Aviso aos leitores: o capítulo abaixo está em versão não explícita em respeito às regras desse site. Uma versão mais adulta pode ser encontrada na minha conta do fanfiction (ponto) nyah (ponto) com (ponto) br, com todos os efes e erres. XD Espero que gostem desse capítulo nas duas versões!

Capítulo 10

— Foi bom para você?

A risada de Lily praticamente ecoou no aposento. Ela ainda mal acreditava no que eles tinham feito durante a saída para escolher uma nova casa. Num impulso, eles tinham invadido uma das casas vazias mostradas pelo corretor de imóveis e conjurado uma cama de casal, onde passaram a se dedicar a uma diversão adulta que não poderiam praticar nem em Hogwarts nem na casa de Eileen.

Sob a luz suave de velas suspensas, Lily puxou o lençol e apoiou-se nos cotovelos, de bruços, para indagar:

— Sério, Sev. Não deu para perceber o quanto eu gostei?

— Desculpe. Eu tenho dificuldade nesse tipo de coisa. — Ele deu de ombros. — Pouca prática, suponho.

— Mary McDonald não facilitou as coisas?

Severus se surpreendeu que ela se lembrasse do único encontro que ele teve em Hogwarts, ainda mais por ter sido na época em que os dois estavam afastados. Para Severus, a experiência tinha sido desastrosa e insatisfatória em diversos sentidos.

— Digamos que eu gostaria apenas de esquecer aquele episódio.

Ela se aninhou no peito de Severus, os cabelos avermelhados contrastando com a pele muito branca dele.

— Estou ansiosa para começar nossa nova vida juntos. Agora que a casa está praticamente escolhida...

— O lugar parece ser bom. Bem servido de transporte, perto de duas escolas, baixo índice criminal..

— Não fica longe de onde Petunia mora — Lily disse, pensativa.

Severus se espantou:

— Pensei que tivesse perdido o contato com sua irmã.

— Fui visitá-la semana passada para tentar reatar os laços de família. Afinal, ela é minha única irmã e tem um filho da idade de Harry. Agora que vou voltar ao mundo Muggle, pensei que teríamos mais coisas em comum.

— Pela sua expressão, vejo que estava enganada.

A jovem não escondia a decepção nos olhos verdes ao comentar:

— Não levei em conta a capacidade de Tuney de manter uma mágoa. Ela ainda não me perdoou.

— Perdoou o quê?

— Que eu seja uma bruxa e ela não. E com a aprovação de meus pais, ainda por cima.

— Bem, ela é quem está perdendo por se manter afastada de você — disse Severus. — Talvez seja melhor esquecer isso.

— Pretendo deixar um meio de contato com ela assim que tivermos um telefone e um endereço. Se algum dia ela mudar de ideia...

— Você tem muita fé nas pessoas. Mas sua irmã terá que provar ter mudado muito, antes que eu a aceite de braços abertos.

— E você desconfia demais, Sev. — Ela o beijou. — Você acha que devemos marcar uma data para o casamento?

— Seria bom determinarmos pelo menos um mês. Afinal, até sabermos se aquela será mesmo a nossa casa ou será preciso mexer na casa, qualquer data será inócua.

Lily tinha os olhos brilhando quando disse:

— Confio que essa casa de Wimbledon será nossa. O financiamento do banco será uma boa entrada no mundo Muggle.

Severus sugeriu:

— Você poderia ter alugado ou simplesmente quitado o valor à vista, já que tem dinheiro para isso. Poderia ter sido um negócio mais lucrativo.

— Isso poderia atrair atenções indesejadas. Quem compra um imóvel à vista hoje em dia? Geralmente pessoas com coisas a esconder.

— Tem razão. Mas se todos os nossos planos correrem como previsto, você sabe quando pretende se casar?

— Já concordamos que será uma cerimônia pequena e discreta. O prof. Dumbledore ofereceu um salão em Hogwarts, assim ele poderá oficiar a cerimônia. Eu gostaria disso.

— Eu jamais me imaginaria casando em Hogwarts. Mas confesso que a ideia também me agrada. Um jantar íntimo e pronto.

