Capítulo 3 – Meet the Hogwartians

Desviando-se agilmente de um grupo do que pareciam ser mesmo crianças - que supôs iriam frequentar o 1º ano – pode finalmente apreciar o comboio escarlate fumegante e ansioso.

A viagem até a estação de King's Cross tinha sido tranquila. Tinha ido com os seus tios, enquanto James tinha ido com Sirius na sua fabulosa mota voadora. Claro que eles tinham ido pela estrada, desta vez para claro desgosto de Sirius que estava ansioso para experimentar as habilidades voadoras do engenho.

O Hogwarts Express era mais que uma simples máquina. Podia ser fria e passiva, mas não. Era um comboio cheio de vida, vermelho e fumegante, respirando ruidosamente, e a implorar para partir. Ela não sabia de James e Sirius, algures pelo caminho, tinham ficado a cumprimentar alguém, e ela continuara a sua viagem de apreciar a estação e o comboio, as pessoas as despedidas.

Tal como a da sua tia Sarah – a que o tio Alan revirara veementemente os olhos enquanto com um sorriso maroto igual ao de James se despedia de Sirius – As despedidas eram ruidosas e temperadas com lágrimas. Muito barulhentas. O som de abraços e recomendações misturava-se no ar com os pedidos lamuriosos do vapor do Hogwarts Express. Havia mães a chorarem desesperadamente quase tentando impedir que os seus filhos avançassem para o comboio com as grandes malas atrás.

Para além de despedidas havia reencontros, e para além dos abraços desesperados das mães e apertos firmes de mão e mais abraços dos pais, podiam ver-se lágrimas de alegria. Pessoas que se atiravam para as outras, urros de alegria, risos, os risos ecoavam no seu ouvido como algo completamente diferente. Lá ao fundo, ao pé de uma das primeiras carruagens, duas raparigas, uma ruiva e uma loira, estavam a saltar freneticamente enquanto batiam palmas, rindo uma para a outra . Uma visão quase digna de um sorriso – não fosse ela Marlene Mckinnon. Continuou a avançar com as suas despedidas feitas e sem ninguém para reencontrar. Não que isso a incomodasse. Nunca fora adepta de demonstrações de afecto em público.

Algumas cabeças viravam-se para si, quando finalmente alcançava a porta da carruagem, "algumas" passaram a ser muitas. Com o esgar de um sorriso, impossível de controlar, imaginou os comentários. Viu dois ou três rapazes a sorrir para si, e rapidamente repreendeu-se mentalmente pelo seu esgar. Afinal… já tinha descoberto quem queria. E ninguém ali lhe tinha chamado à atenção. As raparigas por outro lado não pareciam muito divertidas com a visão morena de pernas esguias e alvas descobertas pela sua saia de fazenda azul escura. Ignorando os olhares indiscretos e mexericos transportados pelo ar à sua mente, levantava já o seu pé direito para conhecer o interior da carruagem quando uma mão a parou pousando no seu ombro.

- Nova por aqui? – A sua voz era-lhe desconhecida, mas quando se virou e deu de caras com um rapaz da sua idade alto e esguio com os cabelos tão loiros que se assemelhavam a fios de prata e finamente apanhados num rabo-de-cavalo na nuca, não pode evitar pensar que o conhecia de algum lado. Ah! Lúcios Malfoy…não era o noivo da prima de Sirius? Interessante. Se o era, porquê o sorriso galanteador? Apática e estóica como sempre, a sua voz rolou para fora dos seus lábios pálidos mais frios que o habitual, com um monossílabo desinteressado:

- Sim. – Ele não pareceu desmotivado pela resposta seca. Mais cabeças se voltavam para o curioso diálogo.

-Lúcios Malfoy… Slytherin. Espero que nos encontremos esta noite na mesma mesa - disse ele com um sorriso e piscando o olho. Teria visto bem? Oooh! Sirius adoraria saber que o seu em breve primo tinha flirtado abertamente com ela. Em frente da escola inteira. Se bem se recordava de Narcisa, ela não ia aprovar.

