Capítulo 4 – Hogwarts dinner, breakfast and lunch

1st part – Dinner, now I know about you, you and you

Elas tinham me explicado ainda no Hogwarts Express, aliás demorou toda a viagem, o motivo porque os Slytherin (parece que não era só o Lúcios) não só não se davam com os marauders, como os desprezava e constantemente ameaçava. Parece que, Snape e Malfoy eram amigos e Snape não gostava de James, algo a ver com ele e Lily terem sido amigos e ela ter deixado de lhe dar qualquer atenção, e Malfoy não gostava de Sirius. Porquê diziam elas, não sabiam.

"Provavelmente" tinha dito Lily, com um ar pensador, e um dedo esticado no queixo " tem a ver com ele ir casar-se com a desprezível prima do Sirius. Pobre Six! Ele é literalmente a ovelha da família"

Explicou-me com isto também, um pouco mais acerca da família de Sirius. Eu nunca lhe perguntara, uma vez que eu e ele tínhamos trocado menos que palavras secas e olhares ferventes, e ensopados. As pessoas da família de Sirius eram – o que se descreve por – Sangue puro. Como eu ou o James…simplesmente não pensamos nisso, não ligamos e ponto final.

Com tanta coisa chata e aborrecida na vida, para que preocuparmo-nos com o sangue - pensava eu silenciosamente – era o cúmulo de estupidez.

Acabei por descobrir em mim, um lado um pouco mais suave que uso para interagir com as amigas de Sirius, que se tornaram as minhas amigas. Engraçado é o facto de serem muito hospitaleiras, e explicarem me tudo no castelo desde fazer cócegas na pêra da natureza morta para chegar à cozinha ao facto de as escadarias por volta das 18h de sexta feira se movem por vontade própria, e até me explicaram que devia ter cuidado em certos corredor, em que os homens dos quadros eram mais virados para pervertidos que honrosas pinturas do renascimento.

Hogwarts era divinal, o castelo em que eu sonhava que as princesas e os reis viviam na minha infância. Impunham-se grossas paredes duras…grossas e frias, Mas o interior era tão acolhedor, manso, meigo que dava realmente mais prazer estar lá dentro que fora. Na primeira noite em que cá cheguei tive o prazer imensurável de conhecer um elemento antiquíssimo da instituição. O chapéu seleccionador, já seleccionava à mais de mil anos a casa das pessoas.

Após uma grande dúvida da sua parte, pôs-me em Gryffindor, porque e cito " a tua lealdade ultrapassa qualquer gelo que circule o teu coração, a tua coragem ultrapassa qualquer secura nas tuas palavras… Porque as acções falam por nós…"

Não que não tenha ficado muito lisonjeada, oh! E fiquei! Mas não… não me interessou muito momentos depois quando entrava pela sala comum, acompanhada por Lily que era perfeita e que tinha esperado ansiosamente por mim, à porta do gabinete da Prof. McGonagall, para saber o resultado que ditara o velho chapéu puído.

Recebera-me ansiosamente com os seus olhos verdes a brilharem, quase sorri.

-Então? – Perguntou quase histérica, envergonhada pelo tom agudo da sua voz, corou um pouco mas não desviava o olhar a medida que eu passava por ela.

Encolhi e os ombros e comecei a andar para o corredor, o único que se estendia è nossa frente. Depois por cima do ombro olhei para trás, para ela.

-Gryffindor.

Eu não vi, porque me virara para a frente mas podia jurar que a ouvira dar um pulinho, e ouvi a correr para me alcançar. Mas quando finalmente o fez, nos seus lábios a dançar um sorriso sereno, ela não falou de todo. E era assim que eu preferia, gostava de lily – e das outras – porque ao contrário de toda a escola elas não pareciam pensar que o meu comportamento, fosse ofensivo. Elas percebiam - … via-se bem – que eu era assim, era o meu feitio…e não era a minha intenção chatear ou mostrar desagrado para com alguém… bom À excepção de Malfoy de quem passara a desgostar profundamente quando Alice, a morena faladora que brutalmente me interrompera na carruagem a contar que toda a escola supunha que eu fosse para Slytherin, me contara que fora ele a partir o nariz a James quando ele tinha apenas 14 anos. " Não que lúcios não tivesse a paga certa depois! " assegurara Dorcas meio distraída e risonha. Elas eram na verdade encantadoras, no caminho para fora do Hogwarts Express talvez me tenham apresentado 14 rapazes diferentes.

O primeiro jantar em Hogwarts, fora…estrondoso. Não que em Beuxbatons não se fizessem igualmente grandes banquetes… não era isso. O ambiente apesar de estarmos dentro de um grande castelo de pedra fria era tão quente que eu quase suava. Era fantástico maravilhoso, se eu o conseguisse apreciar, as vozes altas, os risos, os olhares e o sentido de família que havia da mesa vermelha e dourada, quando me sentei à direita de James para jantar, o que só aconteceria depois da linga e fastidiosa cerimónia de selecção.