Lily quis saber:

— Você planeja uma lua de mel longa?

— Não muito, por causa de Harry. Ele vai sentir nossa falta.

— Verdade. Minerva poderia cuidar dele.

— Na verdade, minha mãe se ofereceu para ficar com ele. Ela parece entusiasmada em ter ganhado um neto. Eu disse que ia consultar você.

A moça se entusiasmou:

— Oh, Sev, seria perfeito. Harry ter uma avó é algo que jamais sonhei. E seu novo emprego?

— Vai muito bem, acredito. Mestre Farrington é exigente, mas tem uma botica de excelente qualidade. E não fica longe da estação de Vauxhall, que é um bairro vizinho de Wimbledon. Posso escolher várias linhas de trem para chegar lá. Será muito melhor do que ir de carro.

— E você também pensa em montar uma firma de poções em casa?

— O mais cedo possível. Se optarmos pela casa em Wimbledon, um galpão no quintal será o suficiente.

— E vai ter espaço suficiente?

Severus riu-se.

— Você já está pensando como Muggle. O galpão terá espaço mágico, é claro.

— Será prudente? Digo, se algum vizinho xereta entrar lá...

— Feitiços de proteção darão conta dos Muggles. É Harry que me preocupa.

A jovem repetiu, espantada:

— Harry?

— Bom, se vamos criá-lo juntos, temos que tomar algumas decisões. Vamos apenas viver no mundo Muggle, ou vamos viver como Muggles? O quanto vamos falar a Harry sobre sua herança bruxa antes de ele ir a Hogwarts? Ou não vamos falar nada e cortar os laços dele com o mundo bruxo?

Lily franziu o cenho.

— Não tinha pensado tão longe.

— Ah, Gryffindors. — Severus deu um risinho. — Nunca pensam adiante.

— Claro que pensamos! — disse ela, com um ar maroto e um sorriso safado. — A primeira providência que todo Gryffindor toma é deixar um Slytherin sempre por perto para ser previdente e ardiloso.

Eles se beijaram, os corpos enroscando. Lily ficou sem fôlego e Severus quis saber:

— Minerva não nos espera cedo, não é?

— Não...

— Excelente. Não tenho planos de liberar você tão cedo.

Antes que ela pudesse responder, ele já tinha tomado seus lábios de novo, e então Lily não teve condições de dizer mais nada.

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As semanas que se seguiram foram bastante agitadas. A compra da casa de Wimbledon terminou não se concretizando, mas uma oferta ainda melhor surgiu no bairro vizinho de Vauxhall, perto do trabalho de Severus. A casa era um sobrado antigo, da época dos bombardeios a Londres na Segunda Guerra Mundial. Tinha jardim, quintal e um abrigo antiaéreo que serviria como uma luva para Severus montar seu laboratório de poções. Harry visitou a casa, ficou decepcionado com a ausência de um lago com peixes, mas a pracinha perto da casa o animou.

Eles contrataram uma empreiteira Muggle para fazer uma pequena reforma: ampliar a cozinha, refazer a fiação elétrica e tubos hidráulicos, bem como um sistema de aquecimento central. Assim que os vizinhos viram o movimento no imóvel, vieram ver o jovem casal. Lily recebeu muito convites para o chá. Era uma comunidade ativa.

Ao mesmo tempo, os preparativos para o casamento não paravam. Ainda que fosse uma cerimônia simples, havia preparativos a fazer. Lily também fazia a transferência de bens e dinheiro para contas Muggle. Era onde eles viveriam até as crianças começarem a ir para Hogwarts. Eles pretendiam dar irmãos a Harry o quanto antes.

Foi numa dessas idas ao Beco Diagonal que grande parte dos sonhos de Severus foi por água abaixo. Lily e Remus saíam de Gringotts, depois de assegurarem que o cofre dos Black (que agora pertencia a Harry) estava totalmente lacrado e seguro até o menino completar 17 anos. Enquanto isso, Lily era a única que tinha acesso ao dinheiro.

