Gostaria de agradecer aos maravilhosos reviews que tenho recebido. Obrigada por estarem acompanhando a história, principalmente Anjelita-Malfoy e Kubi!

Capítulo 8

Numa manhã ensolarada, Lily lia o Profeta Diário enquanto Harry ganhou permissão especial para assistir a aula de voo dos primeiranistas no campo de Quidditch. Com sua vassourinha de brinquedo, o menino dava gritinhos ao ver os garotos nas vassouras.

— Olha, mamãe! Vassoura!

— É bonito, né, Harry?

— Vum! — fez o menino, entusiasmado, quase pulando nas arquibancadas. — Wee!

Lily teve que rir, divertindo-se ao ver o entusiasmo de Harry. Ela suspeitava que teria que começar a procurar preços de vassouras antes do que imaginava.

— P'fessor Dumbodó! — apontou Harry.

— Sim, Harry, é ele. Vamos até lá? — Harry disparou, e ela teve que gritar: — Devagar, Harry!

O velho diretor subia as arquibancadas, dizendo:

— Esplêndida ideia, minha cara. Está uma manhã tão bonita que resolvi me juntar a vocês, com sua permissão.

— Será um prazer. — Lily ergueu o jornal. — Estou procurando uma casa para morar.

— Casa? Mas certamente na sua herança não faltam opções de moradia.

— Eu não gostaria de morar numa casa da família Black. Severus me levou a Grimmauld Place e o lugar é assustador. Até o elfo é aterrorizante. Harry ficaria assustado.

— Posso compreender isso. Não há outra casa disponível?

— Na verdade, diretor, eu queria oferecer Grimmauld Place para a Ordem da Fênix. Sabe, fazer uma sede para a Ordem. Por mim, eu doaria a casa, mas o dono é Harry. Quando ele crescer, ele decide o que fazer com ela.

— É muita generosidade.

— É o mínimo que posso fazer pela Ordem. James e Sirius teriam concordado.

O diretor pegou a mão dela.

— Como você está, minha querida?

Lily suspirou:

— Não posso negar que seja doloroso. Apesar de tudo, eu sempre amei James.

— E ele amava você.

— Mas agora preciso pensar na minha vida. Prof. Dumbledore, o maior motivo para eu procurar uma casa é que estou pensando em voltar ao mundo Muggle.

— Mesmo?

— Estou pensando principalmente em Harry. Ele é pequeno o suficiente para esquecer a bajulação de Menino-Que-Sobreviveu e ser um menino comum. Não quero que ele pense ser algum tipo de celebridade, perseguido pela imprensa.

Dumbledore concordou:

— Isso é verdade. Mas ele estará protegido?

— Acho que sim. Não precisaremos de Fidelius se nos misturarmos a Muggles. Além disso, vai ser bom ele ter experiência dos dois mundos.

— Você é uma boa mãe. Mas você tem consciência de que um dia Lorde Voldemort vai voltar. Nesse dia, você, Harry e Severus estarão em grande perigo.

— Severus também?

— Ele foi marcado, como Harry. Tenho certeza de que Voldemort vai procurar se vingar daqueles que o derrotaram.

— Tem razão. Mas nós nos protegeremos.

— E Severus? Vai ficar com vocês?

— Não conversei com ele sobre isso. Mas já que ele recusou minha proposta de casamento...

— Oh — fez o diretor. — Não sabia que as coisas progrediram tanto.

— Severus está relutante. Diz que eu preciso absorver a perda de James.

— Muito sensato da parte dele. Então ele não descartou totalmente?

— Não. No fundo, eu sei que ele está certo. Faz pouco tempo que tudo aconteceu, e sinto falta de James, do James pelo qual me apaixonei. Mas acho que podemos ser felizes. Harry tem adoração por Severus, e o sentimento é mútuo.

— Fico feliz em ver que está buscando sua felicidade. Sabe que pode ficar o tempo que quiser em Hogwarts.

— Obrigada. Harry está adorando. Amanhã Hagrid prometeu levá-lo para ver o Corujal.