-Prima…juntas-te a nós? - Perguntou enquanto olhava para mim, mas escapava uma olhadela à socapa para Lily. O seu tom era um irónico de brincadeira que usávamos frequentemente, quando bem-dispostos, revirei os olhos e respondi:

-Claramente James. - Enquanto apontava para a minha própria pessoa agora sentada (esmagada) entre ele e Dorcas que conversava tão rápido com Alice que esta tinha uma expressão plantada na face de quem já tinha tanta experiencia em situações como aquelas, que aprendera a apenas calar-se e deixar a sua companheira falar.

Do outro lado Remus cumprimentou me com um sorriso caloroso, os seus traços de cansaço, cada vez que o via estavam mais vincados na sua pele.

-É bom ver-te de novo Marlene! – E vi-o tal como o meu primo a deixar o seu olhar vaguear para algures atrás de mim, mas não vi onde se centrava. Sem mudar de expressão levantei lhe o copo esperando encontrar vinho, mas em vez disso encontrei sumo de abóbora. Olhando James com uma sobrancelha levantada perguntei-lhe, a minha voz clara e seca.

-Onde está o vinho?

-Vinho? Marlene, aqui, não bebemos vinho… - respondeu ele na sua voz irónica ignorando o facto de eu já não estar a usá-la. – E por favor fala baixo? Eu não quero que pensem que estás habituada a beber álcool.

-Mas eu estou habituada. – disse como se discutisse a cor de uma nuvem cinzenta.

-Bom mas isso não é maneira aqui. – Respondeu-me. Os seus olhos agora completamente fixados em Lily, e não pareceu gostar particularmente do facto de eu estar a interferir com ele. Encolhendo os ombros, voltei a virar-me para Remus em frente a James.

-Também é bom ver-te Remus… muitas viagens a casa? – Mas ele já não estava a olhar para mim, finalmente via onde o seu olhar se concentrava. Era na bonita mulher de cabelos loiros e olhos castanhos e carinhosos. Rapidamente, apercebendo-se de que olhava para ele esperando uma resposta – corou furiosamente e sussurrou – dizias?

Quase ri, mas mais uma vez não vi necessidade. A minha voz saiu tão estabilizada como sempre.

-Dizia que também é agradável ver-te. É bom ver que quase toda a gente cá é tão simpática

Remus ia responder, deduzi pelo seu sorriso afável, mas um grunhido interrompeu-o. Projectei o olhar para o lugar à frente para dar de caras com Sirius a queixar-se para o seu copo "quase"grunhia "quase".

-disseste alguma coisa Black?

-não – respondeu ainda a olhar para o copo, sem atender à minha chamada. Muito bem então. Tinha de começar a imaginar como iria por em prática o meu plano!

Até agora o ponto da situação é que Remus parece interessada em Dorcas, James está perdidamente apaixonado por Lily, isso até eu posso ver, e eu não costumo estar muito atenta a sentimentos alheios… bem a sentimentos no geral. E que Sirius Black tem um desgosto particular por Lúcios Malfoy, o que eu posso facilmente usar a meu favor, uma vez que ao que parece Lúcios tem um particular gosto por mim. Isso é bom, muito favorável. Bom talvez James não goste mas ele não precisa de saber.

Dirigia me agora em silencio, enquanto Dorcas e Alice falavam animadamente ao nosso lado, com lily para o dormitório. Ela parecia muito serena, muito feliz por estar cá, havia um brilho fantástico nos seus olhos esmeraldas que a delatavam.

Beuxbatons era sem dúvida muito diferente de cá. Lá éramos todas parecidas. Beuxbatons era o castelo do gelo, e estávamos ali porque tinha de ser. Aqui toda a gente parece venerar o chão que pisa. Isso é agradável. Não que eu possa sentir algo desse género acho que nunca vou conseguir… mas às vezes quando vejo o meu primo rir com os amigos ou a brincar com a minha tia, sinto me compelida a querer esse calor de sentimentos que o invade, ele é tão vivo que me faz pensar em mim como um cadáver ambulante. Por outro lado…ser como sou impedir-me-ia de ficar tão triste como ficou à pouco quando lily lhe deu um discreto não, olhando para mim de esguelha, ao pedir-lhe para sair. Bom impedir-me-ia de ficar de qualquer maneira. O melhor a fazer é deixar os sentimentos de lado. Devemos contar com o dever com a moral. Nada mais.