Ia para voltar-lhe as costas, porque definitivamente havia algo na sua atitude que a enojara ate as profundezas do seu ser, quando todas as cabeças se viraram para um ponto atrás de si. Lúcios também. Os seus olhos acendiam se em fúria quando encarou quem quer que fosse que estava atrás dele. Quando se virou, esperava encontrar James. Mas não. Não era James. Era Sirius. Uma das suas sobrancelhas normalmente invariáveis levantou-se, questionando-o silenciosamente. Ele ignorou-a.

-Malfoy… a espalhar charme ainda nem o ano começou? Não me parece que a minha prima vá gostar muito de saber. – ele respondeu ao olhar de fúria de Lúcios – que ela agora percebia ser medo disfarçado, que Sirius contasse algo a prima – com firmeza, mas as suas mandíbulas fecharam-se instantaneamente com força assim que acabava de falar, e o seu olhar não contactou com o de gelo de Marlene.

Ela ignorou também então a disputa infantil. Não que não estivesse agradecida a Sirius, porque estava, mas ela não precisava de protecção. Ter-se-ia desenvencilhado tão bem ou melhor se estivesse sozinha, assim entrou na carruagem ignorando os dois rapazes que deixava para trás, sem olhar uma única vez, se tivesse olhado, teria encontrado um Sirius furioso, olhando punhais para ela, e Malfoy mais confuso que nunca. Pôde porém ouvir antes de escutar Malfoy afastar-se um último comentário da boca do Slytherin:

-Problemas no paraíso Black? A tua namorada não gostou lá muito que viesses em socorro dela.

Mas Sirius não negou que ela era namorada dele. Em vez disso sentiu-o atrás dela. Os seus olhos a perfurarem a sua nuca. Quase podia sentir a sua respiração no seu pescoço. Estranhamente as pessoas dentro do comboio não fixavam os olhos nela, e sim nele. Algumas raparigas sussurravam quando o viam passar, mas ela teve a distinta sensação de que ele nunca tirou os olhos da sua nuca.

Rapidamente, num movimento quase indescritível ela agarrou a maçaneta da porta de deslizar de uma das cabines e empurrou-a para o lado. Sirius parava abruptamente atrás do seu corpo o seu hálito a fazer cócegas no seu ouvido direito, e um arrepio perfurou o seu baixo abdómen. Depois sentiu-o levantar a cabeça e um das mãos dele veio encostar-se ao fundo das suas costas, empurrando-a para o interior com um pequeno passo acompanhado por um pequeno choque nesse sítio. Lá dentro estavam a ruiva e a loira que tão contentes saltavam e riam juntas. À visão de Sirius, a rapariga loira gargalhou e a ruiva sorriu levemente corada.

-Hei Six. – Disse a ruiva acenando com a mão, amigavelmente. Era muito bonita, tinha grandes olhos verdes e algumas sardas subtis sarapintavam lhe a zona das bochechas e o nariz, o seu cabelo que era claramente volumoso e ondulado estava aprisionado numa trança que corria até ao inicio das suas ancas.

Sirius, agora ao lado de Marlene, abriu a boca para lhe responder, mas a loira que tinha estado sentada ao lado da ruiva, levantou se num pulo abrupto e veio parar, com um sorriso de deleite em frente a Marlene. Inclinando a cabeça para o lado ela estudou as suas feições. Marlene podia ver que ela era, como a sua companheira ruiva muito bonita… apesar de o seu aspecto ser um pouco à falta de melhor palavra vulgar, bastante comum. Porém as suas feições eram meigas e amistosas, possuía grandes olhos castanhos e inquisidores, o seu cabelo emoldurava a sua cara amorosa e caía-lhe pouco abaixo dos ombros livremente, o sorriso nunca deixou os traços do seu rosto. E ao contrário do que o gesto poderia indicar, era um sorriso afável…quase infantil. Ela pestanejou e disse numa voz melodiosa:

-Ela é tão bonita! É tua namorada nova Sirius? É? – As suas palavras tinham uma ponta de histeria de criança, mas ela parecia muito divertida, quando nisto, olhou para Sirius esperançosa – É a mais bonita de todas até agora!