Severus fizera questão de não ter acesso a nenhuma parte do espólio de Sirius. Ele tinha acesso a uma parte do cofre dos Potter, mas só podia movimentá-lo para questões de família, como a reforma da casa em Vauxhall. Mesmo assim, a assinatura de Lupin era necessária para certificar o destino do dinheiro. Aparentemente, as acusações de Lucius tinham ferido o orgulho de Severus, que não queria misturar o dinheiro de Harry (ou Lily) com o seu.

Lily e Remus saíam de Gringotts naquela tarde, depois de terem conseguido total cooperação (e sigilo) dos duendes na transferência de fundos para contas bancárias Muggle. O lobisomem abriu a porta da frente para a jovem, comentando:

— Está quase tudo pronto, então?

Lily respondeu:

— Não, a reforma no sobrado ainda vai demorar pelo menos três semanas, se tudo der certo.

— Por que tanto tempo?

— Estamos fazendo tudo à moda Muggle. Temos que nos acostumar em usar magia o mínimo possível.

— Não é muito sacrifício? E será que isso tudo é realmente necessário?

— Severus e eu achamos que sim. E embora eu esteja abandonando o mundo bruxo, você vai nos visitar, não é? Harry morreria de saudade, e eu também.

Lupin garantiu:

— Claro que vou visitar vocês. E espero ser convidado para aniversários, Natais, Páscoas...

— Mas nem precisa esperar convite, Remus. É só você aparecer.

— E Severus não vai se incomodar se eu aparecer?

Lilydeu um tapinha no braço dele:

— Remus, quantas vezes vou ter que dizer? Severus está disposto a esquecer tudo que aconteceu em Hogwarts e seguir adiante como seu amigo.

— Nunca imaginei que Severus pudesse perdoar.

Ela riu, enrubescendo:

— Não imaginamos muita coisa que está acontecendo, não é mesmo?

— E o casamento está de pé mesmo?

— Mais do que nunca. Severus e eu sempre combinamos bem, desde crianças. Eu amei muito James, mas agora ele se foi. E Severus me dá uma paz muito grande.

Remus sorriu.

— Fico feliz, Lily. Você merece paz e felicidade. Ainda bem que você encontrou Severus. E você o ama?

— Remus, essa paz, essa segurança e essa emoção que só Severus me dá... Se isso não for amor, o que pode ser?

Fosse lá o que Remus pensou em responder, jamais conseguiu chegar a seus lábios. Um raio vermelho atravessou o Beco, indo atingir Lily diretamente. Com um grito mudo, ela caiu no chão. Remus se virou, procurando a origem do raio, e pessoas começaram a gritar. Novos raios surgiram, e pânico em larga escala se instalou em toda a rua bruxa.

Por um instante, Remus hesitou, querendo ir atrás dos culpados, mas simplesmente jogou um escudo de proteção em si e pegou Lily no colo correndo para dentro de Gringotts, onde sabia que estaria seguro. Afinal, os duendes jamais deixariam uma confusão de rua ameaçar seus preciosos cofres. De lá, ele poderia usar o sistema de Floo direto para Hogwarts, enquanto Aurores começavam a Aparatar no Beco.

E foi exatamente o que ele fez. Dumbledore certamente iria tomar conta da situação.

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— Sr. Snape, eu suponho que o senhor conheça a receita para Elixires Perenes.

Ele se virou para seu patrão, franzindo o cenho.

— Certamente, Sr. Farrington.

— Pode me explicar então por que não a seguiu corretamente?

— Desculpe, como não a segui corretamente?

— Eu sou um Mestre de Poções — disse Farrington, de maneira altiva. — Posso ver que dispensou o heléboro da receita.

— O heléboro pode ser descartado e substituído por resina de olíbano numa concentração de...

Farrington não o deixou terminar:

— E quem lhe deu permissão para realizar alterações numa receita que até um aluno iniciante de Hogwarts é capaz de cumprir corretamente?

— Sr. Farrington, se me permite, as alterações não só aprimoram a poção e potencializam seus resultados como...

Mais uma vez foi interrompido.