— Que bom. Infelizmente, este era todo o tempo que eu tinha para desfrutar da magnífica manhã de hoje.

— Pena. Foi bom falar com o senhor.

— Também desfrutei muito de nossa conversa. Vejo vocês no almoço. Até mais, Harry!

— Vum! — foi a resposta do menino.

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— Severus?

— Sim, mãe?

— Parece preocupado, filho. Aconteceu algo?

— Ainda não, mas Lily e eu decidimos nos casar.

— Verdade? Oh, meu filho, parabéns. Você deve estar muito feliz.

— Não vai ser agora. Ela acaba de perder o marido.

— Você teme que ela desista até lá? É isso que preocupa você?

— Não, é que... Estou com medo.

— De quê?

— Entenda que sonhei com isso grande parte da minha vida. Nunca achei que aconteceria. Agora estou com medo e não sei nem por quê!

— Severus, meu filho, você só está com medo de ser feliz. Só isso.

— Que bobagem, mamãe. Estou nervoso, nada mais.

— Você nunca conheceu felicidade. Sua vida não foi fácil. Agora você tem uma chance de ser feliz e está nervoso com essa experiência nova.

— Será que vou fazê-la feliz? E se ela se lembrar do marido? Ela vai me amar tanto quanto ele? Serei um bom pai para Harry?

— Apenas faça o melhor que puder, filho. Seja um bom homem, trate-a com respeito e não tenha medo de ser feliz. Tudo dará certo.

— Será?

— Vai, sim. Mas você precisa entender uma coisa: ela amava o marido. Se ela amar você, vai ser de outro jeito. Não quer dizer amar mais ou amar menos, só diferente. Mas não espere amor de homem e mulher tão cedo. Ainda é muito recente.

— Eu sei, mãe. Mas ela falou em mais filhos.

— Vocês são jovens, têm muito tempo. Severus, seja sincero: você criará com amor um filho que não é seu? Um filho de outro homem?

— Sei que Harry é a miniatura do pai. Mas eu aprendi a amar o filho de Lily. E eu gosto do menino. De verdade.

— Bom. Isso é importante, filho. A criança pode ficar marcada se sentir ressentimento. Não seja injusto com o pequeno.

— Não tem perigo.

— Ótimo. Então isso quer dizer que teremos em breve um assado de carneiro aqui.

— Como assim?

— Eu quero oferecer um jantar à minha futura nora e meu neto postiço na primeira oportunidade. Isso é de bom tom, Severus. Não sei quais são os planos de vocês, mas eu quero fazer parte da família. Sair com o neto, fazer compras com a nora, reunir todos nos almoços de domingo: vamos ser uma família, Severus.

E essa era outra coisa que apavorava Severus.

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Severus encarou Lily, ponderando o que ela acabara de dizer. Harry tirava uma sonequinha antes do jantar.

— Na verdade, é uma ideia excelente. Realmente, é o melhor para Harry.

— Você não gostou da ideia de viver como Muggle?

— Não é isso. Mas eu vou ser um Mestre em Poções. Não posso viver em um lugar exclusivamente Muggle, pois tenho que trabalhar.

— E você já sabe o que fazer, depois que terminar o aprendizado?

— Mestre Bartuchek ficou de me encaminhar a uma pequena botica que precisa de assistente no laboratório. Com a experiência lá, posso tentar abrir uma loja ou mesmo fazer poções por encomenda e entrega por coruja.

— Se você tiver essa firma de pronta entrega, pode trabalhar em casa.

— Teria que ser uma casa, para ter um laboratório. E um jardim para Harry correr.

— Sabe que vai ser bom viver entre Muggles? Harry já estava de olho em Quidditch. Logo iria querer uma vassoura.

— Aparentemente herdou o talento do pai.

Lily encarou Severus. Ele franziu o cenho.

— Algo errado?

— Você nunca gostou de James ou de Quidditch.

— Eu nunca gostei de Potter, verdade. Mas é que, por jogar Quidditch, ele se achava acima do resto da humanidade. E ele era um jogador talentoso. Seria tolice minha negar o fato.

