhe indicasse que o ia fazer. Os seus lábios continuavam cravados em quartzo rosa, na sua pele de mármore. Os olhos dela…bem não podia ver nada de especial neles, continuavam dois grandes e belíssimos icebergs. Mas ele teve a impressão que, como nos icebergs, a única coisa que ele conseguia ver era a ponta. Engoliu, inconscientemente, em seco, à visão da alva pele dela debaixo de toda a seda negra... tinha afinal na sua frente, a mulher, a deusa dos seus sonhos, por isso decidiu arriscar.

Primeiro lançou os braços para ela à altura da cintura, mas não lhe tocou, encasulando-a em seguida, com uma das mãos alcançou uma das pontas da manta, para que pudesse pousá-la nos ombros. Os braços dela, irrepreensivelmente feitos do mármore mais bonito e polido do mundo, descansavam em ambos dos seus lados. Ambos os seus polegares, tocaram a sua pele, e foi como se ela enviasse uma pequena corrente eléctrica pelos seus dedos até ao seu cérebro e … outras partes do corpo. Subiram lentamente os seus braços, a manta de croché atrás a acariciar e beijar a pele onde ele tão cruelmente amaldiçoava, tentava. Até a manta dela, repousar nos ombros da sua dona, eles nunca perderam o contacto com os olhos… ela tentou ver uma reacção, uma mudança nas expressões dela. Nada. Mas embora aquilo fosse de esperar… Isso assombrava-o, ele tinha as mulheres que queria… mas não Marlene, nunca Marlene.

Ela aos seus olhos, ainda que nunca revelasse isso a ninguém, era como um ser inalcançável, e era exactamente por isso que ele a queria, desesperadamente precisava dela.

Não pode evitar fixar com força as suas mãos nos ombros pequeno e claros dela, como se para segurar a manta no seu lugar, mas ela sabia que não era isso, a o seu toque fê-la estremecer, e ela ofereceu-lhe um raro sinal de fraqueza da sua própria parte, ao morder o seu lábio inferior. Ele passava horas, dias a observá-la. Marlene nunca mostraria mais que algumas certas e manufacturadas emoções. Se ela o fizera, se mordera o lábio indiscriminadamente e planeadamente à sua frente… era não mais que um sinal de que ela não se importava, de que ela gostava, era um sinal de que ela queria que ele continuasse.

-Marlene? – a sua voz rouca, rasgava o ar à volta, ela pestanejou duas, três, quatro vezes, até concentrar nele o seu olhar, obviamente como figura pequena que era, olhando directamente para cima. O tom da sua voz, era uma borracha a tentar apagar os riscos feitos a caneta das suas regras e maneiras, do seu controlo.

- Sim? - Respondeu, a sua voz clara como água, divertimento a brilhar no seu azul celestial.

-Quem vai casar? - A pergunta tirou-a novamente dos seus pensamentos. Devolvendo aos riscos de caneta ao seu sítio. Mas depois lembrou-se porque e o que é que tinha de fazer o que queria fazer, oferecendo lhe um olhar seguro, ia convidá-lo para tomar o pequeno-almoço consigo quando foi interrompida por uma coruja cor de whisky, que aterrou directamente no seu ombro, a sua pata estendeu-se ofereceu-lhe o pergaminho pintado a letras azuis claras, brilhantes e um selo de lacre da mesma cor, que ela não conhecia mantinha o envelope de pergaminho fechado. Com um leve, muito subtil franzir do sobrolho ela alcançou e agradeceu à coruja que rapidamente levantava voo deixando para trás um Sirius Black curioso, e uma Marlene Mortificada.

" Querida Marlene,

Passaram-se 3 meses desde a nossa pequena conversa. E está na altura de conheceres o teu noivo, espero que já saibas o seu nome, caso não saibas ainda, o teu prometido chama-se Rodolfo Paggini.

Sobre isso conversamos depois, não fosse as tuas aulas começarem em breve, serias obrigada a vir de imediato. Em vez disso convocamos-te para que nas férias da Páscoa nos acompanhes até Florença.

Um abraço meu e do teu pai

Sinceramente tua, Mãe."

-Vejo-te depois Black…- murmurou, apertando com força a carta nas suas mãos sem a amachucar. Virou as costas e começou a andar deixando um rasto negro atrás de si.