Chegámos ao topo do castelo, ao 7º andar. As minhas recentes amigas tinham lágrimas nos olhos quando enfrentaram a dama gorda e lily, um pouco histérica disse " salpicão ossudo".

Mas antes de ela se abrir para nos dar passagem, olhou me curiosa.

-Oooh! Esta e que é a nossa nova aquisição? - Perguntou a Alice virando-se totalmente para ela ignorando-me a mim, a Lily e a Dorcas, que como sempre não parecia muito interessada, e procurava algo freneticamente nos seus bolsos. Acho que elas deviam socializar muito as duas, porque tive a ligeira impressão que este tipo de perguntas, quando direccionadas à morena, não eram inéditas. Eu levantei uma sobrancelha levemente divertida.

- Sim, esta e a Marlene Mckinnon. Marlene, esta é a nossa fiel guardiã

Eu ia responder um breve "prazer", mas ela interrompeu-me e disse num gritinho histérico.

-Espera até o Sirius Black te ver! Dentro de pouco tempo, vão estar os dois a sair daqui tardíssimo. Quase consigo imaginar! Não te preocupes querida, eu também já fui da tua idade…

Fez me lembrar uma das minhas tias velhas escocesas que bebem cerveja de malte o dia todo, e ficam a mexericar a vida das vizinhas na aldeia pequenina. Por outro lado, ela não sabia o quão certo era aquilo, mas pelos vistos ela tinha uma grande boca e deixaria saber quem quisesse saber que eu e Sirius nos encontrávamos. Um arrepio passou-me pela espinha. Mas a minha expressão não mudou e enquanto as minhas amigas olhavam para mim expectantes, com medo que eu lhe dissesse alguma coisa desapropriada, limitei-me a encolher os ombros e responder que não me parecia que isso fosse acontecer.

A sala Comum dos Gryffindor, e a primeira impressão que me causou, é algo que nunca vou esquecer.

Redonda, acolhedora e quente, era decorada nas hospitaleiras cores da Equipa, o dourado e o vermelho. Poltronas puídas assentavam em frente à lareira, contavam uma história de anos, de vidas. Havia pessoas a jogarem xadrez e snap explosivo algures ao pé dos armários, um grupo de raparigas sentadas num chão, mais novas que nós partilhavam feijões da todos os sabores e sapos de chocolate, com rapazes ainda mais novos que elas… Um fantasma passeava-se vagarosamente pelo tecto, e a certo momento a sua cabeça caiu para o lado e ficou suspensa por uma fina tira de ectoplasma cinzento que deixava ver a pedra por trás de si. Os risos pairavam no ambiente, faziam a pedra por debaixo de nos estremecer ruidosamente. Este era um daqueles momentos em que eu desejava sentir mais do que frio, mais do que um nada imenso.

Dorcas olhou para mim, o seu peito inchado orgulhosamente.

-O que achas?

-Fantástico. – Respondi. Mas só posso adivinhar que não fui muito convincente por não a ter presenteado com um sorriso com os que ela me oferecia a toda a hora, porque os olhos dela baixaram drasticamente, como o seu peito de pavoa inchada e ela suspirou derrotada, muito pesadamente. Ouvi de algum lado uma gargalhada encher o ar e soube que Remus estava por perto. E onde estava Remus estavam o resto dos marauders, eles gostariam que fosse uma sociedade secreta. Mas eu penso que toda a gente a conhecia.

-Porque é que não nos vamos sentar ao pé deles? - Perguntei. Eu queria em frente a Black, perguntar a uma delas…provavelmente Alice, o que tinha querido a Dama Gorda dizer com aquilo.

Lily mordeu o lábio e por momentos vi vergonha a passar pelas suas bochechas… mas rapidamente Dorcas se atirou ao ar, e gritou um "BOA!" que deixou metade da sala a olhar para ela. Alice encolheu os ombros e assentiu, e uma atrás de outras percorremos a sala comum até à rodinha de poltronas em frente à lareira, que parecia ser o melhor lugar na sala comum, mas que pelo que me apercebi os marauders haviam reclamado como deles.

O que eu menos gostava eram os horríveis uniformes. Demasiado escuros, não combinavam de todo comigo. Em Beuxbatons, usávamos vestidos e camisas, azuis e brancas. Aqui estamos condenados ao cinzento e preto. Suponho que não se pode ter tudo bom….

James levantara devagar os olhos, olhando por cima das lentes dos seus óculos assentes no nariz ligeiramente comprido para encontrar Dorcas com um sorriso brilhante.