— Será que Harry também vai ser goleiro?

— Quem sabe? Se Harry quiser jogar em Hogwarts, pode ter o talento do pai. Mas se herdar a atitude, vamos ter trabalho.

— Ele não parece ter a arrogância de James em nada. Harry é curioso, inquieto como qualquer criança na idade dele.

— E os pesadelos?

— Diminuíram, ao menos. Às vezes ele pergunta pelo pai e tio Sirius. Eu explico, mas não sei o quanto ele entende.

— Ele é esperto, logo vai perceber. Hum, antes que eu esqueça: você tem planos para terça-feira? Será dia 8.

— Não, que planos eu teria? Você tem algo em mente?

— Nesse dia, eu vou submeter meu nome ao Painel de Mestres em Poções no Ministério da Magia. A prova é fechada, mas minha mãe gostaria de comemorar a data com um jantar lá em casa. Eu gostaria de convidá-la. E Harry também, é claro.

— Sério? Você vai ser um Mestre de Poções? — Lily parecia orgulhosa, e Severus ficou corado. — Parabéns, Sev. Claro que nós iremos, será um prazer.

— Se quiser levar um convidado, será bem-vindo. Eu também convidarei o Prof. Dumbledore. Gostaria de convidar o Prof. Slughorn, mas ele se aposentou e eu não consegui encontrar seu novo endereço.

— Você se importaria se eu convidasse Remus?

— Lupin?

— Sei que vocês não eram amigos na escola, mas Remus foi muito injustiçado. Gostaria de tê-lo de novo como amigo.

— Você tem certeza de que Harry estará seguro? Você sabe... Lupin é uma criatura das trevas.

— Certeza absoluta. Isso vai ser um problema para você?

— Claro que não. Você deve ser amiga de quem quiser.

— Mas se vamos ficar juntos, não quero nenhum mal-estar a esse respeito.

— Lupin sabe sobre nós?

— Sim, falei a ele antes mesmo de James morrer.

— Ele fez alguma objeção a... nós? Tentou convencer você a desistir?

— Não. Ele sabe que somos amigos de infância. Eu disse a ele que, mesmo que você não quisesse ser mais que amigos, eu não desistiria de nossa amizade.

Severus a encarou, o calor nos olhos verdes.

— Não vai ser um problema ter Lupin na nossa vida. Ele não parecia compartilhar do traço cruel dos amigos.

Lily sorriu para Severus, olhando para os lados.

— Pena estarmos tão à vista.

— Mesmo? Por quê?

— Gostaria de beijar você agora. Oh!

Ela deixou escapar uma exclamação quando, sem aviso algum, ele a puxou para trás de uma árvore, longe das vistas de qualquer um. Lily encostou-se na árvore, sorrindo, e Severus imprensou seu corpo contra o dela.

— Melhorou agora?

Ela sussurrou:

— Oh, sim...

Ele se inclinou, aproximando seus rostos. Lily sentiu o calor emanando de seu corpo.

— Eu queria ter feito isso no quinto ano — confessou Severus.

— Eu queria que você tivesse feito isso antes...

Foi um movimento minúsculo que juntou os lábios, um toque tão suave como uma pétala de lírio. Severus sentiu o coração explodir, lamentando que não pudessem ser mais demonstrativos sobre o que sentiam. Ele sentia em seu coração que o beijo tinha quase oito anos de atraso, mas a emoção de um primeiro beijo ia além de qualquer marco cronológico.

Quando eles se separaram, Lily sorria.

— É tudo que eu imaginei. É tudo que você imaginou?

— Na verdade, não — confessou ele. — É muito mais.

Ela o abraçou.

— Será que isso vai assustar Harry? Digo, ver outro homem comigo, ao invés do pai, não poderá confundi-lo?

Severus deliciou-se na sensação de ter Lily em seus braços antes de responder:

— Acho que, se ele fosse ficar confuso, ele já estaria a essa altura. Harry ficará bem.

— E nós também. Certo?

— Claro.

E Severus torcia muito para aquilo ser verdade.