— Não importa se aprimora ou potencializa. Se a receita foi alterada, então não é a mesma poção. É uma questão muito simples, na verdade. Nesse laboratório, seguimos receitas e fazemos as poções como elas são. Simplesmente não é a poção, e se o senhor não sabe fazer, vou arrumar um assistente que faça. Sinceramente, estou decepcionado, Sr. Snape. Bartolous Bartuchek me recomendou tanto sua pessoa. Como um Slytherin, eu esperava mais de você.

Vermelho, o sangue fervendo, Severus limitou-se a respondeu:

— Lamento que se sinta assim, Sr. Farrington.

— Não, você não lamenta. Já ouvi falar de você, Snape. É um arrogante, um prepotente. Essa sua arrogância só vai atrasá-lo na vida. Esse é o seu problema, Snape. Você é arrogante demais. Eu soube que você recebeu uma oportunidade de se unir a um grupo que estava disposto a melhorar a vida bruxa. Mas você recusou essa chance e preferiu se unir a Albus Dumbledore. Agora aparece ao lado do menino que derrotou um grande bruxo, Harry Potter. Eu deveria saber: Bartuchek come na mão de Dumbledore!

Severus ergueu uma sobrancelha. De repente, toda a raiva que sentia fora substituída por uma calma fria. Ele não previra uma situação como essa: um simpatizante do Lorde das Trevas. Era preciso prosseguir com cuidado. Então, com voz serena e uniforme, ele disse:

— Gostaria que não fizesse a mesma presunção a meu respeito, Sr. Farrington. Dumbledore e eu temos divergentes pontos de vista sobre muitos aspectos da vida bruxa. Eu gosto de uma perspectiva de longo prazo. Harry Potter ainda é jovem o suficiente para ser persuadido a escolher um caminho aceitável na sociedade bruxa, a despeito de seus ascendentes. Gosto de pensar que posso ter uma influência no futuro desse menino. — Os olhos de Farrington se arregalaram por trás do pince-nez. — Por outro lado, entendo que isso pareça um tanto arrogante para o senhor, bem como as minhas modificações nas receitas de poções. Por isso, Sr. Farrington, se o senhor realmente está decepcionado com meu trabalho e minha abordagem de diferentes poções, talvez seja mais sensato encerrarmos nossa relação profissional agora mesmo, antes que futuras discordâncias possam ser mais profundas do que uma mera receita de poção.

Farrington o encarou, como se o enxergasse pela primeira vez. Severus notou que o homem procurava uma saída, uma forma de mantê-lo no emprego. Contudo, o jovem não queria mais ficar ali, todo o entusiasmo de seu primeiro emprego esvaindo-se no jogo de intrigas que seria obrigado a manter. Portanto, Severus rapidamente precipitou-se em acrescentar:

— Lamento que nosso arranjo profissional não tenha funcionado, mas eu realmente não posso abrir mão de minhas pesquisas. Algumas dessas modificações nas receitas estão na minha família há gerações. Portanto, considere este o meu aviso prévio. Se quiser indicações para candidatos à minha vaga, ficarei feliz em pesquisar na área.

— Não se precipite, meu jovem. Tenho certeza de que podemos chegar a uma solução satisfatória. Afinal, você é jovem e inovador. Certamente pode mostrar coisas novas a um velho como eu.

Ah, Severus notou a mudança na linguagem corporal do velho boticário, mas já era tarde demais. Severus não ficaria ali nem mais um minuto além do necessário. E ele estava prestes a dizer isso quando o garoto das entregas entrou no laboratório naquele momento.

— Assistente Snape? Tenho um recado para o senhor. Um tal Sr. Lupin pede sua presença com urgência no castelo de Hogwarts. Ele está com uma vítima do ataque do Beco Diagonal no castelo.

Severus perdeu a cor. Lily iria ao Beco com Lupin naquela tarde.

Que ataque?

— Praticamente acabou de acontecer, senhor — respondeu o garoto, pálido. — O lugar está fervendo de Aurores. Estão dizendo que foram seguidores de Você-Sabe-Quem.

Severus mal balbuciou desculpas ao seu futuro ex-patrão e Aparatou o quanto antes para Hogwarts.