Capítulo 5 – Hogwarts dinner, breakfast and lunch
2nd part – Breakfast, juice, croissants and a Deep Talk
Após um dia em Hogwarts, sentia-me em casa. Depois de apenas algumas horas tinha descoberto a profundidade da afeição do meu querido primo por Lily, que Remus tinha uma paixoneta por Dorcas, que obviamente andava sempre distraída de mais para reparar, e ainda que a fama de mulherengo de Sirius chegava até aos quadros.
Os dormitórios eram simples, diferentes da seda azul clara e azul escura que decorava os quartos individuais de Beuxbatons, estes eram belamente adornados por veludo escuro, de um vermelho sangue escandaloso, e finos puxadores dourados, bordados a oiro. Estas decorações estavam tanto nos cortinados como nos dosséis das camas, altos e orgulhoso. Como a minha equipa, da qual sentia um puro orgulho. James sempre me falara da casa dele, de Hogwarts de Gryffindor que por muito tempo, esperei deixar Beuxbatons e a sua semelhante frieza com a minha, para me juntar ao calor dos leões de que James falava com tanta vaidade, quase jactante. Talvez um dia esse calor superasse a minha frieza, mas por enquanto continuava a mesma indiferença, a minha secura.
Como sempre acordei cedo. O sol ainda batia muito fracamente nas imponentes e grandes janelas góticas quando acordei, embriagada de sono. Com um bocejo demorado, sentei me na cama e esfreguei os olhos. A minha camisa de noite branca de seda, era demasiado curta, e fez questão de mo lembrar quando o frio estável do dormitório fez cócegas secas na minha pele nua dos ombros, e coxas, puxei o meu robe negro de flanela e envolvi-me nele rapidamente, deixando os meus pés encontrar, tentando não tocar com os meus pés quentes o chão de pedra fria, as sabrinas de água quente de "Deaux e Peaux le coquins". Quando me senti finalmente mais quente, abandonei o colchão e fui até ao extremo oposto do dormitório onde estava um relógio que não deveria ser silencioso e porém não fazia barulho algum. Com certeza um feitiço silencioso.
As minhas novas amigas dormiam silenciosamente nas suas camas. Embora Alice emitisse alguns sons bizarros, que se assemelhavam a gemidos e grunhidos ao mesmo tempo. Encolhendo os ombros, rumei para a casa de banho.
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O pequeno-almoço em Hogwarts era tão completo e nutritivo como em Beuxbatons, um pouco mais caseiro e hospitaleiro diria… As panquecas cheiravam deliciosamente, as papas de aveia pareciam deleitosas e o sumo de abóbora era fresquinho e cheiroso, para não falar de todos os outros mimos apetitosos, dispostos geometricamente em cima das mesas pouco populadas ainda, das quatro casas. O tecto do salão principal estava maravilhoso, sem nuvens, o céu azul e um sol escandalosamente brilhante. O tecto enfeitiçado era uma inovação celeste. Fosse eu outra pessoa e teria suspirado, aberto os braços e envolvido o puro ambiente que enchia o salão. Em vez disso caminhei ao lado de Lily um pouco atrás de Dorcas e Alice. Dorcas agitava alegremente os braços enquanto conversava com Alice, que em vez disso parecia um pouco abstraída.
Ao ver que as observava, e que estava interessada no comportamento de Alice, Lily decidiu esclarecer-me, talvez soubesse que eu nunca perguntaria.
-A Alice está à procura do Frank – sussurrou-me ao ouvido enquanto nos sentávamos, sensivelmente a meio da longa mesa. Eu olhei para ela curiosa, ainda assim… não me permiti perguntar.
-Frank Longbottom, ele é… - ela ponderou as palavras que usaria de seguida – um amigo especial da Alice, estão ambos profundamente apaixonados… a sério… simplesmente… não namoram… mas acho que nunca ninguém tentaria tirar um do outro. Eles são perfeitos juntos. Esperamos todos que eles se entendam e… finalmente percebam que têm de ficar juntos.
