Capítulo 9

Summa cum laude! — repetiu o Mestre Bartuchek, entusiasmado. — Tão jovem e declarado Mestre com Honras Máximas!

Severus sorriu, lembrando:

— Graças ao senhor, Mestre Bartuchek.

— Chame-me de Bartoulos. Agora somos colegas de profissão. Além do mais, meu jovem, o mérito é seu. Não fui eu quem enfrentou aquela junta de Mestres europeus renomados que o Ministério arranjou.

— Severus! — Eileen aproximou-se da rodinha de pessoas com seu filho. — Não monopolize seus colegas. Todos querem circular.

O jovem Mestre de Poções beijou a mãe no rosto, sorrindo.

— Por favor, fiquem à vontade.

— Filho, o Prof. Dumbledore gostaria de lhe falar em particular.

— Está bem. Precisa de alguma ajuda com os convidados?

— Está tudo sob controle. Estou muito feliz por você, Severus.

— Obrigado, mãe.

Ele atravessou os cômodos cheios de convidados e encontrou Dumbledore na salinha onde ele costumava estudar e sua mãe gostava de ler e bordar. O diretor de Hogwarts folheava uma revista.

— Receitas de bordado — disse ele. — Pena que não são de tricô.

— Posso perguntar para minha mãe se ela tem alguma revista de tricô.

— Boa ideia. Eu mesmo posso perguntar, não se incomode.

— Queria me ver, professor?

— Gostaria de lhe dar meus parabéns por essa importante conquista profissional. Bartoulos ficou impressionado com o resultado de seu teste e ele não se impressiona com pouca coisa.

— Obrigado, professor. A opinião do Mestre Bartuchek – e a sua também, claro – são importantes para mim.

— Mas eu também o chamei para conversarmos em particular porque eu gostaria de lhe fazer uma proposta.

— Proposta?

— Na verdade, gostaria de sondar você, Severus. Que tal se você estreasse em Hogwarts esse seu recém-adquirido título de Mestre de Poções?

— Em Hogwarts?

— No lugar de Horace. Lamento informar que ele me deixou uma carta de demissão e simplesmente desapareceu. Há anos ele ameaçava fazer exatamente isso, e agora fez. Como vê, ele me deixou com a obrigação de preencher a dupla vaga de Poções e a chefia da casa de Slytherin.

— Eu não sei nada sobre ensinar. E odeio crianças!

— Ora, me parece que tem feito um trabalho excelente com o pequeno Harry.

— Harry é diferente.

— Se é o que diz. Mas é uma boa proposta. Não é um salário muito alto, mas damos alojamento e refeições. Para um jovem solteiro, é uma excelente colocação.

— Não duvido que seja. Infelizmente, eu não posso aceitar.

— Tem alguma oferta melhor, suponho.

— Sim e não. Meus planos de curto prazo incluem um casamento. Viver em Hogwarts nessas circunstâncias seria inconveniente no mínimo.

— Claro, eu entendo. Então devo lhe dar parabéns duplos, Severus! Sua noiva está entre os convidados?

— Sim, mas não estamos anunciando ainda. Ela é Lily Potter. Ela tem planos de se estabelecer com Harry no mundo Muggle.

Dumbledore o encarou, os olhos azuis brilhando.

— Mesmo? Ela não chegou a mencionar.

— Como eu disse, nós não estamos anunciando. Espero que ela não se irrite por eu ter dito.

— Lily é uma pessoa maravilhosa. Mas acabo de ter uma ideia, Severus. Por que não repensa sua decisão? Em Hogwarts, Lily e Harry estarão muito mais protegidos do que entre Muggles.

— Mas estarão no mundo bruxo. Lily insiste em dar a Harry uma infância normal, no mundo Muggle, mesmo que tenhamos que abrir mão de usar mágica em casa. Aqui ele vai ser sempre o Menino-Que-Sobreviveu, embora não entenda o que isso quer dizer. Isso certamente vai afetar o menino. Lily quer evitar isso a todo o custo. E eu não acho que seria saudável para nosso casamento se eu morar em Hogwarts nove meses por ano. Portanto, diretor, é com pesar que eu me vejo obrigado a recusar sua generosa oferta.

Dumbledore fez os olhos brilharem.

— E eu também lamento, Severus. Hogwarts se beneficiaria muito de sua excelência em Poções e sua postura pessoal. E você daria um excelente professor. Se algum dia mudar de ideia, pode me procurar. Bem, que tal voltarmos para a festinha?

Foi bem na hora que eles voltaram para onde estavam os convidados, porque Harry já estava correndo, gritando:

— Sev'rus! Sevr'rus!

Harry levantou os braços e Severus prontamente o ergueu, explicando:

— Olá, mocinho. Eu estava conversando com o Prof. Dumbledore.

— E agora vamos brincar?

— É uma pena que não tenha nenhum amiguinho de sua idade para brincar.

Uma voz diferente exclamou:

— Então é aí que você está, rapazinho. Brincando com Severus? Você tinha me prometido uma partida de Snap Explosivo. Se Severus não se importar, claro.

— Sem problemas, Lupin.

— Aproveito para lhe dar os parabéns, Severus. É um título prestigioso.

— Agradecido. Por favor, fique à vontade. Vou providenciar suco para vocês, tá bom, Harry?

— Suco! Obrigado, Sev'rus! Vamos, tio Moony! Brincar!

— Obrigado por tudo, Severus. Oh, Lily gostaria de lhe falar.

