Capítulo 11
— Albus, pode me explicar isso que eu ouvi do jovem Harry Potter, sobre Severus Snape ir morar na casa nova depois de um casamento?
O diretor de Hogwarts virou-se para ver entrando no seu escritório sua vice, Minerva McGonagall, que estava sendo puxada pela mão por ninguém menos que o mencionado Harry Potter.
— Ah, então Harry resolveu lhe dar as boas novas?
— Deve imaginar minha surpresa quando ele mencionou.
— Oh, bem. — Dumbledore se inclinou para falar diretamente com o garoto. — Harry, certamente sua mãe deve ter mencionado também que isso é um segredo.
O menino ergueu os grandes olhos verdes para o diretor de Hogwarts e explicou:
— Mas tia Minnie viu o desenho da casa nova! Sev'rus já estava lá na casa nova. E tem jardim e quintal!
Dumbledore ergueu o olhar e Minerva explicou:
— Harry fez um lindo desenho de presente para mim, para quando ele, sua mãe e Severus forem morar na casa nova. Sem mencionar que ele disse que depois só voltará a Hogwarts quando for criança grande e puder ser aluno.
Dumbledore virou-se para o menino e sorriu:
— E nesse dia nós estaremos de braços abertos para recebê-lo, Harry. Lembre-se disso.
— Então é isso que estou pensando? — indagou Minerva. — Eles vão se mudar para sempre?
Dumbledore esclareceu:
— Não para sempre. Pelo menos até Harry vir para Hogwarts.
Ela ainda parecia apreensiva.
— Mas Albus! Severus Snape? Eu sei que Harry gosta muito dele, mas você sabe o tipo de gente com quem ele costumava andar.
— Eu não confiaria a segurança de Lily e Harry a ninguém além de Severus Snape. Ninguém pode ser mais qualificado.
Harry ajudou:
— Sev'rus venceu o bruxo mau!
Dumbledore virou-se para o menino:
— Foi mesmo? Conte como foi isso, Harry. Acho que Minerva vai gostar de ouvir.
O garoto contou, inocente:
— Foi, sim, tia Minnie. Vuus ficou machucado quando o veio bruxo mau, Hawy também ficou machucado. Mas Vuus salvou Hawy e mamãe do bruxo mau. Agora Vuus protege Hawy e mamãe.
Minerva comentou:
— Seu pai também fazia isso, não é, Harry?
— É. Mas aí ele ficou doente.
— Seu pai ficou doente?
Harry abaixou a cabeça.
— Quando ele bateu em Hawy e em mamãe, mamãe disse que ele tava dodói. Por isso que ele bateu em Hawy. Depois ele morreu e foi morar lá em cima com os anjos. Agora papai protege Hawy lá de cima e mandou Vuus ficar e proteger Hawy e mamãe.
Minerva o encarou, horrorizada.
— Seu pai… bateu em você e sua mãe?
Harry confirmou silenciosamente, balançando a cabeça afirmativamente. McGonagall estava com os olhos cheios de água ao abraçar o menino.
— Ele estava doente, não estava?
Harry continuou concordando e completou:
— Por isso que agora Sev'rus vai morar na casa nova, proteger mamãe e aí...
Uma voz na lareira interrompeu Harry:
— Albus! Albus!
— Remus, meu rapaz, o que houve?
— Por favor, Albus, preciso entrar. Lily precisa de ajuda imediata.
— O que houve?
— Ataque no Beco Diagonal!
Harry se iluminou num sorriso:
— Tio Moony! Tio Moony, vamos brincar com tia Minnie?
O lobisomem perdeu a pouca cor que tinha.
— Harry não pode ver isso, Albus. Harry, por que não vai brincar com a Profª McGonagall enquanto eu e o Prof. Dumbledore conversamos um assunto muito urgente? Depois eu brinco com você.
— Tá bom! Vamos, tia Minnie!
Assim que Harry saiu, Remus passou pela lareira, carregando Lily em seus braços.
— O que aconteceu?
Remus indagou:
— Podemos falar a caminho da enfermaria? Preferi não levá-la para St. Mungo's.
— Fez bem. Madame Pomfrey dará um jeito nisso, tenho certeza. Você pode me contar tudo até lá.
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Até Severus chegar a Hogwarts, ele amaldiçoou efusivamente a magia que impedia a Aparatação na escola. Ele podia sentir nos ossos que algo estava muito errado.
— Lupin!
O lobisomem estava na porta da ala hospitalar, falando com Dumbledore e um homem alto, com uniforme de Auror. Todos os três se viraram para Severus, que correu até eles, as vestes negras esvoaçando.
— Vim o mais rápido que pude. Obrigado por me chamar, Lupin — disse ele, ofegando. — O que aconteceu?
Dumbledore apresentou:
— Severus, este é o Auror Williams, que está investigando o ataque. Este é Severus Snape, um amigo da família.
Severus mal olhou o cidadão, simplesmente inclinando a cabeça, deixando Lupin resumir:
— Fomos atacados ao sair de Gringotts, em plena luz do dia. Foi tudo muito rápido, sem aviso algum. De repente, Lily veio ao chão. Houve gritos e correria, mas eu a levei para dentro de Gringotts e de lá usei o Floo para vir direto para Hogwarts. Mal vi o que houve, nem sei quantos eram. Minha preocupação era salvar Lily.