-oh…- Respondi com um pouco de ironia a enrolar-me a voz. – Tal como tu e o meu primo…
Lily corou violentamente. Eu tinha a visto argumentar violentamente com Dorcas antes, mas … comigo ela nunca dizia nada…suponho que ela não me queria ofender. Dorcas tomou a cadeira em frente a lily e respondeu as suas bochechas coradas, por mim.
- Tal e qual como ela e o teu primo, Marlene! – Os meus olhos encontraram os brilhantes dela e ela piscou-me uma das suas orbes castanho chocolate, e alcançou uma das panquecas. O salão começou a encher rapidamente. Quando parecia finalmente cheio e que pelas enormes portas não chegaria mais ninguém, As portas abriram-se e pela rosácea frontal do castelo, centenas de corujas entraram, enquanto que, pelas velhas e grossas portas de carvalho, entraram em todo o seu esplendor os marauders.
Por escassos momentos pareceu-me haver confusão no salão. Cabeças viravam-se para os recém-chegados outras para as corujas, e depois outras simplesmente pareciam muito confusas entre fazer um e outro. Os marauders vieram até nós, e eu não esperava outra coisa, mas antes que chegassem ao seu destino Alice levantou-se quase derrubando a cadeira e seguiu num passo acelerado para os Ravenclaw. Lily respondeu me com um olhar quente e de adoração que ela corria para Frank.
Não podia adivinhar no entanto que Sirius viria tomar o seu lugar a meu lado, por momentos a sua mão esfregou a minha sempre tão leve como qualquer outro dos seus toques, e eu encolhi-me escapando-a dele, rapidamente me repreendi mentalmente e voltei a pousá-la ao lado da dele sem olhá-lo. Podia sentir no entanto os seus olhos cinzentos na minha nuca enquanto pedia a Dorcas o sumo de abóbora. O que quer que fosse que eu e Sirius tínhamos para tratar, íamos fazê-lo dentro de portas fechadas.
A voz de Remus interrompeu-me quando antes de abrir a boca para perguntar a Dorcas como era esta aula de Poções, ele lhe dirigiu a sua doce palavra. Por isso vi-me virada para Lily uma vez que Alice ainda não chegara, e olhando para ela, a sua mão pousada na de um rapaz magro e com um sorriso espalhado nos lábios, só posso pensar que ainda vai demorar. Mas lily está a discutir com o meu primo…algo sobre ele ser tão arrogante. Ela um dia vai perceber que esta errada…suponho.
Encarei finalmente Sirius. Ele estava divertido, trincando a sua torrada, com os braços cruzados em frente do peito. Inclinei-me para ele, a minha face totalmente virada na sua direcção e o meu longo cabelo negro corria me em cascata a medida que inclinava a cabeça pelas costas coloridas pelo pulôver quente, de cinzento.
-Poções? – Pergunto com um ar traiçoeiro. E ele deve ter percebido porque me olhou com os seus olhos poderosos. Devo admitir que em tudo em Sirius eu via o seu imensurável poder.
Muito devagar, ele expôs a ponta da sua língua. E com ele humedeceu o lábio inferior com ela. O simples gesto fez de novo a habitual perfuração no meu baixo abdómen sentir-se. Estreitei-lhe os olhos enquanto ele sorria arrogantemente e me respondeu por fim.
-Não é muito agradável.
- Por causa do Professor? - A minha voz saiu clara como agua, mas agua quente… bem isso não podia ser pois não? Clareei a voz e ela saiu seca e fria como eu preferiria que tivesse saído pela primeira vez. - Ou pela companhia?
Black contraiu-se à mudança na minha voz. Pestanejou duas, três e depois quatro vezes e finalmente falou.
- O Slughorn é esquisito mas suponho que se o Prof. Dumbledore o contratou, então ele é inofensivo. Um pouco elitista talvez… mas é bom professor.
-então não é por causa do professor. – Assumi eu, ele apenas sorriu e encurtou por milímetros a distância entre nós. - É por causa da companhia…- sussurrou
-Oh? Perdoa-me esqueci-me das companhias … e se queres que te diga a verdade, esqueci-me do meu horário lá em cima. Com quem temos esta aula?