-Podemo-nos juntar a vocês? – Remus pousava os olhos nela agora, James roubou um olhar para lily que se esquivou olhando Para Alice, que tinha começado a contar-lhe algo importante sobre alguém chamado Frank, sabia que era importante porque falava depressa, e fazia gestos abruptos. Quanto a Sirius, não sei. Não me apetecia olhar para ele e depara-me com o que estava a fazer. Sabia que algures na minha mente, algo me dizia que aquilo era amoral e errado, mas o desejo de não ter a primeira vez com alguém que não conhecia era esmagador, mais forte que tudo, por isso algures na minha mente ainda que destorcido, isto fazia sentido

Podia querer não pensar nele, nem olhar para ele, mas fui obrigado quando a voz rouca dele, me fez olhá-lo:

-Claro sentem-se. – E apontou seis poltronas livres e gastas que deviam ter sido, em algum ponto, vermelhas. OS seus olhos vieram poisar em mim , eu tive a distinta sensação que ele estava a tentar perfurar-me de um lado ao outro, depois tão lentamente como tinha começado o seu olhar desviou-se e foi pousar em algo incerto, no chão talvez.

-Marlene… se houvesse imprensa em Hogwarts, tu eras primeira página. Até os Slytherin ficaram desiludidos de não ficares na equipa deles.

-pfft! A Marlene pertence aos Gryffindor, estão a esquecer-se que ela e da minha família? – Pronunciou James, com o seu ar orgulhoso, quase parecia Dorcas ao apresentar-me a sala comum, eu ofereci-lhe um olhar sereno.

-Estás muito bem disposto

-Claro que estou... - os seus olhos fixaram-se sem uma ponta de subtileza em lily, que distraída da nossa conversa, para uma briga entre dois rapazes que discutiam a pontuação do snap explosivo. Mas todos repararam. E foi tão engraçada a maneira como ele se derretia a olhar para a ruiva que enquanto todos gargalharam abertamente, eu sorri ligeiramente. De alguma maneira, demonstrar afectos por James ainda que discretos, por vezes imperceptíveis era mais fácil que fazê-lo em relação aos meus pais. Com Remus era quase o mesmo, algo na sua personalidade tranquila e serena sempre tão calmo e por vezes mesmo vagaroso encantava-me tanto como o espírito imparável de James. Poderia dizer que Sirius por outro lado me era indiferente… mas estaria a mentir. Embora o que sentia em relação que sentia por ele não tivesse de todo algo a ver com o que sentia em relação ao meu melhor amigo e a Lupin.

Depois de conversarmos sobre os fantasmas, os professores, a floresta negra, as estufas e os jogos de Quidditch, em que James insistiu que eu fosse fazer provas para chasers, já que ele era actualmente capitão da equipa e havia um lugar vago. Felizmente disse que não. Não me sentia muito à vontade para isso, nem com vontade…de todo. Falamos sobre as aulas e algumas pessoas agradáveis mas principalmente das que não eram agradáveis… Subitamente lembrei me porque tinha sugerido que nos sentássemos ao pé do meu primo e de Sirius…

-O que quis dizer a Dama Gorda com aquilo sobre mim e o Black? – Os presentes calaram-se de imediato. Sirius olhou me com um olhar estranho, e eu não podia estar a tirar mais partido daquilo. Finalmente Dorcas falou.

-suponho que é porque o Sirius não resiste a uma mulher bonita, …bom elas literalmente é que não lhe resistem… e tu és tão bonita Marlene… - Após as primeiras palavras, ela já usava o seu habitual tom de divagar. Oh…já percebi! então o Sirius é o garanhão cá do sítio? Bom… pensando bem só tornava as coisas mais simples…bem mais simples. Sirius interrompeu-a com um sorriso brincalhão e um tom de dor fingida:

-Hei! Eu não posso fazer nada se as mulheres não me resistem! Eu limito-me a dar-lhes o que elas querem!

-Sirius ! não sejas parvo! – Repreendeu-o Lily com uma falsa expressão nauseada. Os olhos viraram-se para mim. Remus e James observavam-me à espera de uma reacção. Por isso virei-me para Dorcas com as minhas expressões habituais imutáveis e respondi.

-Obrigado pelo elogio. – Acho que desapontei muitos dos presentes, porque Alice fez um ar desiludido, e Remus respirou sonoramente. Conjurei um copo de vinho e James olhou-me furioso. Encolhi os ombros e levei o copo aos lábios. – Onde está o Peter?

Pude ver que por de trás das palavras que Remus me deu, James e Sirius trocaram um olhar preocupado.

- Ele… teve um assunto familiar para tratar… - engraçado por muito verdadeiro que Remus parecesse, não podia deixar de reparar que todas as suas palavras, cada sílaba parecia meticulosamente lançada para fora da sua boca.

-oh… - Respondi, levando novamente vagarosamente o copo de vinho à boca. Os Olhos cinzentos fixados em mim, do outro lado da pequena rodinha em frente à lareira formada pelos sofás, quase me fizeram sorrir.