Mesmo Marlene não pode deixar de sorrir ao comentário. Sirius, que provavelmente ainda estava chateado com o acontecimento envolvendo Malfoy soltou um "pfft!" e olhou para ela, os seus olhos a jorrarem faíscas e ele disse - o que Marlene teve de assumir que era - o nome da rapariga loira como um aviso, repreendendo-a:

-Dorcas! – A ruiva do outro lado parecia bastante divertida com a reacção da amiga, rindo por detrás da mão que cobria a boca subtilmente. Era impossível, pensou a beleza morena, não gostar a primeira vista delas.

Dorcas olhou para ele como se fosse um cãozinho abandonado e ferido:

-o que é? – balbuciou. E quando Sirius se preparava para lhe atirar outro olhar zangado e responder com a língua afiada ela deixou rapidamente o seu contacto visual e voltou a olhar Marlene meigamente:

-Prazer, Dorcas Meadowes – e contrariando tudo o que Marlene conhecia, a rapariga loira e simpática envolveu os seus braços magros em volta da cintura estreita de Marlene e abraçou-a sem sequer se encolher, ou retirar quando Marlene não retribuiu o cumprimento. Então devagar, muito lentamente finalmente ela desatou os seus braços do abraço e olhou-a. Nunca deixou de sorrir, e rapidamente a sua mão esquerda virou-se para a direcção da ruiva que pareceu assustada pelo súbito movimento:

-Aquela é a Lily, a paixão do melhor amigo do Sirius. – Lily não pareceu gostar do comentário enrugou o nariz e virou o para a janela. Porém rápida e educadamente novamente encarou as duas outras raparigas e ofereceu um sorriso a Marlene.

-Na verdade o nome é Lily Evans. Sem a parte do idiota do Potter. – A sua resposta veio num sorriso meio forçado e Marlene percebeu finalmente quem ela era. Então esta era a famosa Lily Evans, de quem James passava horas a falar em vão, até para os tectos?

-Oh?... A famosa Evans! – Proferiu finalmente Marlene encarando a ruiva, o seu tom apresentando diversão. Ela quase sorriu, e as suas feições suavizaram-se do habitual. Depois Sirius gargalhou e apresentou-a muito divertido, colocando uma mão num dos ombros da morena:

-Marlene Mckinnon prima do idiota do Potter. – Lily olhou para ela aterrorizada ao ouvir as palavras, Dorcas recuperava o seu lugar sem prestar atenção à conversa. – E vocês provocaram mais expressões faciais nela em cinco segundos do que eu costumo ver em duas semanas… uma vez que ela passou o verão todo na casa dos Potter.

A expressão de Lily enegreceu e Marlene mais uma vez, mais uma fatídica vez, para espanto de Sirius não pode segurar um sorriso subtil, quase invisível.

-Bom - começou ele visivelmente mais bem-disposto, Marlene não poderia adivinhar que a sua voz iria ficar rouca de ódio com a próxima frase, quando se virou para ela e falou – Aqui ficas segura, o Malfoy já aprendeu que meter-se com uma de elas as duas não é opção.

Virou as costas e foi-se embora.

Lily seguiu o caminho dele e olhou-a relativamente mortificada:

-Mckinnon desculpa eu não quis… - começou ela, a voz levemente tremida. Dorcas olhou-a como se ela fosse louca, perguntando-lhe do que estava a falar. A morena encolheu os ombros e sentou-se ao pé da loira, que continuava a olhar directamente em frente a esta Lily com um olhar inquisidor.