Num ápice, as suas expressões faciais e corporais mudaram, os seus lábios comprimiram-se um contra o outro como numa tentativa de não praguejar o mais alto que pudesse, e as suas sobrancelhas uniram-se num franzir de tentativa de controlo, as suas mãos, transformam-se rapidamente em punhos apertados quando os seus ombros se tornam perfeitamente simétricos, e o seu olhar em forte e determinado. Descolando os lábios que tinha comprimidos, um contra o outro, ele assobiou através de uma mandíbula fortemente trancada:
-Slytherin.
Bem isso explicava tudo. Vi-o deitar sumo em dois copos, e um sorriso nasceu na minha mente quando ele me ofereceu o sumo cor de abóbora, isto era quase amoroso. Aceitei de bom grado a oferta com um frio obrigado, e sem um sorriso. Ele não parecia abalado.
-Tu não gostas muito deles, pois não Black? – Os seus olhos não pousavam em mim, o tempo passava sem nós nos apercebermos. Lentamente sem eu ou ele repararmos as mesas esvaziavam.
-Não Mckinnon, eu não gosto muito deles. – Desta vez a sua voz quase parecia a minha, só pude deixar um sorriso trocista brilhar nos meus lábios. Quando ele voltou a virar os olhos cinzentos metálicos para mim eu tive de alargar o meu sorriso trocista quando o vi deleitado ao apreciá-lo.
-Porque Black? Talvez… eles te tentem atrapalhar… é isso Sirius? – Aproximara-me levemente dele, e eu sabia que ele podia sentir a minha respiração ainda que fraca na sua bochecha… Consegui ver que o simples facto de eu dizer o nome dele, tão perto dele o arrepiava da cabeça aos pés. Ele olhou para mim, a distância entre nos, encurtou-se ainda mais quando me encarou completamente frente a frente.
-Atrapalhar?
– Tu sabes… na tua busca pelo amor eterno… certamente e por isso que tens tantas mulheres. A minha voz cantava a ironia mais alto que as palavras, tingia-as. Ele percebeu e brindou a isso com um grande sorriso.
-Nope. – Quando os seus olhos deixaram os meus para olhar em seu redor, procurando com toda a escapar certeza do frio olhar com que o presenteei perante a resposta idiota, ele arfou em surpresa. Depois foi a minha vez de deixar os meus olhos azuis vaguearem, à espera de encontrar algo de importante. Não encontrei nada. O problema era mesmo esse nada. Havia talvez 10 pessoas no grande salão Principal, e eles não tinham Poções agora.
-Suponho que devíamos ir, – disse eu o mais melodiosamente possível. A conversa com Sirius tinha se aproximado de algo em concreto - embora não faça ideia do que – e eu estava profundamente interessada em que ele não se zangasse comigo por o ter feito atrasar-se… Por outro lado, isto era Sirius Black…esta preocupação era ridícula. Alcançando o meu copo de sumo de abóbora e um croissant simples poisado na mesa em frente ao meu lugar, comecei a andar em direcção as enormes portas de carvalho. Ele não me seguiu de imediato. Quando girei a cabeça para o encarar por cima do ombro os seus olhos estavam fixados penetrantemente nas minhas costas.
– Bom… vens?
Ele estava hesitante nos primeiros passos que deu para me encontrar, os seus olhos quentes sempre a sobrevoarem a minha pessoa mas quando passámos pela porta do grande salão, eu podia ver que a sua confiança estava reconquistada.
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As masmorras ficavam na parte mais escura e fria do castelo, e até os archotes com o fogo medroso estavam gelados do frio.
Sirius seguia um pouco atrás de mim. Subitamente na minha cabeça algo me perguntou se ele não teria algo engasgado para dizer, não falara desde que saíramos do salão, mas ainda não tirara os olhos da minha nuca. Não que me incomodasse. Não incomodava. Simplesmente acho que síria agradável saber o que ele estava a pensar.
Abrandei o passo para poder seguir a seu lado. Ele olhou-me curioso, e com a voz mais fria que consegui, decidi que se não dissesse nada, não seria ele a dizer. Engraçado, Sirius Black …com Vergonha?