Williams indagou:
— Acredita que tenha sido um atentado contra a vida da Sra. Potter?
Pesadamente, o lobisomem concordou:
— Não consigo pensar em outra hipótese. Ficou claro que ela não era um alvo aleatório. A rua estava cheia de gente, e nenhuma outra pessoa foi atingida, até onde eu saiba.
O Auror informou:
— Uma pessoa morreu. A princípio pensamos que se tratava de uma segunda vítima, mas um exame na varinha mostrou que ele era o autor do ataque.
— Então foi uma queima de arquivo — deduziu Severus.
— Pelo que conseguimos apurar até agora, é a hipótese mais provável.
— E Lily?
Dumbledore esclareceu:
— Madame Pomfrey está com ela agora mesmo. Mas não temos notícias de como estão as coisas. Ela nos dará notícias quando puder, tenho certeza.
Como se tivesse ouvido o diretor, a enfermeira abriu a porta e foi logo cercada pelos homens, nenhum mais ansioso do que Severus. Ela informou a todos:
— A Sra. Potter ficará boa. No momento, não pode receber visitas. Eu a coloquei sob uma leve sedação. Amanhã vocês poderão falar com ela.
O Auror quis saber:
— Ela falou alguma coisa sobre o ataque? Deu alguma informação, viu alguma coisa?
— Certamente que eu não perguntei isso à minha paciente — ralhou Madame Pomfrey. — Ela já tinha coisas suficientes com que se preocupar.
Severus se adiantou:
— Madame Pomfrey, seria possível eu vê-la?
— Lamento, meu jovem. Acabei de dizer que ela não pode receber visitas.
— Não quero visitá-la. Quero apenas vê-la. Mesmo que apenas por um minuto. Ou dois.
A enfermeira o encarou, o cenho franzido. Ela cruzou os braços.
— Terá que me prometer vê-la apenas por um minuto. E não acordá-la sob hipótese alguma.
— Sim, com certeza. Por favor.
— Venha comigo.
Severus obedeceu, seguindo a enfermeira na ala hospitalar. O impacto do cheiro de éter nas suas narinas mal passou despercebido, especialmente quando Madame Pomfrey o Levou a um leito reservado. Lily dormia, o semblante calmo, mas a pele parecia feita de cera, uma cor pálida demais para o gosto de Severus. Ele se aproximou um pouco, desejando ver os lindos olhos verdes se abrirem, mas sabia que era abusar da sorte.
Severus indagou:
— Que poções ela está tomando?
— Reposição sanguínea, principalmente. Mas também tem uma Poção fortificante, adicionada a pedra da lua. Ela pode acordar abalada e isso não seria bom para sua recuperação.
— Quanto tempo para se recuperar?
— Amanhã devo avaliar melhor, mas a princípio ela deve ficar dois dias de cama. E isso vai acabar com meu estoque de Poção de Reposição Sanguínea. Preciso pedir mais a St. Mungo's.
A enfermeira pegou um vidro quase vazio com um resto de um líquido ralo azulado. Severus franziu o rosto.
— Essa é a Poção de Reposição Sanguínea que St. Mungo's mandou?
— Sim, por quê?
— Pelo que eu vejo, essa poção vai demorar um mínimo de três horas para começar a fazer efeito.
— Mas é o que normalmente ela demora.
— Não se eu substituir as raízes de aliquente por um extrato de confrei.
— Mas isso pode causar tumores no paciente!
— Para um tratamento prolongado, sim. Mas Lily só vai precisar por dois dias, segundo me disse. E a substituição pode evitar os ataques de histeria por uma dosagem errada de aliquente. Além do mais, vejo que eles usaram pouca erva sempre-viva. Eu também substituiria os ácidos graxos de óleo de linhaça por puro óleo de salmão do atlântico. Mas manteria o fígado de kappa, por razões óbvias.
Ela acompanhava o raciocínio dele.
— E ainda fortaleceria o sistema imunológico da paciente, prevenindo uma anemia. Parecem ser mudanças bem eficazes. Já experimentou essa fórmula, Sr. Snape?
— É minha própria formulação, e ela foi elogiada na banca de mestres de Poções quando recebi meu título. Eu me ofereço para prepará-la para Lily e seus demais pacientes.
— Eu agradeço, mas preciso com urgência...
Severus a interrompeu:
— É minha intenção começar a preparar agora mesmo. Vai ser uma noite longa e preparar poções sempre me acalma. Aliás, posso preparar o que mais sua enfermaria necessitar.
— Sério? Não quer ir para casa?
— Se pudesse, eu ficaria ao lado de Lily a noite toda. Como não posso, por que não me ocupar com algo útil que me ajudará a relaxar? Isto é, se não houver objeções.
Madame Pomfrey pareceu impressionada (o que não era algo fácil ou comum) e decidiu:
— Muito bem, então. Jantaremos juntos. Após o jantar, eu o encaminharei ao laboratório com a lista de poções que preciso.
— Não preciso jantar, eu...
— Por favor, Sr. Snape. Se vai estocar a enfermaria da escola com poções desse nível de eficiência, o mínimo que posso fazer é oferecer uma refeição.
Ele deu um pequeno sorriso.
— Por favor, chame-me de Severus.
