Categoria: Multitemporadas.
Spoiler: Até o episódio 6x09. E, em principal, do episódio 4x25.
Classificação: PG - 13, por segurança.
Capítulos: 4 / 6
Advertências dos Capítulos: Podem conter linguagem obscena.
Completa: [ ] Yes [X] No
Sinopse: Os melhores planos propostos são uma merda.
IV – Uma semana
-O que você acha?
-Desculpe? – Booth perguntou um pouco perdido ao erguer a cabeça e observar sua parceira na porta de seu escritório.
-Sobre o bebê. O que você me diz? Acredito que uma semana tenha sido tempo suficiente para me dar uma resposta.
Booth deixou sua caneta de lado e espirou. Realmente imaginava que ela podia ter, assim, esquecido do assunto. Ele era um homem de fé, afinal...
Se ergueu e foi ao seu encontro, olhando nervosamente para os lados enquanto a puxava para dentro do escritório e fechava a porta e as persianas do local. Tudo o que não precisava era de seus companheiros de trabalho – ou seu chefe – sabendo da proposta indecente de Brennan.
-Ok, vamos esclarecer algumas coisas, está bem? – disse bem devagar, fitando-a. – Por mais lisonjeado que esteja com sua, uh, oferta... Não vou ter uma criança porque meu filho de 10 anos quer um irmãozinho. Isso é irracional. Desse modo, tive uma conversa com Parker. Esclarecendo as inúmeras razões do porque "não vai acontecer, mesmo no inferno" era uma ótima resposta.
-Oh. Entendo.
-Você parece... Bones, você parece desapontada.
Brennan ponderou por um momento antes de assentir. – Eu estou – deu de ombros. – Sinceramente, pensei que faríamos isso. Booth, eu também não estou ficando mais jovem, você sabe – ela sorriu ligeiramente, auto-consciente. – Além disso, não é como se tivesse desistido de ter um filho só porque adiei meus planos.
-Não seja boba, Bones! – o agente tentou aliviar o clima. – Você é inteligente, é linda e, como se não bastasse, como a cereja no bolo: tem um monte de dinheiro! Vai encontrar um cara legal, vocês vão se apaixonar, se casar – Brennan parecia horrorizada. - Ok, então sem casamento – brincou, surpreendentemente interpretando errado a reação da amiga. - E ele vai ser o pai do seu bebê... e-
Brennan franziu o cenho, ressentida. Ela cruzou os braços e suspirou com frustração, antes de redarguir com sua costumeira arrogância:
-Mas eu quero você.
-... E então vocês comprarão uma casa ridiculamente cara no... WHOAH! Espere, retroceda isso. Agora. O que disse?
-"Eu quero você" – ela citou a si mesma, sem emoção. Booth tinha a aparência de alguém que levara um soco na boca do estômago. Sua face já havia ultrapassado o choque e, ao momento, encontrava-se na fase "desorientação completa e sem ar". - Eu pensei que isto estivesse claro.
-Uh, estou quase certo que não.
Instintivamente, Brennan avançou ao seu encontro. – Booth?
-Eu só preciso... me sentar um pouco. Está bem, Bones? Eu vou só... – ele apontou para sua poltrona, fitou Brennan e tornou a olhar a cadeira. Ainda em estado de choque, Booth se sentou pesadamente, incapaz de acreditar no que ouvira.
Mas Brennan precisava lhe explicar seu ponto de vista, precisava fazê-lo ver que não era uma insanidade abismal ter um filho com ela. Se ao menos ela pudesse se fazer entender...
-Eu quero que seja o pai do meu filho porque sei que sempre estará presente e, tanto quanto eu, vai amar nosso bebê. Eu sei que ainda tenho dificuldades em lidar com aspectos interrelacionais, mas estou tentando duramente melhorar, Booth. Você sabe disso. Esteja certo de que eu não quero ser apenas a mãe do seu bebê. – ela espirou. – Por favor, Booth, diga que você me entende.
-Sei que será uma mãe maravilhosa, Bones – ele comentou distraidamente. Perguntando-se se, há quase três anos atrás, ela ouvira algo do que ele dissera quando afirmara "querer tudo" quando tivesse um filho.
Brennan bufou, ele definitivamente não estava "chegando lá". Ela tentou outra vez: - Também não desejo só um pai para meu bebê. Eu quero um parceiro, mas só se este for você.