- Se não é porque eles interferem com a tua busca pelo amor… - ele olhava me curioso desde que a minha voz fria gelou as pedras glaciais. Mas quando me ouviu a falar de amor, um sorriso sarcástico esbarrou dos seus lábios e ele estreitou ligeiramente os olhos ao olhar para baixo, enquanto eu continuava a olhar para a frente. – Então porque não gostas deles?
Ele ficou muito tempo calado. Quando voltou a falar para me responder… A sua voz igualava-se a minha em frieza, mas o calor que a envolvia era um cobertor quente e grosso de sarcasmo.
- Não penso que isso seja possível?
-o quê? Dares-te com Slytherin, ou o amor… - retorqui irónica, ele cortou-me
-ambos.
- Que tal explicares-te? – Pedi com exaustão na voz, eu gosto de conversas directas, e não de enrolar o assunto, se a conversa não tem um objectivo não vale a pena tê-la. Pelos vistos Sirius enrolava bem as falas, de maneira a escapar-se das perguntas. Caminhávamos lado a lado pelos corredores congelados, e ele desviava finalmente os olhos de mim. Ele parecia seriamente divertido pelo seu sorriso controlado, as suas mãos enfiadas nos bolsos.
- Sempre implicaram com o Peter, aqueles idiotas, e por consequência connosco…que espécie de homens seriamos nós se não retaliássemos? - A voz dele era ambígua, tornou-se muito rapidamente fria e calculista contrariando o sorriso divertido na sua cara antes. Parámos os dois no corredor assombrado pelo frio.
-E quanto è segunda parte? -Eu sabia que estava a abusar da minha sorte. Os olhos dele diziam-mo, queimavam com uma chama nocturna que me deixava a desejar… a desejar. Mas eu não era mulher de dar passos atrás e quando ele deu um passo para encurtar a nossa distância eu não recuei o meu nariz, não tocava por pouco nas linhas do seu pulôver cinzento. Arrastei os olhos lentamente desde o seu peito até ao pescoço grosso e ainda assim tão elegante, até aos seus lábios desejosos…mais vivos que os meus, e finalmente parei nos seus olhos cinzentos. Ele estudava-me, isso, eu podia entender claramente. Como James sempre fazia tentava encontrar uma falha na minha expressão.
- Eu não acredito que seja capaz de amar alguém, dessa maneira Mckinnon. Amar significa partilhar… - levantei-lhe uma sobrancelha friamente, arrepiou-me tremendamente, até ao interior do meu espírito, pensarmos da mesma maneira neste aspecto, e eu via que ele não estava a brincar os seus olhos de metal flamejavam com a verdade neles e pude distinguir algo parecido com desespero. Não percebia essa angústia e isso estava a dar cabo de mim, queria desesperadamente perguntar lhe como era para ele, dizer-lhe o que sentia em relação a isso, como me sentia inabilitada pela frieza que fizera de mim a sua casa, que me habitava e prendera para sempre os músculos. Mas como podia fazê-lo? Se era a frieza a que eu me tinha habituado e que era o meu casulo me impedia e colocava barreiras de novo. Por isso em vez de dizer algo fiquei a olhá-lo. Sem uma única falha. - Toda a gente tem os seus segredos …Talvez fiques tempo suficiente para perceber Marlene.
-oh ? - Olhei-o esperando. Eu sei que ele não via nada para além de frieza nos meus olhos, eu podia v elo encolher sobre a influência que dois simples olhos lhe causavam. Mas eu queria saber… o que queria ele dizer com aquilo… Eu queria perceber Sirius Black, Se nada mais eu sempre fora muito curiosa.
E nada me intrigava mais que Sirius. Eu queria entender a vulnerabilidade que havia nele, a vulnerabilidade que eu queria descobrir em mim, porque é que Sirius conseguia conjugar a sua parte que tanto se parecia comigo e uma outra, que conseguia importar-se com algo mais do que manter-se impassível? Eu queria atingir esse estado. Eu queria saber como ele o fazia. Eu queria o poder desse segredo...Em pequenina diziam-me que os sentimentos endureciam e faziam as pessoas mais fortes. Eu nunca acreditei nisso. Mas algo em mim que urge de sede por poder que cobiça esse saber.
E se ele não estivesse interessado em partilhar… eu roubar-lho-ia… e faria qualquer coisa para o obter.
