3 –
Luz baixa, música alta. Pessoas sozinhas procurando por diversão e pessoas reunidas (como eles) procurando por diversão. Não ele. Camus de Aquário estava ali única e exclusivamente para perpetrar sua perfídia e, bem, guiar seus colegas de volta para o Santuário caso o grau alcoólico fique muito alto. Apesar de ser frio, não era um desalmado e todos sabiam disso. Entretanto, depois do dia de hoje, muitos passariam a pensar diferente. Mas não se importava, estava determinado a levar seu plano a cabo.
Ninguém estranhou ao ver Milo dançando sensualmente na pista como sempre, pouco se importando se estava sozinho ou acompanhado. Ninguém estranhou ao ver Camus no balcão do bar calmamente brincando com a azeitona de seu Martini e trocando algumas poucas palavras com o barman que o atendia, como sempre. Ninguém estranhou ao ver o escorpiano se desembaraçar com destreza do bonito rapaz que dançava com ele e se dirigir ao banheiro. Rapaz este que se dirigiu ao balcão para pedir uma bebida qualquer que lhe refrescasse a garganta.
Algumas palavras, encobertas pela música para quem estivesse próximo, foram tudo o que bastou para o rapaz, pálido e visivelmente constrangido, ir para o outro lado da casa. O ruivo sorriu satisfeito, um discreto sorriso. Quem o viu, lembrou-se instantaneamente de um quadro renascentista e se perguntou: "o que será que ele sabe e eu não?" [1]
Notas da autora:
1 – bom, tá meio na cara que é a Mona Lisa. Essa impressão é uma das que a maioria das pessoas tem quando olha aquele quadro.
