6 –
Sorriu discretamente ao ver o Escorpião parado na primeira arcada de sua casa, desalinhado e furioso. Havia plantado suas sementes cuidadosamente ao longo das últimas três semanas e, como o bom agricultor, esperou pacientemente para colher os frutos. E lá vinham eles, querendo assassiná-lo como em um filme B de terror, mas vieram. [1] Virou-se para encará-lo, a expressão neutra e gelada de sempre, mas o brilho divertido nos olhos e uma pequena pitada cínica na voz o traíam.
- Olá, Milo. Em que posso ajudá-lo?
Camus continuou com aquela expressão enigmática, os olhos de um gato que pegara um rato bem gordo e um pequeno meio-sorriso, mesmo após ser prensado na coluna mais próxima, as mãos de ferro do grego se fechando ao redor de seus deltóides, os polegares pressionando o ponto sensível logo acima da axila.
- Camus, seu maldito, a troco de quê você andou me sabotando? – vociferou, vendo aqueles olhos normalmente gelados faiscarem ao fitar os seus. – Eu achei que você era meu amigo!
- Ora, ora, Milo. Finalmente percebeu o que eu andava fazendo, achei que fosse demorar menos. – respondeu, a voz agora pingando cinismo e viu os olhos do escorpiano se estreitarem perigosamente. – Mas será que percebeu que eu quero que você sinta raiva de mim? Que eu quero que você se vingue? Que tudo o que eu quero é que você pare de me ver como seu amigo?
[1] - Essa é para quem viu o ataque dos tomates assassinos =P Tomates com rodinhas descendo a ladeira!