-Marlene. Não faz mal… o meu primo pode ser mesmo um idiota. Além disso pelo que ele nos conta, a mim e aos meus tios… estares a chamar-lhe idiota é quase um elogio – disse comum tom sem qualquer tipo de emoção. Tão seco como as suas de novo escolarizadas feições. Não era por mal , não tinha ficado chateada com o comentário de Lily…por isso acrescentou um pouco mais doce…bom na medida do possível – A minha tia está deserta para te conhecer Evans.

Podia ter caído um piano em cima de lily, e ela não teria uma expressão mais apavorada. As suas mãos torciam-se desajeitadamente e ritmicamente no seu colo, e ela desviou o seu olhar para elas. Marlene achou tão divertida a situação em que a ruiva se encontrava que teve de sorrir levemente.

- Desculpem … - veio a voz de uma Dorcas, bastante confusa por sinal… ela coçou a parte de trás da cabeça e inclinou mais uma vez o crânio ligeiramente. As suas feições apresentavam uma completa falta de contexto. – Podem explicar do que estão falar?

O sorriso subtil de Marlene alargou-se um pouco, mas ela não lhe respondeu. Em vez disso esperou que Lily o fizesse. Assim passado talvez uns 3 segundos Lily virou gentilmente cabeça para ela e com um olhar implorante sussurrou.

- A Marlene é prima do Potter.

-oh? – Grunhiu a loira olhando a morena. Claramente continuava sem perceber porque da expressão envergonhada e corada da ruiva, porém quando dirigiu de novo os seus grandes olhos castanhos brilhantes, foi como se eles iluminassem e ela exclamou – Oooh!

E espetou um dedo no ar.

- Evans? - Marlene chamou docemente. A ruiva desajeitadamente, conduziu um par de grandes orbes esmeraldas, que pediam desculpas, sozinhos.

-Lily. – corrigiu ela, e quando ia abrir a boca de novo, para com certeza pedir desculpa, Marlene cortou drasticamente, agitando a mão à sua frente em sinal de indiferença.

-Já te disse que não faz mal – Merlin, isto era diferente de Beuxbatons – a sério não faz. Os meus tios estão desertos para te conhecer porque …

Não pode acabar os pensamentos, porque a porta abriu-se rapidamente. Uma rapariga pequena e de cabelo curto e negro entrava na cabine sem sequer olhar para quem lá estava dentro, no entanto pela maneira como agi, ela sabia perfeitamente.

-sabiam que temos uma rapariga nova …Olá! – a voz dela era muito melodiosa, como uma canção , mas ela não olhava para a cabine parecia concentrada antes em algo fora dela, acenou interrompendo se a si mesma e cumprimentando alguém com um ruidoso, e ainda assim melodioso "olá", depois continuou – está toda a gente a falar dela e a perguntar-se em que equipa vai ficar… Tudo bem?! Alguns dizem que deve ficar em Slytherin… parece que é uma estátua de gelo… já a viram? ADEUS! - e a sua face fixou-se na porta que agora se concentrava em fechar. Depois virou-se para elas com uma expressão quase violada ao sentir todos os pares de olhos em si.

-Na verdade – começou Marlene devagar voltando os olhos para janela e depois de novo para a recém-chegada - eu estava a pensar ficar nos Gryffindor.

E pela segunda vez, ao tom da sua voz e da surpresa, viu um par de olhos esbugalharem-se ao entender .

-Hei… - a voz da rapariga era arrastada, mas Marlene podia perceber que ela estava tão embaraçada como Lily tinha estado apenas momentos atrás. Querendo para além de matar a curiosidade, distraí-las dos seus lapsos ela perguntou:

- Então qual é o problema do Malfoy com o Black? E o que quis ele dizer com meter-se com uma de vocês não é opção?

Foi instantâneo e maravilhosa a rapidez a que a tensão deixou a cabine para que as três raparigas lhe explicassem, a atribulada vida dos marauders.