Quando ele saiu com Harry, Dumbledore observou:

— Fico feliz em ver que sua zanga de meninice com Remus ficou no passado.

— No caso de Lupin, é fácil perdoar. Ele tem uma boa cabeça, apesar de ser um Gryffindor. Será uma boa influência para Harry. Lily quer retomar a antiga amizade.

— Remus é um excelente jovem — comentou Dumbledore. — Você verá que ele também é um bom amigo.

Severus assentiu e disse:

— Bom, com sua licença, vou tentar achar Lily.

Uma voz atrás dele soou divertida:

— Não precisa procurar mais. — Lily sorriu para o bruxo idoso. — Olá, Professor.

— Quantas vezes vou precisar dizer para me chamar de Albus?

— Desculpe, acho que nunca vou me acostumar. Se me der licença, gostaria de roubar Severus uns minutinhos.

— Fiquem à vontade, meus jovens.

Lily pôs seu braço no de Severus e gentilmente o desviou para um canto tranquilo da casa, dizendo:

— Tudo parece estar indo muito bem.

— Será mesmo? Não estou acostumado a esse tipo de função social.

— Relaxe, Sev, está tudo ótimo. Escute, como está sua agenda para terça-feira?

— Não me lembro de nenhum compromisso. Por quê?

— Minerva se ofereceu para cuidar de Harry, e eu marquei com um corretor de imóveis para ver alguns possíveis lugares para morar. Gostaria que você fosse conosco. Também posso remarcar, se estiver ocupado.

— Hum, tão cedo?

Ela deu de ombros.

— Não seria para nos mudarmos imediatamente. Mas, caso o lugar precise de uma reforma, ou de alguns ajustes, haveria tempo para nos casarmos e irmos para lá logo após o casamento. Por isso achei interessante acelerar a busca.

— Pensou bem. Mas você tem certeza de que quer isso mesmo?

Ela o encarou, cenho franzido.

— Está em dúvidas?

— Sobre o casamento? Não. Só me questiono se demos tempo suficiente desde a morte de seu marido.

O lado Gryffindor de Lily se mostrou.

— Sinceramente, Sev, eu já estou ficando um tanto impaciente. Temos nossos planos, sabemos o que queremos. Por que devemos esperar aprovação de outras pessoas?

Severus a encarou, pensativo. A verdade era que ele também queria resolver logo sua vida. Potter e Black tinham sido enterrados há alguns meses. Se Lily se sentia assim, por que ele deveria procrastinar?

— Talvez você tenha razão — admitiu. — Vamos escolher e preparar nosso futuro lar.

— Terça está bom?

— Terça está ótimo. — Severus sorriu e envolveu-a em seus braços. — Pode convencer Minerva a passar a noite com Harry também?

— Acho que sim. Por que pergunta?

— Seria uma boa oportunidade para esticarmos para um programa mais adulto. Que acha?

Ela encarou os olhos negros e sussurrou:

— Adorei a ideia.

Severus capturou os lábios dela suavemente, um beijo casto de celebração. Lily preferiu aprofundar o beijo, envolvendo os braços no pescoço dele e apertando-se contra ele. Severus respondeu alegremente, e logo os dois se perderam no beijo, alheio a tudo até uma vozinha perguntar:

— Sev'us?

Os dois se viraram para Harry, que os encarava com uma expressão de curiosidade. Severus o saudou com um sorriso, tentando ser o mais natural possível.

— Ei, amiguinho. Você também quer um abraço?

O menino apenas assentiu com a cabeça, parecendo desconfiado. Severus o pôs nos braços, Lily também o abraçou. Harry perguntou:

— O que vocês estão fazendo?

Severus respondeu:

— Beijando. É o que fazem pessoas que se gostam muito.

Ele fez uma careta:

— Mas é icky!

Lily perguntou:

— Você gosta muito de Severus, não é, Harry?

— Eu gosto. Mas eu não quero beijar ele assim!

— Não precisa — riu-se Severus. — Se você quiser me dar um beijo, pode ser aqui, na bochecha. Assim está bom?

— Na bochecha tá bom — concordou Harry. — Mas por que vocês estavam beijando?

Lily respondeu:

— Porque nós nos gostamos muito. Tanto que decidimos nos casar.

— Casar? Que é isso?

— Isso é quando duas pessoas que se gostam muito decidem ficar juntas, morar juntas e formar uma família. Então Severus vai morar conosco na casa nova.

— Nós vamos ter uma casa nova?

— Isso mesmo. Vamos morar lá nós três: eu, você e Severus. O que você acha?

— Legal! E tem jardim na nova casa?

— Severus e eu vamos escolher uma casa bem bonita. Você quer uma casa com jardim?

— Um jardim bem grande! Que nem em Hogarts!

— Hogwarts — corrigiu Lily. — Então vamos achar uma casa com um jardim bem grande!

— E um lago! Com peixinho!

Severus riu-se.

— Vamos procurar muito por uma casa com um jardim bem grande e um lago com peixinho, está bem?

— Legal. — Harry beijou Severus na bochecha. — Eu gosto muito de você, Sev'us.

— E eu também gosto muito de você, Harry.

— Vou falar da casa nova pro tio Moony! Ele pode ir na nossa casa nova, não pode?

— Claro que sim — disse Lily. — Agora diga para ele tudo que você quer na casa nova.

— Tá bom, mamãe. — Ele saiu correndo, mas depois voltou, só para dizer: — Pode continuar beijando.