Booth apertou com a mão sua própria boca, tentando refrear sua língua, tentando com todas as forças não se ofender com a perspectiva que Brennan lhe oferecia. Ela não tinha culpa por não entender, ou melhor, não sentir o mesmo que ele em relação a criação de uma nova vida. Na verdade, ela dera um grande passo admitindo não conseguir fazer tudo sozinha. Ainda assim, não era suficiente para ele.
-Não posso fazer isso, Bones. Nem mesmo por você - devagar, ele postou as mãos sobre o colo. - Eu sinto muito, mas você sabe o que penso a respeito disso. Eu ainda quero tudo – acrescentou suavemente.
-Você quer tudo com outra pessoa? – indagou cuidadosamente.
Booth franziu o cenho. – Que tipo de pergunta é essa?
-Como eu posso saber? - Exasperada, Brennan lançou as mãos para o ar. - Bem, Booth, eu preciso que me explique o que raios isso significa também! Porque, se não me engano, ofereci tudo o que há três anos você queria e, ainda assim, você não quer me dar um bebê!
Ele teria se divertido com o uso correto da figura de linguagem, mas ao momento só sentia frustração.
-Quando diabos você fez isso? – ele aumentou a voz para se equiparar à dela, se erguendo da cadeira. – Até onde eu sei, eu já sou seu maldito parceiro de merda!
A porta foi aberta repentinamente:
- Agente Booth, eu preciso que você revise este relatório para-
-Agora não. Saia daqui! – Brennan rosnou para a pessoa que mantinha a porta aberta atrás dela, sem sequer olhar para trás. Os olhos dela perfuravam Booth e, ah se ela não ia conseguir uma explicação para o tom depreciativo dele...
-Doutora Brennan?
Brennan o fitou por sobre o ombro, nenhum traço de reconhecimento expresso em sua face dura. Ela piscou. – Eu preciso que você saia agora, doutor Sweets.
Lance Sweets estava simplesmente aterrorizado com o olhar que Brennan havia lhe lançado.
-Eu tenho trabalho a fazer por aqui, Bones! – Booth sibilou e Sweets estremeceu. Ele era um psicólogo treinado, era esperto e podia lidar com quase qualquer coisa, mas Deus sabe que seu primeiro impulso ainda era correr para longe desesperadamente para não estar entre aqueles dois. Infelizmente, ele era um profissional.
Fechando a porta atrás de si, ele arriscou:
– Vocês estão bem?
-Com certeza.
-Não.
-Vocês querem falar sobre isso?
Booth e Brennan se entreolharam por um milésimo de segundo e quando se voltaram para ele, tinham o mesmo sorriso de escárnio. Novamente uma frente unida; mais especificamente: uma frente unida contra ele. – Que tal fazermos isso na nossa festa do pijama?
Sweets virou os olhos para o comentário do agente. – Eu só quero ajudar.
-Claro, como você sempre tem feito – Booth afirmou com sarcasmo. – Nós devemos tudo que somos a você.
Sweets recuou um passo, machucado com as implicações escondidas nas palavras de Booth.
-Doutor Sweets, eu realmente preciso que nos de licença. E desde já eu peço desculpas pelo comentário de Booth.
Booth franziu o cenho para ela e Brennan o desafiou a contrariá-la com um olhar. Booth suspirou. – Me desculpe Sweets, eu passei dos limites.
O homem mais jovem deu de ombros. – Vamos falar disso, ha, depois, ok?
Booth fez um gesto vago com a mão e Brennan sequer se deu ao trabalho de responder enquanto se aproximava do parceiro.
-Ok, onde estávamos? Ah sim, Bones eu preciso trabalhar!
-Você precisava trabalhar há meia hora atrás e isto não o impediu de falar comigo – ela pontuou. – Mas, se você precisa mesmo voltar ao trabalho, podemos conversar no horário do almoço que é exatamente – ela consultou o relógio. – em dez minutos. Vou esperá-lo lá fora.
Booth bufou, não precisou pensar uma segunda vez. Ele segurou o braço dela, impedindo-a de sair. Trancou a porta, nem disposição para interrupções dessa vez; e fez um sinal amplo para que a mulher se sentasse. – Vamos lá...
